Pe. Reus SJ: místico que pode salvar o Brasil

Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Um santo que

teria impedido

a crise

litúrgica brasileira

mas não foi ouvido










Um mestre de Liturgia para curar a crise no catolicismo brasileiro

Fiéis veneram túmulo do Padre Reus SJ e imploram graças
Fiéis veneram túmulo do Padre Reus SJ e imploram graças
Envolto em fama de santidade faleceu em São Leopoldo, RS, no dia 21 de julho de 1947 o Padre João Batista Reus SJ, nascido em Pottenstein, Baviera, em 10 de julho de 1868.

Fazendo parte de uma missão de padres jesuítas, ele desembarcou no dia 15 de setembro de 1900 no porto de Rio Grande, Rio Grande do Sul. E desempenhou sua missão apostólica no Brasil até sua morte no mesmo estado.

Ele fez a viagem desde a Alemanha no vapor “Rosário”, em cujo nome viu um sinal da benção de Nossa Senhora, da qual era escravo de amor segundo a fórmula de São Luis Maria Grignon de Monfort, e uma confirmação da Mediação Universal de Maria.

Durante um breve período foi pároco na própria Rio Grande, sobre o qual teremos ocasião de escrever, onde desenvolveu um apostolado sobrenatural admirável e enfrentou valentemente a feroz oposição dos inimigos da Igreja Católica, protestantes, maçons, socialistas, etc.

Mas, no ardor da polêmica, foi transferido por seus superiores ao Colégio de Cristo Rei, em São Leopoldo, onde até o fim da vida foi professor de teologia e notadamente de Liturgia, entre outras atividades religiosas que lhe consumiram o dia todo até sua morte.

Hoje em dia seu túmulo é objeto de extraordinária visitação e romarias de fiéis que lhe atribuem inúmeros e incessantes milagres e graças concedidas.

O Pe. Reus foi um grande místico, que recebia inúmeras êxtases e visões, principalmente durante a Missa que preferia celebrar em capela secundária, sem a presença de outras pessoas, para não atrair a atenção sobre os extraordinários fenômenos místicos que lhe aconteciam durante o Santo Sacrifício.

Ele não desejava que os fenômenos extraordinários com os quais foi privilegiado pela Providência – a levitação, por exemplo – suscitassem a comoção dos fiéis.

Posteriormente, a pedido de uma comunidade religiosa, aceitou celebrar a missa em capela pública, causando admiração de muitos pelos frequentes êxtases.

Edição recente
Edição esgotada

Aliás ainda hoje pode ser encontrado em diferentes formatos
na Internet.

Em PDF: CURSO DE LITURGIA

Em PDF: CURSO DE LITURGIA
Durante sua vida escreveu diversos livros religiosos em português, espanhol, alemão e italiano.

Destacam-se seu Diário Espiritual e Autobiografia editado em cinco volumes e que citaremos em abundancia; o Curso de Liturgia que teve três edições e foi o manual preferido pelos seminaristas nos anos anteriores à reforma da liturgia disposta pelo Concílio Vaticano II.

Paradoxalmente, ainda hoje quem escreve houve falar a jovens sacerdotes que reconhecem com orgulho terem se formado com esse manual que alimentou gerações de padres no amor à liturgia da Igreja.

Seu processo de beatificação começou em 1953, mas ficou parado durante décadas.

Nos anos 90, os bispos gaúchos pediram ao Papa João Paulo II, a beatificação do santo jesuíta. Mas ao mesmo tempo, confidencialmente, carta de um alto prelado gaúcho teria implorado à Santa Sé não iniciar o processo por não ser "prudente". Ignoramos os argumentos aduzidos.

O processo ainda aguarda no Vaticano porque por fatores que o leitor perceberá logo ficou congelado na Congregação romana correspondente.

Túmulo do Padre João Baptista Reus SJ em São Leopoldo, RS
Túmulo do Padre João Baptista Reus SJ em São Leopoldo, RS
Não temos notícias especiais de que o Pe. Reus se tenha engajado em polêmica aberta contra os promotores dos “erros liturgicistas” que já lavravam nos ambientes eclesiásticos brasileiros preludiando a imensa crise litúrgica dos nossos dias.

Poderá então o leitor se perguntar por que este blog se ocupa dele.

Nosso blog está centrado na mensagem de Nossa Senhora em La Salette. E também em outros avisos do Céu que vão no mesmo sentido transmitidos por grandes santos como São João Bosco e destacadamente o Beato Francisco Palau, além de muitas outras almas virtuosas.

E, em primeiríssimo lugar os avisos de Nossa Senhora, como os de Fátima, da Rue du Bac, etc.

Essas mensagens nos advertem da gravidade dos eventos que o pecado generalizado dos homens atrai sobre a Terra.

O Pe. Reus em seus escritos não nos fala disso.

Mas nos transmite seus quase inacreditáveis fenômenos místicos havidos precisamente a propósito da Santa Missa, da qual na sua vida só se celebrava no rito hoje definido “extraordinário”, de “São Pio V”, “tradicional” ou simplesmente “missa em latim”.

Não precisamos explicar a polêmica universal e o abandono da assistência à Missa dominical com imenso dano espiritual para os fiéis, havida após o Concílio Vaticano II. E não entraremos nessa polêmica.

Indagamos, isso sim, como meros leigos, como estaria o Brasil e o mundo se a Santa Missa estivesse sendo celebrada como o fazia o Pe. Reus.

Devotos caminham para pedir e agradecer ao Padre Reus as graças recebidas
Devotos caminham para pedir e agradecer ao Padre Reus as graças recebidas
Por certo desejamos que o País e a Igreja universal saiam da imensa crise religiosa, moral, social, cultural e até econômica em que se debatem, como parte dos flagelos anunciados nas referidas aparições.

Nesse sentido, os exemplos e a interpretação que nos fornece o Pe. Reus do valor infinito do Sacrifício Eucarístico no seu rito tradicional latino trazem uma consoladora perspectiva de como essa crise poderia ter uma solução e quiçá nunca ter começado.

De fato, o Concilio Vaticano II adotou uma teologia nova que fala da Igreja como sendo um Povo de Deus profético e sacerdotal.

Essa singular focalização da igreja já vinha sendo observada enquanto germinava sorrateiramente segundo pode ver o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira nos tempos que presidia a Junta Arquidiocesana da Ação Católica em São Paulo.

E constituía um elemento chave na colossal revolução religiosa que Nossa Senhora denunciou em La Salette, em Fátima e a tantas almas santas que procuramos reproduzir no nosso blog.



O Pe. Reus e a revolução religiosa crepitando no Brasil

O Pe. Reus, jovem sacerdote
O Pe. Reus, jovem sacerdote
Já nos anos ’30 o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira via entrar nos ambientes católicos brasileiros um movimento revolucionário vindo da Europa que se desenvolvia também na liturgia.

Segundo esse a ordem hierárquica da Igreja ia ser superada pela vivência de um conceito igualitário, comunitário, como depois foi encarnado pelas subversivas e hoje quase extintas CEBs, e recuperado no conceito de “sinodalização”.

Tratava-se da penetração dos erros democráticos igualitários que infestavam as sociedades e os novos governos derivados da anticristã Revolução Francesa.

O santo Papa Pio X havia fulminado esses erros condenando o movimento francês Le Sillon que os tinha adotado se dizendo permanecer católico.

Foi uma explosão de igualitarismo que perdura até nossos dias.

Nessa deformação da Igreja eram nivelados não só os sacerdotes, religiosos e religiosas, mas também os simples fiéis, porque a comunidade seria a sede de um sacerdócio coletivo “profético”.

Nessa visão, o Povo de Deus seria canal de uma inspiração de caráter mágico-pentecostalista.

Essa inspiração forneceria a voz decisiva para governar a Igreja e não mais a sagrada hierarquia, e substituiria o sacerdócio sacrifical pela comemoração comunitária. Algo parecido ao gosto protestante.

Ainda não se praticavam os abusos que depois vieram. Mas tendencialmente tudo encaminhava para isso
Ainda não se praticavam os abusos que depois vieram.
Mas tendencialmente tudo encaminhava para isso
Uma das consequências seria um governo da Igreja autogestionado por esses pequenos grupos ou comunidades mágico-pentecostalistas se governando a si próprias em virtude de uma iluminação que não se sabia de onde emergia, mas que eles atribuíam ao ‘Espírito’.

Eles seriam assistidos por um fluxo que circula entre eles e que lhes inspira as decisões. Essa vontade coletiva eles comunicam ‘sinodalmente’ ao Bispo e esse deve acabar aprovando-a.

E o bispo deve reconhecer as inspirações dos pequenos governos autogestionários iluminados, e dizer o que quer o deus.

E desses pequenos grupos nasce o novo magistério popular não mais hierárquico. As próprias Sagradas Escrituras seriam reescritas e interpretadas pela experiência das comunidades.

Deus está imanente na base, na movimentação geral e nas nuvens de bispos e/ou gurus. Até determinar o que o Papa deveria aprovar o reprovar.

Nesse sistema, a comunidade de base sinodal seria depositária de uma energia que já nos tempos da Ação Católica os cristãos mais compenetrados da nova teologia chamavam de o Cristo.

Dr. Plinio via que nos leigos da Ação Católica que aderiam a essa tendência litúrgica, se sentiam autorizados a agir segundo uma moral nova que desconhecia a antiga.

Podiam assim frequentar boates e danceterias preâmbulos das casas de perdição.

Sendo verdadeira essa “teologia” não podia deixar de penetrar a Santa Liturgia. Assim – de início clandestinamente – se foi criando o ambiente para uma missa nova.

As formas rituais passavam a refletir a visão comunitária oposta ao monarquismo da Missa milenar instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo e séculos depois, regulamentada pelo Papa São Pio V.

Nas décadas em que o Dr. Plinio batalhou na Ação Católica, ele percebia que essa “teologia” entrava não só trazida por alguns católicos que iam se formar em centros universitários católicos de avançada na Europa.

Enquanto os missionários levavam a Fé e a civilização aos confins do Brasil,
da Europa chegava uma subversão eclesial e litúrgica.
Foto Missão Salesiana de Tapurucuara. Prelazia do Rio Negro. Amazonas
E, como não podia deixar de ser, foi impregnando alguns eclesiásticos que iam se formar sobretudo em abadias beneditinas europeias que estavam na dianteira do “movimento liturgicista”.

O Dr. Plinio combateu esse erro na direção da Ação Católica, no hoje histórico livro “Em Defesa da Ação Católica” e desde as páginas do jornal “O Legionário” (hoje renomeado “O São Paulo”), em toda a medida que permitia sua condição de leigo, simples fiel.

Nessa época não se aceitava que o simples fiel se imiscuísse nas questões litúrgicas, obviamente reservadas aos sacerdotes.

Mas o Prof. Plinio ouvia os ecos de comentários heterodoxos e até de “missas” celebradas em novo estilo em volta de uma mesa.

Plinio Corrêa de Oliveira

As circunstâncias da vida não permitiram o encontro do Pe. Reus e do Dr. Plinio, embora fossem contemporâneos.

O líder católico paulista, anti-progressista e anti-liturgicista, comentou:

“Ou eu me engano enormemente ou o Padre João Batista Reus SJ foi um grande santo”, narrou ele lembrando do tempo em que o Pe. Reus SJ era professor de liturgia no seminário de São Leopoldo, RS, e o Dr. Plinio era presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica em São Paulo.

“Eu fui largamente contemporâneo dele. Ele era mais velho que eu, mas quando ele morreu eu já era homem feito. (...) eu tenho uma relíquia indireta dele, um pano que tocou nele.

“Eu osculo metodicamente cada uma das minhas relíquias, diariamente, e quando chega a vez da do padre Reus, eu osculo com uma particular piedade”. (Testemunho de Plinio Corrêa de Oliveira, 12/6/82. Sem revisão do autor)

“Não há gente nossa que vá ao Rio Grande do Sul que eu não recomende de ir à sepultura dele”. (Plinio Corrêa de Oliveira, anotações de 9/12/93)

“Ele estava vivo no tempo daquelas minhas encrencas com o Dom José [Gaspar Fonseca e Silva]. Quando o Dom José morreu, o Pe. Reus teria tido este comentário: ‘tocou no filho e a Mãe matou’” (anotações, 18/8/92 b).
Numa página de Facebook encontramos este eloquente comentário-testemunho assinado pelo perfil Maria Regina.

“Meu pai teve uma fase longa de ateísmo quando até debochava de coisas de religião e tudo o que não fosse absolutamente racional.

“Porém mesmo naquela época de ateísmo meio fanático se alguém introduzia o assunto padre Reus na conversa ele sempre, mesmo sem nenhuma devoção religiosa, sempre testemunhava que quando criança e jovem com frequência o padre Reus participava das missas no colégio Anchieta onde ele estudava...

“e nessas missas quando o padre Reus ficava absorto em oração ou meditação da missa, começava a levitar, com frequência via-se ele levitando a quase meio metro acima do chão.

“Ele contava que com frequência algum padre cutucava o padre Reus para que percebesse a levitação e retornasse a pisar o pé no chão...

“e que os padres jesuítas não permitiam que os estudantes usassem essas situações como espetáculos circenses...

“se algum dos alunos começasse a pôr atenção na levitação do padre, vinha outro perguntando ‘tá olhando O QUE?’

“Para que cada um imediatamente se concentrasse em sua própria oração e não ficassem se distraindo ou constrangendo o padre Reus”.

Deixamos constância de nossa perplexidade diante dessa reação dos outros sacerdotes, e passamos adiante.



Nascimento e infância de um combativo místico

Casa natal do Pe Reus SJ 09 em Pottenstein.
Casa natal do Pe Reus SJ em Pottenstein.
João Batista Reus nasceu na pequena cidade de Pottenstein, no reino de Bavária, Alemanha, na região denominada “Suíça de Francônia” na diocese dos bispos de Bamberg.

A casa onde viu a luz na rua principal (Hauptstraße nº 3) exibe uma placa: “Nesta casa nasceu o Padre João Batista Reus, SJ., em 10 de julho de 1868”.

