segunda-feira, 9 de julho de 2018

Deus enviará um recurso extraordinário que já está em sua presença

Chegará um momento em que o homem não será mais capaz de por ordem.
E Deus deverá recorrer a um recurso extraordinário.
Detalhe de tentações de Santo Antão, Jan Brueghel o Velho (1568 - 1625),
Museu Nacional de Escultura, Valladolid.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação do post anterior: O Exorcistado na vitória da Igreja








Antevendo que esse ideal não se concretizaria e que o demônio acabaria triunfante, como que desmentindo a promessa divina de que “as portas do inferno no prevalecerão contra a Igreja”, o grande carmelita deduziu que Deus haveria de enviar um auxilio fora do habitual.

Esse auxílio extraordinário só viria quando se tivessem esgotado os recursos ordinários:

“Os meios ordinários que a Providência tem para prender e encadear a Satanás encontram obstáculos insuperáveis, é verdade.

“Mas também é verdade que Deus, na sua Providência para salvar sua Igreja da voracidade do lobo infernal, estenderá seu braço onipotente, e o expelirá do próprio interior do santuário junto com toda a incredulidade dos católicos incrédulos” (“La acción inmediata de Dios”, El Ermitaño, Nº 116, 26-1-1871).

Ele imaginava que esses meios extraordinários seriam concedidos à missão de Elias, e que seriam partilhados por seus discípulos.

Revestidos de poderes exorcísticos que não se encaixam nas formas canônicas, os apóstolos dos últimos tempos esmagarão a Revolução na terra, secundados pela ação do Arcanjo São Miguel e das legiões angélicas.

“A Revolução — dizia — na terra vai morrer pela mesma mão que a degolou no céu (...) pelo ministério dos anjos e dos homens não revolucionários” (“Venció la Reina?”, El Ermitaño, Nº 152, 5-10-1871).

O Exorcistado jogará então um papel decisivo na vitória da Igreja:

São Miguel Arcanjo, Mestre de Zafra (por volta de 1499-1500).
Madri, Museu del Prado.
“O Exorcistado vai ser no mundo o ministério da guerra da Religião, que armará os católicos verdadeiros para enfrentar a luta direta contra Satanás, assim como os Reis Católicos investiram contra Maomé, Fócio e Lutero com o poder das armas.

“Esse ministério está instituído para a guerra contra o Anticristo, e embora sempre tenha servido à Igreja, na última perseguição será posto em ordem de batalha com a plenitude de forças contra a Revolução.

“E seu efeito será a prisão de Satanás e a ruína de seu império, desse império que ele tem sobre a terra” (“El dogma católico con referencia a la redención de la sociedad actual”, El Ermitaño, Nº 170, 8-2-1872).

“O poder que envolve em si o ministério do Exorcistado, (...) prenderá Satanás, o atará e, atado, o precipitará no abismo, fechará as portas e as selará, para que nunca mais volte a sair de seu cárcere, senão para comparecer ante o juiz supremo no dia do juízo universal.

“Então o mundo terá paz, então a sociedade humana aceitará a Lei, ouvirá os preceitos do Decálogo e se renderá à pregação do Evangelho” (“Esclavitud de las naciones”, El Ermitaño, Nº 132, 18-5-1871).

Em carta ao bispo de Barcelona, Mons. Pantaleón Monserrat, datada 1º de março de 1870, o bem-aventurado destacava a razão especial pela qual se interessava pelo Exorcistado.

Para ele, o objetivo mais importante era expulsar da terra o verdadeiro pai da Revolução, de todo o caos e de todas as desgraças que essa acumula sobre os homens.

O bem meramente individual dos possessos de Satanás — pelos quais o religioso carmelita se sacrificava denodadamente — ocupava um lugar menos acentuado.

“Se o exorcistado — escreveu — fosse um ministério ordenado apenas ao bem individual ou de certo número de famílias, talvez eu não teria podido manifestar o meu desacordo.

“Porém, o exorcistado não se limita a isso.

“O poder engajado sob o véu da fé está ordenado nada mais e nada menos que a prender “directe et inmediate” [de forma direta e imediata] a potência armada que dirige a revolução do mundo e que mantém todas as nações sob seu domínio por meio de governos apóstatas.

