segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Sœur Marie e a conversão universal vindoura

Bem-aventurados, Fra Angelico, Berlin (1395 – 1455)
Bem-aventurados, Fra Angelico, Berlim (1395 – 1455)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: A “grande tribulação” que purificará o mundo



Nosso Senhor também lhe fez ver o gáudio universal que tomaria conta do mundo pela conversão geral que viria após a “tribulação espantosa” que Lhe anunciava e que foi abordada no post anterior: A “grande tribulação” que purificará o mundo.

Assim o registra São João Eudes: “Tendo sido destruído o pecado por toda parte, todo o mundo se converterá a Deus, segundo o oráculo do Espírito Santo: Et convertentur ad Dominum fines terrae”.

Foi isso que Nosso Senhor fez saber à Sœur Marie através de numerosas palavras, várias figuras e explicando o significado de um grande número de passagens das Sagradas Escrituras.

“Ele lhe disse muitas vezes que chegará um tempo em que fará chover um dilúvio de graças que inundará o mundo todo, e que naquele momento embriagará com o vinho do Seu amor um grande número de pessoas.

“Mais especialmente aquelas que trabalharão pela salvação das almas, e que Ele dará belos vasos de ouro a todas as igrejas, isto é, bons pastores e bons sacerdotes, como Ele mesmo explicou, e que converterá todas as almas que levam impressa a imagem de Deus” (p. 283).

Ele também lhe disse: “Não sou rei da terra, porque não reino sobre ela; o rei dela é o pecado, pois é ele que reina sobre ela; mas Eu virei em breve e destruirei esse monstro e reinarei em todo o universo”. (p. 293)


Em 20 de dezembro de 1644 Deus lhe ordenou ir à igreja rezando um rosário completo com versículos específicos em cada conta. E lhe explicou:

“Este rosário pede pelo mundo todo. O primeiro terço representa a Igreja, o segundo a nobreza, o terceiro o povo. Foi-lhe pedido rezar assim para pedir a conversão de todos”. (p.285)

No dia 6 de maio de 1646, Nosso Senhor lhe prometeu: “Aplanarei as montanhas e as farei frutificar com toda espécie de bons frutos. Encherei os vales com leite e mel. Das minhas cinco feridas farei manar cinco rios que inundarão a terra inteira”. (p. 287)

Esses cinco rios serão de misericórdia, brotarão das cinco chagas e simbolizam: a chaga da mão direita: o poder de Deus; a chaga da mão esquerda: a Igreja; a chaga do pé direito: os judeus; a chaga do pé esquerdo: a gentilidade. 

E, por fim, a chaga do lado: a Paixão de Cristo e seu Sagrado Coração, chaga ardente que queima todos os pecados.

Concluiu Ele dizendo que todos os homens mencionados se fundirão um dia e serão um só, quando haverá uma única fé, uma única lei, um só pastor e um só rebanho. (p. 289)

Todos eles passarão pelo fogo da “crise universal que deve vir” (p.340) para serem purificados, e então Nosso Senhor fará com eles “uma só Igreja e só haverá uma fé e uma lei”. (p.290)

Esplendor do triunfo de Cristo em Maria


Alegoria do Bom Governo, Ambrogio Lorenzetti, detalhe
Alegoria do Bom Governo, Ambrogio Lorenzetti, detalhe
Numa outra ocasião em que Cristo pronunciava o mesmo juízo condenador da Terra, a Esperança cantava alegremente este versículo do salmo 84 (11-12):

“A pura Verdade germinará na Terra e a Justiça fará chegar seu brilho até o último canto”, sinal da mudança que acontecerá na conversão geral. (p.300)

Em 1650, Marie des Vallées viu Nosso Senhor como que abismado diante de uma torrente de água composta por sete rios que se interconectavam.

Representavam os sete pecados capitais. O mais horrível era preto, fazia mal ao coração e parecia arrastrar os outros: era o orgulho e a ambição.

O segundo, da avareza, tinha uma água de sangue escuro e purulento.

O terceiro, da inveja, estava cheio de vermes.

O quarto, da gula, estava cheio de lixo e sujeira.

O quinto, da luxúria cheirava como pus e envenenava.

O sexto, da ira, era como um fogo negro, borbulhante, espumante e furioso.

O sétimo, da preguiça, era lamacento e cheio de animais repugnantes.

Paraíso, Giovanni di Paolo (Siena, 1403 — Siena, 1482)
Paraíso, Giovanni di Paolo (Siena, 1403 — Siena, 1482)
Nosso Senhor então disse que sua bênção iria mudá-los de modo maravilhoso em água cristalina, luminosa, que correria fazendo doce murmúrio.

“E tudo isso não era senão uma figura da conversão que acontecerá no tempo da grande missão de Nosso Senhor.

“Os grandes e ambiciosos do mundo, leigos ou eclesiásticos, serão substituídos por esses cedros do Líbano, esses grandes santos de que já falamos” (p. 303). Ver Apóstolos dos Últimos Tempos.

Nosso Senhor se estendeu mais sobre seu plano, dizendo:

“Todas essas mudanças serão feitas no momento da conversão geral e então abriremos todos os pequenos canais que estão nas duas margens da torrente e as águas se espalharão por todos os lados e regarão toda a terra do universo”.

“Você vê – continuou dizendo Nosso Senhor a Sœur Marie –, nós bebemos, por meio dos tormentos que você sofreu, todas as águas desses rios como elas eram antes de Eu as ter abençoado.

“Nós as bebemos como se bebem no inferno, porque carregamos a pena e a culpa, quer dizer, sofremos com se nós tivéssemos sido culpados, nós carregamos as penas dadas pela Ira de Deus que é o castigo devido à culpa (...)

“e ainda os disporemos a beber por meio das grandes tribulações que lhes enviaremos, que os purificarão e converterão como essas águas que foram purificadas e mudadas por minha bênção”. (p. 304-305)


Continua no próximo post: Sœur Marie sobre o estado da Igreja


Nota: Todas as citações desta série de posts, salvo indicação em contrário, foram extraídas de “La vie admirable de Marie des Vallées et son abrégé rédigés par Saint Jean Eudes, suivis de conseils d’une grande servante de Dieu”, Centre Saint-Jean-de-la-Croix, Mers-sur-Indre, França, 2013, 693 páginas.

Coleção “Sources mystiques”, textos presentados e editados por Dominique Tronc e Joseph Racapé, CJM.


2 comentários:

  1. Ler este e outros textos relativos a manifestações de Deus é sempre motivo de espanto por tanta ignorância
    Este texto leva-me a pensar nesta época -constantemente se ouve falar num DEUS,PAI das Misericórdias quando afinal “Todas essas mudanças serão feitas no momento da conversão geral e então abriremos todos os pequenos canais que estão nas duas margens da torrente e as águas se espalharão por todos os lados e regarão toda a terra do universo”.
    Concluo que "o momento da conversão " fará um percurso em que o sofrimento é um anátema .
    Defacto ,esta época está eivada de sofrimento criado pelos desmandos tremendos em todos os campos desde desmandos científicos a desmandos de FÉ .
    está se constantemente a ter avisos de vária ordem desde climatéricos a incidentes inexplicáveis .
    Hoje não se vive -sobrevive-se em absoluta ignorância dos "sete pecados mortais" .
    Obrigada Professor

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  2. Obrigado pela postagem e excelentes considerações. Em tempos apocalípticos saber que Nosso Senhor vai fazer brotar 5 rios de graças me faz lembrar as grandes vitorias do Bem sobre o Mal.

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