segunda-feira, 19 de abril de 2021

Se apaga a lâmpada do Sacrário: obscurecimento na Cristandade e trevas na Igreja

Apagou-se a lâmpada do Santíssimo
Apagou-se a lâmpada do Santíssimo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: Nossa Senhora do Bom Sucesso avisou o que viria sobre nós



Na noite de 2 de fevereiro de 1634 na solidão da capela enquanto a abadessa Madre Mariana implorava ao Senhor que a levasse logo desta Terra, se apagou a lâmpada do sacrário.

Batiam as 3 da manhã e a religiosa tentou sair do genuflexório para acender a lâmpada, não o conseguindo.

A cena é comovedora: uma religiosa de seriedade e virtudes, rezando a horas tardias na intimidade da igreja vazia diante do tabernáculo.

À primeira vista parece um fato corriqueiro qualquer: soprou um vento, qualquer outra coisa, e apagou a lâmpada.

A chama se extingue e a escuridão é completa, a freira não pode se mover: simboliza uma grande provação que vai baixar sobre a Igreja.

É uma última luz que se apaga. Isso deixa as almas fiéis em tanta provação que ficam como que sem sentidos. Isto é um símbolo carregado de significação.

A abadessa, como vimos, procura acender a lâmpada e não consegue. Nossa Senhora reacende a lâmpada e aparece, e no momento a capela inteira se ilumina com um grande brilho.

Nesse instante, toda a capela do convento se iluminou, e Nossa Senhora explicou o significado simbólico do apagamento da lâmpada relativo a diversos fatos futuros.

Nossa Senhora apareceu na noite e explicou o significado da lâmpada que se apagou
Nossa Senhora apareceu na noite e explicou
o significado da lâmpada que se apagou
Depois Nossa Senhora passa a dar cinco motivos que explicam o símbolo da lâmpada que se apaga. E fala da Cristandade sul-americana que passará por um eclipse que é a derrocada da atual ordem de coisas.

Mas, Nossa Senhora vai reacender a Cristandade na América do Sul, e depois, nesse momento, a Igreja inteira se ilumina com um grande brilho.

Como introdução, Nossa Senhora, lhe fornece uma prova da veracidade de tudo o que Ela vai dizer:

“Filha querida de meu Coração, Eu sou Maria do Bom Sucesso, tua Mãe e protetora, que trazendo meu Filho Santíssimo no meu braço esquerdo e um báculo no direito, venho dar-te a alegre notícia de que dentro de dez meses e alguns dias, encerrarás teus dias nesta Terra.”

De fato, a Madre Mariana partiu para o Céu no prazo anunciado: no dia 16 de janeiro de 1635.

A verificação de um fato próximo tão importante, como é frequente nas profecias, fornece a prova de que os eventos futuros anunciados também se cumprirão com a mesma exatidão.

Primeiro significado: perseguições religiosas e martírios


Quais são esses eventos vindouros? Ei-os:

“A lâmpada que arde diante do amor prisioneiro, que vistes apagar, tem muito significado.

“Em primeiro lugar: no fim do século XIX e por boa parte do século XX, estas terras serão então repúblicas e entregues a heresias.

“E reinando nela, se apagará a luz preciosa da Fé nas almas por uma quase total corrupção dos costumes.

“Neste tempo haverá grandes calamidades físicas e morais, públicas e privadas”.

A revelação privada de Nossa Senhora do Bom Sucesso, ainda que sucessivas transcrições possam ter mudado frases até importantes dela, é das mais completas e minuciosas das que anunciam fatos dos nossos tempos.

Pode se discutir se não é mais concreta, precisa quanto à época, ao lugar, à natureza dos fatos, à envergadura da catástrofe que se deve passar, do que a de La Salette.

O comunismo, explícito ou sorrateiro, é grande perseguidor da Igreja
O comunismo, explícito ou sorrateiro, é grande perseguidor da Igreja
“Grandes calamidades físicas e morais, públicas e privadas”! Como serão elas?

Serão apenas psicológicas, incruentas, ou cruentas também?

O mundo de hoje torna tudo possível, porque o característico do reino do absurdo em que afundamos é todas as coisas possíveis ficarem prováveis simultaneamente.

Então os fatos mais contraditórios acontecem e o impossível pode tomar ares de possível.

Nossa Senhora aprofunda a descrição profética:

“O pequeno número de almas em que se conservará o culto da Fé e da virtude, sofrerá um cruel e indizível padecimento, ao par de um prolongado martírio.

“Muitas delas descerão ao sepulcro por violência e sofrimento e serão consideradas como mártires por terem se sacrificado pela Igreja e pela pátria”.

Mártires pelo sangue derramado, ou de tanto sofrer por fidelidade à Igreja?


O registro não deixa claro se são mártires assassinados por ódio à fé ou se morrerão de tanto sofrer moralmente pela sua fidelidade à Igreja e à Pátria.

O sofrimento incruento causa maior dor que os danos corporais, como as feridas dos heróis da batalha de Lepanto, por exemplo.

Compreende-se que o crescendo dessas perseguições que trarão “cruel e indizível padecimento” possa causar desgostos que levem pessoas de Fé à sepultura.

“Para pôr à prova os justos nesta Fé e confiança, fará [que cheguem] momentos nos quais tudo parecerá perdido e paralisado, e então será o feliz princípio da restauração completa”.

Os anúncios são certamente para o Equador. Mas não apenas ele. Deve se considerar que naquela época as nações sul-americanas não tinham se definido com a clareza atual.

Anúncios que valem para a Igreja em todo o mundo

Real Audiencia de Quito em 1779
Real Audiencia de Quito em 1779

O atual território equatoriano fazia parte de uma jurisdição muito mais ampla que era a Real Audiência de Quito. Essa Audiência tinha largos poderes de base jurídica sobre um território cinco vezes maior que o atual Equador.

Ela fazia parte do Vice-reinado do Peru cuja autoridade pelo menos teoricamente se exercia sobre toda a América do Sul e incluía até o atual Panamá ao norte e a Terra do Fogo ao Sul.

O vizinho ao norte era o Vice-reinado do México que ia até o Alasca e se estendia por uma enorme parte do Oeste dos EUA.

Porém, os acontecimentos anunciados são de um tal porte que não poderiam deixar de envolver todas as atuais nações do continente. De imediato, pelo menos as nações circunvizinhas que estavam nascendo. E uma delas é, sem dúvida, o Brasil.

