segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A chave das profecias
no século da “guerra dos profetas” (1917 – 2017)

1917-2017 século marcado pelo choque de duas profecias: a de Nossa Senhora em Fátima pedindo conversão e advertindo sobre a Rússia e a do comunismo infernal na Rússia anunciando a conquista do mundo
1917-2017 século marcado pelo choque de duas profecias:
a de Nossa Senhora em Fátima pedindo conversão e advertindo sobre a Rússia
e a do comunismo infernal na Rússia anunciando a conquista do mundo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No mesmo ano de 1917 em que Lênin prometia na Rússia o triunfo universal do comunismo, Nossa Senhora assegurava em Fátima o triunfo do seu Imaculado Coração.

Há um embate profético que acena para um desfecho colossal.

E essa é a chave que nos permite ordenar as profecias relativas à nossa época.

Em 13 de julho de 1917, num simpático e esquecido vilarejo de Portugal, Nossa Senhora revelou a três pastorinhos um segredo carregado de anúncios.

Tratava-se de uma profecia que julgava toda uma era histórica, vaticinava o seu futuro e lhe anunciava um desfecho trágico, mas triunfal.

Entre os fatos previstos, um foi de difícil intelecção para os pastorinhos:

Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará.

“O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz” .

Francisco e Jacinta, hoje canonizados, e a própria Lúcia — a única que falava com Nossa Senhora — não entenderam quem era a tal “Rússia”.

A revolução russa de 1917 inaugurou a era dos grandes morticínios igualitários e anticristãos
A revolução russa de 1917 inaugurou a era dos grandes morticínios igualitários e anticristãos
Mons. Liberio Andreatta, Administrador Delegado da Obra Romana de Peregrinações, que conversou com a Irmã Lúcia em três ou quatro ocasiões, ouviu dela:

“Nós pensamos que era uma mulher de má vida e rezávamos por ela. Nós não sabíamos que existia uma nação com esse nome” .

Duas profecias simultâneas e antagônicas

Enquanto a Santíssima Virgem aparecia no extremo ocidental da Europa, não longe do Atlântico, na outra extremidade do mesmo continente, nos confins da Ásia, antros infernais impeliam a Rússia a uma revolução que impactaria o mundo.

Em 2 de março de 1917 o czar Nicolau II era forçado a abdicar pelos revolucionários mencheviques. Um governo provisório social-democrático presidido por Alexander Kerensky tinha confinado o czar e sua família, inicialmente no palácio de Tsarskoye Selo, e depois em Tobolsk, nos Montes Urais.

Transladaram-nos por fim, juntamente com seus servidores, à Casa Ipatiev, em Ekaterimburgo, onde foram massacrados na noite de 16 para 17 de julho de 1918.

Enquanto Nossa Senhora advertia em Fátima para o flagelo dos “erros da Rússia”, Vladimir Lênin — o gênio tenebroso da mais sanguinária revolução da História — exortava em Moscou a colocação em prática desses erros, prometendo que, “tomando o poder simultaneamente em Moscou e em São Petersburgo, triunfaremos de modo indefectível”.

Sua proclamação movimentou um punhado de ativistas ideológicos aterrorizados ante a imensidade dos crimes que seriam perpetrados.

O núcleo revolucionário inicial foi engrossado por enxames de soldados entregues ao saque e à anarquia após a derrota da Primeira Guerra Mundial, bem como por brigadas de criminosos e “guardas vermelhos” do líder anarquista Leon Trotsky.

Soldados com a faixa COMUNISMO marcham rumo ao Kremlin pela rua Nikolskaya
Soldados com a faixa COMUNISMO marcham rumo ao Kremlin pela rua Nikolskaya
Superando as possibilidades humanas, em 7 de novembro de 1917 (conforme o calendário gregoriano) a revolução profetizada tornou-se uma realidade infernal: Lênin depôs o governo provisório e a primeira revolução comunista marxista do século XX deu o poder aos bolcheviques.

Desde então, a Rússia difundiu pelo mundo um profetismo emanado de abismos de maldade, aglutinando e comandando todos os revoltosos da Terra.

“Assim que subiu ao poder — escrevem os autores do Livro Negro do Comunismo — Lênin sonhou em propagar o incêndio revolucionário pela Europa e depois por todo o mundo.

“Inicialmente, esse sonho respondia ao famoso slogan do Manifesto do Partido Comunista, de Marx, em 1848: ‘Proletários de todos os países, uni-vos!’” .

O alvo era todas as desigualdades sociais, econômicas, políticas e seus fundamentos morais e religiosos.

Doravante ninguém deveria se submeter a princípio moral ou religioso algum, mas, pelo contrário, insurgir-se contra toda superioridade, mando ou influência, condenados como formas retrógradas de “alienação” que devem ser extintas.

Em termos humanos, ecoava o “não servirei” de Satanás em sua revolta contra Deus, que em toda a medida do possível deveria ser apagado da face da Terra junto com a Santa Igreja Católica.

Mons Salvatore Cordileone, arcebispo de San Francisco, EUA
Mons Salvatore Cordileone,
arcebispo de San Francisco, EUA
Mons. Salvatore Cordileone, arcebispo de San Francisco, EUA:

No século após Fátima, que “em muitas frentes zombou de Deus” nós vemos “um espelho vivo do inferno” com guerras mundiais, campos de extermínio, numerosos genocídios – incluindo o aborto e a eutanásia – e perseguições anticristãs.

“Deus é ridicularizado em nossas ruas, e esses ridículos são recebidos com aprovação e aplauso em nossa comunidade, e ainda assim permanecemos em silêncio. Mas de Deus não se zomba”. LifeSiteNews

Para enfrentar esse gigante de iniquidade que iria provocar, segundo estimativa moderada, mais de 100 milhões de mortes no século XX, Nossa Senhora escolheu três humildes pastorinhos portugueses.

Por meio deles transmitiu sua profética mensagem convocando as almas sinceras à emenda de vida e à resistência moral para evitar a tragédia que despencava sobre o mundo e a Igreja.

Foi assim que em 1917 se iniciou um conflito de amplitude cada vez mais universal, ao qual poderíamos chamar de “guerra dos profetas”.

Pois ambos os lados se opunham em virtude de uma profecia em choque com a outra.

De um lado, a profecia de Fátima, que conclui com o triunfo do Imaculado Coração, e do outro uma infernal profecia proferida por Lênin, que inaugurava perseguições para extinguir a Igreja e instalar uma anti-ordem radicalmente gnóstica e igualitária.

