segunda-feira, 28 de junho de 2021

Soeur Marie des Vallées e a troca de vontade com Deus

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Soeur (Irmã) Marie des Vallées (15 fevereiro 1590 – 25 fevereiro 1656) foi uma leiga mística estigmatizada, conhecida como “a santa de Coutances”.

Nasceu no povoado de Saint-Sauveur-Lendelin, periferia da cidade de Coutances que ficou ligada a seu nome. Foi filha de camponeses, supõe-se que de pequenos nobres arruinados.

Foi chamada pela Providência para praticar e ensinar uma via espiritual de união da alma com Deus que foi adotada pelos maiores santos da França no século XVI e posteriores: a troca de vontades.

Os santos que adotaram essa via constituíram a espinha dorsal da guerra espiritual contra um aspecto desapercebido da Revolução gnóstica e igualitária que desde a renascença e o protestantismo estava tomado conta da França.

A mesma Revolução hoje devasta o mundo com subersões culturais, políticas, econômicas, sociais, etc.

Esses santos, muitos deles bem conhecidos por nós, adotaram a posteriormente denominada Escola Francesa de Espiritualidade que animou todas as reações contrarrevolucionárias e as impulsiona em nossos dias, e da qual Marie des Vallées foi uma excepcional inspiradora.

A Escola Francesa de Espiritualidade – termo do século XX – define a corrente francesa da Contra-reforma católica que tomou forma no Concílio de Trento.

Ela se distingue pelo acento na devoção ao Sagrado Coração de Jesus e na Infância Espiritual, concebida esta última não num sentido infantil, mas de saída radical de si, que retoma a mística medieval. Santa Teresinha do Menino de Jesus seria a máxima expressão desta Infância Espiritual.

Entre esses destacamos pela sua projeção mundial a São Vicente de Paulo (1581 — 1660); a São João Eudes (1601 — 1680), doutor da devoção ao Coração de Jesus, ao Coração de Maria; a São Luis Maria Grignon de Montfort (1673 — 1716), apóstolo da escravidão de amor a Nossa Senhora e profeta dos Apóstolos dos Últimos Tempos; a São Francisco Xavier de Montmorency-Laval (1623 –1708), bispo de Quebec que organizou a Igreja Católica no Canadá e na Nova França que incluía a região central dos EUA, New Orleans e Louisiana. E ainda falaremos de outros ao longo dos próximos posts.

Marie des Vallées foi chamada de Irmã Soeur em francês – não por pertencer a alguma ordem, mas seguindo um costume popular de aplicar as mulheres o apelativo de Irmã ou Mãe em sinal de consideração.

São João Eudes foi o único anotador e grande difusor da espiritualidade de Soeur Marie des Vallées
São João Eudes foi o único anotador
e grande difusor da espiritualidade de Soeur Marie des Vallées
São João Eudes seu diretor espiritual, foi o anotador de todas as visões e fenômenos místicos e, paradoxalmente, discípulo na troca de vontades.

A Irmã Marie des Vallées foi uma pobre camponesa sem escolaridade escolhida por Deus para fazer brilhar a luz divina.

Mas essa luz brilhou numa era que se vangloriava de ser o Século das Luzes, aliás naturalistas, laicistas e anticatólicas, mas no qual lavrava uma espantosa Revolução.

Portanto, numa era em que progredia o processo das trevas da iniquidade que haveria de estourar nas Revoluções Francesa e Comunista

Os fenômenos sobrenaturais, e também preternaturais, que marcaram sua vida foram tão extraordinários que os espíritos medianos do Grand-Siècle, século de esplendor cultural, mesmo católicos tenderam a nega-los de vez.

Em toda sua vida, na sua posteridade e até no presente Soeur Marie des Vallées foi objeto de furacões de descrédito, contestação, críticas e até furor progressista e revolucionário.

Esses vagalhões não provieram só dos arraiais heréticos ou revolucionários, mas também dos ambientes católicos relaxados ou eivados de erros.

Em sentido contrário, grandes santos e figuras do catolicismo assumiram sua defesa, adotaram seus conselhos e ensinamentos contidos em visões e revelações, fenômenos místicos extraordinários, possessões diabólicas, perseguições de toda espécie, milagres e profecias cumpridas e a se cumprir.

Essa incompreensão continua, mas diminuída pela percepção de que o mal que ela denunciou agora se mostra em patamares que prefiguram eventos apocalípticos.

A Soeur foi a inspiradora mística da reação católica numa Franca que culturalmente e religiosamente afundava por obra da conspiração de sociedades secretas impregnadas de iluminismo, neopaganismo e satanismo.

A decadência vinha de longe propulsada por um processo que eclodiu na Renascença e que haveria de dar na fúria igualitária e anticatólica da Revolução Francesa e tudo o que se seguiu, notadamente o socialismo, o comunismo e Maio de 68.

Soeur Marie des Vallées foi uma mística do fogo que pregou um incêndio de amor divino para reerguer o Reino de França e a Igreja afundados em assustadora decadência de costumes e nas piores abominações com forte infiltração satanista.

É claro que nosso século XXI que retorna a passos de gigantes ao paganismo ocultista haveria de tentar apagar sua mensagem, ou se voltar contra ela.

Soeur Marie des Vallées e o decreto divino contra o Pecado


Nos registros de São João Eudes encontramos a menção a um Supremo Conselho que teve lugar no Céu e do qual só participaram as três pessoas da Santíssima Trindade.

Enquanto esse estava reunido
se fez um imenso silêncio no universo, no Céu e também no inferno.

Sabia-se que se discutia um assunto da máxima importância, e até os demônios na terra ficaram estarrecidos porque percebiam que lhes concernia e queriam saber de toda forma o que estava sendo falado.

Afinal, Nosso Senhor comunicou a Soeur Marie a resolução tomada: o Pecado – portanto o processo universal de pecados – tinha sido julgado e sua condena fora proferida.


A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Jesus Cristo Deus e Homem, ficou encarregada de executar a sentença.

Mas eis que Nosso Senhor disse a Soeur Marie que não iria executá-la, ao menos logo, porque três grandes obstáculos O impediam.

A razão do paradoxo é que Nosso Senhor na hora de extinguir o Pecado e os maus não queria exterminar os bons misturados com os maus, como na parábola do joio misturado com o trigo.

Quais eram os obstáculos?

Nosso Senhor explicou: se Ele fosse cumprir a ordem ao pé da letra não sobrariam nem os bons.

Então ele queria remover neles os fatores que os mantinham enleados com os maus e assim poupar os salváveis.

Esses fatores são essencialmente três. E contra esses três tinha três frechas simbólicas. Para essa tarefa Ele queria o engajamento de Soeur Marie.

O primeiro obstáculo que é preciso remover é a moleza dos bons.

Para dar-lhe fim, o Pai Eterno preparava uma flecha que daria à alma do bom decadente uma força sobrenatural pela qual ele se ergueria generosamente da terra em que o pecado o mantém chafurdado.

O segundo empecilho é o desconhecimento da gravidade do Pecado que há nos bons. Nosso Senhor prepara uma flecha que comunicará a essas almas um raio de luz que as acordará do sono ao qual se entregaram, ficando moral e intelectualmente adormecidas nas trevas de uma ignorância culpada.

O terceiro é a falta de percepção por parte dos bons da malícia que há no Pecado. Contra isso o Espírito Santo prepara um sopro divino que acenderá suas inteligências e seus raciocínios.

Esse sopro fará que seu entendimento lhes apresente os terríveis juízos de Deus e a razão natural lhes faça ver a indignidade de uma criatura chamada a tantas belezas e perfeições eternas se revolver na lama como animal imundo.

Então as almas que jazem como corpos putrefatos mortos, malcheirosos e insuportáveis lavar-se-ão nas águas da contrição.

A Soeur Marie, em 12 de fevereiro de 1645, Nosso Senhor lhe prometeu uma marca que se imprimiria nela e que ficaria gravada em tudo o que ela dizia de tal maneira que ninguém poderia duvidar que era a Verdade.

O decreto trinitário da morte do Pecado, disse Marie, foi pronunciado na meia-noite do Natal de 1645, segundo comunicação de Nossa Senhora (p. 279).

Em abril de 1650, Nosso Senhor lhe explicou que a besta do Apocalipse de sete cabeças simboliza o pecado original e todos os pecados que procedem dele como consequência.

Mas desde aquele momento os dias dessa besta estavam contados porque o Pai Eterno fará descer sobre ela um dilúvio de fogo e enxofre para aniquila-la. (p. 280)

Soeur Marie tinha impulsos tremendos contra o Pecado visto como um todo, e os pecados individuais, e queria exterminá-los logo. Mas Nosso Senhor lhe explicou que não seria no século XVII em que vivia.

Nosso Senhor a tranquilizou dizendo sobre esse século que as “aflições daqueles dias não eram grande coisa e atingiam só os pequenos pecadores. Não eram mais do que uma preparação e uma disposição para uma outra tribulação espantosa que vai vir”.

Mostrou-lhe então uma taça de vinho estragado, acrescentando que faria os ruins beber até a borra (p.281).


Nota importante: Todas as citações desta série de posts, salvo indicação em contrário, foram extraídas de “La vie admirable de Marie des Vallées et son abrégé rédigés par Saint Jean Eudes, suivis de conseils d’une grande servante de Dieu”, Centre Saint-Jean-de-la-Croix, Mers-sur-Indre, França, 2013, 693 páginas.

Coleção “Sources mystiques”, textos presentados e editados por Dominique Tronc e Joseph Racapé, CJM.




segunda-feira, 21 de junho de 2021

Para pedir a Nossa Senhora de La Salette na pandemia

Nossa Senhora de La Salette, Butacan, Filipinas
Nossa Senhora de La Salette, Butacan, Filipinas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“A bela Senhora”, como a chamavam os dois pastores videntes, Maximino Giraud e Melanie Calvat, apareceu com profunda tristeza numa montanha de Salette, pedindo oração e penitência, e anunciando que não poderia sustentar o braço de seu Filho, prestes a castigar a humanidade por causa de seus pecados.

O fato ocorreu há muito mais de 100 anos. E foi uma das três aparições de Nossa Senhora que são como três montanhas altas de uma cordilheira.

Nessas três, Nossa Senhora confiou um segredo.

As três manifestações de Nossa Senhora foram reconhecidas pela Igreja. A primeira aconteceu em La Salette em 1846; a segunda em Lourdes em 1858; a terceira em Fátima em 1917.

E, se quiserem, a quarta em Siracusa, que é a mais recente em 1953.

A Igreja aceitou a ortodoxia de todas e as admitiu como festas dEla.

Em Siracusa, o episcopado mandou fazer um exame das lágrimas vertidas por uma imagem de Nossa Senhora numa casa familiar e verificou que eram lágrimas humanas.

Então reconheceu o milagre, mandou construir uma igreja e estabeleceu uma festa local.

Nestas quatro grandes aparições, dois têm segredos: La Salette e Fátima. Em todas, Nossa Senhora se manifestou profundamente entristecida com o estado da humanidade e preconizou um castigo tremendo que deveria vir.

Nossa Senhora das Lágrimas de Siracusa, durante a lacrimação
Nossa Senhora das Lágrimas de Siracusa, durante a lacrimação
Mas, padres, freiras, líderes católicos, estão muito alegres, julgando que a nossa época é muito boa e que as coisas estão correndo muito bem.

E acham que a ameaça de castigo das profecias é uma coisa absurda porque a religião está num progresso estupendo.

Em sentido contrário, os católicos sérios fazem o papel do indivíduo triste, preocupado, sombrio, pessimista, hipocondríaco, em face do indivíduo alegre, de nervos bem construídos, satisfeito, que tem uma opinião bonita a respeito das coisas.

É um papel duro porque para um gozador é sempre duro prever o castigo que está em vias de receber.

E não espanta que ninguém ou muito pouca gente esteja disposta a acreditar na dimensão política que provém do castigo, uma vez que as três mensagens de Nossa Senhora não foram adotadas.

As grandes catástrofes da História acontecem nas épocas que vão muito mal e que são avisadas, mas não dão ouvidos. Se elas prestassem ouvidos se emendariam e a catástrofe não viria.

A catástrofe sai porque elas não se emendam. Portanto os castigos previstos nessas quatro manifestações de fato vão ser realizados.

Em Siracusa houve um prodígio numa imagem de Nossa Senhora na casa de um casal.

É uma dessas imagens comuns feitas de gesso, colada sobre um pedaço de madeira junto à parede. E começou a verter lágrimas.

A figurazinha de gesso que representava Nossa Senhora, não falou.

Mas, como quem já não tem mais nada a dizer, se limitou a chorar.

A falta de palavras aí diz ainda mais do que quaisquer lágrimas.

Pode-se pensar: “mas, o milagre de Salette foi há mais de cem anos atrás. Onde estão os castigos que Nossa Senhora prenunciou?”

Os castigos começaram a vir. O mundo começou a se enchafurdar cada vez mais em revoluções e grandes guerras mundiais.

A guerra franco-prussiana de 1870 foi o prenúncio da grande guerra de 1914, porque nela a rivalidade franco-alemã tomou um apogeu que deu na I Guerra Mundial em 1914-1918 que, por sua vez, preparou depois a II Guerra Mundial 1939-1945.

E todos esses conflitos prenunciaram uma próxima guerra que pode ser atômica.

Nós devemos nos voltar para Nossa Senhora de La Salette e pedir que Ela mantenha bem firme em nossa alma a convicção de quanto a época atual anda mal.

Não sermos pessoas de uma religiosidade boba, ou otimistas de uma enganosa terceira posição “conservadora” só nas aparências.

Em segundo lugar, que Ela nos dê uma fé viva na realidade dos castigos que a humanidade está merecendo.

Em terceiro lugar, que Ela nos prepare para não sermos castigados, mas sermos aqueles que lutem pela a vitória e pela glória dEla.

Nossa Senhora chorou em La Salette não mais a crucifixão de Seu Filho, mas chorou a crucifixão da Igreja Católica.

Nesta época posterior ao Concílio Vaticano II nós vemos o esvaziamento das igrejas e a ausência dos sacramentos atingindo um auge com a pandemia.

Nós devemos então elevar a Nossa Senhora uma palavra piedosa de comiseração pelos homens que se perdem e de reparação pelas ofensas feitas ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria.

Devemos ser almas fiéis que não dobram os joelhos diante da impiedade triunfante, e que continuam dizendo que o mal é mal e que o bem é bem.

E que não pactuam com essa confusão e defecção monstruosa que vai se impondo como elemento dominador do universo.

É o que nós devemos pedir sempre, insistentemente, a Nossa Senhora de La Salette nesta hora em que o flagelo epidêmico leva centenas de milhares de vidas no Brasil e milhões no mundo sem receber os auxílios da religião.

(Fonte: adaptação de palestra do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 18.09.1965, apud PlinioCorrêadeOliveira.info)


O pranto de Nossa Senhora em Siracusa (documentário da TV italiana RAI)




segunda-feira, 14 de junho de 2021

1864: La Salette, a soltura de Lúcifer
e a oração para resistir aos demônios soltos

Em 1864 os demonios sairfiam do inferno para se apossarf do mundo e da Igreja. Luca Signorelli (1445 - 1523) Orvieto
Em 1864 os demônios sairiam do inferno para se apossar do mundo e da Igreja.
Luca Signorelli (1445 - 1523) Orvieto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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1864: no Segredo completo de La Salette, Nossa Senhora anuncia que nesse ano se iniciaria uma imensa saída de “demônios que serão soltos do inferno”.

Confira em: O SEGREDO DE LA SALETTE, texto completo em português

Eles viriam por cima da Terra e em especial por cima da Igreja Católica visando extinguir a Fé.

A linguagem sugere uma invasão gradual “Eles abolirão a fé pouco a pouco” de um modo muito eficaz “até nas pessoas consagradas a Deus. Eles as cegarão de tal maneira que, salvo uma graça particular, adquirirão o espírito desses maus anjos”. Id. ibid.

Eis a parte a que aludimos, por completo:

“No ano de 1864, Lúcifer e um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles abolirão a fé pouco a pouco, até nas pessoas consagradas a Deus.

“Eles as cegarão de tal maneira que, salvo uma graça particular, adquirirão o espírito desses maus anjos. (...)

“O Vigário de meu Filho terá muito que sofrer, porque durante algum tempo a Igreja será entregue a grandes perseguições. Será o tempo das trevas, e a Igreja passará por uma crise pavorosa”.

As profecias particulares que fixam datas ou números exatos de qualquer tipo pedem muita cautela na interpretação.

Não é raro que a menção de números atraia desconfianças e/ou seja desmentida pelos fatos, dando sinal de falta de autenticidade.

O Segredo de La Salette menciona 1864, ano em que começaria um desembarco de espíritos das trevas que se iriam apossando da Terra e da Igreja.

Portanto, um fenômeno espiritual – os diabos são puro espírito – e moral – a posse dos homens em geral e dos eclesiásticos em particular, com uma data bastante precisa.

Estudiosos bem intencionados procuraram identificar algum fato material ou humano que estaria associado a esse espantoso evento.

As hipóteses avançadas, entretanto, não convencem de todo.

Grandes guerras, revoluções, congressos anti-católicos, revoltas teológicas, calamidades da natureza, etc. etc., se as houve, não atingiram uma gravidade proporcionada ao eventos que Nossa Senhora mencionou em La Salette.

Entretanto, fatos de natureza espiritual, dos quais se fala pouco, se aproximam da data mencionada pela Santíssima Virgem e concorda admiravelmente com a profecia de La Salette.

Um dos mais remarcáveis aconteceu ao Bem-aventurado sacerdote Pe. Luís Eduardo Cestac (1801 - 1868), fundador das Servas de Maria e do Instituto de Notre-Dame-Du-Refuge, além de muitas instituições para operários e moças pobres.

Santinho de La Salette com que o Beato Cestac marcava as páginas em seu breviário
Santinho de La Salette com que o Beato Cestac marcava as páginas em seu breviário
No tempo de sua morte havia mais de 900 Servas de Maria incluída a rama contemplativa das “penitentes” ditas Bernardinas; e por volta de 150 escolas, orfanatos, etc., na diocese de Bayonne, em vários departamentos do sul da França e na Espanha. E, no presente, em vários continentes.

Foi colega apostólico de São Miguel Garricoïts fundador dos Padres do Sagrado Coração de Jesus de Bétharram e promotor do santuário de Lourdes, com quem partilhou a propagação da Medalha Milagrosa, da devoção ao dogma da Imaculada Conceição e a quem Santa Bernadette Soubirous pedia conselho.

O Beato Cestac e São Miguel Garricoïts consagraram sua vida a apagar os efeitos anticristãos e anticulturais da Revolução Francesa, malgrado as perseguições anticlericais.

Numa carta de 13 de janeiro de 1864 endereçada a seu bispo, Mons. François II Lacroix (1838-1878), descreveu o acontecido, omitindo de início seu nome, que anos depois foi desvendado.

Beato Louis-Édouard Cestac (1801 - 1868), quadro familiar
Beato Luís Eduardo Cestac (1801 - 1868), quadro familiar
Ele narrou ter sido repentinamente atingido como por um raio de luz divina que lhe mostrou demônios se espalhando pela terra, causando uma destruição inexprimível.

Ao mesmo tempo, a Virgem Maria lhe revelou que o poder dos demônios fora desencadeado em todo o mundo e, curiosamente, usando termos quase idênticos aos de La Salette.

Em consequência, concluiu o santo sacerdote, tornou-se mais imperioso do que nunca pedir à Rainha dos Anjos o envio de legiões de santos anjos para enxotar essas potências infernais que superavam em muito as forças humanas.

O Beato Francisco Palau OCD também denunciou a entrada dos poderes infernais na Terra e na Igreja na mesma época, porém sem especificar um ano, mas dando a entender que se estenderia durante um período importante.

Assim o temos documentado exaustivamente na página “Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. Um profeta de ontem para hoje, para amanhã e para o fim dos tempos”.

Papa Leão XIII

Com toda sua autoridade, o saudoso Pontífice Leão XIII em 18 de maio de 1890 ordenou publicar o “Exorcismo contra Satanás e os anjos rebeldes” (“Exorcismus in Satanam et angelos apostaticos”) no qual manda expulsar:

o inimigo antigo e homicida [que] transfigurado em anjo de luz, com toda a caterva de espíritos maus, circundou e invadiu toda a Terra, para que nela destruísse o nome de Deus e de seu Cristo, e roubasse as almas destinadas à coroa da glória eterna, e as prostrasse e as perdesse na morte eterna. (...)

As hostes astuciosíssimas encheram de amargura a Igreja, (...).

Ali onde está constituída a Sede do Beatíssimo Pedro e Cátedra da Verdade para iluminar os povos, aí colocaram o trono de abominação da sua impiedade, para que, ferido o Pastor, se dispersassem as ovelhas”. (Acta Sanctæ Sedis, vol. XXIII, págs. 743-747)

Por sua vez, diante da invasão dos demônios que via, o beato Cestac se voltou para a Rainha do Céu e da Terra e implorou:

“Minha Mãe, vós sois tão bondosa, por que então não enviais Vós mesma esses anjos, sem que ninguém vos peça?”

Nossa Senhora lhe respondeu:

“Não, a oração é uma condição estabelecida pelo próprio Deus para obter a graça”.

“Então, Mãe Santíssima – insistiu o sacerdote – ensinai-me como quereis que se vos peça!”


Foi então que o Bem-aventurado Luís Eduardo Cestac recebeu a oração “Augusta Rainha dos céus”.

Beato Louis-Édouard Cestac (1801 - 1868), quadro en base a foto
Beato Luís Eduardo Cestac (1801 - 1868),
quadro em base a foto. Hélène Feillet (1812-1889).
O bispo diocesano a aprovou, e o bem-aventurado Cestac fez imprimir 500.000 cópias distribuídas a todos os lugares.

A oração também foi aprovada pelos bispos de Tarbes, Aire, Tours e Cambrai; foi traduzida para o espanhol e divulgada na Espanha e na América hispânica.

Velozmente se espalhou pelo mundo todo em diversas línguas atingindo uma difusão excepcional.

No dia 8 de julho de 1908, o Papa São Pio X concedeu trezentos dias de indulgência a quem a rezar.

O que pede a oração?

Ei-la por inteiro, sublinhando a afinidade com os horizontes revelados em La Salette, e explicitados independentemente pelo Beato Palau.

Lembramos também que o Beato Cestac recomendava que fosse memorizada.

Acrescentamos umas brevíssimas reflexões prévias e uma versão abreviada contra as tentações incluídas pelo Bem-aventurado, mas geralmente omitidas nas traduções.

Rainha dos Anjos, Mestre do díptico Wilton
Rainha dos Anjos, Mestre do díptico Wilton

“Nosso Senhor disse:

EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA.

Satanás responde:

EU SOU O ABISMO, A MENTIRA E A MORTE.

Nunca, talvez, a ação dos demônios tenha se mostrado mais geral e mais ameaçadora.

O poder de Deus é infinito; é a oração que a traz do Céu.

ORAÇÃO

Augusta Rainha dos Céus e Soberana Senhora dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de satanás, humildemente Vo-lo pedimos, enviai as legiões celestes dos santos Anjos a perseguirem por vosso poder e sob vossas ordens os demônios, combatendo-os em toda parte, confundindo-lhes a insolência e lançando-os nas profundezas do abismo!

Quem como Deus?

Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos!

Ó boa e terna Mãe, sede sempre o nosso amor e a nossa esperança! Amém.


ORAÇÃO CURTA E PODEROSA NA TENTAÇÃO.

Ó Mãe de Deus, mandai-nos os vossos santos Anjos para nos defenderem e para repelirem o maldito demônio, nosso cruel inimigo!


Fonte: Pe. Pierre-Éduard Puyol, “Vie du Serviteur de Marie Louis-Edouard Cestac, fondateur de Notre-Dame-Du-Refuge (Diocèse de Bayonne)”, Bayonne, Imprimerie Lamaignère, Rue Chegaray, N° 39, 1818, 656 págs., com aprovação eclesiástica.


quarta-feira, 2 de junho de 2021

Corpus Christi: Presença viva e inefável que toca os corações

Fundo retorno do Filho Pródigo, Rembrandt (1606 – 1669), Hermitage Museum
Fundo retorno do Filho Pródigo, Rembrandt (1606 – 1669), Hermitage Museum
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A festa de Corpus Christi está cheia de unção e de graças intimas e profundas, inclusive para os mais pecadores.

O grande Papa São Gregório VII pareceu aos homens de seu tempo como um homem mais firme do que o céu e a terra.

Esse gênio era poderoso porque tinha uma ardente devoção à Santíssima Eucaristia, além de uma confiança filial na Santa Virgem e uma terna compaixão para com a fraqueza humana.

É bom lembra-lo na festa de Corpus Christi, ainda que formos pecadores ou não nos sentirmos dignos de nos aproximar do Santíssimo Sacramento.

Porque o pecador quando peca, não deve afastar-se da Sagrada Eucaristia.

Ele deve, pelo contrário, recuperar o estado de graça e voltar à frequentação da Mesa Eucarística.

Isto porque, Deus é Deus de misericórdia; e Ele em vez de afastar o pecador, Ele o atrai até com maiores mostras de amor.