São Wolfgang submete o diabo, Michael Pacher (1435 — 1498). Antiga Pinacoteca de Munique
São Wolfgang submete o diabo, Michael Pacher (1435 — 1498).
Antiga Pinacoteca de Munique
“Sua prisão ou sua liberdade depende do uso ou não uso do exorcistado, desses dois pontos depende a ruína ou a salvação do mundo” (Francisco Palau, Obras Selectas, Ed. Monte Carmelo, 1988, Burgos, col. Maestros Espirituales Carmelitas Nº 7, 918 pp, Carta 139, p. 880).

Num diálogo didático para explicar esta posição, ele imaginava uma disputa com os anjos que protegem a Igreja e a Cidade Eterna.

Ele apresenta os anjos com suas espadas na bainha e as mãos em gesto de piedosa oração, imersos em surpreendente tranquilidade.

O Beato então lhes reclama pela passividade diante das vitórias dos demônios que se apossaram dos líderes das nações e dos países.

Os anjos lhe respondem que aguardam que o Papa, os bispos e os sacerdotes se engajem na batalha contra os demônios. Então, sim, eles entrarão em auxílio deles e decidirão a vitória da Igreja.

O B. Palau revida dizendo que os anjos são muito mais poderosos que os sacerdotes e que um só golpe de sua espada basta para desfazer a conjura dos demônios.

E que, portanto, se o clero não se mobiliza, eles devem entrar em ação passando por cima dos homens sagrados para trucidar a iniquidade.

Os anjos respondem que Jesus Cristo instituiu uma hierarquia na Igreja por cima da qual nem eles podem passar.

Segundo essa ordem hierárquica instituída por Deus, o poder de exorcizar Satanás e os anjos rebeldes foi conferido por Cristo aos Apóstolos: “demones ejicite” – “expulsai os demônios” (São Mateus, 10, 8); e “ecce ego dedi vobis potestatem calcandi supra serpentes et scorpiones et super omnem virtutem inimica” – “Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo” (São Lucas, 10, 19).

O Beato então redarguiu que, assim sendo, a promessa de Cristo de que as “portas do inferno não prevalecerão” (São Mateus 16, 18) não será cumprida, porque os bispos impedem o exorcismo. Portanto, o demônio teria triunfado sobre a Igreja, coisa que é inadmissível.

Elias e Henoc. Ícone do século XVII. Museu Histórico Sanok, Polônia
E a palavra angélica final é: Deus instituiu sua Igreja com uma ordem que deve ser obedecida até o fim. É a via ordinária. Só quando essa via estiver esgotada, Deus recorrerá a uma via extraordinária.

O religioso fica surpreso com a resposta, como se lhe soasse inesperada.

Então o anjo completa: está nas Escrituras que há duas testemunhas na presença de Deus que são como duas oliveiras e dois candelabros aguardando que o Juiz Supremo lhes ordene descer à terra para combater o Anticristo.

“3. incumbirei às minhas duas testemunhas, vestidas de saco, de profetizarem por mil duzentos e sessenta dias. 4. São eles as duas oliveiras e os dois candelabros que se mantêm diante do Senhor da terra” (Apocalipse, 11, 2-4)

O Beato Palau entende se referir a Santo Elias e Santo Henoc, que comandarão os apóstolos dos últimos tempos e decidirão os lances derradeiros (“Mis relaciones con la Iglesia”, in “Obras Selectas”, Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1988, p. 916, pp. 585-591).

Essa intervenção inesperada, que sai das vias ordinárias, é a via extraordinária anunciada nas Escrituras sagradas.




segunda-feira, 25 de junho de 2018

O exorcismo na vitória da Igreja

Jesus Cristo exorciza o demônio. Detalhe da porta de bronze da catedral de Pisa
Jesus Cristo exorciza o demônio. Detalhe da porta de bronze da catedral de Pisa
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Os três dias de trevas (segunda parte)








A Revolução – repetia o Beato – assanhou-se como um imenso malefício sobre os povos. Sob seus efeitos, a humanidade decaída foi arrebatada e possuída por Satanás e os anjos rebeldes.

Quanto mais a marcha revolucionária progride, mais o demônio se assenhoreia da sociedade e a empurra para maiores pecados e desgraças. Estes, por sua vez, aceleram a pressa da Revolução, como num círculo vicioso.

À medida que os dias do aparente triunfo final da Revolução se tornem realidade, essa possessão vai se intensificar. O Anticristo, ele próprio, ostentará o máximo poder de maleficiar.

Por isso, o bem-aventurado julgava imperiosa uma ação que envolvesse a utilização sistemática e generalizada do poder conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos: o ministério do Exorcistado.

