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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Misteriosa estirpe espiritual de Judas agindo na Igreja – Beato Palau 4

Judas negocia a traição de Jesus., Giotto
continuação do post anterior

Em numerosas ocasiões, o bem-aventurado alude à existência de um “Judas” enquistado na Igreja.

Com esta expressão ele não se referia a um indivíduo em particular, mas a uma espécie de estirpe espiritual que ao longo dos séculos trabalha dentro da Igreja contra Ela.

Segundo ele, essa linhagem do mal se manifestou de modo patente em certos heresiarcas, mas na maior parte do tempo agiu em segredo, escondida da massa do clero e dos fiéis.

No quê consiste essa estirpe? Como entrou na Igreja sacrossanta? Como pôde manter-se n’Ela? Como age? Qual é o seu sinal distintivo?

O santo religioso não se estendeu muito em pormenores históricos. Ele via, porém, que ao longo dos séculos sempre houve manobras diabólicas para infiltrar agentes e organizá-los dentro da Igreja.

O primeiro instrumento foi o próprio Judas Iscariotes, que dá o nome a esta estirpe do mal.

Mas o Iscariotes acabou se autodenunciando quando vendeu o Cordeiro Imaculado ao Sinédrio.

Porém, poucos anos depois, nos tempos apostólicos, este filão da perdição já estava agindo.

É o que diz São João em sua primeira epístola:

“18. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora.

“19. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos.” (I Jn, II, 18-19)

O Apostolo amado acrescenta que “o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, já está agora no mundo”. (I Jn, IV, 3)

Simão o Mago subia aos céus e São Pedro (de joelhos)
o fez se espatifar no chão na presença do imperador Nero (no trono).
São João faz o sinal da cruz. Bennozo Gozzoli
Os Atos dos Apóstolos (cfr. Act, VIII, 9-24) narram a história de Simão o Mago, que Santo Irineu qualifica de pai de todas as heresias (“Adversus Hereses”, livro I, cap. 23).

O bem-aventurado carmelita atribui a gestação dos erros e desordens na Igreja a esta estirpe de Judas:

“Judas e o diabo se combinaram contra Cristo, mas os dois foram expulsos do colégio apostólico. (...) o diabo buscou então portas para entrar no seio do catolicismo, e as encontrou nos heresiarcas. As portas lhe foram abertas pelos próprios cristãos que lhe entregaram as chaves da incredulidade e da corrupção das doutrinas.

“Agora ele está dentro. Desejais vê-lo? Entrai, e o que vereis?

“Vereis homens que se intitulam católicos, mas blasfemam como demônios e perseguem com furor o catolicismo. (...)

“Vereis o diabo dentro do próprio santuário, desafiando a onipotência de Deus com blasfêmias proferidas diante de seus altares.

“Vereis no povo católico as abominações prenunciadas por Daniel profeta. Vereis o anticristianismo instalado no poder.

“Vereis que o diabo se introduziu no lugar sagrado, e corrompe, perverte, tenta, prova” (“El suicidio”, El Ermitaño, Nº 87, 7-7-1870).

O Beato punha na boca de um demônio as seguintes palavras, falando desta linhagem de heréticos:

Martinho Lutero, máscara mortuória
“Nossa obra que com tanta cautela urdimos desde Judas traidor até esta data, encobrindo o plano com que foi concebida e que com sumo prazer vemos consumada na apostasia de todas as nações” (“Un misterio de iniquidad”, El Ermitaño, Nº 111, 22-12-1870).

Esse plano – segundo a profética previsão do frade carmelitano – iria atingir sua plenitude por uma misteriosa permissão divina:

“Ermitão, (...) escuta: deixa que o diabo e o ímpio completem o mistério de iniquidade que ele iniciou dentro do próprio santuário com Judas traidor” (“Adentros del catolicismo”, El Ermitaño, Nº 21, 25-3-1869).

Contra essa pérfida linhagem lutaram os grandes santos da Igreja, sem nunca terem conseguido extirpá-la completamente.

São Pio X, na célebre encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907, condenou com luxo de detalhes a conspiração dos heréticos modernistas, antecessores diretos dos atuais progressistas.

A descrição feita pelo Santo Pontífice da conjuração modernista concorda admiravelmente com a ideia que o Beato Palau havia formado dessa sibilina estirpe de Iscariotes:

“Os fautores do erro – ensina São Pio X – já não devem ser procurados entre os inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.

São Pio X denunciou a conspiração modernista,
mas não teve tempo para extinguí-la
“Aludimos, Veneráveis Irmãos, a muitos membros do laicato católico e também, coisa ainda mais para lastimar, a não poucos do clero que, fingindo amor à Igreja e sem nenhum sólido conhecimento de filosofia e teologia, mas, embebidos antes das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, blasonam, postergando todo o comedimento, de reformadores da mesma Igreja; e cerrando ousadamente fileiras se atiram sobre tudo o que há de mais santo na obra de Cristo, sem pouparem sequer a mesma pessoa do divino Redentor que, com audácia sacrílega, rebaixam à craveira de um puro e simples homem. (...)

“Não se afastará, portanto, da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja. Estes, em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos; e por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. Além de que, não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes que são a Fé e suas fibras mais vitais, é que meneiam eles o machado. (...)

“(...) continuam a derramar o vírus por toda a árvore, de sorte que coisa alguma poupam da verdade católica, nenhuma verdade há que não intentem contaminar (...) com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos (...)

“Acrescente-se-lhes ainda, coisa aptíssima para enganar o ânimo alheio, uma operosidade incansável, uma assídua e vigorosa aplicação a todo o ramo de estudos e, o mais das vezes, a fama de uma vida austera.

“Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formadas numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio; e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação” (São Pio X, Encíclica Pascendi Dominici Gregis).


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Como a Revolução satânica se infiltrou na Igreja – Beato Palau 3

Conspiração de Claudius Civilis,
Rembrandt (1606 – 1669), Nationalmuseum, Estocolmo

O Bem-aventurado Francisco Palau e Quer O.C.D. tomava como ponto de partida em seus escritos proféticos os fatos políticos, sociais e religiosos que lhe tocava assistir no dia-a-dia. E os analisava conscienciosamente à luz da Fé e dos dados dos doutores da Igreja.

Ele expunha suas conclusões através de uma linguagem rica em imagens, visando torná-las acessíveis aos leitores de seu jornal “El Ermitaño”.

Assim, ele apresentou uma conversação figurada do personagem principal de sua revista – “o ermitão” – com o próprio Deus, sobre o Concílio Vaticano I, que tantos benefícios trouxe para a Igreja.

Nela, o Beato põe nos lábios de Deus a seguinte explicação:

Por causa da corrupção dos costumes [Satanás] se introduziu no Sancta Sanctorum e, enquanto comanda todos os reis e poderes políticos da terra em batalha contra Mim desde o exterior da Cidade Santa, paralisa de dentro a minha ação, entorpece minhas empresas e frustra meus projetos” (“Roma vista desde la cima del monte”, El Ermitaño, Nº 58, 9-12-1869).

Entre os instrumentos desta ofensiva interna contra a Igreja ele apontava uns estranhos “sacerdotes” do demônio:

“Alguns destes homens e mulheres exibem uma virtude religiosa aparente, vão se confessar, ouvem a missa, comungam com frequência, mas o que há com eles? Horror!

Sabat das bruxas. Francisco Goya (1746 – 1828),
Museu del Prado, Madri
“Recolhem as formas eucarísticas, levam-nas para casa e as apresentam em sessões satânicas para serem espezinhadas. Esses são os Judas dentro do próprio santuário, que introduziram os demônios no local onde não tem direito, e encheram o templo de Deus de abominações” (“El maleficio”, El Ermitaño, Nº 103, 27-10-1870).

Satanás entrou no santuário – acrescentava o religioso carmelitano – e o encheu de abominações, sustentado por poderes que se intitulam católicos, e que de dentro do próprio santuário fazem guerra contra nós, uma guerra atroz, a mais perigosa que a Igreja já teve que enfrentar. (...)

“(...) porque ao inimigo convém nos combater a partir de dentro da fortaleza, e por isso ele usa a roupagem e o nome de católico, e com essa fachada se apresenta em certos atos religiosos para fascinar as turbas e criar confusão até no céu” (“Campamento de epidemia en Vallcarca”, El Ermitaño, Nº 99, 29-9-1870).

Em 1968, S.S. Paulo VI afirmou que “a fumaça de Satanás entrou no lugar sagrado” (Discurso ao Pontifício Seminário Lombardo, 7-12-68, Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, 1968, vol. VI, p. 1188; e Homilía “Resistite Fortes in fide”, 29-6-1972, ibid., 1972, vol. X, p. 707).

Cem anos antes, o bem-aventurado carmelita já denunciava com horror esta infiltração na Igreja.

continua no próximo post



segunda-feira, 6 de maio de 2013

Poder concedido por Deus sobre os inimigos do Papado. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 11

Tiara de Gregório XVI (Papa de 1831 a 1846)
[Continuação do post anterior]

Em 13 de abril de 1821 (...) meu espírito foi conduzido (...) a uma grandíssima sala. No meio dela eu vi uma mesa com três livros.

A mesa estava inteiramente adornada com emblemas que aludiam à seita dos convidados.

Observava estes reunidos em círculo em volta da mesa, sentados de modo desalinhado.

Esses homens tinham um aspeto feíssimo e sobre suas frontes se liam os sete vícios capitais e sua audácia de sustentar a maquinação que tramavam para perseguir a Santa Igreja Católica.

Cada um deles tinha a seu lado um espírito maligno com rosto de mouro e com corpo peludo como um urso. Eu via tudo isto sem ser observada por eles.

Com grande alvoroço abriram os referidos livros. Eu não conseguia ler o que continham.

Quando esses facínoras estavam folheando os grandes livros, meu espírito recebeu do Senhor a ordem de avançar contra eles, pegar sem impedimento os três livros e entregá-los às chamas de um fogo que via arder num canto daquela sala. (...)

Ouvia uma voz que me dizia internamente: “Se me amas, defende a minha honra. Pega aqueles livros e entrega-os às chamas”.

Meu espírito assim estimulado, sem consideração alguma e com presteza, avançou sobre a mesa, pegou os livros, e os jogou na hora nas chamas.


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Deus, por sua bondade, havia comunicado a meu espírito uma tal luminosidade e agilidade, que parecia uma sombra ardente recoberta de luz.

Apenas me aproximei, eles ficaram estupefatos e tomados de desconcerto. Instantaneamente os espíritos malignos se afastaram deles.

Bem-aventurada Elizabeth Canori Mora (1774–1825)
Beata Isabel Canori Mora (1774–1825)
Esses homens ficaram muito confundidos e, dando socos na cabeça em sinal de desespero, foram embora. Então os mensageiros celestes viraram a mesa com todos os emblemas que havia encima.

Depois, voltei a ver aqueles infelizes desventurados.

Os espíritos malignos, que antes tinham estado ao lado deles como custódios e inspiradores de seu mal obrar, se haviam transformado naquele instante em bárbaros ministros da justiça e do furor de Deus.

Cada um daqueles homens era cruelmente agrilhoado pelo seu espírito maligno com correntes de ferro e um grosso colar no pescoço, e arrastados barbaramente para fora.

Ante esta cena de tal maneira sinistra meu espírito não deixava de rezar ao Deus Altíssimo por tais infelizes, para que Ele se dignasse conceder-lhes Sua Misericórdia.

Mas minha oração não foi atendida senão por dois jovens que cheios de lágrimas se voltaram para mim e pediam minha ajuda. [págs. 764-768, numeração do manuscrito]

Fontes: Impresso: —Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) "La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre", Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995"
Manuscrito: MS 132, igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma.
Versão digital: — Intratext. http://www.intratext.com/IXT/ITA1070/.

FIM

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Prêmio e promessa da vitória final da Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 10

[Continuação do post anterior]

A Bem-aventurada frustra a manobra para erradicar o Papado de Roma.

A promessa que me fez meu Deus (...) verificou-se logo. Tendo passado 17 dias desde o início de minha enfermidade, chegaram a Roma as tropas austríacas [para enfrentar] a revolução dos napolitanos.

A terrível seita dos carbonários queria invadir a cidade de Roma para promulgar sua perversa Constituição. Não faltavam partidários em nossa cidade de Roma e em grande número.

Todos eles conspiravam para expulsar o Santo Padre Papa Pio VII, com o malicioso pretexto de guardá-lo em lugar seguro, de medo a uma insurreição popular. (...)

Eles tinham tentado todas as fórmulas para expulsar o Santo Padre de Roma. Tinham lhe incutido muito temor e, com fortíssimos argumentos, o haviam persuadido a partir.

De fato, uma noite tinham atrelado uma carruagem para conduzi-lo a Civitavecchia. Nos dias anteriores haviam preparado toda a equipagem para sua partida, dizendo que de momento o transfeririam a essa cidade.

Mas, se os assuntos de governo andavam mal, posteriormente tê-lo-iam levado a outros lugares. Tudo isto era uma manobra dos próprios sectários que queriam derrubar o Santo Padre.

Junto com sua partida, teriam saído muitos Cardeais, senhores e prelados. Todos já estavam em preparativos para abandonar Roma.

Com este malicioso ardil pretendiam tomar as rédeas do governo de Roma e escravizá-lo à bárbara Constituição. Castigo bem merecido para esta população, por causa de sua grande insubordinação em relação ao governo eclesiástico. (...)


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Por meio de divinas ilustrações, eu percebia muito claramente todas essas tramas. (...) Eu disse a meu confessor que visse como dizer ao Santo Padre para não se deixar enganar pelos argumentos dos que o aconselhavam e lhe solicitavam a partida, mas que ficasse em Roma. (...)

Meu pai espiritual respondeu prudentemente que não se podia transmitir essa advertência ao Santo Padre.

O sentimento comum dos políticos era pôr em bom resguardo o Santo Padre, fazendo-o partir de Roma. Portanto, não se teria obtido o desejado. Eu fiquei persuadida desta justa razão.

Ele me disse, porém, que elevasse fervorosas orações ao Senhor, a fim de que iluminasse o Santo Padre sobre o engano, desprezasse os conselhos humanos e decidisse não sair de Roma.

Pio VII, Papa de 1800 a 1823, Jacques-Louis David, 1805
Ouvindo o sábio conselho de meu diretor, pus-me a rezar com todo empenho. (...)

Eis que subitamente Deus concedeu tanta sutileza a minha alma, que ela pôde num instante penetrar no Palácio do Quirinale.

Meu espírito pôde falar livremente, por via da inteligência, e manifestar ao Santo Padre meus sentimentos ditados pelo espírito do Senhor.

E assim lhe fornecer todos os dados que eu acreditava necessários para sua permanência em Roma.

De fato, ele pôs em prática, ponto por ponto, quanto o meu pobre espírito lhe tinha manifestado, não obstante todos os conselhos e grandes argumentos, e a carruagem que já estava atrelada para fazê-lo partir.

Ele abandonou o parecer de todos seus conselheiros e disse-lhes que, em lugar de partir, queria repousar. Que não pretendia partir de modo algum.

Esta deliberação repentina e inesperada do Santo Padre frustrou com um golpe todos os planos já feitos e acertados pelos malignos sectários.

Nasceu neles uma grande confusão. Isto foi um trabalho da graça do Senhor, que os confundiu de tal maneira que as tropas napolitanas, em lugar de avançar contra Roma, como já tinham decidido, ficaram presas do medo.

Precipitadamente abandonaram as próprias fortalezas sem disparar sequer um canhão. Deram-se precipitadamente à fuga.

Percebendo este fato, as tropas austríacas avançaram e, sem disparar um tiro de canhão, sem combater, se apoderaram das fortalezas e marcharam sem obstáculos até Nápoles. (...)

Assim a pobre cidade de Roma ficou livre dessa terrível invasão [págs. 653-659]





Vitória após o castigo universal

Deus me fez conhecer grandes coisas de interesse da Igreja militante. Porém, não através de palavras sensíveis, mas por cognição intelectual e penetração interior, entretanto de um modo bastante mais claro que se me tivesse falado sensivelmente.

Eis suas divinas palavras:

Bem-aventurada Elizabeth Canori Mora (1774–1825)
Beata Isabel Canori Mora (1774–1825)
“Minha dileta filha, tu hás vencido. Teu sacrifício constante e forte fez violência à minha justiça irritada. (...)

“Eu tomo outra determinação. (...) suspendo por agora o severo castigo e dou lugar a minha misericórdia. Minha dileta filha, quero te pagar o que padeceste por meu amor.

“Alegra-te, oh filha, objeto de minhas complacências! O cristianismo não será mais dispersado, nem Roma será privada de possuir o tesouro da Cátedra da verdade infalível da Santa Igreja.

“Eu reformarei meu povo e minha Igreja. Enviarei sacerdotes zelosos para pregar minha Fé. Formarei um novo apostolado. Enviarei meu Divino Espírito Santo para renovar a Terra.

“Reformarei as Ordens religiosas por meio de novos reformadores santos e doutos. Todos possuirão o espírito de meu dileto filho Inácio de Loyola.

“Darei um novo pastor à minha Igreja, douto, santo, repleto de meu espírito. Com seu santo zelo reformará a grei de Jesus Cristo”.

Deu-me a conhecer muitas outras coisas relativas a esta reforma. Vários soberanos sustentarão a Igreja Católica e serão verdadeiros católicos, depositando seus cetros e coroas aos pés do Santo Padre, Vigário de Jesus Cristo.

Vários reinos abandonarão seus erros e voltarão ao seio da Fé católica. Povos inteiros se converterão e reconhecerão como verdadeira religião a Fé de Jesus Cristo.

Naqueles momentos eu podia apontar todas estas coisas com clareza. Mas, (...) em virtude dos justos juízos de Deus, Ele não quer que suas divinas resoluções se tornem públicas.

Desta reforma que está por fazer-se, eu sabia até os mais mínimos pormenores. Ainda quando estava aleitada, eu falava deles com muita clareza com minha filha caçula.

Mas, agora que escrevo, nem eu nem minha filha nos lembramos de mais nada. Porque Deus os apagou de nossa mente. (...)

O que eu posso dizer, sem embargo, é que esta grande Obra não se fará sem uma grande convulsão de todo o mundo, de todos os povos. (...)

Naquele tempo, falando com minha filha, eu dizia:

“Agora o Senhor abriu diante dos olhos de minha mente o livro da Divina Sabedoria, de tal maneira que eu leio o que falo. Mas quando o livro será fechado, eu não poderei te dizer mais nada”.

E de fato o livro foi fechado e eu lhe disse:

“Filha, o livro está fechado. Não posso ler mais nada. Quando o Senhor, pela sua bondade, voltar a abrir para mim o livro da Divina Sabedoria, então, se Deus quiser, voltarei a falar e direi tudo o que Ele quer”. [págs. 671-677]
Fontes: Impresso: —Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) "La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre", Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995"
Manuscrito: MS 132, igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma.
Versão digital: — Intratext. http://www.intratext.com/IXT/ITA1070/.


continua no próximo post


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Descristianização prevista em La Salette: dioceses francesas põem igrejas à venda

Antigo mosteiro à venda em Gacé, Orne, França
No período “pós-conciliar” houve um espantoso abandono da prática religiosa na França. Os católicos, que no início dos anos 70 eram 88% da população, ficaram reduzidos a 60,4% em 2010 (último dado disponível), segundo o instituto americano Pew Research Center.

Conforme pesquisa do instituto galo Ifop, apenas 4,5% dos franceses vão à igreja todos os domingos e somente 15% a frequentam pelo menos uma vez por mês.

Imbuídas da ideia de “inserir a Igreja no mundo”, em vez de diante de tamanha queda promoverem o retorno à verdadeira prática religiosa, as dioceses francesas aceleram, pelo contrário, a venda de igrejas e de outros prédios religiosos católicos como conventos, seminários e escolas, noticiou a BBC Brasil.

Veja vídeo
Veja demolição
da igreja de Abbeville,
França, abril 2013
Acresce-se a isso o esvaziamento dos seminários modernizados. E como o afastamento dos fiéis não só prejudica gravemente o bem de suas almas, mas também os desanima a doar para a Igreja, o resultado são os milhares de igrejas fechadas por falta de recursos para mantê-las.

“As dioceses estão em uma situação financeira crítica, com cada vez menos fiéis”, explicou Maxime Cumunel, do Observatório do Patrimônio Religioso, entidade civil que tenta preservar essa herança histórica religiosa.

O corretor imobiliário Patrice Besse, especializado na venda de propriedades religiosas, explica que “antes as dioceses se sentiam incomodadas em vender suas igrejas. Afinal, elas foram construídas com o dinheiro de doações. Agora há uma necessidade econômica. É preciso vender algumas para salvar outras”.


Demolição da igreja de Abbeville,
diocese de Amiens, Picardia, França, abril 2013


“Há cada vez menos fiéis e menos doações. O fenômeno de venda de igrejas está aumentando”, disse Besse.

A corretora de Patrice Besse dispõe de seis igrejas à venda, com preços entre € 50 mil e € 500 mil euros (aproximadamente entre R$ 130 mil e R$ 1,3 milhão), muito pouco dinheiro se comparado ao dos imóveis residenciais.

Capela do século XII transformada em moradia. Fronsac, Gironda, França
Ele acaba de vender por € 125 mil uma igreja na cidade de Soissons, no norte da França. O comprador foi um pianista anglo-taiwanês de 21 anos.

“A manutenção custa caro, e muitas paróquias preferem vender seus bens para não ter de arcar com despesas de obras”, afirma o corretor.

É o caso de uma capela na região de Bordeaux, no sudoeste da França. A diocese local explica em seu site que a mesma está fechada por razões de segurança desde julho de 2011.

As obras necessárias são estimadas em € 400 mil, preço frequentemente gasto por milhares de franceses na restauração de propriedades históricas.

Uma igreja vendida no ano passado na pequena cidade de Vandoeuvre-les-Nancy, no leste da França, tornar-se-á um centro comercial. “Só uma centena frequentava a igreja, que tem capacidade para mais de 700 pessoas”, justificou a diocese de Nancy, que obteve € 1,3 milhão com a venda.

Este exemplo toca num ponto muito sensível. Desanimados com a desordem no clero, os católicos temem muito que vários desses templos abandonados possam ser comprados com dinheiro vindo de países islâmicos e se tornarem mesquitas muçulmanas.

Ex-Carmelo à venda, Macon, França
Teme-se também que, como já sucede, algumas virem residências pessoais – aliás, bastante esquisitas – ou locais para atividades que tocam na irreverência ou na blasfêmia.

O temor é acrescido pela frequente recusa das dioceses em ceder suas igrejas abandonadas para uso dos fiéis que nelas fariam celebrar a Missa no rito extraordinário aprovado pela Santa Sé.

Esses fiéis se dispõem a arcar com os custos da restauração e manutenção, mas suas propostas são recusadas pelos bispos diocesanos “progressistas”, obrigando os fiéis a apelar a Roma.

Segundo Benoît de Sagazan, do Observatório do Patrimônio Religioso e detentor de um blog sobre o tema, no mês de fevereiro de 2013 havia 43 igrejas e capelas à venda na França.

A descristianização da “filha primogênita da Igreja” avança como consequência da revolução interna dentro do clero e do laicato católico, por vezes mal disfarçada sob o slogan "Igreja dos pobres" ou "para os pobres".


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sacrifício para evitar que o Papado saísse de Roma. Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 9

[Continuação do post anterior]

No passado mês de dezembro de 1820, no dia 8, festa da Imaculada Conceição de Maria Santíssima, por meio de uma ilustração divina, o Senhor manifestou-me Sua indignação justissimamente irada contra todo o gênero humano.

Ele me fez conhecer a impiedade, as infâmias, as enormes ingratidões cometidas contra sua Divina Lei e seu Santo Evangelho por todo tipo de pessoas, tanto eclesiásticos como leigos. (...)

Minha maior pena foi ver a Igreja de Deus posta toda no caos, plenamente desconjuntada e dispersa por causa da infidelidade dos sagrados ministros que deveriam sustentá-la, ainda que pagando com o próprio sangue.

Porém, em lugar disso, atraiçoam-na adotando as falsas máximas do mundo e se guiando pela política mundana.




Indignado por esta infidelidade, Deus havia decretado trasladar a outro local a Cátedra infalível da Verdade da Santa Igreja.

O grande Apóstolo São Pedro, zelador da honra de Deus, se me afigurou indignado, e São Paulo, qual guerreiro unido às milícias angélicas, queria trasladar a Cátedra de São Pedro da nefanda cidade de Roma.

Como poderei repetir a pena e a aflição que provocaram na minha pobre alma decisões tão trágicas e tão lúgubres para o cristianismo?


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Nossa Senhora apareceu em La Salette.
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Cheia de tristeza e de dor, (...) dirigi-me a meu pai espiritual. (...) comuniquei-lhe tudo o que me tinha acontecido. (...) ele ordenou-me rezar com todo fervor ao Deus Altíssimo, a fim de que a Santa Igreja não fosse dispersa nem fosse permitido trasladar [a Cátedra de Pedro]. (...)

Apoiada minha alma na obediência, apresentei-me à oração com máximo respeito e reverência. (...) neste estado de coisas se me fez ver a humanidade santíssima de Jesus Cristo, que com voz comprazida, assim me falou:


Crucifixão, Agnolo Gaddi
“Filha abençoada de meu Pai. Teu sacrifício unido a meus méritos aplacará sua justíssima indignação. Tu hás de padecer grandes coisas por meu amor.

“Deverás travar forte batalha contra as potestades das trevas. Estas farão grande violência para te vencer, servindo-se das torturas mais bárbaras para torturar teu corpo. (...)

“Tua alma deverá sofrer uma desolação e uma agonia em certo sentido semelhantes à que Eu sofri na minha Paixão e Morte” (...) [págs. 632-633]
Fontes: Impresso: —Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) "La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre", Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995"
Manuscrito: MS 132, igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma.
Versão digital: — Intratext. http://www.intratext.com/IXT/ITA1070/.


[Continua no próximo post]


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Visão da restauração da Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 8

[Continuação do post anterior]

O grande triunfo da Igreja

Na festa do grande Príncipe São Pedro, no ano de 1820, eu rezava pelas necessidades da Santa Igreja Católica. (...)

Pareceu-me então que eu via se abrir o Céu, e descer do alto com grande majestade, cortejado por muitos santos e anjos que cantavam hinos de glória, o grandíssimo Príncipe dos Apóstolos São Pedro vestido com os paramentos pontificais. Levava nas mãos um báculo com o qual marcava sobre a Terra uma vastíssima cruz. (...)

Apontava seu misterioso báculo para os quatro lados da referida cruz inscrita na Terra, e naquele momento eu via aparecer quatro árvores verdejantes, cobertas de flores e de frutos preciosíssimos.

As misteriosas árvores tinham forma de cruz. Estavam circundadas por uma luz brilhantíssima. (...)




Os bons cristãos que tenham conservado em seu coração a Fé de Jesus Cristo, assim como os bons religiosos e religiosas que fielmente tenham conservado em seu coração o espírito de seu santo instituto, estarão todos sob essas árvores misteriosas, protegidos e livres do tremendo castigo. (...)

Mas ai daqueles religiosos e religiosas inobservantes que desprezam as Santas Regras! Ai! Ai! Porque todos perecerão sob o terrível flagelo.

E falo isto de todos os maus eclesiásticos seculares, e de toda classe de pessoas de todo estado e de toda condição, que andam atrás das máximas falsas da reprovável filosofia de hoje, entregues à libertinagem. (...)

Todos esses infelizes perecerão sob o peso do braço exterminador da Divina Justiça de Deus, à qual ninguém poderá resistir. (...)


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Nossa Senhora apareceu em La Salette.
Ela chorava pela crise da Igreja e do mundo.
Ela falou para nossos dias.
Ela acenou para a iminência do castigo divino.
O que Ela disse?
Clique e veja excertos do Segredo

Una vez realizada a referida operação pelo Santo Apóstolo, (...) ele voltou a subir ao Céu, acompanhado pelos santos anjos que desceram com ele.

Logo depois de subirem ao Céu, o firmamento ficou toldado com uma cor azul tenebrosa que só de vê-lo causava terror.

Um vento caliginoso de sopro impetuoso se fazia sentir por toda parte com seu assobio veemente e tétrico.

Queda dos anjos rebeldes, Pieter Bruegel, detalhe
Voava pelo ar como um leão feroz, com seu fero rugido e seu horripilante eco. Por toda a terra espalhava o terror, o espanto. Porá a todos os homens e a todos os animais num estado de supremo pavor.

Todo o mundo estará em convulsão e matar-se-ão uns aos outros. Assassinar-se-ão mutuamente sem piedade naquela hora de sangrenta pugna.

A mão vingadora de Deus pesará sobre esses infelizes. Junto com sua onipotência perecerá seu orgulho, sua temeridade e sua desavergonhada ousadia.

Deus se servirá das potências das trevas para exterminar esses homens sectários, iníquos e criminosos que visam derribar, erradicar a Igreja Católica, nossa Santa Mãe, de suas raízes mais profundas e jogá-la por terra. (...)

Mas Deus rirá deles e de sua maldade. Com um só gesto de Sua mão direita onipotente punirá esses iníquos, permitindo às potestades das trevas que saiam do inferno.

Essas grandes legiões de demônios percorrerão o mundo e, provocando grandes ruínas, executarão as ordens da Divina Justiça, à qual esses malignos espíritos estão submetidos.

De maneira tal que não poderão fazer aos homens, aos seus bens, às sus famílias, às suas infelizes aldeias, cidades, casas e palácios, e a qualquer outra coisa que ficará em pé sobre a terra, dano maior ou menor do que permitirá Deus.

Deus ordenará imperiosamente às potestades das trevas que façam uma cruel destruição de todos os rebeldes que temerariamente ousaram ofendê-Lo, com tanto atrevimento e ousadia.

Triunfo da morte, Pieter Bruegel, detalhe
Triunfo da morte, Pieter Bruegel, detalhe
Deus permitirá que esses homens iníquos sejam castigados pela crueldade de demônios ferozes, porque se submeteram voluntariamente à potestade do demônio e com ele se confederaram para causar dano à Santa Igreja Católica.

Deus permitirá que esses espíritos malvados sejam punidos por meio de mortes cruéis e desapiedadas.

Dado que meu pobre espírito entendeu bem esta disposição da Justiça Divina, foi-me mostrado a tórrido cárcere infernal.

Eu via abrir-se da maior profundidade da terra uma caverna tenebrosa e espantosa cheia de fogo, de onde eu via saírem muitos demônios que assumindo uns uma figura e outros outra, uns de animal outros de homem, vinham todos infestar o mundo e fazer por toda parte massacres e ruínas. (...)

Devastarão todos os lugares donde Deus foi e está sendo ultrajado, profanado, sacrilegamente tratado, onde se tem idolatrado.

Todos esses locais serão demolidos, arruinados e perder-se-á todo vestígio deles. (...)

Realizada dita operação e punidos os ímpios com cruel morte, demolidos esses lugares indignos, vi que o Céu se serenava de repente.

E imediatamente vi que do alto descia sobre a Terra um majestoso trono.

Nele eu via o Santo Apóstolo São Pedro, majestosamente vestido com os hábitos pontificais e cortejado por um imenso número de anjos que formavam uma coroa em volta dele.

São Paulo, Praça de São Pedro no Vaticano
São Paulo, Praça de São Pedro no Vaticano
Cantavam hinos de glória em louvor do Santo, homenageando-o como se fosse príncipe da Terra.

Nesse momento vi que o Céu se abria novamente e descia com grande pompa e majestade o glorioso São Paulo.

Com o poder e a autoridade de Deus, veloz como um clarão, percorria todo o mundo e acorrentava aqueles malignos espíritos infernais, levando-os diante do Santo Apóstolo São Pedro, que com uma ordem cheia de autoridade voltava e as confinava nas tenebrosas cavernas, das quais haviam saído por ordem do próprio Santo Apóstolo São Pedro. Todos voltaram ao precipício do inferno.

Nesse momento vi aparecer um belo resplendor que anunciava a reconciliação de Deus com os homens.

A pequena grei de Jesus Cristo foi levada pelos santos anjos diante do trono do grande príncipe São Pedro.

Essa grei era aquele rebanho de bons cristãos que no tempo do tremendo castigo estará refugiado debaixo das misteriosas árvores, também mencionadas como gloriosos estandartes da Cruz, misteriosa insígnia de nossa Santa Religião Católica. (...)

O santo escolheu o novo pontífice. Toda a Igreja foi reordenada segundo os verdadeiros ditames do Santo Evangelho.

Foram restabelecidas as Ordens religiosas e todas as casas dos cristãos se tornaram outros tantos lares penetrados de religião.

A beata Isabel tinha grande devoção a este Nazareno
Era tão grande o fervor e o zelo pela glória de Deus que tudo era ordenado em função do amor de Deus e do próximo.

Desta maneira tomou corpo num instante o triunfo, a glória e a honra da Igreja Católica.

Ela era aclamada por todos, estimada por todos, venerada por todos.

Todos decidiram segui-la, reconhecendo o Vigário de Cristo, o Sumo Pontífice. [págs. 623-631]

[Continua no próximo post]
Fontes: Impresso: —Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) "La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre", Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995"
Manuscrito: MS 132, igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma.
Versão digital: — Intratext. http://www.intratext.com/IXT/ITA1070/.


domingo, 31 de março de 2013

Atrair a misericórdia divina sobre a Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 7

Pieter Bruegel, detalhe
[Continuação do post anterior]

Visão do estado do mundo. Acorrenta um demônio péssimo

Em 15 de novembro de 1818, durante as orações, (...) repentinamente foi-me mostrado o mundo. Eu o via submerso na confusão, sem ordem nem justiça.

Os sete vícios capitais desfilavam em parada triunfal, e por toda parte reinava a injustiça, a fraude, a libertinagem e toda espécie de iniquidade.

O povo estava entregue aos maus costumes, sem fé, sem caridade, totalmente imerso na crápula e nas perversas máximas da filosofia moderna. Todos os povos tinham mais a fisionomia de animais que de homens! (...)

Porém, o cenário do mundo mudou num instante.

Eis que a indignação de Deus subitamente envolveu o mundo todo, fazendo sentir àqueles povos de maus costumes o rigor de sua justiça, e retíssima justiça.




Minha pobre alma, vendo a indignação de Deus sobre aqueles miseráveis, gemia cheia de terror e de espanto, e com abundantes lágrimas deplorava sua miserável sorte. (...)

Num instante o mundo todo ficou imerso em grandíssima desolação. Oh, quantos gritos, quantas lágrimas, quantos suspiros se ouviam, provenientes de débeis vozes que ressoavam naquele teatro de tristeza!

Entre toda aquela gente iníqua, eu via um demônio feíssimo que percorria o mundo cheio de soberba e arrogância. Ele mantinha os homens numa penosa escravidão.

Inferno. Hans Memling, detalhe
Com orgulhoso império, pretendia que todos os homens ficassem sujeitos a ele, renunciando à fé de Jesus Cristo, mediante a inobservância de seus santos Mandamentos, entregando-se à libertinagem e às máximas perversas do mundo, adotando a vã e falsa filosofia dos nossos modernos e falsos cristãos.

Oh miséria verdadeiramente grande a se deplorar com infinitas lágrimas: eu via toda espécie de pessoas, de toda categoria, de toda idade, não só leigos, mas eclesiásticos de todas as dignidades, tanto seculares como regulares, que corriam atrás dessas falsas máximas. (...)

Deste modo passei os meses de novembro e dezembro de 1818.

Parecia-me, pois, que tendo sido atendido meu pobre oferecimento unido aos méritos infinitos de Jesus Cristo, Deus Eterno me dava permissão, pela Sua onipotência, de amarrar com minhas próprias mãos aquele demônio pervertedor. (...)

Ajudada pelo braço onipotente de Deus, parecia-me que com minha própria mão o reconduzia ao profundo abismo do inferno. (...)

Cumpri dita operação por meio da onipotência de Deus, que me dava muita força e autoridade para realizar tudo para a Sua maior glória. (...)

Realizada a referida ação, pareceu-me que o mundo todo respirava em paz, e que por meio de homens doutos e santos se restabelecia a justa ordem sobre a terra, com máxima glória para Deus e honra para nossa Santa Igreja Católica.

Parecia-me que cessavam os pecados e se fazia verdadeira penitência. Parecia-me que por toda parte reinava a paz e a justiça.

A fé de Jesus Cristo triunfava por todo lado e convertia os homens em seguidores do Santo Evangelho. [págs. 534-539]


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Nossa Senhora apareceu em La Salette.
Ela chorava pela crise da Igreja e do mundo.
Ela falou para nossos dias.
Ela acenou para a iminência do castigo divino.
O que Ela disse?
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Deus indignado, disposto a devastar o mundo

Na festa de São José, em 19 de março de 1820, depois da Santa Comunhão, que recebi na minha capela, (...) foi-me mostrado o braço onipotente de Deus armado com um forte e pesado látego, prestes a descarregá-lo repentinamente sobre nós, míseros mortais. (...)

Eu dizia: “Meu Jesus, defendei Vós a vossa causa. Dignai-Vos oferecer vosso Preciosíssimo Sangue. Aplacai a indignação de vosso Divino Pai”.

Eu pronunciava estas e outras palavras com todo o empenho de meu coração, com tanto fervor que enternecia o coração de Deus.

Beata Isabel com 22 anos
Deus se dignou ouvir-me em virtude de Sua infinita bondade e permitiu-me aproximar de sua tremenda majestade e segurar seu forte braço armado, para que não descarregasse o terrível golpe de seu justo furor. Assim, naquele momento, a justiça de Deus foi suspensa.

Porém não foi aplacada, posto que, dada a grande quantidade de iniquidades que se cometem, Deus determinou enviar um terrível castigo sobre a Terra, para lavar desse modo tantas iniquidades que se praticam. (...)

Vai chegar esse tempo terrível e tremendo. Então, Deus fechará seus ouvidos e não ouvirá oração alguma.

Mas, levado por Seu zelo em vingar os insultos gravíssimos que Sua Divina Justiça recebe, armando Sua mão castigará severamente a todos.

A todos. Sem que ninguém possa resistir nem fugir de Sua mão vingadora. [págs. 612-619]

Fontes: Impresso: —Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) "La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre", Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995"
Manuscrito: MS 132, igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma.
Versão digital: — Intratext. http://www.intratext.com/IXT/ITA1070/.

[Continua no próximo post]


sexta-feira, 29 de março de 2013

Cólera divina face ao “complô” dentro da Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 6

Leão XII, Papa de 1823 a 1829. Monumento na Basílica de São Pedro
[Continuação do post anterior]

Deus pede à Beata Isabel exultar com sua cólera. Ordem do confessor

Em 9 de março [1815] (...) Deus se apresentou ante mim simbolizado na figura de um forte guerreiro armado.

Com sua espada vingadora estava para fazer justiça pelas grandes injúrias que recebe dos seus. Rindo e exultando, convidava-me a exultar com Ele.

Porém, minha pobre alma estava tomada por uma tristeza tão profunda, que em lugar de exultar eu chorava amargamente.

Porque percebia claramente os estragos que Deus iria fazer com sua espada vingadora. (...)

O bom Deus (...) não somente me convidou a exultar com Ele, mas por meio de uma ilustração peculiar deu-me a conhecer quão reto e justo era o seu obrar. (...)

quinta-feira, 28 de março de 2013

O “sinédrio” que conspira dentro da Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 5

Pio VII, Papa de 1800 a 1823. Jacques-Louis David, 1805,
[Continuação do post anterior]

 O Papa rodeado de "lobos" e o pranto dos anjos

Em 11 de maio de 1814, rezando a Deus pelo Santo Padre, para que Ele lhe concedesse uma boa viagem, eu o vi viajando rodeado de lobos que faziam congressos e complôs para atraiçoá-lo. (...)

No dia 2 de junho eu vi novamente o nosso Santo Padre rodeado de lobos. Vi dois anjos de tal maneira entristecidos a seu lado, que choravam. (...)

No dia 5 de junho, festa da Santíssima Trindade, durante a comunhão voltei a ver pela terceira vez o Santo Padre. Eu vi o Sinédrio de lobos que o rodeavam e os anjos que choravam.

Uma santa ousadia me inspirou a lhes perguntar qual era a razão de sua tristeza e de seu pranto.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Corrupção na sociedade e na Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 4

continuação do post anterior

 O presépio do Menino Jesus cheio de sangue

Em 25 de dezembro de 1813 (...) vi três mensageiros celestes que me convidaram a ir com eles. Uma luz diante de nós nos conduziu até o Presépio. (...)

Eu vi um lindo e gracioso Menino que jazia num pobre berço junto de sua Santíssima Mãe. (...)

Porém, oh que coisa tão estranha eu vou contar! Ela me causou sumo estupor! Só de pensar sinto horror. Aproximei-me, então, do sagrado presépio e o vi todo cheio de sangue.

Nessa hora, eu vi três mensageiros celestes que traziam três belíssimos cálices e os ofereciam a Maria Santíssima.

domingo, 17 de março de 2013

Conspiração na Igreja e seu castigo. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 3

Continuação do post anterior.

Assim a Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) deixou registrado no diário com suas revelações místicas, que escreveu por ordem de seu diretor espiritual:

Os anjos lhe revelam a conspiração dentro da Igreja Católica
No dia 26 de janeiro de 1815, fui levada pelos santos anjos que costumam me favorecer a um lugar subterrâneo, onde pelas tochas acesas que conduziam nas mãos pude descobrir a perseguição oculta que é feita por muitos eclesiásticos contra Deus. Sob manto do bem, perseguem a Jesus crucificado e seu Santo Evangelho.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Misteriosos erros que envenenam os homens. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 2

Bem-aventurada Elizabeth Canori Mora (1774–1825)
Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825)
Continuação do post anterior.

Significado das cinco árvores desmesuradas

Entrementes, meu espírito foi conduzido como num raio a ver o grande estaleiro, onde eu vi muitos santos anjos que estavam engajados em dar forma a esta grande obra.

No estaleiro havia muitas madeiras de construção, e também muitos equipamentos para construir a referida nave.

Do lado de fora do estaleiro eu vi no descampado um grande matagal. Depois fui levada dentro do matagal, onde me foram apontados as cinco grandes árvores de tamanho desmesurado.

Observei que estas cinco grandes árvores alimentavam e produziam com suas raízes uma floresta fechadíssima de milhões de plantas selvagens e estéreis, diante de cuja simples consideração eu não pude conter as lágrimas; eu fiquei atônita e bem cheia de aflição.

domingo, 10 de março de 2013

O grande mal na Igreja. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 1

Bem-aventurada Elizabeth Canori Mora (1774–1825)
Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825)
A Bem-aventurada Isabel Canori Mora (1774–1825) foi uma leiga romana beneficiada com extraordinários fenômenos místicos.

Em 1996, a Libreria Editrice Vaticana, com o Imprimatur da diocese de Roma, editou tais escritos na íntegra, seguindo a ortografia e a gramática italiana moderna (La mia vita nel Cuore della Trinità — Diario della Beata Elisabetta Canori Mora, sposa e madre, Libreria Editrice Vaticana, 1996, 765 pp. Imprimatur do Vicariato de Roma, Pe. Luigi Moretti, secretário-geral, 31-8-1995).

Tivemos também ocasião de compulsar o seu Diário Espiritual, escrito por ordem de seus confessores e preservado na igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, em Roma (manuscrito MS —132), dos padres trinitários, numa versão completa xerografada.

O texto completo do Diário está disponível em italiano online em Intratext.
Já tivemos ocasião de tratar de algumas de suas visões e revelações nos posts: “Décadas antes de La Salette, Deus anunciava grandes castigos ‒ Beata Isabel Canori Mora 1”  e “Deus revela a extensão atingida pelo pecado ‒ Beata Elizabeth Canori Mora 2”.

domingo, 3 de março de 2013

Beato Francisco Palau O.C.D.: Lúcifer, autor da revolta no Céu, instiga uma Revolução análoga na Terra

Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. (1811-1872)
Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. (1811-1872)

As antevisões do Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. (1811-1872) impressionam pela penetração e riqueza de panoramas.

As suas previsões referentes aos dias de hoje são surpreendentemente detalhadas, abrangentes, fruto de longos estudos dos autores sagrados, Doutores e grandes teólogos da Igreja.

O Beato via os eventos históricos futuros imediatos se desenvolvendo segundo uma sequência fundamental:

1°. A marcha do mundo em direção à dissolução social e ao estabelecimento de uma anti-ordem caótica como fruto de uma Revolução anticristã;

2°. A denúncia dessa Revolução por um enviado de Deus e seus discípulos, seguida da justa punição divina da iniquidade;

3°. A restauração da Igreja e das nações por obra do Espírito Santo e o advento de um período em que as pessoas imbuídas do espírito do Evangelho dariam uma glória a Deus historicamente inigualável. Esse período histórico duraria até o fim do mundo.