Ele também prometia o triunfo! E o segredo dessa negra profecia constitui a essência dos “erros da Rússia”, como Nossa Senhora a definiu na Cova da Iria.

Veremos isso com pormenor nos próximos posts.


continua no próximo post: A essência dos males que afligem o mundo está nos “erros da Rússia”


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Estamos nos Últimos Tempos ou já é o Fim do Mundo?

O beato fazia seus exames anuais de consciência no rochedo 'Es Vedrà'. Instalou nesse contexto os personagens literários do 'El Ermitaño'
O beato fazia seus exames de consciência anuais no rochedo 'Es Vedrà'.
Instalou nesse contexto as personagens literárias do 'El Ermitaño'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Quem virá nos salvar? O profeta Elias, ou alguém com seu espírito?





Para o Beato Palau, o pecado de Revolução é de tal gravidade que sua punição exigiria o fim do mundo.

Porém, ele tinha certeza de que Deus, a rogos da Santíssima Virgem, teria piedade da humanidade pecadora e que Sua clemência suavizaria os castigos infligidos pelo pecado de Revolução.

Em consequência, a misericórdia divina abriria um parêntese histórico: uma era de esplendor sem igual da Igreja e da civilização cristã.

A parte do castigo devida por Justiça ficaria pendente como uma espada de Dâmocles: quando os homens reincidissem na Revolução, Deus encerraria o parêntese e se desencadeariam os episódios trágicos e grandiosos do fim do mundo.

Desta maneira, o bem-aventurado refletia habitualmente sobre dois horizontes históricos distintos, mas muito semelhantes:

1. O dos castigos, também anunciados em nossa era por Nossa Senhora em Fátima; e

2. O fim do mundo.

Aquilo que se diz de cada um desses horizontes pode-se aplicar ao outro por analogia e com as necessárias adaptações.

Os grandes momentos da punição da Revolução e da glorificação da Igreja podem ser vistos como uma “avant-première” dos últimos dias da trajetória humana na História.

Por sua vez, o que está escrito sobre o dia futuro em que os céus se enrolarão como um pergaminho (Ap, VI, 14) ilumina a intelecção do que sucede em nossos dias.

Interior da 'Cueva de Aitona': gruta que foi ermida do carmelita perseguido porque não se dobrou ante a Revolução anticristã. Hoje é local de romaria, Aitona, Espanha.
Interior da 'Cueva de Aitona': gruta que foi ermida do carmelita perseguido
porque não se dobrou ante a Revolução anticristã. Hoje é local de romaria, Aitona, Espanha.
Em qual desses contextos virá o Elias histórico, ou o homem revestido de seu espírito? Como o fará?

Em vários artigos, o Beato Palau mostra estar convencido de que, em qualquer hipótese, o enviado de Deus para nos livrar da Revolução virá em nossos dias:

“Já dissemos várias vezes que é infundada a opinião daqueles que acreditam que esses dois profetas [n.r.: Elias e Henoc] virão ao mundo nas vésperas de seu fim.

“Não é assim. Será, é verdade, o fim, porque o mundo ainda pode durar um século, meio século, e nesse intervalo as nações verão o triunfo da Cruz” (“Las tinieblas”, El Ermitaño, Nº 166, 11-1-1872).

Na primeira hipótese, no apogeu da Revolução, o profeta Elias viria em pessoa. Sua gesta precederia uma ação do Espírito Santo revivificadora da Igreja e das nações.

Tal ação inauguraria um período histórico que coincide com o Reino de Maria profetizado por São Luís Maria Grignion de Montfort e com a vitória do Imaculado Coração de Maria prometida por Nossa Senhora em Fátima.

A conversão das nações acarretaria o adiamento do fim dos tempos. O mundo prestaria então ouvidos ao anúncio da segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, tão logo dele se esquecesse, desencadear-se-iam os fatos conclusivos da peregrinação humana no tempo.

Em muitas outras oportunidades o bem-aventurado refletiu sobre a segunda hipótese, de que agora viria um Restaurador com a incumbência de cumprir idêntica tarefa, mas que não seria Elias profeta em carne e osso.

Este último só viria quando a iniquidade revolucionária voltasse a tomar conta dos homens.

Portanto, precedendo imediatamente a segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, a convocação do Juízo Final e o encerramento do tempo.

Ambas as hipóteses têm uma estrutura comum:

1. Missão de um enviado de Deus que derrotará a Revolução em nossos dias;

2. Uma época de fé e florescimento dos povos convertidos;

3. Um novo pecado coletivo, Juízo Final e fim do mundo.

Santo Elias, Convento de La Encarnación. Ávila, Espanha
Santo Elias, Convento de La Encarnación. Ávila, Espanha
Este leque de futuros possíveis, dotados de uma estrutura comum, explica certo vai-e-vem na formulação e na cronologia das hipóteses do bem-aventurado, que ora escreve tendo em vista uma, ora outra, ou as duas ao mesmo tempo.

Ele raciocinava sobre esses futuros possíveis com inteiro desapego, achando que o tempo e as circunstâncias se encarregariam de esclarecer qual se efetivará.

Na perspectiva palauciana, o “espírito de Elias” sempre permaneceu vivo na Igreja, identificando-se com o espírito militante.

Ele o achava presente no Beato Pio IX e na Hierarquia eclesiástica em luta contra os espíritos instigadores da Revolução:

“Elias é Pio IX, Elias é o bispo, Elias é o pároco de uma aldeia. Vês? Vês em suas mãos o báculo pastoral? Vês em Pio IX algumas chaves?

“É o símbolo do poder sobre toda potestade inimiga: tem uma missão alta e sublime, Deus lhe diz: Te dou potestade: expulsai os demônios.

“Ligado e encadeado o príncipe e o rei de todos os hereges, ímpios e blasfemos, vencido e preso aquele que dirige a revolução no mundo, serão salvas todas as nações” (“Fray Onofre — Cuento de mi sombra”, El Ermitaño, Nº 29, 20-5-1869).

Em qualquer caso, ele ponderava que o extremo atingido pelo pecado e pela conjuração da Revolução clamava por uma intervenção tão intensa, que exigiria algo do porte do profeta do Carmelo.

Para o Pe. Palau, se for algum outro homem encarregado dessa “missão”, será alguém da linhagem espiritual do grande fundador da Ordem do Carmo:

“Quando os apóstolos desceram do monte [Tabor], perguntaram a seu mestre sobre a missão de Elias, e Jesus respondeu: Elias em verdade virá, e quando vier, restabelecerá todas as cosas Mat. cap. XVII.