O ideal do B. Palau era que, sob as ordens do sucessor de Pedro, os sacerdotes se lançassem em sistemática cruzada contra os demônios que infestam o mundo:

Jesus exorciza legião de demônios que tinham possuído o geraseno (Mateus 8;28-34). Marfim no Hessisches Landesmuseum Darmstadt, Alemanha.
Jesus exorciza legião de demônios que tinham possuído dois gadarenos (Mateus 8;28-34).
Marfim no Hessisches Landesmuseum Darmstadt, Alemanha.
“Este é nosso ideal — explicava —: que sob a direção do Papa se organize e se ponha na ordem que merece o ministério do Exorcistado. Então o efeito será infalível.

“Esse efeito é a prisão de diabo, a ruína de seu império e o triunfo do catolicismo pela conversão dos reis que agora nos combatem.

“É isto um sonho dourado do El Ermitaño? Ou antes uma realidade?

“Se é uma realidade, poderá demorar um pouco mais ou um pouco menos de tempo, mas por esse meio o mundo será renovado.

“Uma potencia espiritual prenderá o diabo, e sua prisão será a liberdade das nações.

“Qual é essa potência?

“Aquela que opera no Exorcistado: esse é o ministério que tem o poder imediato e direto sobre os demônios” (“Observaciones sobre energúmenos”, El Ermitaño, Nº 65, 27-1-1870).


Santo Antônio Maria Claret.
Santo Antônio Maria Claret.
Um dos grandes santos contemporâneos do B. Palau foi Santo Antônio Maria Claret.

Esse zeloso defensor da Igreja diante dos ataques da Revolução apoiou ativamente o B. Palau quando a Escuela de la Virtud foi iniquamente fechada.

Numa carta sobre o assunto, o B. Palau escrevia ao santo arcebispo, que também era o confessor da Rainha da Espanha:

“Acredito que o senhor é um instrumento providencial, um órgão do Espírito de Deus a quem nesta matéria devo consultar” (Francisco Palau OCD, Obras selectas, Editorial Monte Carmelo, Burgos, col. Maestros Espirituales Carmelitas Nº 7, 1988, 818 pp., carta Nº 35/44, p. 714).

Porém, os dois divergiam sobre o número de possessos e sobre a atitude pastoral diante desses casos. Santo Antonio Maria Claret deu conselhos aos sacerdotes da congregação que ele fundou divergentes dos pontos de vista do beato carmelita.

O B. Palau manifestou ao santo arcebispo suas opiniões com o estilo claro, viril e caritativo de que gostavam essas duas grandes almas.

A disputa é um exemplo da categoria e da elevação com que duas almas santas abordam suas dificuldades na plenitude do espírito católico:

“Estamos divididos em opiniões sobre matérias controversas — escreveu o beato catalão — com pessoas respeitáveis e que amamos; não é coisa rara nem estranha, porque não haveria debates nem discussões dentro da aula conciliar, se ali os prelados opinassem todos de igual modo.

“Enquanto todos reconhecermos um tribunal infalível e nos submetermos humildes à sua definição, a discussão não pode prejudicar.” (“El Ermitaño ante el Concilio”, El Ermitaño, Nº 77, 28-4-1870).

Infelizmente ambos faleceram pouco depois, em datas muito próximas, e o debate, que teria conduzido a grandes progressos doutrinários e pastorais, não teve conclusão.

Não é raro, aliás, polêmicas entre santos movidas por um amor ardente pela Igreja.

A mais famosa, truculenta e frutuosa foi aquela travada por São Jerônimo e Santo Agostinho, Padres e Doutores da Igreja:

“Nem tu comigo nem eu contigo: calemos aquilo que em nossas cartas possa nos chocar, com a intenção, claro está, de que não se afaste ante os olhos de Deus na caridade fraterna”, respondeu numa ocasião a Águia de Hipona (Santo Agostinho) ao Leão de Belém (São Jerónimo) (“Cartas de San Jerónimo”, BAC, Madrid, vol. II, 1962, carta 116, p. 389).



Nosso Senhor exorciza jovem possesso por um demônio mudo (Marcos 9;17-29).
O Beato foi a Roma levando um trabalho por ele redigido para ser apresentado ao Concílio Vaticano I.

É um arrazoado sobre a necessidade de se colocar em pé de guerra contra o demônio todos os sacerdotes do mundo. Eles deveriam ser mobilizados no Exorcistado sob as ordens do Papa e dos bispos.