O Pe. Reus nos fornece uma vívida descrição de uma região próxima da República Checa, onde sua aldeia muito católica fazia fronteira com aldeias protestantes.

Santa Isabel da Áustria morou transitoriamente na cidadinha desde 1228 a 1229, e muitos prédios e a praça principal ostentam com orgulho o nome da santa.

Placa comemorativa na casa natal
Placa comemorativa na casa natal
Sua família era intensamente católica e os onze filhos – dos quais o Pe. Reus foi o oitavo, mas o sexto dos vivos – receberam uma educação moral e religiosa cheia de calor, substância e santo rigor.

Sem desanimar com as dificuldades financeiras trazidas pela prole, o pai João, açougueiro trabalhou árdua, mas felizmente sua pequena gleba de terras.

A mãe fazia questão de lhes transmitir a melhor educação possível. Todo sábado à tarde ela vestia as melhores roupas para ir à igreja a confessar e evitar a fila de domingo. Na confissão, o padre aproveitava para falar dos pontos principais do sermão dominical.

Embora não fosse muito dotado para as letras, João Batista gostava de estudar línguas, dedicava-se à taquigrafia, ao desenho, ao canto e gostava de tocar cítara.

Sua vocação religiosa despertou de jovem um amor especial à Virgem Maria. Ele subia a colina de Pottenstein para frequentar a igreja dedicada à Virgem Maria e pedir ser sacerdote.

Ele acolitava nas missas e ganhava umas moedas por isso. Mas em vez de gastar em guloseimas foi poupando-as até poder comprar uma pequena estatueta de Nossa Senhora


Na sua Primeira Comunhão
Na sua Primeira Comunhão
Fez a primeira comunhão antes de completar os 12 anos, não sem sofrer os primeiros assaltos do demônio. Pelo fim de sua vida, recordava: “Já desde a infância, o demônio me perseguia”...(27.10.46).

Antes da Primeira Comunhão, o espírito maligno intensificou seus ataques: “eu me vi perseguido por figuras hostis, para grande susto da minha mãe, (...)

“À noite, logo que apagava a luz no quarto de dormir, as figuras hostis precipitavam-se sobre mim. Faziam-me gritar de medo e chamar pela mãe”. Mas o fato lhe reforçou a confiança no santo Anjo da Guarda. (AeD, vol I, pág. 43)

Quando fez 12 anos, seu pai levou-o a Stadtsteinach, onde seu tio era pároco, para continuar os estudos no único ginásio existente.

Embora fosse um aluno destacado no Latim, alguns percalços inesperados permitiram que ele passasse no curso de admissão, fato em que ele viu a mão de Deus protegendo sua vocação.

Sentia um atrativo especial pelo Memorare (Lembrai-vos) a Nossa Senhora rezado em Latim embora não entendia.

Ele gostava muito da parte onde diz “jamais se ouviu dizer, que alguém tinha sido abandonado por Ti” porque ele se sentia protegido pela família. Não demorou o tempo, escreve, em que ele começou a entender...

Da. Ana Margarete, nascida Hengl, mãe do Pe Reus, falecida em 1907
Da. Ana Margarete,
nascida Hengl, mãe do Pe Reus,
falecida em 1907
João Reus, pãe do Pe Reus, falecido em 1924
João Reus, pãe do Pe Reus,
falecido em 1924
No seu quarto na casa familiar, construiu uma gruta com uma bela imagem de Nossa Senhora de Lourdes que mandou vir.

Nos anos 1889-1890 ele teve que cumprir com a lei que obrigava todos os jovens prestar serviço militar como recruta. Sem satisfazer esta exigência legal, não poderia ingressar no seminário.

Foi designado para a 3ª Companhia do 5º Regimento de Infantaria. A vida no quartel apresentava perigos colaterais muito graves e tentações para um jovem com vocação sacerdotal, tendo tido ele um amigo que perdeu a vocação levado pelo ambiente de quartel.

O Pe. Reus tinha um natural porte militar. Era amigo de frases curtas e diretas, que ele usou muito depois quando descreveria suas extraordinárias experiências místicas.

No exército bávaro foi promovido a cabo, a suboficial e até a tenente. Por fim o comandante lhe ordenou num exercício de combate guiar os soldados sob seu mando e tomar uma posição inimiga, que ele assaltou brilhantemente e foi promovido a aspirante a oficial.

No treino, logo de início, deixou de lado os procedimentos prescritos, fato que lhe foi observado e que ele explicou mostrando as anomalias do terreno.

Pe Reus com 21 anos, estudante de Filosofia
Pe Reus com 21 anos, estudante de Filosofia
e fazendo o ingresso no Exército Real da Baviera
O comandante lhe ofereceu que se ficava no exército chegaria a uma alta posição, mas o jovem Reus pisou firmes e externou seu desejo de se tornar sacerdote.

Vieram outras seduções atrativas como a possibilidade do casamento e louvores diversos que não lhe disseram nada.

Por fim, foi admitido no seminário diocesano de Bamberg. Logo nos primeiros dias compreendeu que “eu deveria ser puro como um Anjo de Deus... Já aqui surgiu especial devoção ao Menino Jesus”. (AeD, vol. I p. 59.)

Também logo desenvolveu intensa devoção ao Santíssimo Sacramento e ao Sagrado Coração de Jesus que ocuparia um rol central na sua vida toda.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus se desenvolveu junto com o desejo de ingressar na Companhia de Jesus.

Foi ordenado sacerdote diocesano na catedral de Bamberg no dia 30 de julho de 1893, tendo já a aprovação do Provincial jesuíta da Holanda Pe. Rathgeb para ingressar depois na Companhia.

Naquela época os jesuítas eram perseguidos na Alemanha protestante e tinham sua residência principal em Exaten, Holanda. Ingressou no Noviciado da Companhia em Blyenbeek (Holanda) no dia 16 de outubro de 1894.

Ele era tido por seus coirmãos de vocação como muito severo, e por isso mesmo era apelidado de “burro”, de “pessoa bloqueada” da qual se ridiculizava até o fato de não movimentar as mãos quando caminhava.

Fez os votos perpétuos na Companhia 4 anos depois e pediu para ser missionário na Índia, onde queria desenvolver seu apostolado esquecido para sempre por seus mais próximos e ali sofrer muito e morrer por Cristo sem ser lembrado por ninguém.

Mas foi designado pelo Provincial Pe. Haan para o Brasil.

“Na época, não era considerado grande honra ser enviado para o Brasil. Mas agora dou graças a Deus por ter vindo aqui. Se eu tivesse sabido, naquela época, o que sei agora, quantas graças o Sagrado Coração de Jesus guardava para mim no Brasil, eu teria pedido, insistentemente, para vir para cá”. (AeD, vol.I, pág 150)
Pottenstein, a cidade natal do Pe. Reus, hoje
Pottenstein, a cidade natal do Pe. Reus, hoje
Em 4 de agosto de 1900 partiu do porto de Hamburgo com mais quatro jesuítas, e após algumas peripécias como peste a bordo, quarentena e uma rumorosa quantidade de migrantes, chegou a Rio Grande no dia 15 de setembro do mesmo ano.

Após breve passagem por São Leopoldo em abril do ano seguinte, foi mandado a Rio Grande, da qual se diziam coisas desagradáveis.

A grande afluência de migrantes de nacionalidades diversas sem clero acompanhando tinha facilitado o abandono geral da religião, a decadência dos costumes e o recrutamento de protestantes, socialistas, anticlericais e maçons.

Esses promoviam uma guerra baixa de calúnias e blasfêmias contra a Igreja Católica em artigos agressivos nos jornais quotidianamente.

Não raramente corriam difamações, assembleias populares incendiárias e até tentativas de invasão predatória das casas religiosas.

Rio Grande em tempos que o Pe. Reus era pároco
Rio Grande em tempos que o Pe. Reus era pároco
Era a Revolução gnóstica e igualitária que grassava nos ambientes operários sopradas pelo comunismo em suas diversas formas.

O Pe. Reus nem hesitou em sair a enfrenta-la. Não era bem essa a disposição de muitos membros do clero da época em cuja moleza se escondia a grande revolução eclesiástica que hoje devasta os ambientes católicos.

Ele recorreu às santas armas que Jesus Cristo e sua Santa Igreja depositaram nas mãos dos sacerdotes, notadamente com a Santa Missa, para combater e derrotar as hostes humanas de Satanás, e ao príncipe das trevas ele próprio.



Em Rio Grande dobra os inimigos da Igreja

Padre Juan Baptista Reus SJ 26, Rio Grande 1907
Padre Juan Baptista Reus SJ, Rio Grande, 1907
Após pisar terra brasileira em Rio Grande, o Pe. Reus e companheiros foram para o Colégio jesuíta que já existia em São Leopoldo. Ali ficou até abril de 1901 quando foi mandado para Rio Grande.

A cidade tinha um baixo conceito moral: a chegada constante de imigrantes de todas as línguas enchia as fábricas de mão de obra onde o recrutamento protestante, socialista e maçônico se fazia escancaradamente num tom agressivamente anticatólico.

O Pe. Reus foi acompanhado do Pe van Laak que fora processado caluniosamente por um suposto crime contra os bons costumes, que teria sido invenção do governador do estado Júlio de Castilhos.

O Pe van Laak foi inocentado pela Justiça, mas por prudência saiu clandestinamente para o Chile, com uma passagem emitida para “Reus”.

A ignorância religiosa era lamentável, o ódio contra o clero e a religião era pregado abertamente desde antros maçônicos.

Certa feita uma jovem italiana ingressou no convento das Carmelitas. O fato suscitou um furacão de ódio contra a Companhia de Jesus acusada de “escravização das consciências”.

A polícia teve que intervir para impedir um ataque ao convento do Carmo e a invasão da casa dos jesuítas.

“Quantas vezes fomos apupados na rua com alcunhas injuriosas ou alvejados com frutas podres” (Pe. Leo Kohler S.J., “Vida do Pe. João Baptista Reus”, Paulinas, 6ª ed.1960, p.67).

Cordões carnavalescos achincalhavam as procissões litúrgicas; realizavam-se comícios e discursos anti-religiosos, agitadores estorvavam os sermões, os sacerdotes eram caluniados abominavelmente, a imprensa estava nas mãos dos inimigos e publicava diariamente artigos agressivos.

Residência dos jesuítas em Rio Grande, monograma mandado por pelo Pe Reus
Residência dos jesuítas em Rio Grande,
o monograma JHS foi mandado pôr pelo Pe Reus
Em 1902, os jornais exigiram que não fosse realizada a Missa de Pentecostes. Os jesuítas deviam ajudar na cerimônia litúrgica e para chegar à igreja deviam atravessar uma praça onde se tinha concentrado uma massa popular anticatólica.

O Pe Reus optou por furar a manifestação acompanhado pelo Pe Vargas SJ. De longe se ouviam os assobios, mas quando chegaram perto se fez o silencio e os corajosos sacerdotes atravessaram a massa tranquilamente.

Nos fiéis reunidos na igreja havia muita inquietação. O Pe Reus estava prevenido contra ovos podres “e outras amabilidades” na Missa. No meio dela ouviram-se palavras preocupantes, as mulheres fugiram e corria que viria tiroteio, mas a celebração correu imutável até o fim.

Na saída da Missa ainda se ouviam os assobios degradantes, e o Pe Reus repetiu o desafio cortando a massa agressiva. “Nosso primeiro pensamento foi: nós vencemos. O bando do diabo foi derrotado”.

De fato, pouco depois o maior jornal da cidade esclareceu que nunca mais escreveria contra a religião. Constou que os maçons de Rio Grande e Pelotas fizeram saber ao jornal que deixariam de apoia-lo se continuava naquela linha.

Em 1903, um dos principais agitadores foi esfaqueado na rua; um outro ficou meio louco; outro ainda perdeu a filinha; mais um perdeu a filinha e a sogra; mais um foi despejado de casa; e o jornal quase foi à falência.

Sobre a própria cidade veio um grande castigo na forma de peste, que (...) fez muitas vítimas” (AeD, vol. 1, nº301)

O Pe Reus enfrentou o ambiente adverso com espírito sobrenatural e uma radicalidade que lembrava seus tempos militares.

Em 1907 recebeu várias advertências de morte e alegrava-se com a perspectiva do martírio. O vigário, futuro arcebispo do Maranhão, Dom Octaviano Pereira de Albuquerque, era objeto de um ódio especial acusado em falso de desonestidades com as carmelitas.

O General Comandante de todas as tropas rio-grandenses o nomeou oficial da guarda civil pois, caso houvesse um atentado contra sua pessoa, seria praticado contra um oficial do exército.

Vistas e locais de Rio Grande em 1906, locais por onde o Pe Reus passou
Vistas e locais de Rio Grande em 1906,
locais por onde o Pe Reus passou

Na cidade havia o Colégio Stella Maris, cuja direção o Pe. Reus assumiu e pronto ficou com a fama de melhor instituto de ensino de Rio Grande.

O número dos alunos cresceu velozmente e o Pe Reus comprou uma quadra inteira para fazer um colégio que consagrou ao Sagrado Coração de Jesus.

Em 30.11.1905 foi nomeado Superior da casa de Rio Grande, função que desempenhou até dezembro de 1911 quando foi mudado de cidade.

Organizou o laicato nas associações bem conhecidas Apostolado da Oração, Filhas de Maria, Liga Operária Católica, e a Associação de Trabalhadores Católicos por ele fundada para responder à Sociedade Socialista, etc.

O fervor renascia no ambiente popular e alguns membros das associações se destacavam trazendo de volta para a Igreja colegas das fábricas. Nos teares das usinas as operárias católicas entoavam canções religiosas apesar do barulho das máquinas.

O Pe Reus organizava projeções de slides referentes à vida de Jesus e de Lourdes no pátio do Colégio onde uma vez chegou a reunir 500 pessoas que pagaram uma modesta contribuição.

A multiplicação de iniciativas apostólicas se estendeu a localidades vizinhas e o deboche protestante ficou mais histérico.

A capela do Colégio não conseguia acolher todos os fiéis que iam à Missa do Pe Reus. Em 1911 a Missa de Galo iria estourar todos os espaços disponíveis. O Pe Reus distribui ingressos numerados e mesmo assim não foi suficiente.

