segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Subindo a montanha de La Salette rumo a Nossa Senhora, mas sem sabe-lo!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






continuação do post anterior: La Salette: como começou tudo numa aldeia esquecida dos Alpes





Na manhã do dia seguinte, 19 de setembro de 1846, data em que Nossa Senhora apareceu, Maximin voltou a acompanhar Mélanie.

Era um dia bonito, o céu estava sem nuvens e o sol brilhava intensamente.

Subiram o morro de La Salette até uma altura de 1.800 metros, sem poderem imaginar o evento sobrenatural que haveriam de testemunhar.

Maximin queria brincar. Ela lhe propôs seu entretenimento preferido: fazer o que ela chamava de paraíso, isto é, uma casinha de pedras toda recoberta de ramalhetes feitos com flores silvestres, que desabrocham naturalmente nas alturas.

Chegando a uma curva do terreno protegida dos ventos, começaram a levantar o paraíso. No local há muita ardósia, pedra que forma placas e se prestava para o brinquedo.

Ali corre um regato chamado Sézia, formado pelo degelo das neves, e que empresta seu nome ao local da aparição. Também surgia uma fonte de água de vez em quando.

Os pastores costumavam levar o gado para beber água dessa fonte, mas desde a aparição, ela vem jorrando sem interrupção. Pode-se beber dela e, por causa disso, muita gente tem recebido graças. Até mesmo milagres têm acontecido.

O paraíso tinha um térreo, que seria a habitação, e um sobrado fechado por uma pedra mais larga.

Eles colheram maços de flores, fizeram coroas floridas e as distribuíram sobre o paraíso. Após muito trabalho nessa construção, o paraíso ficou pronto e todo florido.

Os dois admiraram a obra, mas sentiram sono. Afastaram-se um pouco, deitaram na relva e dormiram.

Uma luz mais brilhante que o sol

“Nessa luz, diante da qual a do sol parece pálida,
percebíamos no seu interior uma Dama ainda mais brilhante”.
Mas, a Dama chorava com o rosto entre as mãos.

Maximin contou o que em seguida aconteceu:

“Nossas vacas beberam e se dispersaram. Fatigado, me deitei sobre a grama e dormi. Alguns instantes depois ouvi a voz de Mélanie que me chamava:

– Mémin [era um diminutivo de Maximin], Mémin vem logo, vamos ver onde estão as vacas.

Eu me levantei num pulo, peguei meu bordão e fui atrás de Mélanie, que era minha guia. Atravessamos o Sézia e subimos rapidamente a encosta de um montículo.

Do outro lado percebemos que nossos animais repousavam tranqüilamente. Voltamos para o banco de pedra, onde tínhamos deixado nossas merendeiras, quando de repente Mélanie parou

O bastão caiu de suas mãos, e espantada, ela voltou-se para mim, dizendo:

– Está vendo lá em baixo essa grande luz?

– Sim, estou vendo. Mas vai, pega o teu bordão.

“Então, brandindo o meu cajado de modo ameaçador, eu disse:

– Se ela nos tocar, eu lhe darei um bom golpe!

“Essa luz, diante da qual a do sol parece pálida, parecia se entreabrir, e percebíamos no seu interior a forma de uma Dama ainda mais brilhante.

Ela tinha a atitude de uma pessoa profundamente aflita. Estava sentada sobre uma das pedras do banquinho [N.R.: refere-se ao paraíso], com os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto coberto com as mãos”.

Era o dia 19 de setembro de 1846. As crianças não faziam bem ideia da magnitude do que estava ocorrendo.

continua no próximo post


[1]) Todas as citações da mensagem e do segredo, assim como das descrições da aparição, são tiradas de: René Laurentin – Michel de Corteville, Découverte du secret de La Salette, Paris, Fayard, 2002.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

La Salette: como começou tudo numa aldeia esquecida dos Alpes

La Salette-Fallavaux: pequena aldeia nos contrafortes dos Alpes, na diocese de Grenoble (França)
La Salette-Fallavaux: pequena aldeia nos contrafortes dos
Alpes, na diocese de Grenoble (França)
Luis Dufaur
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La Salette-Fallavaux é uma pequena aldeia nos contrafortes dos Alpes, na diocese de Grenoble (França).

Sua pacata igreja, rodeada por um certo número de casas, lembra o fato de Nosso Senhor ter chamado a atenção para a galinha que protege os pintainhos sob suas asas.

Um pouco acima na montanha há outra aldeia, menor que a anterior. Seu nome é Les Ablandens e depende de La Salette.

Panorama austero e grandioso deslumbra pela beleza.

Os Alpes rodeiam o vale. Suas partes mais altas cobrem-se de neve no inverno e brilham iluminadas pelo sol.

Na parte inferior das montanhas a neve se derrete na primavera, aparecendo novamente os prados naturais.

