sábado, 30 de outubro de 2010

Vocação e missão providencial do Brasil

No anoitecer em São João d’El Rei, o imponderável das ruas evoca um Brasil que deveria ter sido, um Brasil que não podemos admitir que nunca venha a ser.

Traz uma saudade de um Brasil tão diferente disso que hoje presenciamos, que até parece um sonho.

Mas não é um mero sonho, é uma promessa:

É a promessa da Providência Divina, que chamou o Brasil para uma missão especial.

Qual é essa missão providencial?

O que diz essa promessa?

Ei-la:

“Talvez não fosse ousado afirmar que Deus colocou os povos de sua eleição em panoramas adequados à realização dos grandes destinos a que os chama.

“E não há quem, viajando por nosso Brasil, não experimente a confusa impressão de que Deus destinou para teatro de grandes feitos este País, cujas montanhas trágicas e misteriosas penedias parecem convidar o homem às supremas afoitezas do heroísmo cristão, cujas verdejantes planícies parecem querer inspirar o surto de novas escolas artísticas e literárias, de novas formas e tipos de belezas, e na orla de cujo litoral os mares parecem cantar a glória futura de um dos maiores povos da Terra.

“Quando nosso poeta cantava que "nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá, e as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”, percebeu, talvez confusamente, que a Providência depositou na natureza brasileira a promessa de um porvir igual ao dos maiores povos da Terra.

“E hoje, que o Brasil emerge de sua adolescência para a maturidade, e titubeia nas mãos da velha Europa o cetro da cultura cristã que o totalitarismo quereria destruir, aos olhos de todos se patenteia que os países católicos da América são na realidade o grande celeiro da Igreja e da Civilização, o terreno fecundo onde poderão reflorir, com brilho maior do que nunca, as plantas que a barbárie devasta no velho mundo.

“A América inteira é uma constelação de povos irmãos. Nessa constelação, inútil é dizer que as dimensões materiais do Brasil são uma figura da magnitude de seu papel providencial.

“Tempo houve em que a História do mundo se pôde intitular Gesta Dei per francos. Dia virá em que se escreverá a Gesta Dei per brasilienses — as ações de Deus pelos brasileiros.

“A missão providencial do Brasil consiste em crescer dentro de suas próprias fronteiras, em desdobrar aqui os esplendores de uma civilização genuinamente católica, apostólica, romana, em iluminar amorosamente todo o mundo com o facho desta grande luz, que será verdadeiramente o lumen Christi que a Igreja irradia.

Video: Vocação e missão providencial do Brasil



“Nossa índole meiga e hospitaleira, a pluralidade das raças que aqui vivem em fraternal harmonia, o concurso providencial dos imigrantes que tão intimamente se inseriram na vida nacional, e mais do que tudo as normas do Santo Evangelho, jamais farão de nossos anseios de grandeza um pretexto para jacobinismos tacanhos, para racismos estultos, para imperialismos criminosos.

“Dái a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

“Se algum dia o Brasil for grande, sê-lo-á para bem do mundo inteiro.

“Explorai, senhores do poder temporal, as riquezas de nossa terra.

“Estruturai todas as nossas instituições civis segundo as máximas da Igreja, que são a essência da civilização cristã.

“Auxiliai a Santa Igreja de Deus, quanto em vós estiver, e plasmai a alma nacional na vida da graça, para a glória do Céu.

“Fazei do Brasil uma pátria próspera, organizada e pujante, enquanto a Igreja fará do povo brasileiro um dos maiores povos da História.

“Na harmonia desta mesma obra está a predestinação de uma íntima cooperação entre dois poderes.

“Deus jamais é tão bem servido como quando César se porta como seu filho.

“Senhores, em nome dos católicos do Brasil, eu vo-lo afianço: César jamais é tão grande como quando é filho de Deus.

“Nessa colaboração está o segredo de nosso progresso, e nela vossa parte é verdadeiramente magnífica.

“Trabalhai, senhores, trabalhai neste sentido.

“Tereis a cooperação entusiástica de todos os nossos recursos, de todos os nossos corações, de todo o nosso fervor.

“E quando algum dia Deus vos chamar à vida eterna, tereis a suprema ventura de contemplar um Brasil imensamente grande e profundamente cristão, sobre o qual o Cristo do Corcovado, com seus braços abertos, poderá dizer aquilo que é o supremo título de glória de um povo cristão.

“Executai um programa de governo, que consista em procurar antes o reino de Deus e sua justiça, pois todas as coisas serão dadas por acréscimo.

“Em um Brasil imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente grande, porque dele se poderá dizer:

“Bem-aventurado este povo sóbrio e desapegado, embora no esplendor de sua riqueza, porque dele é o reino dos céus.

“Bem-aventurado este povo generoso e acolhedor, que ama a paz mais do que as riquezas, porque ele possui a terra.

“Bem-aventurado este povo de coração sensível ao amor e às dores do Homem-Deus, às dores e ao amor de seu próximo, porque nisto mesmo encontrará sua consolação.

“Bem-aventurado este povo varonil e forte, intrépido e corajoso, faminto e sedento das virtudes heróicas e totais, porque será saciado em seu apetite de santidade e grandeza sobrenatural.

“Bem-aventurado este povo misericordioso, porque ele alcançará misericórdia.

“Bem-aventurado este povo casto e limpo de coração.

“Bem aventurada a inviolável pureza de suas famílias cristãs, porque verá a Deus.

“Bem-aventurado este povo pacífico, de idealismo isento de jacobismos e racismos, porque será chamado filho de Deus.

“Bem-aventurado este povo que leva seu amor à Igreja a ponto de lutar e sofrer por Ela, porque dele é o reino dos céus.”

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, discurso no IV Congresso Eucarístico Nacional — 7 de setembro de 1942, “O Legionário” de 7-9-1942).


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domingo, 17 de outubro de 2010

São Pedro Julião Eymard: “me consagrar corpo e alma ao serviço de Nossa Senhora de La Salette”

O ardoroso apóstolo da adoração eucarística, São Pedro Julião Eymard (1811-1868), nasceu em La Mure, cidade que dista 40 quilômetros de La Salette, e foi ordenado sacerdote pelo mesmo Mons. de Bruillard.

Ele foi testemunha da cura de Marguerita Guillot, que invocara a graça de Nossa Senhora de La Salette. Ingressou na Sociedade de Maria (maristas) e depois fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento, após peregrinar a La Salette.

Ele conhecia Maximin e foi diretor espiritual da mãe adotiva do vidente.

Faleceu em 1º de agosto de 1868, na sua cidade natal. Seu último gesto foi apertar contra o peito uma imagem da aparição.

Ele deixou escrito no livro de visitas do santuário de La Salette:

“Tive a honra de ser o primeiro a proclamar em Lyon o fato milagroso da aparição. E hoje estou feliz por vir beijar com amor e reconhecimento esta terra abençoada, esta montanha da salvação... Se eu não fosse marista, iria pedir a meu bispo, como o favor mais insigne, de me consagrar corpo e alma ao serviço de Nossa Senhora de La Salette”.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual” (3)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









CONCLUSÕES: A infância meditativa

Ela tinha o costume de subir a uma parte mais alta da casa, para ver as estrelas à noite, etc.

E a “História de uma alma” ‒ que equivale a suas Memórias” ‒ fala das infinitudes que havia no pensamento dela.

Santa Teresinha tinha em si toda a doutrina contrarrevolucionária, mas não tinha a missão de explicitá-la.

Ela tinha a missão de morrer pelos contrarrevolucionário, de viver, de traçar a Pequena Via que torna a Contra-Revolução acessível ao grosso dos que a seguem.

Mas havia todo um firmamento de ideias nela, o qual já desde essa idade se prenuncia.

Era uma criança altamente meditativa. No fim da vida, quando estava madura para o Céu, e portanto quando tinha atingido a santidade a que a havia destinado o desígnio da Providência, ela contava que quando tinha por volta dos dez anos ‒ quer dizer, um pouquinho mais velha do que está aqui ‒ ia com a irmã a um belvedere lá dos Buissonnets, e tinham conversas em que ela recebia tantas ou mais graças do que as que receberam Santo Agostinho e Santa Mônica no famoso colóquio da hospedaria de Óstia, pouco antes de Santa Mônica morrer. Portanto, quando a santidade de Santa Mônica estava consumada, e ela estava para ir para o Céu.

No fundo, nota-se isso no olhar dela. Não se pode descrever um olhar.

Se se perguntasse a São Pedro o que lhe disse o olhar de Nosso Senhor, o que poderia ele responder? Responderia:

“Ele disse algo por onde eu chorei a vida inteira. As lágrimas mais amargas e mais doces que jamais se choraram, depois das de Nossa Senhora, chorei-as eu”.

E não teria outra coisa para dizer, pois o olhar é algo de inefável. Ou se vê aqui esse olhar e se sente, ou não se o vê, e não posso fazer nada.

A um só olhar estava reservado algo que é supra-excelente: ver, olhar com as pálpebras descidas.

Este é o olhar do Santo Sudário. Ali Nosso Senhor está com as pálpebras descidas, mas Ele olha.

E que olhar! Nós só não choramos porque não somos São Pedro.

A principal etapa da vida

Santa Teresinha morreu aos 24 anos. A sua infância marcou tão profundamente os rumos de sua vida, que é a mais ilustrativa para se conhecer o seu espírito.

Tenho impressão de que na vida de Santa Teresinha os pontos culminantes são a sua infância e o fim, às vésperas da morte.

Quando ela escreveu sob obediência seus “Manuscritos Autobiográficos”, não falou quase nada de sua vida no convento. Só mais tarde, para atender sua Priora, é que falou de sua vida de freira.

A infância, para ela, foi tudo. Por quê? Porque foi uma infância profundamente consciente, meditada e raciocinada.

Aqui está um elemento precioso para o conceito de infância espiritual.

Não é bobeira, não é tolice, muito menos irreflexão.

É, de dentro de uma alma pequena, de uma alma de criança, ser capaz das maiores coisas; com uma apresentação amável, afável e autêntica, não a pura apresentação do espírito de uma criança.

Aqui, a meu ver, está a nota: Santa Teresinha poderia repetir que as nossas cogitações e as nossas vias não são as dela.

Mas não é o que ela nos diria. A sua missão é a de, pela sua presença, e como num “flash”, apresentar a via dela e atrair, arrastar para a sua via. E isso com o afável, com o pequeno, o acessível, o encantador que a infância tem.

Mas que infância meditativa! Que infância fecunda! Uma infância que se pode comparar ao fim da vida de Santa Mônica! É uma santa falando de si mesma.

Aí se vêem os tesouros de maturidade, de meditação, de profundidade, e, se necessário for, de atividade, que cabem dentro da verdadeira infância espiritual.

Foi ela quem disse: “Para o amor nada é impossível”. Em nossa linguagem isso se traduz: “Para o enlevo, para o zelo do verdadeiro católico, nada é impossível”.

Aqui está Santa Teresinha do Menino Jesus, com todo o tesouro de meditação que tinha, e que pode existir numa alma de criança, como a que ela conservou até o summum de sua maturidade. É preciso ver bem: viveu a infância fiel a si mesma, sendo ela mesma até o apogeu de sua maturidade. É uma coisa magnífica.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)

Vídeo: Santa Teresinha do Menino Jesus: datas da vida (3/3)



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual” (2)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação da postagem anterior: Santa Teresinha e a “infância espiritual” (1)




5ª) O sorriso

Numa parte mais delicada da análise, percebemos que a boca é reta, com os lábios finos e muito firmes. É uma firmeza na qual não existe uma gota de amargura.

Pelo contrário, há um certo sorriso indefinível. Falam tanto do sorriso da Gioconda, mas isto é que é sorriso! Ela não está nem um pouco sorridente, mas há um sorriso indefinível nos lábios dela. Há qualquer coisa nela que sorri, sem que se possa propriamente dizer que ela está sorrindo.

Tem-se a impressão de que o fotógrafo disse a ela para sorrir, e ela, para não desatender a ele, esboçou qualquer coisa vagamente à maneira de sorriso.

Há algo de sorriso espalhado no rosto dela: está um pouco nos olhos, um pouco nos lábios, está numa afabilidade geral da pessoa. Ela está numa posição muito afável e muito acolhedora, numa posição de muito boa vontade em relação a todo mundo.

No entanto, é uma atitude risonha que indica ao mesmo tempo força de alma e caráter, no sentido próprio da palavra.

É o contrário dessas imagens sulpicianas de Santa Teresinha que se encontram por aí: derramando rosas, e sorrindo não se sabe de que jeito. Não têm nada deste sorriso.

Aquele é um sorriso de boneca de louça, mas esta aqui não tem nada da boneca de louça.

É um sorriso por detrás do qual há um pensamento. E é o lado pensamento que propriamente se deve atingir.

6ª) O nariz, a boca e a testa

O nariz tem uma forma um pouco proeminente, tem um pouco de combate, um pouco de luta.

Os lábios, apesar do sorriso, são finos e firmes, de quem tem verdadeiro caráter.

Analisando-se a testa, vê-se que é ligeiramente bombeada e, aliás, muito alta. A pessoa que a penteou, até puxou o cabelo para baixo, para disfarçar isso. Vê-se que ela tinha até muito cabelo.

Eu vi no museu de Lisieux a trança dela, uma trança loura magnífica, de cabelos abundantes. Mas a nascente era um pouco alta.

7ª) Os olhos

Considerando agora os olhos, observa-se que é sobretudo neles que reside aquele sorriso.

Notem que a expressão de fisionomia, a expressão do olhar, tem um pouco do que o francês chama de espiègle ‒ um pouco de esperteza, um pouco de graça ‒ na expressão do olhar.

Concentrando-se a atenção nos olhos, acaba-se percebendo que há nesse olhar todo um firmamento, um mundo de reflexão, de início de reflexão.

8ª) A contemplação

Para quem é que esse olhar está mirando?

Ele não olha para nada definidamente. Mira um ponto vago, indefinido, mas com uma espécie de enlevo, de consideração, de contemplação enlevada, afetuosa, respeitosa.

Em última análise, é o próprio de um espírito possantemente contemplativo. Na sua aurora, na sua primavera, é verdade, mas possantemente contemplativo, meditativo, interior, próprio a olhar as coisas do espírito, a olhar as coisas metafísicas, a olhar horizontes mentais mais ou menos infinitos.

É um olhar que paira no infinito, numa esfera completamente diferente daquela onde paira comumente o pensamento dos homens.

Santo Agostinho disse de si, nas “Confissões”, a respeito da sua infância: “Tão pequeno menino eu era, já tão grande pecador”.

Dela se poderia dizer: “Tão pequena menina era, e já uma tão grande santa”. Porque o seu olhar tem qualquer coisa que me custa exprimir adequadamente, mas que é aquela impostação da alma em coisas que são inteiramente superiores. Não indiferentes, nem hostis, nem alheias, mas superiores ao concreto, ao contingente, ao transitório, ao passageiro, ao individual.

Não é uma pessoa preocupada consigo. Ela aqui não se importa com o efeito que vai causar no fotógrafo; está de pé, do modo como ela é.

Disseram a ela que fosse posar para uma fotografia, e ela foi, obediente como os meninos do Evangelho, que Nosso Senhor acariciou, e aos quais é reservado o Reino dos Céus (Mat. XVIII, 3).

Não é uma menina filósofa, nem um pouco. Seria uma caricatura. Ela não é vesga, está numa pose e prestou atenção na máquina fotográfica, mas é como numa parte do rés-do-chão da alma dela.

Por cima desse rés-do-chão, que funciona perfeitamente bem, há toda uma outra construção.

Nessa idade, ela poderia dizer a nós aquilo que Nosso Senhor disse, pela boca do profeta Isaías, e que é uma das frases mais tristes, uma das suas queixas mais bonitas, onde a divina superioridade dEle se afirmou do modo mais magnífico: “As minhas cogitações não são as vossas cogitações, nem as vossas vias são as minhas vias” (Is. LV, 8).

É magnífica essa ligação das ideias de cogitação e via: a cogitação do homem como que dirigindo a sua via, e sendo prenúncio de todas as harmonias da via. E a elevação das cogitações dEle!

Pensem um pouco no Santo Sudário. Que cogitações! Aquilo é cogitar! Que vias! Aquela face do Santo Sudário não poderia dizer para nós as mesmas palavras de Isaías? Poderia, perfeitamente.

Santa Teresinha aqui também poderia nos dizer ‒ Christianus alter Christus ‒ que “as minhas cogitações não são as vossas cogitações, nem as vossas vias são as minhas vias”.

Caberia que ela o dissesse. Por quê? Porque ela está numa impostação de alma supinamente meditativa, pouco comum.

Ela aqui é toda sacral (“sacral” é aqui empregada no sentido do sagrado posto na ordem temporal ou profana). Não é a meditação de uma filósofa ou de uma teóloga, mas de uma santa.

É a oração ‒ que propriamente é o convívio da alma com Deus ‒ que está posta aí.



Vídeo: Santa Teresinha: lembranças da infância




(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual”(1)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A família Martin foi uma das muitas famílias católicas que se inscreveram nas confrarias de oração para atender os pedidos de reparação e penitência feitos por Nossa Senhora em La Salette.

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez parte delas.

No inicio de outubro, a festa desta grande santa que quis se fazer “pequena” é ocasião propícia para estas postagens em dias sucessivos.

A personalidade de Santa Teresinha numa fotografia

A esta magnífica fotografia de Santa Teresinha do Menino Jesus falta apenas o relevo, para se dizer que ela está viva.

Para comentar essa alma, procurarei explicitar as a impressões que esta fotografia produz.

Primeira impressão

A primeira impressão, ao olhar para ela, é a seguinte:

Que menina! A primeira explicitação, o primeiro jorro, deve ser assim.

Ela é ainda menininha, cheia de vida, de frescor, saltitante, e com essa espécie de extroversão própria de uma menina ainda na infância.

Aí se vê a beleza de uma alma de criança, na delicadeza, na fragilidade, na louçania da natureza feminina. Como essa fotografia é bem apanhada, e como pegou bem essa menina!

2ª) Idéia de pureza

Por detrás dessa impressão entra uma outra, pela qual a pessoa sente uma idéia de pureza. E sente-a mais ou menos em tudo.

A pureza vem presente, antes de tudo, no seguinte: nota-se nela, no sentido verdadeiro da palavra, uma boa espontaneidade.

É uma menina que não esconde nada, que não tem o hábito de esconder nada, e que sabe perfeitamente que não tem o que esconder. Ela não tem fraude nem dissimulação.

Dela se pode dizer o que Nosso Senhor disse de Natanael: “Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fraude” (Jo. 1, 47)

Aqui está uma verdadeira menina, pura, filha de uma família católica, que tem em si toda a pureza, toda a candura de uma vida de família católica, toda aquela delicadeza virginal que a vida de família católica comunica especialmente a uma menina. E isso sem fraude nenhuma. Ela tem isso inteira, e não tem o hábito de pecar.

3ª) Inocência batismal

Olha-se para ela, e ela está inteira. Ela vai falar, vai andar, mas com uma naturalidade, com um elã, com uma espontaneidade que tem muito da leveza e graça francesa, mas sobretudo muito da inocência batismal nunca rompida.

Essa alma não foi desfigurada por nenhum pecado. Ela tem uma forma de pureza que não é só o recato.

Não situo isso no seguinte comentário aguado: “É verdade: os bracinhos dela estão cobertos, e a saia desce até abaixo dos joelhos”. Refiro-me a uma pureza do olhar.

Essa pureza do olhar, essa pureza da alma, não é apenas a pureza da castidade, é a pureza de quem nunca pecou.

É o estado de inocência batismal com todo o seu perfume, com uma forma de candura que é mais ou menos como a vida no corpo.

A vida no corpo não é localizável: está aqui e está lá, está em tudo, no corpo vivo. Aqui também a inocência batismal está em tudo, está por toda parte.

Aqui também se poderia aplicar uma palavra francesa que não sei como traduzir: o estado de graça jamais flétri em uma alma.

4ª) Ordenação refletida

É uma menina tão viva, mas não é nem um pouco estouvada, irrefletida.

Se ela começasse a brincar com a corda de pular, não pularia de modo ridículo, apalhaçado, irrefletido. Ela de repente sairia correndo, mas não, por exemplo, de um modo bobo.

Todo mundo percebe que essa espontaneidade que há nela é presidida por uma certa regra, por onde ela nunca faz aquilo que não deve. E que, portanto, dentro do seu espírito há toda uma ordenação, todo um pensamento, toda uma reflexão.

Naturalmente, reflexão de criança, pensamento de criança, ordenação de criança; instintiva e subconsciente, mas real, por onde tudo o que fizesse seria de criança e de verdadeira criança, nem um pouco uma sabiazinha, uma mulherzinha metida e filosofinha. É o contrário disso.

Ela é inteiramente natural, mas sumamente ordenada, possui em si uma grande ordem interna.

Não se imagina essa menina fazendo qualquer desatino, compreende-se que ela não o faria. Através disso compreende-se a ordem que existe dentro dela.



Vídeo: Buissonnets: o lar de Santa Teresinha do Menino Jesus




(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Maximino e o “licor de La Salette”

Maximino contempla Nossa Senhora subindo aos Céus
O Prof. Francisco Castro enviou-nos há tempo um pedido, enquanto dávamos cursos na Europa.

Pedindo sua compreensão pelo atraso na resposta, aqui vai ela.

Do Prof.: Francisco Castro:
PAX!
Li o seu livro sobre as Aparições de Nossa Senhora em La Salette. Antes já havia lido um texto sobre as mesmas e fiquei intrigado com o que escreveram sobre Maximin, um dos videntes.
Seu livro afirma que foram calúnias mas um texto diz que ele quis vender um vinho com o nome Salette.
Afinal ele foi uma pessoa que realmente deu motivos para o difamarem embora tenham aumentado?
Creio que as aparições de La Salette foi uma das únicas em que nossa Senhora se referiu as faltas do clero. Como são atuais a descrição que ela faz dos padres. Parecem escritas hoje. Isso deve ter criado dificuldades e suspeitas. Gostaria de esclarecimentos sobre os videntes.

Att. Prof. Francisco Castro.
++Jesus-Maria

De fato, o caso do vinho ‒ ou, melhor, do licor ‒ de La Salette serviu para uma das acusações mais intensamente divulgadas contra Maximino.

Hoje em dia a crítica histórica não aceita mais essas alegações tendo ficado demonstrado que Maximino, angustiado pela miséria e pela doença, caiu numa arapuca de um comerciante inescrupuloso. A sociedade durou pouco e o comerciante desavergonhado desapareceu. Esta posição encontra-se até nas fontes mais modernizadas, como a Wikipedia.

Entretanto, o caso foi mais complicado, e não queremos ficar apenas em fontes pouco autorizadas.

Casa natal de Maximino
A complicação provém do fato de Maximino não só ter sido logrado pelo comerciante inescrupuloso, mas também pelos padres do Santuário e pelo próprio bispo de Grenoble. Estes professavam uma animadversão visceral em relação aos videntes, malgrado os pastores cumprissem conscienciosamente as obrigações de todo fiel diocesano para com suas autoridades eclesiásticas.

Maximin solicitou autorização deles por escrito. Não recebeu resposta, salvo um recado aprobatório. Como na praxe eclesiástica o silêncio equivale a uma aprovação tácita. Maximino entrou no negócio, porém essas autoridades caíram encima de sua reputação.

Henri Dion, autor de numerosos livros e especialista no caso de La Salette fez, com uma erudição bem superior à nossa, uma cuidadosa reconstituição histórica do fato. Deixo a palavra com ele:

“Os pedidos de ajuda que Maximino enviou aos missionários de La Salette e ao bispo de Grenoble na primavera de 1869 não foram atendidos. Ou, mais bem, as condições que lhe impuseram em troca de alguns subsídios foram duras demais. Ele ficou obrigado a escrever aos Jourdain [N.T.: seus pais adotivos]:
“Os missionários de Nossa Senhora de La Salette, o Pe. Giraud [N.T.: superior desses missionários] o primeiro deles, foram admiráveis em relação a mim e a vós. Eles foram se pôr aos pés de Monsenhor [o bispo diocesano] para lhe suplicar que viesse nos ajudar. Seu coração de bispo foi tão duro e frio quanto o gelo”.
“O encontro, pouco depois, em outubro de 1869, com um certo Alfred Vivier, licorista de Varces, do departamento de Isère, que Maximino não conhecia e que veio lhe propor uma associação, tal vez pareceu para ele algo providencial.

“Não há mais necessidade de demonstrar a ninguém que o episódio do comercio do licor não foi mais que um deplorável incidente. Nele, a candura do pastor foi abusada, num combate muito desigual, pelas manobras desonestas de um verdadeiro falsário, sem que Maximino tivesse se comprometido ou mesmo suspeitado um só momento.

Túmulo de Maximino em Corps
“Porém, antes de se lançar nesta nova iniciativa, Maximino teve o escrúpulo de solicitar, enquanto pedia a mesma coisa a seus pais adotivos, a aprovação do bispo de Grenoble e dos Missionários de La Salette. Ele pediu:

“se ele podia em consciência imitar os Cartuxos, os Trapistas, os Beneditinos e outros religiosos que fabricaram e venderam um licor que leva seu nome... Ele recebeu após vários meses de espera um recado dizendo que Mons. Ginhoulhiac e os Missionários de La Salette deixavam-no perfeitamente livre de emprender o que bem achasse, porém com proibição de comparecer nas instituições diocesanas. Tendo esgotado todos seus recursos, desencorajado, vencendo suas mais vivas repugnâncias, ele se associou com um certo Vivier, habilidoso demais para Maximino e que tirou em três anos de sociedade mais proveito do qu ele do licor salettino”.

“O pobre Maximino passou muita dificuldade para se sair deste penoso negócio, pois o sócio apropriou-se praticamente de todos os lucros antes de desaparecer com o dinheiro que ficava e todo os pertences da empresa. Quando a sociedade foi dissolvida por decisão da justiça, ele não pôde reclamar nenhuma indenização. Ele não tinha recursos para tocar o processo judiciário e ele quis poupar Vivier da prisão.

Malgrado tivessem dado seu consentimento e malgrado as dificuldades evidentes demais de Maximino, os Missionários de La Salette não hesitaram, no início de 1871, em publicar em seus “Anais” um artigo que causou indignação:
“A respeito de um licor, dito de La Salette, e de folhas de propaganda que se espalham por toda parte relativos a ele, nós devemos declarar mais uma vez que a comunidade dos Missionários de Nossa Senhora de La Salette nada tem a ver com a fabricação desse licor, nem com a comercialização que se faz dele”.
“Um outro artigo, do mesmo estilo, apareceu dezoito meses mais tarde nos “Anais de La Salette” de junho de 1872. A despeito de um protesto forte mas muito mesurado de Maximino, o jornal “Le Temps” publicou uma carta recebida “de uma personalidade ainda mais alta que o Rev. Pe. Superior dos Salettinos”:
“Eu deploro tanto como vós o comércio de licor feito com base na montanha de La Salette. É uma especulação miserável que fere profundamente meu coração cristão e todos meus religiosos partilham minha tristeza. Se vós conheceis um meio de corrigir esse abuso sem ferir a liberdade dos outros, que eu respeito sempre ainda quando me faz mal, fazei-o chegar até nós. E a desordem cessará logo. Não há pacto algum, nem público nem segredo entre meus religiosos e os autores de esta iniciativa comercial”.
(...) “É penoso ter que citar estes documentos que desmascaram uma hostilidade e um encarniçamento tanto mais insuportáveis quanto praticados por aqueles que deveriam ser os primeiros em proteger e ajudar a Maximino. Trata-se de testemunhos esmagadores, mas que permitem apreciar a intensidade e a virulência das provações sofridas pelo pastor, mais dolorosas tal vez que a miséria negra que elas trouxeram por acréscimo, porque causadas por uma maldade puramente gratuita.”

Loja instalada nos fundos da casa natal de Maximino

(Fonte: Henri Dion, “Maximin Giraud, Berger de La Salette, ou La fidélite dans l’épreuve”, Éditions Résiac, Montsurs, 1988, 290 p., págs.207-209)



Atualmente, na casa natal de Maximino (foto ao lado) funciona uma destilaria que produz licores, entre os quais o “Salettina”, o “Citronello” italiano e outros, explorando turisticamente o fato de funcionar na casa da pobre família do pastor.

Quando peregrinamos a La Salette em 2008, visitamos o local, mas a casa e a loja estavam fechadas. Conhecedores da cidade apontaram pertencer a um cidadão do qual não faziam precisamente elogios. Na Internet há um site desta loja com propaganda dos licores. Ninguém vê qualquer relação entre o caso do licor de Maximino e essa loja, salvo o comerciante ali instalado com objetivos de propaganda.


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quarta-feira, 28 de abril de 2010

O pranto de Siracusa e La Salette (II): o mundo compreenderá?


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: O pranto de Siracusa e La Salette (I), eloquente mensagem sem palavras da Mãe de Deus



As lágrimas de Nossa Senhora operaram maravilhas


Naqueles dias, Don Giuseppe Tomaselli, um sacerdote salesiano de Catânia, cidade próxima de Siracusa, depois de ter dado pouca importância ao fato noticiado pelos jornais, mudou de idéia e resolveu ir pessoalmente ao local onde ocorriam aqueles portentos.

A imagem miraculosa já havia sido instalada na praça vizinha à rua degli Orti, para poder abarcar a multidão de peregrinos que vinham pedir ‒ e quantos obtinham! ‒ as curas da alma e do corpo.

O sacerdote acompanhou e presenciou tais e tantas graças ali concedidas, que resolveu escrever sobre esses fatos um livro bem detalhado ao qual deu o título História de Nossa Senhora das Lágrimas, que passou a ser uma das melhores obras de consulta sobre esse prodígio mariano.

A notícia do prodígio, como vimos na publicação anterior, correu célere e fez afluir devotos àquela cidade, tanto da Itália quanto do exterior.

O Arcebispo local tomara medidas para avaliar a autenticidade do portentoso acontecimento, pedindo o parecer dos peritos eclesiásticos e de uma equipe médica.

O sacerdote salesiano, Dom Tomaselli, acorreu ao local e escreveu:

“Há dezoito meses, o Sr. Vincenzo Aricò tinha perdido a visão e enxergava apenas umas sombras.

“Ele costumava ficar sentado junto à soleira da porta e para retornar ao interior da casa fazia-o às apalpadelas, apoiando-se na parede. Para ir de um lado ao outro de seu quarto precisava da ajuda de sua esposa. Ao chegar em Siracusa, para descer do carro teve de ser sustentado. Rezou na rua degli Orti e imediatamente ficou curado da vista. Eu quis interrogá-lo: ‘Como é que o Sr. recuperou a vista?’

‒ ‘De repente! Mas eu tinha rezado e esta manhã, antes de vir aqui, recebi a Comunhão com minha mulher’.

“À tarde, ele veio passear comigo e, ao vê-lo caminhar com aquela serenidade, eu pensava: quem haveria de reconhecer neste homem o cego desta manhã?…

“Fui visitar o Sr. Caruso Giuseppe, morador na rua Zia Lisa 236. De seus próprios lábios tive conhecimento do seguinte:

“‒ ‘Quinze anos atrás, fiquei obrigado a usar o bastão para poder andar. Cinco anos depois, tive de recorrer a dois bastões. Tendo ouvido falar das curas realizadas por Nossa Senhora, fui de carro para Siracusa. Ali assisti à cura de um cego; a minha hora ainda não tinha chegado.

“À tarde voltei para Catânia. Enquanto descansava, senti uma forte aguilhoada no tórax; depois de um instante, senti outra. Pensei comigo: ‘Será que Nossa Senhora está querendo dar-me a graça? Quem me dera....’. E não prestei mais atenção no assunto.

“No dia seguinte, lá pelas onze da manhã, enquanto estava sentado no quarto, diante de uma cópia da imagem de Nossa Senhora das Lágrimas, ao notar que o pavio de cera estava com a chama muito fraca, pensei em acender a lamparina a óleo.

“Sem refletir sobre a minha incapacidade de locomover-me, fui para o outro quarto, apanhei a garrafa de óleo, acendi a lamparina e recoloquei a garrafa em seu lugar. Para fazer tudo isso eu não havia utilizado os bastões.

“Caí em mim e pensei: ‘Será que eu sarei?’ Comecei a passear sem algum apoio e dei uns gritos de alegria. Foi um dia de peregrinação em minha casa…

“Todos os que chegavam queriam ver-me caminhar e quando chegou a tarde já estava bem cansado. Eu tinha ido para Siracusa num sábado, e no sábado seguinte para lá voltei a fim de levar os meus bastões para Nossa Senhora”.

Santuário para perpetuar o milagre

Em sua empolgante e documentada narrativa, Dom Tomaselli continua: “No mês de outubro ocorreram curas ainda mais portentosas”…

No mês de dezembro, o Arcebispo apresentou toda a documentação do Tribunal Eclesiástico à Conferência Episcopal da Sicília reunida em Bagheria, província da capital siciliana, Palermo, a qual emitiu o seguinte juízo:

“Os Bispos da Sicília ...., após terem ouvido o amplo relatório do Exmo. Mons. Ettore Baranzini, Arcebispo de Siracusa, a respeito da lacrimação da Imagem do Coração Imaculado de Maria ...., avaliados atentamente os testemunhos citados nos documentos originais, concluíram unanimemente com o juízo de que não se pode pôr em dúvida a realidade da lacrimação. Desejam que tal manifestação excite todos a uma salutar penitência e a uma mais viva devoção ao Coração Imaculado de Maria, externando os votos relativos à construção diligente de um Santuário que perpetue a memória do prodígio”.

O Arcebispo de Siracusa dirigiu-se então oficialmente à residência dos Iannuso, na rua degli Orti, para prestar sua homenagem ao Quadro miraculoso e constatar pessoalmente o enorme bem que Nossa Senhora estava realizando sob a invocação de seu Imaculado Coração.

Tomando o Quadro nas mãos, o Prelado observou-o longamente e dirigiu uma ardente oração à Virgem diante da emocionada multidão de fiéis ali ajoelhados, manifestando assim seu apoio àquela nova devoção mariana.

Pio XII: diante dos sofismas adversários, clareza da verdade

Para coroar tão sublime milagre, a palavra do Vigário de Cristo. No dia 17 de outubro do ano seguinte, Pio XII quis encerrar o Convênio Mariano da Sicília com uma mensagem radiofônica na qual, depois de lembrar que os numerosos santuários dessa ilha testemunhavam quanto ela merecia ser chamada Feudo de Maria, comentou com penetração de espírito os fatos extraordinários ocorridos em Siracusa:

“Não sem comoção tomamos conhecimento da unânime declaração do Episcopado da Sicília sobre a realidade deste acontecimento....

“Compreenderá a humanidade a recôndita linguagem dessas lágrimas?

“Oh, as lágrimas de Maria! No Calvário elas eram lágrimas de compaixão pelo seu Jesus e de tristeza pelos pecados do mundo.

“Estará Ela chorando ainda devido às chagas que são abertas no Corpo Místico de Jesus pelos numerosos filhos, nos quais o erro e a culpa apagaram a vida da graça?

“Pela espera do tardio retorno dos filhos outrora fiéis e que agora são arrastados por falsas miragens para as fileiras dos inimigos de Deus?


“Diante dos fascinantes sofismas dos adversários da Igreja, não há outra atitude senão opor a clareza da verdade, porque um povo que não sabe quais são os verdadeiros tesouros não saberá conservá-los nem defendê-los: ele dar-se-á conta dos bens perdidos, quando tiver sido depredado dos mesmos”.

Lágrimas de tristeza pelos pecados do mundo

Com efeito, nos anos sucessivos, sobretudo devido à política do “ceder para não perder” praticada pelos que se diziam cristãos, eram aprovadas pelo Parlamento italiano ‒ para falarmos somente da Itália ‒ as leis que instituíram o divórcio e o aborto…

Pois bem, contemplando num rápido olhar a situação do mundo atual, quem poderia afirmar, em sã consciência, que de lá para cá as nações deram a devida atenção a essa mensagem muda, mas tão eloquente?

Quem poderia asseverar que o Coração Imaculado de Maria, isto é, a mentalidade sumamente ordenada e puríssima da Mãe de Deus, já está impregnando e sacralizando as instituições, as leis e os costumes em nossos dias?

Será uma atitude mais realista, pois, pedir a Nossa Senhora que, pelos méritos dessa preciosas lágrimas, toque e converta as almas.

Sim, é sem dúvida uma maneira mais filial colocarmo-nos em atitude orante, penitencial e contra-revolucionária, com os olhos postos nAquela da qual a Igreja diz “que é mais terrível do que um exército em ordem de batalha”.

E que, na Cova da Iria, depois de profetizar que o comunismo espalharia os seus erros pelo mundo, prometeu sua irreversível vitória: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.
E isto sucederá após a humanidade pecadora - surda aos pedidos feitos em 1917 pela Mãe de Deus em Fátima ‒ ter sido purificada pelos apocalípticos castigos revelados na na Mensagem de Fátima.


(Autor: Umberto Braccesi, in “CATOLICISMO”, agosto e setembro de 2000) 

O pranto de Nossa Senhora em Siracusa (dois documentários de época, em italiano)
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

O pranto de Siracusa e La Salette (I), eloqüente mensagem sem palavras da Mãe de Deus

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Em Siracusa, encantadora cidade portuária ao sul da Sicília, num bairro conhecido pelas suas nefastas preferências pelo Partido Comunista, dois jovens esposos ‒ Angelo Iannuso e Antonina Giusto ‒ estabelecem sua moradia na rua chamada degli Orti. A princípio, tudo parece correr feliz em sua vida conjugal.

Mas a lua-de-mel passou depressa e algo de muito grave vem abalar a quietude daquele novo lar.

Com efeito, a senhora Antonina passa a manifestar distúrbios de natureza neurológica, os quais, aliás, iriam complicar também sua gravidez, no seu sexto mês, bem como a vida do nascituro.

Os sintomas apresentados pela paciente eram crises convulsivas, perda da palavra, da capacidade visual e também da consciência.

Um quadro patológico peculiar, que iria levantar muitas suspeitas e tornar ainda mais surpreendente e maravilhoso o que viria a ocorrer naquele 29 de agosto de 1953…

De fato, nesse dia, após o marido ter saído para trabalhar no campo, a senhora Antonina deitara-se ao final de mais uma de suas crises. Eram 8h30 da manhã.

De repente, os seus olhos foram atingidos por uma luz fulgurante e voltaram-se para o quadro de gesso de Nossa Senhora, representando o Coração Imaculado de Maria, que lhe haviam dado como presente de casamento e que estava pendurado na parede, à cabeceira da cama.

Dos olhos da imagem estavam brotando duas grossas lágrimas, que foram seguidas de duas outras e de muitas outras mais.

Lágrimas analisadas, comprovadas, ...

De início, a jovem gestante imaginou estar tendo alguma alucinação, decorrente de seu estado de enfermidade.

Porém, ao constatar que as lágrimas escorriam com intensidade e frequência cada vez maiores, não tendo forças para levantar-se, chamou aos gritos os seus familiares: “Venham…Venham ver o quadro de Nossa Senhora que chora!”.

Então, os parentes acudiram, puderam ver a imagem em prantos e, diante daquele pungente fenômeno, puseram-se também eles a chorar…

Com a velocidade do relâmpago, a notícia correu por toda a rua degli Orti e alastrou-se através de todo o bairro de fama tristemente esquerdista, fazendo confluir uma multidão de curiosos e de fiéis que se apinhavam para constatar, com os próprios olhos, aquele extraordinário acontecimento.

Mas não ficou apenas nisso: para a felicidade e comoção de todos, estando a lacrimação num fluxo ininterrupto, eles puderam embeber seus lenços e flocos de algodão para conservar as primeira relíquias daquela pungente cena.

Devido ao enorme afluxo de gente, o quadro do Imaculado Coração de Maria foi instalado na sacada da janela que dava para a rua.

Ali, enquanto as faces da imagem continuavam sendo regadas por aquele precioso líquido, havia um ambiente sereno mas filial: ninguém gritava freneticamente anunciando o milagre, ninguém se agitava, ninguém se desencadeava em tempestades emotivas…

Analisando esse equilibrado comportamento social, o Professor Giuseppe Marino, neuro-psiquiatra de fama internacional e especialista em patologias nervosas, especialmente nas que se referem ao campo místico-religioso, declarou:

“As ‘alucinações’ eram vistas concretizar-se numa realidade palpável, representada pela fluente cascata de pérolas que, como ficou demonstrado depois nos diversos laboratórios de análises clínicas, eram lágrimas nas quais notou-se a presença de água destilada, cloreto de sódio e partículas infinitesimais de substância proteica” – elementos que constituem uma lágrima humana.

... que repercutem em todo o mundo...

O prodigioso pranto prolongou-se, com intervalos irregulares, durante quatro dias. E, assim, puderam-se contar aos milhares as testemunhas provenientes de todas as categorias sociais e de várias nacionalidades, porque a imprensa local alardeara logo o ocorrido, atraindo imediatamente a atenção da imprensa italiana e, como um rastilho de pólvora, à estrangeira.

Ao mesmo tempo, cine-amadores de todo o mundo filmaram impressionantes seqüências da lacrimação, as quais hoje estão reunidas numa colossal coletânea realizada pelo Pe. Sbriglio, do PIME, aos cuidados técnicos da SONY.

Entrementes, o Arcebispo local, Mons. Ettore Baranzini, julgou melhor proibir momentaneamente os seus sacerdotes, religiosos e freiras de se aproximarem do local do prodígio.

Ademais, pediu orientações para dois peritos na matéria ‒ o Cardeal Shuster e o Pe. Gemelli ‒, além de incumbir pessoas de sua inteira confiança de reunirem todos os elementos (inclusive algumas testemunhas sob juramento) para a redação de um relatório fidedigno a ser enviado para o competente Tribunal Eclesiástico.

Também devia fazer parte desse dossiê o parecer de uma conspícua comissão médica constituída de 14 membros, incluindo-se até o Dr. Michele Cassola, conhecido por seu agnosticismo religioso. O veredicto da mesma havia sido de que se tratava, efetivamente, de “lágrimas humanas”.


continua no próximo post: O pranto de Siracusa e La Salette (II): o mundo compreenderá?


(Autor: Umberto Braccesi, in “CATOLICISMO”, agosto e setembro de 2000) 


O pranto de Nossa Senhora em Siracusa (documentário da TV italiana RAI)
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quinta-feira, 18 de março de 2010

Castigos en la Iglesia y en el mundo:
Nuestra Señora de Akita advirtió en 1973,
pero no fue escuchada!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








En 1973, la Virgen se manifiesta en Japón a la Hna. Agnes Sasagawa a Katsuko, 42 años, en el Convento de las Siervas de SSMA. Eucaristía en la ciudad de Yuzawadai cerca de Akita, en la provincia de Tohoku.

Es decir, en la región más afectada por el reciente terremoto.

Akita se encuentra en la misma latitud del epicentro del terremoto, pero al otro lado de la isla de cara a China, al occidente, a 150 Km de Sendai, la ciudad más afectada y que se encuentra en la parte oriental del archipiélago del Sol Naciente.

Las imágenes espantosas de las ruinas de la ciudad de Sendai y sus alrededores han sido publicadas en todos los periódicos, estaciones de televisión y sitios de Internet.

Akita fue golpeada por el terremoto, pero no por el devastador tsunami. El Santuario de la Virgen no sufrió daños relevantes.

El terremoto y el tsunami trajeron de vuelta a la memoria pública las advertencias solemnes que en 1973 Nuestra Señora lanzó al clero y al mundo.

Desde entonces, la imagen de la Virgen lloró lágrimas, según testigos, más de un centenar de veces y vertió sangre en otras ocasiones.

El fenómeno místico fue analizado por la jerarquía eclesiástica.


Iglesia de Nuestra Señora de Akita, Yuzawadai, Sendai

En abril de 1984, el Obispo John Shojiro Ito, Obispo de Niihata, Japón, después de años de investigación exhaustiva, dijo que los eventos de Akita son de origen sobrenatural y autorizó en su diócesis la veneración de la Madre de Dios de Akita.

En junio de 1988, el Cardenal Ratzinger, entonces Prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, hizo pública la aprobación final sobre los eventos de Akita y los mensajes y los declaró dignos y merecedores de la fe pública.

El mismo Cardenal Ratzinger - después Benedicto XVI - conforme publicó la revista italiana Jesús el 11 de noviembre 1984, comentó que los mensajes de Fátima y Akita son "esencialmente los mismos."

La concordancia con el mensaje completo de La Salette es tan evidente que nos sentimos dispensados de cualquier paralelismo.

Algunos que tal vez recuerden las advertencias muy serias de Nuestra Señora en Japón, dadas coincidencialmente en la misma región devastada hoy, quedarán impresionados por la similitud entre lo profetizado en 1973 y la tragedia padecida.

Más aún, quedarán aterrados frente a lo que todavía puede sobrevenirse.

Nuestra Señora no fue oída, es doloroso constatarlo! Pero peor aún, es que su maternal exhortación haya quedado en el olvido.

Este es un momento extraordinariamente oportuno para volver hacia Ella y para darle la atención y la obediencia que se merece, confiando en la misericordia inagotable que nos ha de brindar como Madre de Dios Nuestro Señor.

Pero que dijo y que pidió la Virgen bendita en Akita?

El periódico "The Wanderer", publicó el 17 de febrero de 1994, una exhaustiva materia basada en "Oficial de Akita Book" ("El Libro Oficial de Akita"), escrito por el P. Teiji Yasuda, OSV

De aquí extraemos referencias tan elocuentes que sobra cualquier comentario.

Uno de los mensajes más impresionante de Nuestra Señora de Akita fue dado el 13 de octubre 1973. En ella, la Santísima Virgen dijo:

"Si los hombres no se arrepienten y si no mejoran, Dios Padre infligirá un terrible castigo a la humanidad. Será una punición mayor que el diluvio, nunca antes vista.

Fuego caerá del cielo y destruirá gran parte de la humanidad, tanto los buenos como los malos, no serán preservados ni siquiera los sacerdotes, ni los fieles. Los sobrevivientes se encontrarán de tal manera desolados que tendrán envidia de los muertos.

Las únicas armas que restarán serán el Santo Rosario y la señal dejada por mi Hijo (la señal de la Cruz). Recita todos los días las oraciones del Rosario.

Con el Rosario, rece por el Papa, por los obispos y por los sacerdotes.

La obra do demonio se infiltrará hasta dentro de la Iglesia de tal modo que veremos Cardenales enfrentando a Cardenales, obispos contra obispos.

Los sacerdotes que Me veneran serán escarnecidos, menospreciados y combatidos por sus cofrades (otros sacerdotes)

Iglesias y altares serán saqueados.

La Iglesia estará llena de aquellos que buscan compromisos (con el mundo).

El demonio tentará a muchos padres y almas consagradas para dejar el servicio del Señor.

El demonio será particularmente implacable contra las almas consagradas a Dios. La idea de la perdida de tantas almas es la causa de mi tristeza.

Si los pecados aumentan en número y gravedad, en breve no habrá perdón para ellos.

Rece mucho las oraciones del Rosario. Solo yo podre salvarlos de las calamidades que se aproximan.

Aquellos que coloquen su confianza en Mi serán salvados”.


Documental: apariciones de la Virgen María en Akita




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Japan: Our Lady’s Warnings at Akita Went Unheeded


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
























In Japan in 1973, Our Lady manifested herself to Sister Agnes Katsuko Sasagawa, then aged 42, at the convent of the Servants of the Holy Eucharist in Yuzawadai, near Akita, province of Tohoku.

In other words, in the area most affected by the earthquake and tsunami that have just wreaked havoc in Japan.

Akita is located at the same latitude of the colossal temblor, but on the western side of the island, roughly 100 miles from Sendai, the worst-hit town, located on the eastern side of the archipelago.

Newspapers, TV stations and Internet sites all over the world are carrying pictures of the frightful ruins of the city of Sendai and its surroundings.

Akita was hit by the earthquake but not by the devastating tsunami. The shrine of Our Lady suffered no significant damage.

The earthquake and tsunami brought back to memory Our Lady’s solemn warnings to the clergy and the world in 1973.

According to many witnesses, from that date onward the statue of Our Lady has shed tears over one hundred times and also blood on other occasions.

The Church hierarchy analyzed this mystical phenomenon.

Veja vídeo
Documentary on
Our Lady's manifestations
in Akita and her warnings
if the clergy and the world
failed to do penance.
In April 1984, after an exhaustive investigation, Most Rev. John Shojiro Ito, Bishop of Niihata, Japan declared that the events of Akita are authentically supernatural and authorized the whole diocese to venerate the Holy Mother of God of Akita.

In June 1988, Cardinal Joseph Ratzinger, Prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith, then Benedict XVI, issued a definitive judgment on the events and messages of Akita and declared them reliable and worthy of belief.

In its edition of November 11, 184, the Italian magazine Jesus reported that the same Cardinal Ratzinger, commented that the messages of Fatima and Akita are “essentially the same.”

On the other hand, the concordance of Our Lady’s messages at Fatima and Akita with her message at La Salette are so striking as to dispense with any comment.

Those who remember Our Lady’s extremely grave warnings in Japan in 1973 – and precisely in the worst-hit area – are deeply impressed with the similarity of that prophecy with the present catastrophe.

Even more, they are horrified with what may yet be in store. For in Akita, Our Lady announced chastisements even more terrible than this earthquake, if the Catholic clergy and the world do not repent and amend their lives.

It is painful to say it, but Our Lady was not heeded; even worse, her maternal warnings were forgotten.

This is an extraordinarily opportune moment for us to turn to her and give her the attention and obedience that she deserves, placing all our confidence in the inexhaustible mercy of the Mother of God.

But, just what did Our Lady say and ask for at Akita?

On February 17, 1994, The Wanderer published a long report based on the Official Akita Book, authored by Fr. Teiji Yasuda, O.S.V.

We have drawn from it the information below, so eloquent as to make any comment appear superfluous.

One of the most impressive messages of Our Lady at Akita was given on October 13, 1973. In it, the Blessed Mother said:

“If men do not repent and better themselves, the Father will inflict a terrible punishment on all humanity. It will be a punishment greater than the deluge, such as one will never have seen before.

“Fire will fall from the sky and will wipe out a great part of humanity, the good as well as the bad, sparing neither priests nor faithful. The survivors will find themselves so desolate that they will envy the dead.

“The only arms which will remain for you will be the Rosary and the Sign left by my Son. Each day, recite the prayers of the Rosary. With the Rosary, pray for the Pope, the bishops and the priests.

“The work of the devil will infiltrate even into the Church in such a way that one will see cardinals opposing cardinals, and bishops against other bishops.

“The priests who venerate me will be scorned and opposed by their confreres [other priests].

Our Lady of Akita
“The Church and altars will be vandalized. The Church will be full of those who accept compromises and the demon will press many priests and consecrated souls to leave the service of the Lord.

“"The demon will rage especially against souls consecrated to God. The thought of the loss of so many souls is the cause of my sadness.

“If sins increase in number and gravity, there will no longer be pardon for them."

“Pray the Rosary often. Only I can prevent the disaster.



Akita apparitions and Sister Agnes Sasagawa





Apariciones de Akita narradas por la Hermana Agnes Sasagawa