segunda-feira, 30 de março de 2020

Nossa Senhora e os Apóstolos dos Últimos Tempos

Santa Joana d'Arco na batalha de Patay.  Franck Craig (1874-1918), Musée d'Orsay, Paris.
Santa Joana d'Arco na batalha de Patay.
Franck Craig (1874-1918), Musée d'Orsay, Paris.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs










continuação do post anterior: Desgraças nos tempos do Anticristo e heroísmo dos fiéis perseverantes


Após descrever as linhas mestras do acontecer humano até o encerramento da história, Nossa Senhora introduziu no segredo um elemento novo.

Ela conclamou o aparecimento dos Apóstolos dos Últimos Tempos, uma legião de santos – ou uma ordem religiosa original – que há de ser suscitada pela Providência Divina para combater e derrotar a iniquidade revolucionária e sustentar o futuro Reino de Maria.

Assim diz o segredo de La Salette:

“Eu dirijo um premente apelo à Terra. Apelo aos verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos Céus.

“Apelo aos verdadeiros imitadores de Jesus Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens.

“Apelo aos meus filhos, meus verdadeiros devotos, aqueles que se deram a mim para que eu os conduza a meu divino Filho, aqueles que levo por assim dizer nos meus braços, que vivem de meu espírito.


“Enfim, apelo aos Apóstolos dos Últimos Tempos, aos fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo.

É chegado o tempo para que eles saiam e venham iluminar a Terra.

“Ide e mostrai-vos como meus filhos amados. Estou convosco e em vós, contanto que vossa fé seja a luz que vos ilumina nestes dias de desgraças.

“Que vosso zelo vos faça como que famintos da glória e honra de Jesus Cristo.

Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins”.

Quem serão estes Apóstolos dos Últimos Tempos? Mélanie julgou ser sua missão rezar, sofrer e trabalhar para sua vinda. E assim o fez até o fim da vida.

Ela morreu ciente de não os ter conhecido; mas, de outro lado, com a certeza plena de que eles haveriam de aparecer.


São Luís Maria Grignion de Montfort e os Apóstolos dos Últimos Tempos


São Luís Maria ensinou a escravidão de amor a Nossa Senhora e  anunciou a vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos
São Luís Maria ensinou a escravidão de amor a Nossa Senhora e
anunciou a vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos
Santos da maior envergadura viram profeticamente a vinda desses Apóstolos dos Últimos Tempos anunciados por Nossa Senhora em La Salette.

Nenhum tratou deles tão profundamente como São Luís Maria Grignion de Montfort.

Na Oração Abrasada ele pede a Deus:

“Lembrai-vos, Senhor, lembrai-vos da vossa Congregação que desde o princípio vos pertenceu, e em que pensastes desde toda a eternidade. (...)

“Suscitai homens de vossa destra, tais quais mostrastes a alguns de vossos maiores servos, a quem destes luzes proféticas, a um São Francisco de Paula, a um São Vicente Ferrer, a uma Santa Catarina de Siena, e a tantas outras grandes almas” .

No seu célebre Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, São Luís Grignion de Montfort apresenta uma visão divinamente inspirada do perfil moral desses apóstolos:

“Mas quem serão esses servidores, esses escravos e filhos de Maria?

“Serão ministros do Senhor ardendo em chamas abrasadoras, que lançarão por toda parte o fogo do divino amor.

“Serão sicut sagittae in manu potentis [como flechas na mão do poderoso] (Sl 126,4), flechas agudas nas mãos de Maria toda poderosa, pronta a transpassar seus inimigos.

“Serão filhos de Levi, bem purificados no fogo das grandes tribulações e bem colados a Deus, que levarão o ouro do amor no coração, o incenso da oração no espírito e a mirra da mortificação no corpo, e que serão em toda parte, para os pobres e os pequenos, o bom odor de Jesus Cristo.

“E para os grandes, os ricos e os orgulhosos do mundo, um odor repugnante da morte.

São Luís Maria redigindo o Tratado da Verdadeira Devoção
São Luís Maria redigindo o Tratado da Verdadeira Devoção
“Serão nuvens trovejantes esvoaçando pelo ar ao menor sopro do Espírito Santo; que, sem apegar-se a coisa alguma, nem admirar-se de nada, nem preocupar-se, derramarão a chuva da palavra de Deus e da vida eterna.

“Trovejarão contra o pecado, lançarão brados contra o mundo, fustigarão o demônio e seus asseclas.

“E para a vida ou para a morte, transpassarão lado a lado, com a espada de dois gumes da palavra de Deus (cfr. Ef 6,17), todos aqueles a quem forem enviados da parte do Altíssimo.

“Serão verdadeiros apóstolos dos últimos tempos.

“E o Senhor das virtudes lhes dará a palavra e a força para fazer maravilhas e alcançar vitórias gloriosas sobre seus inimigos. Dormirão sem ouro nem prata.

“E, o que é melhor, sem preocupações, no meio de outros padres, eclesiásticos e clérigos, inter medios cleros (Sl 67,14).

“E no entanto possuirão as asas prateadas da pomba para voar, com a pura intenção da glória de Deus e da salvação das almas, onde os chamar o Espírito Santo, deixando nos lugares em que pregarem o ouro da caridade, que é o cumprimento da lei (Rom 13,10).

“Sabemos que serão verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, andando nas pegadas de sua pobreza e humildade, do desprezo do mundo e caridade, ensinando o caminho estreito de Deus na pura verdade, conforme o santo Evangelho.

“E não pelas máximas do mundo, sem se preocupar nem fazer acepção de pessoa alguma, sem poupar, escutar ou temer nenhum mortal, por poderoso que seja.

“Terão na boca a espada de dois gumes da palavra de Deus.

“E em seus ombros ostentarão o estandarte ensanguentado da cruz. Na mão direita o crucifixo, na esquerda o rosário, no coração os nomes sagrados de Jesus e Maria. E em toda a sua conduta a modéstia e a mortificação de Jesus Cristo.

“Eis os grandes homens que hão de vir, suscitados por Maria, em obediência às ordens do Altíssimo, para que seu império se estenda sobre o império dos ímpios, dos idólatras e dos maometanos.

“Quando e como acontecerá? Só Deus o sabe!...

“Quanto a nós, cumpre calar, orar, suspirar e esperar: Expectans exspectavi (Sl 39,2)”.


Confluência histórica entre La Salette e o Tratado


O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem teve uma história que o aproximou de La Salette. O Tratado é a obra mestra de um dos maiores doutores marianos até nossos dias.

Ele coloca a escravidão de amor voluntária à Santíssima Virgem no cerne da verdadeira devoção a Nossa Senhora, e descreve os apóstolos dos últimos tempos como paradigmas dessa escravidão mariana.

São Luís Grignion o escreveu no início do século XVIII. Mas após sua morte em 1716 o manuscrito ficou esquecido e desapareceu. O próprio santo previu que assim haveria de suceder.

Esse desaparecimento durou mais de um século. O manuscrito foi encontrado em 22 de abril de 1842, enquanto eram reunidas as peças para o processo de beatificação do santo.

Ele foi editado pela primeira vez em 1843, ou seja, poucos anos antes da aparição de La Salette.