Os habitantes de La Salette há muito tempo levam os seus rebanhos para ali pastar.

E contratam servidores para vigiar o gado.

Foi esta a razão pela qual Mélanie Calvat, de 14 anos, e Maximin Giraud, de 11, subiram o morro de La Salette, conhecido como Sous-les-Baises, no dia 19 de setembro de 1846.

Os dois não eram de La Salette. Suas famílias moravam em Corps, pequena cidade localizada na parte mais quente e acessível do vale.

Maximin Giraud tinha 11 anos quando a aparição
Maximin Giraud tinha 11 anos
quando a aparição
Os lares de ambos eram pobres. A casinha de pedra onde nasceu e viveu Mélanie ainda está em pé e pode ser visitada.

Sua pobreza é acentuada pelo fato de não ter sido restaurada.

Um pouco melhor é a casa de pedra da família de Maximin, hoje transformada em loja.

Os dois jovens precisavam trabalhar para ajudar as famílias. Por isso puseram-se a serviço de dois proprietários de gado na condição de pastores.

Mélanie cuidava do gado de Baptiste Pra, agricultor de Les Ablandens. E Maximin tocava as vacas de Pierre Selme, da mesma aldeia.

O trabalho não era difícil e adequado à idade dos dois.

Na época da aparição havia cerca de 40 pastores trabalhando em condições análogas nas montanhas vizinhas.

Primeiro encontro entre Mélanie e Maximin

Mélanie e Maximin não se conheciam. Ela ficava ocupada em afazeres domésticos ou em encargos que recebia da mãe.

Maximin brincava com os meninos da mesma idade. Em 18 de setembro de 1846, véspera da aparição, repararam um no outro pela primeira vez.

Estava nos planos divinos que os dois testemunhassem juntos a aparição de Nossa Senhora em La Salette e fossem instrumentos privilegiados da difusão da mensagem que Ela havia de revelar.

Quando Mélanie subia o morro, percebeu um menino que se aproximava dela. Era Maximin.

– “Menina, eu vou com você, também sou de Corps”.

Num primeiro momento, Mélanie não quis aceitar.

– “Não quero ninguém, quero ficar sozinha”, respondeu ela.

Mélanie Calvat tinha 14 anos quando viu a Nossa Senhora
Mélanie Calvat tinha 14 anos
quando viu a Nossa Senhora
Mélanie gostava da solidão, do silêncio e da oração. E o menino a iria atrapalhar.

Ela costumava ficar sozinha, falando para “as florzinhas do bom Deus”, que cobrem as encostas das montanhas no verão.

Era sua forma preferida de rezar, que se prendia a fatos extraordinários acontecidos na sua primeira infância. Mas disto ninguém sabia.

Maximin era vivo e loquaz. Ficou insistindo. Mélanie se afastava dele fazendo sinais de que não o queria por perto. Maximin a seguia de longe.

Quando ela se punha a falar com “as florzinhas do bom Deus”, ele se aproximava para ouvir. E insistia:

– “Me leve com você. Serei bem comportado. Meu patrão me disse cuidar as vacas junto com as de você. Também sou de Corps”.

Quando acrescentou que iria ficar sozinho e se entediar muito, Mélanie teve pena.

Ela acabou arrancando de Maximin a promessa de guardar silêncio e não perturbá-la na sua contemplação. Maximin garantiu e não se afastou mais dela.

Mas, como criança, logo esqueceu a promessa e se pôs a perguntar o que ela falava às flores. E pediu com insistência que Mélanie lhe ensinasse um jogo.

Por fim ouviram o sino da igrejinha de La Salette, que chamava a rezar o Angelus. Ela fez sinal a Maximin para tirar o chapéu e rezaram.

Depois ofereceu um pão ao menino e inventou um jogo para ele. A jornada terminava calmamente.


continua no próximo post: Subindo a montanha de La Salette rumo a Nossa Senhora, mas sem sabe-lo! 

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A Medalha Milagrosa: arma eficaz de Nossa Senhora nas horas mais difíceis

Rue du Bac, Capela das Aparições, altar principal
Luis Dufaur
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Quatro meses depois da primeira aparição na Rue du Bac, aconteceu a segunda. Santa Catarina narrou-a assim:

“No dia 27 de novembro de 1830.... vi a Santíssima Virgem, de estatura média, estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora feito à maneira que se chama à la Vierge, afogado, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até em baixo.

“Sob o véu, vi os cabelos lisos repartidos ao meio e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos.

“O rosto bastante descoberto, os pés apoiados sobre meia esfera, tendo nas mãos uma esfera de ouro, que representava o Globo.

“Ela tinha as mãos elevadas à altura do estômago de uma maneira muito natural, e os olhos elevados para o Céu... Aqui seu rosto era magnificamente belo. Eu não saberia descrevê-lo...

