segunda-feira, 22 de abril de 2019

La Salette, o incêndio de Notre Dame e o futuro da Cristandade: ocaso ou restauração?

Santinho evoca a fabulosa ofensa ao Sagrado Coração de Jesus
feita pelos 'communards', comunistas de 1871,
E o pranto de Nossa Senhora, que em La Salette
falou que Paris desapareceria incendiada. Cfr.:
A destruição de grandes cidades pecadoras como Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No best-seller Ugly as Sin — Feias como o pecado (Sophia Institute Press, Manchester, NH, 2001) — Michael S. Rose, jovem arquiteto americano, doutor em Belas Artes pela Brown University (EUA) apresentou a catedral Notre Dame de Paris como a jóia-da-coroa da Cidade Luz, o verdadeiro epicentro, a alma da capital francesa.

Solene e maternal, ela irradia sua influência a partir da Île de la Cité, como uma grande dama a partir do palácio, no centro do seu feudo.

Ela é a representação do Cristianismo na sua totalidade: desde o império universal de Nosso Senhor Jesus Cristo até os sofrimentos dos precitos no inferno.

Nela, o peregrino percebe a luta entre o bem e o mal, entre o sagrado e o profano, entre o eterno e o passageiro.

Notre Dame, insiste Michel Rose, é arte no sentido mais nobre do termo, é arquitetura da mais alta classe, um “lugar sagrado” que espelha as realidades eternas.

Ela é, antes de tudo, a casa onde Deus habita na Terra. Assim a Idade Média via Deus.

Compreende-se à luz destas considerações, e de muitas mais que podem se fazer e foram feitas, o impacto mundial que provocou o incêndio do telhado de Notre Dame e da queda simbólica de sua agulha em chamas.

Incêndios dessa magnitude e simbolismo aconteceram na história medieval.

Lembremos daquele que devorou a catedral de Chartres (a sétima) anterior à atual, em 1194. A causa foi um raio que atingiu o telhado.

Notre Dame de Paris antes do incêndio de 15 de abril 2019
Notre Dame de Paris antes do incêndio de 15 de abril 2019
A catedral ardeu durante três dias.

Não havia ainda tecnologia para apagá-lo. Mas havia Fé!

A grande preocupação do povo foi com a sorte de uma relíquia: o véu de Nossa Senhora que se venera  hoje na nova catedral maior e mais imponente erguida sobre os restos da antiga incendiada.

Acreditou-se que a relíquia fora tragada pelas chamas.

Mas eis que três dias depois, os populares tomados de entusiasmo indescritível viram sair das cinzas fumegantes uma procissão de cônegos da catedral carregando em andor a preciosíssima relíquia.

Percebendo a gravidade do desastre, os bons e velhos sacerdotes acorreram para salvá-la. E ficaram presos entre as labaredas!

Então desceram pelas ruínas das seis antigas igrejas sobre que repousava a velha catedral em fogo e ficaram aguardando na incerteza e na escuridão algum momento para sair.

Detalhe de: Incêndio da catedral de Chartres. No século XII. François Alexandre Pernot (1793-1865). Musée des Beaux-Arts de Chartres
Detalhe de: Incêndio da catedral de Chartres. No século XII.
François Alexandre Pernot (1793-1865).
Musée des Beaux-Arts de Chartres
Vendo o heroísmo dos religiosos, o entusiasmo geral foi tão grande que a construção da nova -- e oitava! -- catedral começou logo.

Ela foi completada num tempo recorde com o trabalho manual voluntário de todas as classes sociais, dois reis incluídos.

Confira: O entusiasmo religioso na construção da catedral de Chartres

Também a abadia do Monte Saint-Michel foi consumida em circunstâncias análogas.

E voltou a ser reconstruída, até mais de uma vez.


Poderíamos ainda citar inúmeros outros exemplos em que a Providência fez da catástrofe um fator de reafervoramento colossal.