“Eis o restaurador, preparado para a lei de graça, como Moisés o foi da lei escrita. Este restaurador vive? Afirma-o a tradição, e assim devemos crer.

“No século XVI escolheu uma espanhola, a grande Teresa de Jesus, e a escolheu para restaurar o Carmelo. Apareceu-lhe muitas vezes, garantindo-lhe que nos últimos tempos sua Ordem se apresentaria com grande força ao combate” (“El Carmelo”, El Ermitaño, Nº 154, 19-10-1871).

Se esse restaurador vive, onde está?
“No Carmelo, isto é, entre os carmelitas, que herdaram pelas mãos de Eliseu sua capa, e com sua capa seu espírito, e sua missão” (“El Carmelo”, El Ermitaño, Nº 154, 19-10-1871).

Assim refere Santa Teresa as suas visões aludidas pelo Beato Palau:

“12. Estando uma vez em oração com muito recolhimento, suavidade e quietude, parecia-me estar rodeada de anjos e muito perto de Deus. Comecei a suplicar a Sua Majestade pela Igreja.

“Deu-se-me a entender o grande proveito que, nos últimos tempos, há-de fazer uma Ordem e a fortaleza com que seus filhos hão-de sustentar a Fé.

“13. Estando uma vez rezando perto do Santíssimo Sacramento, apareceu-me um Santo cuja Ordem tem estado um tanto decaída:

“Tinha nas mãos um grande livro, abriu-o e disse-me que lesse umas letras, que eram grandes e muito legíveis e diziam assim:

“‘Nos tempos vindouros florescerá esta Ordem; haverá muitos mártires’.

“14. Outra vez, estando no Coro em Matinas, apareceram-me e se puseram diante dos [meus] olhos seis ou sete religiosos que me parece seriam desta mesma Ordem; com espadas na mão.

“Penso que nisto se dá a entender que hão de defender a Fé; porque, de outra vez, estando em oração, se me arrebatou o espírito e pareceu-me estar num grande campo onde muitos combatiam, e estes, os desta Ordem, pelejavam com grande fervor.

“Tinham os rostos formosos e abrasados e deitavam muitos por terra, vencidos, e a outros matavam. Parecia-me que esta batalha era contra os hereges.

“15. Tenho visto algumas vezes este glorioso Santo, e tem-me dito algumas coisas, e agradecido pela oração que faço pela sua Ordem e prometido de me encomendar ao Senhor.

“Não declaro as Ordens, para que não se agravem outras; se o Senhor for servido, que se saiba, Ele o declarará.

“Mas cada Ordem, ou cada membro de per si, deveria procurar que por seu intermédio fizesse o Senhor tão ditosa a sua Ordem que, em tão grande necessidade como agora tem a Igreja, a servissem. Ditosas vidas que nisto se acabarem!” (Santa Teresa de Jesus O.C.D., “Libro da Vida”, cap.40, apud Obras Completas, BAC Nº 212, Madrid, 1979, 6ª ed. revisada, 1184 págs, pp. 186-187).

Algumas Ordens religiosas reivindicaram, a diversos títulos, a honra dessa missão. O grave historiador P. Jerónimo de San José (Historia do Carmen Descalzo, l. 1, c. 21, n. 5, p. 214-215), após ponderar os argumentos em favor de umas e outras, conclui que se trata da Ordem do Carmo, e acrescenta:

‘Estas conjecturas bastam para ter por certo aquilo que já dissemos; porém, palavra mais certa e testemunho de sua verdade temos na própria Santa, que ainda em vida declarou e disse que se referiam à sua Ordem do Carmo de acordo com a nova reforma; e isso com tanta segurança e ênfase, que a um religioso filho seu que a interrogou, chamado frei Angel de San Gabriel, ela respondeu com simplicidade e amor de mãe: «Bobo, de quem se deveria entender, senão da Nossa Ordem?».

“Isso constou sempre dela e permanece sem controvérsia como coisa lisa e assentada, garantindo-o as próprias pessoas que ouviram da boca da Santa (cfr. Santa Teresa de Jesus, id. ibid. nota 3, p. 215).

Ver também: Santa Teresa de Jesus e os Apóstolos dos Últimos Tempos





Oração do Beato Palau pela nave de Pedro que afunda

A pequena barca de Pedro, agitada pelas furiosas ondas dos pecados e erros, está em iminente perigo de naufragar. Jesus dorme na popa da nave.

Que se há de fazer para que a barca não vá ao fundo e cesse a tempestade? Habilidade humana para isto não há.

Os marinheiros, fatigados de tanto remar, se rendem e esperam o momento em que se desfaça a barca para agarrar-se a uma tábua e ver se com ela se poderão salvar.

Já não há outro recurso, a menos que Jesus Cristo o ordene com a virtude onipotente de sua palavra.

Mas em tal apuro por que não se desperta e o faz? Ignora talvez o que acontece? O que, pois, espera?

Espera que lhe peçam devidamente seus discípulos; espera que devidamente pronunciemos com o coração aquela breve oração:

Domine, salva nos, perimus. 'Senhor, salvai-nos, pois perecemos' (Mt 8, 25).

(Autor: B. Francisco Palau, “Lucha del Alma con Dios”, in Obras Selectas, Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1988, p. 93).


Continuará


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Quem virá nos salvar? O profeta Elias ou alguém com seu espírito?

Santo Elias, Monte Carmelo, Terra Santa,  mosteiro de Elias, estátua onde exterminou os profetas de Baal.
Santo Elias, Monte Carmelo, Terra Santa,
mosteiro de Elias, estátua onde exterminou os profetas de Baal.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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continuação do post anterior: Está nos planos de Deus uma missão extraordinária para nos libertar



O Beato Palau era consumido pelo desejo de que viesse o próprio profeta Elias em pessoa, a mandos do próprio Deus para libertar a Igreja e a Civilização da ditadura da Revolução (ver Beato Palau: Deus dispôs uma missão extraordinária para nos libertar).

Mas reconhecia que poderia não se tratar dele próprio, mas de alguém revestido de seu espírito e de sua missão.

Quer dizer, de outra pessoa que merecesse ser chamada de Elias por semelhança de perfil moral, virtudes e tarefa providencial.

“Será Elias o tesbita, aquele próprio que profetizou durante o reinado de Acab e Jesabel, reis de Israel? Não sabemos.

“Mas não tem nada contra a fé acreditar que seja um homem qualquer, um pescador como Pedro, o filho de um marceneiro como Jesus, um pobre homem, ignorante segundo a ciência do mundo, mas sábio para sua missão” (“Cálculos del Ermitaño”, El Ermitaño, Nº 163, 21-12-1871).

“Virá ele próprio, o tesbita — refletia em outra ocasião —, ou antes seu espírito e sua missão em um Moisés. Não nos atrevemos a emitir um juízo.

“Talvez seja sua missão, e não sua pessoa, e em tal caso cairiam muitos em erro, porque diriam dele o que disseram de Jesus, filho de um marceneiro e de uma mulher chamada Maria (...)

“um homem com missão especial de Deus: esse homem, quer se chame Elias, Henoc, ou o que quiserdes, será o Restaurador” (“La Restauración”, El Ermitaño, Nº 154, 19-10-1871).

“Esse apóstolo será Elias, o Elias prometido, seja qual for o nome que ao parecer lhe será dado.

“Chame-se João, Moisés, Pedro, o nome importa pouco; a missão de Elias restaurará a sociedade humana porque assim Deus, na sua Providencia, tem ordenado” (“Anarquía social”, El Ermitaño, Nº 113, 5-1-1871).

A distinção entre a pessoa de Elias e seu espírito e missão é fundamental. Mas apresenta dificuldades que a relação entre São João Batista e Santo Elias ajuda a esclarecer.

São João Batista increpa o rei Herodes, Giovanni Fattori (1825 – 1908)
São João Batista increpa o rei Herodes, Giovanni Fattori (1825 – 1908)
O profeta Zacarias comparou São João Batista a Elias e anunciou que seria o precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo:

“Caminhará diante do Senhor no espírito de Elias para conduzir os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos a fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc, I, 17).

Por sua vez, quando os discípulos indagaram a Nosso Senhor como entender aquelas palavras de que seria precedido por Elias, o Divino Mestre respondeu:

“Eu vos digo: Elias já veio, e não o reconheceram, pelo contrário, fizeram com ele o que quiseram; (...) Então os discípulos entenderam que lhes falava de João o Batista” (Mt, XVII, 12-13).

Dessa maneira, em sentido simbólico-místico, São João Batista foi o Elias anunciado para antes da primeira vinda de Nosso Senhor.

Enquanto tal, é distinto do Elias histórico, que profetizou nos tempos de rei Acab e que retornará à terra antes da segunda vinda de Nosso Senhor e do Juízo Final.

O espírito e a virtude de Elias
em outros enviados de Deus

O acatadíssimo comentarista das Sagradas Escrituras, Padre Cornelio a Lapide SJ, explica no que consiste o “espírito de Elias” e como pode existir num outro enviado de Deus:

São Lucas, capítulo I: 16 E [João Batista] converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus; 17e irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias, a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos, e os incrédulos à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo perfeito.

Comentários do Pe. Cornélio a Lápide SJ

17E irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias

São João Batista precedeu a Cristo com 'o espírito e a virtude de Elias'. Pintura em St-Mary-Thornham-Parva, Suffolk, Inglaterra.
São João Batista precedeu a Cristo com 'o espírito e a virtude de Elias'.
Pintura em St-Mary-Thornham-Parva, Suffolk, Inglaterra.

São Lucas não diz “com a alma de Elias”, comenta Orígenes, mas sim “in spiritu et virtute Eliæ”, porque como ensina Stº. Agostinho, nunca existe espírito sem a virtude, nem virtude sem o espírito, pois toda força e virtude provêm do Espírito Santo, segundo aquela passagem: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Luc. I, 35).

“E o precederá”, e irá adiante do Senhor Deus, isto é, de Cristo Filho de Deus. Com efeito, João precedeu a Nosso Senhor:

1º) ao nascer;

2º) ao batizar;

3º) ao pregar a penitência, para preparar-Lhe as vias;

4º) ao apontá-l'O como Messias e Cordeiro de Deus;

5º) ao morrer mártir;

6º) ao descer até o limbo.

Com o espírito e a virtude

Ou seja, com o espírito da virtude, isto é, da força e da eficácia. Com efeito, em grego virtute [com a virtude] é dynamei [com a força] e não aretei [com a virtude, enquanto predicado moral].

Trata-se aqui de uma hendíadis, como se se dissesse:

“Assim como Elias foi outrora magnífico por seu espírito forte e eficaz, e o será também no fim do mundo para lutar contra o Anticristo e converter a Nosso Senhor os demais judeus, assim também João será excelente no mesmo espírito de fortaleza, de modo a levar à penitência os judeus de coração duro, tanto por sua pregação quanto pelo exemplo de sua vida santíssima. E assim os preparará para receber o batismo e a graça de Cristo”.

O espírito da fortaleza de João foi semelhante ao de Elias:

1º) Pela austeridade de vida. Como Elias, João alimentava-se de gafanhotos e vestia-se com pele de camelo, como cilício;

2º) Ambos viveram na solidão e eram eremitas;

3º) Pela pobreza e desprezo do mundo;

4º) Mais ainda, pelo zelo, pela audácia e ardor ao pregar, com os quais conduziram muitos ao arrependimento e à conversão a Deus e a Cristo Nosso Senhor.

Zelo com que Elias ainda converterá os judeus no fim do mundo, segundo o versículo do Eclesiástico:

“E surgiu Elias como fogo e suas palavras ardiam como tocha”. De maneira semelhante, Nosso Senhor se refere a João Batista: “Ele era um lâmpada ardente e luminosa” (Jo. V, 35).

Este é o espírito da fortaleza de Elias;

5º) Pela fortaleza e pela paixão.

Assim como Elias lutou com grande fortaleza contra os sacerdotes de Baal e seus fautores, os reis Acab e Jezabel (III Re. XVIII, XIX) — e novamente no fim do mundo lutará contra o Anticristo e seus asseclas, até que seja morto pelo Anticristo, e receba a coroa do martírio — assim também São João enfrentou Herodes e Herodíades e, sendo decapitado por ordem deles, alcançou a palma do martírio.

Logo, o espírito de fortaleza significa duas coisas: o poder e a eficácia para bem agir, e portanto para avançar fortemente contra qualquer obstáculo.

Este espírito foi semelhante em Elias e em João Batista.

São João Batista se consumiu de zelo pela causa de Deus e preparou o caminho para a vinda de Cristo. Retábulo de Gante (detalhe), Jan van Eyck  (1390 — 1441). Catedral Saint Bavo.
São João Batista se consumiu de zelo pela causa de Deus
e preparou o caminho para a vinda de Cristo.
Retábulo de Gante (detalhe), Jan van Eyck  (1390 — 1441). Catedral Saint Bavo.
Porém, aqui João é mais comparado ao Elias que virá do que com o Elias que já veio, porquanto, assim como Elias precederá com grande força de espírito e eficácia a segunda vinda de Cristo, de modo a debelar os infiéis e convertê-los à fé, assim também João, com o mesmo espírito e a mesma eficácia, precedeu a primeira vinda de Cristo “para converter o coração dos pais aos filhos, e os incrédulos à prudência dos justos”.

