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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Pelo “desditado mundo que pelo ódio e descrença, caiu na desgraça e na miséria”

Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: Pe.Reus: certeza dos fenômenos místicos litúrgicos surpreendentes



O espírito moderno banalizou a Santa Comunhão especialissimamente quando desde o Vaticano II se generalizou o mal costume de qualquer um comungar em qualquer estado inclusive no pecado mortal como se a Santa Comunhão fosse a mera partilha de um pão como outros.

Que diabólico erro!

O Pe. Reus nos deixou o exemplo do contrário: na Comunhão recebemos o Santíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E o próprio Deus se encarregou de lhe deixar esta tremenda verdade em evidencia.

Em 11 de setembro de 1942 “na Comunhão ... me vi numa espécie tipo fogo, porém não claro e brilhante como nas outras vezes. Contemplei como que um sol dentro do qual estava a Santíssima Trindade, ...

Santinho piedoso representa o Menino Jesus na Hóstia
Santinho piedoso representa o Menino Jesus na Hóstia
“De repente, percebi que meus braços se moviam lentamente para baixo e que traziam consigo aquele sol com a Santíssima Trindade. Queria resistir, para que o ajudante de Missa não percebesse ... Não consegui.

“Quando este sol celestial chegou mais ou menos ao alcance de minhas mãos, de repente, estava brilhante dentro de mim.

“Este é o efeito da Comunhão numa imagem visível: união com a Divina Majestade” (AeD, vol.4, nº3983)

O valor da Comunhão se estende a todo mundo, mesmo aos setores mais decadentes da humanidade pecadora, insistia o santo jesuíta, afastando a interpretação moderna da partilha comunitária.

Pelo “desditado mundo que caiu na desgraça e na miséria”


No Confiteor da Missa de 9 de outubro de 1942 “ofereci ao Divino Pai o precioso Sacrifício de Jesus Cristo para o desditado mundo, que por causa das guerras, [naquela data a II Guerra Mundial atingia um paroxismo] ódio e descrença, caiu na desgraça e na miséria.

Mais um testemunho de líder católico contemporâneo do Pe. Reus

"Minha Vida Pública":
uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história do Brasil e da Igreja

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que foi aluno dos jesuítas no Colégio São Luis, na atual avenida Paulista em São Paulo comentou do Pe. Reus:

O Prof. Plinio foi presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo e manteve estreitas relações com os líderes eclesiásticos e civis católicos do Brasil todo. Tirou da insignificância e dirigiu o jornal “O Legionário” – hoje “O São Paulo” – com difusão nacional.

É uma testemunha privilegiada contemporânea do Pe. Reus e cultivou valiosas amizades com padres jesuítas de São Paulo e também alguns de São Leopoldo.

Pela amizade com alguns noviços ou ex-noviços de São Leopoldo ouviu relatos da vida e dos fenômenos místicos extraordinários do Pe. Reus que corriam de boca em boca.

“Morou e morreu n0 seminário de São Leopoldo, um padre jesuíta de nome Reus, que eu não conheci pessoalmente e que levou uma vida muito apagada em São Leopoldo mas cujo eco não chegou a São Paulo.

“Eu fui largamente contemporâneo dele.

“Ele era mais velho que eu, mas quando ele morreu eu já era homem feito. Mas eu não ouvi falar dele.

“Foi só depois dele morto, aliás um pouco antes de ele morrer, que me falaram dele.

“Quando ele morreu me mostraram a fotografia dele, e ou eu me engano enormemente ou esse padre foi um verdadeiro santo.

“Eu sei que a sepultura dele, que deve ser provavelmente no cemitério de São Leopoldo é visitada continuamente por pessoas que depositam flores, pedem graças, etc., etc. e na minha caixa de relíquias eu tenho uma relíquia indireta dele, um pano que tocou nele.

“Eu osculo metodicamente cada dia uma das minhas relíquias e quando chega a vez do padre Réus eu osculo a dele com uma particular piedade”.

(Anotações de palestra de 12/6/82, sem revisão do Autor)
“Ao rezar: Misereatur vestri – Tenha compaixão de nós, pareceu-me que o Divino Pai derramava a sua misericórdia sobre a dor e a miséria do mundo.

“Na oferta da Hóstia, eu me vi diante do Divino Pai nas alturas, com o mundo em minhas mãos ... o universo em minhas mãos, rodeado de muitos anjos, que envolvem o sacerdote no santo Sacrifício ...

“como se o amável Salvador fizesse pessoalmente o que antes da Consagração só faz através da mão do Sacerdote, isto é, apresentar o universo ao Divino Pai, para implorar misericórdia” (AeD, vol.4, nº4011)

A Eucaristia atrai a misericórdia para os pecados abissais do mundo


Na 3ª meditação dos Exercícios Espirituais de 1943 focou os conceitos de Peccatum, diluvium – O pecado, o dilúvio.