Numa época em que, diferentemente aos nossos dias, só comungavam as pessoas bem dispostas, naquela Missa de Galo foram contadas 164 comunhões enquanto na igreja matriz se contaram só 18.

O Pe Reus escrevia para os jornais que passaram a acolher seus escritos geralmente polêmicos contra os inimigos da religião como quando “foram descobertos os enganos do mestre do ateísmo, Ernesto Häckel” (AeD, vol.1, nº378) por sinal fundador da ecologia.

Entretanto Colégio do Sagrado Coração no qual pôs tanto empenho e que crescia velozmente foi sendo esvaziado por decisão superior religiosa e os alunos enviados a Florianópolis.

O Colégio acabou sendo fechado. Em 1912 o próprio Pe Reus que já estava em São Leopoldo, foi enviado para proceder à liquidação final dos bens. Ele cumpriu a desgarrada missão com exemplar obediência.

Detalhe do Juízo Final de Hans Memling
Detalhe do Juízo Final de Hans Memling (1430/1440 — 1494)
Museu Nacional de Gdańsk
Fato singular lhe aconteceu em 1909 enquanto espairecia no jardim:

“Em plena luz do dia, tive subitamente a impressão de que a terra em baixo de mim, vacilava, movia-se e se abria.

“De repente, encontrei-me dentro de um redemoinho, que me arrastou consigo e me fez perder os sentidos. Um abismo ameaçava tragar-me.

“Pensei que algo parecido a isso deveria de ser a situação dos condenados quando o inferno os tragava” (AeD, vol.1 nº410).

Em dezembro de 1911, em plena guerra bem sucedida pela conquista das almas desamparadas enfrentando os inimigos da Igreja em Rio Grande, ele foi transferido para São Leopoldo após breve estadia em Porto Alegre.

Uma etapa de sua vida se fechava, mas começava outra. E desta vez num patamar inesperadamente alto até para ele.



Grandes fenômenos místicos surpreendem o Pe Reus

Sagrado Coração de Jesus, bordado pelas dominicanas de Stafforshire
Sagrado Coração de Jesus, bordado pelas dominicanas de Stafforshire
Por temperamento, o Pe Reus não era voltado para os fenômenos místicos, ainda que rodeados de todos os elementos de autenticidade.

Já destacamos seu perfil psicológico pró-militar e sua combatividade arriscando a vida contra os inimigos da Igreja em Rio Grande, numa época em que o assassinato de um padre por ódio à religião não era novidade.

Nisso o Pe. Reus estava nas antípodas dos misticismos fáceis e extravagantes que empestam o mundo até abusando do nome de católicos.

Desconfiava de fenômenos do gênero temendo enganos do demônio que age muito por trás de falsos fenômenos sobrenaturais.

O que ele de início qualificou “estranhos fenômenos” começaram, segundo suas anotações, em 27 de agosto de 1912 em Porto Alegre.

Desenho do Pe Reus Ele se viu dentro do Sagrado Coração
Desenho do Pe Reus: ele se viu dentro do Sagrado Coração
Ele vivia um constante diálogo interior com o Sagrado Coração de Jesus, mas nesse dia “veio-me um estranho ardor no meu coração ... que me foi quase impossível suportá-lo” (AeD, vol 1. nº423)

O Sagrado Coração de Jesus começou a se manifestar com maior intensidade e de formas cada vez variadas.

Ele apelou ao conselho de seu Superior, temendo sempre as ciladas do príncipe da mentira.

Em 7 de setembro, ele que “nada queria saber da mística” recebeu os estigmas.

Enquanto fazia meditação “uma enorme chama de fogo e senti como se uma flecha atingisse o meu coração ... cinco raios de luz saíam de cinco pontos do meu corpo”.

Ele se resistia ao que podia ser um engano do maligno e voltando-se a Nosso Senhor repetia: “Não, meu amor”.

Mas seu senso lógico não lhe permitia duvidar: “Apesar de não ter visto nada com os olhos, a visão era tão clara, que não pude duvidar que havia recebido as santas chagas na minha alma” (AeD, vol 1. nº436)

Essas chagas ficaram para sempre, lhe provocando por vezes dores quase insuportáveis.

Voltando ao Superior, Pe Zartmann, esse lhe recomendou o livro sobre mística do [Pe Augustin ?] Poulin “Abundância das Graças” em dois volumes.

O Pe Reus nunca tido lido nada sobre o assunto, mas na leitura do primeiro volume ria interiormente vendo como os místicos descreviam com exatidão o que lhe acontecia.

Devolveu o livro confessando que só tinha lido uma primeira parte e que ele já tinha experimentado o que estava ali.

O mesmo aconteceu com os escritos de Santa Teresa de Jesus que também devolveu sem necessidade de ler tudo.

Foram-lhe recomendados outros livros de místicos de grande porte como São João da Cruz e as próprias Escrituras, nos quais encontrou escrito o que ele sentia.

Desenho do Pe Reus Ele viu seu coração envolto em chamas na Missa
Desenho do Pe Reus: ele viu seu coração envolto em chamas na Missa
Ele sentia cada vez mais chamas de amor que ora desciam sobre ele, ora pareciam partir de sua alma. O fenômeno progrediu até o fim de sua vida.

“É claro para mim que estive na presença da Santíssima Trindade” (AeD, vol 1. nº461), disse mais de uma vez.

A presença do Sagrado Coração de Jesus era tão intensa que, como escreveu em 18 de setembro de 1912: “pareceu-me que eu Te via no meu coração. Vi o santo Nome IHS escrito no meu coração de forma brilhante” (AeD, vol 1. nº469).

Na festa da estigmatização de São Francisco, o Anjo da Guarda do Pe Reus entrou nele e ele ficou na presença dos santos anjos no Céu. (AeD, vol 1. nº471).

Em 13 de outubro de 1912 “a Santíssima Trindade inclinou-se sobre mim e esteve, por um instante, presente com grande brilho em meu coração, parecendo um ser vivo. ... a Santíssima Trindade deu a entender que Ela se apossou de meu coração” (AeD, vol 1. nº501).

“Na mesma data pareceu-me estar sendo aceito no coro dos Serafins” (AeD, vol 1. nº502)

E, em 12 de novembro de 1912, Nosso Senhor se fez presente: “Te percebi com a coroa de espinhos na cabeça, com o manto de púrpura e com a cruz. Percebi também, como colocaste a cruz, o manto de púrpura e a coroa de espinhos sobre mim para que eu Te siga e Te proporcione alivio” (AeD, vol 1. nº529)

Citamos nestes posts, alguns dos fatos mais relevantes. Procederemos do mesmo modo nos próximos posts na impossibilidade material de citar cada um.


Plinio Corrêa de Oliveira: líder contemporâneo da Ação Católica fala do Pe Reus

No meu tempo mesmo o famoso padre Reus, jesuíta de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, tinha visões, revelações, várias por dia, prodigiosas, etc. (anotações de palestra de 6/3/92)

O Pe. Reus, eu acho que foi um grande místico, eu andei lendo coisas dele que eu gostei muito, Pe. Reus, aqui no Rio Grande do Sul, grande místico.

Que ele tinha conhecimentos, revelações, etc., muito maiores do que Santa Tereza ou São João da Cruz.

A atenção desses santos se fixava de tal maneira no que há de mais superior, que esse conhecimento dos grandes místicos, para os fiéis normais, ficava como que algo colateral muito acima do que o bom fiel podia conhecer.

Em consequência dessa decalagem imensa e santíssima, os bons tratados de amor de Deus e de piedade que foram sendo impressos pensando nos fiéis comuns, padecem de um silêncio sobre essa realidade mística.

Mas, os fenômenos místicos do Pe. Reus na Missa tradicional se faziam visíveis e compreensíveis para qualquer um. (Anotações de 27/5/89, sem revisão do Autor)
Sublinhamos que esses fenômenos místicos passaram a ser quotidianos – e, por vezes, vários num mesmo dia – e estão registrados por ele nas quase 3.000 páginas de sua Autobiografia e Diário.

Estes escritos registrados com precisão e concisão, cuidadosamente datados eram entregues metodicamente ao Superior para esse revisá-los e/ou censurá-los e/ou discernir enganos de Satanás. Depois lhe eram devolvidos.

O Superior aprovou tudo o que ele descrevia de si. Não encontramos nem notícia de que tenham sido criticados em qualquer ponto.

Em 30 de março assumiu a paróquia de São Leopoldo. Nela se desempenhou como fizera em Rio Grande sem que cessasse a referida vida mística. Ele concebeu um grande mapa da paróquia para a ação apostólica, mas nunca chegou a completa-lo.

Moveu uma guerra implacável aos casamentos mistos, não enterrava religiosamente católicos que haviam renegado a sua fé.

Também entre os não-católicos era acatado por causa de sua amabilidade, piedade e decisão. Os paroquianos chamavam-lhe quase habitualmente “São Luís”. (Kohler, op.cit, p.78-79).

Em 1º de fevereiro de 1914, tendo sido nomeado diretor espiritual de todo o seminário de São Leopoldo que contava com 140 seminaristas, o Pe Reus deixou a paróquia ao sucessor e assumiu as novas funções.

O Seminário Central de São Leopoldo se regia pelas normas do Concilio de Trento e do Sínodo Latino-Americano e haveria de ser o cenário dos momentos mais altos de sua vida.



Fiel à disciplina face a prenúncios de tempestade na Igreja

No túmulo do Padre João Baptista Reus SJ
No túmulo do Padre João Baptista Reus SJ
No seminário de São Leopoldo, os estigmas místicos ardiam cada vez com mais calor, mas ele aumentava as penitências.

Seu confessor lhe dizia que não se explicava naturalmente como podia suportar tanta abstenção do alimento. Pela santa obediência o Pe Reus renunciou a essas penitências.

O episódio foi revelador de uma das mais trágicas realidades: a futura revolução eclesiástica que germinava no desinteresse pelo heroísmo da santidade e no relaxamento disciplinar.

“O Superior da Missão tinha um informante, escreveu o Pe. Reus. Por causa das constantes queixas a ele dirigidas sobre minha penitencia, escreveu pessoalmente uma carta.

“Contudo eu nada tinha feito que fosse contra as licenças recebidas dele ... Foi-me muito penoso.

“Impulsionado por Nosso Salvador, querendo sempre fazer a sua vontade, consciente até os mínimos detalhes da santa obediência, sob luta constante contra mim mesmo, vi-me sozinho na luta, abandonado por todos importunado e atacado.

“Comuniquei isso ao meu confessor. Eu lhe disse mais ou menos o seguinte: tudo parece contra mim, todos querem segurar-me e ninguém me anima e ajuda.

“Contudo, assim creio, eu me ative fielmente às Constituições da Companhia de Jesus”. (AeD, vol 1. nº882)

Era, entretanto, verdade que sua saúde dava sinais de precariedade. O Pe Reus era especialmente sensível às doenças que atacam o pulmão.

Quando a saúde dava maus sinais ele interrompia suas penitências, aliás autorizadas pelo superior.

Falava-se que seus sermões saiam diminuídos por causa das penitências, quando em verdade suas forças corporais sofriam pelos suas dolorosas experiências místicas e pelo excesso de trabalhos cansativos que lhe haviam atribuído.

O Pe Reitor bem informado lhe deu razão, contra todas as expectativas.


Testemunho do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira


“Houve em meus dias, um padre no Rio Grande do Sul, o Pe. Reus.

“Um padre alemão, esguio, alto, com uma fisionomia extremamente bondosa e severa ao mesmo tempo, a quem Nosso Senhor aparecia quase todos os dias e às vezes várias vezes por dia.

“E falava com ele, queixava-se disso e daquilo, e ele escrevia todas as coisas que Nosso Senhor disse.

“Eu li esse caderno porque foi publicado em forma de livro, e tenho até o livro em casa.

“Mas tenho a impressão de que como o Pe. Reus falou algumas coisas sobre a crise religiosa no Brasil aquilo foi cortado.

“Porque eu sei, por exemplo, de um comentário dele sobre a crise religiosa no Brasil que o livro não dá, mas que os padres jesuítas contam.

“Mas como seria bom, como seria santo que nós pudéssemos ter acesso inteiro ao livro do padre, e ler inteiro, compreender bem o que é”.

(anotações de conversa em 15/12/93, sem revisão do Autor)

Nas aulas de Liturgia mantinha a ordem como era de seu dever. Mas foi acusado por alguns alunos diante do Reitor porque exigia muita atenção, não permitia atividades distrativas durante as aulas nem faltas de educação. Nenhum dos contestatários perseverou até o sacerdócio. (AeD, vol 1. nº986)

As prescrições litúrgicas do canto religioso foram mais uma bandeira dos contestadores que tinham feito desaparecer do seminário os decretos de São Pio X. O Pe Reitor era um desses e até o contradiz na presença da comunidade.

Estranhamente, o Pe Reus jamais encontrou esses documentos tão necessários para o ensino litúrgico. Quando o Papa Pio XI, anos mais tarde, emitiu outros decretos o caso sua atitude ficou aprovada. Até lá, o Pe Reus se retraiu e suportou as críticas por obediência (AeD, vol2, cap.23).

Por ordem do superior seus pertences foram mudados para um outro quarto cujas condições eram prejudiciais para sua saúde e o problema dos pulmões agravou-se.

Um outro religioso montou um escândalo pelo modo com que o Pe Reus escovava os dentes. Ele continuava cumprindo religiosamente seus deveres, até auxiliando o pároco e atendendo entre 7.000 e 9.000 confissões por ano.

Essas ninharias escondiam uma animosidade de fundo. Em 7 de janeiro foi nomeado Vice-Reitor do Seminário, e logo desatou-se outra tempestade interna por causa do livro do Pe Karrer “São Francisco de Borja” com passagens duvidosas.

O Pe Reus proibiu-o aos seminaristas. Os ânimos se exaltaram, mas o Pe Reus não cedeu nenhum milímetro.

A oposição cessou quando chegou uma desqualificação do livro pelo Padre Geral e a ordem de bani-lo de todas as bibliotecas da Companhia.