Túmulo de S. Luís Maria Grignion de Montfort,
St-Laurent-sur-Sèvre
A recuperação e publicação do Tratado convergiu providencialmente com a revelação de La Salette sobre os apóstolos dos últimos tempos.

A mensagem de La Salette e o Tratado  foram difundidos na mesma quadra histórica. 

No tocante aos apóstolos dos últimos tempos, La Salette confirma o Tratado.

E este fornece uma estrutura teológica, aprovada pela Igreja para a devoção mariana que melhor se coaduna com La Salette.

O Tratado é hoje uma obra consagrada, objeto de múltiplos elogios da Santa Sé.

Os Papas colocaram uma imagem de São Luís Grignion de Montfort na nave central da Basílica de São Pedro em Roma.

Mélanie, Maximin e os Apóstolos dos Últimos Tempos


Dos videntes de La Salette, Mélanie foi quem mais se estendeu sobre os apóstolos dos últimos tempos.

Mélanie teve uma visão sobre tais Apóstolos, e Nossa Senhora também ditou-lhe uma regra para eles.

Nota distintiva dos apóstolos dos últimos tempos seria seu espírito de luta contra os males morais verberados por Nossa Senhora em La Salette.

Mélanie relatou:
“Eu vi e compreendi que o bom Deus queria que esta ordem lutasse contra os abusos que levaram à decadência do clero e do estado religioso e à ruína da civilização cristã”.

Houve tentativas, todas elas infrutíferas, por parte de Mélanie e outros, de fundar ou, pelo menos, deixar estabelecidos fundamentos para a instauração do instituto dos apóstolos dos últimos tempos.

Entretanto não há até hoje nenhum instituto que responda ao apelo de Nossa Senhora.

Para esta lacuna pesou a perseguição contra La Salette.

Porém, chegado o momento de a Providência efetivar seus grandes desígnios, toda oposição humana torna-se estéril e vã.

Maximin deixou anotadas apenas algumas características desses apóstolos dos últimos tempos.

Cruzeiro nos Alpes
Numa carta de 1858 em que ele afastou as propostas de Mons. Ginoulhiac no sentido de silenciar o segredo de La Salette, sob pena de ser expulso (como acabou acontecendo), do seminário e não ser ordenado sacerdote, escreveu:

“Deus não haveria de me dar uma vocação sacerdotal, diametralmente oposta à vocação que me vem de Maria – a de fazer passar em todo lugar e sempre, de acordo com as circunstâncias, suas advertências a seu povo.

“Eu não teria outra coisa a fazer senão integrar a nova milícia religiosa que combate voluntariamente e sem entraves, mas também submeter-me a seus riscos e perigos, sem engajar em nada a responsabilidade dos pastores”.



continua no próximo post:


terça-feira, 24 de março de 2020

Anunciação: a festa dos escravos de Maria segundo o método de São Luis Grignon de Montfort

Corrente e Cruz de Nossa Senhora, Aparições de La Salette

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Em La Salette, Nossa Senhora apareceu usando uma Cruz e uma corrente todas especiais.

Mélanie, ela própria nos contou como eram:

“A Santa Virgem tinha uma belíssima cruz pendurada no pescoço.

“Essa cruz parecia ser dourada, mas digo dourada para não dizer que era folheada a ouro (...). Sobre esta cruz brilhantíssima havia um crucificado.

“Era Nosso Senhor com os braços estendidos sobre a cruz. Quase nas duas extremidades da cruz, de um lado havia um martelo e do outro uma torquês.

“A cor da pele do crucificado era natural, mas brilhava com grande fulgor.

“E a luz que emanava de todo seu corpo parecia dardos brilhantíssimos que perpassavam meu coração de desejo de me fundir n’Ele.

“Por vezes Cristo parecia morto.

“Ele tinha a cabeça inclinada e o corpo estava afastado, como a ponto de cair, se não fosse retido pelos pregos que o seguravam na cruz.

“Outras vezes Cristo parecia vivo.

“Tinha a cabeça erguida, os olhos abertos, e parecia estar na cruz por vontade própria.

“E em algumas ocasiões parecia falar”.

Geralmente interpreta-se o martelo como símbolo daqueles que pela sua má vida, pelo menosprezo da Lei divina e até pelo ódio, pregam ainda mais Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz.

Nesta concepção a torquês representa aqueles que, pelas suas boas ações, diminuem as dores de Nosso Senhor, e dentro de suas possibilidades tentam despregá-lo da cruz.

“A Santíssima Virgem – lembra ainda Mélanie – tinha duas correntes, uma um pouco mais larga que a outra.

“Da mais estreita estava pendurada a cruz à qual me referi.

“Essas correntes (é preciso dar-lhes o nome de correntes) eram raios de glória de grande brilho, que não é fixo mas faiscante”.

Crucifixo de Nossa Senhora, Aparições de La Salette
A corrente alude à devoção da sagrada escravidão a Nossa Senhora, segundou pregou São Luis Maria Grignion de Montfort.

O grande santo marial havia explicado essa devoção hoje tão espalhada, felizmente, em seu famoso "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem".

Porém, após a morte de São Luis Maria, dito Tratado não foi levado muito a sério e por fim desapareceu em meio aos desmandos, saques e profanações da Revolução Francesa.

Por isso ficou desconhecido de todos durante mais de cento e trinta anos (período de 1712 a 1842).

Tendo-se aberto o processo de beatificação de São Luis Maria, foram procurados todos os escritos do Santo, como é de praxe.

Foi assim que foi recuperado o Tratado desaparecido. O achado aconteceu pouco antes da aparição de La Salette.

Foi como se a Providência tivesse escolhido a aparição de Nossa Senhora para começar a difusão em grande estilo da devoção.

Então, a mensagem de La Salette e a devoção da sagrada escravidão de amor a Nossa Senhora, como ensinada no Tratado, ficaram indissociavelmente unidas.

Acresce que, como veremos, Nossa Senhora no fim de seu segredo em La Salette fez um apelo dramático pela vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos profetizados por São Luis Grignion no próprio Tratado e na admirável Oração Abrasada.

Nossa Senhora também propôs uma regra para esses Apóstolos dos Últimos Tempos, na qual parece estar se lendo ensinamentos de dito Tratado.









Introdução

Finalidade do “Tratado da Verdadeira Devoção”

Maria Santíssima é insuficientemente conhecida

Excelências das faculdades da alma de Nossa Senhora

Outras qualidades de Maria Santíssima

Devoção a Nossa Senhora: característica da santidade

Maria Santíssima é a Onipotência Suplicante

Necessidade da devoção à Santíssima Virgem

Papel de Nossa Senhora na Encarnação

O poder da oração de Nossa Senhora e a nossa vida espiritual

A cooperação de Nossa Senhora com Deus Filho

Devoção a Nossa Senhora e apostolado

A intimidade entre Nosso Senhor e Nossa Senhora aplicada à nossa vida espiritual

A confiança total em Nossa Senhora

A cooperação de Nossa Senhora com o Espírito Santo

Deus quer servir-se de Maria na santificação das almas

Necessidade da devoção a Nossa Senhora para a nossa salvação

Aplicações para o apostolado

Maria no mistério da Igreja. Primeira consequência: Maria é a rainha dos corações

Segunda consequência: Maria é necessária aos homens para chegarem ao seu último fim

Os apóstolos dos últimos tempos e o demônio

Maria, a mais terrível inimiga de Lúcifer

Os Santos dos Últimos Tempos

Os Apóstolos dos Últimos Tempos

Verdades fundamentais da devoção à Santíssima Virgem

A pretexto de não ofender a Nosso Senhor, destroem a devoção a Nossa Senhorar

Apresentar Nossa Senhora de um modo terno, forte e persuasivo

Características da escravidão a Nossa Senhora

Seremos escravos, ou de Deus ou do demônio

Por que ser escravo de Maria, que é escrava de Deus?