Não houve só fatores materiais no calvário dos grandes monumentos medievais.

Houve também o fogo ateado pelo ódio revolucionário. Quer dizer, infernal.

Ainda mais uma vez, uma das vítimas foi a catedral devotada a Nossa Senhora em Paris.

A Comuna de Paris foi o primeiro governo comunista que conseguiu se estabelecer - ainda que efemeramente - num país ou grande cidade.

A catedral de Chartres hoje
A catedral de Chartres hoje
A Comuna que tinha entre seus chefes até Karl Mar, incitou a ralé a queimar igrejas, palácios reais e da nobreza, e quantos prédios significassem a glória da Civilização Cristã.

Os communards, nome dos revoltosos comunistas, invadiram a catedral, a depredaram, empilharam móveis, altares, obras de arte e quanto puderam encontrar, instalaram pipas cheias de combustíveis embaixo e atearam o fogo que deveria consumir tudo.

E fugiram para não sucumbir sob o desabamento que viria fatalmente.

Mas, os populares parisienses acorreram, formaram correntes humanas que puxavam água do Sena com baldes e recipientes caseiros e evitaram a perda da catedral.

Porém, a influência das tóxicas ideologias democráticas igualitárias da Revolução Francesa havia apagado o entusiasmo religioso típico da era medieval.

Notre Dame ficou em pé mas em estado deplorável.

Porém, no fundo das almas, o remorso pelo abandono do imenso símbolo medieval de Nossa Senhora, levou governos sucessivos a encomendar uma restauração que não acabava nunca e se fazia com uma precariedade e imprevidência, se não era má vontade, que acabou tendo parte no desastre recente.

Entretanto, de cá e lá brotou um brado de consciências tal vez não puras, mas que ante o calvário da catedral-mãe manifestaram seu inconformidade.

Em questão de horas, as promessas de donativos para pagar a restauração superavam o bilhão de euros, se não é mais.

No fundo de cada homem, até dos que estão no topo da modernidade e do anti-medievalismo, dorme um medieval.

Essa verdade que tantas vezes constatamos nos comentários a este blog, tomou contornos muito definidos no momento atual.

É essa realidade tal vez o maior motor daquilo que explica o nome do nosso blog: GLORIA DA IDADE MÉDIA.



Vídeo: Como foi construída a catedral de Notre Dame de Paris





sábado, 20 de abril de 2019

A alegria do encontro de Jesus ressuscitado com Nossa Senhora

Jesus ressuscitado vai primeiro ao encontro de Nossa Senhora. Juan de Flandes, (1460 — 1519) Metropolitan Museum of Art, NYC
Jesus ressuscitado vai primeiro ao encontro de Nossa Senhora.
Juan de Flandes, (1460 — 1519) Metropolitan Museum of Art, NYC
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso, Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém. O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio- dia. Comemorava-se a Ressurreição.

Nas ruas, os moleques malhavam bonecos de Judas.

Aleluia cantava-se por toda parte. As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa.

As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.

A dor do Calvário cedia ante a imensa alegria da Páscoa.

A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.

Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante. Pelo contrário, quando Ele desvia sua Face, os homens atraem épocas de castigo.

É como o sol que desaparece. Em que estado estamos nós, o mundo todo?

Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade. Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.

Que pelos méritos de vossa Ressurreição se congreguem os bons.

Que o Divino Espírito Santo lhes comunique força e valor para derrotar os inimigos da vossa Igreja.

Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã.

Nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.



Vídeo: Procissão de Ressurreição em Cartagena (Espanha)




quarta-feira, 17 de abril de 2019

Acompanhando a Jesus pela Via Sacra em Jerusalém

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Via Sacra ‒ também conhecida como Via Crucis, Estações da Cruz ou Via Dolorosa ‒ é uma devoção que consiste numa peregrinação espiritual ajudada por uma série de quadros ou imagens que representam cenas da Paixão de Cristo.

A Via Sacra mais conhecida hoje é a rezada no Coliseu de Roma, na Sexta-Feira santa, com a participação do próprio Papa.

As imagens representando as cenas da Paixão podem ser de pedra, madeira ou metal, pinturas ou gravuras.

Elas estão dispostas a intervalos nas paredes ou nas colunas da igreja.

Mas, às vezes podem se encontrar ao ar livre, especialmente nas estradas que conduzem a uma igreja ou santuário.

Uma Via Sacra muito conhecida é a do santuário de Lourdes, França.

Nos mosteiros as imagens são muitas vezes colocadas nos claustros.

O exercício da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram espiritualmente o percurso de Jesus carregando a Cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando à Paixão de Cristo.

Dados históricos da devoção

A tradição afirma que a Virgem Santíssima costumava visitar diariamente os locais da Paixão de Cristo.

A Via Dolorosa de Jerusalém foi reverentemente sinalizada desde os primeiros tempos e foi uma meta dos piedosos peregrinos desde os dias do imperador Constantino.

São Jerônimo fala das multidões de peregrinos de todos os países que costumavam visitar os lugares santos e percorriam piedosamente a Via da Paixão de Cristo.

O desejo de reproduzir os lugares sagrados em outras terras, a fim de satisfazer a devoção daqueles que estavam impedidos de fazer a verdadeira peregrinação, apareceu muito cedo.


No século V, São Petrônio, bispo de Bolonha erigiu no mosteiro de São Estévão (Santo Stefano em italiano) um conjunto de capelas com as estações.

O mosteiro ficou familiarmente conhecido como “Hierusalem”.

Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve forte expansão na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII).

O romeiro inglês William Wey que visitou a Terra Santa em 1458, em 1462 descreveu a maneira usual para seguir as pegadas de Cristo em Sua jornada de dores redentores.


As 14 Estações

A Via Sacra se tornou uma das mais populares devoções católicas.

O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus.

O número de estações, passos ou etapas, da dolorosa procissão do Bom Jesus, nosso Redentor, foi definido paulatinamente chegando à forma atual, de quatorze estações, ou passos, no século XVI.


As 14 estações são as seguintes: (CLIQUE EM CADA IMAGEM PARA VER E OUVIR)




1ª Estação: Jesus é condenado à morte


2ª Estação: Jesus carrega a cruz às costas


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez


4ª Estação: Jesus encontra a sua Mãe


5ª Estação: Simão Cirineu ajuda a Jesus


6ª Estação: A Verônica limpa o rosto de Jesus


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez


8ª Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém


9ª Estação: Terceira queda de Jesus


10ª Estação: Jesus é despojado de suas vestes


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz


12ª Estação: Jesus morre na cruz


13ª Estação: Jesus morto nos braços de sua Mãe


14ª Estação: Jesus é enterrado


Em cada estação é feita uma meditação sobre o passo e o costume é rezar também um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória ao Padre.

O percurso da Via Sacra não deve ter interrupções. Mas é permitido assistir a uma Missa, confessar e comungar em meio ao piedoso exercício.



A indulgência plenária

Não existe uma devoção mais ricamente dotada de indulgências do que a Via Sacra.

As indulgências estão ligadas à cruz posta sobre as imagens que devem ser canonicamente erigidas.

Condições para ganhar a indulgência

Concede-se indulgência plenária a quem pratique o exercício da Via Sacra. Para que este se possa realizar, requerem-se quatorze cruzes postas em série (com alguma imagem ou inscrição, se possível) e devidamente bentas. O cristão deve percorrer essas cruzes, meditando a Paixão e a Morte do Senhor (não é necessário que siga as cenas das quatorze clássicas estações; pode utilizar algum livro de meditação). Caso o exercício da Via Sacra se faça na igreja, com grande afluência de fiéis, de modo a impossibilitar a locomoção de todos, basta que o dirigente do sagrado exercício se locomova de estação a estação.

Quem não possa realizar a Via Sacra nas condições acima, lucra indulgência plenária lendo e meditando a Paixão do Senhor pelo espaço de meia-hora ao menos.

(cfr. d. Estevão Bettencourt, Catálogo das Indulgências)

Ver também: O que é uma Indulgência, e as condições para ganhar a Indulgência Plenária.


terça-feira, 16 de abril de 2019

O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame

A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

“Para, que eu quero ficar aqui! Eu sei que o resto é muito belo, mas eu creio que poucos olharam essa Catedral desse ângulo e pararam.

“E eu quero ser dos poucos, para dar a Nossa Senhora o louvor deste ponto de vista aqui, que os outros talvez não tenham louvado suficientemente.

“Ao menos se dirá que uma vez, um peregrino vindo de longe amou o que muitos outros, por pressa, por isso ou por não terem recebido uma graça especial naquele momento para aquilo, não chegaram a amar.”

“E em todos os grandes monumentos da Cristandade, depois de admirar as maravilhas, eu tenho a tendência a ir admirando os pormenores, num ato de reparação, porque esses pormenores talvez não tenham sido amados como eles deveriam ser amados.

“E então fazer ao menos isto: amar o que deveria ter sido amado e que foi esquecido. É sempre a nossa vocação de levar à tona as verdades esquecidas, que os homens põem de lado.

“Eu fiquei encantado com a Catedral naquele ângulo.

“Depois dei a volta, e voltei para o hotel com a alma cheia.

“E se alguém naquele momento me lembrasse da palavra da Escritura:

“Eis a igreja de uma beleza perfeita, a alegria do mundo inteiro”, eu teria dito: “Oh! como está bem expresso! É bem o que eu sinto a respeito da Catedral.”

“E aí, do fundo de nossas almas, do fundo de nossas inocências, sobe uma coisa que é luz, superluz, mas ao mesmo tempo é penumbra ou é obscuridade sem ser treva.

“E é a ideia de todas as catedrais góticas do mundo, as que foram construídas, e as que não foram construídas, dando uma ideia de conjunto de Deus. Que, entretanto, ainda é infinitamente mais do que isso.

“Aí o espírito que inspirou todas essas catedrais nos aparece.

“E aí, realmente, mais nós vivemos no Céu do que na Terra.

“E aí o nosso desejo de uma outra vida, de conhecer um Outro, tão interno em mim que é mais eu do que eu mesmo sou eu, mas tão superior a mim que eu não sou nem sequer um grão de poeira em comparação com Ele, esse meu desejo se realiza.

“Eu digo: “Ah, eu compreendo, o Céu deve ser assim!”

“Nós amamos ainda mais o puríssimo Espírito, eterno e invisível, que criou tudo aquilo, para dizer:

“Meu filho, Eu existo. Ame-me e compreenda: isto é semelhante a Mim.

“Mas, sobretudo, por mais belo que isto seja, Eu sou infinitamente dessemelhante disto, por uma forma de beleza tão quintessenciada e superior, que é só quando me vires que verdadeiramente te darás conta do que Eu sou.

“Vem, meu filho. Vem, que eu te espero!

“Luta por mais algum tempo, que Eu estou me preparando para te mostrar no Céu belezas ainda maiores, na proporção em que for grande e dura a tua luta.

“Espera que, quando estiveres pronto para veres aquilo que Eu tinha intenção de que visses quando Eu te criei.

“Meu filho, sou Eu a tua Catedral!

“A Catedral demasiadamente grande! A Catedral demasiadamente bela!

“A Catedral que fez florescer nos lábios da Virgem um sorriso como nenhuma jóia fez florescer, nenhuma rosa, e nem sequer nenhuma das meras criaturas que Ela conheceu.”

“Essa Catedral é Nosso Senhor Jesus Cristo.

“É o Coração de Jesus que tirou do Coração de Maria harmonias como nada tirou. Ali, tu o conhecerás.”

“Ele disse dEle: “Serei Eu mesmo a vossa recompensa demasiadamente grande”.


Vídeo: O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 13/10/79, excerto sem revisão do autor)

segunda-feira, 8 de abril de 2019

As correntes e o crucifixo no peito de Nossa Senhora.
A Sagrada Escravidão de São Luis Grignon de Montfort

Corrente e Cruz de Nossa Senhora, Aparições de La Salette

Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Bons efeitos da aparição e mudanças de vida em outras regiões




Em La Salette, Nossa Senhora apareceu usando uma Cruz e uma corrente todas especiais.

Mélanie, ela própria nos contou como eram:

“A Santa Virgem tinha uma belíssima cruz pendurada no pescoço.

“Essa cruz parecia ser dourada, mas digo dourada para não dizer que era folheada a ouro (...). Sobre esta cruz brilhantíssima havia um crucificado.

“Era Nosso Senhor com os braços estendidos sobre a cruz. Quase nas duas extremidades da cruz, de um lado havia um martelo e do outro uma torquês.

“A cor da pele do crucificado era natural, mas brilhava com grande fulgor.

“E a luz que emanava de todo seu corpo parecia dardos brilhantíssimos que perpassavam meu coração de desejo de me fundir n’Ele.

“Por vezes Cristo parecia morto.

“Ele tinha a cabeça inclinada e o corpo estava afastado, como a ponto de cair, se não fosse retido pelos pregos que o seguravam na cruz.

“Outras vezes Cristo parecia vivo.

“Tinha a cabeça erguida, os olhos abertos, e parecia estar na cruz por vontade própria.

“E em algumas ocasiões parecia falar”.

Geralmente interpreta-se o martelo como símbolo daqueles que pela sua má vida, pelo menosprezo da Lei divina e até pelo ódio, pregam ainda mais Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz.

Nesta concepção a torquês representa aqueles que, pelas suas boas ações, diminuem as dores de Nosso Senhor, e dentro de suas possibilidades tentam despregá-lo da cruz.

“A Santíssima Virgem – lembra ainda Mélanie – tinha duas correntes, uma um pouco mais larga que a outra.

“Da mais estreita estava pendurada a cruz à qual me referi.

“Essas correntes (é preciso dar-lhes o nome de correntes) eram raios de glória de grande brilho, que não é fixo mas faiscante”.

Crucifixo de Nossa Senhora, Aparições de La Salette
A corrente alude à devoção da sagrada escravidão a Nossa Senhora, segundou pregou São Luis Maria Grignion de Montfort.

O grande santo marial havia explicado essa devoção hoje tão espalhada, felizmente, em seu famoso "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem".

Porém, após a morte de São Luis Maria, dito Tratado não foi levado muito a sério e por fim desapareceu em meio aos desmandos, saques e profanações da Revolução Francesa.

Por isso ficou desconhecido de todos durante mais de cento e trinta anos (período de 1712 a 1842).

Tendo-se aberto o processo de beatificação de São Luis Maria, foram procurados todos os escritos do Santo, como é de praxe.

Foi assim que foi recuperado o Tratado desaparecido. O achado aconteceu pouco antes da aparição de La Salette.

Foi como se a Providência tivesse escolhido a aparição de Nossa Senhora para começar a difusão em grande estilo da devoção.

Então, a mensagem de La Salette e a devoção da sagrada escravidão de amor a Nossa Senhora, como ensinada no Tratado, ficaram indissociavelmente unidas.

Acresce que, como veremos, Nossa Senhora no fim de seu segredo em La Salette fez um apelo dramático pela vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos profetizados por São Luis Grignion no próprio Tratado e na admirável Oração Abrasada.

Nossa Senhora também propôs uma regra para esses Apóstolos dos Últimos Tempos, na qual parece estar se lendo ensinamentos de dito Tratado.


continuará no próximo post:








Introdução

Finalidade do “Tratado da Verdadeira Devoção”

Maria Santíssima é insuficientemente conhecida

Excelências das faculdades da alma de Nossa Senhora

Outras qualidades de Maria Santíssima

Devoção a Nossa Senhora: característica da santidade

Maria Santíssima é a Onipotência Suplicante

Necessidade da devoção à Santíssima Virgem

Papel de Nossa Senhora na Encarnação

O poder da oração de Nossa Senhora e a nossa vida espiritual

A cooperação de Nossa Senhora com Deus Filho

Devoção a Nossa Senhora e apostolado

A intimidade entre Nosso Senhor e Nossa Senhora aplicada à nossa vida espiritual

A confiança total em Nossa Senhora

A cooperação de Nossa Senhora com o Espírito Santo

Deus quer servir-se de Maria na santificação das almas

Necessidade da devoção a Nossa Senhora para a nossa salvação

Aplicações para o apostolado

Maria no mistério da Igreja. Primeira consequência: Maria é a rainha dos corações

Segunda consequência: Maria é necessária aos homens para chegarem ao seu último fim

Os apóstolos dos últimos tempos e o demônio

Maria, a mais terrível inimiga de Lúcifer

Os Santos dos Últimos Tempos

Os Apóstolos dos Últimos Tempos

Verdades fundamentais da devoção à Santíssima Virgem

A pretexto de não ofender a Nosso Senhor, destroem a devoção a Nossa Senhorar

Apresentar Nossa Senhora de um modo terno, forte e persuasivo

Características da escravidão a Nossa Senhora

Seremos escravos, ou de Deus ou do demônio

Por que ser escravo de Maria, que é escrava de Deus?

A Mediação Universal de Nossa Senhora na obra de São Luís Grignion

Fatos que mostram a necessidade de protegermos de nosso fundo de maldade

A consciência da própria maldade, condição indispensável para a santificação

Escolha da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Os falsos devotos e as falsas devoções à Santíssima Virgem

A perfeita devoção à Santíssima Virgem ou a perfeita consagração a Jesus Cristo

Motivos que nos recomendam esta devoção

A devoção a Nossa Senhora aumenta nossas virtudes, unindo-nos sempre mais a Nosso Senhor

A graça de possuir uma grande intimidade com Nossa Senhora

A escravidão a Nossa Senhora dá valor incalculável às nossas boas obras

Figura bíblica desta perfeita devoção: Rebeca e Jacó

“Filho, dá-me o teu coração”



segunda-feira, 1 de abril de 2019

Bons efeitos da aparição e mudanças de vida em outras regiões

Procissão no santuário de La Salette, vitral do santuário
Procissão no santuário de La Salette, vitral do santuário
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: A França tocada a fundo pela aparição




Os bons efeitos se sentiram logo nas dioceses vizinhas. Assim o testemunhou o bispo de Gap, Mons. Irineu Dépery, em 9 de fevereiro de 1847.
“Eu também tenho recolhido informações, e para mim o fato da aparição parece incontestável. Deus parece confirmá-la com prodígios. (...)

“A água da fonte devolveu a saúde a diversas pessoas, entre as quais uma de meu conhecimento. O efeito que tem produzido este acontecimento nas populações das vizinhanças, até na minha diocese, é prodigioso.

“As imprecações e o trabalho no domingo cessaram inteiramente. As igrejas e os sacramentos são frequentados da maneira mais edificante.

“É preciso ser ímpio para recusar a Deus o poder e o querer agir desta maneira para atrair o povo para sua lei. As Santas Escrituras estão cheias de fatos semelhantes”.
Em dezembro do ano da aparição chegavam diariamente a La Salette cerca de cento e cinquenta romeiros. O número não parava de crescer.

Os videntes subiam com eles, até duas vezes por dia, ao local em que Nossa Senhora apareceu. E narravam a aparição sempre com a mesma despretensão, seriedade e dedicação.