“Tudo destruído, pela ira de Deus. Portanto, mantenha distância desta ira: Quod pefectus esse sciam, faciam – Farei o que for mais perfeito. (AeD, vol.4, nº4118)

“Na meditação desses conceitos “eu me vi imerso no mundo sobrenatural. ...

“uma visão da luta entre o bem e o mal, da terrível realidade da queda de tantas almas, um grito contínuo dos infelizes condenados e dos levianos da humanidade. ...

“Neste mundo, o sacerdote atua como salvador e mediador, o que é uma tarefa nada fácil.” (AeD, vol.4, nº4122)

O Menino Jesus na Eucaristia


Em 4 de setembro de 1944 “uma encantadora visão tive no êxtase antes da Comunhão. Segurei a santa Hóstia, com o Menino Jesus perceptível, ... vi como o Menino Jesus ergueu a mão e a estendeu a mim. ... Por um instante, tocou de leve o eu coração.

“No entanto ardor, o fogo, a dor na parte tocada foi de tal modo quente e forte, que soltei um suspiro alto, ...essa visão é preciosa, pois ela representa uma prova de que as visões são verdadeiras e me mantém vivo.

“Um resultado final dessa grandiosa graça foi um profundo ato de desprezo de mim mesmo” (AeD, vol.4, nº4741)

Como aparecia certas vezes o Menino Jesus na Missa ao Pe. Reus. (desenho dele)
Como aparecia certas vezes o Menino Jesus na Missa
ao Pe. Reus. (desenho dele)

Em 7 de outubro de 1944 “apareceu o Menino Jesus” na santa Missa e na festa dedicada à reparação ao Imaculado Coração da Mãe de Deus. Foi essa a razão que prevaleceu. ...

“A minha frente estava deitado o Menino Jesus de maneira visível. Nisso, de repente, ele ergueu os bracinhos para o alto, para a Mãe de Deus, e ela estendeu seus braços em direção do Menino no altar. ...

“Não poderia haver expressão mais bela. Que alegria sente a amável Mãe de Deus, quando a criança, em sua honra, se oferece no altar!” (AeD, vol.4, nº4791)



Continua no próximo post:


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 28 de março de 2022

Pe. Reus: seminaristas admiram coragem anti-relativista

Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Fiel à disciplina face a prenúncios de tempestade na Igreja



Mas a contestação de que falamos no post anterior não era geral, poderia ser atribuída com propriedade às minorias que ansiavam pela revolução eclesiástica que vinha se incubando e provocou a crise religiosa e litúrgica atual.

Um bom número de seminaristas ficou encantado com seus ensinamentos, criando uma nomeada de professor sério de Liturgia que se espalhou por todo o país de modo sem precedentes, como veremos.

Um deles escreveu: “O que nos penetrava o coração da instrução religiosa, eram as suas palavras cheias de unção, palavras que traiam íntima familiaridade com as coisas de Deus. Quantas vezes, depois da aula, eu ia à capela para agradecer a graça de ser aluno de um santo” (Kohler, op.cit, p.91).

Outros ressaltaram a “profunda emoção” que lhe suscitavam as matérias litúrgicas que ensinava e externava a vontade de consagrar o Brasil e a América a Deus.

Insistia na ordem, pontualidade, atenção e aplicação. “Seu olhar calava fundo, de modo que muitos achavam que ele lia na alma”, mas nas exposições sabia usar uma mímica, uma viveza e até uma veemência que, de caso pensado, provocava sonoras gargalhadas (Kohler, op.cit, p.92)

segunda-feira, 21 de março de 2022

Fiel à disciplina face a prenúncios de tempestade na Igreja

No túmulo do Padre João Baptista Reus SJ
No túmulo do Padre João Baptista Reus SJ
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Grandes fatos místicos surpreendem o Pe Reus


No seminário de São Leopoldo, os estigmas místicos ardiam cada vez com mais calor, mas ele aumentava as penitências.

Seu confessor lhe dizia que não se explicava naturalmente como podia suportar tanta abstenção do alimento. Pela santa obediência o Pe Reus renunciou a essas penitências.

O episódio foi revelador de uma das mais trágicas realidades: a futura revolução eclesiástica que germinava no desinteresse pelo heroísmo da santidade e no relaxamento disciplinar.

“O Superior da Missão tinha um informante, escreveu o Pe. Reus. Por causa das constantes queixas a ele dirigidas sobre minha penitencia, escreveu pessoalmente uma carta.

“Contudo eu nada tinha feito que fosse contra as licenças recebidas dele ... Foi-me muito penoso.

“Impulsionado por Nosso Salvador, querendo sempre fazer a sua vontade, consciente até os mínimos detalhes da santa obediência, sob luta constante contra mim mesmo, vi-me sozinho na luta, abandonado por todos importunado e atacado.