Comentam com clarividência este trecho Stº. Ambrósio, São Beda, Teofilato, Tito e São Gregório Magno (hom. 7, in Evangel.), o qual explica as palavras “com o espírito e a força de Elias”, como querendo dizer:

“Assim como fiz daquele o precursor do Juiz, assim também constituí a este o precursor do Redentor”.

Ouvi Stº. Ambrósio:

“'In spiritu et virtute Eliæ', porquanto Elias dispôs de uma grande fortaleza e de uma enorme graça para fazer com que as almas dos povos retornassem da perfídia à fé; ele possuiu a virtude da castidade e da paciência e o espírito de profecia.

“No deserto, Elias; no deserto, João.

“Aquele era alimentado por corvos, este por espinheiros, depois de ter calcado aos pés os atrativos da volúpia, abraçando a parcimônia e desprezando o luxo.

“Aquele não procurou obter as boas graças do rei Acab; este desdenhou Herodes. Elias dividiu as águas do Jordão; João transformou-o em fonte salutífera.

“Este conviveu com o Senhor na terra; aquele aparecerá com o Senhor no dia da Glória.

“Este foi o primeiro; aquele será o segundo precursor do Senhor”.

Por fim, para dar a João este espírito de virtude — ou seja, a fortaleza — foi-lhe enviado o anjo Gabriel, que em hebraico significa “a fortaleza de Deus”, a fim de lhe infundir sua própria fortaleza, haurida de Deus.

(Autor: Pe. Cornelio a Lapide SJ, “Commentaria in Scripturam Sacram”, Ludovicus Vivès, Paris, 1861; notas de J. M. Pérrone, SJ e A. Crampon, SJ).


Por tudo isso, se não vier Elias em pessoa, o bem-aventurado Palau deduzia lógica e firmemente que viria um enviado de Deus dotado da força e da eficácia do grande profeta do Carmelo para restaurar a Igreja e a civilização cristã.





segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O mistério do retorno de Elias e Henoc

Santo Elias raptado num carro de fogo diante de Santo Eliseu.  Juan de Valdés Leal  (1622 - 1690), igreja de Nossa Senhora do Carmo, Córdoba, Espanha.
Santo Elias raptado num carro de fogo diante de Santo Eliseu.
Juan de Valdés Leal  (1622 - 1690), igreja de Nossa Senhora do Carmo, Córdoba, Espanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Elias e Henoc: dois profetas do Antigo Testamento ainda vivos

De acordo com as Escrituras, o profeta Elias foi raptado aos Céus num carro de fogo na presença de seu discípulo e sucessor Santo Eliseu:

“eis que de repente um carro de fogo com cavalos de fogo os separou um do outro, e Elias subiu ao céu num turbilhão. Vendo isso, Eliseu exclamou: Meu pai, meu pai! Carro e cavalaria de Israel! E não o viu mais.” (II Re, 2, 11-12)

O arrebatamento do profeta teria acontecido no ano 914 a. C., quando Elias tinha não menos de 46 anos.

É doutrina líquida entre os Padres e Doutores da Igreja que Santo Elias não morreu mas que se mantém em vida por disposição divina, aguardando para voltar no fim dos tempos e lutar contra o Anticristo.

Junto com ele, se encontraria Santo Henoc (escreve-se também: Enoc e Enoque), do qual a Bíblia ensina igualmente que foi levado vivo da Terra:

“Após o nascimento de Matusalém, Henoc andou com Deus durante trezentos anos, (...) Henoc andou com Deus e desapareceu, porque Deus o levou.” (Gen, 5, 22-24) e

“Henoc agradou a Deus e foi transportado ao paraíso, para excitar as nações à penitência” (Eccl, XLIV, 16).
Henoc teria sido levado da Terra por volta do ano 3.019 a.C., 987 anos após a criação de Adão, quando tinha 365 anos (viveu antes que Deus diminuísse a duração da vida dos homens).

Mistérios da vida deles

Onde se encontram? Como vivem? Têm contato com a Terra? Em quais condições vão regressar?

O assunto tem apaixonado a doutores e santos da Igreja. O eruditíssimo e famosíssimo comentarista das Sagradas Escrituras, Pe. Cornelio a Lapide S.J., resume as opiniões de maior peso e conclui:

“o lugar onde se encontram Elias e Henoc é incerto. Em qualquer caso, seja um local terrestre ou etéreo, Elias leva una vida quieta e santa, na contemplação de Deus, (...)

Elias e Henoc, ícone do século XVII, Museu Histórico, Sanok, Polônia
Elias e Henoc, ícone do século XVII, Museu Histórico, Sanok, Polônia
São Gregório Magno diz: “Elias foi elevado ao céu aéreo, para ser imediatamente levado a uma região secreta da terra, e ali viver numa grande quietude da carne e do espírito, até que volte no fim do mundo e pague o débito da morte” (Hom. 29, in Evang.).

“Elias e Henoc já são candidatos à eternidade, habitantes do paraíso (...) e estão confirmados em graça, segundo Suárez.

“E embora não vejam a Deus, nem gozem da beatitude celeste, recebem muitas luzes e consolações divinas, pois estão como que “no átrio da casa do Senhor”. Pelo que são visitados pelos anjos com muito maior frequência que os outros homens, e com eles conversam.

“Vivem da palavra divina, sem alimento nem bebida para o corpo, porque Deus lhes conserva incorruptos (assim como suas roupas, como conservou as vestes dos judeus durante quarenta anos no deserto), sãos, alegres, ágeis, gozosos, exultantes com sua situação, estado e missão.

“E dão graças a Deus, porque só eles dois – entre muitos milhões de homens – foram escolhidos para lutar por Nosso Senhor no fim do mundo contra o Anticristo, converter as nações e os judeus e ser coroados com um martírio glorioso.

“E, por causa de seu rapto, incorruptibilidade e longevidade, comunicar aos homens a fé e a esperança na ressurreição” (R. P. Cornelio a Lapide SI, Commentaria in Scripturam Sacram, Ludovicus Vivès Bibliopola Editor, Paris. In Librum IV Regum, Cap II, 11).

Santo Tomás de Aquino também conclui: “Henoc foi levado para o paraíso terrestre, onde se crê que, juntamente com Elias, viverá até que ocorra a vinda do Anticristo”. (Suma Teológica, Parte III, questão 49, artigo 5, objeção 2).

Elias e Henoc se encontram com a idade que tinham na Terra quando foram levados.

Segundo o Génesis, Henoc tinha 365 anos quando deixou a Terra.

Segundo Cornelio a Lapide, Elias tinha 46 anos pelo menos quando foi arrebatado (id. ibid.). Em 20 de julho de 2017, a Igreja comemorou o 2931º aniversário do rapto de Elias.

Presença e intervenção de Elias nos eventos humanos

Santo Elias, século XVIII. igreja do Santo Anjo, Sevilha, Espanha.
Santo Elias, século XVIII. igreja do Santo Anjo, Sevilha, Espanha.
O segundo livro de Paralipómenos (XXI, 12) narra que Joram, rei de Judá, recebeu uma carta de Elias, que naquela data já tinha deixado a Terra. Como, quando e de que modo foi enviada essa missiva do além?

O próprio Pe. Cornelio a Lapide, após analisar abundantes opiniões de teólogos e doutores, conclui:
“Elias, portanto, escreveu a carta no paraíso, para increpar mais rigorosamente o ímpio e convertê-lo, assim como para tornar patente quanta solicitude têm ele e os santos pelos homens fiéis, ainda depois desta vida” (Cornelio a Lapide, id. ibid, In Librum II Paralipomenon, Cap. XXI).

E acrescenta: “Vemos que Elias, pese a ser morador do paraíso, mantém acesso seu prístino zelo por Deus, cuidando dos assuntos dos homens mortais, solícito pela salvação de seu povo” (Cornelio a Lapide, id. ibid., In Ecclesiasticum, cap. XLVIII, 1-12).

Aplacar a cólera divina e reacender o amor de Deus

O Eclesiástico também diz de Elias: “Tu que foste escolhido pelos decretos dos tempos para amenizar a cólera do Senhor, reconciliar os corações dos pais com os filhos, e restabelecer as tribos de Jacó” (Eclesiástico, 48, 10) .

Sobre isso comenta Cornelio a Lapide: “Deus decretou com juízo justo e sapiencial que, após muitos milhares de anos, num tempo determinado, num certo ano, mês e dia, Elias voltará para lutar por Cristo contra o Anticristo. (...)

É como se dissesse: ‘está prescrito e predito que, num determinado tempo previsto e decidido por Deus, tu voltarás para Lhe aplacar a ira’.” (Cornelio a Lapide, id. ibid).

Anúncio divino da vinda de ambos os profetas

As duas testemunhas Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek
As duas testemunhas lutarão contra o Anticristo. Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek
No Apocalipse, Deus anuncia para os últimos tempos: “incumbirei às minhas duas testemunhas, vestidas de saco, profetizarem por mil duzentos e sessenta dias. São eles as duas oliveiras e os dois candelabros que se mantêm diante do Senhor da terra” (Ap, XI, 3 e 4.).
Após avaliar grande número de opiniões, Cornelio a Lapide fornece a interpretação mais recorrente:

“essas duas testemunhas indicam aqueles dois varões que lutarão por Cristo contra o Anticristo. Todos concordam que um deles será Elias. (...) se depreende das palavras de São João que eles aparecerão na terra de modo súbito e inopinado.

“Sem embargo, como virão, se transportados visivelmente pelos ares por um carro de fogo, ou por uma nuvem, ou por qualquer outro meio; como aparecerão imperceptível e subitamente em Jerusalém, ou em algum outro local, nem a Escritura, nem os Padres explicam”.

“(Cornelio a Lapide, id. ibid. In Apocalypsin, cap XI, 3-19).



“Fim do mundo presente e mistérios da vida futura” (Pe. Arminjon)

Numa conferência célebre transcrita em livro que impressionou profundamente a Santa Teresinha do Menino Jesus, o Pe. Charles-Marie-Antoine Arminjon (1824-1885) imaginou a aparição desses dois profetas no auge das trevas – ou luzes enganosas – da iniquidade.

“No momento em que a tempestade é mais violenta, diz ele, quando a Igreja estará sem piloto, onde o sacrifício sem sangue cessará em todos os lugares, onde tudo parecerá desesperador humanamente, veremos, diz São João, duas testemunhas.

“Essas duas testemunhas serão dois homens estranhos, aparecendo de repente no meio do mundo, sem que ninguém possa contar de onde eles vieram, seu nascimento, sua origem ou família. (...)

“Nenhuma língua pode expressar a estupefação de que os homens são tomados à vista desses dois homens, estranhos às nossas paixões e assuntos, que tendo vivido um por seis mil anos, o outro trinta séculos, em alguma região etérea, sob firmamentos e esferas inacessíveis aos nossos sentidos e à nossa compreensão.

As duas testemunhas, Emetrius, Maestro da Escola de Távara, Gerona, século X.
Archivo Histórico Nacional, Madri
“Nenhuma dessas testemunhas é estranha para a família humana.

“Uma dessas tochas e dessas duas oliveiras é Henoc, o bisavô de Noé, o antepassado direto de toda a raça humana.

“O outro é o profeta Elias, que, como o Salvador disse, está destinado a restaurar todas as coisas.

“Ele vem pela segunda vez para reprimir o dilúvio de impiedade, mais impetuoso e mais transbordante do que no tempo de Acab. É também a hora da redenção de Israel.

“O grande profeta convencerá os descendentes de Abraão da vinda do Messias, para tirar a banda de ignorância e escuridão que tem habitado nos seus olhos durante dezenove séculos.

“Qual será o exterior e a atitude desses fantasmas de outra era?

“Que majestade antiga brilhará em suas pessoas?

“Que acentos inspirados surgirão de seus lábios?

“Isso é o que a Escritura não nos diz. Ensina-nos que profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, recobertos de saco como vestimenta e com a imagem da humildade e da penitência em seus traços”.

(Pe. Charles-Marie-Antoine Arminjon (1824-1885), “Fin du monde présent et mystères de la vie future”, Office Central de Lisieux, 1970).




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Beata Aiello: “Falsos profetas”, conspiração da imoralidade,
flagelo da Rússia e a intervenção de Nossa Senhora

Beata Elena Aiello: mística que desde o leito dirigia grande obra de caridade
Beata Elena Aiello: mística que desde o leito dirigia grande obra de caridade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação no post anterior: “Beata Elena Aiello: mensagens que ratificam La Salette e Fátima”



Ouvindo esses avisos [N.R.: conferir post anterior], Irmã Elena atreveu-se a perguntar: “O que será da Itália que amo tanto?”

