segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Pe. Palau: a Rússia cismática
é elo central da conspiração contra a Redenção

Patriarca cismático de Moscou Kirill.  Fundo: O grande bode, Francisco Goya (1746-1828), Museu do Prado
Patriarca cismático de Moscou Kirill.
Fundo: O grande bode, Francisco Goya (1746-1828), Museu do Prado
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: a Rússia gemendo ante o Juízo de Deus se converterá como São Paulo



Nos posts anteriores vimos o Beato Palau com linguagem figurativa mas muito expressiva mostrar os fatores de perdição histórica da Rússia sendo julgados pela Justiça Divina.

E, também, a categórica afirmação de que essa imensa nação se converterá por uma misericórdia de Deus conquistada por almas santas, especialmente polonesas, que rezaram pelo perdão do mundo russo.

O Beato Palau não podia conhecer a promessa da conversão da Rússia que Nossa Senhora fez em Fátima quase meio século depois.

O bem-aventurado espanhol não apelava apenas a uma percepção profética ou sobrenatural para discernir os grandes fatores de perdição da Rússia. Ele raciocinava – e muito – com base na arquitetura da História.

Para ele o império russo cismático é uma das engrenagens do processo do demônio que visa através dos séculos destruir a obra da Redenção que Nosso Senhor conquistou no alto do Calvário.



A Rússia virou a central de irradiação do cisma – com suas heresias e corrupção– iniciado em Constantinopla em 1054, ou grande cisma de Oriente.

Por ordem do czar, os bispos cismáticos de rito grego criaram um espúrio Patriarcado de Moscou para servir melhor ao patrão imperial, que cobiçava conquistar os vizinhos, e queria uma aprovação religiosa.

Mais tarde, o czar Pedro o Grande extinguiu autoritariamente esse Patriarcado que ficou fechado dois séculos.

Enviados do Patriarcado de Moscou comparecem ao Concílio Vaticano II para conferir que o comunismo não seja atacado.
Enviados do Patriarcado de Moscou comparecem ao Concílio Vaticano II
para conferir que o comunismo não seja atacado.
Quando veio a Revolução Bolchevista, bispos cismáticos fizeram um pacto satânico com Lenine. Eles apoiariam o comunismo desde que o poder vermelho restaurasse dito Patriarcado.

Desde então, e com sobes e desces, o Patriarcado de Moscou foi mera agência do comunismo internacional encarregada de atrair os cristãos desprevenidos à órbita da revolução promovida pelo Kremlin no mundo inteiro.

Eis como o Pe. Palau via essa participação da Rússia no imenso plano histórico de Satanás contra a Cristandade e sua mãe a Igreja Católica e que ele denominava, em letras maiúsculas, REVOLUÇÃO.

Ele imaginava o raciocínio de Satanás ébrio de orgulho e revolta contra Deus:

“Ao longo dos séculos, os enormes crimes cometidos pelas nações, seus reis e sacerdotes na presença de Deus, provocaram sua ira e os tornou merecedores de serem devolvidos a meu domínio.

“Por causa do crime de deicídio, tenho sob minha jurisdição a Palestina e o povo judeu;

“por meio de Maomé, apresentei batalha em vastas regiões da África e parte da Ásia e venci.

“As coroas da Grécia e da Rússia me pertencem por justiça,

“pelo protestantismo eu consegui fazer apostatar a maioria dos reis da Europa

“e, ultimamente, sem máscara e com rosto descoberto, escrevendo na minha bandeira o título REVOLUÇÃO! fiz uma insurreição geral na França, na Espanha e na Itália.

“O que é que vos ficou?

“A sociedade humana me pertence por direito;

“Todas as nações se renderam a mim e apostataram da Igreja Católica:

“eu fiz tremular minha bandeira e todos os reis da terra se emanciparam de vossa lei”.

(“Noticias del cielo: vuelta de mi sombra”, El Ermitaño, Ano I, nº 8, 24 de dezembro de 1868)

Comentário do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira


Tendo ouvido esta e outras citações do Pe. Palau sobre a parte que cabe à Rússia na ofensiva universal de Lúcifer, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira teceu os seguintes comentários:

Para se compreender a história da Rússia é preciso sondar a grandeza e a miséria de Bizâncio.

Imperador Constantino cedeu Roma à Igreja e fundou Constantinopla. Mosaico em Agia Sofia, Bizâncio
Constantino cedeu Roma à Igreja e fundou Constantinopla. Mosaico em Agia Sofia, Bizâncio
Constantino fez uma obra insigne quando tirou a Igreja das catacumbas e ergueu o trono de São Pedro na altura eminente de Roma para que todo o mundo reconhecesse o Papa como chefe da Igreja universal.

Mas percebeu que no mesmo território não cabiam dois soberanos supremos, um espiritual e outro temporal.

Que Roma com todas as suas grandezas e suas glórias deveria ficar como capital espiritual do mundo.

Os homens deveriam ter outra capital temporal. Para isso escolheu a cidade de Constantinopla.

Constantino entendeu que não valia a pena reviver as ruínas de Atenas e que era preciso fazer uma grande capital que contivesse algo de novo: a cultura católica. Essa pedia um panorama novo que enriquecesse a alma do país que ia nascer.

Constantinopla ficou a capital da Europa Oriental e da Ásia Menor com projeções sobre o Mediterrâneo e o território asiático.

Esse império foi mais majestoso, mais sério e mais refinado que o império romano de Ocidente.

Ali se instalou também a Igreja Católica e o patriarca de Constantinopla foi um dos grandes hierarcas da Igreja.

Deus deu à Igreja católica no Oriente a majestade de tudo quanto desce do Céu e a seriedade e a gravidade de tudo quanto procede de Deus.

Ali São João Crisóstomo criou um rito extraordinariamente rico, belo, majestoso, sério, recolhido e poderoso.

Nasceu um tecido de igrejas, palácios, mosteiros, ermidas e prédios eclesiásticos que a Rússia herdou desde o rio Neva no Báltico até perto do Japão no oceano Pacífico. Não se concebe quase um império maior do que este.

Esse império teve uma nota faustosa, grandiosa, de uma seriedade extraordinária que impregnou a vida religiosa e a monarquia.

O monarca único e absoluto de uma extensão daquelas podia levantar exércitos de um tamanho desmedido, etc.

Tudo isso dava à Rússia o caráter de uma guia a pairar sobre a Europa e sobre a Ásia com suas asas do Mar Báltico até o Oceano Pacífico.

Beato Francisco Palau y Quer OCD

Poucos homens tinham tanto poder quanto o Czar. Diz o Beato Palau:

“O cisma é representado pela Rússia. Esse império está em ruínas?

“Não: tem quatro milhões de soldados preparados para o combate no estilo dos alemães, que dominam o norte e olham para o leste.

“Essa fera feroz ameaça devorar a Turquia, seu objetivo não é defender a Igreja Católica, mas aproveitar o Calvário para acabar com sua existência ali mesmo onde nasceu”.

(“La causa de la religión: defensa”, El Ermitaño, Ano III Nº 126, 6 de abril de 1871).

O Papa, prossegue o Dr. Plinio, tinha mais poder espiritual, mas imensamente menos poder material que um Czar.

O Papa tinha um poder maior porque monarca absoluto das almas de milhões e milhões de súditos que acreditam nele com todas as suas forças.

Portanto tinha mais poder do que qualquer homem dono de exércitos, artilharia e o que for. Quem tem a bomba atômica, não tem o poder de um Papa.

Este poder cercou a Rússia de um prestígio universal enorme, e de uma beleza muito grande, que se pode notar nas admiráveis obras de arte do Kremlin

Mas, esse prestígio era, e continuou até hoje, um colosso de pés de barro.

Por que razão?



Continua no próximo post: O demônio montou no colosso cismático para impor o comunismo ao mundo


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