Nossa Senhora do Bom Sucesso deixou bem claro que viriam convulsões enormes sobre a América do Sul que fazia parte do reino hispânico.

Mapa de América do Sul em 1640, feito em Amsterdam, no tempo das apariões. Na.Sra. falou para esse conjunto continental
O Brasil integrando Portugal estava unido ao reino de Espanha naquele tempo; a coroa portuguesa era unida à da Espanha pelos reis da Casa de Áustria: Felipe II, Felipe III e Felipe IV.

O Brasil está, portanto, incluído na profecia que ao que tudo indica está se cumprindo em todos os países da América do Sul.

Por que é que essa revelação fala apenas dos países vizinhos e não fala do mundo? Hoje é impossível dar-se uma coisa destas sem que arraste todo o mundo.

Por que é que só fala de nossos países? Tudo leva a crer que eles devem exercer um papel especial nos acontecimentos que Nossa Senhora anuncia para o futuro.

Portanto, a luta na América Latina para derrubar o demônio e para fazer Nossa Senhora vencer terá aqui uma importância toda especial.

Por que foi escolhida a cidade de Quito? Quito foi a última capital do império incaico fortemente dominado por cultos demoníacos. Compreende-se seu papel central no esmagamento da serpente infernal pelo calcanhar da Virgem.

O empenho – até pouco risível – de muito altas figuras eclesiásticas e temporais europeias em ressuscitar o culto satanolatra da Pachamama é mais uma confirmação recente do combate contra a Virgem que esmaga a serpente..

Nossa Senhora de Quito domina a serpente acorrentada, símbolo da luta no nossoi continente
Nossa Senhora de Quito domina a serpente acorrentada,
símbolo da luta no nosso continente
Por que é que foi escolhida essa freira? Ela foi mandada a Quito pelo seu tio o Rei Católico Felipe II, para lá residir.

Que essa revelação fosse dada a uma sobrinha do Rei – talvez a primeira pessoa de sangue real a se instalar na América do Sul – é algo profético, muito bonito, condigno, e natural com a grandeza dos fatos que a Virgem prevê.

Aparece aí o simbolismo. As trevas são enormes, vem uma luz celestial e Nossa Senhora acende a lâmpada.

São duas luzes distintas: uma luz não é a da lâmpada; é de Nossa Senhora que aparece com uma luz celestial e com uma outra luz, essa material, acende a lâmpada apagada.

Algumas outras revelações privadas aprovadas pela hierarquia eclesiástica também preanunciam que virão trevas completas, não só no sentido material da palavra, mas no sentido espiritual, intelectual e religioso.

Nelas, a única coisa que nos restará é a certeza da infalibilidade e indestrutibilidade da Igreja Católica, mais nada.

Porém, no meio dessas trevas, temos o dever de aguardar que Nossa Senhora apareça. E acreditar que Ela mesma com uma grande luz vai reacender a chama que tinha morrido na humanidade.

Nossa Senhora atribui a extinção da chama aos pecados dos homens. Logo essa chama material é a Civilização Cristã, e a chama espiritual é a Fé Católica que no futuro seria extinta e depois restaurada no povo sul-americano.

Esse é o primeiro motivo simbólico do fato.



Continua no próximo post: Segundo motivo: a crise religiosa que parecerá extinguir a Fé


segunda-feira, 12 de abril de 2021

Nossa Senhora do Bom Sucesso avisou o que viria

Nossa Senhora do Bom Sucesso no altar principal da igreja conventual
Nossa Senhora do Bom Sucesso no altar principal da igreja conventual
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Nossa Senhora do Bom Sucesso se apareceu oito vezes em Quito, a capital do Equador atual, nos séculos XVI e XVII e advertiu do que iria acontecer em nossa época na nossa atribulada América do Sul, o Brasil incluído.

Ela se manifestou à Madre Mariana Francisca de Jesus Torres y Berriochoa (1563-1635) que foi uma das fundadoras do Mosteiro de Nossa Senhora da Concepção, o primeiro de Quito, cidade privilegiada pelo número de casas religiosas, e cuja intensa vida monacal varou os séculos.

O rei da Espanha Felipe II, o monarca mais poderoso da Europa, quis enviar religiosas às novas terras da América e especialmente a Quito, última capital do império inca, para aí fundar um mosteiro de clausura.

Mariana era sobrinha do poderoso rei e tinha apenas doze anos, moça demais para professar em qualquer ordem. Mas partiu para Quito onde se tornou religiosa franciscana concepcionista quando atingiu 19 anos.

Ela viajou com uma tia, a Madre María de Jesús Taboada religiosa concepcionista, num grupo que somava nove entre religiosas e aspirantes.

Elas estabeleceram um convento em pequenas casas vizinhas ao prédio que, mais tarde, daria no palácio presidencial atual. Quito vivia sua era fundacional e por certo os mapas de época nos apresentam mais bem um bairro de chacras e capelas.

O convento da Limpia Concepción da Ordem da Imaculada Conceição (Ordo Inmaculatae Conceptionis, abreviado O.I.C.) foi solenemente estabelecido em 13 de janeiro de 1577.

Nossa Senhora do Bom Sucesso no nicho de abadessa, sendo preparada para descer à iigreja
Nossa Senhora do Bom Sucesso no nicho de abadessa,
sendo preparada para descer à iigreja
Se trata de uma instituição de clausura feminina de vida contemplativa, fundada por Santa Beatriz da Silva (1426 – 1492).

A primeira fundadora e abadessa de Quito foi Madre María de Jesús Taboada. A sobrinha de Felipe II foi abadessa posteriormente com o nome de religião de Madre Mariana de Jesus Torres.

Cabe distinguir sua pessoa de Santa Mariana de Jesus de Paredes (1618 –1645), que nasceu e morreu em Quito. Essa, quando faleceu a Madre Mariana Francisca de Jesus Torres em odor de santidade em 16 de janeiro de 1635, tinha 17 anos e exclamou “morreu uma santa”.

Confidências históricas



O corpo de Sóror Mariana, bem como das seis outras fundadoras espanholas e de mais três abadessas equatorianas que as sucederam, estão em perfeito estado de conservação em urnas expostas à veneração contínua das freiras dentro do claustro.

Na década de 1970, quem escreve morou poucos anos em Equador. Acompanhei ao engenheiro brasileiro Luiz Antonio Fragelli (R.I.P.) então residente com sua esposa e filhos em Quito na procura das lembranças de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Por meio de duas aristocráticas damas quitenhas que mantinham boas relações com as religiosas, soubemos das aparições e dos corpos incorruptos. Procuramos as religiosas e essas nos receberam como alguém que há muito tempo estavam aguardando, sem nos conhecer e sendo os dois estrangeiros.