Esse plano não se realizou. O B. Palau faleceu em 20 de março de 1872 em Tarragona, após esgotante atendimento aos doentes de uma epidemia. Enquanto no dia 7 de fevereiro de 1878, na Cidade dos Papas, partia para o Céu o Beato Pio IX.

Poucos anos depois da morte de ambos, o novo Papa, Leão XIII, acrescentou no fim da Missa uma oração a São Miguel Arcanjo, que é um verdadeiro exorcismo (cfr. P. Alejo de la Virgen del Carmen O.C.D., Vida del R. P. Francisco Palau Quer, 1933, pp. 316-317).

Em 18 de maio de 1890, o próprio Leão XIII promulgou o Exorcismus in Satanam et angelos apostaticos, cujo conteúdo — observa a Positio do processo de beatificação do P. Palau — “entronca diretamente com o pensamento de Francisco Palau. Não deixa de surpreender a identidade de doutrina e até de linguagem” (Cfr. Sacra Congregatio Pro Causis Sanctorum. Tarraconem. Canonizationis Servi Dei Francisci a Jesu Maria Joseph - Positio Super Virtutibus, Roma, Tipografia Guerra, 1985, vol. II, pp. 541-542.).

Mas os recursos ordinários do Exorcistado não foram mobilizados do modo sistemático indispensável para acorrentar o poder do demônio e da Revolução, como o bem-aventurado desejava.

Oração a São Miguel Arcanjo a ser rezada após a Missa


“São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio.

“Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no Inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém”.

Excerto da oração inicial do Exorcismus in Satanam et angelos apostaticos de Leão XIII


Eis que o inimigo antigo e homicida se ergueu com veemência. Transfigurado em anjo de luz, com toda a caterva de espíritos maus, circundou e invadiu toda a Terra, para que nela destruísse o nome de Deus e de seu Cristo, e roubasse as almas destinadas à coroa da glória eterna, e as prostrasse e as perdesse na morte eterna.

São Clemente, primeiro bispo de Metz acorrenta o demônio
O dragão maldito transvasou, como rio imundíssimo, o veneno de sua iniquidade em homens depravados de mente e corruptos de coração; incutiu-lhe o espírito de mentira, impiedade, blasfêmia, e seu hálito mortífero de luxúria, de todos os vícios e iniquidades.

As hostes astuciosíssimas encheram de amargura a Igreja, Esposa imaculada do Cordeiro, e inebriaram-na com absinto; puseram-se em obras para realizar todos os seus ímpios desígnios.

Ali onde está constituída a Sede do Beatíssimo Pedro e Cátedra da Verdade para iluminar os povos, aí colocaram o trono de abominação da sua impiedade, para que, ferido o Pastor, se dispersassem as ovelhas.

Vinde, pois, general invictíssimo, e dai a vitória ao povo de Deus, contra as perversidades espirituais que irrompem.

A Santa Igreja vos venera como seu guarda e protetor, glorificai-vos como defensor contra as potestades abomináveis da Terra e dos infernos; confiou-vos o Senhor a missão de introduzir na felicidade celeste as almas resgatadas.

Rogai, pois, ao Deus da paz que esmague Satanás sob nossos pés, a fim de que ele não mais possa manter cativos os homens e fazer mal à Igreja.

Apresentai ao Altíssimo as nossas preces, a fim de que sem tardar o Senhor nos faça misericórdia, e vós contenhais o dragão, a antiga serpente, que é o demônio e satanás, e o lanceis encadeado no abismo, para que não mais seduza as nações (Apoc. 20).

Nossa Senhora destrói o pacto
que o monge Teófilo
tinha assinado com o demônio























Continua no próximo post: Deus enviará um recurso extraordinário que já está em sua presença


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Fátima dará morte à tribulação da humanidade:
revelação cinco séculos antes das aparições! (4 e fim)

Prenúncio do triunfo de Fátima quase cinco séculos antes das aparições
Luis Dufaur
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No século XIX, nova visão confirma o anúncio


Mas também estes outros manuscritos caíram no esquecimento. Em boa parte devido às perseguições religiosas, que por duas vezes fecharam o convento das dominicanas de Alba.