O Pe Otto Karrer (1888-1976) foi um precursor do “aggiornamento” teológico que depois teria em Karl Rahner e Hans Kung ecumenistas antiromanos subversivos, mas foi muito mais astucioso nas suas formulações.

O início do Vaticano II o viu engajado em numerosas tarefas de diálogo com heréticos protestantes sendo considerado “Padre não-oficial do Concílio”. Cfr. Actes du colloque organisé par l'École française de Rome
Debochava-se dele pelo rigor no uso do barrete, atribuindo-lhe abstrusamente o malefício de fazer perder o cabelo. Mesma coisa com fazer a barba quotidianamente que para ele sempre foi “um sacrifício e um tormento”.

Logo viriam as acusações de demorar demais a Missa, malgrado ele respeitasse meticulosamente os 30 minutos ordenados pelo regulamento interno.

Pe. Reus altar, paramentos e utensílios para a Sant Missa em que se deram encontros místicos
Pe. Reus: altar, paramentos e utensílios para a Santa Missa
em que se deram encontros místicos
5 de março de 1924, mais um desgosto: foi destituído da função de confessor dos seminaristas (AeD, vol2, nº 1167). As murmurações contra ele corriam entre os seminaristas que não procuravam a sublimidade sacerdotal.

Jesuítas e peregrinos vindos da Argentina que encontrou numa viagem a Roma o rotularam de “padre rezandero”

Era dito o “trapista”, apresentado como demasiado severo, muito sério, reservado e seco, e sabia no caso certo incutir pavor. (Kohler, op.cit, p.78-79).

Fazia todas as aulas em latim e impregnava todas as matérias com ideias religiosas.

De 1º a 6 de janeiro de 1925, pregou um retiro aos Irmãos Maristas de Porto Alegre. Esses haviam sido contagiados pelos murmúrios contra o Pe Reus porque muito sério e austero.

No fim do exercício espiritual, conta ele, “nunca fora tão elogiado por causa de um retiro como desta vez”. Antes do início doze irmãos anunciaram que deixariam sua Congregação, contudo, com as graças recebidas, decidiram perseverar (AeD, vol2, nº 1195).

Ia rezar Missa no colégio das franciscanas e algumas alunas o apelidaram “o padre brabo” pois ele exigia muita correção na hora da Comunhão.

Como as Missas da Quaresma são longas, acabou sendo destituído da capelania. Germinava já a tendência a fazer missas fáceis, simplificadas, relaxadas e entretidas que depois degeneraria nos abusos modernos.


Pottenstein, Alemanha: a cidade onde nasceu o Pe. Reus





Seminaristas admiram coragem anti-relativista

Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Pe. João Baptista Reus SJ e sua assinatura
Mas a contestação de que falamos no post anterior não era geral, poderia ser atribuída com propriedade às minorias que ansiavam pela revolução eclesiástica que vinha se incubando e provocou a crise religiosa e litúrgica atual.

Um bom número de seminaristas ficou encantado com seus ensinamentos, criando uma nomeada de professor sério de Liturgia que se espalhou por todo o país de modo sem precedentes, como veremos.

Um deles escreveu: “O que nos penetrava o coração da instrução religiosa, eram as suas palavras cheias de unção, palavras que traiam íntima familiaridade com as coisas de Deus. Quantas vezes, depois da aula, eu ia à capela para agradecer a graça de ser aluno de um santo” (Kohler, op.cit, p.91).

Outros ressaltaram a “profunda emoção” que lhe suscitavam as matérias litúrgicas que ensinava e externava a vontade de consagrar o Brasil e a América a Deus.

Insistia na ordem, pontualidade, atenção e aplicação. “Seu olhar calava fundo, de modo que muitos achavam que ele lia na alma”, mas nas exposições sabia usar uma mímica, uma viveza e até uma veemência que, de caso pensado, provocava sonoras gargalhadas (Kohler, op.cit, p.92)

Era grande admirador do canto gregoriano e promoveu a compra discos para iniciar os seminaristas nesse sublime canto.

Todas aquelas contrariedades, dolorosas porque provinham até de irmãos de vocação em nada mudaram sua vida mística que foi crescendo em desconhecida proporção.

Objetos vinculados ao Padre Reus SJ
Objetos vinculados ao Padre Reus SJ
Entre os muitos exemplos que podemos citar, em 27 de janeiro de 1924, escreve que no início da santa Missa “estive todo envolto em chamas. ... A sensação de ser uma brasa viva persistiu por algum tempo” (AeD, vol2, nº 1160).

Em 11 de fevereiro do mesmo ano “vi um forte raio de luz saindo dos estigmas” (AeD, vol2, nº 1164).

Em 27 de outubro de 1924, indo para a chácara dos padres jesuítas “Mal saíra de casa, o Amado Salvador já estava ao meu lado esquerdo, um pouco à frente. Não o vi com olhos corporais, porque eu o via mesmo com os olhos fechados” (AeD, vol2, nº 1182)

Em 24 de novembro de 1927 lhe foi comunicado que seria preservado do purgatório, após rezar as palavras da Santa Missa para antes da Comunhão: A Te nunquam separari permittas – Jamais permitas separa-me de Ti (AeD, vol2, nº 1242). A promessa divina foi renovada em diversas ocasiões e lhe fez compreender a eficácia real daquelas palavras da Missa.

Desde então as palavras – em latim, único rito latino usado – da Missa começaram a ser ocasião de fenômenos místicos reveladores do efeito sobrenatural da Missa bem rezada.

Sua integridade de costumes e trato com os alunos lhe atraiam cada vez mais as oposições inclusive de seus superiores religiosos já minados pelo relativismo que daria no desfazimento moral geral de nossos dias.

O Dr Plinio Corrêa de Oliveira agindo no setor leigo da Ação Católica também constatou a sorrateira luta dessa relativização crescente nos costumes, nas doutrinas e no respeito da hierarquia no movimento católico como ficou consignado em suas memórias autobiográficas.

Mais um testemunho de líder católico contemporâneo do Pe. Reus

"Minha Vida Pública":
uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história do Brasil e da Igreja

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que foi aluno dos jesuítas no Colégio São Luis, na atual avenida Paulista em São Paulo comentou do Pe. Reus:

O Prof. Plinio foi presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo e manteve estreitas relações com os líderes eclesiásticos e civis católicos do Brasil todo. Tirou da insignificância e dirigiu o jornal “O Legionário” – hoje “O São Paulo” – com difusão nacional.

É uma testemunha privilegiada contemporânea do Pe. Reus e cultivou valiosas amizades com padres jesuítas de São Paulo e também alguns de São Leopoldo.

Pela amizade com alguns noviços ou ex-noviços de São Leopoldo ouviu relatos da vida e dos fenômenos místicos extraordinários do Pe. Reus que corriam de boca em boca.

“O jesuíta alemão Pe. Reus que viveu 47 anos no Rio Grande do Sul onde morreu tinha a cara mais simpática que uma pessoa possa ter.

“Mas a cara simpática de um homem de alta ascese, de princípios muito firmes e reto”, disse dele.

“Os estudantes pintavam o caneco. O padre Reus disciplinava. Os jovens reclamavam e o Diretor do Colégio lhes dava razão.

– Pe. Reus, a gente não apanha moscas com vinagre, mas com mel! O senhor quer atrair esses meninos para Nosso Senhor, seja a imagem da doçura de Nosso Senhor. Então não aperte. Não insista nas coisas que são duras.

– Pe. Superior, isso eu não posso. É contra a minha consciência, porque a Doutrina Católica manda outra coisa.

– O senhor não compreende? Os tempos mudaram!

– Mas, Pe. Superior, mudou a doutrina?

– Vai lá com as irmãzinhas, e por toda parte e o Sr encontra esse espírito.

“Ele foi sendo posto de lado quando estava em plena fase de produção, recebendo continuamente as mais admiráveis visões de Nosso Senhor e de Nossa Senhora!

“A respeito das quais o Superior lhe deu ordem de registrar todas.

“Eram visões extensas, passava horas escrevendo.

“Assim foi mais ou menos até a morte dele, o resto da vida”.

(Anotações de palestra de 17/1/89, sem revisão do Autor)
Dr. Plinio via germinar com décadas de antecipação a explosão que depois devastou o laicato católico no período pós-conciliar. O Pe Reus, no ambiente clerical e numa situação diversa e sem conexão com Dr. Plinio, reagia no mesmo sentido.Confira: "Minha Vida Pública": uma prodigiosa fonte de informação exclusiva para compreender a história do Brasil e da Igreja.

Um outro exemplo em 1933 “o Prefeito Geral falou de seu modo de agir com confiança em relação aos alunos. Eu, no entanto, sabia das dificuldades que surgiram sob sua direção. ...

“Essa exagerada ênfase na confiança eu já não denominaria mais de confiança, porém de ‘credulidade’. ... o Prefeito Geral apresentava essa metodologia em oposição à já usada comumente na Companhia de Jesus.

“Esta pede confiança, mas confiança cautelosa. Foi exatamente desta forma que atuou Dom Bosco, o experiente Mestre da Educação Moderna” (AeD vol2, nº1380).

Escritos e murmurações se multiplicaram contra o fiel filho de Santo Inácio sempre martelando contra seu comportamento íntegro tradicional.

Mais um caso em 1934: foi encomendado para a biblioteca o livro ‘Santo Agostinho’ de Papini.

Giovanni Papini (1881 –1956) foi um escritor italiano cético que se se declarou católico fervoroso, mas seus livros geraram grandes discussões e controvérsias.

Dirigiu revistas todas elas consideradas de vanguarda, e em verdade suspeitas. Foi mais um arauto da revolução que serpejava nos ambientes católicos. Cfr. Wikipedia, verbete Giovanni Papini.

“Notei logo, escreveu o Pe Reus, que a juventude do santo [N.R.: período de heresias e vida imoral que Santo Agostinho chorou a vida inteira] está representada com falta de critério, com observações eventualmente fortes, que estimulam a sensualidade.

“Pode-se dizer a verdade total e abertamente, sem ser tão sensual ... Não permiti que fosse usado para uma leitura comunitária” (AeD vol2, nº1542).

Em São Leopoldo as tensões cresciam impulsionadas pelas tendencias revolucionárias relativistas se abrindo ao pecado.



Pe.Reus face à avançada anticristã na ordem temporal

Livro do Pe Reus sobre os Três Mártires riograndenses
Livro do Pe Reus sobre os Três Mártires riograndenses
O Pe. Reus se entusiasmou pela causa de beatificação dos Mártires Rio-Grandenses que era promovida pela província dos jesuítas da Argentina, mas corriam críticas pelo aparente desinteresse dos jesuítas do Brasil.

Hoje, quando as tendencias eclesiásticas correm no sentido de exaltar a “cultura” indígena se entenderia bem essa omissão.

O Pe Reus compreendeu a improcedência da situação e acabou fazendo uma coisa que hoje colidiria de frente com a Teologia da Libertação, o Sínodo Amazônico e o tribalismo comuno-missionário.

Empenhou-se com grandes esforços na redação de um livrinho e encomendar santinhos sobre a vida desses santos horrivelmente martirizados pelos indígenas: Roque Gonzales (de quem gostava muito a imagem a cavalo), Afonso Rodrigues e João del Castillo em 1628.

O opúsculo e demais iniciativas do Pe Reus foram tão bem sucedidas que para a cerimônia de beatificação no Vaticano em 25 de janeiro de 1934, ele foi escolhido como representante da província jesuítica rio-platina.

Os mártires foram posteriormente canonizados em 1988.

As tendencias revolucionárias para uma modernização da sociedade da Igreja estavam em crescente expansão e, de início, sem patentear seu espírito convidativo à ruptura com as tradições culturais, sociais e religiosas.

O Pe. Reus percebia – instintiva ou sobrenaturalmente, não sabemos – que a sede descontrolada de novidades materiais vinha gerando efeitos tendenciais perniciosos, não explícitos.

Graf Zeppelin sobrevoa São Leopoldo, 29-6-1934
Graf Zeppelin sobrevoa São Leopoldo, 29-6-1934
Assim aconteceu quando o primeiro avião cruzou por São Leopoldo. “Todos se agitavam, gritavam, corriam, procurando ver a novidade, escreveu. Cada um queria ver o grande pássaro de ferro.

“Mantive-me afastado e não permiti aos meus olhos, que cada dia têm a felicidade de ver o Senhor no Santíssimo Sacramento, a ilusória felicidade de ver e admirar o milagre da técnica humana”. (AeD vol2, nº1323). Sua atitude de recusa à agitação pela matéria foi vista com desdém.

“Mais tarde, foi a vez do Zeppelin. Alvoroço generalizado. Tinham pedido ao piloto que, na viagem a Buenos Aires, fizesse um desvio sobre as colônias alemãs e Porto Alegre. ... Na data estabelecida aguardavam-no grandes massas de curiosos, especialmente em Porto Alegre. ... Horas e horas de ansiedade. ... O Zeppelin foi admirado, saudado, aplaudido e fotografado.

“Eu sabia que ele viria. Assim mesmo, fui à capela para orar diante do Santíssimo Sacramento. Ouvi o ronco dos motores, mas permaneci em serena oração. Victima tui amoris – Vítima do te amor. Deixei o Zeppelin ser Zeppelin. ... pude convencer-me de que era mais perfeito do que admirar o dirigível” (AeD vol2, nº1324).

Também, o santo jesuíta manteve seu espírito afastado das ocorrências das guerras e revoluções na Europa e no Rio Grande do Sul penetradas de espírito revolucionário em graus diversos como a I Guerra Mundial (lembramos que o Pe Reus era alemão) e a revolução rio-grandense de 1930.

Blasfemias de Adolf Hitler causaram atrozes dores ao Pe Reus
Blasfêmias de Adolf Hitler causaram atrozes dores ao Pe Reus
Sua indignação contra os atentados anticristãos do nazismo era radical.

No de novembro de 1935 a comunidade dos jesuítas recebeu jornais alemães – como, aliás, era costumeiro – relatando “a desgraça que Hitler trazia para a Alemanha”.

