segunda-feira, 23 de maio de 2022

Maria Auxiliadora: chefe de guerra nas batalhas pela Cristandade

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Histórico da imagem




O ensino de Doutores e Padres da Igreja


Numerosas inscrições cristãs dos primeiros séculos do Novo Testamento em territórios gregos contêm dois títulos da Virgem Maria: um é Teotokos (Mãe de Deus) e o outro é Boeteia (Ajuda dos cristãos).

O primeiro a chamar a Virgem de Maria Auxiliadora foi São João Crisóstomo (347-407), arcebispo e Patriarca de Constantinopla, Doutor e Padre da Igreja, proclamando: “Tu, Maria, és a ajuda mais poderosa de Deus”.

A partir do ano 398, ele o chamou de “Ajuda mais poderosa, forte e eficaz daqueles que seguem a Cristo”.

Outros Padres da Igreja que lhe reconheceram o título de “Auxiliadora” são Proclo (412 - 485) em 476 e São Sabas de Cesareia (439-532) em 532.

Também o poeta grego romano Melone em 518, São Sofrônio (560-638), arcebispo de Jerusalém, São João Damasceno (675 - 749) e São Germano de Constantinopla, Patriarca de Constantinopla (635 - 732) em 733.

São João Damasceno no ano 749 foi o primeiro a difundir a exclamação: “Maria Auxiliadora, rogai por nós”.

Em 532 São Sabas narrou que no Oriente havia uma imagem da Virgem chamada “Auxiliadora dos doentes”, por causa das muitas curas que ela fazia.

Nas guerras contra os pagãos


No início do século VII, quando Heráclio era imperador de Bizâncio, todo o Império Bizantino viu a fé cristã em perigo devido aos ataques dos ávaros, búlgaros e persas.

Edessa já havia caído em 609, Damasco em 613 e depois Jerusalém. O imperador propõe a paz ao persa rei Cosroes II. Esse já tinha raptado Cruz de Cristo e respondeu: “Isto vai ser discutido depois de os romanos terem abandonado a religião de Cristo pelo culto do Fogo”.

Panagia, igreja da Natividade em Belém
Panagia, igreja da Natividade em Belém
Em 4 de agosto de 626, os invasores tentaram atacar Constantinopla por mar e por terra, mas depois de três dias começaram a se retirar.

Os habitantes da cidade atribuíram o triunfo à “Panagia”, quer dizer o “Toda Santa”, e a festa da libertação foi marcada no dia 8 de agosto.


No livro litúrgico oriental “Sinaxario de Patmos”, do século VIII, lê-se:

“A liturgia é celebrada na Bacherne (bairro de Constantinopla) em comemoração à libertação dos bárbaros, quando rezavam à Santa Mãe de Deus, e foram lançados nas águas”.

Em 628, o imperador Heráclio reconquistou a Terra Santa e recuperou a Santa Cruz.

E ao anunciar a seu povo em uma mensagem jubilosa lida do ambão da igreja de Santa Sofia, afirma: “Reconhecemos como Deus e Nossa Senhora a Virgem Mãe vieram em socorro das tropas...”

Ucrânia: primeiro país a tê-la por patrona


Outro fato histórico: no Oriente, no século XI. Em 1030, em Kiev. os irmãos príncipes Metislao e Yaroslao reconhecem Maria como Auxiliadora de seu povo contra os inimigos.

Yaroslao atribui apenas a ajuda de Maria a salvação do povo da Ucrânia e sua cidade de Kiev, especialmente contra os Pecheneks.

E construiu a Igreja da Anunciação perto do Portão Dourado de Kiev, para que a Virgem defendesse aquele portão que levava à Ásia Oriental pagã, um perigo constante.

E na consagração do templo, em 1073, entregou a cidade santa ao socorro da Mãe de Deus, proclamando a Virgem “Rainha e Auxiliadora do povo ucraniano”.

O Metropolita Hilarion celebra em suas crônicas a grandeza de Yaroslau, “porque você consagrou seu povo e a cidade santa à Santíssima Virgem Mãe de Deus, gloriosa e pede ajuda aos cristãos. Assim a Ucrânia obtém a primazia, entre todos os povos, de reconhecer publicamente o patrocínio social da mãe de Deus”.

Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Desde então, a festa de Maria Auxiliadora é celebrada no dia 1º de outubro com a grande liturgia “Pokrow”, isto é, “Ajuda dos cristãos”.

Em seguida, Maria é cantada como “ajudante dos cristãos, intercessora e poderosa patrona do povo cristão, porque Cristo a deu ao seu povo como Auxiliadora dos cristãos para fortalecer e proteger seus servos de toda aflição”.

No famoso hino “Akathistos” que é cantado nas mais expressivas manifestações bizantinas do culto mariano, expressa as vitórias de Maria contra todos os inimigos da Igreja e do povo cristão.

As grandes vitórias no Ocidente


O registro mais antigo está em uma edição das ladainhas em honra da Virgem encontrada em Dilligen, do ano de 1558, onde se encontra a invocação de Maria Auxiliadora.

É do tempo de São Pedro Canísio SJ.

No ocidente cristão, no início do século XVI, no sul da Alemanha, a Auxiliadora era chamada de “Padroeira da Baviera”, como se pode ler na estátua de Maria Auxiliadora, do escultor J. Krumper, em um castelo em Munique.

As causas deste grande desenvolvimento foram, sem dúvida, os dois grandes perigos para o povo, para a Igreja Católica: os reformadores protestantes e os muçulmanos.

Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto
Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto

Em 1571, diante do perigo de a Europa cair sob o domínio muçulmano, o Papa São Pio V invocou Maria Auxiliadora e obteve o triunfo naval de Lepanto.

Após a vitória de Lepanto, São Pio V enviou uma imagem de Maria Auxiliadora ao rei da Espanha, Filipe II, que venerou com grande devoção e piedade, não no Escorial. E alguns anos depois, a rainha Elizabeth II a coroou.

Em agradecimento pela vitória, o Papa Pio V instituiu a Festa de Nossa Senhora das Vitórias, mais tarde conhecida como Festa do Rosário, a ser celebrada no primeiro domingo de outubro, e acrescentou o título “Ajuda dos Cristãos” às ladainhas lauretanas.

O título de Maria como “ajuda dos cristãos” ainda hoje faz parte das ladainhas Lauretanas.

A cidade de Passau, na Baviera, ficou famosa pela veneração de uma imagem da Virgem com o Menino, cópia de uma pintura do mestre Lucas Cranach.

E já em 1624 por causa das multidões que foram venerar esta imagem, uma igreja começou a ser construída.

“Em meio aos graves e contínuos perigos da guerra que invadiu toda a Alemanha, o povo foi em peregrinação ao santuário, não só das aldeias vizinhas, mas de toda a Baviera, Áustria, Boêmia; e ela entrou no santuário exclamando: 'Maria Hilf', 'Maria Auxiliadora'... Assim a Alemanha teve o primeiro santuário, no Ocidente, em honra de Maria Auxiliadora.”

Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
As graças obtidas ali foram publicadas em cinco volumes. Os devotos de Maria Auxiliadora em Passau foram vinculados ao santuário em uma “Irmandade de Maria Auxiliadora” aprovada em 1627 pelo Papa Urbano VIII.

O imperador Fernando II se inscreveu nele pessoalmente, em 1630. E assim fizeram muitos outros homens ilustres da casa imperial. Cardeais, bispos; e conventos inteiros lhe prestaram fidelidade.

Também em Innsbruck, onde se conservava a autêntica imagem de Cranach, foi construída uma igreja a Maria Auxiliadora, no ano de 1657, por voto feito no final da “Guerra dos Trinta Anos” contra os protestantes.

E essa devoção se espalhou tanto que só na diocese de Innsbruck havia setenta locais de culto à Auxiliadora.

E cópias das imagens de Passau e Innsbruck se espalharam por todas as cidades do sul da Alemanha e da Áustria.

Em 1683, mais uma vez os cristãos triunfaram sobre os otomanos que cercavam Viena, e o imperador Leopoldo ordenou que os troféus confiscados dos turcos fossem enviados ao santuário de Maria Auxiliadora em Passau.

Contra a Revolução gnóstica e igualitária


Até o século XIX, a invocação de Maria Auxiliadora esteve fortemente associada à defesa militar de todas as fortalezas católicas e ortodoxas da Europa, Norte da África e Oriente Médio contra os povos não cristãos, especialmente os muçulmanos.

Em 1806, as ambições de Napoleão constrangeram o Papa Pio VII ao exílio.

Em seu cativeiro, que durou 5 anos, o pontífice prometeu à Virgem que, se recuperasse a liberdade e voltasse a Roma, declararia aquele dia como solene em homenagem a Maria Auxiliadora.

Quando o imperador francês foi derrotado e Pio VII pôde ir para a cidade de Roma, onde entrou na cidade em meio a alegria geral em 24 de maio de 1814.

Deste evento vem a tradição da Solenidade de Maria Auxiliadora todo dia 24 de maio.

Em 16 de agosto do ano seguinte de 1815, ele nasceu no norte da Itália, no Piemonte, que se tornaria o apóstolo de Maria Auxiliadora.

Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
São João Bosco herói da devoção a Maria Auxiliadora


Por meio de sua mãe, a Beata Margarida, São João Bosco conheceu a Virgem Maria:

“Meu querido João... quando você veio ao mundo, eu o consagrei à Santíssima Virgem”, disse-lhe. Ainda criança, Margarita o ensinou a saudar a Virgem três vezes ao dia com o Angelus.

Além disso, a própria Maria se lhe tornou presente em famosos sonhos. E Maria foi sua mestra, conforme a promessa recebida de Jesus “Eu te darei a mestra”.

As preferências do jovem padre Juan Bosco se inclinaram pela Imaculada.

Mais tarde diria ao seu vigário São Miguel Rua: “Todas as nossas obras começaram no dia da Imaculada Conceição”.

Quando havia tinha perto de 50 anos sem deixar o título de Imaculada, descobriu outra invocação que encheria seu coração: “Auxílio dos cristãos”.

Por volta do ano de 1848, ele colocou cinco gravuras da Virgem em um almanaque em seu quarto; uma delas com estas palavras:

“Ó Virgem Imaculada, Vós que vencestes todas as heresias, vinde agora em nosso socorro, nós vos recordamos de coração: Auxilium Christianorum, ora pro nobis”.


De 1848 a 1870 ocorreram muitos eventos que perturbaram a Igreja. Nas guerras e revoluções que tomaram corpo, Don Bosco volta-se gradual e decididamente para Maria como Imaculada Auxiliadora dos cristãos, pessoalmente e de todos os cristãos.

Já no almanaque que edita, pela primeira vez no ano 1860 se lê em 24 de maio: “Festa de Maria Auxiliadora, Auxilium Christianorum”.

Em 1862, Dom Bosco decidiu definitivamente homenagear Maria com o título de Auxiliadora.

Ele tem um sonho com as duas colunas que surgem no mar agitado para proteger a nave da Igreja. Um delas coroada com o símbolo da Eucaristia e a outra com uma imagem de Maria Imaculada, com a inscrição: “Auxilium Christianorum”.

E decide construir uma igreja “digna e grande” em homenagem a Maria Auxiliadora no bairro de Valdocco, em Turim. Ele confiou a ideia ao clérigo Pablo Albera e ao padre Juan Cagliero e a todo o Oratório.

O padre Juan Cagliero testemunha que Dom Bosco lhe disse em 1862: “Ele quer que veneremos a Virgem com o título de Maria Auxiliadora: os tempos são tão tristes que precisamos da Santíssima Virgem para nos ajudar a preservar e defender a fé cristã”.

Na Auxiliadora, Don Bosco reconhece o rosto da Senhora que iniciou sua vocação e que foi e sempre será a Inspiradora e Mestra.

Os últimos 25 anos de sua vida são marcados pela presença viva de Maria Imaculada Auxiliadora de cada pessoa e de toda a comunidade dos cristãos.

A rainha na luta entre o bem e o mal


A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A invocação de Maria Auxilio dos Cristãos teve sempre um caráter militar da Virgem Maria nas lutas pela defesa da fé católica.

O primeiro texto que representa a mulher bíblica como personagem combatendo as forças do mal é o de Eva no Gênesis. Na condenação divina após o pecado, Deus se dirige à serpente com estas palavras:

Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a descendência dela; ele vai pisar em sua cabeça enquanto você espera pelo calcanhar dele.

O texto revela uma cosmogonia evidente que confronta duas forças em permanente oposição, o bem e o mal, no cenário da Criação.

Segundo a Mariologia, neste texto está representada a Virgem Maria, que, sendo a mãe do Messias, é aquela que carrega a linhagem da salvação.

Da mesma forma, outras mulheres teriam um papel fundamental na percepção dessa luta existencial entre as duas forças opostas: a profetisa Débora, Judite, a viúva que sai em defesa do cerco de Betulia e derrota Holofernes, e muitas outras.

Por fim, a personagem feminina que desempenha um papel decisivo nessa luta é representada no livro do Apocalipse no seguinte texto:

Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça; ela está grávida, e grita com dores de parto e com o tormento de dar à luz (...)

Essa personagem feminina, foi relacionada pelas primeiras comunidades cristãs à Igreja perseguida.

E depois a Maria na história da salvação confrontada pelo dragão, que representa o mal.

Ela desencadeia uma batalha liderada pelo arcanjo Miguel, outro personagem guerreiro.

Ao final do texto, a mulher e seu filho se encaram diretamente, conforme o texto:

Então o Dragão cuspiu de suas mandíbulas como um rio de água atrás da Mulher, para varrê-la com sua corrente. Mas a terra veio em socorro da Mulher (...)