E assim transcorreram mais dois séculos. Até que em 1855 (No original, ora consta 1885, ora 1855) a então Abadessa Benedita Deogratias Ghibellini,

 “recebeu a revelação, de uma alma santa, do conteúdo daquela crônica desaparecida e o confiou verbalmente à sua sucessora, com a obrigação de transmiti-la, sempre em segredo e não publicamente, até que se tenha verificado cada coisa”. (Documento 3)

Em 22 de maio de 1923, a Priora Madre Stefana Mattei comunicou o segredo a Soror Lúcia Mantello. Esta fez um breve estágio nas dominicanas antes de se tornar religiosa salesiana.

Ela não teve em mãos os antigos documentos, e apenas transcreveu esta outra revelação transmitida por cada abadessa à sua sucessora, e que fazia referência às crônicas que estavam desaparecidas.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Vitória de Fátima após 'guerra terrível'
profetizada quinhentos anos antes das aparições! (3)

Nossa Senhora de Fátima. Fundo da montagem: capela octogonal de Tomar
Luis Dufaur
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Fátima e circunvizinhanças estavam profundamente impregnadas pela irradiação marial cisterciense e pelo espírito de cruzada templário. Esses emanavam de dois grandes polos abaciais: Alcobaça e Tomar.

Tal irradiação redundou na construção de múltiplas fortalezas da Ordem do Templo e abadias, igrejas e capelas dedicadas a Nossa Senhora, em plena época de cruzadas.

“A luta contra o Islã – confirma o Cônego Barthas – continuou ao longo de todo o século XII.

“Vários dos belos feitos de armas que fizeram de Portugal o cavaleiro da Cruz contra o Crescente se desenrolaram na região que circunda Fátima”. (Cônego C. Barthas e Pe. G. da Fonseca SJ, Fatima, merveille inouïe, Fátima, Ed. Toulouse, 1943, p. 20)

Fátima estava localizada num cruzamento das rotas que ligavam os castelos de Leiria, Tomar, Santarém, Ourém e Porto de Mós, percorridas por reis, nobres e cavaleiros templários.

Uma velha tradição, ainda viva em 1917, contava que, passando o Beato Nun'Álvares Pereira por Fátima em 1385, seu cavalo “teria ajoelhado e, à vista disso, D. Nuno teria dito: 'aqui há de dar-se um grande milagre'”. (Pe. Luciano Coelho Cristino, Descobrir o passado, preservar o futuro, Ajefatima, 1999, p. 12.)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Plano providencial com Fátima anunciado
cinco séculos antes das aparições! (2)

Prenúncio do triunfo de Fátima quase cinco séculos antes das aparições
Prenúncio do triunfo de Fátima quase cinco séculos antes das aparições
Luis Dufaur
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A História pode ser comparada a uma imensa encenação, difícil de excogitar. O cenário é a própria Criação.

No centro do cenário, os homens se movem, falam, fazem e desfazem, enquanto Deus, na sua infinita sabedoria, atua nos bastidores, no Céu, oculto aos olhos dos homens de pouca fé.

Ele vai modelando, como um diretor soberano, o desenrolar dessa peça suprema, através das causas segundas – como é o caso dos espíritos angélicos, dos homens e da natureza – e, em certas circunstâncias peculiares, mediante sua intervenção direta.

No fim da História, verificar-se-á que o longo enredo de séculos de lutas, vitórias e tragédias da humanidade não foi uma sucessão confusa de fatos, mas a realização de um superior plano divino.

No Juízo Final a História aparecer-nos-á, não como um amontoado de acontecimentos, segundo a visão de certos manuais escolares.

Mas mostrar-se-á com a ordem reluzente de uma fabulosa catedral, em que ao esplendor das linhas arquitetônicas somar-se-á a riqueza e a magnificência dos pormenores, formando o conjunto uma obra-prima de perfeição insuperável.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O monstro do Oriente preanunciado em Fátima
cinco séculos antes das aparições! (1)

Prenúncio do triunfo de Fátima cinco séculos antes das aparições
Prenúncio do triunfo de Fátima cinco séculos antes das aparições
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No século XV,
o Céu revelou a esplêndida vitória de Nossa Senhora de Fátima.

Assim como a investida do Islã foi esmagada
em terras lusas na época da fundação de Fátima,
os “erros da Rússia” serão vencidos em nossa época.


No remoto dia 16 de outubro de 1454, no Mosteiro de Santa Maria Madalena das religiosas dominicanas de Alba, no sul de Turim, Itália, Soror Filipina agonizava.

Em torno do leito dessa dominicana de santa vida, tinha-se reunido toda a comunidade religiosa, acompanhando-a com as orações pelos moribundos.