Urna com os corpos incorruptos de concepcionistas de Quito
Urna com os corpos incorruptos de concepcionistas de Quito
Nesses dias, o convento com sua bela igreja passavam por uma agonia econômica. Realmente, dificilmente podiam estar pior: apenas uma quarta parte do convento estava em condições de uso, o número e a idade das religiosas pressagiavam uma vizinha extinção.

Por razões econômicas não puderam mais sustentar os trabalhos de manutenção dos corpos incorruptos e fecharam com um muro o acesso ao local onde estavam. O tempo passou e as religiosas não sabiam ao certo onde ficava essa preciosa sala.

As damas referidas acima nos falaram então de uma velha empregada que era encarregada de cuidar dos corpos. Ela ainda vivia num povoado de taipa e rua de terra que nunca esquecerei. Fomos até lá. A pobre anciã estava reduzida ao leito, mas falava com seu sotaque indígena demonstrando entusiasmo pelas “madrecitas”.

Ela contou que os corpos estavam flexíveis e dóceis. Para efeitos de limpeza ela levantava os braços e o que fosse necessário. Contou-nos onde ficava a sala no labirinto do imenso convento, até com luxo de detalhes, do percurso a fazer. Mas, ela falou tanto ou nós não conseguimos memorizar que nada nos foi possível fazer e nada achamos.

Anos depois quando começou a retomada de interesse pela devoção ao Bom Sucesso, surgiram vocações e recursos e as próprias concepcionistas restauraram o local, a urna e mantém perfeitamente os corpos prodigiosamente conservados.

Origem e significado da invocação do Bom Sucesso



Nossa Senhora apareceu oito vezes para a abadessa, a primeira vez o 2 de fevereiro de 1594. Nessa aparição a Santíssima Virgem se apresentou como Nossa Senhora do Bom Sucesso. O “Bom Sucesso” se refere à Apresentação de Jesus no Templo cerimônia prescrita aos hebreus pelo profeta Moisés e que devia acontecer na oitava do nascimento. Portanto no nosso 1º de janeiro.

Era a prefigura do atual batismo que completava felizmente a gestação e nascença do Verbo Encarnado, e o introduzia na religião para o cumprimento de sua missão redentora.

“No contexto das aparições marianas em Equador, o ‘Bom Sucesso’ também pode se referir à restauração espiritual profetizada da Igreja Católica que terá lugar em algum momento depois do século XX” (apud Wikipedia, verbete ‘Nuestra Señora del Buen Suceso’).

Percurso tortuoso dos escritos



O registro dos eventos sobrenaturais e ainda muitos outros dados históricos ficou contido num grande volume que as religiosas chamam em linguagem caseira de “Cuadernón”.

Este volume que hoje estaria no convento mas até agora não foi localizado. Em séculos passados ele foi compulsado por religiosos de confiança que fizeram apontamentos. Esses hoje são a fonte mais valiosa que possuímos, embora não sejam o documento primário.

Outras cópias foram feitas em momentos diversos. E, assim, de transcrição em transcrição entraram versões diversas que não atingem o essencial, mas aparecem como incompletas.

Vida Admirable de la Madre Mariana. Portada
Vida Admirable de la Madre Mariana. Portada
A versão mais respeitada é atribuída ao franciscano português Frei Manuel de Souza Pereira, OFM. Mas seu escrito em três volumes, ou cadernos, teria sido re-escrito em verdade pela Madre Mariana de Jesus Crucificado Varela, OIC.

Os três volumes de Frei Manuel foram queimados.

Essa redação da Madre Mariana de Jesus Crucificado Varela é a fonte das diversas edições da “Vida Admirável da Rvda. Madre Mariana de Jesus Torres, espanhola e uma das fundadoras do Mosteiro real da Limpia Concepción na Cidade de Quito” traduzidas em algumas línguas.

A versão atribuída a Frei Manuel de Souza Pereira, reescrita pela Madre Mariana de Jesus Crucificado Varela, no estágio atual das pesquisas, é a mais fiável, mas não é desprovida de senões.

Segundo declararam ao Padre José Urarte S. J. em 1934 as monjas concepcionistas de Quito, Frei Manuel teria copiado o “Cuadernón”.

De ali resultaram três cadernos manuscritos, que foram entregues ao presidente Gabriel García Moreno pela abadessa Soror Bárbara Fierro no século XIX.

Porém, segundo anotações de época atribuídas à Madre Varela, Frei Sousa Pereira teria feito apenas um resumo de um livro de Frei Alácano para facilitar a leitura das freiras.

Feitas essas ressalvas, utilizaremos a versão proveniente de Frei Manuel como sendo a de maior veracidade e a mais próxima do original. Mas, observamos que em outros bons autores podem aparecer diferencias resultantes desse percurso tortuoso dos escritos.


Continua no próximo post: Se apaga a lâmpada do Sacrário: prenuncio de apagamento da Cristandade e de trevas na Igreja


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Santa Brígida: Cristo estimula as Ordens de Cavalaria

Santa Brígida da Suécia, Museu Histórico de Estocolmo
Santa Brígida da Suécia, Museu Histórico de Estocolmo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Continuação do post anterior: Visões de Santa Brígida: entrada no Céu do cavaleiro que deu a vida pela Igreja



O exemplo histórico que comentaremos neste post foi tirado da “História das Ordens Monásticas Religiosas e Militares” (Pierre Hélyot, ed. Nicolas Gosselin, Paris, 1715, vol. IV, cap. VI, pág. 44).

Guilherme, Conde de Holanda, que ia ser coroado imperador em Aix-la-Chapelle (Aquisgrão), foi feito Cavaleiro em Colônia no ano 1248, porque era somente escudeiro, e as leis do Império determinavam que o Imperador só podia ser coroado se fosse cavaleiro.

Tendo sido celebrada a Missa pelo Cardeal Bieca (...) do título de São Jorge do Voile D’Or, o Rei da Boêmia, após o Evangelho, apresentou o Conde da Holanda a esse prelado dizendo-lhe:

“Nós apresentamos a Vossa Reverência esse escudeiro, suplicando muito humildemente vossa paternidade de receber sua profissão e os seus votos, a fim de que ele possa entrar em nossa sociedade militar”.