Quando um irmão começou a ler as ofensas da revista nazista Nordland pediu interromper a leitura porque “não podia suportar essa barbaridade”. Ofereceu a Santa Missa em reparação e caiu no chão de dor por ditas blasfêmias. (AeD vol2, nº1638).

E ainda em 1º de outubro de 1936: “ontem à noite, li as blasfêmias de Hitler: ‘ontem, hoje e eternamente. Fora Cristo!’ Chegando ao quarto cai no chão de dor” (AeD vol2, nº1806).


Também com os horrores blasfemos da Rússia comunista: “17 de dezembro de 1936. Numa revista, li que os ateus russos mandam construir estátuas de grandes homens, para depois as utilizar como alvos para exercícios de tiro, entre elas, também a estátua do amável Salvador.

“Isto me afetou de tal modo, que caí no chão do meu quarto, de tanto sofrimento e, ao mesmo tempo, amor” (AeD vol2, nº1829).


E as ameaças do comunismo brasileiro: “16 e 17 de agosto. ... o Arcebispo considerava a atual situação religiosa e política muito perigosa.

“Nem se excluía a possibilidade de após um ano, o Rio Grande do Sul não ter mais nenhum Bispo ... os comunistas teriam afirmado que, chegando ao poder, a primeira coisa a destruir seria o “Vaticano de São Leopoldo” ... senti um verdadeiro júbilo em meu coração, pensando ter a graça de derramar meu sangue pelo amado Salvador” (AeD vol2, nº1950).

Constantes atentados sacrílegos comunistas contra Cristo indignavam ao santo sacerdote
Constantes atentados sacrílegos comunistas contra Cristo
indignavam ao santo sacerdote
5 outubro de 1937: “Ontem li a Carta Pastoral Coletiva dos Bispos espanhóis sobre os objetivos e o desenvolvimento do poder comunista.

“Entre outras coisas conta-se, no texto, que um comunista, com ódio diabólico contra o Divino Salvador, postou-se diante do tabernáculo no qual estava o amado Salvador sob a espécie de pão, dizendo que queria vinga-se do Divino Salvador.

“Descarregou seu revólver contra o tabernáculo. Este terrível sacrilégio comoveu-me profundamente” (AeD vol2, nº1998).




Místico em tempos de infiltração do relativismo litúrgico

Altar em que o Padre Reus recebeu extraordinárias graças místicas
O ambiente católico dessas décadas era cada vez mais poluído pelo relativismo moral e litúrgico. Mas, confortando o heroico jesuíta, o Sagrado Coração de Jesus se lhe manifestava de modo cada vez mais acentuado.

O liturgicismo se infiltrava na Igreja

O “movimento litúrgico”, melhor chamado liturgicismo se iniciou na Bélgica no congresso das associações católicas em Malines, 1909.

Nele D. Lambert Beauduin (1873-1960), beneditino de Mont César, foi o primeiro a sustentar uma nova visão horizontal e “comunitária” da liturgia e foi um dos pioneiros do “movimento ecuménico”.

Ele teve o seu principal ponto de referência na abadia alemã de Maria Laach, foi, pelo contrário, entendido como uma “irrupção dos leigos na participação activa na vida da Igreja”.

Os reformadores tendiam a suprimir a substancial diferença entre o sacerdócio sacramental dos padres e o sacerdócio comum dos leigos, propondo uma visão igualitária e democrática da Igreja.

Insinuavam a ideia de uma “concelebração” do sacerdote com o povo, princípio, condenado pelo Concilio de Trento (sessão 23, cap. 4, in Denz.-H, n° 1767) e novamente proscrito por Pio XII na Encíclica Mediator Dei, in AAS, vol. 39, p. 556).

Sustentavam que se devia “participar” activamente na Missa, dialogando com o sacerdote, com exclusão de qualquer outra forma de legítima assistência ao Santo Sacrifício, como a meditação, o terço ou outras orações privadas.


Propugnavam a redução do altar a uma mesa; consideravam a comunhão “extra missam”, as visitas ao Santíssimo Sacramento, a adoração perpétua, como formas extra-litúrgicas de piedade.

Manifestavam escassa consideração pelas devoções ao Sagrado Coração, a Nossa Senhora, aos Santos e, de modo geral, pela espiritualidade inaciana e pela doutrina moral de Santo Afonso de Ligório.

Tratava-se, numa palavra, de uma “re-interpretação” da doutrina e da estrutura da Igreja, com o fim de as adaptar ao espírito moderno.

Entre as muitas manifestações sobrenaturais voltamos a escolher apenas algumas pela impossibilidade material de reproduzi-las todas.

Em 24 de julho de 1933, na ação de graças da missa “como outras vezes, o corpo, na região do coração, pareceu-me incandescente, semelhante a um ferro em brasa.

“De súbito todo o meu corpo pareceu constituído de inúmeras pequenas chamas. Logo depois, tive a impressão de que todos os átomos do meu organismo entoavam, num coro de muitas vozes, as palavras que quase ininterruptamente eu repetia: ‘Eu Te amo! Eu Te Amo do mais profundo do coração’” (AeD vol2, nº1414).

E ainda em 28 de julho de 1933, também na ação de graças da Missa “chamas, calor, fogo. Toda a região em torno do coração se assemelha a um bloco de ferro em brasa ... E de novo apareceu a bola de fogo como um sol” (AeD vol2, nº1415).

14 de agosto: “os estigmas queimavam” (AeD vol2, nº1420). 16 de agosto do mesmo ano: “vi brotar uma lavareda do meu coração que ia em direção ao tabernáculo” (AeD vol2, nº1421).

Domina a natureza

Sua virtude não ficava apenas no misticismo. Em 3 de março de 1935 viu se aproximar grande tempestade com granizo capaz de destruir as vidraças do seminário.

“Lancei-me de joelhos e rezei com os braços estendidos, pedindo proteção contra a desgraça que estava iminente. No momento em que levantei as mãos, cessou a ventania e tudo terminou em pouco tempo. ... sinto que não devo omiti-lo” (AeD vol2, nº1578).

No mesmo dia “fiquei todo em chamas. Também do tabernáculo veio uma poderosa chamarada.” Pouco depois, (em dia que não especifica), veio mais um temporal com trovoes terríveis ... ajoelhei-me e pedi ajuda de braços estendidos.

“Fez-se razoável calma ... enquanto eu rezava ... quando me levantei, ouviu-se mais uma vez um forte trovão. Imediatamente me ajoelhei de novo até que as trovoadas se amenizassem” (AeD vol2, nº1580). O fato prodigioso se repetiu outras vezes.

Como o profeta Jeremias cujas pregações ninguém ouvia

O 25 de março de 1935, visitando o Santíssimo Sacramento, “o forte ardor recomeçou de um modo que é impossível um ser humano reprimi-lo.

“É parecido com o que aconteceu com o profeta Jeremias. Já que ninguém ouvia suas pregações de penitência, ele resolveu não mais falar em nome do Senhor. Mas, diz ele, meu coração se tornou como fogo ardente” (AeD vol2, nº1581).

Embora cada vez mais marginado humanamente, Nosso Senhor se lhe fazia presente cada vez mais intensamente sobre tudo na Santa Missa.

Em 13 de outubro de 1936: “Na Consagração, vi em minhas mãos as luminosas e sagradas mãos de Jesus segurando o cálice e dando a bênção. Vi na minha língua a luminosa língua do Senhor pronunciando as palavras da Consagração” (AeD vol2, nº1810).

Essas visões ensinam verdades dogmáticas sobre a Missa, hoje infelizmente silenciadas ou ausentes em aulas de liturgia e celebrações modernas.

Sacrifício incruento da Santa Missa: o culto verdadeiro a Deus na Igreja verdadeira colide com os ritos pagãos de inspiração demoníaca
Em toda Missa bem rezada, Deus age como agia com o Pe. Reus,
embora de maneira não visível.
“24 de dezembro de 1936 ... vi, de repente, o Menino Jesus aconchegado a mim, como que sentado no meu braço esquerdo, com os bracinhos em torno do meu pescoço. Não pode haver dúvida quanto à verdade disso” (AeD vol2, nº1830).

“1º de janeiro de 1937. ... As visões do Menino Jesus continuam, também de noite, quando fico deitado, sem sono. ... Sinto os bracinhos do Menino Jesus, como Ele os coloca em torno do meu pescoço e também o vejo” (AeD vol2, nº1836).

Nesse ano, a Santa Face do Salvador se tornou visível na santa Hóstia após a Consagração. Também no próprio peito (AeD vol2, cap. 48).

Mas, várias vezes quando subia os degraus do altar no início da Missa “acreditava ver o amável Salvador diante do tabernáculo, esperando por mim de braços abertos. ...

“Ontem, o caso foi incomum. ... vi bem claramente o amável Salvador, esperando por mim com seu Sagrado Coração visível. Rezei o Oramus te Domine, beijei o altar e me ergui, para me virar para a direita e dirigir-me ao lado da Epístola.

“Nesse breve momento ... aconteceu algo que não poderia nem ter sonhado. O amável Salvador inclinou-se para mim e me abraçou” (AeD vol2, nº1875).

O Pe Reus insistia em que estes favores visíveis, Deus os dispensa sempre de forma não visível para o sacerdote que celebra a Missa como deve ser.

Indo para o altar todos os dias, ele invocava seu Anjo da Guarda e no 23 de abril de 1937 “senti nitidamente, como o amável Salvador se apossou de mim de modo que não sou eu que O possuo, mas Ele possui a mim” (AeD vol2, nº1882).

Em 2 de agosto de 1937, durante a distribuição da Comunhão viu que sobre o estigma de sua mão pousou “sua mão nítida e luminosa, a chaga do prego unida com minha ferida na mão, a língua e as partes do corpo circunvizinhas unidas com a própria língua do Senhor, que comigo pronunciava as palavras: Corpus Domini Jesu Christi – O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo” (AeD vol2, nº1936).

Com especial agrado, transmitiu ao bispo de Santa Maria as palavras da Santíssima Virgem à irmã Antônia: “eu sou a Medianeira de todas as graças” (AeD vol2, nº1938). Aliás, um dogma ordinário abafado muito nos dias de hoje no altar do falso ecumenismo.




O oposto dos maus sacerdotes “cloacas de impureza”

O Pe. Reus teve a missão de mostrar aos sacerdotes o bom caminho e afasta-los da censura de Nossa Senhora em La Salette
O Pe. Reus teve a missão de mostrar aos sacerdotes o bom caminho
e afasta-los da censura de Nossa Senhora em La Salette
Na aparição de La Salette em 1846, Nossa Senhora teve palavras muito severas para os maus sacerdotes. Na opinião de muitos, poderiam ser aplicadas a não poucos sacerdotes que se têm em conta de “modernos”.

Mas precisamente, Nossa Senhora verberou “os sacerdotes, ministros de meu Filho, [que] pela (...) sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, (...) tornaram-se cloacas de impureza”. Cfr. O segredo da La Salette, texto completo em português

O Pe. Reus foi durante sua vida toda, malgrado as insídias do liturgicismo que se infiltrava de modo nascente, o exemplo radicalmente contrário de ditos sacerdotes de má conduta.

Como ele agia “na celebração dos santos mistérios” em que o relaxamento tinha tornado tantos sacerdotes “cloacas de impureza”?

O Pe. Reus amava se oferecer como vítima crucificada na hora da renovação do sacrifício da Cruz no altar. Renovava a grande tradição litúrgica dos santos na Igreja, e repelia a tendência liturgicista de fazer do celebrante um mero animador de uma festa comunitária, prática que daria margem a tantos abusos.

Em 8 de julho de 1938 quando levantava as mãos e braços na oração Unde et memoresPor esta razão – “senti-me pregado na cruz. (...) há muito tempo que peço sempre (...) a graça de morrer com Ele na Cruz. (...) o sacerdote, no sacrifício da morte do Senhor, durante a Santa Missa, deve ser um só com Ele na Cruz” (AeD vol3, nº 2297).

“O Pai Celeste aceita e deseja dos seus sacerdotes o oferecimento pessoal, juntamente com o sacrifício do Divino Filho” (AeD vol3, nº 2322)

“Vi mundos de fogo subindo do meu coração”. Desenho do Pe. Reus
“Vi mundos de fogo subindo do meu coração”. Desenho do Pe. Reus
Impossível imaginar uma disposição tão do agrado de Nossa Senhora.

Desde 1938 se intensificavam em continuidade as manifestações de amor de seu coração trocado com o Sagrado Coração de Jesus: “Cai sete vezes no chão. Ardor, peito descoberto na altura do coração, vibração até a última fibra. Fogo ardente, Comunhão forte ardor.

“Na Ação de Graças, fogo, calor, noiva de chamas, noiva de fogo, noiva do coração, noiva do ardor. Mar, sol, mundo de ardor, vulcão de amor, vulcão de chamas, sóis de fogo” (AeD vol3, nº 2304).

E em 21 de julho de 1938: “Na Ação de Graças, vulcão de amor. Logo subiu uma intensa chama do mais profundo do meu coração e se elevou até o firmamento. (...) vi sair do meu coração, mundos de chamas” (AeD vol3, nº 2309).

E ainda extraímos mais um exemplo do 22 de julho de 1938: “Vi mundos de fogo e mais mundos de fogo, subindo do meu coração. Subiam tão alto que pareciam ficar sempre menores, de acordo com a perspectiva.

“Também fora destes mundos de fogo havia chamas. No meio dessas chamas ‘eu Te amo’ foi a única expressão que pude dizer. Estive tão surpreso, confuso e perplexo com este amor ilimitado do Sagrado Coração de Jesus” (AeD vol3, nº 2310).

Finalidade da vida do Pe. Reus


Nossa Senhora em La Salette chorava com lágrimas de sangue da alma – se assim se pode dizer – pelos sacerdotes que faziam da Missa qualquer coisa menos o que deve ser.

Ela disse aos pastorinhos:

“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças.

“Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus, que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho!

“Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança.

“E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo” Cfr. O segredo da La Salette, texto completo em português.

O Pe. Reus foi suscitado por Deus para mostrar aos sacerdotes qual é o bom caminho, especialmente em matéria litúrgica e vida sacerdotal.

Por isso, pode escrever sem censura do superior que conferia suas anotações, que o referidos fenômenos místicos que se davam com ele, traziam uma mensagem sobre sua missão:

Minha vida tem uma única finalidade, mostrar como o divino Amigo dos sacerdotes ama os seus ministros e os encerra em seu coração.

“Deles espera, acima de tudo, correspondência de amor ardente. (...) Durante a Ação de Graças, por curto espaço de tempo, cheguei a conhecer por experiência própria o amor nupcial da Divindade” (AeD vol3, nº 2310).

E as manifestações divinas nesse sentido foram incessantes até o fim de sua vida.

Em 13 de agosto de 1938 ao rezar as palavras omni benedictione caelesti – toda a benção celeste – “vi descer sobre mim a benção do Altíssimo em forma de labaredas de fogo” (AeD vol3, nº 2332).

E em 20 de agosto “em consequência da purificação das mãos sacerdotais ... vi-me rodeado por um esplendor” (AeD vol3, nº 2339)

Repulsa da onda de blasfêmias no mundo


Essa intensa vida mística estimulava nele uma formidável repulsa da onda de blasfêmias que já se havia desatado até chegar ao tsunami diabólico de nossos dias.

No dia 9 de julho de 1938: “Ontem, li nos jornais diversas blasfêmias proferidas contra o Divino Salvador. Hoje de manhã, enquanto me dirigia para a igreja paroquial, vieram à minha mente, estas tremendas ofensas, (...)

“Sobreveio-me tal dor, que as lágrimas irromperam dos meus olhos. Logo depois da genuflexão e depois de ter adorado o Divino Salvador, cresceram o amor e a pena de tal maneira, que eu não podia ir mais adiante e tive que me encostar na coluna próxima, até que, depois de algum tempo esta excitação da alma tivesse passado” (AeD vol3, nº 2316).

O Pe Reus fazia tudo o possível para celebrar num local onde não pudesse ser visto. “Enrubesceu meu rosto de vergonha quando no dia 29 (outubro 1938), dois sacerdotes puderam testemunhar o êxtase de amor, depois da Consagração” (AeD vol3, nº 2402).

“O ardor de amor à maneira de coluna ereta de fogo, elevando-se para o alto”. Desenho do Pe.Reus
“O ardor de amor
à maneira de coluna ereta de fogo,
elevando-se para o alto”.
Desenho do Pe.Reus
Íntima união entre o sacerdote e a Vítima Divina


Na Missa de 3.11.1938 do cálice consagrado “subiram labaredas de fogo (...) como uma possante coluna de fogo até o trono de Deus. (...) Quando, voltado para o Irmão (acólito), eu pronunciei as palavras Domine, non sum dignusSenhor, eu não sou digno – vi sair da Santa Hóstia uma chama de fogo que, em curva, dirigia-se para o Irmão” (AeD vol3, nº 2405).

Em 12.11.1938, “Durante a Comunhão, vi sair da minha boca, vinda do meu coração, uma coluna de fogo que se dirigia para o Céu” (AeD vol3, nº 2414). E em 17 do mesmo mês “após a oração Pax Domini e na Comunhão, do meu peito saíram chamas de fogo que subiram flamejantes, verticalmente, com as que subiam do altar.

“Depois, repentinamente, uniram-se as duas chamas e, rodopiando entrelaçando-se, elevavam-se para o céu. Isto foi certamente para indicar a íntima união que existe entre o sacerdote e a divina vítima inocente.” (AeD vol3, nº 2418).

E em 27.11.1938 “Hoje me dirigi para o altar com o firme propósito de não permitir nenhuma imagem da fantasia e somente manter viva a fé. E isto eu cumpri.

“Mas quando, Na Comunhão, recebi o amado Salvador em meu coração, vi tão claramente que não posso duvidar: irrompia do meu peito, como de um chafariz, o ardor de amor à maneira de coluna ereta de fogo, elevando-se rapidamente para o alto, que no trono da Santíssima Trindade, dividiu-se. (...)

“Nisso se vê claramente com quanto amor a Santíssima Trindade acolhe, durante a Santa Missa, o amor do sacerdote.” (AeD vol3, nº 2428)



Tratamento da Majestade divina ao celebrante zeloso

Missa numa igreja do interior da França
Missa numa igreja do interior da França

Amor ao celebrante zeloso

A Providência tudo fez para lhe fazer evidente que no centro não se trata de pão e vinho partilhado festivamente pela comunidade.

Em 29.11.1938 mais uma vez, “No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena. Certamente para significar como já é santo o pão oferecido hanc immaculatam hostiam – esta Hóstia imaculada, à Santíssima Trindade” (AeD vol3, nº 2430).

Em 4.12.1938, na Consagração um violento incêndio de fogo que chegava até o Céu mais uma vez, que ele interpretou assim:

“Isto é prova de como o amor do Sagrado Coração de Jesus, entrando no coração do sacerdote na Comunhão, faz dele uma unidade com a Santíssima Trindade. Sacerdote da oblação, isto é, a Santíssima Majestade de Deus, unida num único ardor de amor” (AeD vol3, nº 2435)

Longe estava a enganação do celebrante que por suas qualidades midiáticas, empolga e agita a comunidade para agradá-la.

Em 11.12.1938, “Durante a oração Domine, non sum dignus – Senhor, não sou digno, vi saírem da santa Hóstia sobre a patena duas chamas, uma para a direita e outra para a esquerda que me abraçaram.

“Certamente, foi para dar a entender que, no instante em que o sacerdote se reconhece indigno, o amado Salvador aceita esta humildade como oportunidade para suas manifestações de amor” (AeD vol3, nº 2442).

A mensagem divina é claríssima: “No momento em que rezava a oração “Corações ao alto”, vi meu coração elevar-se. Com o Sagrado Coração de Jesus, certamente, queria dar a entender que as palavras na Santa Missa também têm sua misteriosa eficácia” (AeD vol3, nº 2451)

Em 21.12.1938 “o coração do sacerdote deve estar completamente tomado e imbuído das disposições de grandeza de ânimo, generosidade e espírito de sacríficio do Coração de Jesus.

“Para que assim (...) seja uma Hóstia viva para a Divina Majestade e inflame tudo, sensibilizando os corações empedernidos dos pecadores com as chamas de amor que dEle emanam” (AeD vol3, nº 2452).

Nada, pois, de atrativos apenas humanos.

A bênção final da Missa também tem esse significado universal: “No instante da bênção, no final da Santa Missa, vi como a Santíssima Trindade, dava sobre mim a bênção.

“Isto não é nada estranho, pois Deus prometeu, já no Antigo Testamento, que Ele abençoaria sempre que o sacerdote desse a bênção” (AeD vol3, nº 2463)

Severidade que atrai incontáveis vocações sacerdotais


Primeira bênção solene de 16 novos sacerdotes em São Leopoldo
Primeira bênção solene de 16 novos sacerdotes em São Leopoldo
Não faltaram até padres jesuítas e seminaristas que criticavam o Pe. Reus por ser um religioso tão severo que afastava as vocações do seminário.

Nada de mais errado. Quando o Pe. Reus ingressou no seminário de São Leopoldo em 1913, esse contava com 123 seminaristas menores e 27 maiores.

Quando o Pe. Reus propôs uma casa para 250 internos, logo lhe responderam que essa ficaria vazia.

Porém em 1917, os seminaristas somavam 263. E foi preciso construir mais um prédio porque em 1937, o seminário menor contava com 249 alunos e o Maior com 203.

E construíam-se ainda outras casas religiosas em cidades vizinhas para seminaristas de outras instituições eclesiásticas enviados a assistir as aulas do Pe. Reus.

Nessas casas, as horas eram marcadas por toques de sino. Então o vale passou a ser conhecido, como até agora, como Vale dos Sinos.

Em 1938, o número de seminaristas beirava o milheiro com um aumento de 700%. Como explicar esse crescimento explosivo?

Responde o Pe. Reus: “Tive que escrever no diário, com forte resistência de minha parte, o que o amado Salvador exigia de mim: “Por causa de ti quero abençoar esta casa. (...) Quando terminei de escrever isso, passei os olhos mais uma vez.

“Vieram-me as lágrimas aos olhos, lágrimas de abandono; eu devo fazer simplesmente o que ele quer, sem tomar em consideração a minha opinião e a minha honra” (AeD vol3, nº 2467)

Como estamos hoje longe desse exemplo, quando vemos que os seminários se esvaziam e fecham, os costumes atingem o fundo do fosso da imoralidade, com o pretexto de atrair jovens que quereriam ser sacerdotes!

A Majestade do sacrifício do altar



E os fatos surpreendentes não acabam ali.

“Só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” desenho do Pe.Reus
“Só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” desenho do Pe.Reus
Na Missa de São João da Mata, no Ofertório se rezava Posuisti in capite eius coronam de lapide pretioso – Puseste na cabeça uma coroa de pedras preciosas, vi, de súbito, como me era posta uma coroa na cabeça. (...) creio que após a Comunhão, vi, à direita e à esquerda partirem raios das pedras preciosas da coroa (...) só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” (AeD vol3, nº 2539)

Quão longe está a interpretação moderna do sacerdote celebrante como um animador que meramente preside. Em verdade esta visão o apresenta como um rei ou um monarca coroado por Deus para o sublime sacrifício do altar.

A coroa voltou a aparecer outras vezes coroando a Hóstia sobre o altar. E ainda em 9 de fevereiro de 1939, “vi o amado Salvador em mim, ornado daquela mesma coroa” (AeD vol3, nº 2541)

Qual a natureza dessa monarquia sacerdotal no altar?

Em 10 de fevereiro de 1939 após a Consagração “vi em mim, (...) num grande brilho, que se estendia além da minha pessoa. Nisso, eu me vi de súbito no interior de um sol. (...) O Cristo vive em nosso interior. O sacerdote dentro do Sol, sendo um sol ele próprio” (AeD vol3, nº 2542).

Abraços divinos


A majestade de Deus abraçando o sacerdote zeloso se lhe manifestaria de diversas formas. “Desde o dia 23 de dezembro [1938], resisti e não senti nenhum impulso para falar do Menino Jesus que com seu braço direito envolve o meu pescoço.

“Naquele dia, eu caminhava no corredor e pensava como, por este tempo, a querida Mae de Deus estava de viagem para Belém. De repente, senti o Menino Jesus sobre meu braço esquerdo, a cabecinha reclinada na minha face. Desde então, isto me acontece muitas vezes
” (AeD vol3, nº 2457).

E ainda em 9 de janeiro de 1939 enquanto rezava na Missa a oração pelos defuntos “vi e senti como o Salvador crucificado, desta vez em tamanho grande, envolveu-me em seus braços, puxou-me para o seu peito lentamente, mas com tal força que tive que ceder (...)

“Devo ter sido um espetáculo estranho para o ajudante de Missa” (AeD vol3, nº 2473).

E o acólito veria ainda muitas manifestações da majestade de Deus através de seu sacerdote.

“No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena”
“No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena”. Desenho  Pe.Reus
Em 3 de fevereiro de 1939, “Quando, escreve, o Pe. Reus, me virei para o ajudante de Missa e rezei o Misereatur, para dar-lhe a Comunhão, um raio de luz irrompeu da minha boca e se derramou sobre ele. Certamente, é a ação das preces da Igreja como última preparação para a recepção do Sacramento do amor” (AeD vol3, nº 2536).

Ainda enquanto se preparava para atender confissões com ato de contrição e dor e aversão ao pecado viu “quase ao mesmo tempo que estou inseparavelmente unido a Deus. A inseparabilidade não me foi comunicada por palavras, mas pela realidade, a sensação de firmeza, graças ao Sagrado Coração de Jesus” (AeD vol3, nº 2580).

Em 22 de março de 1939, as Santas Pessoas da Trindade apareceram sobre o altar rodeadas de anjos “para indicar que também os anjos estão presentes no santo sacrifício.

“No momento em que subia ao altar, rezando Aufer a nobis – Afastai de nós, as três Santas Pessoas me abraçaram. (...) creio que a Santíssima Trindade concede esta demonstração de amor a todo sacerdote que se aproxima dignamente do altar. (...) O abraço foi o sinal sensível do perdão que pedira (...) com as palavras Ut indulgere digneris omnia peccata mea – Para que perdoeis todos os meus pecados” (AeD vol3, nº 2586)

Os portentosos prodígios místicos concedidos ao Pe. Reus foram em continuo aumento. Na medida que leiamos os milhares de páginas de seus informes ao Superior, supúnhamos ter chegado ao máximo.

Ledo engano. A falta de espaço nos impõe uma interrupção, mas nos próximos posts pretendemos continuar com apanhados das mais impressionantes.



O Céu premia a centralidade monárquica do celebrante, enquanto a democracia se infiltra na Missa

Servo de Deus João Batista Reus SJ
Servo de Deus João Batista Reus SJ
O Pe. Reus celebrou o rito latino durante a vida toda porque era o rito geralmente em uso na América Latina e na Europa. Tratava-se da Missa em Latim, chamada também Missa se São Pio V, ou rito extraordinário.

Porém, na sua vida no Brasil (chegou em 1900 e faleceu em 1947) desde a Europa chegavam influencias teológicas, morais e litúrgicas que preparavam uma radical mutação na Missa no rito latino aprovado durante séculos pela Igreja.

Não é objetivo deste blog de entrarmos na problemática, mas notamos como simples fiéis que os fenômenos místicos na Missa apontavam poderosamente no sentido contrário dessa sorrateira entrada de teorias e práticas novas.

Observamos que o Pe. Reus não parece ter tentado polemizar com as novas tendencias se apoiando nas maravilhosas manifestações sobrenaturais de que era objeto.

Mas todas as interpretações feitas por ele, implicam uma censura da revolução litúrgica.

A troca dos corações


O Sagrado Coração de Jesus se implanta no coração do Pe Reus
O Sagrado Coração de Jesus se implanta no coração do Pe Reus. Desenho do Pe.Reus
O Pe. Reus foi beneficiado por um fenômeno místico extraordinário do qual muito ensinou Soeur Marie des Vallées e seu confessor São João Eudes: a troca de vontades, ou troca dos corações, entre o Sagrado Coração de Jesus e o de seu devoto.

Esta união sobrenatural é muito apropriada para o sacerdote que vai sacrificar o próprio Cristo no altar.

No dia 15 de junho de 1939, “na benção da novena, em preparação para a festa do Sagrado Coração de Jesus (...) vi, primeiro menos, depois mais claramente como o amável Salvador, que aparecia sobre o altar, e implantava seu Coração no meu peito e punha no seu peito o meu coração. Não era possível qualquer dúvida” (AeD, vol.3, nº2680).

A proximidade do piedoso jesuíta com Deus fazia-se sempre mais intensa, particularmente na santa Missa.

No dia 25 de junho “Na Comunhão, eu estava com os braços mais ou menos estendidos. De repente, senti que eles iam se erguendo, sem saber do que se tratava. De súbito, esteve próxima a Santíssima Trindade, e eu comecei a abraça-la e atraí-la para dentro do meu coração” (AeD, vol.3, nº2690).

No 30 de junho do mesmo ano, “na Consagração, na oração Nobis quoque antes do Domine non sum dignus (...) parecia-me que a Santíssima Trindade se achava presente sensivelmente bem próxima do altar. (...) As três Santas Pessoas eram maiores do que eu. Eu estava junto ao altar, entre as três Santas Pessoas.

“Isto, é outra demonstração da grande dignidade do sacerdote, que tem acesso ao Santíssimo dos Céus, no altar, ao qual a Santíssima Trindade desce na hora do sacrifício.

“Demonstra, ainda, o íntimo amor da Santíssima Trindade ao sacerdote que julga digno de permanecer em tão estreita proximidade da Santíssima Majestade de Deus e, é claro, mostra também a prontidão benignamente seus pedidos” (AeD, vol.3, nº2695).

Democracia na Missa?


Como dissemos, paradoxalmente, enquanto aconteciam essas inúmeras e impressionantes manifestações místicas ao Pe. Reus, nos ambientes modernizados da Igreja no Brasil a santa Missa começava a ser mudada em sentido contrário, soprada por ventos que vinham da Europa

O Pe. Ariovaldo José da Silva, que traçou uma documentada história do “movimento litúrgico” no Brasil, fixou a data oficial do seu aparecimento em 1933 (José Ariovaldo da Silva, O.F.M., “O Movimento litúrgico no Brasil”, Vozes, Petrópolis, 1983; D. Clemente Isnard, O.S.B., “Reminiscências para a História do Movimento Litúrgico no Brasil”, in B. Botte, O.S.B., “O Movimento Litúrgico. Testemunho e recordações”, Paulinas, SP, 1978, pp. 208-209).

Naquele ano de 1933, chegou um monge beneditino procedente da Alemanha, D. Martinho Michler (1901-1969), das abadias de Neusheim, Maria Laach e Santo Anselmo de Roma, que recebeu a influência de Romano Guardini, de D. Beauduin e de Odo Casel.

Dom Martinho Michler ficou encarregado de leccionar um curso de liturgia no Instituto Católico de Estudos Superiores, despertou, com as suas aulas, o entusiasmo de alguns estudantes brasileiros, entre os quais Alceu Amoroso Lima.

A esta influência não se subtraiu outro intelectual católico brasileiro, Gustavo Corção, que na sua obra autobiográfica “A Descoberta do Outro” (1944), segundo o Padre José Silva “deixa transparecer a nítida influência das ideias vitalistas de D. Martinho Michler” (“O Movimento litúrgico no Brasil”, p. 48).

Formou-se, no seio da Acção Universitária Católica (AUC) um Centro de Liturgia, cujos trabalhos se inauguraram com um retiro para dezasseis jovens, promovido pelo Sacerdote beneditino numa fazenda do interior do Estado do Rio.

Foi aí que, a 11 de Julho de 1933, se celebrou a primeira missa dialogada e versus populum, no Brasil. D. C. Isnard, O.S.B. recorda:

“Na sala principal ele preparou um altar para a celebração da missa. Mas, para grande surpresa nossa, em vez de encostar a mesa à parede, colocou-a no centro da sala e dispôs um semicírculo de cadeiras, dizendo que ia celebrar de frente para nós.

“Foi a primeira missa celebrada de frente para o povo no Brasil!” (“Reminiscências”, cit., p. 218).

“Dom Martinho fez tudo isso com naturalidade, mas naquele momento ele consumava uma revolução dentro de nós, quebrava um tabu, e nos obrigava a segui-lo noutros passos que nos faria dar” (ibid).

Desde então, D. Martinho Michler começou a dialogar a missa semanalmente com os universitários, no Mosteiro de São Bento, no Rio. “Iniciava-se, assim, o Movimento Litúrgico no Brasil” (J. A. Da Silva, O.F.M., “O Movimento litúrgico no Brasil”, p. 43).

Monarquia sacerdotal na Missa


A seriedade da Missa com que rezava o Pe. Reus levou Nosso Senhor a externar nele a natureza monárquica do Santo Sacrifício do altar.

Por exemplo em 3 de junho de 1939, “No momento em que levei aos lábios o cálice com o Santo Sangue, esteve presente o amado Salvador na cruz: seu Santíssimo Sangue, o sangue vivo, eu o bebida sua santíssima chaga do lado. Só um pouco dos contornos do cálice era visível. (…)

Feliz é o sacerdote, que bebe dignamente do Sagado Coração: beberá eternamente do mesmo” (AeD, vol.3, nº2698).

Era comum que nas festas dos santos, esses se lhe aparecessem na Misa como no 6 de julho de 1939, na oitava da festa de São Pedro e São Paulo (...) vi sobre o altar os dois Príncipes dos Apóstolos. São Pedro tinha as chaves, São Paulo a Espada” (AeD, vol.3, nº2700).

Numa Missa em honra do Espírito Santo: “No prefácio, às palavras In filios adoptionis effudit Derramou sobre os filhos adotivos, vi as graças do Espírito Santo descerem sobre mim. Portanto, descem em primeiro lugar sobre o presbítero” (AeD, vol.3, nº2703).

Em 16 de julho de 1939, mais uma manifestação sobrenatural que sublinhava essa centralidade exclusiva do celebrante:

“vi o amado Salvador pregado na cruz, diante de mim em tamanho natural, logo no início da Missa. Quanto pude perceber, ele pronunciava comigo as palavras da Missa.

“Vi-o, nitidamente, mover os lábios e, ao menos uma vez, dirigir os olhos para o alto, em oração. Isso durou por toda a Missa, (...)

“Esta visão quer mostrar o fato de que a santa Missa é a maravilhosa renovação do sacrifício da cruz, e isto desde o começo até o fim, e que o amado Salvador faz suas as palavras do sacerdote.

O sacerdote goza do privilégio invejável de ser o representante visível do Divino Sacerdote” (AeD, vol.3, nº2712).

Essa centralidade do sacerdote, que podemos chamar com propriedade de monárquica, começava a ser posta em dúvida pelo democratismo que se manifestou na precursora “primeira missa celebrada de frente para o povo no Brasil” que citamos no destaque gráfico.

Ojeriza democrática contra Nossa Senhora Medianeira de todas as graças


O mesmo democratismo tinha ojeriza obviamente com a posição monárquica de Nossa Senhora, Rainha do Céu e da Terra, intermediária de todas as graças que Deus, fonte única de todas elas, dispensa aos homens.

A fé em Nossa Senhora enquanto Medianeira de Todas as Graças que é professada há séculos pela Igreja, era especial objeto de sabotagem. A proclamação extraordinária dessa verdade como dogma sofria os efeitos dessa ojeriza.

Sem entrar em polêmica, o Pe. Reus testemunha o quanto Deus queria que na Santa Missa se tornasse brilhantemente palpável essa Mediação Universal de Maria.

Em 10 de julho do mesmo ano, rezando a Missa em honra da Imaculada Conceição “ao dar a benção final, vi acima de mim a querida Mae de Deus, abençoando junto comigo.

“Com toda a razão, pois lhe cabe este direito como Medianeira de todas as graças. As graças dispensadas por Deus também ela as dá, embora de modo diverso.

“Ela é Medianeira da graça especialmente para o sacerdote, por ela tão intimamente amado, e a quem confiou o que tem de mais caro: seu Divino Filho no Santíssimo Sacramento.
(...) ela ama a todos, mas de modo especial aos sacerdotes (...) defensores da honra d’Ele e d’ela, e em quem ela, mais que nos outros fiéis, reconhece e ama a imagem de seu Filho” (AeD, vol.3, nº2707).

E em 14 de julho de 1939, na Missa de São Boaventura, “vi, acima de mim, raios luminosos e, em seguida, um sol nas palavras Vos estis lux mundi – Vós sois a luz do mundo.

O sacerdote, comenta o santo jesuíta, é a luz do mundo por meio do anúncio da doutrina do Sagrado Coração de Jesus e por meio da sua vida, semelhante à dos Anjos no meio de um mundo depravado” (AeD, vol.3, nº2710).

Compreende-se bem a dor de Deus contemplando a relaxação e a profanação por parte dos maus sacerdotes.




O Pe. Reus nos teria salvo das cloacas de impureza denunciadas em La Salette?

Túmulo do Padre Reus SJ em São Leopoldo
Túmulo do Padre Reus SJ em São Leopoldo

Valor inestimável de seu Curso de Liturgia

O jornalista José Mitchell (R.I.P.), de Porto Alegre, calculava que “até 1994 foram editados 5 milhões e 100 mil folhetos (40 edições) de duas páginas com a estampa do Padre Reus e a novena; 3 milhões e 710 mil folhetos (34 edições) de seis páginas; e 3 milhões e 10 mil (28 edições) de folhetos com a estampa do padre quando jovem e a novena”.

No ano que escrevemos (2022) quantos milhões a mais seria preciso acrescentar?

Mas, foi muito reconfortante para o Pe. Reus em vida, o efeito que teve seu livro “Curso de Liturgia”.

Essa é uma obra concisa mas luminosa e metódica num momento que em torno da liturgia romana começavam a se espalhar perturbadores relaxamentos.



Se o Pe. Reus tivesse sido ouvido e seguido, tal vez não se chegaria aos extremos que Nossa Senhora denunciou em La Salette:

“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, pela sua má vida, sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, pelo amor do dinheiro, das honrarias e dos prazeres, tornaram-se cloacas de impureza.

“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças”.

Subterraneamente nos tempos do sacerdote jesuíta se preparava uma confusão que caminharia a desintegrar a sagrada liturgia vítima de toda espécie de invenções fantasiosas e polêmicas desagregadoras.

Exemplo do valor desse despretensioso curso até hoje respeitado, ficou registrado em 15.11.1939.

O santo religioso, contrariando seu pendor reservado, registrava:

“meu livro foi elogiado. Ontem recebi uma carta de um antigo professor de Liturgia, repleta de elogios desmerecidos. Após as palavras introdutórias, ele escreveu:

‘Peço ao eminente Filho de Santo Inácio, aceitar os meus sinceros parabéns pelo seu ótimo, claro e prático Compêndio de Liturgia. Humilde professor da mesma matéria no Seminário de Mariana há 19 anos, nunca encontrei um manual como o de Vossa Reverência. Os meus alunos em número de 125, já compraram o seu ótimo Compêndio’”. (AeD, vol.3, nº2837)

E mais ainda, ele conta que nesse dia na Santa Missa “Fiquei sabendo quão verdadeiro é o ditado: Spera in eo et Ipse faciet – Espera n’Ele e Ele mesmo providenciará.


“Após a Consagração, êxtase de amor. Vi as santas ofertas e a mim em chamas, que quase alcançavam a Santíssima Trindade, que estava no alto. Sobre as chamas, diante da Santíssima Trindade, vi deitado o meu livro.

“Isto significa claramente que a Santíssima Trindade aceitou o oferecimento do meu livro. O amável Salvador fará com que isso seja para sua maior glória. Tive que escrever e desenhá-lo.” (AeD, vol.3, nº2837)

Naquela época ninguém poderia imaginá-lo, mas dito Compêndio circula na Internet hoje em dia e foi impresso em recentes edições.


Edição recente
Edição esgotada

Aliás ainda hoje pode ser encontrado em diferentes formatos
na Internet.

Em PDF: CURSO DE LITURGIA

Em PDF: CURSO DE LITURGIA

Os fenômenos místicos extraordinários concedidos ao Pe. Reus foram certas vezes contraditados ou negados, e o religioso tido em conta de ilusionado.

Em 7.11.1939, conta que durante um êxtase na Comunhão “entrou na capela, um coirmão contrário às visões místicas e que as explica como ilusão. ... justo esta vez, o êxtase demorou bastante tempo, apesar de sua presença. ... a verdadeira humildade exige que, por amor a Deus, se despreze o desprezo” (AeD, vol.3, nº2839).

O sacerdote zeloso contra os erros litúrgicos, com o Menino Jesus em seu coração

O Menino Jesus oferecido no altar. Desenho do Pe Reus
O Menino Jesus oferecido no altar. Desenho do Pe Reus

16.12.1939 durante uma meditação sobre o Menino Jesus:

“vi-o de repente, dentro de mim, claro, rodeado de luz. Vi como ele estava, por assim dizer, sob o meu coração. Abraçava o meu coração com seus bracinhos e o apertava junto ao seu coração como prova do amor que ele tem ao meu.

Na verdade, é o seu próprio coração, pois ele arrancou o meu e colocou o seu no lugar” (AeD, vol.3, nº2868)

Análogo fato aconteceu na Missa de 18.6.1940 em que ele reconheceu que o coração que o Sagrado Coração “trazia em seu santo peito era o meu. ... é uma confirmação da troca dos corações” (AeD, vol.3, nº3084)

E em 19.6.1940 “percebi que meu coração já está, antecipadamente, no céu no peito do meu Senhor e Deus. Esta percepção é clara e inequívoca. ...

No meu peito, está o Coração do amável Salvador (AeD, vol.3, nº3085)

O Menino Jesus, sobre tudo no Natal, continuava no interior do Pe. Reus.