“E depois, de repente, percebi nesses dedos anéis revestidos de pedras, umas mais belas que as outras, umas maiores e outras menores, que lançavam raios cada qual mais belo que os outros.

“Partiam das pedras maiores os mais belos raios, sempre alargando para baixo, o que enchia toda a parte de baixo. Eu não via mais os seus pés...

“Nesse momento em que estava a contemplá-La, a Santíssima Virgem baixou os olhos, fitando-me. Uma Voz se fez ouvir, dizendo-me estas palavras:

“A esfera que vedes representa o mundo inteiro, particularmente a França... e cada pessoa em particular...

“Aqui eu não sei exprimir o que senti e o que vi, a beleza e o fulgor, os raios tão belos...

Rue du Bac, Capela das Aparições, nave central
“’É o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que mas pedem’, fazendo-me compreender quanto é agradável rezar à Santíssima Virgem e quanto Ela é generosa para com as pessoas que a Ela rezam, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, que alegria Ela sente concedendo-as...

“Nesse momento formou-se um quadro em torno da Santíssima Virgem, um pouco oval, onde havia no alto estas palavras: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós’, escritas em letras de ouro ... Então, uma voz se fez ouvir, que me disse:

‘Fazei, fazei cunhar uma medalha com este modelo.

“Todas as pessoas que a usarem receberão grandes graças, trazendo-a ao pescoço. As graças serão abundantes para as pessoas que a usarem com confiança...’

“Nesse instante, o quadro me pareceu se voltar, onde vi o reverso da medalha. Preocupada em saber o que era preciso pôr do lado reverso da medalha, após muitas orações, um dia, na meditação, pareceu-me ouvir uma voz que me dizia: ‘O M e os dois Corações dizem o suficiente’”.

Medalha Milagrosa: primeiros prodígios

Não foi fácil fazer a Medalha. Santa Catarina sofreu muitas resistências e oposições, aliás como Nossa Senhora lhe profetizou.
“Nossa Senhora quer..., Nossa Senhora está descontente..., é preciso cunhar a medalha”, insistia ela.

Por fim, em 1832 foram encomendadas as primeiras 20.000 medalhas.

No mesmo ano começaram a fazer milagres durante uma epidemia de cólera havida na França, em 1832.

Pela unidade profunda entre as mensagens da Rue du Bac e de La Salette podemos considerar também a Medalha Milagrosa, como a medalha de La Salette que nos ajudará a atravessar as calamidades descritas com a proteção de Nossa Senhora.

Àqueles que a levarem consigo no pescoço se aplicará a promessa de La Salette.

“Os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, acreditarão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras. 
“Felizes essas almas humildes conduzidas pelo Espírito Santo! Eu combaterei junto a elas até que atinjam a plenitude da idade”.
 
Promessas e perspectivas

Santa Catarina Labouré partiu para o Céu em 31 de dezembro de 1876. Naquela data a Medalha Milagrosa já girava pelo mundo todo, com um extraordinário cortejo de milagres e graças para os que a portavam com devoção.

As aparições da Medalha Milagrosa, as de La Salette, Lourdes e Fátima, abriram uma esplêndida perspectiva marial para o futuro, malgrado os horrores em meio aos quais presentemente nos encontramos.

“Para além da tristeza e das punições supremamente prováveis para as quais caminhamos, temos diante de nós os clarões sacrais da aurora do Reino de Maria: ‘Por fim o meu Imaculado Coração triunfará’.

“É uma perspectiva grandiosa de universal vitória do Coração régio e maternal da Santíssima Virgem. É uma promessa apaziguadora, atraente e sobretudo majestosa e empolgante”


Vídeo: O corpo incorrupto de Santa Catarina Labouré, na Rue du Bac





segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Profundas concordâncias entre a Medalha Milagrosa e La Salette

Placa na Rue du Bac no local onde Nossa Senhora deu a Medalha Milagrosa
Luis Dufaur
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Entre as aparições de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa (1830) e a de Nossa Senhora de La Salette (1846) há uma concordância profunda.

A ponto de uma ser a continuidade da outra não só no tempo (1830 Rue du Bac e 18 anos depois La Salette) mas na substância da mensagem contida nas duas manifestações mariais.

Com efeito, as duas fazem parte de uma sucessão concatenada de aparições que incluem a de Nossa Senhora de Lourdes (1858) e a de Nossa Senhora de Fátima (1917), para citar as principais.

Na Rue du Bac Nossa Senhora fez um primeiro anúncio dos graves castigos que viriam sobre a humanidade pecadora se essa não abandonava os maus costumes e fazia penitência.

Em La Salette, Nossa Senhora aprofundou ainda mais o anúncio que tinha feito em Paris, dando abundantes pormenores. Agiu como uma mãe que de início adverte seu filho que anda mal com palavras breves mas que tocam no punto. Assim foi na Rue du Bac.

Depois quando o filho persiste na via da perdição, a mãe aperta os termos num arrazoado longo e exaustivo para tentar salvá-lo.

Vejamos como foi esse aviso inicial na Rue du Bac.

Primeira aparição: Nossa Senhora mostra que o mundo caminha para um desastre

Santa Catarina Labouré, no dia 21 de abril de 1830, transpôs os umbrais do noviciado das Filhas da Caridade, na Rue du Bac, em Paris.

Santa Catarina Labouré aos pés de Nossa Senhora
Santa Catarina Labouré aos pés de Nossa Senhora, na Rue du Bac, Paris
Ela chegou, sem sabê-lo, conduzida pela mão de São Vicente de Paula.

Na noite anterior ao dia da festa de São Vicente, 19 de julho, Catarina ouviu uma voz que a acordava. Assim contou ela:

“Enfim, às onze e meia da noite, ouvi que me chamavam pelo nome: ‘Minha irmã! Minha irmã!’

“Acordando, corro a cortina e vejo um menino de quatro a cinco anos vestido de branco que me diz: ‘Vinde à Capela; a Santíssima Virgem vos espera’.

“Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino que permanecera de pé. Eu o segui, sempre à minha esquerda.

“Por todos os lugares onde passávamos, as luzes estavam acesas, o que me espantava muito.

“Porém, muito mais surpresa fiquei quando entrei na Capela: a porta se abriu mal o menino a tocou com a ponta do dedo.

“E minha surpresa foi ainda mais completa quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me recordava a missa de meia-noite ....

“Por fim, chegou a hora. O menino mo preveniu: ‘Eis a Santíssima Virgem: ei-La’.

“Eu ouvi como um frufru de vestido de seda, que vinha do lado da tribuna, perto do quadro de São José, e que pousava sobre os degraus do altar, do lado do Evangelho, sobre uma cadeira igual à de Sant'Ana ...

“Nesse momento, olhando para a Santíssima Virgem, dei um salto para junto dEla, pondo-me de joelhos sobre os degraus do altar e com as mãos apoiadas sobre os joelhos da Santíssima Virgem...”

Altar da aparição e cadeira onde Nossa Senhora sentou, na capela da Rue du Bac, Paris
Altar da aparição e cadeira onde Nossa Senhora sentou, na capela da Rue du Bac, Paris

Na Rue du Bac e em La Salette sobressai a naturalidade com que Nossa Senhora se faz presente. Nos dois casos, Ela procura almas retas do  povinho. É o caso também de Lourdes e Fátima.

Como que dando a entender que essas almas quase não se encontravam nas classes elevadas que Ela, entretanto não podia deixar de amar, sendo Ela princesa da Casa de David.

“Ali se passou o momento mais doce de minha vida. Ser-me-ia impossível exprimir tudo o que senti. Ela disse: .... ‘Minha filha, o bom Deus quer encarregar-vos de uma missão.

“Tereis muito que sofrer, mas superareis estes sofrimentos pensando que o fareis para a glória do bom Deus ... Sereis contraditada, mas tereis a graça; não temais … Sereis inspirada em vossas orações...

“Os tempos são muito maus, calamidades virão precipitar-se sobre a França. O trono será derrubado.

“O mundo inteiro será transtornado por males de toda ordem. (Ao dizer isto, a Santíssima Virgem tinha um ar muito penalizado).

“Mas vinde ao pé deste altar: aí as graças serão derramadas... sobre todas as pessoas, grandes pequenas, particularmente sobre aquelas que as pedirem...

“O perigo será grande, entretanto não temais, o bom Deus e São Vicente protegerão a comunidade’”.

Na Rue du Bac e em La Salette, Nossa Senhora age do mesmo modo: tranquiliza os videntes intrigados com o que estavam vendo.

E com simplicidade lhes comunica que estão encarregados de uma missão da parte do Altíssimo.

E sem sobressaltos, mas sem transição lhes faz entender que deverão sofrer muito no cumprimento dessa missão.

E a causa é diretamente formulada: “O mundo inteiro será transtornado por males de toda ordem”.

Em La Salette, a Mãe de Deus, como dizemos acima, falou com mais extensão e gravidade do mesmo problema:

“Deus vai golpear de modo inaudito. Ai dos habitantes da Terra. Deus vai esgotar sua cólera, e ninguém poderá fugir a tantos males acumulados.

“Os chefes, os condutores do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência. E o demônio obscureceu suas inteligências.

“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, pela sua má vida, sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, pelo amor do dinheiro, das honrarias e dos prazeres, tornaram-se cloacas de impureza”.

