segunda-feira, 19 de junho de 2017

Beato Palau: ver a Revolução para entender o que está acontecendo

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. (1811-1872)
Beato Francisco Palau y Quer O.C.D. (1811-1872)
Nota biográfica do Beato Francisco Palau O.C.D.

O bem-aventurado Francisco Palau y Quer O.C.D. nasceu no dia 20 de dezembro de 1811 em Aytona, na província espanhola de Lérida, e faleceu em 20 de março de 1872 socorrendo as vítimas de uma epidemia em Tarragona, Espanha.

Fundou em Barcelona a “Escola da Virtude”, modelo de ensino catequético, e em 1860-61 as congregações de irmãos e irmãs carmelitanas terceiras, que deram origem às congregações de Carmelitas Missionárias Teresianas e às Carmelitas Missionárias.

Pregou missões populares e difundiu a devoção a Nossa Senhora. Foi beatificado em 24 de abril de 1988. Sua festa litúrgica se celebra em 7 de novembro.

O Beato Palau professou seus votos na Ordem do Carmo em 15 de novembro de 1833, tempo de perseguição religiosa.

Em 25 de julho de 1835 as turbas republicanas, socialistas e comunistas incendiaram as casas religiosas, inclusive o convento do Beato. Ele se exilou numa gruta em Aytona conhecida como Cueva del Padre Palau que hoje é santuário mariano objeto de romarias.

Após novas convulsões, ele foi constrangido ao exílio na França, onde residiu por onze anos, até 1851, numa gruta perto do santuário de Notre Dame du Livron. Sua fama de santidade e os milagres que o povo lhe atribuía, atraiu a inimizade do clero local que se sentia “diminuído” por um religioso estrangeiro.

Voltou à Espanha em 13 de abril de 1851. Nomeado diretor espiritual do seminário diocesano de Barcelona, ele organizou a “Escola da Virtude” nos bairros operários.

O extraordinário sucesso da Escola para tirar o povo da influência revolucionária anticristã motivou arruaças socialistas e comunistas.

O governo liberal desterrou então o Beato Palau para a ilha de Ibiza, onde residiu durante seis anos e fundou um eremitério consagrado a Nossa Senhora do Carmo, primeiro santuário mariano da ilha.

Autor de vários livros, no fim de sua vida criou e foi o principal redator do semanário literário, político e religioso “El Ermitaño”, onde publicou suas reflexões sobre o presente e o futuro da Igreja e da humanidade.

Seus escritos se destacam pelas luzes proféticas. Sua linguagem utiliza muitas figuras e símbolos.

No fim de vida o Beato fez muitos exorcismos e pediu ao Papa Pio IX uma mobilização em massa do clero para exorcizar os demônios que possuem o mundo. Enviou ao Concilio Vaticano I uma raciocinada petição sobre o tema.

Em “El Ermitaño” o Beato Palau via os problemas religiosos, políticos, sociais, econômicos – e até os tecnológicos – como fazendo parte de um só e imenso movimento que, animado por Lúcifer e seus sequazes, procurava derrubar a Igreja Católica e a ordem social cristã.

Arguto e intenso analista das informações que chegavam a Barcelona através de jornais e telégrafos, ele teceu panoramas inspirados pela Fé e pela teologia nos quais é difícil recusar a inspiração profética.

O bem-aventurado Palau julgava que o conhecimento da Revolução, de sua existência, suas metas, seus métodos e agentes, é a chave para decifrar o aparentemente tão caótico acontecer moderno.

Ele dizia que se não se considerasse a realidade à luz dela, perder-se-ia a noção do que se está dando em torno de nós.

Mas seus contemporâneos mal viam a Revolução. Esta tinha cegado suas vítimas, estava se apossando dos poderes temporais e espirituais e imprimia o rumo dos fatos na terra. Explicava ele:

“o miserável mortal não vê (...) que há uma combinação para o mal, (...) sustentada e defendida por todos os poderosos da terra, animados, dirigidos e ordenados sob as ordens de um só príncipe, que é o diabo.

“Não vê esse anjo revolucionário que, executando um plano coerente que vai percorrendo os séculos, conseguiu fazer-se coroar com a glória e o poder de todos os reis do mundo civilizado” (“El reino de Satán sobre la tierra”, El Ermitaño, Nº 32, 10-6-1869).

O bem-aventurado deplorava que as boas iniciativas sofressem frustrações uma após outra. A causa disso radicava em que os seguidores das causas justas não atinavam para a unidade e a universalidade da Revolução:

“O que é a revolução da Espanha? – Um chifre, uma coroa sobre uma das sete cabeças do dragão infernal, essa cabeça se tornou visível nos atos de demolição e destruição de toda a ordem social; (...)

“essa cabeça vai formando um mesmo corpo de delito com as demais nações, formando em todas elas uma maldade única, um exército único, um só dragão, uma coisa só, e essa unidade e sustentada pelo príncipe tenebroso” (id. ibid).

“Se a revolução da Espanha é olhada segundo os cálculos da política, seu triunfo não tem explicação. Se julgamos com as leis da prudência humana aquilo que noticia a imprensa, tudo aparece tenebroso, incerto e movediço.

“Porém, se consideramos que a Revolução está combinada desde séculos passados com a da Itália, com a da França, com a dos protestantes, (...) nossos juízos e cálculos serão mais acertados e proveitosos” (“España: la esperanza de los católicos”, El Ermitaño, Nº 10, 7-1-1869).

A Revolução e os efeitos da Redenção

Queda dos anjos rebeldes, detalhe. Pieter Bruegel "O Velho" (1525/1530 — 1569), Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica, Bruxelas.
Queda dos anjos rebeldes, detalhe.
Pieter Bruegel "O Velho" (1525/1530 — 1569),
Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica, Bruxelas.
Para ele, a Revolução não é apenas uma matéria para belas dissertações em livros e que se usa para coordenar ideias e conectar aparências.

Tampouco é um fenômeno apenas prático surgido do nada ou do jogo dos interesses da política e da economia humanas.

Ela é o resultado de um longo processo histórico que tem profundas raízes teológicas e morais.

É uma tentativa de revanche do príncipe das trevas contra a obra inefável da Redenção da humanidade decaída com o pecado original, a qual nos obtida pelo Filho de Deus no alto do calvário.

Ele explicava que o fruto específico da Redenção foi a conversão de numerosos povos à verdadeira religião de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Oriente e no Ocidente.

Porém, vista desde a perspectiva anticristã, a Redenção pratica um “roubo” ao império de Satanás.

Então, ele não podia fazer outra coisa senão “recuperar” seu reino de perdição. Foi quando excogitou a Revolução na Terra.


Continua no próximo post: A Revolução é a fase atual da ofensiva do demônio contra a Igreja e a Cristandade


4 comentários:

  1. Esse santo apesar de ser um santo muito pouco conhecido no Brasil, é um santo atualíssimo! Gosto muito de ler os textos que são publicados sobre ele neste blog. Obrigado por partilhar!

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  2. Esse processo revolucionário que envolve elementos humanos e demoníacos (agentes humanos e demoníacos) é muito sério e real. Hoje esse processo está num estagio muitíssimo mais avançado. Penso que ele esteja ligado à vinda do Anticristo que instalará um governo ímpio mundial que perseguirá ferozmente os cristãos por todo o globo terrestre. Devemos estar atentos, pois o processo está em curso e acredito que muita coisa oculta ainda virá a tona. Que Deus nos conceda a graça de sermos fieis a Cristo!

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  3. Aproveitando o tema das profecias, gostaria de partilhar umas profecias de um sacerdote carismático polonês sobre o final dos tempos. Antes das profecias propriamente ditas, o sacerdote fala um pouco de sua família e de si mesmo. O vídeo está dublado em espanhol por uma voz feminina, mas de fácil compreensão. Acredito que as profecias nos ajudam muito a compreender o que estamos vivendo nos tempos atuais e nos ajudam também a nos preparar para os acontecimentos futuros.
    Quem sabe algum internauta se interesse a fazer uma tradução também em português a este vídeo.
    EL PADRE ADAM, PROFETA DEL FIN DE LOS TIEMPOS
    https://youtu.be/GhZtXZ_nQFk

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  4. O mais triste é que essa revolução chegou na Igreja, bom, não poderia ser diferente já que ela é o reino de Cristo na Terra.

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