“Comuniquei isso ao meu confessor. Eu lhe disse mais ou menos o seguinte: tudo parece contra mim, todos querem segurar-me e ninguém me anima e ajuda.

“Contudo, assim creio, eu me ative fielmente às Constituições da Companhia de Jesus”. (AeD, vol 1. nº882)

segunda-feira, 14 de março de 2022

Grandes fenômenos místicos surpreendem o Pe Reus

Sagrado Coração de Jesus, bordado pelas dominicanas de Stafforshire
Sagrado Coração de Jesus, bordado pelas dominicanas de Stafforshire
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Em Rio Grande dobra os inimigos da Igreja



Por temperamento, o Pe Reus não era voltado para os fenômenos místicos, ainda que rodeados de todos os elementos de autenticidade.

Já destacamos seu perfil psicológico pró-militar e sua combatividade arriscando a vida contra os inimigos da Igreja em Rio Grande, numa época em que o assassinato de um padre por ódio à religião não era novidade.

Nisso o Pe. Reus estava nas antípodas dos misticismos fáceis e extravagantes que empestam o mundo até abusando do nome de católicos.

Desconfiava de fenômenos do gênero temendo enganos do demônio que age muito por trás de falsos fenômenos sobrenaturais.

O que ele de início qualificou “estranhos fenômenos” começaram, segundo suas anotações, em 27 de agosto de 1912 em Porto Alegre.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Pe Reus: em Rio Grande dobra os inimigos da Igreja

Padre Juan Baptista Reus SJ 26, Rio Grande 1907
Padre Juan Baptista Reus SJ, Rio Grande, 1907
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Nascimento e infância de um combativo místico


Após pisar terra brasileira em Rio Grande, o Pe. Reus e companheiros foram para o Colégio jesuíta que já existia em São Leopoldo. Ali ficou até abril de 1901 quando foi mandado para Rio Grande.

A cidade tinha um baixo conceito moral: a chegada constante de imigrantes de todas as línguas enchia as fábricas de mão de obra onde o recrutamento protestante, socialista e maçônico se fazia escancaradamente num tom agressivamente anticatólico.

O Pe. Reus foi acompanhado do Pe van Laak que fora processado caluniosamente por um suposto crime contra os bons costumes, que teria sido invenção do governador do estado Júlio de Castilhos.

O Pe van Laak foi inocentado pela Justiça, mas por prudência saiu clandestinamente para o Chile, com uma passagem emitida para “Reus”.

A ignorância religiosa era lamentável, o ódio contra o clero e a religião era pregado abertamente desde antros maçônicos.

Certa feita uma jovem italiana ingressou no convento das Carmelitas. O fato suscitou um furacão de ódio contra a Companhia de Jesus acusada de “escravização das consciências”.

A polícia teve que intervir para impedir um ataque ao convento do Carmo e a invasão da casa dos jesuítas.

“Quantas vezes fomos apupados na rua com alcunhas injuriosas ou alvejados com frutas podres” (Pe. Leo Kohler S.J., “Vida do Pe. João Baptista Reus”, Paulinas, 6ª ed.1960, p.67).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Nascimento e infância de um combativo místico

Casa natal do Pe Reus SJ 09 em Pottenstein.
Casa natal do Pe Reus SJ em Pottenstein.
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: O Pe. Reus e a revolução religiosa crepitando no Brasil



João Batista Reus nasceu na pequena cidade de Pottenstein, no reino de Bavária, Alemanha, na região denominada “Suíça de Francônia” na diocese dos bispos de Bamberg.

A casa onde viu a luz na rua principal (Hauptstraße nº 3) exibe uma placa: “Nesta casa nasceu o Padre João Batista Reus, SJ., em 10 de julho de 1868”.

O Pe. Reus nos fornece uma vívida descrição de uma região próxima da República Checa, onde sua aldeia muito católica fazia fronteira com aldeias protestantes.

Santa Isabel da Áustria morou transitoriamente na cidadinha desde 1228 a 1229, e muitos prédios e a praça principal ostentam com orgulho o nome da santa.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

O Pe. Reus e a revolução religiosa crepitando no Brasil

O Pe. Reus, jovem sacerdote
O Pe. Reus, jovem sacerdote
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Pe. Reus: um santo para curar a crise litúrgica católica



Já nos anos ’30 o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira via entrar nos ambientes católicos brasileiros um movimento revolucionário vindo da Europa que se desenvolvia também na liturgia.

Segundo esse a ordem hierárquica da Igreja ia ser superada pela vivência de um conceito igualitário, comunitário, como depois foi encarnado pelas subversivas e hoje quase extintas CEBs, e recuperado no conceito de “sinodalização”.

Tratava-se da penetração dos erros democráticos igualitários que infestavam as sociedades e os novos governos derivados da anticristã Revolução Francesa.

O santo Papa Pio X havia fulminado esses erros condenando o movimento francês Le Sillon que os tinha adotado se dizendo permanecer católico.