Estavam presentes a abadessa e fundadora do mosteiro, Bem-aventurada Margarida de Saboia, e o confessor das religiosas, Pe. Bellini.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Os três dias de trevas (segunda parte)

Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Os três dias de trevas (primeira parte)








O B. Palau comentou com certo pormenor a visão dos “três dias de trevas” atribuída à Beata Taigi, aproveitando a versão que havia chegado às suas mãos:

“O fato, escreveu, se anuncia da seguinte forma: enquanto num dia claro e sereno o sol estará em seu percurso, repentinamente se farão trevas tão densas que poderão ser apalpadas e tocadas, as quais cobrirão a face da terra.

“O céu se apresentará sob um aspecto tão espantoso que, vendo-o, as pessoas fugirão e se esconderão no mais recôndito de suas casas, fechando portas e janelas como no momento de uma tempestade arrepiadora.

“Espectros horripilantes aparecerão nos ares, dando uivos espantosos. Se por um momento a lua abrir caminho entre as trevas, apresentar-se-á vestida de sangue para quem tenha coragem de olhá-la.

“Esses serão dias de ira e de maldição, dias em que o anjo exterminador, como a morte montada em corcel acompanhado pelo inferno, visitará a casa do ímpio, do incrédulo, desse homem que cheio de arrogância desafia a onipotência de Deus, assim como visitou o Egito matando numa noite seus filhos varões primogênitos.

“Perecerão de espanto muitíssimas pessoas, que acreditarão ter chegado o mundo a seu fim, e sentir-se-ão envolvidas por uma noite eterna.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Os três dias de trevas (primeira parte)

Corpo da Beata Anna Maria Taigi, igreja de São Crisógono, Roma.
Corpo da Beata Anna Maria Taigi, igreja de São Crisógono, Roma.




Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Os apóstolos dos últimos tempos desmascararão a conjuração na Igreja 










O capitulo final do desfazimento da Revolução bem poderá culminar nos chamados “três dias de trevas”.

Eles têm um fundamento bíblico e foram objeto de comentários e/ou visiones de almas santas ou privilegiadas.

A revelação particular mais famosa sobre esses três dias de trevas é atribuída à Bem-aventurada Ana Maria Taigi (1769-1837). Veja: A contemplativa da luta entre a Luz e as Trevas

Nos tempos do Bem-aventurado essa visão já tinha notoriedade. Sua versão mais autorizada se lê no processo de beatificação da Beata Taigi.

Encontra-se no testemunho de Mons. Raffaele Natali, confidente da vidente e anotador de suas visões durante décadas, quem depôs nestes termos:

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Os apóstolos dos últimos tempos
desmascararão a conjuração na Igreja

O diabo sendo acorrentado. Nossa Senhora de Quito, col.part.
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Continuação do post anterior: A Igreja renovada pelo Espírito Santo contra-ataca



Em seu principal livro “Mis relaciones con la Iglesia”, o Beato Palau descreve outros sinais característicos dos chamados apóstolos dos últimos tempos:

“acorrentarão o príncipe tenebroso que corrompeu todos os reis da Terra; arrancarão dos falsos pastores a pele de ovelha e exibirão sua hipocrisia ante todo o rebanho” (in “Obras Selectas”, Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1988, pp. 916, p. 583).


Dessa maneira, segundo o Beato cujo pensamento ora expomos, na derrubada da Revolução resplandecerá de modo incomparável o poder de Deus, que durante os dias da Revolução parecia estar de braços cruzados:

“A ira de Deus, que agora castiga invisível e espiritualmente a raça de Adão, permitindo o triunfo do erro, tornar-se-á visível e tão visível, que ninguém, absolutamente ninguém, poderá duvidar da onipotência do Deus que agora os católicos invocamos e que parece fazer-se de surdo. Esse dia virá quando ninguém acreditar nele” (“La noche”, El Ermitaño, Nº 169, 1-2-1872).

Os espíritos das trevas ficarão sobremaneira confundidos e desconjuntados. Procurarão fazer vingança em seus cúmplices humanos, que são seus instrumentos por permissão de Deus:

“Com ira, anátema e maldição — explicava — Deus visitará o incrédulo, e, entre os incrédulos, aquele que diz ser católico, (...)

“católico da raça daqueles que escarnecem de tudo quanto ensina o catolicismo sobre a justiça divina e sobre os demônios, que são seus executores.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O sonho das duas colunas de Don Bosco:
a crise, a morte do Papa, o novo Papa e o triunfo à luz de La Salette

O sonho das duas colunas, basílica de Maria Ausiliatrice, Turim
Luis Dufaur
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Em 26 de maio de 1862 São João Bosco tinha prometido a seus jovens que lhes narraria algo muito agradável nos últimos dias do mês.

