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segunda-feira, 5 de junho de 2023

O olhar dos santos e o de Nossa Senhora em La Salette

Há 166 anos, em 19 de setembro, Nossa Senhora apareceu em La Salette e deixou uma mensagem
Em 1846, num 19 de setembro, Nossa Senhora apareceu em La Salette e deixou uma mensagem
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






continuação do post anterior: Um comentário sobre o olhar irreproduzível de Nossa Senhora de La Salette



Num 19 de setembro, Nossa Senhora apareceu em La Salette.

Ela deixou uma mensagem da mais alta importância. Essa mensagem, mais conhecida como o Segredo de La Salette, encontra-se transcrita na integridade e em diversas línguas neste blog.

Enquanto Nossa Senhora falava, o magnífico panorama alpino do local se transformou. E as crianças viram nele a efetivação do que Nossa Senhora dizia.

Mas, Nossa Senhora falou também pelo olhar. E disse coisas que as palavras são insuficientes para transmitir.

Mélanie descreveu assim esse olhar de Nossa Senhora:
Olhar de Santa Gemma Galgani
Olhar de Santa Gemma Galgani
“Os olhos da Santíssima Virgem, nossa terna mãe, não podem ser descritos por língua humana.

“Seria preciso um serafim, seria preciso a linguagem do próprio Deus, desse Deus que criou a Virgem Imaculada, obra-prima de sua onipotência.

Olhar de Santa Teresinha
Olhar de Santa Teresinha, OCD
“Os olhos da augusta Maria pareciam mil vezes mais belos que os brilhantes, os diamantes, as pedras preciosas mais procuradas.

“Eles brilhavam como sóis. Eram doces, feitos da própria doçura, luminosos como um espelho.
Olhar de Santa Bernadette Soubirous

“Em seus olhos via-se o Paraíso, eles atraíam a Ela.

“Ela parecia querer dar-se e atrair. Quanto mais eu a olhava, mais a queria ver.

Olhar de São Pio X, Papa
Olhar de São Pio X, Papa
“Quanto mais a via, mais a amava com todas minhas forças.

“Os olhos da bela Imaculada eram como a porta de Deus, de onde se via tudo que pode inebriar a alma.


Olhar de Santa Teresa de los Andes, OCD
Olhar de Santa Teresa de los Andes, OCD
“Quando meus olhos se encontravam com os da Mãe de Deus e minha, sentia dentro de mim uma feliz revolução de amor, uma promessa de amá-la e de me desfazer de amor.

“Quando nos olhávamos, nossos olhos conversavam à sua maneira.

Olhar da Beata Elisabeth de la Trinité, OCD
Olhar da Beata Elisabeth de la Trinité, OCD
“Eu a amava tanto, que teria querido osculá-la entre os olhos.

“Eles enterneciam minha alma e pareciam atraí-la e a fundir com a minha.

“Seus olhos inculcaram um suave tremor em todo o meu ser.
Olhar de São Luís Orione (Don Orione)
Olhar de São Luís Orione (Don Orione)

“Eu temia qualquer movimento que lhe pudesse ser desagradável, por menor que fosse.

“A simples visão dos olhos da mais pura das virgens teria bastado para tornar-se o céu de um bem-aventurado.
Olhar de São João Bosco
Olhar de São João Bosco

“Teria bastado para que uma alma se unisse plenamente com a vontade do Altíssimo, permanecendo assim em meio aos eventos da vida mortal.


“Teria bastado para que esta alma praticasse contínuos atos de louvor, de ação de graças, de reparação e de expiação.
Olhar da Beata Jacinta Marto (vidente de Fátima)
Olhar de Santa Jacinta (vidente de Fátima)

“Esta simples visão concentra a alma em Deus e a torna como uma morta viva que olha todas as coisas da Terra, até as que lhe parecem mais sérias, como se fossem brinquedos de crianças.

Olhar de São Pio de Pietrelcina (Padre Pio)
Olhar de São Pio de Pietrelcina (Padre Pio)
“Ela não desejaria senão ouvir falar de Deus e do que toca na sua glória”.




Enquanto Nossa Senhora falava, no imenso panoarma alpino viam-se os acontecimentos  que Nossa Senhora anunciava e os males que queria evitar para a humanidade pecadora
Enquanto Nossa Senhora falava, no imenso panorama alpino viam-se os acontecimentos
que Nossa Senhora anunciava e os males que queria evitar para a humanidade pecadora
continua no próximo post: As lágrimas da Rainha destronada



segunda-feira, 9 de setembro de 2019

As promessas de Nossa Senhora, visões de santos e a conversão dos anglicanos

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Cardiff, outubro de 2009
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Quando Maximin, vidente de La Salette, redigiu o Segredo que lhe confiou Nossa Senhora em 1851 escreveu: “um grande país no norte da Europa, hoje protestante, se converterá. Pelo apoio desta nação todos os outros países se converterão”.

Na redação de seu Segredo feita em 1853 Maximin, vidente de La Salette registrou que esse país protestante seria a Inglaterra.

Na redação de seu Segredo feita em 1853 Maximin registrou que esse país protestante seria a Inglaterra.

Essas são suas palavras redigidas em 5 de agosto de 1853:

“A Inglaterra será o instrumento pelo qual todas as nações do universo se converterão”.

Dita conversão seria um dos sinais da proximidade dos terríveis castigos que purificariam o mundo preparando o advento do Reino de Maria.

Esta previsão adquiriu cogente atualidade após a notícia oficial que a Igreja Católica se apresta a receber grandes blocos de anglicanos ‒ sobre tudo ingleses ‒ agastados com a nomeação de “sacerdotisas”, “bispos” e “bispas” homossexuais.

As notícias da mídia inglesa especulam que poderiam ser milhões. Entre eles tal vez 30-50 “bispos” e 1.000 “sacerdotes” (os anglicanos não têm o sacramento da Ordem, e esses títulos não têm o significado que têm no Catolicismo).

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Lancaster, outubro de 2009
Para o influente diário de Londres “The Times”, no fim do processo a igreja anglicana poderia ficar reduzida a uma insignificância residual.

A simples perspectiva da conversão de grande número de anglicanos ao catolicismo causou, obviamente, forte mal-estar nos ambients anti-católicos, em certa mídia e nos ambientes "progressistas" intoxicados por um falso ecumenismo. 

O fato tem projeção política, social e cultural. O anglicanismo é a religião oficial de Estado e a rainha Elisabeth II é a chefe nominal dela.

Uma lei proíbe os católicos herdarem o trono. Porém, houve casos recentes de príncipes e princesas da casa real inglesa que se tornaram católicos.

Segundo boatos nunca confirmados, mas também nunca desmentidos, a rainha teria, ela própria, ocultas simpatias pelo catolicismo e participa do desgosto de inúmeros anglicanos com a decomposição moral do “clero” dessa denominação.

Há sérias iniciativas parlamentares visando remover a lei que proíbe um príncipe católico herdar o trono.

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Darlington, outubro de 2009
A passagem em massa de anglicanos para o catolicismo fez lembrar não só La Salette mas outras profecias particulares relativas à conversão da Inglaterra.

A visão de São Domingos Sávio

Além do segredo de La Salette a mais famosa é o “sonho” de São Domingos Sávio. Em verdade, tratou-se de um êxtase que o menino santo chamou de “distração”.

Este “sonho” é especialmente digno de nota, pois envolve também a São João Bosco e ao Beato Pio IX. A vida e a obra dos três foi objeto dos severos crivos dos processos de beatificação e canonização.

Neles, escritos e falas dos três foram analisados com lupa pelos advogados vaticanos que os declararam isentos de todo erro contra a fé ou contra a moral.

A visão num êxtase de São Domingos Sávio foi descrita pelo próprio São João Bosco no capítulo XX do livro “Vita del giovanetto Savio Domenico” (“Vida do jovem Domingos Sávio”) .

Don Bosco conta que estando perto de São Domingos Sávio agonizante perguntou-lhe o que ele diria ao Papa se pudesse falar-lhe. De ali nasceu o seguinte diálogo entre os dois santos:

“‒ Se eu pudesse falar ao Papa, quereria lhe dizer que em meio às tribulações que o aguardam não deixe de trabalhar com especial solicitude pela Inglaterra; Deus prepara um grande triunfo do catolicismo naquele reino.

“‒ No que é que V. baseia essas palavras?

“‒ Vou contar-lhe, mas não mencione isso aos outros, pois podem achar ridículo. Mas se o Sr. vai a Roma, diga-o a Pio IX por mim. (...)

“Certa manhã, durante minha ação de graças após a comunhão, voltei a ter uma distração, que me pareceu estranha; eu achei ver uma grande parte de um país envolvida em grossas brumas, e estava cheia com uma multidão de pessoas.

“Estavam se movendo, mas como homens que, tendo perdido seu caminho, não estavam certos onde pisavam.

Beato Papa Pio IX
“Alguém próximo disse: ‘Esta é a Inglaterra.’

“Eu estava para fazer algumas perguntas a respeito disso quando vi Sua Santidade Pio IX, representado da mesma maneira que vi nas figuras.

“Ele estava majestosamente vestido, e estava carregando uma tocha brilhante com a qual ele se aproximou da multidão, como que para iluminar sua escuridão.

“À medida que se aproximava, a luz da tocha parecia dispersar a névoa, e as pessoas foram trazidas à plena luz do dia.

“Esta tocha,” disse meu informante, “é a religião Católica que está para iluminar a Inglaterra”.

No Boletim Salesiano (Turim, abril de 1924, nº 4), ainda encontramos as seguintes confidências ouvidas por São João Bosco da boca do menino santo:

‒ “Quantas almas aguardam nossa ajuda na Inglaterra! Oh se eu tivesse força e virtude, quereria ir para lá aqui na hora e conquistá-las todas para o Senhor com pregações e com o bom exemplo”.

No mesmo sentido lemos na "Vita del giovane Savio Domenico 1877":

“No dia seguinte, ele fez todos os exercícios pela boa morte, despediu-se dos companheiros, um por um, pagou uma dívida de dois tostões que tinha com um deles, falou aos sócios da Companhia da Imaculada, e por fim saudou a Don Bosco dizendo:

‒ “O Sr. indo a Roma lembre do recado para o Papa pela Inglaterra. Reze por mim para que eu possa ter uma boa morte e adeus até o Paraíso...”

Don Bosco cumpriu o combinado, e deixou constância no mesmo livro:

“No ano de 1858 quando eu fui a Roma, contei essas coisas ao Sumo Pontífice, que ouviu com bondade e aprazimento.

“‒ Isto, disse o Papa, me confirma no propósito de trabalhar energicamente em favor da Inglaterra, pela qual eu já engajo as minhas mais vivas solicitudes. Esse relato, para não dizer mais, chega-me como o conselho de uma boa alma.”

__________________

E São Domingos Sávio não foi nem o único nem o primeiro santo que recebeu luzes proféticas sobre a conversão futura da Inglaterra e dos grandes fatos que adviriam em consequência do retorno inglês à Fé católica, única verdadeira.



A peregrinação das relíquias de Santa Teresinha
e a conversão da Inglaterra





Versão em inglês -- English version




segunda-feira, 28 de abril de 2014

Santa Teresinha, La Salette, o espírito de cruzada e a santidade





A família toda de Santa Teresinha, incluindo a Santa, inscreveu-se numa piedosa associação reparadora pelos pecados da humanidade denunciados por Nossa Senhora em La Salette.

A grande carmelita de Lisieux desejava passar o Céu fazendo o bem na Terra, mas não tinha uma alma débil, desprovida de personalidade e força de caráter, que fugia do sofrimento e da luta.

Se assim o fosse, não teria sido elevada às honras dos altares, nem teria sido apresentada ao mundo católico como “uma nova Joana d'Arc” pelo Papa Pio XI (a 18 de maio de 1925).

É muito oportuno e mesmo necessário, pois, considerarmos este aspecto de sua alma, frequentemente esquecido ou falseado em imagens e santinhos, onde ela aparece com a fisionomia impregnada por um adocicamento sentimental e romântico, totalmente inexistente em sua forte e marcante personalidade.

Vejamos algumas de suas afirmações que refletem o espírito de cruzado que animava a Santa da chuva de rosas:

“Na minha infância sonhei lutar nos campos de batalha.

“Quando comecei a aprender a História da França, o relato dos feitos de Joana d'Arc me encantava; sentia em meu coração o desejo e a coragem de imitá-los” (1).

“Adormeci por alguns instantes -- contava ela à Madre Inês -- durante a oração. Sonhei que faltavam soldados para uma guerra contra os prussianos.

“Vós dissestes: É preciso mandar a Irmã Teresa do Menino Jesus. Respondi que estava de acordo, mas que preferia ir para uma guerra santa. Afinal, parti assim mesmo.

“Oh! não, eu não temeria ir à guerra. Com que alegria, por exemplo, no tempo das cruzadas, teria partido para combater os hereges. Sim! Eu não temeria levar um tiro, não temeria o fogo!” (2)

"Lançando-me na arena
“Não temerei ferro nem fôgo ....
“Sorrindo enfrento a metralha ....
“Cantando morrerei, no campo de batalha
“As armas à mão”, bradava ela (3).

“Quando penso que morro numa cama! Como desejaria morrer numa arena!” (4)

A santidade! É preciso conquistá-la à ponta da espada. .... É preciso combater!” (5)
____________________
Notas:
1) Lettres de Sainte Thérèse de l'Enfant-Jésus, Carta ao Abbé Bellière, Office Central de Lisieux, 1948.
2) Carnet Jaune, 4.8.6 -- in Derniers entretiens, Éditions du Centenaire, Desclée de Brouwer-Éditions du Cerf, Paris, 1971.
3) Mes Armes -- Poésies, Édition du Centénaire, Cerf-Desclée de Brouwer, Paris, 1992 (Carnet jaune, Mère Agnès de Jésus, 4 de agosto).
4) Summarium [do Processo de Beatificação e Canonização], depoimento de Celina, 2753.
5) Correspondance Générale, Éditions du Cerf-Desclée de Brouwer, Paris, 1972, t. I (1877-1890), Carta (­­nº 89) a Celina, de 26 de abril de 1889. E Lettres de Sainte Thérèse de l'Enfant Jésus, Carta a Leônia, de 20 de maio de 1894.

Video: Urna contendo as relíquias de Santa Teresinha, Lisieux
Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual” (3)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









CONCLUSÕES: A infância meditativa

Ela tinha o costume de subir a uma parte mais alta da casa, para ver as estrelas à noite, etc.

E a “História de uma alma” ‒ que equivale a suas Memórias” ‒ fala das infinitudes que havia no pensamento dela.

Santa Teresinha tinha em si toda a doutrina contrarrevolucionária, mas não tinha a missão de explicitá-la.

Ela tinha a missão de morrer pelos contrarrevolucionário, de viver, de traçar a Pequena Via que torna a Contra-Revolução acessível ao grosso dos que a seguem.

Mas havia todo um firmamento de ideias nela, o qual já desde essa idade se prenuncia.

Era uma criança altamente meditativa. No fim da vida, quando estava madura para o Céu, e portanto quando tinha atingido a santidade a que a havia destinado o desígnio da Providência, ela contava que quando tinha por volta dos dez anos ‒ quer dizer, um pouquinho mais velha do que está aqui ‒ ia com a irmã a um belvedere lá dos Buissonnets, e tinham conversas em que ela recebia tantas ou mais graças do que as que receberam Santo Agostinho e Santa Mônica no famoso colóquio da hospedaria de Óstia, pouco antes de Santa Mônica morrer. Portanto, quando a santidade de Santa Mônica estava consumada, e ela estava para ir para o Céu.

No fundo, nota-se isso no olhar dela. Não se pode descrever um olhar.

Se se perguntasse a São Pedro o que lhe disse o olhar de Nosso Senhor, o que poderia ele responder? Responderia:

“Ele disse algo por onde eu chorei a vida inteira. As lágrimas mais amargas e mais doces que jamais se choraram, depois das de Nossa Senhora, chorei-as eu”.

E não teria outra coisa para dizer, pois o olhar é algo de inefável. Ou se vê aqui esse olhar e se sente, ou não se o vê, e não posso fazer nada.

A um só olhar estava reservado algo que é supra-excelente: ver, olhar com as pálpebras descidas.

Este é o olhar do Santo Sudário. Ali Nosso Senhor está com as pálpebras descidas, mas Ele olha.

E que olhar! Nós só não choramos porque não somos São Pedro.

A principal etapa da vida

Santa Teresinha morreu aos 24 anos. A sua infância marcou tão profundamente os rumos de sua vida, que é a mais ilustrativa para se conhecer o seu espírito.

Tenho impressão de que na vida de Santa Teresinha os pontos culminantes são a sua infância e o fim, às vésperas da morte.

Quando ela escreveu sob obediência seus “Manuscritos Autobiográficos”, não falou quase nada de sua vida no convento. Só mais tarde, para atender sua Priora, é que falou de sua vida de freira.

A infância, para ela, foi tudo. Por quê? Porque foi uma infância profundamente consciente, meditada e raciocinada.

Aqui está um elemento precioso para o conceito de infância espiritual.

Não é bobeira, não é tolice, muito menos irreflexão.

É, de dentro de uma alma pequena, de uma alma de criança, ser capaz das maiores coisas; com uma apresentação amável, afável e autêntica, não a pura apresentação do espírito de uma criança.

Aqui, a meu ver, está a nota: Santa Teresinha poderia repetir que as nossas cogitações e as nossas vias não são as dela.

Mas não é o que ela nos diria. A sua missão é a de, pela sua presença, e como num “flash”, apresentar a via dela e atrair, arrastar para a sua via. E isso com o afável, com o pequeno, o acessível, o encantador que a infância tem.

Mas que infância meditativa! Que infância fecunda! Uma infância que se pode comparar ao fim da vida de Santa Mônica! É uma santa falando de si mesma.

Aí se vêem os tesouros de maturidade, de meditação, de profundidade, e, se necessário for, de atividade, que cabem dentro da verdadeira infância espiritual.

Foi ela quem disse: “Para o amor nada é impossível”. Em nossa linguagem isso se traduz: “Para o enlevo, para o zelo do verdadeiro católico, nada é impossível”.

Aqui está Santa Teresinha do Menino Jesus, com todo o tesouro de meditação que tinha, e que pode existir numa alma de criança, como a que ela conservou até o summum de sua maturidade. É preciso ver bem: viveu a infância fiel a si mesma, sendo ela mesma até o apogeu de sua maturidade. É uma coisa magnífica.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)

Vídeo: Santa Teresinha do Menino Jesus: datas da vida (3/3)



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual” (2)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Continuação da postagem anterior: Santa Teresinha e a “infância espiritual” (1)




5ª) O sorriso

Numa parte mais delicada da análise, percebemos que a boca é reta, com os lábios finos e muito firmes. É uma firmeza na qual não existe uma gota de amargura.

Pelo contrário, há um certo sorriso indefinível. Falam tanto do sorriso da Gioconda, mas isto é que é sorriso! Ela não está nem um pouco sorridente, mas há um sorriso indefinível nos lábios dela. Há qualquer coisa nela que sorri, sem que se possa propriamente dizer que ela está sorrindo.

Tem-se a impressão de que o fotógrafo disse a ela para sorrir, e ela, para não desatender a ele, esboçou qualquer coisa vagamente à maneira de sorriso.

Há algo de sorriso espalhado no rosto dela: está um pouco nos olhos, um pouco nos lábios, está numa afabilidade geral da pessoa. Ela está numa posição muito afável e muito acolhedora, numa posição de muito boa vontade em relação a todo mundo.

No entanto, é uma atitude risonha que indica ao mesmo tempo força de alma e caráter, no sentido próprio da palavra.

É o contrário dessas imagens sulpicianas de Santa Teresinha que se encontram por aí: derramando rosas, e sorrindo não se sabe de que jeito. Não têm nada deste sorriso.

Aquele é um sorriso de boneca de louça, mas esta aqui não tem nada da boneca de louça.

É um sorriso por detrás do qual há um pensamento. E é o lado pensamento que propriamente se deve atingir.

6ª) O nariz, a boca e a testa

O nariz tem uma forma um pouco proeminente, tem um pouco de combate, um pouco de luta.

Os lábios, apesar do sorriso, são finos e firmes, de quem tem verdadeiro caráter.

Analisando-se a testa, vê-se que é ligeiramente bombeada e, aliás, muito alta. A pessoa que a penteou, até puxou o cabelo para baixo, para disfarçar isso. Vê-se que ela tinha até muito cabelo.

Eu vi no museu de Lisieux a trança dela, uma trança loura magnífica, de cabelos abundantes. Mas a nascente era um pouco alta.

7ª) Os olhos

Considerando agora os olhos, observa-se que é sobretudo neles que reside aquele sorriso.

Notem que a expressão de fisionomia, a expressão do olhar, tem um pouco do que o francês chama de espiègle ‒ um pouco de esperteza, um pouco de graça ‒ na expressão do olhar.

Concentrando-se a atenção nos olhos, acaba-se percebendo que há nesse olhar todo um firmamento, um mundo de reflexão, de início de reflexão.

8ª) A contemplação

Para quem é que esse olhar está mirando?

Ele não olha para nada definidamente. Mira um ponto vago, indefinido, mas com uma espécie de enlevo, de consideração, de contemplação enlevada, afetuosa, respeitosa.

Em última análise, é o próprio de um espírito possantemente contemplativo. Na sua aurora, na sua primavera, é verdade, mas possantemente contemplativo, meditativo, interior, próprio a olhar as coisas do espírito, a olhar as coisas metafísicas, a olhar horizontes mentais mais ou menos infinitos.

É um olhar que paira no infinito, numa esfera completamente diferente daquela onde paira comumente o pensamento dos homens.

Santo Agostinho disse de si, nas “Confissões”, a respeito da sua infância: “Tão pequeno menino eu era, já tão grande pecador”.

Dela se poderia dizer: “Tão pequena menina era, e já uma tão grande santa”. Porque o seu olhar tem qualquer coisa que me custa exprimir adequadamente, mas que é aquela impostação da alma em coisas que são inteiramente superiores. Não indiferentes, nem hostis, nem alheias, mas superiores ao concreto, ao contingente, ao transitório, ao passageiro, ao individual.

Não é uma pessoa preocupada consigo. Ela aqui não se importa com o efeito que vai causar no fotógrafo; está de pé, do modo como ela é.

Disseram a ela que fosse posar para uma fotografia, e ela foi, obediente como os meninos do Evangelho, que Nosso Senhor acariciou, e aos quais é reservado o Reino dos Céus (Mat. XVIII, 3).

Não é uma menina filósofa, nem um pouco. Seria uma caricatura. Ela não é vesga, está numa pose e prestou atenção na máquina fotográfica, mas é como numa parte do rés-do-chão da alma dela.

Por cima desse rés-do-chão, que funciona perfeitamente bem, há toda uma outra construção.

Nessa idade, ela poderia dizer a nós aquilo que Nosso Senhor disse, pela boca do profeta Isaías, e que é uma das frases mais tristes, uma das suas queixas mais bonitas, onde a divina superioridade dEle se afirmou do modo mais magnífico: “As minhas cogitações não são as vossas cogitações, nem as vossas vias são as minhas vias” (Is. LV, 8).

É magnífica essa ligação das ideias de cogitação e via: a cogitação do homem como que dirigindo a sua via, e sendo prenúncio de todas as harmonias da via. E a elevação das cogitações dEle!

Pensem um pouco no Santo Sudário. Que cogitações! Aquilo é cogitar! Que vias! Aquela face do Santo Sudário não poderia dizer para nós as mesmas palavras de Isaías? Poderia, perfeitamente.

Santa Teresinha aqui também poderia nos dizer ‒ Christianus alter Christus ‒ que “as minhas cogitações não são as vossas cogitações, nem as vossas vias são as minhas vias”.

Caberia que ela o dissesse. Por quê? Porque ela está numa impostação de alma supinamente meditativa, pouco comum.

Ela aqui é toda sacral (“sacral” é aqui empregada no sentido do sagrado posto na ordem temporal ou profana). Não é a meditação de uma filósofa ou de uma teóloga, mas de uma santa.

É a oração ‒ que propriamente é o convívio da alma com Deus ‒ que está posta aí.



Vídeo: Santa Teresinha: lembranças da infância




(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual”(1)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A família Martin foi uma das muitas famílias católicas que se inscreveram nas confrarias de oração para atender os pedidos de reparação e penitência feitos por Nossa Senhora em La Salette.

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez parte delas.

No inicio de outubro, a festa desta grande santa que quis se fazer “pequena” é ocasião propícia para estas postagens em dias sucessivos.

A personalidade de Santa Teresinha numa fotografia

A esta magnífica fotografia de Santa Teresinha do Menino Jesus falta apenas o relevo, para se dizer que ela está viva.

Para comentar essa alma, procurarei explicitar as a impressões que esta fotografia produz.

Primeira impressão

A primeira impressão, ao olhar para ela, é a seguinte:

Que menina! A primeira explicitação, o primeiro jorro, deve ser assim.

Ela é ainda menininha, cheia de vida, de frescor, saltitante, e com essa espécie de extroversão própria de uma menina ainda na infância.

Aí se vê a beleza de uma alma de criança, na delicadeza, na fragilidade, na louçania da natureza feminina. Como essa fotografia é bem apanhada, e como pegou bem essa menina!

2ª) Idéia de pureza

Por detrás dessa impressão entra uma outra, pela qual a pessoa sente uma idéia de pureza. E sente-a mais ou menos em tudo.

A pureza vem presente, antes de tudo, no seguinte: nota-se nela, no sentido verdadeiro da palavra, uma boa espontaneidade.

É uma menina que não esconde nada, que não tem o hábito de esconder nada, e que sabe perfeitamente que não tem o que esconder. Ela não tem fraude nem dissimulação.

Dela se pode dizer o que Nosso Senhor disse de Natanael: “Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fraude” (Jo. 1, 47)

Aqui está uma verdadeira menina, pura, filha de uma família católica, que tem em si toda a pureza, toda a candura de uma vida de família católica, toda aquela delicadeza virginal que a vida de família católica comunica especialmente a uma menina. E isso sem fraude nenhuma. Ela tem isso inteira, e não tem o hábito de pecar.

3ª) Inocência batismal

Olha-se para ela, e ela está inteira. Ela vai falar, vai andar, mas com uma naturalidade, com um elã, com uma espontaneidade que tem muito da leveza e graça francesa, mas sobretudo muito da inocência batismal nunca rompida.

Essa alma não foi desfigurada por nenhum pecado. Ela tem uma forma de pureza que não é só o recato.

Não situo isso no seguinte comentário aguado: “É verdade: os bracinhos dela estão cobertos, e a saia desce até abaixo dos joelhos”. Refiro-me a uma pureza do olhar.

Essa pureza do olhar, essa pureza da alma, não é apenas a pureza da castidade, é a pureza de quem nunca pecou.

É o estado de inocência batismal com todo o seu perfume, com uma forma de candura que é mais ou menos como a vida no corpo.

A vida no corpo não é localizável: está aqui e está lá, está em tudo, no corpo vivo. Aqui também a inocência batismal está em tudo, está por toda parte.

Aqui também se poderia aplicar uma palavra francesa que não sei como traduzir: o estado de graça jamais flétri em uma alma.

4ª) Ordenação refletida

É uma menina tão viva, mas não é nem um pouco estouvada, irrefletida.

Se ela começasse a brincar com a corda de pular, não pularia de modo ridículo, apalhaçado, irrefletido. Ela de repente sairia correndo, mas não, por exemplo, de um modo bobo.

Todo mundo percebe que essa espontaneidade que há nela é presidida por uma certa regra, por onde ela nunca faz aquilo que não deve. E que, portanto, dentro do seu espírito há toda uma ordenação, todo um pensamento, toda uma reflexão.

Naturalmente, reflexão de criança, pensamento de criança, ordenação de criança; instintiva e subconsciente, mas real, por onde tudo o que fizesse seria de criança e de verdadeira criança, nem um pouco uma sabiazinha, uma mulherzinha metida e filosofinha. É o contrário disso.

Ela é inteiramente natural, mas sumamente ordenada, possui em si uma grande ordem interna.

Não se imagina essa menina fazendo qualquer desatino, compreende-se que ela não o faria. Através disso compreende-se a ordem que existe dentro dela.



Vídeo: Buissonnets: o lar de Santa Teresinha do Menino Jesus




(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)