E ouviu severas palavras:

“Nela se cometem muitos pecados.

“Falsos profetas circundam o Cristo na terra. Essas almas me ferem mais que os pecadores [...].

“O demônio desencadeou a mais terrível batalha contra Deus e a Igreja, e levou muitas almas pela via da perdição [...]”.

Também em La Salette, Nossa Senhora advertiu contra os maus eclesiásticos – “falsos profetas” – que, apresentando-se como teóricos ou justificadores da imoralidade com sofismas teológicos diversos, precipitam os institutos religiosos e grande número de simples fiéis em abismos insondáveis de corrupção.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Milagre do Sol: aviso misericordioso
para um mundo que fecha olhos e ouvidos

Atividade solar, reconstituída nos laboratórios da NASA com base em fotografias de tempos normais
Atividade solar normal montada com fotografias recentes dos laboratórios da NASA.
A animação giratória não é natural e foi obtida por montagem técnica.
Mas permite imaginar como teria sido o Milagre do Sol, fenômeno que saiu do normal.
Marcos Luiz Garcia

escritor, conferencista
e colaborador da ABIM






Neste 13 de outubro [2017], comemoramos cem anos das maiores manifestações de amor e de zelo materno da Santíssima Virgem para conosco em Fátima.

Na aparição do 13 de outubro de 1917, Nossa Senhora insistiu na reza diária do Terço, respondendo à Lúcia que a alguns doentes Ela curaria, mas a outros não.

E explicou por que: “É preciso que se emendem, que peçam perdão de seus pecados”.

E, tomando um aspecto triste, disse: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”. E desapareceu.

Em seguida, aconteceu o que Ela anunciara em setembro:

“Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, desenrolaram-se aos olhos dos videntes três quadros, sucessivamente, simbolizando primeiro os mistérios gozosos do Rosário, depois os dolorosos e por fim os gloriosos [apenas Lúcia viu os três quadros; Francisco e Jacinta viram apenas o primeiro]:

“Apareceram, ao lado do sol, São José com o Menino Jesus, e Nossa Senhora do Rosário. Era a Sagrada Família.

“A Virgem estava vestida de branco, com um manto azul. São José também se vestia de branco e o Menino Jesus de vermelho claro. São José abençoou a multidão, traçando três vezes o sinal da Cruz. O Menino Jesus fez o mesmo.

“Seguiu-se a visão de Nossa Senhora das Dores e de Nosso Senhor acabrunhado de dor no caminho do Calvário.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A solução está em Aparecida e não em Brasília

Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Aparecida
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No Terceiro Centenário de Nossa Senhora Aparecida


Existem devoções nacionais a Nossa Senhora, como é o caso de Aparecida, da mesma maneira que há grandes invocações que têm uma realeza entre as invocações de Nossa Senhora, como é o caso de Nossa Senhora do Rosário.

Quase não existe um país da Terra que não tenha uma grande devoção a Nossa Senhora e de que Ela não seja, debaixo de algum título, a Padroeira.

Também existem as invocações a Nossa Senhora das regiões e das cidades, como é, por exemplo, Nossa Senhora da Penha, em São Paulo.

E, às vezes, ainda há imagens de Nossa Senhora particularmente invocadas numa paróquia, numa parte de uma cidade, etc.

Há até famílias que têm uma devoção especial por alguma imagem de Nossa Senhora por alguma relação especial dEla com aquela família.

Por exemplo, na minha família paterna há devoção a Nossa Senhora da Piedade, é mais uma acomodação desse trato de Nossa Senhora com os homens, individualmente.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Beata Elena Aiello: mensagens divinas
tornam candentes os avisos de Fátima e La Salette

Beata Elena Aiello, jovem religiosa
Luis Dufaur
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A Bem-aventurada Elena Emília Aiello é pouco conhecida no Brasil.

Mas bem mereceria sê-lo muito mais. Como na sua Itália natal, onde sua fama de santidade e a benemérita atividade caritativa da Ordem que ela fundou estão sempre crescendo.

A Beata é também famosa pelos dons sobrenaturais com que foi beneficiada pelo Altíssimo. Recebeu os estigmas e numerosas revelações de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nelas, Ele se mostra primordialmente preocupado, e até agoniado – se se pode dizer assim – pela degringolada da ordem política e social dos países até então católicos, em particular da Itália.

Com insistente premência, Ele retoma as palavras de Sua Santíssima Mãe em Fátima, colocando como que uma lente de aumento sobre os males que ameaçam o mundo, a Igreja e o Papado se os homens não fizerem penitência.

Essas mensagens foram especialmente intensas na década de 1950, marcada por um otimismo enganoso que predispôs o ambiente psicológico que penetrou em todas as esferas, inclusive na eclesiástica, e influenciou a fundo as elaborações do Concílio Vaticano II.

Mas essas advertências haviam começado décadas antes. Cabe destacar a correspondência da Bem-aventurada Aiello com a irmã do então líder máximo da Itália, Benito Mussolini, exortando o duce a não se engajar na fatídica II Guerra Mundial. Tratou-se de Edvige Mussolini (1888 – 1952), casada com Michele Mancini.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Beato Palau: Deus dispôs
uma missão extraordinária para nos libertar

Santo Elias primeiro devoto de Nossa Senhora no Monte Carmelo
Santo Elias primeiro devoto de Nossa Senhora no Monte Carmelo
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: a verdadeira Política se decide na presença de Deus



No Consistório apresentado pelo Pe. Palau onde verdadeiramente se decide o destino os homens (ver post anterior), certamente um lugar de fabulosas oposições, o bem-aventurado via algo parado.

Todos aguardavam o instante em que Deus enviaria alguém investido de uma missão para libertar as almas boas que se sentem cada vez mais oprimidas pela Revolução inspirada pelo inferno.

Quem seria o encarregado de executar essa missão na Terra? Seria o profeta Elias, como fazem entender passagens bíblicas e a opinião de Doutores da Igreja?

Ou seria alguém que agirá com os poderes do próprio Santo Elias, provavelmente secundado por discípulos?

O profeta Elias, cujo nome significa “Deus é o Senhor”, é um dos maiores do Antigo Testamento. Sua importância cresceu porque ele não teria morrido, mas foi levado aos céus em um carro de fogo (2Reis 2).

Pela sua importância, o profeta Malaquias diz: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Malaquias 3,23)

A Bíblia assim apresenta o profeta: “Elias, tesbita, um dos habitantes de Galaad...” (1Reis 17,1) Sua gesta é contada a partir do capítulo 17 de 1Reis. Elias não teria morrido e habita num local desconhecido que os teólogos discutem.

O nome tesbita provém de sua cidade natal Tesba, ou Tisbé, em Galaad, hoje desaparecida.

Elias volta a aparecer na Transfiguração ao lado de Cristo e Moisés, e, segundo opinião dominante, é uma das duas testemunhas que reaparecerão no fim do mundo para pregar contra o Anticristo.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Beato Palau: a verdadeira Política se decide na presença de Deus

Detalhe da Disputa do Ssmo Sacramento,  Rafael Sanzio (1483-1520), Stanza del Sello, Vaticano.
Santos e doutores trocam ideias sobre o Santíssimo, mas participam filósofos e artistas até anticristãos.
O Beato Palau imaginava a humanidade aos pés de Deus digladiando
em torno das maiores questões - a Política - da qual depende o mundo.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Pe. Palau via na Revolução universal conduzida pelo demônio contra Cristo e a Igreja o grande assunto político em torno do qual giram as questões realmente importantes.

Ele não pensava na agitação mesquinha dos políticos profissionais ou dos jornais de seu tempo, mas da Política com P maiúsculo.

Ou seja, aquela na qual se debate o mais precípuo dos fins terrenos do homem: o bem comum na prática das virtudes e seu destino eterno no Céu, ou, por oposição, o caos revolucionário e a perdição irrevogável no inferno.

Segundo ele, a política é por excelência um assunto para as inteligências. Nela não participam os seres sem intelecto.

Mas insistia que os ímpios e os míopes supõem que nela só participam as inteligências humanas, quando na realidade participam também as angélicas e as demoníacas. E, por cima de todas elas, o Juiz Supremo do universo e sua Corte celeste.

Sendo a Revolução a questão política central da qual depende o destino do mundo, o Beato Palau fazia estas interrogações:

O que fará Deus? Deixará tudo ser tragado pela Revolução? Destruirá o mundo em virtude do pecado revolucionário? Ou, pelo contrário, em atenção a Suas promessas, o resgatará da conjuração de Satanás?

O bem-aventurado tinha certeza de que Deus preparava a restauração do mundo. Como o faria? Quando? O que faltava? Que fatores apressavam ou retardavam o momento em que Nosso Senhor dirá “basta” à Revolução?

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Mais santos e beatos que elogiaram
e recomendaram a aparição de La Salette

São João Maria Vianney: “Monsenhor, há poucos sacerdotes em vossa diocese que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”
São João Maria Vianney: “Monsenhor, há poucos sacerdotes em vossa diocese
que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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São João Maria Vianney

O célebre Cura de Ars, São João Maria Vianney (1786-1859), foi ordenado sacerdote na catedral de Grenoble, diocese da maravilhosa aparição. Ele foi acusado pelas maledicências de ser contra La Salette, sofrendo também análogas difamações.

Certa feita Maximin foi-lhe apresentado às pressas, e ocorreu um mal entendido que foi aproveitado contra os dois.

Tendo em vista desfazer essa confusão, Mons. de Bruillard, bispo de Grenoble, enviou carta ao santo sacerdote pedindo que desmentisse as murmurações.

Assim o fez São João Maria Vianney numa resposta onde podemos avaliar toda sua devoção à aparição:

“Ars, 5 de dezembro de 1850

“Monsenhor,

“Tenho uma grande confiança em Nossa Senhora de La Salette. Faço vir água da fonte. Abençoo e distribuo grande quantidade de medalhas e imagens representando esse fato.

“Distribuo pedacinhos da pedra sobre a qual a Santa Virgem teria sentado. Levo um pedaço continuamente comigo e até o fiz colocar num relicário.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Fátima: a Misericórdia e a Justiça de Nossa Senhora

Detalhe dos fiéis em Fátima olhando para o Milagre do Sol, em 13 de outubro de 1917
Detalhe dos fiéis em Fátima olhando para o Milagre do Sol, em 13 de outubro de 1917
Marcos Luiz Garcia

escritor, conferencista
e colaborador da ABIM







No dia 13 de setembro comemoram-se os cem anos da quinta aparição de Nossa Senhora.

eve-se ressaltar que nessa quinta aparição compareceram na Cova da Iria entre 15 e 20 mil pessoas.

Isso mostra de um lado como essas aparições se propagaram e, de outro, como Nossa Senhora já agia no fundo das almas visando atraí-las para a sua Mensagem salvadora.

Sempre solícita e procurando comover aqueles corações ávidos de Deus, nessa aparição Nossa Senhora se esmerou em apresentar algo de muito atraente, conforme relata a Irmã Lúcia em suas memórias:

“...o súbito refrescar da atmosfera, o empalidecer do Sol até ao ponto de se verem as estrelas, uma espécie de chuva como que de pétalas irisadas ou flocos de neve que desapareciam antes de pousarem na terra.

“Em particular, foi notado desta vez um globo luminoso que se movia lenta e majestosamente pelo céu, do nascente para o poente e, no fim da aparição, em sentido contrário”.

Portanto, um cenário maravilhoso para relacionar aquela manifestação com o Céu e, certamente, com o Triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Mais uma vez Nossa Senhora pediu-lhes que rezassem o Terço todos os dias para alcançar o fim da guerra, prenunciando assim sua misericórdia com o mundo pela cessação da primeira guerra mundial.

Em seguida, Ela disse: “Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo”.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

São João Bosco e a aparição de La Salette

São Pio X a Mons. Cecchini (bispo que presidiu os funerais de Mélanie): “E nossa santa?”. Foto colorida a posteriori
São Pio X a Mons. Cecchini (bispo que presidiu os funerais de Mélanie):
“E nossa santa?”.
Foto colorida a posteriori
Luis Dufaur
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Em posts anteriores tivemos ocasião de apresentar o testemunho de Santos que emitiram pareceres favoráveis à aparição de La Salette e, também da vidente Mélanie.

Entre eles sobressaem pela sua autoridade as atitudes do Beato Papa Pio IX contemporâneo da aparição, e São Pio X Papa de 1903 até 1914.

Veja mais: Opiniões favoráveis dos Papas São Pio X e Beato Pio IX sobre La Salette 

Também dedicamos um post especial ao depoimento de Santo Aníbal de Francia (1851-1927) que foi durante anos diretor espiritual da vidente Mélanie.

Leia mais: Santo Aníbal Di Francia: testemunha excepcional 

Consagramos este e o post subsequente a aprovações e manifestações de simpatia e devoção de outros santos canonizados pela Igreja, ou de almas de reconhecida virtude.