Em 30 de maio, pois, de noite contou-lhes uma parábola ou sonho segundo ele quis denominá-la.

Eis suas palavras:

“Quero-lhes contar um sonho. É certo que o que sonha não raciocina; contudo, eu que contaria a Vós até meus pecados se não temesse que saíssem fugindo assustados, ou que caísse a casa, este o vou contar para seu bem espiritual. Este sonho o tive faz alguns dias.

“Figurem-se que estão comigo junto à praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, do qual não veem mais terra que a que têm debaixo dos pés.

“Em toda aquela vasta superfície líquida via-se uma multidão incontável de naves dispostas em ordem de batalha, cujas proas terminavam em um afiado esporão de ferro em forma de lança que fere e transpassa todo aquilo contra o qual arremete.

“Estas naves estão armadas de canhões, carregadas de fuzis e de armas de diferentes classes; de material incendiário e também de livros, e dirigem-se contra outra nave muito maior e mais alta, tentando cravar-lhe o esporão, incendiá-la ou ao menos fazer-lhe o maior dano possível.

“A esta majestosa nave, provida de tudo, fazem escolta numerosas navezinhas que dela recebiam as ordens, realizando as oportunas manobras para defender-se da frota inimiga. O vento lhes era adverso e a agitação do mar parece favorecer aos inimigos.

“Em meio da imensidão do mar levantam-se, sobre as ondas, duas robustas colunas, muito altas, pouco distantes a uma da outra.

“Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, a cujos pés vê-se um amplo cartaz com esta inscrição: Auxilium Christianorum. (Auxilio dos Cristãos)

“Sobre a outra coluna, que é muito mais alta e mais grossa, há uma Hóstia de tamanho proporcionado ao pedestal e debaixo dela outro cartaz com estas palavras: Salus credentium. (Salvação dos crentes)

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Carta de São João Bosco ao imperador Francisco José:
“Minha ira está para estalar sobre a Terra”

Luis Dufaur
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No Segredo de La Salette Nossa Senhora considera que o futuro da Igreja e o futuro da ordem temporal estão intimamente ligados.

E Ela fala especialmente dos castigos que podem cair sobre as nações católicas mais amadas: a Itália e a França, se essas não ouvem sua voz.

Esses castigos virão também sobre as demais nações e sobre a própria Igreja, se não mostrarem arrependimento e não fizerem penitência.

Na carta a seguir de São João Bosco ao imperador da Áustria-Hungria - naquele tempo o maior chefe de Estado da Europa - encontramos a mesma percepção dessa interrelação.

São João Bosco prenuncia que tempos tempestuosos se avizinham para a Igreja e para as nações.

Esses dias difíceis adviriam como castigo pelo abandono da prática da Lei de Deus.

O santo, então, comunica da parte de Deus ao imperador católico toda uma estratégia de ação política internacional, visando o bem da Igreja e da Cristandade.

Convida-o até a ser o braço armado de Deus Ele próprio: a "vara de Seu poder" e o "benfeitor da humanidade".

São João Bosco
São João Bosco
Infelizmente, o imperador Francisco José não ouviu a voz do Santo dotado de luzes proféticas e não executou o plano político de Deus.

Francisco José se aliou com a Prússia, país protestante com quem Deus lhe dissera de não se aliar.

A Prússia arrastrou o império Austro-Húngaro a uma derrota espantosa na I Guerra Mundial.

Francisco José morreu em 1916 em plena guerra.

Seu império foi dissolvido poucos anos depois.

Eis a carta de São João Bosco:

  
Ao Imperador da Áustria

segunda-feira, 2 de abril de 2018

São João Bosco insiste em outra carta a Pio IX:
o Papa perseguido sairá de Roma

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Turim, 10 de março 1861

Beatíssimo Padre,

Aproveito a oportunidade favorável de que um zeloso cooperador do jornal “L'Armonia” vai a Roma para dirigir duas palavras a Vossa Santidade.

Quantas coisas um pobre sacerdote quereria dizer ao chefe da Cristandade! Reduzamos tudo à máxima brevidade.

Eu direi, entretanto, que após muitos distúrbios, no momento presente estamos em paz, fato que me permite trabalhar livremente em favor de meus jovens e pela impressão das “Leituras Católicas”.