Voltando à Rue du Bac, Nossa Senhora também foca a decadência nas ordens religiosas:

“Minha filha, eu gosto de derramar graças sobre a comunidade em particular. Eu a aprecio muito.

“Sofro porque há grandes abusos na regularidade.

“As Regras não são observadas. Há grande relaxamento nas duas comunidades.

Corpo de Santa Catarina Labouré na Capela da rue du Bac, Paris
Corpo de Santa Catarina Labouré na Capela da rue du Bac, Paris
“Dizei-o àquele que está encarregado de uma maneira particular da comunidade. Ele deve fazer tudo o que lhe for possível para repor a regra em vigor.

“Dizei-lhe, de minha parte, que vigie sobre as más leituras, as perdas de tempo e as visitas...

“Conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Mas não se dará o mesmo com outras congregações”.

A mesma advertência mas com os tons mais carregados pela dor é pronunciada em La Salette:

“Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança. E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo.

“Eles abolirão a fé pouco a pouco, até nas pessoas consagradas a Deus. Eles as cegarão de tal maneira que, salvo uma graça particular, adquirirão o espírito desses maus anjos.

“Várias casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas.

“Os maus livros abundarão sobre a Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo o que se refere ao serviço de Deus”.

Prosseguindo com as palavras de Nossa senhora a Santa Catarina Labouré em Paris, eis que Ela avisou:

“Haverá vítimas (ao dizer isto, a Santíssima Virgem tinha lágrimas nos olhos). Para o Clero de Paris haverá vítimas: Monsenhor, o Arcebispo (a esta palavra, lágrimas de novo).

Comunistas fuzilam o arcebispo de Paris Mons. Georges Darboy (1813 – 24.5.1871).
O prelado foi visitado pelo vidente Maximin de La Salette
quem da parte de Na. Sra. o advertiu do destino que teria.
Ele achou exagerado e comentou gracejando como algo impossível.
“Minha filha, a Cruz será desprezada e derrubada por terra. O sangue correrá.

“Abrir-se-á de novo o lado de Nosso Senhor. As ruas estarão cheias de sangue.

“Monsenhor, o Arcebispo será despojado de suas vestes (aqui Santíssima Virgem não podia mais falar o sofrimento estava estampado em sua face).

“Minha filha – me dizia ela – o mundo todo estará na tristeza.

“A estas palavras, pensei quando isto se daria. Eu compreendi muito bem: quarenta anos”, contou Santa Catarina.

De fato, em março de 1871, após se cumprirem os quarenta anos da aparição, na mesma cidade, estourou a primeira grande revolução comunista da História: a Comuna de Paris. O arcebispo de Paris Mons. Georges Darboy (1813-71) foi fuzilado pelos revolucionários.

Muitos outros religiosos foram martirizados, e inúmeras igrejas e palácios incendiados. E foi apenas o começo da Revolução Comunista.

Em 1917, o comunismo acabou tomando conta da Rússia desde onde espalhou seu erros pelo mundo, como Nossa Senhora advertiu em Fátima.
E, mais uma vez, encontramos em La Salette a mesma tremenda profecia:

“A França, a Itália, a Espanha e a Inglaterra estarão em guerra. O sangue correrá nas ruas, o francês combaterá contra o francês, o italiano contra o italiano.

“A seguir haverá uma guerra geral, que será horrorosa. Durante certo tempo Deus não se lembrará mais da França nem da Itália, porque o Evangelho de Jesus Cristo não será mais conhecido.

“Os maus estenderão toda sua malícia. Até nas casas as pessoas matar-se-ão e massacrar-se-ão mutuamente”.

(Continua no próximo post: A Medalha Milagrosa: arma eficaz de Nossa Senhora nas horas mais difíceis)


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O milagre do terço em Hiroshima:
Nossa Senhora de Fátima salvou os missionários

Os padres Hugo Lassalle (Superior dos jesuítas no Japão), Hubert Schiffer,
Wilhelm Kleinsorge e Hubert Cieslik [assinalados no círculo da foto]
Luis Dufaur
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No dia 6 de agosto de 1945, solenidade da Transfiguração de Nosso Senhor e praticamente no fim da II Guerra Mundial, a aviação americana lançou sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, a bomba atômica “Little Boy”, de urânio, que provocou a morte de 140 mil pessoas, mais de 70 mil feridos, e grande parte da cidade destruída.

Três dias depois, a mesma aviação lançou a bomba nuclear de plutônio, “Fat Man”, sobre a cidade de Nagasaki. Essa bomba destruiu a catedral da Imaculada Conceição, matando muitos católicos que estavam no templo.

Foi a primeira e única vez em que armas nucleares foram usadas contra alvos civis.

Devido à radiação, entre dois a quatro meses após os ataques atômicos, os efeitos agudos das explosões mataram entre 90 e 166 mil pessoas em Hiroshima, e 60 a 80 mil em Nagasaki.

Durante os meses seguintes, várias pessoas morreram por causa do efeito de queimaduras, envenenamento radioativo e outras lesões, que foram agravadas pelos efeitos da radiação.

Nesse terrível cenário, ocorreu nessa cidade um fato surpreendente, que passou a ser conhecido como o “Milagre de Hiroshima”: quatro sacerdotes jesuítas alemães sobreviveram à catástrofe, inclusive a seus efeitos, apesar de estarem muito perto do local onde a bomba explodiu.

Pe. Hubert Schiffer SJ
Esses religiosos eram os padres Hugo Lassalle (Superior dos jesuítas no Japão), Hubert Schiffer, Wilhelm Kleinsorge e Hubert Cieslik.

No momento da explosão, eles se encontravam na casa paroquial da igreja de Nossa Senhora da Assunção, um dos poucos edifícios que resistiu à bomba.

Um dos sacerdotes estava celebrando a Santa Missa, outro tomava o café da manhã e os demais se encontravam em dependências da paróquia.

O edifício religioso sofreu apenas danos menores, como vidros quebrados, conforme escreveu o Pe. Hubert Cieslik em seu diário, mas nenhum dano em consequência da energia atômica liberada pela bomba.

O Pe. Schiffer escreverá depois o livro O Rosário de Hiroshima, no qual narra tudo o que lhes sucedeu naqueles dias fatídicos.

Os religiosos atribuem sua preservação a uma proteção particular da Santíssima Virgem, pois “vivíamos a mensagem de Fátima e rezávamos juntos o Rosário todos os dias”.

Quando, mais tarde, esses jesuítas receberam tratamento médico, foi-lhes dito que devido à radiação eles teriam lesões graves, enfermidades, e inclusive uma morte prematura.

Porém, contra todas as expectativas, tal não sucedeu. Nenhum deles teve qualquer transtorno físico.

Pelo contrário, em 1976 — 31 anos depois do lançamento da bomba —, o Pe. Schiffer participou do Congresso Eucarístico de Filadélfia, onde relatou sua história.

Ele confirmou que os quatros jesuítas ainda viviam, sem nenhuma enfermidade.

Isso foi comprovado por dezenas de médicos que os examinaram cerca de 200 vezes nos anos posteriores, não encontrando qualquer sinal da radiação em seus corpos.

Catedral da Assunção de Nossa Senhora, em HIroshima, o novo templo hoje
Catedral da Assunção de Nossa Senhora,
em HIroshima, o novo templo hoje
O Pe. Hugo Lassalle continuou em Hiroshima, e em 1948 naturalizou-se japonês com o nome Enomiya Mabiki.

De passagem por Roma, recebeu do Papa Pio XII autorização para recolher fundos destinados a reconstruir a igreja dedicada à Assunção de Nossa Senhora.

Em 1959, com a elevação de Hiroshima a diocese pelo Papa João XXIII, ela passou a ser catedral.

Sua construção começou em 1950 e foi concluída no dia 6 de agosto de 1954, nove anos após a explosão da bomba atômica.

É preciso dizer que a rendição do Japão se daria na solenidade da Assunção da Virgem aos Céus, 15 de agosto de 1945, poucos dias depois da explosão das bombas atômicas.

Hiroshima foi reconstruída totalmente, com aquela tenacidade própria aos filhos do Sol Nascente, contando hoje com mais de um milhão e cem mil habitantes.

(Fonte: ACIPrensa)


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Akita 4: Prantos, suor e sangue: análises científicas e pronunciamento canônico

Luis Dufaur
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Novos prantos da imagem

Após as mensagens de Nossa Senhora, a luz ofuscante que cercava a estátua sumiu.

Em 4 de janeiro de 1975, para o espanto da comunidade e do padre Yasuda, a estátua da Virgem começou a chorar e assim fez três vezes naquele dia. Também foram testemunhas dessa lacrimação, além das irmãs, o bispo Ito e certo número de pessoas que participavam com as freiras de um retiro de Ano Novo.

As lágrimas coletadas na borda interior dos olhos desciam pelas bochechas, as coletadas na borda da borda do vestido perto da garganta, desciam pelas dobras da túnica e caiam sobre o mundo sob os pés de Nossa Senhora.

O Pe. Yasuda registrou em seu livro The Tears and Message of Mary (As lágrimas e a Mensagem de Maria), que a estátua:

“... ficou completamente seca durante anos, desde que foi feita e, havia pouco, algumas rachaduras começaram a aparecer.

“Já é milagroso que a água flua de tal material, mas é ainda mais prodigioso que um líquido levemente salgado, com as características da verdadeira lágrima humana possa ter escorrido precisamente a partir dos olhos.”
O número de lacrimações foi de 101, e aconteceram em intervalos irregulares desde 4 de janeiro de 1975 até 15 de setembro, 1981.

De acordo com os registros mantidos pelas irmãs, o número de pessoas que assistiram às lacrimações apenas não foi registrado em cinco ocasiões.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Akita 3: Anúncio dos castigos

Luis Dufaur
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A última mensagem

No dia 13 de outubro de 1973, aniversário do Milagre do Sol em Fátima, a Irmã Inês Sasagawa ouviu mais uma vez uma belíssima voz falando pela estátua:

“Como eu lhe disse, se os homens não se arrependerem e melhorarem, o Pai irá infligir uma terrível punição a toda a humanidade.

Será uma punição maior do que o dilúvio, tal como nunca se viu antes.

Fogo irá cair do céu e vai eliminar uma grande parte da humanidade; os bons assim como os maus, sem poupar nem sacerdotes nem fiéis.

“Os sobreviventes irão ver-se tão desolados que irão invejar os mortos.

“As únicas armas que irão restar para vocês serão o Rosário e o Sinal deixado pelo Meu Filho.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Akita 2: a Fátima do Oriente ‒ Penitência e reparação

Luis Dufaur
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Segunda mensagem

Nossa Senhora comunicou a segunda mensagem em 3 de agosto de 1973, uma primeira sexta-feira do mês. Uma voz celestial que provinha da estátua advertiu:

“Minha filha, minha noviça, você ama o Senhor? Se você ama o Senhor, ouça o que eu tenho a lhe dizer.

“É muito importante... Você irá comunicar isso ao seu superior.

Muitos homens neste mundo afligem o Senhor. Eu desejo almas para consolá-lo, para aliviar a ira do Divino Pai. Eu desejo, com meu Filho, almas que reparem através de seu sofrimento e sua pobreza pelos pecadores e ingratos.

De modo a que o mundo possa conhecer Sua ira, o Pai Celeste está preparando para infligir um grande castigo em toda a humanidade. Com meu Filho eu tenho interferido tantas vezes para aplacar a ira do Pai.

“Eu tenho evitado a vinda de calamidades oferecendo a Ele os sofrimentos de meu Filho na Cruz, Seu Precioso Sangue, e almas amadas que O consolem formando uma corte de almas vítimas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Nossa Senhora de Akita 1: a Fátima do Oriente e seus anúncios ‒ Primeira mensagem

A imagem milagrosa de Akita
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O extraordinário interesse que naturalmente inspiraram os terríveis acontecimentos do Japão (tsunami) e a misericordiosa intervenção preventiva de Nossa Senhora, levou-nos a coletar informações sobre as aparições de Akita.

As palavras de Nossa Senhora ficam mais válidas e candentes do que nunca. Por isso optamos por reproduzi-las novamente.

Devido à extensão da matéria, a dividiremos em quatro posts sucessivos.


Inês (Agnes) Katsuko Sasagawa, 42, ingressou no Instituto das Servas do Santíssimo Sacramento em Yuzawadai, apenas fora de Akita, em 12 de maio de 1973. Inês vinha de se converter do budismo, mas estava totalmente surda, incurável.

Primeiros fenômenos sobrenaturais

O primeiro evento milagroso ocorreu em 12 de junho de 1973, apenas um mês após a entrada de Inês no convento: uma luz resplandeceu diante do Tabernáculo. Isso aconteceu várias vezes junto com algo parecido com fumaça que pairava em volta do altar.

Durante uma dessas iluminações a Irmã Inês viu “uma multidão de seres semelhantes a anjos que cercavam o altar em adoração diante do Santíssimo Sacramento”.

Dom João Ito, bispo ordinário da diocese de Niigata, na qual fica Akita, estava hospedado no convento para realizar uma semana de devoções.

A irmã Inês confidenciou-lhe as circunstâncias dessas visões, bem como todos os eventos e aparições que se seguiram. Dom Ito e o diretor espiritual do convento, Pe. Teiji Yasuda, foram testemunhas de muitos dos fenômenos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Período de paz depois dos castigos e antes do fim do mundo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Ressurreição moral e social das nações 





O estudo e a meditação do Apocalipse comunicaram ao B. Palau a certeza de que após a plena realização da missão do Restaurador não viria o encerramento da História, mas se inauguraria uma época de paz.

A duração desta feliz era não está predeterminada, mas será variável em função da fidelidade dos homens à Lei de Deus.

Derrotada a Revolução e encadeado Satanás nos abismos eternos, a Igreja vitoriosa e as nações purificadas pelo castigo universal conhecerão um período de esplendor inigualado:

“Pois bem — argumentava —, ou Deus acaba com o mundo, ou o redime.

“Redimi-lo-á. Antes que o Juiz Supremo chame a juízo os homens no vale de Josafá, antes que a sociedade humana conclua sua existência sobre a terra, terá tempo para se preparar para receber o Juiz Supremo de vivos e mortos.

“Terá paz, e para que tenha paz, encadeará Satanás, que perturba a terra, e o encerrará nos infernos” (“La Revolução se hunde”, El Ermitaño, Nº 106, 17-11-1870).

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Beato Palau: a vindoura ressurreição moral e social das nações

Detalhe da catedral de York, Inglaterra.
Detalhe da catedral de York, Inglaterra.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Deus enviará um recurso extraordinário que agora está na sua presença








O mesmo sopro do Espírito Santo que renovará a Igreja dará nova vida às nações. Estas se reordenarão segundo seus princípios básicos e a ordem hierárquica que corresponde a cada uma de acordo com a Fé e suas tradições:

“O mesmo Espírito do Senhor soprará sobre as nações. Elas se levantarão como uma mulher sã e robusta.

“O pecado do deicídio terá sido expiado, o império turco terá sido aniquilado.

“A Palestina voltará a Deus com todas suas tribos.

“Desde o Gólgota, a Santa Cruz será o sinal dessa regeneração social, e a partir desse monte Deus Homem regerá todas as nações e seus reis” (“El tiempo en Jerusalén, Roma, Babilonia”, El Ermitaño, Nº 62, 6-1-1870).

“O Espírito de Deus soprará sobre esse corpo social que já fora cadáver em dissolução e ele retornará à vida.

“Assim acreditamos que será, assim aguardamos que seja, assim pedimos que aconteça logo” (“Cataclismo social”, El Ermitaño, Nº 148, 7-9-1871).

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Deus enviará um recurso extraordinário que já está em sua presença

Chegará um momento em que o homem não será mais capaz de por ordem.
E Deus deverá recorrer a um recurso extraordinário.
Detalhe de tentações de Santo Antão, Jan Brueghel o Velho (1568 - 1625),
Museu Nacional de Escultura, Valladolid.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: O Exorcistado na vitória da Igreja








Antevendo que esse ideal não se concretizaria e que o demônio acabaria triunfante, como que desmentindo a promessa divina de que “as portas do inferno no prevalecerão contra a Igreja”, o grande carmelita deduziu que Deus haveria de enviar um auxilio fora do habitual.

Esse auxílio extraordinário só viria quando se tivessem esgotado os recursos ordinários:

“Os meios ordinários que a Providência tem para prender e encadear a Satanás encontram obstáculos insuperáveis, é verdade.

“Mas também é verdade que Deus, na sua Providência para salvar sua Igreja da voracidade do lobo infernal, estenderá seu braço onipotente, e o expelirá do próprio interior do santuário junto com toda a incredulidade dos católicos incrédulos” (“La acción inmediata de Dios”, El Ermitaño, Nº 116, 26-1-1871).

Ele imaginava que esses meios extraordinários seriam concedidos à missão de Elias, e que seriam partilhados por seus discípulos.

Revestidos de poderes exorcísticos que não se encaixam nas formas canônicas, os apóstolos dos últimos tempos esmagarão a Revolução na terra, secundados pela ação do Arcanjo São Miguel e das legiões angélicas.

“A Revolução — dizia — na terra vai morrer pela mesma mão que a degolou no céu (...) pelo ministério dos anjos e dos homens não revolucionários” (“Venció la Reina?”, El Ermitaño, Nº 152, 5-10-1871).

O Exorcistado jogará então um papel decisivo na vitória da Igreja:

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O exorcismo na vitória da Igreja

Jesus Cristo exorciza o demônio. Detalhe da porta de bronze da catedral de Pisa
Jesus Cristo exorciza o demônio. Detalhe da porta de bronze da catedral de Pisa
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Os três dias de trevas (segunda parte)








A Revolução – repetia o Beato – assanhou-se como um imenso malefício sobre os povos. Sob seus efeitos, a humanidade decaída foi arrebatada e possuída por Satanás e os anjos rebeldes.

Quanto mais a marcha revolucionária progride, mais o demônio se assenhoreia da sociedade e a empurra para maiores pecados e desgraças. Estes, por sua vez, aceleram a pressa da Revolução, como num círculo vicioso.

À medida que os dias do aparente triunfo final da Revolução se tornem realidade, essa possessão vai se intensificar. O Anticristo, ele próprio, ostentará o máximo poder de maleficiar.

Por isso, o bem-aventurado julgava imperiosa uma ação que envolvesse a utilização sistemática e generalizada do poder conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos: o ministério do Exorcistado.

O ideal do B. Palau era que, sob as ordens do sucessor de Pedro, os sacerdotes se lançassem em sistemática cruzada contra os demônios que infestam o mundo: