segunda-feira, 28 de março de 2022

Pe. Reus: seminaristas admiram heroísmo anti-relativista

Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: Fiel à disciplina face a prenúncios de tempestade na Igreja



Mas a contestação de que falamos no post anterior não era geral, poderia ser atribuída com propriedade às minorias que ansiavam pela revolução eclesiástica que vinha se incubando e provocou a crise religiosa e litúrgica atual.

Um bom número de seminaristas ficou encantado com seus ensinamentos, criando uma nomeada de professor sério de Liturgia que se espalhou por todo o país de modo sem precedentes, como veremos.

Um deles escreveu: “O que nos penetrava o coração da instrução religiosa, eram as suas palavras cheias de unção, palavras que traiam íntima familiaridade com as coisas de Deus. Quantas vezes, depois da aula, eu ia à capela para agradecer a graça de ser aluno de um santo” (Kohler, op.cit, p.91).

Outros ressaltaram a “profunda emoção” que lhe suscitavam as matérias litúrgicas que ensinava e externava a vontade de consagrar o Brasil e a América a Deus.

Insistia na ordem, pontualidade, atenção e aplicação. “Seu olhar calava fundo, de modo que muitos achavam que ele lia na alma”, mas nas exposições sabia usar uma mímica, uma viveza e até uma veemência que, de caso pensado, provocava sonoras gargalhadas (Kohler, op.cit, p.92)

Era grande admirador do canto gregoriano e promoveu a compra discos para iniciar os seminaristas nesse sublime canto.

Todas aquelas contrariedades, dolorosas porque provinham até de irmãos de vocação em nada mudaram sua vida mística que foi crescendo em desconhecida proporção.

Objetos vinculados ao Padre Reus SJ
Objetos vinculados ao Padre Reus SJ
Entre os muitos exemplos que podemos citar, em 27 de janeiro de 1924, escreve que no início da santa Missa “estive todo envolto em chamas. ... A sensação de ser uma brasa viva persistiu por algum tempo” (AeD, vol2, nº 1160).

Em 11 de fevereiro do mesmo ano “vi um forte raio de luz saindo dos estigmas” (AeD, vol2, nº 1164).

Em 27 de outubro de 1924, indo para a chácara dos padres jesuítas “Mal saíra de casa, o Amado Salvador já estava ao meu lado esquerdo, um pouco à frente. Não o vi com olhos corporais, porque eu o via mesmo com os olhos fechados” (AeD, vol2, nº 1182)

Em 24 de novembro de 1927 lhe foi comunicado que seria preservado do purgatório, após rezar as palavras da Santa Missa para antes da Comunhão: A Te nunquam separari permittas – Jamais permitas separa-me de Ti (AeD, vol2, nº 1242). A promessa divina foi renovada em diversas ocasiões e lhe fez compreender a eficácia real daquelas palavras da Missa.

Desde então as palavras – em latim, único rito latino usado – da Missa começaram a ser ocasião de fenômenos místicos reveladores do efeito sobrenatural da Missa bem rezada.

Sua integridade de costumes e trato com os alunos lhe atraiam cada vez mais as oposições inclusive de seus superiores religiosos já minados pelo relativismo que daria no desfazimento moral geral de nossos dias.

O Dr Plinio Corrêa de Oliveira agindo no setor leigo da Ação Católica também constatou a sorrateira luta dessa relativização crescente nos costumes, nas doutrinas e no respeito da hierarquia no movimento católico como ficou consignado em suas memórias autobiográficas.

Mais um testemunho de líder católico contemporâneo do Pe. Reus

"Minha Vida Pública":
uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história do Brasil e da Igreja

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que foi aluno dos jesuítas no Colégio São Luis, na atual avenida Paulista em São Paulo comentou do Pe. Reus:

O Prof. Plinio foi presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo e manteve estreitas relações com os líderes eclesiásticos e civis católicos do Brasil todo. Tirou da insignificância e dirigiu o jornal “O Legionário” – hoje “O São Paulo” – com difusão nacional.

É uma testemunha privilegiada contemporânea do Pe. Reus e cultivou valiosas amizades com padres jesuítas de São Paulo e também alguns de São Leopoldo.

Pela amizade com alguns noviços ou ex-noviços de São Leopoldo ouviu relatos da vida e dos fenômenos místicos extraordinários do Pe. Reus que corriam de boca em boca.

“O jesuíta alemão Pe. Reus que viveu 47 anos no Rio Grande do Sul onde morreu tinha a cara mais simpática que uma pessoa possa ter.

“Mas a cara simpática de um homem de alta ascese, de princípios muito firmes e reto”, disse dele.

“Os estudantes pintavam o caneco. O padre Reus disciplinava. Os jovens reclamavam e o Diretor do Colégio lhes dava razão.

– Pe. Reus, a gente não apanha moscas com vinagre, mas com mel! O senhor quer atrair esses meninos para Nosso Senhor, seja a imagem da doçura de Nosso Senhor. Então não aperte. Não insista nas coisas que são duras.

– Pe. Superior, isso eu não posso. É contra a minha consciência, porque a Doutrina Católica manda outra coisa.

– O senhor não compreende? Os tempos mudaram!

– Mas, Pe. Superior, mudou a doutrina?

– Vai lá com as irmãzinhas, e por toda parte e o Sr encontra esse espírito.

“Ele foi sendo posto de lado quando estava em plena fase de produção, recebendo continuamente as mais admiráveis visões de Nosso Senhor e de Nossa Senhora!

“A respeito das quais o Superior lhe deu ordem de registrar todas.

“Eram visões extensas, passava horas escrevendo.

“Assim foi mais ou menos até a morte dele, o resto da vida”.

(Anotações de palestra de 17/1/89, sem revisão do Autor)
Dr. Plinio via germinar com décadas de antecipação a explosão que depois devastou o laicato católico no período pós-conciliar. O Pe Reus, no ambiente clerical e numa situação diversa e sem conexão com Dr. Plinio, reagia no mesmo sentido.Confira: "Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva para compreender a história do Brasil e da Igreja.

Um outro exemplo em 1933 “o Prefeito Geral falou de seu modo de agir com confiança em relação aos alunos. Eu, no entanto, sabia das dificuldades que surgiram sob sua direção. ...

“Essa exagerada ênfase na confiança eu já não denominaria mais de confiança, porém de ‘credulidade’. ... o Prefeito Geral apresentava essa metodologia em oposição à já usada comumente na Companhia de Jesus.

“Esta pede confiança, mas confiança cautelosa. Foi exatamente desta forma que atuou Dom Bosco, o experiente Mestre da Educação Moderna” (AeD vol2, nº1380).

Escritos e murmurações se multiplicaram contra o fiel filho de Santo Inácio sempre martelando contra seu comportamento íntegro tradicional.

Mais um caso em 1934: foi encomendado para a biblioteca o livro ‘Santo Agostinho’ de Papini.

Giovanni Papini (1881 –1956) foi um escritor italiano cético que se se declarou católico fervoroso, mas seus livros geraram grandes discussões e controvérsias.

Dirigiu revistas todas elas consideradas de vanguarda, e em verdade suspeitas. Foi mais um arauto da revolução que serpejava nos ambientes católicos. Cfr. Wikipedia, verbete Giovanni Papini.

“Notei logo, escreveu o Pe Reus, que a juventude do santo [N.R.: período de heresias e vida imoral que Santo Agostinho chorou a vida inteira] está representada com falta de critério, com observações eventualmente fortes, que estimulam a sensualidade.

“Pode-se dizer a verdade total e abertamente, sem ser tão sensual ... Não permiti que fosse usado para uma leitura comunitária” (AeD vol2, nº1542).

Em São Leopoldo as tensões cresciam impulsionadas pelas tendencias revolucionárias relativistas se abrindo ao pecado.




Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 21 de março de 2022

Fiel à disciplina face a prenúncios de tempestade na Igreja

No túmulo do Padre João Baptista Reus SJ
No túmulo do Padre João Baptista Reus SJ
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Grandes fatos místicos surpreendem o Pe Reus


No seminário de São Leopoldo, os estigmas místicos ardiam cada vez com mais calor, mas ele aumentava as penitências.

Seu confessor lhe dizia que não se explicava naturalmente como podia suportar tanta abstenção do alimento. Pela santa obediência o Pe Reus renunciou a essas penitências.

O episódio foi revelador de uma das mais trágicas realidades: a futura revolução eclesiástica que germinava no desinteresse pelo heroísmo da santidade e no relaxamento disciplinar.

“O Superior da Missão tinha um informante, escreveu o Pe. Reus. Por causa das constantes queixas a ele dirigidas sobre minha penitencia, escreveu pessoalmente uma carta.

“Contudo eu nada tinha feito que fosse contra as licenças recebidas dele ... Foi-me muito penoso.

“Impulsionado por Nosso Salvador, querendo sempre fazer a sua vontade, consciente até os mínimos detalhes da santa obediência, sob luta constante contra mim mesmo, vi-me sozinho na luta, abandonado por todos importunado e atacado.

“Comuniquei isso ao meu confessor. Eu lhe disse mais ou menos o seguinte: tudo parece contra mim, todos querem segurar-me e ninguém me anima e ajuda.

“Contudo, assim creio, eu me ative fielmente às Constituições da Companhia de Jesus”. (AeD, vol 1. nº882)

Era, entretanto, verdade que sua saúde dava sinais de precariedade. O Pe Reus era especialmente sensível às doenças que atacam o pulmão.

Quando a saúde dava maus sinais ele interrompia suas penitências, aliás autorizadas pelo superior.

Falava-se que seus sermões saiam diminuídos por causa das penitências, quando em verdade suas forças corporais sofriam pelos suas dolorosas experiências místicas e pelo excesso de trabalhos cansativos que lhe haviam atribuído.

O Pe Reitor bem informado lhe deu razão, contra todas as expectativas.


Testemunho do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira


“Houve em meus dias, um padre no Rio Grande do Sul, o Pe. Reus.

“Um padre alemão, esguio, alto, com uma fisionomia extremamente bondosa e severa ao mesmo tempo, a quem Nosso Senhor aparecia quase todos os dias e às vezes várias vezes por dia.

“E falava com ele, queixava-se disso e daquilo, e ele escrevia todas as coisas que Nosso Senhor disse.

“Eu li esse caderno porque foi publicado em forma de livro, e tenho até o livro em casa.

“Mas tenho a impressão de que como o Pe. Reus falou algumas coisas sobre a crise religiosa no Brasil aquilo foi cortado.

“Porque eu sei, por exemplo, de um comentário dele sobre a crise religiosa no Brasil que o livro não dá, mas que os padres jesuítas contam.

“Mas como seria bom, como seria santo que nós pudéssemos ter acesso inteiro ao livro do padre, e ler inteiro, compreender bem o que é”.

(anotações de conversa em 15/12/93, sem revisão do Autor)

Nas aulas de Liturgia mantinha a ordem como era de seu dever. Mas foi acusado por alguns alunos diante do Reitor porque exigia muita atenção, não permitia atividades distrativas durante as aulas nem faltas de educação. Nenhum dos contestatários perseverou até o sacerdócio. (AeD, vol 1. nº986)

As prescrições litúrgicas do canto religioso foram mais uma bandeira dos contestadores que tinham feito desaparecer do seminário os decretos de São Pio X. O Pe Reitor era um desses e até o contradiz na presença da comunidade.

Estranhamente, o Pe Reus jamais encontrou esses documentos tão necessários para o ensino litúrgico. Quando o Papa Pio XI, anos mais tarde, emitiu outros decretos o caso sua atitude ficou aprovada. Até lá, o Pe Reus se retraiu e suportou as críticas por obediência (AeD, vol2, cap.23).

Por ordem do superior seus pertences foram mudados para um outro quarto cujas condições eram prejudiciais para sua saúde e o problema dos pulmões agravou-se.

Um outro religioso montou um escândalo pelo modo com que o Pe Reus escovava os dentes. Ele continuava cumprindo religiosamente seus deveres, até auxiliando o pároco e atendendo entre 7.000 e 9.000 confissões por ano.

Essas ninharias escondiam uma animosidade de fundo. Em 7 de janeiro foi nomeado Vice-Reitor do Seminário, e logo desatou-se outra tempestade interna por causa do livro do Pe Karrer “São Francisco de Borja” com passagens duvidosas.

O Pe Reus proibiu-o aos seminaristas. Os ânimos se exaltaram, mas o Pe Reus não cedeu nenhum milímetro.

A oposição cessou quando chegou uma desqualificação do livro pelo Padre Geral e a ordem de bani-lo de todas as bibliotecas da Companhia.

O Pe Otto Karrer (1888-1976) foi um precursor do “aggiornamento” teológico que depois teria em Karl Rahner e Hans Kung ecumenistas antiromanos subversivos, mas foi muito mais astucioso nas suas formulações.

O início do Vaticano II o viu engajado em numerosas tarefas de diálogo com heréticos protestantes sendo considerado “Padre não-oficial do Concílio”. Cfr. Actes du colloque organisé par l'École française de Rome
Debochava-se dele pelo rigor no uso do barrete, atribuindo-lhe abstrusamente o malefício de fazer perder o cabelo. Mesma coisa com fazer a barba quotidianamente que para ele sempre foi “um sacrifício e um tormento”.

Logo viriam as acusações de demorar demais a Missa, malgrado ele respeitasse meticulosamente os 30 minutos ordenados pelo regulamento interno.

Pe. Reus altar, paramentos e utensílios para a Sant Missa em que se deram encontros místicos
Pe. Reus: altar, paramentos e utensílios para a Santa Missa
em que se deram encontros místicos
5 de março de 1924, mais um desgosto: foi destituído da função de confessor dos seminaristas (AeD, vol2, nº 1167). As murmurações contra ele corriam entre os seminaristas que não procuravam a sublimidade sacerdotal.

Jesuítas e peregrinos vindos da Argentina que encontrou numa viagem a Roma o rotularam de “padre rezandero”

Era dito o “trapista”, apresentado como demasiado severo, muito sério, reservado e seco, e sabia no caso certo incutir pavor. (Kohler, op.cit, p.78-79).

Fazia todas as aulas em latim e impregnava todas as matérias com ideias religiosas.

De 1º a 6 de janeiro de 1925, pregou um retiro aos Irmãos Maristas de Porto Alegre. Esses haviam sido contagiados pelos murmúrios contra o Pe Reus porque muito sério e austero.

No fim do exercício espiritual, conta ele, “nunca fora tão elogiado por causa de um retiro como desta vez”. Antes do início doze irmãos anunciaram que deixariam sua Congregação, contudo, com as graças recebidas, decidiram perseverar (AeD, vol2, nº 1195).

Ia rezar Missa no colégio das franciscanas e algumas alunas o apelidaram “o padre brabo” pois ele exigia muita correção na hora da Comunhão.

Como as Missas da Quaresma são longas, acabou sendo destituído da capelania. Germinava já a tendência a fazer missas fáceis, simplificadas, relaxadas e entretidas que depois degeneraria nos abusos modernos.


Pottenstein, Alemanha: a cidade onde nasceu o Pe. Reus





Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 14 de março de 2022

Grandes fatos místicos surpreendem o Pe Reus

Sagrado Coração de Jesus, bordado pelas dominicanas de Stafforshire
Sagrado Coração de Jesus, bordado pelas dominicanas de Stafforshire
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Em Rio Grande dobra os inimigos da Igreja



Por temperamento, o Pe Reus não era voltado para os fenômenos místicos, ainda que rodeados de todos os elementos de autenticidade.

Já destacamos seu perfil psicológico pró-militar e sua combatividade arriscando a vida contra os inimigos da Igreja em Rio Grande, numa época em que o assassinato de um padre por ódio à religião não era novidade.

Nisso o Pe. Reus estava nas antípodas dos misticismos fáceis e extravagantes que empestam o mundo até abusando do nome de católicos.

Desconfiava de fenômenos do gênero temendo enganos do demônio que age muito por trás de falsos fenômenos sobrenaturais.

O que ele de início qualificou “estranhos fenômenos” começaram, segundo suas anotações, em 27 de agosto de 1912 em Porto Alegre.

Desenho do Pe Reus Ele se viu dentro do Sagrado Coração
Desenho do Pe Reus: ele se viu dentro do Sagrado Coração
Ele vivia um constante diálogo interior com o Sagrado Coração de Jesus, mas nesse dia “veio-me um estranho ardor no meu coração ... que me foi quase impossível suportá-lo” (AeD, vol 1. nº423)

O Sagrado Coração de Jesus começou a se manifestar com maior intensidade e de formas cada vez variadas.

Ele apelou ao conselho de seu Superior, temendo sempre as ciladas do príncipe da mentira.

Em 7 de setembro, ele que “nada queria saber da mística” recebeu os estigmas.

Enquanto fazia meditação “uma enorme chama de fogo e senti como se uma flecha atingisse o meu coração ... cinco raios de luz saíam de cinco pontos do meu corpo”.

Ele se resistia ao que podia ser um engano do maligno e voltando-se a Nosso Senhor repetia: “Não, meu amor”.

Mas seu senso lógico não lhe permitia duvidar: “Apesar de não ter visto nada com os olhos, a visão era tão clara, que não pude duvidar que havia recebido as santas chagas na minha alma” (AeD, vol 1. nº436)

Essas chagas ficaram para sempre, lhe provocando por vezes dores quase insuportáveis.

Voltando ao Superior, Pe Zartmann, esse lhe recomendou o livro sobre mística do [Pe Augustin ?] Poulin “Abundância das Graças” em dois volumes.

O Pe Reus nunca tido lido nada sobre o assunto, mas na leitura do primeiro volume ria interiormente vendo como os místicos descreviam com exatidão o que lhe acontecia.

Devolveu o livro confessando que só tinha lido uma primeira parte e que ele já tinha experimentado o que estava ali.

O mesmo aconteceu com os escritos de Santa Teresa de Jesus que também devolveu sem necessidade de ler tudo.

Foram-lhe recomendados outros livros de místicos de grande porte como São João da Cruz e as próprias Escrituras, nos quais encontrou escrito o que ele sentia.

Desenho do Pe Reus Ele viu seu coração envolto em chamas na Missa
Desenho do Pe Reus: ele viu seu coração envolto em chamas na Missa
Ele sentia cada vez mais chamas de amor que ora desciam sobre ele, ora pareciam partir de sua alma. O fenômeno progrediu até o fim de sua vida.

“É claro para mim que estive na presença da Santíssima Trindade” (AeD, vol 1. nº461), disse mais de uma vez.

A presença do Sagrado Coração de Jesus era tão intensa que, como escreveu em 18 de setembro de 1912: “pareceu-me que eu Te via no meu coração. Vi o santo Nome IHS escrito no meu coração de forma brilhante” (AeD, vol 1. nº469).

Na festa da estigmatização de São Francisco, o Anjo da Guarda do Pe Reus entrou nele e ele ficou na presença dos santos anjos no Céu. (AeD, vol 1. nº471).

Em 13 de outubro de 1912 “a Santíssima Trindade inclinou-se sobre mim e esteve, por um instante, presente com grande brilho em meu coração, parecendo um ser vivo. ... a Santíssima Trindade deu a entender que Ela se apossou de meu coração” (AeD, vol 1. nº501).

“Na mesma data pareceu-me estar sendo aceito no coro dos Serafins” (AeD, vol 1. nº502)

E, em 12 de novembro de 1912, Nosso Senhor se fez presente: “Te percebi com a coroa de espinhos na cabeça, com o manto de púrpura e com a cruz. Percebi também, como colocaste a cruz, o manto de púrpura e a coroa de espinhos sobre mim para que eu Te siga e Te proporcione alivio” (AeD, vol 1. nº529)

Citamos nestes posts, alguns dos fatos mais relevantes. Procederemos do mesmo modo nos próximos posts na impossibilidade material de citar cada um.


Plinio Corrêa de Oliveira: líder contemporâneo da Ação Católica fala do Pe Reus

No meu tempo mesmo o famoso padre Reus, jesuíta de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, tinha visões, revelações, várias por dia, prodigiosas, etc. (anotações de palestra de 6/3/92)

O Pe. Reus, eu acho que foi um grande místico, eu andei lendo coisas dele que eu gostei muito, Pe. Reus, aqui no Rio Grande do Sul, grande místico.

Que ele tinha conhecimentos, revelações, etc., muito maiores do que Santa Tereza ou São João da Cruz.

A atenção desses santos se fixava de tal maneira no que há de mais superior, que esse conhecimento dos grandes místicos, para os fiéis normais, ficava como que algo colateral muito acima do que o bom fiel podia conhecer.

Em consequência dessa decalagem imensa e santíssima, os bons tratados de amor de Deus e de piedade que foram sendo impressos pensando nos fiéis comuns, padecem de um silêncio sobre essa realidade mística.

Mas, os fenômenos místicos do Pe. Reus na Missa tradicional se faziam visíveis e compreensíveis para qualquer um. (Anotações de 27/5/89, sem revisão do Autor)
Sublinhamos que esses fenômenos místicos passaram a ser quotidianos – e, por vezes, vários num mesmo dia – e estão registrados por ele nas quase 3.000 páginas de sua Autobiografia e Diário.

Estes escritos registrados com precisão e concisão, cuidadosamente datados eram entregues metodicamente ao Superior para esse revisá-los e/ou censurá-los e/ou discernir enganos de Satanás. Depois lhe eram devolvidos.

O Superior aprovou tudo o que ele descrevia de si. Não encontramos nem notícia de que tenham sido criticados em qualquer ponto.

Em 30 de março assumiu a paróquia de São Leopoldo. Nela se desempenhou como fizera em Rio Grande sem que cessasse a referida vida mística. Ele concebeu um grande mapa da paróquia para a ação apostólica, mas nunca chegou a completa-lo.

Moveu uma guerra implacável aos casamentos mistos, não enterrava religiosamente católicos que haviam renegado a sua fé.

Também entre os não-católicos era acatado por causa de sua amabilidade, piedade e decisão. Os paroquianos chamavam-lhe quase habitualmente “São Luís”. (Kohler, op.cit, p.78-79).

Em 1º de fevereiro de 1914, tendo sido nomeado diretor espiritual de todo o seminário de São Leopoldo que contava com 140 seminaristas, o Pe Reus deixou a paróquia ao sucessor e assumiu as novas funções.

O Seminário Central de São Leopoldo se regia pelas normas do Concilio de Trento e do Sínodo Latino-Americano e haveria de ser o cenário dos momentos mais altos de sua vida.






segunda-feira, 7 de março de 2022

Pe Reus: em Rio Grande dobra os inimigos da Igreja

Padre Juan Baptista Reus SJ 26, Rio Grande 1907
Padre Juan Baptista Reus SJ, Rio Grande, 1907
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Nascimento e infância de um combativo místico


Após pisar terra brasileira em Rio Grande, o Pe. Reus e companheiros foram para o Colégio jesuíta que já existia em São Leopoldo. Ali ficou até abril de 1901 quando foi mandado para Rio Grande.

A cidade tinha um baixo conceito moral: a chegada constante de imigrantes de todas as línguas enchia as fábricas de mão de obra onde o recrutamento protestante, socialista e maçônico se fazia escancaradamente num tom agressivamente anticatólico.

O Pe. Reus foi acompanhado do Pe van Laak que fora processado caluniosamente por um suposto crime contra os bons costumes, que teria sido invenção do governador do estado Júlio de Castilhos.

O Pe van Laak foi inocentado pela Justiça, mas por prudência saiu clandestinamente para o Chile, com uma passagem emitida para “Reus”.

A ignorância religiosa era lamentável, o ódio contra o clero e a religião era pregado abertamente desde antros maçônicos.

Certa feita uma jovem italiana ingressou no convento das Carmelitas. O fato suscitou um furacão de ódio contra a Companhia de Jesus acusada de “escravização das consciências”.

A polícia teve que intervir para impedir um ataque ao convento do Carmo e a invasão da casa dos jesuítas.

“Quantas vezes fomos apupados na rua com alcunhas injuriosas ou alvejados com frutas podres” (Pe. Leo Kohler S.J., “Vida do Pe. João Baptista Reus”, Paulinas, 6ª ed.1960, p.67).

quinta-feira, 3 de março de 2022

A Rússia é do demônio? Mas, no fim, se convertirá!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador.

Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais.

Porque Ela deu a entender que a instauração de seu Reino na terra teria como condição a conversão do mundo russo ao catolicismo.

Porque quando Nossa Senhora se manifestou em Fátima, a Rússia estava rompida com a Igreja Católica e era cismática. Pouco depois se tornaria comunista e o flagelo do demônio voltado contra os homens.

terça-feira, 1 de março de 2022

Beata Aiello: a Rússia traz a ruína e a morte para o mundo

Beata Elena Aiello, jovem religiosa
Luis Dufaur
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A Bem-aventurada Elena Emília Aiello é pouco conhecida no Brasil.

Mas bem mereceria sê-lo muito mais. Como na sua Itália natal, onde sua fama de santidade e a benemérita atividade caritativa da Ordem que ela fundou estão sempre crescendo.

A Beata é também famosa pelos dons sobrenaturais com que foi beneficiada pelo Altíssimo. Recebeu os estigmas e numerosas revelações de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nelas, Ele se mostra primordialmente preocupado, e até agoniado – se se pode dizer assim – pela degringolada da ordem política e social dos países até então católicos, em particular da Itália.

Com insistente premência, Ele retoma as palavras de Sua Santíssima Mãe em Fátima, colocando como que uma lente de aumento sobre os males que ameaçam o mundo, a Igreja e o Papado se os homens não fizerem penitência.

Essas mensagens foram especialmente intensas na década de 1950, marcada por um otimismo enganoso que predispôs o ambiente psicológico que penetrou em todas as esferas, inclusive na eclesiástica, e influenciou a fundo as elaborações do Concílio Vaticano II.

Mas essas advertências haviam começado décadas antes. Cabe destacar a correspondência da Bem-aventurada Aiello com a irmã do então líder máximo da Itália, Benito Mussolini, exortando o duce a não se engajar na fatídica II Guerra Mundial. Tratou-se de Edvige Mussolini (1888 – 1952), casada com Michele Mancini.

Benito Mussolini repeliu com orgulhoso desdém a ardorosa advertência da Beata da parte de Nosso Senhor.

A visão profética da Beata cumpriu-se de cheio em relação ao chefe máximo da Itália e um dos mais poderosos homens da política europeia. A Itália perdeu a guerra e o Duce teve uma espantosa morte.