O Cardeal disse ao Conde:

“Segundo a etimologia da palavra cavaleiro, é preciso que aquele que quer combater seja de condição livre, generoso, dadivoso, corajoso e tenha muita destreza e grandeza de alma, a fim de não deixar se abater nas necessidades.

“Que seja de condição livre pelo seu nascimento, que faça se honrar pela sua liberalidade, que demonstre coragem quando comandar e que dê provas de sua destreza nas ocasiões.

“Mas, antes de pronunciar os votos de vossa profissão, escutai as Regras da Cavalaria.

“É preciso ouvir todos os dias a Santa Missa, expor vossa vida em defesa da Fé Católica, garantir da pilhagem a Igreja e os seus ministros, proteger as viúvas, os órfãos e evitar as guerras injustas, aceitar os duelos para libertar os inocentes, não se alienar aos bens do Império, viver diante de Deus e diante dos homens sem nenhuma falta.

“Essas são as Regras da Cavalaria e, se as observardes fielmente, obtereis muita honra nesta vida e gozareis da eterna bem-aventurança após a vossa morte.
“Após isso, o Cardeal tomou as mãos do Conde de Holanda e, tendo-as encerrado no Missal onde acabara de ler o Evangelho, perguntou-lhe se queria receber a Ordem de Cavalaria em nome do Senhor e fazer profissão dessa Ordem conforme a regra que ele acabava de explicar.

“O conde, tendo respondido que a queria receber, deu-lhe a sua profissão por escrito, que ele pronunciou nos seguintes termos:

“Eu Guilherme de Holanda, Príncipe da milícia, vassalo do santo Sacro Império, sendo livre faço juramento de guardar a Regra da Cavalaria, em presença do senhor Cardeal Diácono do título de São Jorge Voile D’or e legado da Santa Sé, por estes Santos Evangelhos que toco com a mão”.
Santa Brígida da Suécia
Santa Brígida da Suécia
“O Rei da Boêmia, então, deu-lhe um grande golpe sobre o pescoço dizendo:

“Lembrai-vos, em honra do Todo Poderoso, que eu vos faço Cavaleiro e vos recebo com alegria em nossa sociedade

“e lembrai-vos também que Jesus Cristo recebeu uma bofetada, que dEle se riam diante do Pontífice Anás, que foi revestido de uma túnica de louco e que sofreu zombarias diante do Rei Herodes, que foi exposto nu numa Cruz.

“Eu vos peço de ter sempre no pensamento os opróbrios dAquele do qual vos aconselho trazer sempre a Cruz.

“Após a missa ter chegado ao fim, saíram da Igreja ao som de trombetas, símbolos e fanfarras.

“O Conde fez um desafio a lança com o filho do Rei da Boêmia e o perseguiu-o com a espada na mão, como para começar a cumprir as funções da Ordem da qual acabava de ser honrado”.


Eis as cerimônias na Alemanha para a recepção de um Cavaleiro desde o ano de 1238.

Uma grande mística como Santa Brígida se ocupou especialmente dessa instituição.

Revelações importantíssimas foram feitas por Nosso Senhor por amor à Instituição da Cavalaria.

Uma ideia adocicada falsa da religião ocultou que a Instituição da Cavalaria foi de tal maneira amada por Nosso Senhor.

A religião “água com açúcar” se empenha em eliminar todos os aspectos da combatividade da Igreja, e prepara o católico moleirão, imbecilizado, que corresponde ao que censurava o profeta Oséias,

“11. Efraim é como uma pomba ingênua, sem inteligência; apelam para o Egito, vá à Assíria...” (Oséias, 7-11)

Das Visões de Santa Brígida:

“o demônio ataca meu povo, isto é, os cavaleiros, que devem ser meu povo. Em verdade te digo que, se os cavaleiros tivessem mantido o acordo e regras estabelecidas pelo meu primeiro amigo, eles estariam entre os meus mais queridos amigos. (...)

os cavaleiros foram especialmente amados por mim dentre todas as ordens, já que  prometeram derramar por mim o que eles consideram mais estimado: seu próprio sangue. Por esse voto eles se fizeram os mais amados por mim”.

“meus cavaleiros, meu povo, estão construindo moradias para o demônio e trabalhando incessantemente, porque eles não conseguem obter o que desejam e porque se preocupam com bens sem sentido, embora o fruto de sua ansiedade não seja uma benção mas ao contrario, a recompensa da vergonha”.

(Livro das Visões e Revelações de Santa Brígida, Baviera, 1671, com carta introdutória do Cardeal Juan de Torquemada; Livro II, capítulo X))
Isto prova bem como as vistas de Nosso Senhor são diferentes e se pode atribuir um caráter fundamentalmente religioso ao entusiasmo pela Cavalaria.

Amar e admirar a Cavalaria é uma virtude conforme ao Sagrado Coração de Jesus.

As revelações de Santa Brígida nos autorizam a dizer: “Oh! Sagrado Coração de Jesus, que amais a Cavalaria, fazei nosso coração semelhante ao Vosso”.

Nós vemos como é bonita a organização medieval porque a Cavalaria é considerada uma ordem tão elevada que o Imperador do Sacro Império Alemão não podia ficar Imperador se não é antes cavaleiro.

Podia ser nobre, importante, rico, mas antes de receber a Ordem da Cavalaria, ele não poderia se tornar Imperador.

Clemente VII corona Carlos V de Hasburgo, Basilica de San Petronio, Bologna, Museo Ingres Bourdelle, Gaspar de Crayer (1584 – 1669)
Clemente VII corona Carlos V de Hasburgo, Basilica de San Petronio, Bologna,
Museo Ingres Bourdelle, Gaspar de Crayer (1584 – 1669)
Vejam o mistério das coisas: Conde de Holanda soa melhor do que Rei de Holanda; não é melhor ser um grande conde do que um pequeno rei!

Há senso das proporções na Idade Média.

O Conde de Holanda eleito para Imperador do Sacro Império vai se prostrar diante de um Cardeal para ser recebido Cavaleiro.

O nome do título do Cardeal é de São Jorge Au voile d’Or, é a quinta essência da delicadeza do véu e da refulgência do ouro.

O padrinho é nada mais, nada menos do que um Rei da Boêmia.

A Boêmia era antigamente a República Checa ou Tchéquia. 