De um ano para cá, nossas escolas cresceram ao quádruplo. Atualmente, na nossa casa temos perto de quinhentos jovens, que dão boas esperanças e se preparam para o estado eclesiástico.

Nosso clero até agora se mantém corajosamente firme; mas aproximam-se grandes provações, e se o Senhor não nos fortificar com sua graça eu temo algum naufrágio.

Promessas, ameaças, pressões são os três inimigos que nos têm atacado; mas agora se avizinha o tempo da perseguição.

Os fiéis são fervorosos; mas a cada dia um grande número passa da tibieza para um indiferentismo apático, que é a maior praga do catolicismo em nossos países.

sábado, 31 de março de 2018

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor.
Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

quarta-feira, 28 de março de 2018

A Santa Ceia: o dom infinito da Eucaristia e o drama

Última Ceia, Instituição da Eucaristia, Giusto da Guanto, c. 1474.
Última Ceia, Instituição da Eucaristia, Giusto da Guanto, c. 1474.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Na Santa Ceia, Jesus Cristo instituiu o Santo Sacrifício da Missa.

Para os judeus era a festividade da Páscoa.

Quer dizer da saída do Egito, da libertação da escravidão.

O inicio do caminho para a Terra Prometida.

No centro da refeição estava o cordeiro pascal.

Em lembrança do cordeiro que Moisés mandou sacrificar e comer antes de partir.

Em prefigura do Cordeiro de Deus que viria remir os homens.

E eis que o Cordeiro de Deus estava ai oferecendo Seu próprio Corpo!

Mas Ele estava profundamente triste.

Ele sabia que um dos Apóstolos O tinha traído.

Jesus descobriu a João o sinal do traidor:

o primeiro a pôr a mão no pão consagrado: Judas Iscariotes!

Ele fugiu para praticar o crime combinado com o Sinédrio.

Que situação tristíssima!

Os Apóstolos estavam em decadência espiritual na hora da Paixão.

sábado, 24 de março de 2018

Domingo de Ramos, ontem e hoje

Jesus entrando em Jerusalém, no Domingo de Ramos.
Jesus entrando em Jerusalém, no Domingo de Ramos.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Te aplaudiam, meu Senhor! Te aplaudimos também nós…

Te reconheciam rei de Israel, Hosana Filho de Davi!

Te reconhecemos também nós…

Estendiam suas capas e tapetes no chão em Teu passo.

Fizemos o mesmo também nós...

Agitavam ramos de oliveira e palmas em sinal de alegria!

Nos Domingos de Ramos, agitamos também nós...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Don Bosco: o sonho do cavalo vermelho (1862):
a ‘democracia sectária’?, ou o comunismo?

O cavalo vermelho do Apocalipse.
Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek, Cgm 8010
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Don Bosco teve vários sonhos proféticos. Temos citado no nosso blog alguns deles. Um dos mais conhecidos é o do "cavalo vermelho" de que fala o Apocalipse capítulo VI, versículo IV.

Don Bosco viu em sonho esse cavalo simbólico avançar sobre o mundo contemporâneo.

O que simbolizava esse cavalo? Na abalizada edição das "Memorie Biografiche" (volume 7, capítulo 22) vemos que os companheiros do Santo o interpretaram como um símbolo da "democracia sectária" que hostilizava a obra salesiana.

Nada de mais normal, a "democracia sectária" que se espraiava pela Itália no século XIX era filha da Revolução Francesa.

Aliás, poderia se falar que hoje também sobrevive essa mesma "democracia sectária". Ela tem os mesmos objetivos e métodos anticristãos mas apela a argumentos como o "laicismo", a "ideologia de gênero", etc.

Porém, alguns interpretaram - e com fundamento - que o "cavalo vermelho" é também símbolo do comunismo que já produzia seus péssimos efeitos no tempo de Don Bosco.

Na perspectiva da mensagem de La Salette, as duas interpretações têm procedência, pois o comunismo é o filho criminoso da Revolução Francesa. 

E o "cavalo vermelho" do Apocalipse pode significar os dois, ou um ou outro, pois os dois promoveram perseguições sangrentas contra a Igreja, um na continuidade do outro.

A discussão não está encerrada. Apresentamos a nossos leitores, o texto completo de dito sonho segundo a abalizada edição das Memorie Biografiche, para que cada um possa formar sua opinião.

Eis o sono, acompanhado dos comentários dos companheiros do grande Santo italiano: