quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Mais santos falam que não nos aproximamos do fim do mundo, mas de um triunfo divino

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Sonhos e antevisões proféticas de São João Bosco

Também o grande Dom Bosco ficou famoso pelas suas luzes proféticas. Em diversos “sonhos” e cartas, ele viu e apontou a vinda de uma terrível crise na Igreja e no mundo.

Nessas ocasiões, o santo piemontês anunciou um grande triunfo da Igreja e uma era de paz que afasta qualquer veleidade de um fim do mundo próximo. E menos ainda para 2012!

Poderíamos citar vários documentos incontestáveis do fundador dos salesianos. A exiguidade do espaço nos leva a escolher um: o “sonho das duas colunas”.

O santo narrou ter visto “uma multidão incontável de naves dispostas em ordem de batalha, (...) carregadas de fuzis e armas de diferentes classes; de material incendiário e também de livros, e dirigem-se contra outra nave muito maior e mais alta, tentando cravar-lhe o esporão, incendiá-la, ou ao menos fazer-lhe o maior dano possível.

“Em meio da imensidão do mar levantam-se, sobre as ondas, duas robustas colunas, muito altas, pouco distantes a uma da outra. Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, a cujos pés vê-se um amplo cartaz com esta inscrição: Auxilium Christianorum.

“Sobre a outra coluna, que é muito mais alta e mais grossa, há uma Hóstia de tamanho proporcionado ao pedestal e, debaixo dela, outro cartaz com estas palavras: Salus credentium”.
A nave maior representa a Igreja e o comandante supremo é o Papa. O Pontífice assume o seu leme e tenta ancorá-la nas duas colunas. Mas,

São João Bosco e o sonho das duas colunas
São João Bosco e o sonho das duas colunas
“as naves inimigas dispõem-se todas a assaltá-la, fazendo o possível por deter sua marcha e afundá-la.

“Umas com os escritos, outras com os livros, outras com materiais incendiários de que contam em grande abundância, materiais que tentam arrojar a bordo; outras com os canhões, com os fuzis, com os esporões: o combate torna-se cada vez mais encarniçado”.

No auge da batalha, o Papa cai ferido de morte e falece.

“Um satânico brado se levanta das naves revolucionárias. Porém, apenas morto o Pontífice, outro ocupa o posto vacante. Superando todos os obstáculos, ele guia a nave até as duas colunas, e a amarra nelas. Então se produz uma grande confusão.

Os inimigos “dão-se à fuga, dispersam-se, chocam-se entre si e destroem-se mutuamente. Umas ao afundar-se procuram afundar às demais”. A nave capitã ocupada pelo Papa permanece tranquila e segura. No mar reina uma calma absoluta. (Pietro Zerbino (a.c. di), “I sogni di Don Bosco”, Leumann: LDC, 1995/2ª ristampa, pp 53-55).

São João Bosco escreveu muitas previsões para o ano seguinte num Calendário famoso na Itália, publicado sob o curioso título Il Galantuomo.

Na edição para o ano 1873, o santo parece ter visado as interpretações abusivas sobre os acontecimentos vindouros, esclarecendo o significado profundo dos anúncios celestes.

David vence Golias, Gustave Doré
David vence Golias, Gustave Doré
Ele escreveu:
 “A nossa fé vencerá o mundo, e nossa oração será a pedra de David que arrebentará a cabeça do gigante Golias, quer dizer, os inimigos do Papa e, por isso mesmo, de Jesus Cristo.

“Deus prometeu que os maus não vencerão a Sua Igreja; o céu e a terra passarão, mas a palavra de Deus não passará.

“A Igreja pode ser perseguida, combatida, mas jamais será superada; e quando os ímpios se julgarem certos da vitória, então estejamos atentos, porque esse será o sinal de que está próximo o dia em que a Igreja vestida de festa cantará o ‘Alelluia’ de seu triunfo e o ‘De profundis’ por seus inimigos.

“São Pedro estava na prisão em Jerusalém e Deus mandou um anjo para libertá-lo milagrosamente das mãos de seus inimigos.

“Em nosso tempo, Deus quer fazer um grande milagre. Rezemos e, quando menos pensemos, ouviremos um grande estrépito e será a Torre de Babel que cairá por terra, como um dia caíram os muros de Jericó ao som das trombetas”. (“Il Galantuomo”, ed. 1873, págs. 10-11)

Poderíamos ainda consagrar incontáveis páginas às mensagens celestes recebidas neste sentido através de santos, beatos e almas de escol.
São Maximiliano Maria Kolbe, OFM Conv
São Maximiliano Maria Kolbe, OFM Conv

São Maximiliano Kolbe: a estátua da Imaculada entronizada no coração de Moscou

A limitação de espaço obriga-nos a ficar por aqui, não sem antes citar um santo que precisaria ser mais conhecido no Brasil: São Maximiliano Kolbe. Em 1937, quando a Rússia gemia sob os massacres stalinistas, ele escreveu:

“Não acreditamos estar longe nem ser puro sonho o advento do dia grandioso em que a estátua da Imaculada será entronizada pela obra de seus apóstolos no próprio coração de Moscou!” (Cf. “L’Osservatore Romano”, 14-15 fevereiro 1937).

Impossível encontrar uma imagem mais expressiva do vindouro triunfo do Coração Sapiencial e Imaculado de Maria.

Os boatos enganadores sobre 2012 sequer resistem a um início de comparação.


continua no próximo post: Nossa Senhora anunciou que não vivemos no fim do mundo mas num preâmbulo do triunfo divino




Falsas “profecias” sobre o iminente “fim do mundo” são alarmismo danoso

Avisos do Céu falam que hoje não vivemos o fim mas o prelúdio de um triunfo divino

Mais santos falam que não vivemos no fim do mundo, mas nas proximidades de um triunfo divino

Nossa Senhora anunciou que não vivemos no fim do mundo mas num preâmbulo do triunfo divino

A voz dos Papas aponta a vitória da Igreja sobre o Leviatã do caos universal nos dias vindouros



quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Avisos do Céu falam que hoje não vivemos o fim mas o prelúdio de um triunfo divino

Santa Catarina de Siena,  cabeça incorruta levada em procissão
Santa Catarina de Siena,
cabeça incorrupta levada em procissão
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Santa Catarina de Siena: júbilo pensando na futura era da Igreja

Entre os numerosos dons concedidos por Deus a Santa Catarina de Siena (1347-1380) estava o da profecia.

O papel da santa para resolver o cisma de Avignon tornou-a famosa. Nosso Senhor explicou-lhe a razão de ser dos grandes castigos que Ele estava aplicando:

“Eu permito este tempo de perseguições para arrancar todos os espinheiros que estão em volta de minha Esposa...

“Após essas tribulações e angústias, Deus purgará a Santa Igreja e renovará o espírito de seus eleitos por um meio que não pode ser compreendido pelos homens.

“Haverá na Igreja uma reforma tão grande e uma tão feliz renovação dos santos pastores, que pensando nisso o meu espírito vibra de alegria no Senhor.

“Assim, como Eu já disse, esta Esposa que nesta hora está em andrajos e quase totalmente desfigurada, tornar-se-á maravilhosamente bela e será ornada de pedras preciosas e coroada com todas as virtudes.

“Todas as nações exultarão vendo-se governadas por pastores tão santos; e os povos infiéis, atraídos pelo bom odor de Jesus Cristo ao rebanho católico, converter-se-ão ao Pastor verdadeiro, vigilante guardião de suas almas.

“Portanto, agradecei ao Senhor porque após esta tempestade Ele dará um grandíssima tranquilidade à Sua Igreja” (apud, “Vita Sanctae Catharina Senensis”, Fr. Raymundo a Capua, p. II, cap. X, in R. P. Alphonse Capecelatro, “Histoire de Sainte Catherine de Sienne et de la Papauté de son temps”, Librairie de Mme Ve Poussielgue-Rusand, Paris, 1863, 624 págs, págs. 354-355).



Beata Isabel Canori-Mora: o triunfo de São Pedro

Beata Isabel Canori-Mora
Beata Isabel Canori-Mora
Poucas almas bem-aventuradas receberam tão abundantes e extensas visões sobre os eventos que se aproximam como a bem-aventurada romana Isabel Canori Mora (1774-1825).

Por singular privilégio, Deus quis associá-la à obra de conversão do clero e da humanidade.

Ela viu também, com gáudio inenarrável, a face da Igreja e do mundo regenerado se prolongando através de séculos.

Entre as muitas visões da Beata neste sentido, podemos citar a esmo as seguintes:

“No dia do grande príncipe São Pedro, no ano 1820, (...) pareceu-me que o Céu se abria e descia do alto, em grande majestade, flanqueado por muitos santos e anjos, o grandíssimo Príncipe dos Apóstolos São Pedro, revestido dos paramentos pontificais.

“Ele tinha nas mãos um báculo com o qual marcou sobre a terra uma vastíssima cruz. (...) no mesmo momento vi aparecerem quatro árvores misteriosas que tinham a forma de cruz. (...)

“Os bons cristãos que terão conservado a Fé de Jesus Cristo ficarão refugiados sob essas misteriosas árvores. (…) Mas ai daqueles religiosos e religiosas não observantes que desprezam as Santas Regras! Ai! Ai!, porque todos perecerão sob o terrível flagelo. (…)

“Todo o mundo entrará em convulsão e matar-se-ão uns aos outros. (…)

“Deus se servirá das potências das trevas para exterminar os homens sectários, iníquos e criminosos que pretendem derrubar, erradicar a Igreja Católica nossa Santa Mãe, (...)

“grandes legiões de demônios percorrerão o mundo todo, causando grandes ruínas e executando as ordens da Justiça Divina (...).

“Os verdadeiros bons cristãos serão protegidos pelos gloriosos Apóstolos Pedro e Paulo, que velarão para que os espíritos malignos não façam mal nem a seus bens nem a suas pessoas. (...)

“punidos os ímpios com cruel morte, demolidos os lugares indignos, vi de repente (…) que o Céu se abria novamente, e com grande pompa e majestade descia o glorioso São Paulo.

“Com o poder e a autoridade de Deus, ele percorria o mundo inteiro como um relâmpago, e acorrentava a todos aqueles malignos espíritos infernais. (…)

“Nesse momento vi um belo resplendor que anunciava a reconciliação de Deus com os homens.

“O pequeno número dos cristãos foi apresentado pelos santos anjos ante o trono do grande Príncipe dos Apóstolos, São Pedro. (...) O santo escolheu o novo pontífice.

“Toda a Igreja foi reordenada segundo os ditames do Santo Evangelho. As ordens religiosas foram restabelecidas e todas as casas dos cristãos se tornaram casas penetradas de religião.

“Eram tão grandes o fervor e o zelo pela glória de Deus, que tudo estava ordenado em função do amor de Deus e do próximo.

“Desta maneira tomou corpo num momento o triunfo, a glória e a honra da Igreja Católica. Ela era aclamada, estimada e venerada por todos. Todos decidiram segui-la, reconhecendo o Vigário de Cristo, o Sumo Pontífice”.

A beata Isabel aceitou sofrer – e padeceu espiritualmente – as dores da Crucifixão, a fim de obter de Deus que o Papado permanecesse em Roma.

Como recompensa, Jesus Cristo lhe fez ver a renovação futura da Igreja e da Cristandade:

“Alegra-te, ó minha filha, objeto de minhas complacências! O cristianismo não mais será disperso, Roma não ficará privada de possuir o tesouro da Cátedra da verdade infalível da Santa Igreja.

“Eu reformarei meu povo e minha Igreja. Enviarei sacerdotes zelosos para pregar a minha Fé. Formarei um novo apostolado. Enviarei Meu Divino Espírito Santo para renovar a terra. Restaurarei as ordens religiosas por meio de reformadores santos e doutos. (…)

“Ele me deu a conhecer muitas outras coisas relativas a esta reforma. Vários soberanos sustentarão a Igreja Católica e serão católicos verdadeiros, depositando seus cetros e coroas aos pés do Santo Padre, Vigário de Jesus Cristo.

“Vários reinos abandonarão seus erros e voltarão ao seio da Fé católica. Povos inteiros converter-se-ão e reconhecerão como verdadeira a Fé de Jesus Cristo”.( apud Intratext)

O falso alarmismo aduz "argumentos científicos" deturpados ou errôneos.


Acena com "profecías" que haveria nas pirâmides maias, fala de alinhamento dos planetas em dezembro, da inversão dos polos magnéticos, da explosão de supervulcões adormecidos, da chegada de tempestades solares devastadoras, da aproximação de um enigmático planeta "Nibiru" ou de grandes asteroides capazes de destruir a vida na Terra, etc..


Esses "argumentos científicos" pouco ou nada têm de científico e enquanto argumentos carecem de seriedade e de lógica interna.

Como o assunto envolve as relações entre a fé, a Igreja Católica e as ciências publicamos uma matéria especial num blog especialmente dedicado à temática: CIÊNCIA CONFIRMA A IGREJA.

Pode se acessar a matéria clicando neste link: Fim do mundo em 2012? Cientistas desmentem alarmismo e superstição




Falsas “profecias” sobre o iminente “fim do mundo” são alarmismo danoso

Avisos do Céu falam que hoje não vivemos o fim mas o prelúdio de um triunfo divino

Mais santos falam que não vivemos no fim do mundo, mas nas proximidades de um triunfo divino

Nossa Senhora anunciou que não vivemos no fim do mundo mas num preâmbulo do triunfo divino

A voz dos Papas aponta a vitória da Igreja sobre o Leviatã do caos universal nos dias vindouros


Continua no próximo post: Mais santos falam que não nos aproximamos do fim do mundo, mas de um triunfo divino

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902). Brooklyn Museum, New York City.
'A viagem dos Magos' (1894), James Jacques-Joseph Tissot (1836-1902).
Brooklyn Museum, New York City.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. 

Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.

Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.

A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.

O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus.

Reis Magos, Nicolás de Verdun (1130 – 1205).
Urna dos Reis Magos na catedral de Colônia
Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo.

O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.

Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes.

Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.

O documento levanta questões em extremo interessantes:

Quem foram ao certo, os Reis Magos?

Foram três?

Quais eram seus nomes?

De onde vieram?

Por quê?


Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:

“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
“2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
“3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
“4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
“5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
“6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
“7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
“8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
“9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
“10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
“12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.” (São Mateus, cap. 2, 1ss)

Três Reis Magos, mosaico em San Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.
No muro da igreja, concluida em 569, lê-se os nomes dos três.
Apresentados com gorros frígios (chapéu originário da Ásia Menor.
No Irã era atributo do deus Mitra).
A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé.

Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.

O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?

É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.

São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos continuadores.

São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.

No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele:
“Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus.
“Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio.
“E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Três Magos adoram o Menino Jesus.
Sarcófago romano dos primeiros tempos do cristianismo, Museu Vaticano.
É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades.

Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, Gaspar significa “aquele que vai inspecionar” e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes.

Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.

Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis.

Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes.

Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.

Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.

Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de Davi:

“Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11) (P.S.: na numeração das traduções direto do hebraico, é o Sl. 72, 10-11).

Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.

Em livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S.Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.


A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.

Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. 

Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros.

A reação popular suscita um amável sorriso.

O que foi depois dos Reis Magos?

Reis Magos. Representam todas as raças. Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
Reis Magos. Representam todas as raças.
Andrea Mantegna (1431-1506). J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).

A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.

Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, Alemanha, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.

As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano de Oriente.

Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).

Por que eram "Magos"?

O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje.

A eles devemos o início da ciência astronômica.

Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).

Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.

Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia.
Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.

Foram "Reis"?

Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reino.

Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.

São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão.

E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

A estrela que os guiou

O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.

Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.

O Prof. Landau acredita que no apócrifo entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.

Relicário dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha.
Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

Prêmio a uma fidelidade de séculos

Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer, confiantes no aviso de Set.

Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!

Segundo o Prof. Landau, o apócrifo diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.

A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.

E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela.

Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.

Anúncio dos profetas e juízo de Padres e Doutores da Igreja

Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
Adoração dos Magos, Gentile da Fabriano (1370-1427). Galleria degli Uffizi, Florença
A festa da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus recebeu o nome de Epifania do Senhor. Epifania vem do grego: πιφάνεια que significa “aparição; fenômeno miraculoso”.

A festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, ou 2 domingos após o Natal, dependendo do calendário litúrgico usado.

“Andaram as gentes na tua luz e os reis no esplendor do teu nascimento”, profetizou Isaías (Is 60, 3).

E São Tomás de Aquino explica: ‘Os Magos foram as primícias dos gentios que acreditaram em Cristo. E neles se manifestou, como um presságio, a fé e a devoção das gentes que vieram a Cristo das mais remotas regiões’.

Santo Agostinho sublinha que eles procuraram com fé mais ardente Àquele que punham de manifesto o clarão da estrela e a autoridade das profecias.

São João Crisóstomo completa dizendo: “porque buscavam um Rei celeste, embora nada descobrissem nele denotador da excelência real, contudo, satisfeitos só com o testemunho da estrela, adoraram-no”.

Veja também: Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

Astrônomo defende com computador a existência da estrela de Belém


sábado, 24 de dezembro de 2022

Feliz Natal e abençoado Ano Novo!


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Pelo “desditado mundo que pelo ódio e descrença, caiu na desgraça e na miséria”

Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Pe.Reus: certeza dos fenômenos místicos litúrgicos surpreendentes



O espírito moderno banalizou a Santa Comunhão especialissimamente quando desde o Vaticano II se generalizou o mal costume de qualquer um comungar em qualquer estado inclusive no pecado mortal como se a Santa Comunhão fosse a mera partilha de um pão como outros.

Que diabólico erro!

O Pe. Reus nos deixou o exemplo do contrário: na Comunhão recebemos o Santíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E o próprio Deus se encarregou de lhe deixar esta tremenda verdade em evidencia.

Em 11 de setembro de 1942 “na Comunhão ... me vi numa espécie tipo fogo, porém não claro e brilhante como nas outras vezes. Contemplei como que um sol dentro do qual estava a Santíssima Trindade, ...

Santinho piedoso representa o Menino Jesus na Hóstia
Santinho piedoso representa o Menino Jesus na Hóstia
“De repente, percebi que meus braços se moviam lentamente para baixo e que traziam consigo aquele sol com a Santíssima Trindade. Queria resistir, para que o ajudante de Missa não percebesse ... Não consegui.

“Quando este sol celestial chegou mais ou menos ao alcance de minhas mãos, de repente, estava brilhante dentro de mim.

“Este é o efeito da Comunhão numa imagem visível: união com a Divina Majestade” (AeD, vol.4, nº3983)

O valor da Comunhão se estende a todo mundo, mesmo aos setores mais decadentes da humanidade pecadora, insistia o santo jesuíta, afastando a interpretação moderna da partilha comunitária.

Pelo “desditado mundo que caiu na desgraça e na miséria”


No Confiteor da Missa de 9 de outubro de 1942 “ofereci ao Divino Pai o precioso Sacrifício de Jesus Cristo para o desditado mundo, que por causa das guerras, [naquela data a II Guerra Mundial atingia um paroxismo] ódio e descrença, caiu na desgraça e na miséria.

Mais um testemunho de líder católico contemporâneo do Pe. Reus

"Minha Vida Pública":
uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história do Brasil e da Igreja

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que foi aluno dos jesuítas no Colégio São Luis, na atual avenida Paulista em São Paulo comentou do Pe. Reus:

O Prof. Plinio foi presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo e manteve estreitas relações com os líderes eclesiásticos e civis católicos do Brasil todo. Tirou da insignificância e dirigiu o jornal “O Legionário” – hoje “O São Paulo” – com difusão nacional.

É uma testemunha privilegiada contemporânea do Pe. Reus e cultivou valiosas amizades com padres jesuítas de São Paulo e também alguns de São Leopoldo.

Pela amizade com alguns noviços ou ex-noviços de São Leopoldo ouviu relatos da vida e dos fenômenos místicos extraordinários do Pe. Reus que corriam de boca em boca.

“Morou e morreu n0 seminário de São Leopoldo, um padre jesuíta de nome Reus, que eu não conheci pessoalmente e que levou uma vida muito apagada em São Leopoldo mas cujo eco não chegou a São Paulo.

“Eu fui largamente contemporâneo dele.

“Ele era mais velho que eu, mas quando ele morreu eu já era homem feito. Mas eu não ouvi falar dele.

“Foi só depois dele morto, aliás um pouco antes de ele morrer, que me falaram dele.

“Quando ele morreu me mostraram a fotografia dele, e ou eu me engano enormemente ou esse padre foi um verdadeiro santo.

“Eu sei que a sepultura dele, que deve ser provavelmente no cemitério de São Leopoldo é visitada continuamente por pessoas que depositam flores, pedem graças, etc., etc. e na minha caixa de relíquias eu tenho uma relíquia indireta dele, um pano que tocou nele.

“Eu osculo metodicamente cada dia uma das minhas relíquias e quando chega a vez do padre Réus eu osculo a dele com uma particular piedade”.

(Anotações de palestra de 12/6/82, sem revisão do Autor)
“Ao rezar: Misereatur vestri – Tenha compaixão de nós, pareceu-me que o Divino Pai derramava a sua misericórdia sobre a dor e a miséria do mundo.

“Na oferta da Hóstia, eu me vi diante do Divino Pai nas alturas, com o mundo em minhas mãos ... o universo em minhas mãos, rodeado de muitos anjos, que envolvem o sacerdote no santo Sacrifício ...

“como se o amável Salvador fizesse pessoalmente o que antes da Consagração só faz através da mão do Sacerdote, isto é, apresentar o universo ao Divino Pai, para implorar misericórdia” (AeD, vol.4, nº4011)

A Eucaristia atrai a misericórdia para os pecados abissais do mundo


Na 3ª meditação dos Exercícios Espirituais de 1943 focou os conceitos de Peccatum, diluvium – O pecado, o dilúvio.

“Tudo destruído, pela ira de Deus. Portanto, mantenha distância desta ira: Quod pefectus esse sciam, faciam – Farei o que for mais perfeito. (AeD, vol.4, nº4118)

“Na meditação desses conceitos “eu me vi imerso no mundo sobrenatural. ...

“uma visão da luta entre o bem e o mal, da terrível realidade da queda de tantas almas, um grito contínuo dos infelizes condenados e dos levianos da humanidade. ...

“Neste mundo, o sacerdote atua como salvador e mediador, o que é uma tarefa nada fácil.” (AeD, vol.4, nº4122)

O Menino Jesus na Eucaristia


Em 4 de setembro de 1944 “uma encantadora visão tive no êxtase antes da Comunhão. Segurei a santa Hóstia, com o Menino Jesus perceptível, ... vi como o Menino Jesus ergueu a mão e a estendeu a mim. ... Por um instante, tocou de leve o eu coração.

“No entanto ardor, o fogo, a dor na parte tocada foi de tal modo quente e forte, que soltei um suspiro alto, ...essa visão é preciosa, pois ela representa uma prova de que as visões são verdadeiras e me mantém vivo.

“Um resultado final dessa grandiosa graça foi um profundo ato de desprezo de mim mesmo” (AeD, vol.4, nº4741)

Como aparecia certas vezes o Menino Jesus na Missa ao Pe. Reus. (desenho dele)
Como aparecia certas vezes o Menino Jesus na Missa
ao Pe. Reus. (desenho dele)

Em 7 de outubro de 1944 “apareceu o Menino Jesus” na santa Missa e na festa dedicada à reparação ao Imaculado Coração da Mãe de Deus. Foi essa a razão que prevaleceu. ...

“A minha frente estava deitado o Menino Jesus de maneira visível. Nisso, de repente, ele ergueu os bracinhos para o alto, para a Mãe de Deus, e ela estendeu seus braços em direção do Menino no altar. ...

“Não poderia haver expressão mais bela. Que alegria sente a amável Mãe de Deus, quando a criança, em sua honra, se oferece no altar!” (AeD, vol.4, nº4791)



Continua no próximo post:


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


terça-feira, 11 de outubro de 2022

A solução está em Aparecida e não em Brasília

Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Aparecida
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Nossa Senhora Aparecida 305 anos depois

Existem devoções nacionais a Nossa Senhora, como é o caso de Aparecida, da mesma maneira que há grandes invocações que têm uma realeza entre as invocações de Nossa Senhora, como é o caso de Nossa Senhora do Rosário.

Quase não existe um país da Terra que não tenha uma grande devoção a Nossa Senhora e de que Ela não seja, debaixo de algum título, a Padroeira.

Também existem as invocações a Nossa Senhora das regiões e das cidades, como é, por exemplo, Nossa Senhora da Penha, em São Paulo.

E, às vezes, ainda há imagens de Nossa Senhora particularmente invocadas numa paróquia, numa parte de uma cidade, etc.

Há até famílias que têm uma devoção especial por alguma imagem de Nossa Senhora por alguma relação especial dEla com aquela família.

Por exemplo, na minha família paterna há devoção a Nossa Senhora da Piedade, é mais uma acomodação desse trato de Nossa Senhora com os homens, individualmente.

E depois, existe ainda, para cada um uma invocação especial de Nossa Senhora por alguma graça pessoal ou algum fato que liga a pessoa a essa imagem.

Nossa Senhora, com aquela índole materna que é característica dEla se faz grande com os grandes, e se faz pequena com os pequenos.

Se faz universal para as grandes coletividades e se faz regional para grupos humanos menores.

Nós podemos admirá-La em todas as dimensões: como Rainha das grandes coletividades e como Mãe das pequenas unidades.

É dentro dessa linha que nós devemos ver a devoção a Nossa Senhora Aparecida como Rainha do Brasil.

A América Latina inteira tem como padroeira a Nossa Senhora de Guadalupe, e, no Brasil, nós temos Nossa Senhora Aparecida.

Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil! Que é que, propriamente, deve significar para nós?

Nós sabemos o ponto de partida dessa devoção: na segunda quinzena de outubro de 1717 uns pescadores estavam pescando no Rio Paraíba quando eles recolheram, de repente, um tronco de imagem. Depois, mais adiante, pescaram uma cabeça.

Nossa Senhora Aparecida, réplica na Basílica velha
Nossa Senhora Aparecida, réplica na Basílica velha
E a pesca, que era inútil até aquele momento, passou a ser, então, muito abundante. E eles, junto do rio, construíram uma capelinha para aquela imagem que tinham encontrado.

As graças alcançadas ali foram extraordinariamente numerosas. Então, construiu-se a Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

O povo começou e a afluir em quantidade, recebendo graças extraordinárias, entre as quais se conta a de um escravo perseguido por seu senhor e que, rezando a Nossa Senhora Aparecida, viu que suas algemas se partiram.

E seu senhor, que ia puni-lo com grande ferocidade, viu-se desarmado e deu ao escravo a liberdade. Disseram-me que as correntes desse escravo ainda se conservam na sala dos milagres de Nossa Senhora Aparecida.

De lá para cá, a devoção a Nossa Senhora Aparecida se tem generalizado.

O ambiente em Aparecida é de grande afluência de povo pobre e do povo sofredor. E Nossa Senhora Aparecida atendendo e concedendo, continuamente, graças extraordinárias.

Ao mesmo tempo, a devoção a Nossa Senhora Aparecida foi marcando a vida da Igreja.

E no pontificado de São Pio X acabou sendo coroada solenemente Rainha do Brasil, por todo o episcopado nacional, num ato oficial.

E a coroa foi colocada sobre a imagem de acordo com um decreto da Santa Sé, e a Santa Sé autorizou a que Nossa Senhora Aparecida fosse considerada Rainha do Brasil!

Então, essa devoção nascida tão humildemente, acabou fazendo seu caminho, culminando num ato que é um verdadeiro jurídico.

É jurídico pelo emprego do Poder das Chaves! A Santa Sé tem o direito de constituir uma Padroeira. Ela tem o direito de erigir uma realeza que estabelece um vínculo especial de um povo com Nossa Senhora.

E de Nossa Senhora com esse povo! O poder de desligar e ligar na Terra e no Céu que Nosso Senhor concedeu a São Pedro tem esse efeito, entre outros.

Nota do blog:

Na Bolivia, o ditador Evo Morales
presenteia o Papa com foice e martelo em lugar de Cruz
No Terceiro Centenário: O grande ausente

A visita do Papa Francisco no grande aniversário de nossa Mãe comum foi aguardada até o último momento pelo Brasil católico.

Sua descumprida promessa e a recusa de insistentes convites, foi atribuída por alguns à derrocada do PT e amigos.

Nós preferimos implorar empenhadamente para que Nossa Senhora Aparecida que toque seu coração e aja como só Ela, Mãe extremosa, sabe fazer nas circunstâncias complexas.

Nossa Senhora ficou sendo no Céu, advogada e Rainha do Brasil pelo poder das Chaves do Papa, que nessa época era o grande São Pio X.

Nesse ato jurídico nós devemos ver um prenúncio do Reino de Maria.

A partir do momento que Nossa Senhora foi aclamada Rainha do Brasil, ficou juridicamente declarado o Reino de Maria no País.

Para os efeitos celestes e para os efeitos terrestres, Nossa Senhora tem direitos jurídicos sobre o Brasil ainda maiores do que os que Ela teria se fosse uma rainha temporal, ainda que muito santa.

Por causa disto nós temos uma obrigação especial de cultuar, de dar glória a Nossa Senhora, de espalhar Sua devoção por toda parte, de lutar junto aos outros povos do mundo que não queiram receber o culto de Nossa Senhora.

De fazer, portanto, cruzadas em nome de Nossa Senhora!

É toda uma vocação nacional e mundial que se delineia para o Brasil a partir precisamente dessa coroação de Nossa Senhora como nossa Rainha.

Daí decorre que se o Brasil não fosse o pobre país agnóstico e interconfessional que é, o verdadeiro seria que, para determinados efeitos, a capital verdadeira do Brasil, fosse Aparecida.

Depois de Nossa Senhora ter sido declarada Rainha do Brasil, eu não concebo a possibilidade que os grandes atos da vida nacional se façam em outro lugar que não em Aparecida!

Reconstituição do achado milagroso da imagem no Paraíba. Crédito foto Thiago Leon
Reconstituição do achado milagroso da imagem no Paraíba.
Na segunda quinzena de outubro de 1717.
Crédito foto Thiago Leon
A promulgação das leis célebres, a declaração das guerras, os tratados de paz, as grandes solenidades das grandes famílias do país; todas estas coisas, eu só concebo como sendo realizados na Aparecida!

E no momento que tanto se discute sobre o que acontece em Brasília, nós esquecemos o verdadeiro polo.

E o verdadeiro polo é Aparecida.

A verdadeira capital do país, para os grandes efeitos, deveria ser Aparecida. Aí temos bem a perspectiva de como Aparecida deveria ser.

É inútil dizer o contrário. É uma grande baixa de nível, em comparação com considerações desta elevação.

O que seria bonito é a gente imaginar como seria a Basílica de Nossa Senhora Aparecida quando for instaurado o Reino Maria no Brasil.

Que honra, que pompa, que grandeza, que nobreza, que elevação esta basílica deveria ter!

Que grande conjunção de ordens contemplativas deveria se estabelecer ali; que grandes confessores deveriam ir ali para fazer bem às almas; que centros especiais para cursos para intensificação da devoção mariana; enfim, quanta e quanta coisa!

Essas são coisas que não estão no reino dos sonhos! Estão no reino dos ideais!

Para nós, que confiamos na Providência Divina, nós sabemos bem a diferença que há entre um sonho e um ideal.

Para o homem que não confia na Providência, todo ideal não é senão um sonho.

Para o homem que confia na Providência, muita coisa que parece sonho é um ideal realizável!

Eu acho que nós devemos apresentar a Nossa Senhora Aparecida o desejo de que Ela faça realizar estas coisas. De que Ela apresse o dia em que essas coisas se realizarão.

E que a constituição em Aparecida de uma ordem de coisas como deve ser, seja o sintoma e o efeito da remodelação de todas as coisas no Brasil e no mundo para o cumprimento da promessa de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará”.

É para o triunfo do Coração Imaculado de Maria, que no Brasil se apresenta sob a devoção de Nossa Senhora Aparecida, que nós devemos rezar afincadamente e cheios de confiança de que Ela atenderá nossa oração!



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra em 5.10.64, sem revisão do autor)


segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Pe.Reus: certeza dos fenômenos místicos litúrgicos surpreendentes

Servo de Deus João Batista Reus SJ 16, No quartel, como aspirante a oficial, em 1890. Seu espírito reto era muito afim com o perfil militar
Servo de Deus João Batista Reus SJ,
No quartel, como aspirante a oficial, em 1890.
Seu espírito reto era muito afim com o perfil militar
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: Pe.Reus e a transverberação, fenômeno místico excepcional



O Pe. Reus, por natureza, não era inclinado para o misticismo ou fenômenos extraordinários sobrenaturais.

Esses, entretanto, começaram a lhe acontecer e até num grau comparável ao dos máximos místicos da Igreja Católica. Ele se inclinava a atribui-los a enganos do demônio, mas todas as tentativas de esclarecimento que ele procurou, confirmaram que eram autenticamente sobrenaturais.

Acrescia que o mau cheiro do progressismo que subverte hoje a liturgia com fenômenos estranhos, enganosamente atribuídos à divindade ou a forças supostamente sobrenaturais já se infiltrava na Igreja como energias divinas resultantes de práticas litúrgicas relativistas ou heterodoxas.

A primeira preocupação do Pe. Reus foi se abrir com as autoridades de sua ordem, a jesuítica. Esta prática apela a um juiz que determinará se são obra ou não do diabo e assim afasta o demônio.

Em 1º de agosto de 1942, o Pe. Reus rendeu contas de consciência ao Pe. Provincial. “Ele aprovou tudo e pediu que continuasse fazendo minhas anotações, como o Provincial anterior, Pe. Leopoldo Arntzan, já havia solicitado. (...)

O juízo dos superiores

O padre Ferdinand Baumann, seu consciencioso biógrafo, que o conhecia pessoalmente, relata o seguinte:

“Todos viram no Padre Reus um homem sério, razoabilíssimo, firme nas suas atitudes, de mentalidade crítica, enérgico, livre de sentimentalismo e exaltação.

“Todos conheciam sua veracidade inabalável e sabiam que se devia dar crédito incondicional ao que dizia.

“Os superiores conheciam suas virtudes heroicas: penitências e mortificações extraordinárias, adorações noturnas, permanente e notório recolhimento e autocontrole. Não poderia ter praticado tudo isso sem ser misticamente agraciado”.

Como prova convincente da autenticidade de suas visões, o Padre Reus declara:

“... não dependem de mim. Sobrevêm frequentemente, em dias comuns, e não nas festas comemorativas (por exemplo Sexta-feira Santa), quando a alma está repleta do mistério do dia. Também não me é possível modificar algo nas visões, circunstâncias mencionadas também por Santa Teresa”.

Por outro lado, o Padre Reus não desejava o extraordinário. Rezava e pedia ao seu Senhor e Deus: “Sabeis que não procuro coisas extraordinárias, admito-as, unicamente, porque Vós mas enviais”. (apud “As visões e êxtases do Padre João Batista Reus”)

“Do dia 8 de julho de 1937 até 16 de agosto de 1941, por ser necessário para as anotações, contei 414 visões, das quais, com exceção talvez de seis, nenhuma foi totalmente igual às outras.” (AeD, vol.4, nº3943)

Esta prática dominou toda sua vida. Mais tarde escreveu que falando com o Pe. Provincial,

“em muitas visões, não há nenhum vestígio de algo impróprio; assim, é impossível uma dúvida fundamentada sobre a autenticidade. O Pe. Provincial esteve de acordo e fundamentou isso argumentando com a Sagrada Escritura” (AeD, vol.4, nº4736)

Acresce que seus fenômenos místicos eram estritamente sobrenaturais. Por isso confessou: “Nunca pelo que sei, vi algo com os olhos do corpo” (AeD, vol.4, nº4739)

E em espírito de humildade, acrescentou: “eu tenho, como parece, uma graça especial: a de distinguir o verdadeiro e o falso” (AeD, vol.4, nº4737)

As certezas que lhe davam os juízos dos superiores, foram um constante conforto espiritual:

“Os superiores aprovam meu comportamento e minhas visões” (AeD, vol.4, nº4741)

 O próprio Jesus Cristo quis premiá-lo pela sua observância das regras litúrgicas


Anjos seguram a coroa de Cristo sobre o Pe. Reus. Desenho do Pe.Reus
Anjos seguram a coroa de Cristo sobre o Pe. Reus.
Desenho do Pe.Reus
Ele conta que quando cumpria 51 anos de Ordenação Sacerdotal, no Credo da Missa “vi dois anjos que seguravam uma coroa sobre mim, a qual pende como condecoração da dignidade sacerdotal” (AeD, vol.4, nº4713)

“Ambos os anjos tomaram do amado Salvador e a ergueram sobre mim até o final da santa Missa. E, então, devolveram a coroa ao amável Salvador.

“Aí eu observei também como o Pai Celestial e o Espírito Santo permaneceram com sua coroa, enquanto o Divino Salvador punha a dele à disposição de seu sacerdote no altar, ...

A coroa é o poder do sacerdote, porém o verdadeiro Senhor dela é Cristo Sumo e Eterno Sacerdote. Ele a compartilha com seus servos escolhidos.

“Ele realmente dá a sua coroa ao sacerdote no altar. Esse amor é sem limites. Infelizmente muitas vezes é desprezado”. (AeD, vol.4, nº4713)

Cristo coroa de espinhos na Missa ao sacerdote que celebra seriamente como o Pe. Reus
Cristo coroa de espinhos na Missa
ao sacerdote que celebra seriamente
como o Pe. Reus
E não somente foi coroado com uma coroa de glória divina, mas simbolicamente com a coroa de espinhos, em contradição com a procura de coroas de sensações que se espalhava nas “experiências litúrgicas” que apareciam subterraneamente na Igreja à procura de um enganoso 'espírito comunitário'.

Em 19 de setembro de 1944 “depois da Consagração, pareceu-me que tivessem colocado a coroa de espinhos sobre mim.

“Vi a coroa de espinhos entre mim e o trono da Santíssima Trindade
; ... vi o Menino Jesus com a cruz à direita da Santíssima Trindade, cercado de santos anjos. (AeD, vol.4, nº4773)







Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Pe.Reus e a transverberação, fenômeno místico excepcional

Detalhe de 'Transverberação do Coração de Santa Teresa de Ávila'. Josefa de Óbidos (1630 — 1684). Igreja Matriz de Cascais
Detalhe de 'Transverberação do Coração de Santa Teresa de Ávila'.
Josefa de Óbidos (1630 — 1684). Igreja Matriz de Cascais.
O Pe. Reus teve análogo fenômeno místico.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: Pe. Reus: guerra do inferno contra a boa Missa e o celebrante estrito



“Eu procurei quem me consolasse e não encontrei” lamenta Nosso Senhor segundo uma Antífona que se canta também na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

As palavras glosam um salmo de David: “seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei”. (Salmo 68, 21-22)

O Pe. Reus voltou sua profunda devoção para o Sagrado Coração de Jesus oferecendo suas dores pela ingratidão dos homens e consolar os insultos a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nossa Senhora e a Igreja no mundo.

Ele foi um homem transfixados pela dor numa época em que a Igreja ia sendo amolecida por um espírito alegrote e ia ficando pronta sorrateiramente para a atual explosão de progressismo desregrado.

Ele foi como um homem ajoelhado que oscula as gotas de sangue que a Igreja derrama e seus filhos deixam cair no chão procurando consolá-la.

Como vimos nos posts anteriores, seu coração trocado com o Sagrado Coração de Jesus era uma fonte de labaredas de intenso fogo de amor reparador.

Nosso Senhor quis premiar essa atitude heroica com o fenômeno extraordinário da trans-verberação, concedido outrora a santos da envergadura de Santa Teresa de Jesus.

Foi assim que no dia 3 de outubro de 1941, em seu quarto, “vi como meu coração fora perfurado com uma flecha, ou melhor, fora ferido, causando-me dor muito intensa. ... com a flecha no coração, passava pelo corredor, também vi o anjo, que ainda estava com a mão na flecha” (AeD, vol.4, nº3589)

Desenho do Pe Reus de seu coração transverberado
Desenho do Pe Reus de seu coração transverberado
A flecha, com que um anjo me feriu o coração no dia 3 de outubro, ficou sempre visível a partir de então.

“Hoje quando estava deitado em ardor de amor, uma mão invisível transpassou o meu coração fora a fora, de forma que a ponta saiu do outro lado. Na ponta brilhava uma pequena chama de fogo.

“O anjo que fez isso, transpassou duas vezes o meu coração. A dor foi tão grande que gemi alto. Desde então, vejo a flecha em meu coração”. (AeD, vol.4, nº3608)


Vida de penitência e de sacrifício

Padre Reus tinha verdadeira fome e sede de sacrifícios. Aceitava resignadamente os desprezos, as humilhações que feriam profundamente sua extrema susceptibilidade.

Flagelava-se diariamente antes de se recolher à noite; cingia-se frequentemente com um cilício de ferro, dormia sobre duas tábuas, escondidas debaixo do lençol, jejuava quase sem interrupção e dominava os sentidos e a natural curiosidade de maneira edificante.

Mas o maior sacrifício foi sem dúvida, a renúncia à sua vontade e sua perfeita e constante subordinação à vontade dos superiores.

Verdadeira tormenta agitou-lhe a alma, quando soube ser desejo da Ordem que os súditos abrissem suas consciências não só ao superior provincial, mas também ao superior da Comunidade.

“Parecia-me então mais fácil confessar pecados graves – se os tivesse – do que revelar as graças místicas”.

Grande provação para o Padre Reus era a gradativa perda da visão, que poderia transformar-se em cegueira completa.

Deus, porém, se contentou com a boa vontade de Seu Servo, preservando-o da cegueira. Mas a surdez, própria da velhice, não lhe foi poupada. (apud “As visões e êxtases do Padre João Batista Reus)


O fogo que emanava de seu coração transpassado pelo dardo de amor divino tinha um caráter reparador.

Entre 22 e 24 de novembro, conta ele, “vi-me em um mar de chamas ... as chamas saiam de meu coração, subindo para o trono das três Santíssimas Pessoas e as envolvia.

“Delas saiam torrentes de fogo em minha direção. ... Do meu coração saíam chamas de fogo que subiam até o trono [da Santíssima Trindade].

“O amor de Deus penetra no coração do homem e repara os erros ininterruptamente cometidos pela humanidade pecadora” (AeD, vol.4, nº3640-42)

Em 16 de julho de 1942 “Quando, no Ofertório, eu já havia lavado as mãos, fui vestido por uma mão invisível, com uma vestimenta branca que me cobriu totalmente. Deus devolve a inocência, se ela for perdida” (AeD, vol.4, nº3917)





O insulto me partiu o coração. Eu procurei quem me consolasse e não encontrei Salmo 68, 21-22


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.



ANTÍFONA: O INSULTO ME PARTIU O CORAÇÃO;
NÃO SUPORTEI, DESFALECI DE TANTA DOR!
EU ESPEREI QUE ALGUÉM DE MIM TIVESSE PENA,
MAS FOI EM VÃO, POIS A NINGUÉM PUDE ENCONTRAR;
PROCUREI QUEM ME ALIVIASSE E NÃO ACHEI!

DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

1. SALVAI-ME, Ó MEU DEUS, PORQUE AS ÁGUAS
ATÉ O MEU PESCOÇO JÁ CHEGARAM!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

2. FALAM DE MIM OS QUE SE ASSENTAM JUNTO ÀS PORTAS,
SOU MOTIVO DE CANÇÕES, ATÉ DE BÊBADOS!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

3. POR ISSO ELEVO PARA VÓS MINHA ORAÇÃO,
NESTE TEMPO FAVORÁVEL, SENHOR DEUS!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

4. RESPONDEI-ME PELO VOSSO IMENSO AMOR,
PELA VOSSA SALVAÇÃO QUE NUNCA FALHA!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!