A Mediação Universal de Nossa Senhora na obra de São Luís Grignion

Fatos que mostram a necessidade de protegermos de nosso fundo de maldade

A consciência da própria maldade, condição indispensável para a santificação

Escolha da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Os falsos devotos e as falsas devoções à Santíssima Virgem

A perfeita devoção à Santíssima Virgem ou a perfeita consagração a Jesus Cristo

Motivos que nos recomendam esta devoção

A devoção a Nossa Senhora aumenta nossas virtudes, unindo-nos sempre mais a Nosso Senhor

A graça de possuir uma grande intimidade com Nossa Senhora

A escravidão a Nossa Senhora dá valor incalculável às nossas boas obras

Figura bíblica desta perfeita devoção: Rebeca e Jacó

“Filho, dá-me o teu coração”



segunda-feira, 23 de março de 2020

Desgraças nos tempos do Anticristo
e heroísmo dos fiéis perseverantes

O demônio instrui o Anticristo. Luca Signorelli, catedral de Orvieto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








continuação do post anterior: Crise e queda do Reino de Maria profetizada em La Salette




Prossegue o segredo:

“Um precursor do Anticristo, com tropas de várias nações, guerreará contra o verdadeiro Cristo, único Salvador do mundo, derramará muito sangue e tentará aniquilar o culto de Deus, para se fazer cultuar como um deus”.

“A Terra será atingida por toda espécie de flagelos (além da peste e da fome, que serão gerais).

“Haverá guerras até a última guerra, que será movida pelos dez reis do Anticristo, cujo objetivo será o mesmo e serão os únicos a governarem o mundo.

“Antes que isto aconteça, haverá uma espécie de falsa paz no mundo. Não se pensará em outra coisa, senão em se divertir. Os maus se entregarão a toda sorte de pecados.

Combates contra o exército do Anticristo. Iluminura na Biblioteca de Toulouse
“Mas os filhos da Santa Igreja, os filhos da fé, meus verdadeiros imitadores, acreditarão no amor de Deus e nas virtudes que me são mais caras.

“Felizes essas almas humildes conduzidas pelo Espírito Santo! Eu combaterei junto a elas até que atinjam a plenitude da idade”.

“A natureza exige vingança por causa dos homens e estremece de pavor, na espera do que deve acontecer à Terra emporcalhada de crimes.

“Tremei, ó Terra, vós que fizestes profissão de servir a Jesus Cristo, mas que no vosso íntimo adorais a vós próprios.

“Tremei, pois Deus vos entregará a seu inimigo, porque os lugares santos estão imersos na corrupção.

“Muitos conventos não são mais casas de Deus, mas pastagens de Asmodeu e os seus [demônios].

“Durante esse tempo nascerá o Anticristo de uma religiosa hebraica, uma falsa virgem que terá comunicação com a velha serpente.

“E o mestre da impureza, seu pai, será bispo. Ao nascer, vomitará blasfêmias e terá dentes.

“Numa palavra, será o diabo encarnado. Dará gritos aterrorizadores, fará prodígios, alimentar-se-á só de impurezas.

“Terá irmãos que, embora não sejam como ele outros demônios encarnados, serão filhos do mal.

“Aos doze anos eles se farão notar pelas valorosas vitórias que obterão. Logo estará cada um à testa de exércitos, assistidos por legiões do inferno.

“As estações mudarão, a terra só dará maus frutos, os astros perderão seus movimentos regulares, a Lua não projetará senão uma débil luz avermelhada.

“A água e o fogo darão ao globo terrestre movimentos convulsivos e horríveis tremores de terra, que engolirão montanhas, cidades, etc.

“Roma perderá a fé e se tornará sede do Anticristo.

“Os demônios do ar, junto com o Anticristo, farão grandes prodígios na terra e nos ares. E os homens se perverterão cada vez mais.

“Deus tomará sob seus cuidados os fiéis servidores e os homens de boa vontade, o Evangelho será pregado por toda parte, todos os povos e todas as nações terão conhecimento da verdade”.

Tudo nesta parte se refere aos fatos que precederão o fim do mundo. Não visa os presentes dias, mas eventos que hão de ocorrer dentro de alguns séculos, mas cujo número desconhecemos.

Sobre a grandeza dos mártires que lutarão contra o Anticristo e seus exércitos, o venerável Pe. Bartolomeu Holzhauser, uma dos mais célebres comentaristas do Apocalipse, redigiu comentários tal vez inigualáveis.

A besta do mar, figura do falso-profeta que se apossa do Papado e vira antipapa. Tapeçaria do Apocalipse, Angers, detalhe.
A besta do mar, figura do falso-profeta
que se apossa do Papado e vira antipapa.
Tapeçaria do Apocalipse, Angers, detalhe.
Apocalipse V.7 - “E lhe foi permitido fazer guerra aos santos e os vencer; e lhe foi dado poder sobre toda a tribo, povo, língua e nação”.
“Isto se entende, antes de tudo, a respeito de todos aqueles que resistirão ao Anticristo, seus falsos profetas e falsos apóstolos. Finalmente, estas palavras aplicam-se a todos aqueles que pregarão e confessarão o Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado. (...)

“Mas a vitória da besta que surgirá dos abismos contra os santos, isto é, contra os homens justos, piedosos e tementes de Deus, será apenas temporária e limitada a esta vida mortal.

“Ela consistirá em:

“a) nos mais refinados prodígios e imposturas, e no aplauso da doutrina e da grande sabedoria do Anticristo, nos quais os judeus e todas as nações acreditarão unanimemente. Os homens preferirão essa doutrina à de Enoque e Elias que com todos os santos pregarão em mútuo acordo.

“b) Essa vitória consistirá no poder e no nervo da guerra na imensa extensão do império do Anticristo.

“E também na impiedade e na perfídia das nações e dos judeus, que fornecerão todas as ocasiões e toda a assistência necessária para fazer imolar os fiéis como se fossem ovelhas.

“Pois, naquele tempo, ninguém poderá confessar e pregar impunemente o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus.

“3º e lhe foi dado poder sobre toda a tribo, povo, língua e nação. Estas palavras mostram ainda o poder desse reino. Esse poder será tal, que nunca houve igual desde que o mundo começou”. (53-54 págs.)

V.8 - “E a adoraram todos os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro, que foi imolado desde a origem do mundo”.
“Este versículo confirma que todos os réprobos renderão culto de adoração à besta, e se separarão de Deus seu Criador, e de Cristo. Aqueles cujos nomes estão escritos no Livro da Vida são os eleitos.

“E o Livro da Vida é a presciência de Deus, perscrutador dos corações; presciência com que Deus dispôs seu reino desde a eternidade, e quer premiar a cada um segundo suas obras.

“É por isso que o apóstolo Paulo disse aos Romanos, VIII, 30:

“Aqueles a quem havia conhecido em sua presciência, também os predestinou para ser conformes à imagem de seu Filho, a fim de ele ser o primogênito entre muitos irmãos.

“E aqueles que Ele predestinou, eles os chamou; e aqueles que chamou, Ele justificou; e aos que justificou, Ele glorificou”.
(pág. 56)

Adoração da besta. Tapeçaria do Apocalipse, Angers, França.
Adoração da besta. Tapeçaria do Apocalipse, Angers, França.
“(...) Deus também permitirá que os ímpios e os tiranos prevaleçam contra sua Igreja e contra nós mesmos, uma vez que as perseguições não terão outros resultados para nós senão o de nos corrigir, nos justificar, e fazer-nos chegar mais rápido à felicidade suprema da vida eterna.

Eis por que Deus permite que os ímpios prevaleçam nesta vida, enquanto os justos e aqueles que mostram zelo pela causa de Deus são oprimidos e sucumbem nas mãos dos ímpios.

“Isto é, o que Deus vai permitir, especialmente no tempo do Anticristo, em relação a quem quer que combata pelo nome de Jesus Cristo.

“Seja pelas armas, por exemplo, tomando parte no exército dos cristãos, seja pela palavra, ou por qualquer outro meio; porque então o justo sucumbirá diante do poder da besta e será imolado. (pág. 58)

“(...) Naqueles tempos, o fim do mundo ter-se-á aproximado muito, e Deus permitirá que todos esses santos e bravos soldados que combaterão pela justiça e pela verdade sejam vencidos e imolados como vítimas para completar o número de mártires.

“Assim, nesses dias de dor, não se deve esperar nenhum poder e nenhuma vitória, senão a mais bela de todas as vitórias, o triunfo do martírio. (pág. 59)

“(...) Assim, a única vitória possível para os cristãos naqueles dias tão terríveis, consistirá em serem vencidos, perseguidos, torturados e condenados à morte mantendo-se fiéis, constantes e firmes, esperando contra toda a esperança na fé em Nosso Senhor Jesus Cristo”. (pág. 59)

Vs. 9 e 10 - “Quem tiver ouvidos, ouça. Aquele que levar outros para o cativeiro irá para o cativeiro; aquele que matar pela espada deverá morrer pela espada.

“Aqui está a paciência e a fé dos santos”.
Todo aquele que quiser resistir à besta pela força das armas sucumbirá.

Deus permitirá que aqueles que combaterem pela justiça e verdade sejam vencidos e imolados como vítimas para acumular o número dos mártires.

Não haverá vitória a esperar que não seja a do martírio.


Sobre a “abominação nos lugares santos” veja também:



continua no próximo post: Nossa Senhora e os Apóstolos dos Últimos Tempos


quarta-feira, 18 de março de 2020

Festa de São José, rei a três títulos sublimes,
Padroeiro da Igreja

São José, escola de Cuzco, século XVIII, Denver Art Museum.
São José, escola de Cuzco, século XVIII, Denver Art Museum.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







São José era, ao mesmo tempo, trabalhador manual, carpinteiro e como tal pertencente à camada mais modesta da sociedade.

Mas de outro lado, ele era descendente do rei Davi, e de toda uma linhagem de reis de Israel.

A Casa de Davi decaiu e, com o tempo, perdeu o trono, afastou-se do poder. Sua família continuou a morar em Israel, em Judá, mas cada vez menos influente, menos poderosa e menos rica.

Quando afinal nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo a Casa de Davi estava no auge de sua decadência.

Então, São José Operário pode ser e deve ser cultuado enquanto operário.

Mas pode e deve também ser cultuado enquanto príncipe da Casa de Davi.

O papa Leão XIII, que foi um dos Pontífices que mais inculcaram a devoção a São José, disse taxativamente que não só São José deve se cultuado também como modelo do príncipe, mas devia também ser o modelo, o ânimo, o estímulo de todos aqueles que pertencessem a grandes linhagens decadentes.

Na reviravolta das coisas de hoje, um diretor de sindicato é, o mais das vezes, mais poderoso do que um duque.

Mas no século da Civilização Cristã o nobre fazia parte da categoria dos poderosos.

A causa da nobreza de São José foi porque ele descendeu de três espécies de varões diferentes, dignos a três títulos diferentes: o corpo, o espírito e as coisas celestes.

São José era nobre segundo o corpo porque era descendente de rei.

São José Esposo, imagem de marfim na igreja de Santo Agostinho, Manila
São José Esposo, imagem de marfim
na igreja de Santo Agostinho, Manila
Ele era nobre segundo o espírito porque era descendente de sacerdotes. Sabemos que os sacerdotes da Antiga Lei podiam casar.

E era nobre segundo as coisas sobrenaturais, porque era descendente de profeta. Ora, o profeta prediz o futuro e predizer o futuro é uma coisa celeste.

De maneira que descender de reis, profetas e sacerdotes essa é a mais alta nobreza que uma pessoa possa ter.

É mais alto do que descender só de reis, é mais alto do que descender só de sacerdotes, é mais alto do que descender só de profetas.

O rei é o Chefe de Estado. O Estado cuida, entre os homens, daquilo que diz respeito ao corpo.

O sacerdote faz para a alma o que o Estado faz para o corpo. Ele cuida das coisas da alma, do espírito.

O profeta é o representante de Deus, o porta-voz da palavra de Deus.

Então, São José tinha as três causas mais altas de nobreza, representativa dos três aspectos da vida do homem: o aspecto material, o aspecto espiritual e a representação de Deus.

Nossa Senhora é Rainha do céu e da Terra não por uma imagem, mas Ela é a efetiva e autêntica Rainha do Céu e da Terra.

Ora, aquele que se casa com a Rainha de todo o universo é nobre evidentemente.

Mas São José não foi apenas o Esposo de Nossa Senhora; ele foi o pai do Menino Jesus.

Ora, ser o pai do Filho de Deus é a mais alta honra a que um homem possa chegar, depois da honra de ser a Mãe do Filho de Deus, que é, evidentemente, uma honra maior.

Quer dizer, ele não só foi nobre porque se casou com Nossa Senhora, mas porque Nosso Senhor o investiu na mais alta função de governo que possa haver na terra abaixo de Nossa Senhora.

Ser o pai do Menino Jesus, governar o Menino Jesus e governar Nossa Senhora é mais do que governar todos os reis e impérios do mundo!

São José, dito El Parlero, narrava a Santa Teresa as faltas das freiras. De tanto falar falar ficou milagrosamente com a boca aberta, Mosteiro da Encarnacão, Ávila
São José, El Parlero, narrava a Santa Teresa as faltas das freiras.
De tanto falar falar ficou milagrosamente com a boca aberta,
Mosteiro da Encarnacão, Ávila
Ora, isso não lhe veio só do casamento, Deus o escolheu para isso. Compreendemos então a nobreza excelsa que lhe vinha disso.

Não era adequado que o Filho de Deus convivesse com um homem que não tivesse, ao mesmo tempo, as duas nobrezas: a da alma e a do sangue. E esse homem foi São José.

Deus de fato ama eminentemente a humildade. Mas a humildade não é só a virtude dos plebeus; é também a virtude dos nobres, porque é a virtude dos grandes e também dos pequenos.

O que é a humildade? A humildade é a verdade. É humilde aquele homem que olha para si, reconhece a verdade a respeito de si mesmo, se contenta com o que é, não quer ser mais nem menos do que é, porque Deus Nosso Senhor o colocou na posição que ele tem. Isso é ser humilde.

E por isso, uma pessoa pode ser muito humilde, embora sendo muito grande.

Se a grandeza fosse incompatível com a humildade, colocando Nossa Senhora em tal grandeza Deus teria impedido Nossa Senhora de ser humilde.

Ora, Ela foi humilde até o fim da vida, sendo a maior das meras criaturas. Logo, entre a grandeza e a humildade não há incompatibilidade.

Tanto é verdade que a grandeza e a humildade não se excluem, que em Nosso Senhor tiveram uma aliança admirável.

Ninguém na vida foi mais humilde do que Nosso Senhor Jesus Cristo, mas ninguém teve grandeza maior do que a dEle.

Qual foi um lance da vida de São José em que ele levou a lógica até o heroísmo?

Foi o episódio muito conhecido, quando ele viu que Nossa Senhora tinha concebido um filho do qual ele não era pai.

Ele foi colocado diante de uma situação absurda, pois Nossa Senhora era evidentemente santa. Disso ele não podia duvidar, porque a santidade dEla reluzia de todos os modos possíveis.

Em vez de denunciá-La como ordenava a Lei hebraica, ele pensou na única saída lógica:

“Quem está de mais nesta casa não é essa Mãe, que aqui é a dona e rainha; nem o filho que Ela concebeu. Alguém está de mais, e esse alguém sou eu. Vou abandonar a casa e sumir. Não compreendo tal mistério, mas contra ele não me levantarei. Passarei meus dias longe, venerando o mistério que não entendi”.

E resolveu, quando fosse meia-noite, abandonar a casa, fugir, deixando Nossa Senhora com o fruto de suas entranhas.

Considerem a calma de São José que só os homens lógicos a têm. Ele tinha que abandonar o maior tesouro da Terra, que era Nossa Senhora. E isso representava um sofrimento imenso, inimaginável.

O Evangelho narra que ele estava dormindo, quando apareceu o anjo em sonho e lhe deu a explicação.

Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é (obra) do Espírito Santo.

Dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1, 20-21).

O anjo apareceu-lhe e explicou a situação. Ele continuou o sono. Amanheceu e a vida prosseguiu normalmente.

Suma normalidade, suma coerência, suma lógica!


(Excertos de comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, palestra de 19 de março de 1976, sem revisão do autor)


segunda-feira, 16 de março de 2020

Crise e queda do Reino de Maria profetizada em La Salette

Os anjos conduzem as almas santas ao Céu. Detalhe do Juízo Final de Fra Angelico (1395 – 1455), convento de San Marco, Florença
Os anjos conduzem as almas santas ao Céu.
Detalhe do Juízo Final de Fra Angelico (1395 – 1455),
convento de San Marco, Florença
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: Segredo de La Salette: intervenção dos anjos e triunfo inaudito da Igreja




Como vimos no post anterior, em La Salette Nossa Senhora profetizou o fim da maldade dos presentes dias.

Por uma intervenção fulgurante dos santos anjos enviados por Jesus Cristo a iniquidade será enxotada da Terra, não sem grandes cataclismas.

Essa previsão do triunfo da Igreja entra numa harmonia admirável com o Reino de Maria antevisto por São Luís Grignion de Montfort, autor do Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora.

Deus também comunicou a futura vinda desse Reino de Maria a numerosas almas santas que citamos no nosso blog.

Porém, esse Reino de Maria terá seu fim, como toda era histórica. Sua duração não a conhecemos mas estará na dependência da fidelidade dos homens. Quando essa afrouxar, o Reino de Maria será encerrado por nova decadência.

Por isso, continua o segredo:

“Esta paz entre os homens não será longa. Vinte e cinco anos de safras abundantes lhes farão esquecer que os pecados dos homens são a causa de todas as desgraças que sucedem na terra”.

O que significa, em unidades de tempo, que essa época pacífica “não será longa”?

Mélanie esclareceu que essa era de paz duraria um “número bastante grande de gerações”.

Habitualmente se calcula 25 anos por geração. O que seria um “número bastante grande” delas para Mélanie? 20? 30? 40? Ou seja, 500, 750, 1000 anos?

Uma certa imprecisão fica pairando, provavelmente ligada à fidelidade dos homens. Quanto maior for esta, mais longa será a era de paz.

Os “vinte e cinco anos de safras abundantes” sugerem que, na fase final daquela feliz era de catolicismo, haverá anos de extrema abundância, em que tudo estaria tão bem, que parecerá não haver mais necessidade de lutar contra o pecado. Será um engano.

O relaxamento moral tomaria então conta do mundo, num clima enganoso de distensão e abundância mal aproveitada.

Mélanie refere-se a esta transição histórica pouco mais adiante, onde diz:

“Falsa paz no mundo, não se pensará em outra coisa senão em se divertir, os maus se entregarão a toda sorte de pecados”.

O Pe. E. Combe, que conheceu Mélanie nos últimos anos de vida, recolheu as seguintes afirmações da vidente:

Construção de uma catedral em que participam em grande harmonia desde o Papa, cardeais, religiosos, reis, ricos homens e populares
Construção de uma catedral em que participam em grande harmonia
desde o Papa, cardeais, religiosos, reis, ricos homens e populares
“Até o fim do mundo as leis continuarão cristãs. Não haverá perseguição legal.

Durante um número bastante grande de gerações, todos os homens serão bons cristãos.

Mas pouco a pouco eles começarão a se deixar levar pela tibieza, depois pelo esquecimento de Deus, e por fim incorrerão em grandes crimes.

As leis cristãs, que o braço secular terá feito observar com grande severidade, pouco a pouco acabarão por não ter mais aplicação em virtude de uma falsa misericórdia em relação àqueles que as violarão.

Os bons não serão mais protegidos.

“Eles se tornarão o objeto de todas as humilhações, de todas as chacotas. Eles sofrerão muito por causa da sociedade e da opressão dos ruins, e serão pouco numerosos”.

continua no próximo post: Desgraças nos tempos do Anticristo e heroísmo dos fiéis perseverantes


segunda-feira, 9 de março de 2020

Segredo de La Salette: intervenção dos anjos e triunfo inaudito da Igreja

Vitória dos Anjos fiéis, Pieter Bruegel  (1525-1569),
Royal Museums of Fine Arts, Bruselas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: Nosso Senhor mostra a Santa Maria de Jesus Crucificado a conjuração para aniquilar Roma e Paris




Após anunciar os castigos que acarretarão entre outras coisas, a destruição futura de Paris, Marselha e grandes cidades, o Segredo completo de La Salette prossegue anunciado um triunfo inaudito da Igreja:

“Os justos sofrerão muito. Suas orações, sua penitência e suas lágrimas subirão até o céu e todo o povo de Deus pedirá perdão e misericórdia.

“E pedirá minha ajuda e intercessão.

“Jesus Cristo, por um ato de sua justiça e de sua grande misericórdia em relação aos justos, ordenará a seus anjos que deem morte a todos os seus inimigos.

“De repente os perseguidores da Igreja de Jesus Cristo e todos os homens entregues ao pecado perecerão, e a Terra tornar-se-á como um deserto”.

Na redação de 1851, depois de anunciar a apostasia de três quartos da França, Maximin escreveu:
“Após isso as nações converter-se-ão, a fé se reacenderá por todo lado.

“Mas antes que isto advenha, acontecerão grandes abalos na Igreja e por todo lado”.

Tudo considerado, junto com o aniquilamento dos maus, hão de se completar as conversões dos que serão salvos.

Mas como poderiam acontecer estas conversões em meio a uma humanidade tão pecadora e tão punida?

Mélanie confidenciou ter recebido luzes de Nossa Senhora a respeito. Porém não podia dá-las a conhecer.

Interrogada por que não desvendava isto, respondeu:

“Porque contém tais segredos da misericórdia divina.

“Conhecendo-os, os homens, em lugar de rezar para conjurar os acontecimentos, terão pressa de vê-los chegar a fim de poder gozar mais cedo o triunfo inaudito da Igreja”.

O Beato Pio IX leva a tocha da fé à Inglaterra numa visão de São Domingos Sávio. Maria Ausiliatrice, Turim.
O Beato Pio IX leva a tocha da fé à Inglaterra
numa visão de São Domingos Sávio. Maria Ausiliatrice, Turim.

Conversão de uma grande nação protestante


Nesta conversão magna terá destaque uma grande nação do norte. Maximin, em 1851 disse dela:

“Um grande país no norte da Europa, hoje protestante, se converterá. Pelo apoio desta nação todos os outros países se converterão”.

Confira: As promessas de Nossa Senhora, visões de santos e a conversão dos anglicanos

Na versão de 1853, Maximin escreveu que este país seria a Inglaterra.

São João Bosco informou ao Papa Pio IX uma visão análoga de São Domingos Sávio sobre o retorno da Inglaterra ao catolicismo.

O venerável Bartolomeu Holzhauser, célebre por seus dons proféticos, também previu esta conversão.

Em 1665 ele esteve com Carlos II da Inglaterra em Geisheim, quando o rei retornava a seu país após a decapitação de seu antecessor Carlos I.

Disse-lhe que a Inglaterra voltaria à fé católica, prestando à Religião serviços ainda maiores do que depois de sua primeira conversão.


Triunfo da Igreja nas almas, reinado do Evangelho


Após essa divina intervenção, o segredo aponta para uma era em que a Igreja reinará sobre a Cristandade restaurada.

“Então será feita a paz, a reconciliação de Deus com os homens. Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado.

“A caridade florescerá por toda parte. Os novos reis serão o braço direito da Santa Igreja, a qual será forte, humilde, piedosa, pobre, zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo.

“O Evangelho será pregado por toda parte e os homens farão grandes progressos na fé, porque haverá unidade entre os operários de Jesus Cristo e os homens viverão no temor de Deus”.

São Luís Grignion de Montfort escrevendo
o Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora.
St. Laurent-sur-Sèvre
Esta previsão do triunfo da Igreja tem uma harmonia admirável com o Reino de Maria profetizado por São Luís Grignion de Montfort, grande doutor mariano do século XVIII:

“Vossa divina fé é transgredida – exclama o santo na sua Oração Abrasada – vosso Evangelho desprezado.

“Abandonada vossa religião. Torrentes de iniquidade inundam toda a terra e arrastam até os vossos servos.

“A terra toda está desolada. A impiedade está sobre um trono. Vosso santuário é profanado e a abominação entrou até no lugar santo.

“E assim deixareis tudo ao abandono, justo Senhor, Deus das vinganças?

“Tornar-se-á tudo afinal como Sodoma e Gomorra? Calar-vos-eis sempre?

“Não cumpre que seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu? E que a nós venha o vosso reino?

“Não mostrastes antecipadamente a alguns de vossos amigos uma futura renovação de vossa Igreja?

“Não devem os judeus se converter à verdade?

“Não é esta a expectativa da Igreja? Não vos clamam todos os santos do céu: Justiça! Vindica?

“Não vos dizem todos os justos da terra: Amen, veni, Domine! Não gemem todas as criaturas, até as mais insensíveis, sob o peso dos inumeráveis pecados de Babilônia, pedindo a vossa vinda para restabelecer todas as coisas?”



continua no próximo post: Crise e queda do Reino de Maria profetizada em La Salette


segunda-feira, 2 de março de 2020

Beato Palau: o poder do diabo na Rússia
e os Apóstolos dos Últimos Tempos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Continuação do post anterior: Beato Palau: o comunismo montando o cisma russo prepara a vinda do Anticristo



A igreja cismática russa é chamada igreja ortodoxa (IO). Mas o adjetivo ortodoxo vem de ortos, quer dizer regra, e doxus, doutrina, ensinamento. Então a igreja que tem o reto ensinamento.

Mas, isso ela não tem. A verdadeira Igreja ortodoxa é a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana. Só Ela tem o privilégio de ensinar a verdadeira doutrina em nome de Deus a todas as almas.

Durante o czarismo essa IO era um tal caos contínuo que o embaixador francês Maurice Paleologue conta que antes da I Guerra Mundial, seus seminários tinham muitos candidatos, mas a IO não tinha força para que perseverassem solteiros.

Enquanto o fulgor do celibato sacerdotal brilhava na Igreja Católica, a IO não tinha virtude nem espírito sobrenatural para segurar um grande número de sacerdotes célibes.


A submissão ao ditador do momento explica o 'Patriarcado de Moscou'. Desde Stalin, funciona como instrumento de repressão religiosa.
A submissão ao ditador do momento explica o 'Patriarcado de Moscou'.
Desde Stálin, funciona como instrumento de repressão religiosa.
O ‘Patriarcado’ ressurgiu na pessoa do patriarca Tikhon acompanhando a revolução bolchevista de 1917, com a qual partilhava a repulsa dos czares. Ele foi reconhecido pelo Soviete dos Comissários do Povo em 5 de fevereiro de 1918, incipiente governo leninista.

Porém sua existência nadou na confusão. Nas chacinas da guerra civil que sucedeu à revolução de Lenine o número de sacerdotes diocesanos cismáticos caiu de 50.960 para 5.665. Por volta de 90.000 monges também foram massacrados ficando apenas algumas centenas. 

Das 40.500 igrejas e 25.000 capelas que possuía o clero cismático sobraram apenas 4.255 devastadas pelo ódio dos sovietes contra tudo que falava de religião.

O ‘Patriarcado’ protestou contra a imensidade dos crimes e destruições antirreligiosas. Como punição, em 5 de maio de 1922 Tikhon foi encarcerado.

Mas foi liberado logo, em 1923, após prometer que “a partir de agora não sou um inimigo do poder soviético”. Tikhon morreu em 1925, quiçá envenenado, e do ‘Patriarcado’ ficou uma sombra.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Stálin precisava motivar o povo a combater numa guerra muito mortífera e impopular. Então, o ditador soviético reinstituiu o espúrio ‘Patriarcado’ em 1943 em troca de sua colaboração com o poder comunista e apoio a seu engajamento na II Guerra Mundial.

O ‘Patriarcado de Moscou’ serviu a propaganda do regime fazendo-o aparecer tolerante com a religião diante das nações estrangeiras, sobre tudo os EUA.

Stálin precisou também do ‘Patriarcado’ para submeter às comunidades cristãs e outros 'patriarcados' cismáticos nos países e territórios anexados ou ocupados pela União Soviética no conflito mundial.

Desde então, o ‘Patriarcado’ subsistiu como instrumento de consolidação do socialismo soviético.

Ele foi o agente da URSS para a perseguição do rito greco-católico ucraniano, confiscando seus bens com o falso pretexto de que todo o clero católico tinha aderido ao 'Patriarcado'.

Cfr. Wikipedia, verbete Igreja Ortodoxa Russa

A profunda decadência e degradação dos “popes” da IO


Os “popes”, como se denomina aos sacerdotes da I.O., ganhavam dinheiro para ouvir confissão. E lá era diferente: o “pope” e o penitente ficavam em pé.

O penitente cochichava nos ouvidos do “pope” que, no fim dava uma absolvição e o habilitava a comungar.

Mas, com frequência, quando o “pope” censurava os maus costumes, o penitente dizia: “Lá fora eu vou te esperar, e eu vou pagar em você o que você está me dizendo agora”.

Lá fora, procurava o “pope” que frequentemente estava bêbado e metia uma surra nele.

Nos seminários havia frequentemente revolta dos alunos contra os professores puxadas a tiro de revólver em que os mestres tinham que sair correndo e se esconder nos dormitórios para não serem massacrados pelos alunos.

Foi assim que quando a revolução social começou a ferver, o descontentamento pululou, e o partido comunista foi fermentando.

Por quê? Por causa de um pecado enorme. Qual? Estavam rompidos com Roma.

Por orgulho, o patriarca de Constantinopla que era iniciou o cisma que deu na Igreja russa, se colocou em declarada independência contra o Papa.

E daí veio a ruptura da unidade da Cristandade. Houve duas Igrejas cristãs: a Igreja Católica verdadeira e a igreja herética que são os cismáticos.

A igreja herética caiu nesse abismo moral, enquanto no Ocidente a Igreja Católica ia voando nos céus da Idade Média, com os seus santos, seus doutores, suas catedrais e mosteiros, e com a civilização cristã florescendo na Europa.

O monge curandeiro Rasputin foi um exemplo da influencia satânica sobre a Rússia por meio da Igreja Cismática
O monge curandeiro Rasputin foi um exemplo do
poder satânico sobre a Rússia por meio da Igreja Cismática
O contrário aconteceu nessa enorme senzala que era o mundo escravo das nações subordinadas à IO.

Mas, o Beato Palau não via nisso apenas a decadência de uma seita separada da Igreja.

Denunciava que o demônio se tinha apossado dela e tinha feito dela um de seus instrumentos mais poderosos no plano da conquista diabólica da Cristandade. E da Igreja Católica portanto.

O profético bem-aventurado deplorava a curteza de vista dos católicos que não viam quanto o cisma russo servia o plano da Revolução satânica.

Ele via então a cada vez mais premente necessidade do exorcismo para derrotar os poderes infernais.

Porque esses poderes são os que transmitem ordens e forças às forças revolucionárias.

E então, como se um destino inelutável as conduzisse, as minorias revolucionárias vão derrubando monarquias, democracias e quaisquer outros regimes legítimos nascidos sob a bênção da Igreja Católica.

Então a luta pela restauração dos governos legítimos em todas as suas formas históricas, desde as mais nobres monarquias até os mais simples e simpáticos governos de democracia direta como os cantões suíços, pressupõe a vitória da Igreja sobre os grandes malfeitores infernais.

O Beato Palau pensava muito na sua Espanha natal, onde o legitimismo carlista teve tudo para restaurar a ordem tradicional.

Porém foi vencido por um “fado fatal” que não era outra coisa senão um bafo infernal que impulsionava os revolucionários.

Por toda parte, os melhores sistemas, amados pelos povos, caíam como por desgraça. Mas, não era má sorte e sim a obra de conjurados ao serviço da Revolução dos espíritos satânicos.

Rasputin com hierarcas do Patriarcado de Moscou em Tsaritsyn, 1906
O imponderável fez pensar a muitos num conciliábulo das trevas.
“A revolução ultimamente [N.R. : segunda metade do século XIX] se nos apresentou armada com exércitos formidáveis e vemos que o Papa virou prisioneiro depois de perder a coroa de rei de Roma.

“Nessas guerras, do que nos serviram as armas, usadas pela política dos católicos?

“De nada: os católicos foram impotentes, cegos, errantes; nossos reis sucumbiram: a Igreja por si só é impotente para nos salvar dessas armas.

“Porque o fato histórico é que Satanás dirige o trabalho da Revolução, a sustenta, lhe dá força, poder, forma.

“Mas, a Igreja será coerente: o atacará numa guerra ofensiva e o derrotará. (...)

“Com que armas?

“Com aquelas que Cristo lhe deu, armas diretas contra seu inimigo jurado.

“Quais são essas armas?

“Pergunte a um exorcista que pratica, pergunte a ele como vencer o diabo.

“Ele responderá: na fé, no poder que temos sobre ele, no cumprimento de uma missão marcada neste preceito: “expulsai os demônios”.

(“Incendio de barracas en Barcelona”, El Ermitaño, Ano IV, nº 170, 8 de fevereiro de 1872)

Haveria de passar quase meio século desde a morte do Beato Palau até o cisma russo aderir formalmente ao comunismo, a fase mais aguda dessa Revolução iniciada por Lúcifer no Céu.

E haveriam de vir outras fases revolucionárias, como a inaugurada pela revolução de Maio de 1968, e o caos em que estamos mergulhados que, na visão do Pe. Palau, preparariam a vinda do Anticristo.

“Nos séculos X, XI e XII tudo foi cisma. Os costumes e a luz da fé foram corrompidos pelo cisma grego que se espalhou pelo norte e pelo leste da Europa:

“a Igreja grega caiu e as trevas estão longe de se dissipar das cortes da Grécia e dos czares da Rússia, pelo contrário, com o tempo elas se condensaram mais”.

(“Curso de la noche y el dia en el mundo intelectual”, El Ermitaño, Ano II, nº 4, 14 de fevereiro de 1869).

Degradação psicológica na IO introduzida por obra diabólica


Deslizar de preto/branco para cores.
A princesa Zinaida Nikolaevna Yusupova vestida com roupas da nobreza russa do século XVII, mãe do príncipe que matou a Rasputin.

O horrível crime dá ideia do ambiente religioso na igreja cismática russa.

Custa imaginar como um povo que podia gerar tanta cultura pudesse afundar sob o poder do diabo.

Compreende-se que Nossa Senhora o tenha apontado como flagelo do mundo, mas também quisesse converte-lo após terríveis correções, como falou em Fátima.

É difícil imaginar o poder que pode adquirir o príncipe das trevas sobre a psique de um povo inteiro, mas o Beato Palau insistia na realidade dessa posse diabólica de nações e até de igrejas inteiras.

O Dr. Plinio Corrêa de Oliveira comentou um exemplo da degradação psicológica introduzida pela influência diabólica e que em Ocidente pareceu mais uma peculiaridade psicológica do povo russo.

Tratou-se de um fato narrado pelo literato revolucionário francês Alexandre Dumas, que reproduzimos a continuação seguindo o relato de Dr.Plinio:

O grande romancista revolucionário, Alexandre Dumas, estava pela Rússia no século XIX colhendo material para sua reportagem, e visitou as masmorras dos cárceres russos para ver o sistema penitenciário.

Então contaram para ele o caso de um homem que tinha cometido um crime político e passou 30 anos isolado sem possibilidade de sair. Não falava com ninguém. Não tinha agasalho. Tinha apenas um cobertor ensebado que se desfazia. Ele vivia já meio gagá.

Depois veio o julgamento: condenado à morte. E lhe disseram: “Venha e suba porque são ordens do imperador”. Ele se enrolou como pôde naqueles trapos sujos e subiu.

Disseram-lhe: “Suba até o alto, tem ali um barco com uma guarnição militar”. Ele não ousou perguntar o que era, nem não era, nem nada. Subiu e encontrou o barco. Sinal do pessoal do barco: “entra aqui”. Ele entrou.

O barco andou pelo rio até onde as águas estavam paradas e geladas. Fizeram a ele sinal para descer e fizeram um sinal para ele abrir um buraco com uma pá.

O czar Nicolas II e a czarina Alexandra, últimos imperadores
assassinados numa explosão de ódio diabólico por mãos comunistas
Ele abriu o buraco afanosamente, quando terminou olhou para o chefe da guarnição do pelotão militar. Disseram a ele: “Jogue-se no buraco!”

Ele fez um sinal de que queria rezar. Ajoelhou-se, fez o nome do Padre, e durante um minutinho ele rezou qualquer coisa que ninguém sabe. Fez novamente o nome do Padre, chegou perto do buraco e jogou-se, e as águas do Neva o cobriram por toda eternidade.

Só quando os corpos ressuscitarem se saberá o que foi feito desse homem.

Pode haver destino mais cruel? Entretanto, a sujeição a que estavam expostos esses homens em geral, era dessa natureza. Vejam o que é um país governado de ponta a ponta nesse sistema.

O ilimitado poder imperial hipertrofiou a monarquia


Os Czares eram odiados pelos revolucionários da Europa inteira, que detestavam especialmente uma monarquia hipertrofiada até o pesadelo mais negro.

A autoridade imperial, que por sua natureza deve ser paterna e benévola à maneira dos monarcas do Ocidente, era, no fundo, a autoridade de um chefe de senzala mandando sobre milhões e milhões de escravos.

Esse ódio dos revolucionários levou-os a publicarem muita coisa exagerada, suspeita e unilateral a respeito do regime russo, mas não falsa.

Havia lugares onde entre o senhor e os escravos havia muita amizade, muita solidariedade, etc. Até o Czar era mais benquisto precisamente pelo povinho porque sentia menos o peso da sua autoridade.

No meio disso, a IO foi abandonando princípios dos mais sagrados para não ter complicações.

Por exemplo, o divórcio muito antes da Primeira Guerra Mundial. Por quê? Porque para a vida alegre e dissoluta do pecado, o divórcio é muito mais conveniente.

Os senhores têm aí a ideia do pacote enorme de pecados que os demônios depositaram na balança da Justiça de Deus inclinando-a para a condenação da Rússia na visão impressionante do Beato Palau no Ermitaño.

E o valor dos sacrifícios oferecidos por ela que levarão Deus a converte-la como a São Paulo, se cumprindo a profecia de Nossa Senhora em Fátima.

Mas até que o enviado de Deus, caracterizado pelo "espírito de Elias", não quebre o chefe infernal da Revolução, as tentativas de restauração de monarquias legítimas, e a legitimidade em geral, serão frustradas pelo poder dos anjos revolucionários.

“Vã é a esperança dos católicos nesse ou naquele outro príncipe.

“Repetimos; os reis católicos não voltarão a ocupar seus tronos enquanto Satanás não seja expulso do meio das nações que possui.

“Ele é dono da Turquia pelo Alcorão,

“pelo cisma ele é dono da Rússia,

“ele possui o centro da Europa por meio do protestantismo, em primeiro lugar pela Prússia e pela Inglaterra,

"Ele é dono da França, da Espanha e da Itália, pelo que chamamos de Revolução,

"Ele é dono das outras nações pelo paganismo antigo e moderno,

"Ele possui o corpo da sociedade atual por causa da apostasia de seus reis,

"Ele é dono até do povo católico pela corrupção dos costumes que o avilta,

“Nas altas regiões do poder, ele possui tronos, cetros e coroas.

“Mas não pôde derrotar a Mulher do Cordeiro, que com um punhado de homens corajosos aguarda impaciente o momento solene de lhe dar batalha e aniquilá-lo.

“Estes são os verdadeiros católicos: aqueles que mantêm a fé católica inteira e pura e não sufocaram o ardor da caridade que incendeia seus peitos.

“Quando eles entrem na batalha contra o verdadeiro inimigo da raça humana, todos os elementos católicos se porão em ação e vencerão”.

(“Porvenir de Roma”, El Ermitaño, Ano III, nº 93, 18 de agosto de 1870)

A Fé inabalável do Beato Palau se manifestou, entre outras coisas, na certeza que a Revolução anticristã, malgrado reunisse as maiores forças da iniquidade sobre a Terra, seria derrotada pelos Apóstolos do Últimos Tempos que Deus vai suscitar para essa missão.

“Em matéria de religião, as nações estão divididas em mil fragmentos ... lá temos o Alcorão na Turquia, o cisma na Grécia e na Rússia que reúne numa só cabeça o pontificado eclesiástico e o poder real,

“Existe a apostasia na Alemanha, na Inglaterra, pelo protestantismo, que não reconhece o império espiritual na cabeça do Papa,

“Existe a revolução que emancipa o homem de toda autoridade em nome da razão.

“Confundido o padre católico e misturado entre a multidão de apóstolos mentirosos, o homem fica envolto na mais completa escuridão.

“Antes que o império do mal se organize e forme como um só corpo, Deus enviará os últimos apóstolos, e eles direcionarão sua Palavra a judeus, mouros, cismáticos, protestantes, revolucionários, católicos infiéis, cristãos e anticristãos”. (...)

(“Cismas”, El Ermitaño, Ano IV, nº 175, 14 de março de 1872)

(Os comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira foram colhidos em palestra de 3/11/1994 e não foram revistos pelo autor)