Mas era uma Boêmia legendária, basta falar de seus cristais magníficos e coloridos vivos, sutis, às vezes profundos, vermelhos insondáveis, azuis delicadíssimos ou cor marinho, facetas que entram a fundo, taças magníficas, sólidas, ou então tão delgadas que a gente tem quase medo de pegar nelas.

É a Boêmia da fantasia, da arte, da graça. A Checoslováquia que veio depois foi uma criação da ONU, denominação cafajeste, burocrática de algo que tinha outro sentido.

A cerimônia se coloca num nível feérico.

O Rei da Boêmia pede ao Cardeal se dignar de receber o maior potentado da terra na Ordem de Cavalaria.

Ver os maiores poderes da Terra se prostrarem diante do Cardeal representante da Igreja dá bem-estar.

É a matéria que se prostra diante do espírito, é a força da política dos bens temporais, que se dobra diante da força dos bens espirituais.

Os senhores imaginam algum presidente da república dirigindo-se a algum cardeal e lhe dizendo que “muito humildemente vem pedir”?

Não, a dignidade republicana é incompatível com isto, mas a sacralidade monárquica não é incompatível com isto.

O Cardeal faz um grande elogio do Conde da Holanda que honra Jesus Cristo ter um Cavaleiro assim.

Isso que é categoria, consciência de sua missão, de sua força, e enumera todos os deveres e encargos.

O Rei da Boêmia, então, lhe dá aquele grande golpe no pescoço de que há um vestígio no pequeno tapa que o bispo dá no crismado.

Mas, dá-lhe militarmente um grande golpe, um safanão de rachar a quem não fosse o Conde de Holanda.

Se desenvolve então a pompa da Santa Missa. Depois é a hora do triunfo e o Cavaleiro que se humilhou e sai mais unido a Nosso Senhor na ordem da graça, reluzente de glória.

Ele entrou reluzente de glória terrena e sai reluzente de glória sobrenatural.

É o triunfo medieval que quase não existe mais nesta apagada, fria e caqui modernidade.

Em toda a Alemanha se propagava a notícia. De aldeia a aldeia tocavam os sinos, anunciando que o Imperador do Sacro Império tinha ficado cavaleiro e que em breves dias a Cristandade teria a cabeça temporal adornada com a coroa de Carlos Magno.

Esse triunfo do Conde de Holanda consagrado pela Ordem de Cavalaria é um pródromo da eleição dele no palácio do Römer, na cidade de Frankfurt, em cuja sacada aparecia o Imperador do Sacro Império depois de eleito.

Palácio do Roemer onde aparecia o imperador eleito, Frankfurt ©Luis Dufaur
Prédio do Römer onde aparecia o imperador eleito

Nesse momento, a cidade preparava tudo de antemão, os regozijos populares, as fontes emitiam leite, vinho, havia tonéis de mel à disposição do povo, grandes montes de trigo que o povo podia levar à vontade, bois inteiros começavam a assar e o povo a dançava danças populares com figuras, reverências, saltos, tão castas que não se tocavam nem sequer pelas mãos.

O Imperador, quando assomava com a coroa de Carlos Magno e cetro, com a mão de justiça, com o manto carregado pelos mais altos dignitários, um cortejo de reis, de príncipes e de duques atrás de si, jogava à multidão moedas de ouro, como dom do alegre advento ao trono.

Depois ele descia, montava a cavalo e devia provar que era bom cavaleiro dando uma volta a toda pela praça, e pular por cima de uma pirâmide de trigo ou aveia, ficando feio se as patas do cavalo tocassem nela.

Havia um banquete na imensa sala do Römer, com uma mesa para ele, outras para os sete Príncipes Eleitores que eram servidos por sua própria corte.

Eis a diferença entre a época de exílio atual e a época em que luzia o sol da realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Comparem isso com a Igreja miserabilista, sem pompa, sem glória, sem alegria, sem nada daquilo que é o reflexo do Divino Espírito Santo. Causa ou não causa horror?

A ordem medieval é irmã da Igreja Católica Apostólica Romana, una, sagrada, verdadeira, viva e indestrutível. 

Entende-se que Jesus Cristo tenha estimulado estas instituições com visões e revelações específicas para Santa Brígida.


segunda-feira, 29 de março de 2021

Santa Brígida: entrada no Céu
do cavaleiro que deu a vida pela Igreja

Santa Brígida da Suécia, San Marco, Florença
Santa Brígida da Suécia, San Marco, Florença
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: Santa Brígida: revelações a Cavalaria




Era muito frequente na Europa, os cemitérios ficarem ao lado das Igrejas para indicar a proximidade da morte e a resignação com ela.

Ali se dava a primeira cena da cerimônia que começamos a narrar no post anterior (Visões de Santa Brígida e o fundo religioso da Cavalaria) em que o pretendente a cavaleiro se aproximava dos celebrantes precedido pela bandeira de seu Príncipe. 

Mas quando aparecia a bandeira da Igreja, representando a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o cavaleiro deixava o serviço do Estado e colocava-se ao serviço da Igreja como religioso sujeito aos três votos: de pobreza, de castidade e de obediência.

Então, a bandeira do Príncipe ficava na porta da Igreja por ser inferior, mas um representante do Príncipe dava a espada, para provar que o Rei aprovava aquela cerimônia.

Havia um íntimo conúbio entre a monarquia e a religião.

Vê-se também em outros lugares das mesmas revelações a fórmula dos votos de profissão dos cavaleiros, que deve ser concebida nestes termos:

“Eu, enferma criatura que não suporto os meus males senão com dificuldade, que só amo a minha própria vontade e cuja mão só tem vigor quando é preciso bater,

“prometo obedecer a Deus e a vós que sois o meu superior, obrigando-me, com juramento, de fazer bem às viúvas e aos órfãos,

“de jamais fazer qualquer coisa contra a Igreja Católica e contra a Fé,

“e me submeto a reconhecer a correção, se é que venha a cometer qualquer falta,

“a fim de que a obediência à qual eu estou ligado me faça evitar o pecado e renunciar à minha própria vontade e que eu possa, com maior fervor, prender-me somente à obediência de Deus e à vossa”.

(Pierre Hélyot, “História das Ordens Monásticas Religiosas e Militares”, ed. Nicolas Gosselin, Paris).

Papa Clemente VII e emperador Carlos V, Jacopo Ligozzi (1547–1627), Museo degli affreschi Giovanni Battista Cavalcaselle, Verona
Papa Clemente VII e imperador Carlos V, Jacopo Ligozzi (1547–1627),
Museo degli affreschi Giovanni Battista Cavalcaselle, Verona
É uma fórmula linda com que o Cavaleiro aceita a obediência para renunciar à sua vontade própria que o inclina para o erro e para o mal.

Então o Cavaleiro não faz a vontade do superior, mas a de Deus que fala pelo superior. E ele tem a alegria durante a vida inteira de conhecer a vontade de Deus e segui-la.

De um lado cavaleiros ufanos e briosos; de outro lado, cordeiros da obediência, mostrando a justaposição das virtudes opostas no verdadeiro católico levadas até o extremo.

De um lado, varonis a ponto de serem os maiores guerreiros do mundo, de outro lado, humildes a ponto de renunciarem à vontade própria.

Montalambert escreveu que um árabe prisioneiro na Europa viu aquelas catedrais e perguntou: “Como é que podem construir catedrais tão altivas homens tão humildes?”

É que para ter a verdadeira altivez é preciso ser verdadeiramente humilde e para ser verdadeiramente humilde é preciso ser verdadeiramente altivo.

Aí está a alma, não do cavaleiro decadente, herói por razões humanas, mas está a alma do verdadeiro cavaleiro, segundo os anelos de Nosso Senhor quando se manifestou a Santa Brígida.

Das Visões de Santa Brígida:

Santa Brígida da Suécia inspirada por um anjo
Santa Brígida da Suécia inspirada por um anjo
“Uma voz muito clara foi então ouvida no Céu, dizendo: “Meu Senhor e Pai, este não é o homem que se dobrou à tua vontade e assim o fez com perfeição?” (...) . A herança de teu Pai é dada a ti, porque foste obediente a Ele.

“Então, querido filho, vinde a mim! Eu te receberei com honra e alegria”!

“A segunda voz era de natureza humana e disse: “Irmão, vinde a teu irmão! Eu me ofereci a ti em batalha e derramei meu sangue por ti.

“Tu, que obedeceste a minha vontade, vinde a mim! Tu, que pagaste sangue com sangue e estiveste preparado para oferecer morte por morte e vida por vida, vinde a mim!

“Tu, que me imitaste em tua vida, entra agora em minha vida e em minha alegria sem fim! Eu te reconheço como meu verdadeiro irmão”.

“A terceira voz era do Espírito (mas os três são um Deus, não três deuses), que disse: “Vinde meu cavaleiro, tu, cuja vida interior era tão atraente que eu desejei viver contigo!”

“Em tua conduta exterior foste tão viril que mereceste minha proteção. Entra, então, em repouso, em retribuição de todo o teu sofrimento físico!

“Em retribuição ao teu sofrimento mental, entre em uma indescritível consolação!

“Em retribuição de tua caridade e teu viril esforço, vinde a mim e viverei em ti e tu em mim!

“Vinde a mim, então, meu excelente cavaleiro, que nunca desejaste nada além de mim! Vinde e te encherás de santo prazer!”

(Livro das Visões e Revelações de Santa Brígida, Baviera, 1671, com carta introdutória do Cardeal Juan de Torquemada; Livro II, capítulo XI)


“Depois disso, cinco vozes foram ouvidas de cada uma das legiões de anjos.

“A primeira voz falou: “Deixa-nos marchar à frente deste excelente cavaleiro e carregar suas armas, isto é, deixa-nos apresentar ao nosso Deus a fé que ele preservou inabalável e defendeu dos inimigos da justiça”.

“A segunda voz disse: “Permita-nos carregar seu escudo à frente dele, isto é, deixe-nos mostrar ao nosso Deus sua paciência que, embora ela seja conhecida por Deus, será ainda mais gloriosa por causa de nosso testemunho.

“Por sua paciência, ele não somente suportou adversidades pacientemente como também agradeceu a Deus por essas mesmas adversidades”.

“A terceira voz disse: “Vamos marchar à frente dele e apresentar sua espada a Deus, isto é, vamos mostrar-lhe obediência pela qual ele permaneceu obediente em ambos os tempos, difíceis e fáceis, conforme sua promessa”.

“A quarta voz disse: “Vinde e vamos mostrar a Deus seu cavalo, isto é, vamos oferecer o testemunho de sua humildade.

“Como um cavalo carrega o corpo de um homem, assim sua humildade o precedeu e o seguiu, levando-o à frente até a realização de seu trabalho.

“O orgulho não encontrou lugar nele, por isso é que cavalgou em segurança”.

“A quinta voz disse: “Vinde e vamos apresentar seu capacete a nosso Deus, isto é, deixe-nos testemunhar o sublime anseio que ele sentia por Deus!”

(Livro das Visões e Revelações de Santa Brígida, Baviera, 1671, com carta introdutória do Cardeal Juan de Torquemada; Livro II, capítulo VII)

Continua no próximo post: Visões de Santa Brígida estimulam as Ordens de Cavalaria


domingo, 8 de novembro de 2020

“O Ermitão tinha razão”!!! (Beato Palau)

“O Ermitão tinha razão”!
“O Ermitão tinha razão”!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







No dia 7 de novembro a Igreja comemora a festa litúrgica do bem-aventurado Francisco Palau y Quer O.C.D.

O religioso nasceu no dia 29 de dezembro de 1811 em Aitona, na província espanhola de Lérida, e faleceu em 20 de março de 1872 em Tarragona esgotado pelo socorro prestado às vítimas de uma epidemia.

A missão do Beato Palau perpassa os séculos, porém é muito menos conhecida do que merece.

Sua Aitona natal é uma minúscula cidade. A casa onde nasceu se conserva como um pequeno museu-relicário penetrada de imponderáveis católicos e de tradições espanholas.

Chamado ao sacerdócio ingressou no seminário diocesano de Lérida. Nessa cidade havia uma igreja do Carmo que passou a frequentar porque sentia uma atração profunda.

Quis ingressar no Carmo, mas os religiosos julgavam que não tinha vocação. Até que certo dia, enquanto os frades rezavam no coro e o seminarista Palau assistia nos bancos dos fiéis, Santo Elias, o profeta fundador do Carmelo teria descido do altar principal e lhe imposto a capa branca carmelitana.

Foi então enviado a principal casa carmelitana da Catalunha, o convento de São José em Barcelona. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Falsas “profecias” sobre o iminente “fim do mundo” são alarmismo danoso

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Estaríamos nas vésperas do início do fim do mundo?

Confusas e contraditórias “profecias” – misturando argumentos pseudocientíficos, exageros, superstições, Nova Era e Science fiction – dizem que sim e apontam para este ou aquele ano.

E sempre erram, como o fizeram calamitosamente em 2012.

Alguém poderia perguntar se, em meio a tanta charlatanice, não haveria algum conteúdo de verdade.

De fato, os tsunamis de desordem e imoralidade que assolam a Terra inteira não poderiam ser interpretados como o início dos formidáveis abalos morais e celestiais de que fala o Apocalipse?

“Um grande terremoto, o sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue e as estrelas do céu caíram na terra, como frutos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania.

“O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola e todos os montes e ilhas foram tirados dos seus lugares” (Ap. 6-12ss).

 As obscuras “profecias” sobre datas fixas, ou temores amalucados de iminências que depois não se efetivam apavoram e confundem os espíritos.

Entretanto, uma coisa é certa: o fato formidável e único do fim do mundo jamais aconteceria sem que antes Deus enviasse avisos e sinais inteligíveis aos homens de Fé.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A vitória dos apóstolos dos últimos tempos
anunciada em La Salette

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Chegou a hora de aparecerem os Apóstolos dos Últimos Tempos? – La Salette e São Luis Maria Grignion de Montfort



O mistério dos Apóstolos dos Últimos Tempos parece conter a solução dos problemas que afogam o mundo.

Não é um mistério ruim, mas bom, pois vem carregado de promessas de salvação e consolação.

São Luis Maria Grignion de Montfort antevia profeticamente que esses novos apóstolos seriam o instrumento por excelência de Nossa Senhora para tirar a humanidade da entalada de confusão e pecado em que vai se enroscando cada vez mais.

Por isso, tais apóstolos terão como sinal uma ardente e inigualada devoção à Mãe de Deus, de Quem serão perfeitos escravos de amor.

Por isso o grande santo fala especialmente deles em seu Tratado quando fala de: “A devoção à Santíssima Virgem será especialmente necessária nesses últimos tempos” e do “Papel especial de Maria nos últimos tempos”.

A devoção à Santíssima Virgem será especialmente necessária nesses últimos tempos

“54. Deus não pôs somente inimizade, mas inimizades, e não somente entre Maria e o demônio, mas também entre a posteridade da Santíssima Virgem e a posteridade do demônio.

“Quer dizer, Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e escravos do demônio.

“Não há entre eles a menor sombra de amor, nem correspondência íntima existe entre uns e outros.

“Os filhos de Belial, os escravos de Satã, os amigos do mundo (pois é a mesma coisa) sempre perseguiram até hoje e perseguirão no futuro aqueles que pertencem à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú, seu irmão Jacob, figurando os réprobos e os predestinados.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

São Miguel Arcanjo escudo contra a ação diabólica

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Comemora-se a 29 de setembro a festa do glorioso São Miguel, cuja invicta combatividade em defesa do Deus onipotente é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

A devoção ao Príncipe das Milícias Celestes atingiu um desenvolvimento extraordinário na Idade Média. Essa forma de devoção marca ainda todas as modalidades de culto ao chefe das legiões angélicas.

Entre os inúmeros santuários a ele dedicados destaca-se o do Monte Saint-Michel uma das maravilhas do mundo.

Entretanto, ele já era reverenciado no Antigo Testamento.

O Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Chegou a hora dos Apóstolos dos Últimos Tempos?
La Salette e São Luis Maria Grignion de Montfort

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na parte final do Segredo de La Salette, após descrever as grandes linhas da História e da intervenção divina nela contra os poderes crescentes do mal e de seus chefes o Anticristo e Satanás, Nossa Senhora faz um premente apelo àqueles que denomina “Apóstolos dos Últimos Tempos”.

“Eu dirijo – disse Nossa Senhora – um premente apelo à Terra. Apelo aos verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos Céus.

“Apelo aos verdadeiros imitadores de Jesus Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens. Apelo aos meus filhos, meus verdadeiros devotos, aqueles que se deram a mim para que eu os conduza a meu divino Filho, aqueles que levo por assim dizer nos meus braços, que vivem de meu espírito.

“Enfim, apelo aos Apóstolos dos Últimos Tempos, aos fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo.

“É chegado o tempo para que eles saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos amados.

“Estou convosco e em vós, contanto que vossa fé seja a luz que vos ilumina nestes dias de desgraças.

“Que vosso zelo vos faça como que famintos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins”.

Quem serão estes Apóstolos dos Últimos Tempos? Mélanie julgou ser sua missão rezar, sofrer e trabalhar para sua vinda. E assim o fez até o fim da vida.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Apóstolos dos Últimos Tempos, La Salette
e a Perfeita Devoção a Nossa Senhora

O profeta Santo Elias, estátua no Monte Carmelo em Terra Santa.  Ele pelos seu zelo por Deus bem pode ser considerado um modelo  para os Apóstolos dos Últimos Tempos
O profeta Santo Elias, estátua no Monte Carmelo em Terra Santa.
Ele pelos seu zelo por Deus bem pode ser considerado um modelo
para os Apóstolos dos Últimos Tempos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





No histórico dia de 19 de setembro de 1846 em que Nossa Senhora apareceu em La Salette, Ela fez também o anúncio do fator que haveria de mudar a decadência do mundo.

Ela fez nessa ocasião um apelo premente aos Apóstolos dos Últimos Tempos.

Até ditou a Mélanie a Regra que deveriam seguir esses Apóstolos dos Últimos Tempos.

Mas, quem são eles?, onde estão? quando vão se manifestar?

O que sabemos deles é por meio de intuições, inspirações e visões proféticas de diversos santos e doutores, entre os quais não podemos deixar de citar Santa Teresa de Jesus. Veja o que disse a grande santa carmelita sobre eles.

No contexto de La Salette, esses apóstolos, êmulos dos grandes e insuperáveis Apóstolos chamados por Nosso Senhor Jesus Cristo durante sua pregação, terão um papel fundamental na derrocada dos males que afligem a humanidade, a Cristandade e a Igreja.

Porém, ninguém falou sobre esses enviados futuros de Deus com tanta convicção, lógica e ardor quanto São Luís Maria Grignion de Montfort, o incansável pregador da Sagrada Escravidão de amor a Nossa Senhora.

Apóstolos dos Últimos Tempos e realização dos anúncios de Nossa Senhora em La Salette -- como também na rue du Bac e em Fátima -- parecem ser realidades intrinsecamente ligadas.

Porém, quando Nossa Senhora falou em La Salette pouco se sabia sobre o insigne Doutor Mariano francês. Naquela data se procuravam seus escritos para tocar adiante o processo de canonização que, como é bem sabido, chegou a bom termo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

174º aniversário da aparição
de Nossa Senhora em La Salette

Há 174 anos, em 19 de setembro, Nossa Senhora apareceu em La Salette e deixou uma mensagem
Há 174 anos, em 19 de setembro, Nossa Senhora apareceu em La Salette e deixou uma mensagem
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Num 19 de setembro, há exatamente 174 anos, Nossa Senhora apareceu em La Salette.

Ela deixou uma mensagem da mais alta importância. Essa mensagem, mais conhecida como o Segredo de La Salette, encontra-se transcrita na integridade e em diversas línguas neste blog.

Enquanto Nossa Senhora falava, o magnífico panorama alpino do local se transformou. E as crianças viram nele a efetivação do que Nossa Senhora dizia.

Mas, Nossa Senhora falou também pelo olhar. E disse coisas que as palavras são insuficientes para transmitir.

Mélanie descreveu assim esse olhar de Nossa Senhora:

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

La Salette e Padre Pio:
lamentações e advertências do Céu para o mau clero

“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças.
Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus,
que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho!”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Segredo de La Salette – hoje inteiramente tornado público – contém advertências para o clero relaxado no cumprimento de seus deveres.

Naquele remoto ano de 1846, falando do clero de má conduta da época e dos tempos vindouros, Nossa Senhora não poupou expressões severas.

Mas nem por isso suas palavras foram menos verdadeiras. Não poderia, aliás, ser de outro modo, uma vez que provindas da Mãe de Deus:

“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, pela sua má vida, sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, pelo amor do dinheiro, das honrarias e dos prazeres, tornaram-se cloacas de impureza.

“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças. Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus, que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho!

“Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança. E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo. Não há mais almas generosas, não há mais ninguém digno de oferecer a Vítima imaculada ao [Padre] Eterno em favor do mundo”.

“Deus vai golpear de modo inaudito. Ai dos habitantes da Terra. Deus vai esgotar sua cólera, e ninguém poderá fugir de tantos males acumulados.

“Os chefes, os condutores do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência. E o demônio obscureceu suas inteligências.

“Transformaram-se nessas estrelas errantes, que o velho diabo arrastará com sua cauda para fazê-las perecer”. Cfr. Texto completo do Segredo

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Cumprem-se os sinais dos castigos
que Nossa Senhora queria evitar

La Salette, surto de penitentes
Surto de peregrinações penitenciais marcou a primeira época de La Salette
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Romarias penitenciais e conversões quando a sociedade se tinha afastado de Deus


O que aconteceu quando se espalhou a notícia da aparição de Nossa Senhora em La Salette?

Nos costumes, a população da região não era muito diferente do povo em geral da França. O século anterior foi muito libertino e a família e o vínculo conjugal estavam no chão.

O período da Revolução Francesa trouxe um auge de ateísmo igualitário. Depois, as guerras napoleônicas com seus imensos morticínios desarticularam a sociedade.

O palavrão de caserna napoleônica se espalhou e deu naturalmente em blasfêmia generalizada contra Deus, a Virgem, a Igreja, os santos e os anjos.

A perseguição religiosa da Revolução Francesa e a brutalidade dos costumes de caserna desfizeram a moral do clero.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Como se mostrou Nossa Senhora em La Salette
e como era seu pranto

Do conjunto de imagens doadas pelo conde Narciso de Peñalver, no local da aparição
Do conjunto de imagens doadas pelo conde Narciso de Peñalver, 
no local da aparição
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Consideremos ponto por ponto a descrição de Nossa Senhora em La Salette feita pela vidente Mélanie:

“A Santíssima Virgem era alta e bem proporcionada”.

A altura é um apanágio da majestade. Tanto é que aos príncipes que não são reis, se diz Vossa Alteza.

É evidente que não é altura física. Mas a altura física é uma imagem física da altura nos outros sentidos.

Portanto, não era necessário, mas convinha a Nossa Senhora uma altura bem proporcionada.

Porque a altura bem proporcionada é o contrário da altura esmagadora. É o que torna a altura acessível é a perfeição de suas proporções.

É o encaixe de várias coisas pequenas nEla, com graça e harmonia, que tornam essa altura variegada. É uma unidade na variedade.

Então, essa perfeição das proporções dEla.

Depois, Mélanie continua:
“Ela parecia tão leve que um sopro poderia atingi-La.

Realmente, um ente inteiramente espiritual, no qual o corpo era apenas uma dependência dominada pelo espírito; e não sujeita, portanto à lei da gravidade e à atração de terra. O sobrenatural nEla estava na sua plenitude.

E ainda:

“Ela impunha um temor respeitoso, ao mesmo tempo que Sua majestade impunha respeito entremeado de amor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Nossa Senhora de La Salette descrita pela vidente Mélanie

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





No livro de Pie Regamey, “Les plus beaux textes sur la Vierge” (Livre De Poche Chrétien, 1962), vem um depoimento feito por Mélanie Calvat que é a menina que viu Nossa Senhora.

Façamos a leitura e depois alguns comentários.
Aparência: A Santíssima Virgem era alta e bem proporcionada. Parecia tão leve que um sopro poderia atingi-La, Entretanto, Ela permanecia imóvel e inalterável.

“Sua fisionomia era majestosa, imponente, mas não imponente como são as grandes da terra. Ela impunha um temor respeitoso, ao mesmo tempo que Sua majestade impunha respeito entremeado de amor. Ela atraía.

“Ao seu redor, como em Sua pessoa, tudo inspirava majestade, esplendor, magnificência de uma rainha incomparável. Ela parecia bela, clara, imaculada, cristalina, celeste.

“Parecia-me também como uma boa mãe cheia de bondade, amabilidade, amor para conosco, compaixão e misericórdia”.

Era o caso de dizer que essa pastorinha analfabeta merecia entrar na Academia Francesa de Letras por esta descrição. Porque é uma descrição admirável.

Lágrimas: A Santa Virgem chorava durante quase todo tempo que me falou.

“Suas lágrimas corriam lentamente, uma a uma, até seus joelhos, depois, como fagulhas de luz, elas desapareciam. Eram brilhantes e cheias de amor.

“Eu quisera consolá-la e que Ela não chorasse. Mas parecia-me que precisava mostrar suas lágrimas para melhor mostrar seu amor esquecido pelos homens.