O Apocalipse estabelece uma relação entre figuras femininas de caráter militar ou guerreiro em prol do bem, na história da salvação, que gera o título Maria Auxiliadora.

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Significados da imagem de Maria Auxiliadora que Don Bosco mandou pintar


Don Bosco instruiu o artista com estas ideias:

No alto Maria Santíssima entre os coros dos anjos, depois o coro dos profetas, das virgens, dos confessores.

No chão, os emblemas das grandes vitórias de Maria, e os povos do mundo no ato de levantar as mãos para ela pedindo sua ajuda.

A Virgem como Rainha leva na mão esquerda o Menino Jesus, perante o qual todas as criaturas (os Apóstolos e outros santos representam a Igreja e os anjos representam o Céu) prestam homenagem.

Maria e o Menino Jesus usam trajes inspirados nas monarquias europeias, especialmente as germânicas, vigentes na Idade Média.

As coroas de ouro obedecem ao texto apocalíptico: “...uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça...”.

A coroa é enquadrada em um anel com doze estrelas e a estrela como símbolo de Davi.

O cetro é um símbolo da monarquia e do reino messiânico.

Algumas representações de Maria Auxiliadora colocam um segundo cetro sobre o Menino, aspecto que rompe com o sentido bíblico original, pois é um cetro único, o messiânico.

Suas roupas correspondem a usos sacerdotais. A criança usa um vestido branco inteiro, que lembra a divisão dos vestidos de Cristo: “A túnica era sem costura, tecida em uma só peça de alto a baixo”.

Tanto na imagem da Virgem como na do Menino, correspondem a perfis caucasianos-nórdicos e louros que revelam a origem da devoção na Europa Oriental





terça-feira, 10 de maio de 2022

Pe. Reus: tratamento da Majestade divina ao celebrante zeloso

Missa numa igreja do interior da França
Missa numa igreja do interior da França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








WhatsApp Facebook Twitter Skype Pinterest


continuação do post anterior: Pe. Reus: o oposto dos maus sacerdotes “cloacas de impureza”



O Pe. Reus recebeu diversos fenômenos místicos que lhe fizeram ver, se fosse necessário, a natureza divina do rito da Missa multissecular.

Amor ao celebrante zeloso

A Providência tudo fez para lhe fazer evidente que no centro não se trata de pão e vinho partilhado festivamente pela comunidade.

Em 29.11.1938 mais uma vez, “No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena. Certamente para significar como já é santo o pão oferecido hanc immaculatam hostiam – esta Hóstia imaculada, à Santíssima Trindade” (AeD vol3, nº 2430).

Em 4.12.1938, na Consagração um violento incêndio de fogo que chegava até o Céu mais uma vez, que ele interpretou assim:

“Isto é prova de como o amor do Sagrado Coração de Jesus, entrando no coração do sacerdote na Comunhão, faz dele uma unidade com a Santíssima Trindade. Sacerdote da oblação, isto é, a Santíssima Majestade de Deus, unida num único ardor de amor” (AeD vol3, nº 2435)

Longe estava a enganação do celebrante que por suas qualidades midiáticas, empolga e agita a comunidade para agradá-la.

Em 11.12.1938, “Durante a oração Domine, non sum dignus – Senhor, não sou digno, vi saírem da santa Hóstia sobre a patena duas chamas, uma para a direita e outra para a esquerda que me abraçaram.

“Certamente, foi para dar a entender que, no instante em que o sacerdote se reconhece indigno, o amado Salvador aceita esta humildade como oportunidade para suas manifestações de amor” (AeD vol3, nº 2442).

A mensagem divina é claríssima: “No momento em que rezava a oração “Corações ao alto”, vi meu coração elevar-se. Com o Sagrado Coração de Jesus, certamente, queria dar a entender que as palavras na Santa Missa também têm sua misteriosa eficácia” (AeD vol3, nº 2451)

Em 21.12.1938 “o coração do sacerdote deve estar completamente tomado e imbuído das disposições de grandeza de ânimo, generosidade e espírito de sacríficio do Coração de Jesus.

“Para que assim (...) seja uma Hóstia viva para a Divina Majestade e inflame tudo, sensibilizando os corações empedernidos dos pecadores com as chamas de amor que dEle emanam” (AeD vol3, nº 2452).

Nada, pois, de atrativos apenas humanos.

A bênção final da Missa também tem esse significado universal: “No instante da bênção, no final da Santa Missa, vi como a Santíssima Trindade, dava sobre mim a bênção.

“Isto não é nada estranho, pois Deus prometeu, já no Antigo Testamento, que Ele abençoaria sempre que o sacerdote desse a bênção” (AeD vol3, nº 2463)

Severidade que atrai incontáveis vocações sacerdotais


Primeira bênção solene de 16 novos sacerdotes em São Leopoldo
Primeira bênção solene de 16 novos sacerdotes em São Leopoldo
Não faltaram até padres jesuítas e seminaristas que criticavam o Pe. Reus por ser um religioso tão severo que afastava as vocações do seminário.

Nada de mais errado. Quando o Pe. Reus ingressou no seminário de São Leopoldo em 1913, esse contava com 123 seminaristas menores e 27 maiores.

Quando o Pe. Reus propôs uma casa para 250 internos, logo lhe responderam que essa ficaria vazia.

Porém em 1917, os seminaristas somavam 263. E foi preciso construir mais um prédio porque em 1937, o seminário menor contava com 249 alunos e o Maior com 203.

E construíam-se ainda outras casas religiosas em cidades vizinhas para seminaristas de outras instituições eclesiásticas enviados a assistir as aulas do Pe. Reus.

Nessas casas, as horas eram marcadas por toques de sino. Então o vale passou a ser conhecido, como até agora, como Vale dos Sinos.

Em 1938, o número de seminaristas beirava o milheiro com um aumento de 700%. Como explicar esse crescimento explosivo?

Responde o Pe. Reus: “Tive que escrever no diário, com forte resistência de minha parte, o que o amado Salvador exigia de mim: “Por causa de ti quero abençoar esta casa. (...) Quando terminei de escrever isso, passei os olhos mais uma vez.

“Vieram-me as lágrimas aos olhos, lágrimas de abandono; eu devo fazer simplesmente o que ele quer, sem tomar em consideração a minha opinião e a minha honra” (AeD vol3, nº 2467)

Como estamos hoje longe desse exemplo, quando vemos que os seminários se esvaziam e fecham, os costumes atingem o fundo do fosso da imoralidade, com o pretexto de atrair jovens que quereriam ser sacerdotes!

A Majestade do sacrifício do altar



E os fatos surpreendentes não acabam ali.

“Só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” desenho do Pe.Reus
“Só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” desenho do Pe.Reus
Na Missa de São João da Mata, no Ofertório se rezava Posuisti in capite eius coronam de lapide pretioso – Puseste na cabeça uma coroa de pedras preciosas, vi, de súbito, como me era posta uma coroa na cabeça. (...) creio que após a Comunhão, vi, à direita e à esquerda partirem raios das pedras preciosas da coroa (...) só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” (AeD vol3, nº 2539)

Quão longe está a interpretação moderna do sacerdote celebrante como um animador que meramente preside. Em verdade esta visão o apresenta como um rei ou um monarca coroado por Deus para o sublime sacrifício do altar.

A coroa voltou a aparecer outras vezes coroando a Hóstia sobre o altar. E ainda em 9 de fevereiro de 1939, “vi o amado Salvador em mim, ornado daquela mesma coroa” (AeD vol3, nº 2541)

Qual a natureza dessa monarquia sacerdotal no altar?

Em 10 de fevereiro de 1939 após a Consagração “vi em mim, (...) num grande brilho, que se estendia além da minha pessoa. Nisso, eu me vi de súbito no interior de um sol. (...) O Cristo vive em nosso interior. O sacerdote dentro do Sol, sendo um sol ele próprio” (AeD vol3, nº 2542).

Abraços divinos


A majestade de Deus abraçando o sacerdote zeloso se lhe manifestaria de diversas formas. “Desde o dia 23 de dezembro [1938], resisti e não senti nenhum impulso para falar do Menino Jesus que com seu braço direito envolve o meu pescoço.

“Naquele dia, eu caminhava no corredor e pensava como, por este tempo, a querida Mae de Deus estava de viagem para Belém. De repente, senti o Menino Jesus sobre meu braço esquerdo, a cabecinha reclinada na minha face. Desde então, isto me acontece muitas vezes
” (AeD vol3, nº 2457).

E ainda em 9 de janeiro de 1939 enquanto rezava na Missa a oração pelos defuntos “vi e senti como o Salvador crucificado, desta vez em tamanho grande, envolveu-me em seus braços, puxou-me para o seu peito lentamente, mas com tal força que tive que ceder (...)

“Devo ter sido um espetáculo estranho para o ajudante de Missa” (AeD vol3, nº 2473).

E o acólito veria ainda muitas manifestações da majestade de Deus através de seu sacerdote.

“No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena”
“No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena”. Desenho  Pe.Reus
Em 3 de fevereiro de 1939, “Quando, escreve, o Pe. Reus, me virei para o ajudante de Missa e rezei o Misereatur, para dar-lhe a Comunhão, um raio de luz irrompeu da minha boca e se derramou sobre ele. Certamente, é a ação das preces da Igreja como última preparação para a recepção do Sacramento do amor” (AeD vol3, nº 2536).

Ainda enquanto se preparava para atender confissões com ato de contrição e dor e aversão ao pecado viu “quase ao mesmo tempo que estou inseparavelmente unido a Deus. A inseparabilidade não me foi comunicada por palavras, mas pela realidade, a sensação de firmeza, graças ao Sagrado Coração de Jesus” (AeD vol3, nº 2580).

Em 22 de março de 1939, as Santas Pessoas da Trindade apareceram sobre o altar rodeadas de anjos “para indicar que também os anjos estão presentes no santo sacrifício.

“No momento em que subia ao altar, rezando Aufer a nobis – Afastai de nós, as três Santas Pessoas me abraçaram. (...) creio que a Santíssima Trindade concede esta demonstração de amor a todo sacerdote que se aproxima dignamente do altar. (...) O abraço foi o sinal sensível do perdão que pedira (...) com as palavras Ut indulgere digneris omnia peccata mea – Para que perdoeis todos os meus pecados” (AeD vol3, nº 2586)

Os portentosos prodígios místicos concedidos ao Pe. Reus foram em continuo aumento. Na medida que leiamos os milhares de páginas de seus informes ao Superior, supúnhamos ter chegado ao máximo.

Ledo engano. A falta de espaço nos impõe uma interrupção, mas nos próximos posts pretendemos continuar com apanhados das mais impressionantes.


Continua no próximo post:


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 2 de maio de 2022

Pe. Reus: o oposto dos maus sacerdotes “cloacas de impureza”

O Pe. Reus teve a missão de mostrar aos sacerdotes o bom caminho e afasta-los da censura de Nossa Senhora em La Salette
O Pe. Reus teve a missão de mostrar aos sacerdotes o bom caminho
e afasta-los da censura de Nossa Senhora em La Salette
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: Pe Reus: místico em tempos de infiltração do relativismo litúrgico



Na aparição de La Salette em 1846, Nossa Senhora teve palavras muito severas para os maus sacerdotes. Na opinião de muitos, poderiam ser aplicadas a não poucos sacerdotes que se têm em conta de “modernos”.

Mas precisamente, Nossa Senhora verberou “os sacerdotes, ministros de meu Filho, [que] pela (...) sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, (...) tornaram-se cloacas de impureza”. Cfr. O segredo da La Salette, texto completo em português

O Pe. Reus foi durante sua vida toda, malgrado as insídias do liturgicismo que se infiltrava de modo nascente, o exemplo radicalmente contrário de ditos sacerdotes de má conduta.

Como ele agia “na celebração dos santos mistérios” em que o relaxamento tinha tornado tantos sacerdotes “cloacas de impureza”?

O Pe. Reus amava se oferecer como vítima crucificada na hora da renovação do sacrifício da Cruz no altar. Renovava a grande tradição litúrgica dos santos na Igreja, e repelia a tendência liturgicista de fazer do celebrante um mero animador de uma festa comunitária, prática que daria margem a tantos abusos.

Em 8 de julho de 1938 quando levantava as mãos e braços na oração Unde et memoresPor esta razão – “senti-me pregado na cruz. (...) há muito tempo que peço sempre (...) a graça de morrer com Ele na Cruz. (...) o sacerdote, no sacrifício da morte do Senhor, durante a Santa Missa, deve ser um só com Ele na Cruz” (AeD vol3, nº 2297).

“O Pai Celeste aceita e deseja dos seus sacerdotes o oferecimento pessoal, juntamente com o sacrifício do Divino Filho” (AeD vol3, nº 2322)

“Vi mundos de fogo subindo do meu coração”. Desenho do Pe. Reus
“Vi mundos de fogo subindo do meu coração”. Desenho do Pe. Reus
Impossível imaginar uma disposição tão do agrado de Nossa Senhora.

Desde 1938 se intensificavam em continuidade as manifestações de amor de seu coração trocado com o Sagrado Coração de Jesus: “Cai sete vezes no chão. Ardor, peito descoberto na altura do coração, vibração até a última fibra. Fogo ardente, Comunhão forte ardor.

“Na Ação de Graças, fogo, calor, noiva de chamas, noiva de fogo, noiva do coração, noiva do ardor. Mar, sol, mundo de ardor, vulcão de amor, vulcão de chamas, sóis de fogo” (AeD vol3, nº 2304).

E em 21 de julho de 1938: “Na Ação de Graças, vulcão de amor. Logo subiu uma intensa chama do mais profundo do meu coração e se elevou até o firmamento. (...) vi sair do meu coração, mundos de chamas” (AeD vol3, nº 2309).

E ainda extraímos mais um exemplo do 22 de julho de 1938: “Vi mundos de fogo e mais mundos de fogo, subindo do meu coração. Subiam tão alto que pareciam ficar sempre menores, de acordo com a perspectiva.

“Também fora destes mundos de fogo havia chamas. No meio dessas chamas ‘eu Te amo’ foi a única expressão que pude dizer. Estive tão surpreso, confuso e perplexo com este amor ilimitado do Sagrado Coração de Jesus” (AeD vol3, nº 2310).

Finalidade da vida do Pe. Reus


Nossa Senhora em La Salette chorava com lágrimas de sangue da alma – se assim se pode dizer – pelos sacerdotes que faziam da Missa qualquer coisa menos o que deve ser.

Ela disse aos pastorinhos:

“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças.

“Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus, que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho!

“Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança.

“E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo” Cfr. O segredo da La Salette, texto completo em português.

O Pe. Reus foi suscitado por Deus para mostrar aos sacerdotes qual é o bom caminho, especialmente em matéria litúrgica e vida sacerdotal.

Por isso, pode escrever sem censura do superior que conferia suas anotações, que o referidos fenômenos místicos que se davam com ele, traziam uma mensagem sobre sua missão:

Minha vida tem uma única finalidade, mostrar como o divino Amigo dos sacerdotes ama os seus ministros e os encerra em seu coração.

“Deles espera, acima de tudo, correspondência de amor ardente. (...) Durante a Ação de Graças, por curto espaço de tempo, cheguei a conhecer por experiência própria o amor nupcial da Divindade” (AeD vol3, nº 2310).

E as manifestações divinas nesse sentido foram incessantes até o fim de sua vida.

Em 13 de agosto de 1938 ao rezar as palavras omni benedictione caelesti – toda a benção celeste – “vi descer sobre mim a benção do Altíssimo em forma de labaredas de fogo” (AeD vol3, nº 2332).

E em 20 de agosto “em consequência da purificação das mãos sacerdotais ... vi-me rodeado por um esplendor” (AeD vol3, nº 2339)

Repulsa da onda de blasfêmias no mundo


Essa intensa vida mística estimulava nele uma formidável repulsa da onda de blasfêmias que já se havia desatado até chegar ao tsunami diabólico de nossos dias.

No dia 9 de julho de 1938: “Ontem, li nos jornais diversas blasfêmias proferidas contra o Divino Salvador. Hoje de manhã, enquanto me dirigia para a igreja paroquial, vieram à minha mente, estas tremendas ofensas, (...)

“Sobreveio-me tal dor, que as lágrimas irromperam dos meus olhos. Logo depois da genuflexão e depois de ter adorado o Divino Salvador, cresceram o amor e a pena de tal maneira, que eu não podia ir mais adiante e tive que me encostar na coluna próxima, até que, depois de algum tempo esta excitação da alma tivesse passado” (AeD vol3, nº 2316).

O Pe Reus fazia tudo o possível para celebrar num local onde não pudesse ser visto. “Enrubesceu meu rosto de vergonha quando no dia 29 (outubro 1938), dois sacerdotes puderam testemunhar o êxtase de amor, depois da Consagração” (AeD vol3, nº 2402).

“O ardor de amor à maneira de coluna ereta de fogo, elevando-se para o alto”. Desenho do Pe.Reus
“O ardor de amor
à maneira de coluna ereta de fogo,
elevando-se para o alto”.
Desenho do Pe.Reus
Íntima união entre o sacerdote e a Vítima Divina


Na Missa de 3.11.1938 do cálice consagrado “subiram labaredas de fogo (...) como uma possante coluna de fogo até o trono de Deus. (...) Quando, voltado para o Irmão (acólito), eu pronunciei as palavras Domine, non sum dignusSenhor, eu não sou digno – vi sair da Santa Hóstia uma chama de fogo que, em curva, dirigia-se para o Irmão” (AeD vol3, nº 2405).

Em 12.11.1938, “Durante a Comunhão, vi sair da minha boca, vinda do meu coração, uma coluna de fogo que se dirigia para o Céu” (AeD vol3, nº 2414). E em 17 do mesmo mês “após a oração Pax Domini e na Comunhão, do meu peito saíram chamas de fogo que subiram flamejantes, verticalmente, com as que subiam do altar.

“Depois, repentinamente, uniram-se as duas chamas e, rodopiando entrelaçando-se, elevavam-se para o céu. Isto foi certamente para indicar a íntima união que existe entre o sacerdote e a divina vítima inocente.” (AeD vol3, nº 2418).

E em 27.11.1938 “Hoje me dirigi para o altar com o firme propósito de não permitir nenhuma imagem da fantasia e somente manter viva a fé. E isto eu cumpri.

“Mas quando, Na Comunhão, recebi o amado Salvador em meu coração, vi tão claramente que não posso duvidar: irrompia do meu peito, como de um chafariz, o ardor de amor à maneira de coluna ereta de fogo, elevando-se rapidamente para o alto, que no trono da Santíssima Trindade, dividiu-se. (...)

“Nisso se vê claramente com quanto amor a Santíssima Trindade acolhe, durante a Santa Missa, o amor do sacerdote.” (AeD vol3, nº 2428)




Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 18 de abril de 2022

Pe Reus: místico em tempos de infiltração do relativismo litúrgico

Altar em que o Padre Reus recebeu extraordinárias graças místicas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








continuação do post anterior: Pe. Reus: seminaristas admiram heroísmo anti-relativista



O ambiente católico dessas décadas era cada vez mais poluído pelo relativismo moral e litúrgico. Mas, confortando o heroico jesuíta, o Sagrado Coração de Jesus se lhe manifestava de modo cada vez mais acentuado.

O liturgicismo se infiltrava na Igreja

O “movimento litúrgico”, melhor chamado liturgicismo se iniciou na Bélgica no congresso das associações católicas em Malines, 1909.

Nele D. Lambert Beauduin (1873-1960), beneditino de Mont César, foi o primeiro a sustentar uma nova visão horizontal e “comunitária” da liturgia e foi um dos pioneiros do “movimento ecuménico”.

Ele teve o seu principal ponto de referência na abadia alemã de Maria Laach, foi, pelo contrário, entendido como uma “irrupção dos leigos na participação activa na vida da Igreja”.

Os reformadores tendiam a suprimir a substancial diferença entre o sacerdócio sacramental dos padres e o sacerdócio comum dos leigos, propondo uma visão igualitária e democrática da Igreja.

Insinuavam a ideia de uma “concelebração” do sacerdote com o povo, princípio, condenado pelo Concilio de Trento (sessão 23, cap. 4, in Denz.-H, n° 1767) e novamente proscrito por Pio XII na Encíclica Mediator Dei, in AAS, vol. 39, p. 556).

Sustentavam que se devia “participar” activamente na Missa, dialogando com o sacerdote, com exclusão de qualquer outra forma de legítima assistência ao Santo Sacrifício, como a meditação, o terço ou outras orações privadas.


Propugnavam a redução do altar a uma mesa; consideravam a comunhão “extra missam”, as visitas ao Santíssimo Sacramento, a adoração perpétua, como formas extra-litúrgicas de piedade.

Manifestavam escassa consideração pelas devoções ao Sagrado Coração, a Nossa Senhora, aos Santos e, de modo geral, pela espiritualidade inaciana e pela doutrina moral de Santo Afonso de Ligório.

Tratava-se, numa palavra, de uma “re-interpretação” da doutrina e da estrutura da Igreja, com o fim de as adaptar ao espírito moderno.

Entre as muitas manifestações sobrenaturais voltamos a escolher apenas algumas pela impossibilidade material de reproduzi-las todas.

Em 24 de julho de 1933, na ação de graças da missa “como outras vezes, o corpo, na região do coração, pareceu-me incandescente, semelhante a um ferro em brasa.

“De súbito todo o meu corpo pareceu constituído de inúmeras pequenas chamas. Logo depois, tive a impressão de que todos os átomos do meu organismo entoavam, num coro de muitas vozes, as palavras que quase ininterruptamente eu repetia: ‘Eu Te amo! Eu Te Amo do mais profundo do coração’” (AeD vol2, nº1414).

E ainda em 28 de julho de 1933, também na ação de graças da Missa “chamas, calor, fogo. Toda a região em torno do coração se assemelha a um bloco de ferro em brasa ... E de novo apareceu a bola de fogo como um sol” (AeD vol2, nº1415).

14 de agosto: “os estigmas queimavam” (AeD vol2, nº1420). 16 de agosto do mesmo ano: “vi brotar uma lavareda do meu coração que ia em direção ao tabernáculo” (AeD vol2, nº1421).

Domina a natureza

Sua virtude não ficava apenas no misticismo. Em 3 de março de 1935 viu se aproximar grande tempestade com granizo capaz de destruir as vidraças do seminário.

“Lancei-me de joelhos e rezei com os braços estendidos, pedindo proteção contra a desgraça que estava iminente. No momento em que levantei as mãos, cessou a ventania e tudo terminou em pouco tempo. ... sinto que não devo omiti-lo” (AeD vol2, nº1578).

No mesmo dia “fiquei todo em chamas. Também do tabernáculo veio uma poderosa chamarada.” Pouco depois, (em dia que não especifica), veio mais um temporal com trovoes terríveis ... ajoelhei-me e pedi ajuda de braços estendidos.

“Fez-se razoável calma ... enquanto eu rezava ... quando me levantei, ouviu-se mais uma vez um forte trovão. Imediatamente me ajoelhei de novo até que as trovoadas se amenizassem” (AeD vol2, nº1580). O fato prodigioso se repetiu outras vezes.

Como o profeta Jeremias cujas pregações ninguém ouvia

O 25 de março de 1935, visitando o Santíssimo Sacramento, “o forte ardor recomeçou de um modo que é impossível um ser humano reprimi-lo.

“É parecido com o que aconteceu com o profeta Jeremias. Já que ninguém ouvia suas pregações de penitência, ele resolveu não mais falar em nome do Senhor. Mas, diz ele, meu coração se tornou como fogo ardente” (AeD vol2, nº1581).

Embora cada vez mais marginado humanamente, Nosso Senhor se lhe fazia presente cada vez mais intensamente sobre tudo na Santa Missa.

Em 13 de outubro de 1936: “Na Consagração, vi em minhas mãos as luminosas e sagradas mãos de Jesus segurando o cálice e dando a bênção. Vi na minha língua a luminosa língua do Senhor pronunciando as palavras da Consagração” (AeD vol2, nº1810).

Essas visões ensinam verdades dogmáticas sobre a Missa, hoje infelizmente silenciadas ou ausentes em aulas de liturgia e celebrações modernas.

Sacrifício incruento da Santa Missa: o culto verdadeiro a Deus na Igreja verdadeira colide com os ritos pagãos de inspiração demoníaca
Em toda Missa bem rezada, Deus age como agia com o Pe. Reus,
embora de maneira não visível.
“24 de dezembro de 1936 ... vi, de repente, o Menino Jesus aconchegado a mim, como que sentado no meu braço esquerdo, com os bracinhos em torno do meu pescoço. Não pode haver dúvida quanto à verdade disso” (AeD vol2, nº1830).

“1º de janeiro de 1937. ... As visões do Menino Jesus continuam, também de noite, quando fico deitado, sem sono. ... Sinto os bracinhos do Menino Jesus, como Ele os coloca em torno do meu pescoço e também o vejo” (AeD vol2, nº1836).

Nesse ano, a Santa Face do Salvador se tornou visível na santa Hóstia após a Consagração. Também no próprio peito (AeD vol2, cap. 48).

Mas, várias vezes quando subia os degraus do altar no início da Missa “acreditava ver o amável Salvador diante do tabernáculo, esperando por mim de braços abertos. ...

“Ontem, o caso foi incomum. ... vi bem claramente o amável Salvador, esperando por mim com seu Sagrado Coração visível. Rezei o Oramus te Domine, beijei o altar e me ergui, para me virar para a direita e dirigir-me ao lado da Epístola.

“Nesse breve momento ... aconteceu algo que não poderia nem ter sonhado. O amável Salvador inclinou-se para mim e me abraçou” (AeD vol2, nº1875).

O Pe Reus insistia em que estes favores visíveis, Deus os dispensa sempre de forma não visível para o sacerdote que celebra a Missa como deve ser.

Indo para o altar todos os dias, ele invocava seu Anjo da Guarda e no 23 de abril de 1937 “senti nitidamente, como o amável Salvador se apossou de mim de modo que não sou eu que O possuo, mas Ele possui a mim” (AeD vol2, nº1882).

Em 2 de agosto de 1937, durante a distribuição da Comunhão viu que sobre o estigma de sua mão pousou “sua mão nítida e luminosa, a chaga do prego unida com minha ferida na mão, a língua e as partes do corpo circunvizinhas unidas com a própria língua do Senhor, que comigo pronunciava as palavras: Corpus Domini Jesu Christi – O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo” (AeD vol2, nº1936).

Com especial agrado, transmitiu ao bispo de Santa Maria as palavras da Santíssima Virgem à irmã Antônia: “eu sou a Medianeira de todas as graças” (AeD vol2, nº1938). Aliás, um dogma ordinário abafado muito nos dias de hoje no altar do falso ecumenismo.





Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 4 de abril de 2022

Pe.Reus face à avançada anticristã na ordem temporal

Livro do Pe Reus sobre os Três Mártires riograndenses
Livro do Pe Reus sobre os Três Mártires riograndenses
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: Pe. Reus: seminaristas admiram heroísmo anti-relativista



O Pe. Reus se entusiasmou pela causa de beatificação dos Mártires Rio-Grandenses que era promovida pela província dos jesuítas da Argentina, mas corriam críticas pelo aparente desinteresse dos jesuítas do Brasil.

Hoje, quando as tendencias eclesiásticas correm no sentido de exaltar a “cultura” indígena se entenderia bem essa omissão.

O Pe Reus compreendeu a improcedência da situação e acabou fazendo uma coisa que hoje colidiria de frente com a Teologia da Libertação, o Sínodo Amazônico e o tribalismo comuno-missionário.

Empenhou-se com grandes esforços na redação de um livrinho e encomendar santinhos sobre a vida desses santos horrivelmente martirizados pelos indígenas: Roque Gonzales (de quem gostava muito a imagem a cavalo), Afonso Rodrigues e João del Castillo em 1628.

O opúsculo e demais iniciativas do Pe Reus foram tão bem sucedidas que para a cerimônia de beatificação no Vaticano em 25 de janeiro de 1934, ele foi escolhido como representante da província jesuítica rio-platina.

Os mártires foram posteriormente canonizados em 1988.

As tendencias revolucionárias para uma modernização da sociedade da Igreja estavam em crescente expansão e, de início, sem patentear seu espírito convidativo à ruptura com as tradições culturais, sociais e religiosas.

O Pe. Reus percebia – instintiva ou sobrenaturalmente, não sabemos – que a sede descontrolada de novidades materiais vinha gerando efeitos tendenciais perniciosos, não explícitos.

Graf Zeppelin sobrevoa São Leopoldo, 29-6-1934
Graf Zeppelin sobrevoa São Leopoldo, 29-6-1934
Assim aconteceu quando o primeiro avião cruzou por São Leopoldo. “Todos se agitavam, gritavam, corriam, procurando ver a novidade, escreveu. Cada um queria ver o grande pássaro de ferro.

“Mantive-me afastado e não permiti aos meus olhos, que cada dia têm a felicidade de ver o Senhor no Santíssimo Sacramento, a ilusória felicidade de ver e admirar o milagre da técnica humana”. (AeD vol2, nº1323). Sua atitude de recusa à agitação pela matéria foi vista com desdém.

“Mais tarde, foi a vez do Zeppelin. Alvoroço generalizado. Tinham pedido ao piloto que, na viagem a Buenos Aires, fizesse um desvio sobre as colônias alemãs e Porto Alegre. ... Na data estabelecida aguardavam-no grandes massas de curiosos, especialmente em Porto Alegre. ... Horas e horas de ansiedade. ... O Zeppelin foi admirado, saudado, aplaudido e fotografado.

“Eu sabia que ele viria. Assim mesmo, fui à capela para orar diante do Santíssimo Sacramento. Ouvi o ronco dos motores, mas permaneci em serena oração. Victima tui amoris – Vítima do te amor. Deixei o Zeppelin ser Zeppelin. ... pude convencer-me de que era mais perfeito do que admirar o dirigível” (AeD vol2, nº1324).

Também, o santo jesuíta manteve seu espírito afastado das ocorrências das guerras e revoluções na Europa e no Rio Grande do Sul penetradas de espírito revolucionário em graus diversos como a I Guerra Mundial (lembramos que o Pe Reus era alemão) e a revolução rio-grandense de 1930.

Blasfemias de Adolf Hitler causaram atrozes dores ao Pe Reus
Blasfêmias de Adolf Hitler causaram atrozes dores ao Pe Reus
Sua indignação contra os atentados anticristãos do nazismo era radical.

No de novembro de 1935 a comunidade dos jesuítas recebeu jornais alemães – como, aliás, era costumeiro – relatando “a desgraça que Hitler trazia para a Alemanha”.

Quando um irmão começou a ler as ofensas da revista nazista Nordland pediu interromper a leitura porque “não podia suportar essa barbaridade”. Ofereceu a Santa Missa em reparação e caiu no chão de dor por ditas blasfêmias. (AeD vol2, nº1638).

E ainda em 1º de outubro de 1936: “ontem à noite, li as blasfêmias de Hitler: ‘ontem, hoje e eternamente. Fora Cristo!’ Chegando ao quarto cai no chão de dor” (AeD vol2, nº1806).


Também com os horrores blasfemos da Rússia comunista: “17 de dezembro de 1936. Numa revista, li que os ateus russos mandam construir estátuas de grandes homens, para depois as utilizar como alvos para exercícios de tiro, entre elas, também a estátua do amável Salvador.

“Isto me afetou de tal modo, que caí no chão do meu quarto, de tanto sofrimento e, ao mesmo tempo, amor” (AeD vol2, nº1829).


E as ameaças do comunismo brasileiro: “16 e 17 de agosto. ... o Arcebispo considerava a atual situação religiosa e política muito perigosa.

“Nem se excluía a possibilidade de após um ano, o Rio Grande do Sul não ter mais nenhum Bispo ... os comunistas teriam afirmado que, chegando ao poder, a primeira coisa a destruir seria o “Vaticano de São Leopoldo” ... senti um verdadeiro júbilo em meu coração, pensando ter a graça de derramar meu sangue pelo amado Salvador” (AeD vol2, nº1950).

Constantes atentados sacrílegos comunistas contra Cristo indignavam ao santo sacerdote
Constantes atentados sacrílegos comunistas contra Cristo
indignavam ao santo sacerdote
5 outubro de 1937: “Ontem li a Carta Pastoral Coletiva dos Bispos espanhóis sobre os objetivos e o desenvolvimento do poder comunista.

“Entre outras coisas conta-se, no texto, que um comunista, com ódio diabólico contra o Divino Salvador, postou-se diante do tabernáculo no qual estava o amado Salvador sob a espécie de pão, dizendo que queria vinga-se do Divino Salvador.

“Descarregou seu revólver contra o tabernáculo. Este terrível sacrilégio comoveu-me profundamente” (AeD vol2, nº1998).



Continua no próximo post: Pe Reus: místico em tempos de infiltração do relativismo litúrgico


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 28 de março de 2022

Pe. Reus: seminaristas admiram heroísmo anti-relativista

Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: Fiel à disciplina face a prenúncios de tempestade na Igreja



Mas a contestação de que falamos no post anterior não era geral, poderia ser atribuída com propriedade às minorias que ansiavam pela revolução eclesiástica que vinha se incubando e provocou a crise religiosa e litúrgica atual.

Um bom número de seminaristas ficou encantado com seus ensinamentos, criando uma nomeada de professor sério de Liturgia que se espalhou por todo o país de modo sem precedentes, como veremos.

Um deles escreveu: “O que nos penetrava o coração da instrução religiosa, eram as suas palavras cheias de unção, palavras que traiam íntima familiaridade com as coisas de Deus. Quantas vezes, depois da aula, eu ia à capela para agradecer a graça de ser aluno de um santo” (Kohler, op.cit, p.91).

Outros ressaltaram a “profunda emoção” que lhe suscitavam as matérias litúrgicas que ensinava e externava a vontade de consagrar o Brasil e a América a Deus.

Insistia na ordem, pontualidade, atenção e aplicação. “Seu olhar calava fundo, de modo que muitos achavam que ele lia na alma”, mas nas exposições sabia usar uma mímica, uma viveza e até uma veemência que, de caso pensado, provocava sonoras gargalhadas (Kohler, op.cit, p.92)

Era grande admirador do canto gregoriano e promoveu a compra discos para iniciar os seminaristas nesse sublime canto.

Todas aquelas contrariedades, dolorosas porque provinham até de irmãos de vocação em nada mudaram sua vida mística que foi crescendo em desconhecida proporção.

Objetos vinculados ao Padre Reus SJ
Objetos vinculados ao Padre Reus SJ
Entre os muitos exemplos que podemos citar, em 27 de janeiro de 1924, escreve que no início da santa Missa “estive todo envolto em chamas. ... A sensação de ser uma brasa viva persistiu por algum tempo” (AeD, vol2, nº 1160).

Em 11 de fevereiro do mesmo ano “vi um forte raio de luz saindo dos estigmas” (AeD, vol2, nº 1164).

Em 27 de outubro de 1924, indo para a chácara dos padres jesuítas “Mal saíra de casa, o Amado Salvador já estava ao meu lado esquerdo, um pouco à frente. Não o vi com olhos corporais, porque eu o via mesmo com os olhos fechados” (AeD, vol2, nº 1182)

Em 24 de novembro de 1927 lhe foi comunicado que seria preservado do purgatório, após rezar as palavras da Santa Missa para antes da Comunhão: A Te nunquam separari permittas – Jamais permitas separa-me de Ti (AeD, vol2, nº 1242). A promessa divina foi renovada em diversas ocasiões e lhe fez compreender a eficácia real daquelas palavras da Missa.

Desde então as palavras – em latim, único rito latino usado – da Missa começaram a ser ocasião de fenômenos místicos reveladores do efeito sobrenatural da Missa bem rezada.

Sua integridade de costumes e trato com os alunos lhe atraiam cada vez mais as oposições inclusive de seus superiores religiosos já minados pelo relativismo que daria no desfazimento moral geral de nossos dias.

O Dr Plinio Corrêa de Oliveira agindo no setor leigo da Ação Católica também constatou a sorrateira luta dessa relativização crescente nos costumes, nas doutrinas e no respeito da hierarquia no movimento católico como ficou consignado em suas memórias autobiográficas.

Mais um testemunho de líder católico contemporâneo do Pe. Reus

"Minha Vida Pública":
uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história do Brasil e da Igreja

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que foi aluno dos jesuítas no Colégio São Luis, na atual avenida Paulista em São Paulo comentou do Pe. Reus:

O Prof. Plinio foi presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo e manteve estreitas relações com os líderes eclesiásticos e civis católicos do Brasil todo. Tirou da insignificância e dirigiu o jornal “O Legionário” – hoje “O São Paulo” – com difusão nacional.

É uma testemunha privilegiada contemporânea do Pe. Reus e cultivou valiosas amizades com padres jesuítas de São Paulo e também alguns de São Leopoldo.

Pela amizade com alguns noviços ou ex-noviços de São Leopoldo ouviu relatos da vida e dos fenômenos místicos extraordinários do Pe. Reus que corriam de boca em boca.

“O jesuíta alemão Pe. Reus que viveu 47 anos no Rio Grande do Sul onde morreu tinha a cara mais simpática que uma pessoa possa ter.

“Mas a cara simpática de um homem de alta ascese, de princípios muito firmes e reto”, disse dele.

“Os estudantes pintavam o caneco. O padre Reus disciplinava. Os jovens reclamavam e o Diretor do Colégio lhes dava razão.

– Pe. Reus, a gente não apanha moscas com vinagre, mas com mel! O senhor quer atrair esses meninos para Nosso Senhor, seja a imagem da doçura de Nosso Senhor. Então não aperte. Não insista nas coisas que são duras.

– Pe. Superior, isso eu não posso. É contra a minha consciência, porque a Doutrina Católica manda outra coisa.

– O senhor não compreende? Os tempos mudaram!

– Mas, Pe. Superior, mudou a doutrina?

– Vai lá com as irmãzinhas, e por toda parte e o Sr encontra esse espírito.

“Ele foi sendo posto de lado quando estava em plena fase de produção, recebendo continuamente as mais admiráveis visões de Nosso Senhor e de Nossa Senhora!

“A respeito das quais o Superior lhe deu ordem de registrar todas.

“Eram visões extensas, passava horas escrevendo.

“Assim foi mais ou menos até a morte dele, o resto da vida”.

(Anotações de palestra de 17/1/89, sem revisão do Autor)
Dr. Plinio via germinar com décadas de antecipação a explosão que depois devastou o laicato católico no período pós-conciliar. O Pe Reus, no ambiente clerical e numa situação diversa e sem conexão com Dr. Plinio, reagia no mesmo sentido.Confira: "Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva para compreender a história do Brasil e da Igreja.

Um outro exemplo em 1933 “o Prefeito Geral falou de seu modo de agir com confiança em relação aos alunos. Eu, no entanto, sabia das dificuldades que surgiram sob sua direção. ...

“Essa exagerada ênfase na confiança eu já não denominaria mais de confiança, porém de ‘credulidade’. ... o Prefeito Geral apresentava essa metodologia em oposição à já usada comumente na Companhia de Jesus.

“Esta pede confiança, mas confiança cautelosa. Foi exatamente desta forma que atuou Dom Bosco, o experiente Mestre da Educação Moderna” (AeD vol2, nº1380).

Escritos e murmurações se multiplicaram contra o fiel filho de Santo Inácio sempre martelando contra seu comportamento íntegro tradicional.

Mais um caso em 1934: foi encomendado para a biblioteca o livro ‘Santo Agostinho’ de Papini.

Giovanni Papini (1881 –1956) foi um escritor italiano cético que se se declarou católico fervoroso, mas seus livros geraram grandes discussões e controvérsias.

Dirigiu revistas todas elas consideradas de vanguarda, e em verdade suspeitas. Foi mais um arauto da revolução que serpejava nos ambientes católicos. Cfr. Wikipedia, verbete Giovanni Papini.

“Notei logo, escreveu o Pe Reus, que a juventude do santo [N.R.: período de heresias e vida imoral que Santo Agostinho chorou a vida inteira] está representada com falta de critério, com observações eventualmente fortes, que estimulam a sensualidade.

“Pode-se dizer a verdade total e abertamente, sem ser tão sensual ... Não permiti que fosse usado para uma leitura comunitária” (AeD vol2, nº1542).

Em São Leopoldo as tensões cresciam impulsionadas pelas tendencias revolucionárias relativistas se abrindo ao pecado.




Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.