No 19.12.1939 Nossa Senhora lhe apareceu se inclinando para lhe dar o Santo Menino e quando ainda estava a uma certa distância “o Menino Jesus veio para mim e eu, com meus braços, guardei-o dentro de mim” (AeD, vol.3, nº2871)

O Menino Jesus no lugar da Hóstia Imaculada. Desenho do Pe Reus
O Menino Jesus no lugar da Hóstia Imaculada. Desenho do Pe Reus
Na festa de Nossa Senhora das Dores, e 15.3.1940 voltou a registrar a luta teológica em que era engajado pelo avanço encapuçado das novas ideias que iriam dar na revolução litúrgica-progressista.

No dia narra: “ontem escrevi uma carta ao nosso assistente em Roma, Pe. Crivelli, sobre um livro “Chamas Divinas” em que são atribuídas ao Divino Salvador coisas que não estão bem de acordo com a pureza angelical.

“Escrevi num tom de certa indignação. ... eu sentia, como já aconteceu uma vez no passado, seu bracinho pousando no meu pescoço e a pressão do seu bracinho como se Ele quisesse agradecer-me por ter tomado a defesa de sua honra e pureza. ...

De repente, a amável Mae de Deus ... me entregou o seu divino Menino de quem eu recebera a carícia. ...

Certamente a Imaculada queria mostrar, através desta afável bondade, a sua satisfação”. (AeD, vol.3, nº2990)





O Pe. Reus e os assaltos do diabo contra a Missa

O mal conspira contra a Missa bem celebrada. Judas com o dinheiro da traição abandona a Última Ceia, após comungar sacrilegamente. Detalhe de andor da confraria da Última Ceia, Úbeda, Espanha.
O mal conspira contra a Missa bem celebrada.
Judas com o dinheiro da traição abandona a Última Ceia,
após comungar sacrilegamente.
Detalhe de andor da confraria da Última Ceia, Úbeda, Espanha.
O Padre Reus entendia a Missa como sempre foi desde a Última Ceia quando foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Naquela ocasião suprema em que Jesus procedeu à consagração e ordenou aos apóstolos fazer o mesmo em memória dEle, a tragédia suprema de Sua Paixão e Morte se acumulava sobre a Divina Vítima, o Redentor.

Não só, o Sinédrio – assembleia dos sumos sacerdotes do Templo – já tinha acertado a morte do Redentor, mas até o traidor que o vendeu – Judas Iscariotes, um dos apóstolos – participava da Ceia.

Para os judeus aquela Ceia tinha uma conotação festiva pois com ela comemoravam um episódio do êxodo, isto é da partida de Egito e a libertação da escravidão, sendo guiados por Moisés.

Mas a Missa instituída em aquelas condições trágicas não pode ser vista como uma mera festa comunitária segundo se tende a apresenta-la e celebrá-la na nossa época.

O diabo assedia sempre a Missa


O Padre Reus tinha também muito presente as insídias possíveis das potencias das trevas contra o sacrifício do altar.

Em 24.4.1940 viu o arcanjo São Miguel protegendo a mim e ao Santíssimo Sacramento contra possível falta de respeito (AeD, vol.3, nº3030).

Em 19.5.1940 viu a “proteção que a bondosa Santíssima Trindade concede a todos os sacerdotes no santo sacrifício ... proteção também contra os espíritos das trevas” (AeD, vol.3, nº3054)

Na festa de Nossa Senhora Aparecida (então em 20.3.1940) “passaram pela minha cabeça as desordens da guerra na Europa e suas possíveis e desagradáveis consequências para nós aqui no Brasil” (AeD, vol.3, nº3055)

24.2.1941. “Ontem foi Domingo de Carnaval. O dia inteiro, tive dor de cabeça. Ao anoitecer ficou tão forte que não pode fazer mais nada, a não ser sofrer. Mas ofereci tudo em reparação de todas as ofensas feitas ao Sagrado Coração de Jesus e pelas almas que se precipitam na eterna perdição” (AeD, vol.3, nº3366)

E na Terça-feira de carnaval: “vi bem à minha frente o amável Salvador na cruz. Deve ser um sinal da terrível nova crucificação por causa das horríveis ofensas feitas ao seu Sagrado Coração nestas horas. ...

“Quantas vezes já ofereci minha vida para reparar as terríveis ofensas” (AeD, vol.3, nº3367)

O diabo escondido no altar foje do Pe Reus na hora da Comunhão individual do celebrante. Desenho do Pe.Reus
O diabo escondido no altar foge do Pe Reus na hora da Comunhão individual do celebrante.
Desenho do Pe.Reus

O diabo gira em torno do altar embora não seja visível.

Em 27.2 1941, o Pe. Reus escreveu “vi saírem, não sei se do altar ou do cálice, chamas de fogo, que foram para trás e puseram em fuga o diabo, que ali se encontrava,

O sangue preserva o sacerdote das perseguições do diabo. ...

“Quando me preparava para dar a Comunhão ao escolástico ajudante, vi atrás dele, o diabo que a cada Domine non sum dignus – Senhor não sou digno, recuava sempre mais” (AeD, vol.3, nº3369)

Bênções da Missa celebrada com seriedade


No Dia de Finados, 2.11.1940, “enquanto rezava as palavras do Unde et memorespor isso lembrados, e Supra quaesobre as quais, vi cada uma das palavras voar para o alto como uma flecha diretamente ao coração do Pai Celeste.

“É uma alusão à força que estas palavras da santa Igreja têm ... já tinha rezado as palavras Corpus Domini nostri Jesu Christi, de repente, eu segurava o Menino Jesus na mão, porém sem que a imagem do pão desaparecesse.

“Assim como estava, eu tomei com o amor mais ardente na boca e no coração. Então, vi dentro de mim o Menino Jesus totalmente rodeado de luz envolvi-o em amor ardente com meus braços, que pressionei em forma de cruz sobre o peito.” (AeD, vol.3, nº3222)

Na Missa de 27.3.1940, “na oração Unde et memorespor isso lembrados, vi durante as palavras: et plebs tua sancta e teu povo santo, a santa Igreja e uma multidão interminável de fiéis atrás de mim, pelos quais eu rezava como sacerdote do Altíssimo.

“Quando dava a última bênção vi uma incontável multidão. ... o sacerdote em que dar a bênção, também quando reza a Missa sozinho”. (AeD, vol.3, nº3002)



Guerra do inferno contra a boa Missa e o celebrante estrito

Demonios se assanham contra o sacerdote orante. No quadro Santo Arsenio o Grande (350 - 445) Padre do Deserto
Demônios se assanham contra o sacerdote orante.
No quadro: Santo Arsenio o Grande (350 - 445) Padre do Deserto
Ao longo dos já numerosos posts que temos publicado sobre o Pe. Reus, pudemos observar as rispidezes de trato que se voltavam contra ele pela sua estrita obediência ao rito da Missa.

Sem dúvida, os extraordinários fenômenos místicos de que foi objeto o confirmavam na sua atitude amorosa e estrita ao ritual romano.

Porém, se compreende que a Providência tenha querido reafirmar enfaticamente a aprovação de sua santa conduta sacerdotal na Liturgia imutável segundo desejo de muitos séculos da Igreja.

Dentre os muitos exemplos que se podem citar, em 29 de julho de 1941, no cerne da Missa o Pe. Reus se viu “diante da Santíssima Trindade”.

O amado Pai Celeste me abençoava e me dava o osculo do amor na fronte, durante pouco tempo, o amado Salvador me abraçou” (AeD, vol.4, nº3522).

No dia seguinte no Memento da Missa “pedi que ele me renovasse a graça do sacerdócio, ... Durante a oração seguinte Communicantes ... o Divino Salvador se levantou e pôs ambas as mãos sobre mim. ...
Nosso Senhor lhe impõe as mãos. Desenho do Pe.Reus
Nosso Senhor lhe impõe as mãos. Desenho do Pe.Reus

“Isso deve significar com certeza, que Ele realmente renova aquela primeira graça, e também para todo sacerdote que lhe pede isso” (AeD, vol.4, nº3523)

A última frase é consoladora. Pois o Pe. Reus não se via de modo exclusivista e pensava constantemente nos sacerdotes espalhados pelo mundo e em diferentes épocas. Até em alguns de seus alunos do seminário de São Leopoldo.

E em 9 de agosto do mesmo ano:

“O amado Pai Celeste e o amado Salvador colocaram ambas as mãos sobre mim, em sinal de completo perdão de todos os meus pecados e erros. ...

“Ao redor, havia santos anjos. Eles se alegram quando um pecador faz penitência”. (AeD, vol.4, nº3532)

A penitência! Que Nossa Senhora tanto pede, também pode ser necessária ao sacerdote e, quando acontece, causa regozijo na corte celeste.

E não só isso. O próprio São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, paira com seus anjos sobre o sacerdote que reza bem a Missa para protege-lo das insídias infernais que nesse momento podem se multiplicar.

Ainda durante a Missa do 18 de agosto de 1941, “na última oração a São Miguel vi o arcanjo pairar sobre mim para me proteger. Acredito que essas graças valem para todo sacerdote, pois ele é abraçado da forma mais íntima, na Comunhão” (AeD, vol.4, nº3542)

De fato, o Pe. Reus via que Satanás se assanha contra o Santo Sacrifício bem celebrado. Ele estava muito longe de ver a Missa como uma festa comunitária.

Anjos protegem a Missa dos asaltos dos demônios. Desenho do Pe Reus
Anjos protegem a Missa dos assaltos dos demônios.
Desenho do Pe Reus
Lhe aconteceu em 19.8.1941, após a Consagração se apresentar diante dele uma estranha figura.

“Quase no mesmo momento o amado Salvador ... enviou-me seus santos anjos em auxílio. Primeiramente pairava sobre mim o arcanjo São Miguel, para me defender.

“Outros santos anjos formavam, ao redor de mim, um muro de proteção, vivo e resistente para defender o sacerdote de Deus contra os maus espíritos” (AeD, vol.4, nº3543)

E não só a proteção de Nosso Senhor e dos anjos, mas também dos santos padroeiros do país, cidade ou local.

O Pe. Reus via a grande glorificação que rendem ao Coração de Jesus e à Mãe de Deus “os corajosos guerreiros mártires. Mas também para alegrar-se com os heróis triunfantes, modelos para nós” (AeD, vol.4, nº3559).

Guerreiros, heróis triunfantes, modelos para nós: assim eram os modelos para os sacerdotes segundo via o Pe. Reus. E também para nós simples fiéis, ainda mais fracos e desamparados que os religiosos.

Com uma participação protetora especial de Nossa Senhora:

Foi o caso durante a Consagração na festa de Nossa Senhora Aparecida (então 7 de setembro), viu diante dela o venerável (hoje Santo) Pe. Anchieta, provavelmente como representante de todo o Brasil cuja padroeira é Nossa Senhora Aparecida...

Exposição de pertences do Pe Reus SJ, São Leopoldo
Exposição de pertences do Pe Reus SJ, São Leopoldo
“Se a visão fosse produzida por mim, provavelmente não teria tomado o Pe. Anchieta como testemunha e representante, e sim, os bem-aventurados mártires Rio-Grandenses ou os 40 mártires do Brasil” (AeD, vol.4, nº3562).

E em 9 de setembro de 1941, “nas orações do Ofertório vi, sobre o altar, Nossa Senhora de Fátima ... a amável Mãe de Deus me deu a honra de se mostrar a mim, como prova de seu grande amor e agrado em relação ao rosário”. (AeD, vol.4, nº3564)

Mas essa presença, proteção e participação tem um troco que o celebrante – e também os fiéis presentes – devem dar com a veneração devida aos santos mistérios que se oferecem no altar “para não nos envergonharmos diante dos santos anjos”

Em 21.9.1941, “no final da Santa Missa, dava a bênção, vi, por cima de mim e por cima do altar, o amável Salvador na Cruz, dando a bênção ao mesmo tempo que eu, com sua mão direita, que se soltara da cruz. ... Ele é também o sacerdote que sacrifica, reza e abençoa. O que o sacerdote faz, faz nele e com Ele. (AeD, vol.4, nº3576)

Em 23.9.1941, nas palavras Per eundem Christum Dominum nostrum – Pelo mesmo Cristo nosso Senhor, em que, por instrução da Igreja, o sacerdote deve fazer uma reverência que certamente significa a última reverência do Redentor crucificado, vi de repente bem claro diante de mim, como o amável Salvador na cruz fazia uma reverência com sua santa cabeça” (AeD, vol.4, nº3578)

Na missa de 25.9.1941 “vi de repente, duas fileiras de santos anjos que, todos ao mesmo tempo fizeram comigo uma reverência com a cabeça, em profunda veneração.

É uma advertência sobre a veneração que devemos ter ao rezar estas palavras de louvor, para não nos envergonharmos diante dos santos anjos” (AeD, vol.4, nº3581)



Pe.Reus e a transverberação, fenômeno místico excepcional

Detalhe de 'Transverberação do Coração de Santa Teresa de Ávila'. Josefa de Óbidos (1630 — 1684). Igreja Matriz de Cascais
Detalhe de 'Transverberação do Coração de Santa Teresa de Ávila'.
Josefa de Óbidos (1630 — 1684). Igreja Matriz de Cascais.
O Pe. Reus teve análogo fenômeno místico.
“Eu procurei quem me consolasse e não encontrei” lamenta Nosso Senhor segundo uma Antífona que se canta também na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

As palavras glosam um salmo de David: “seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei”. (Salmo 68, 21-22)

O Pe. Reus voltou sua profunda devoção para o Sagrado Coração de Jesus oferecendo suas dores pela ingratidão dos homens e consolar os insultos a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nossa Senhora e a Igreja no mundo.

Ele foi um homem transfixados pela dor numa época em que a Igreja ia sendo amolecida por um espírito alegrote e ia ficando pronta sorrateiramente para a atual explosão de progressismo desregrado.

Ele foi como um homem ajoelhado que oscula as gotas de sangue que a Igreja derrama e seus filhos deixam cair no chão procurando consolá-la.

Como vimos nos posts anteriores, seu coração trocado com o Sagrado Coração de Jesus era uma fonte de labaredas de intenso fogo de amor reparador.

Nosso Senhor quis premiar essa atitude heroica com o fenômeno extraordinário da trans-verberação, concedido outrora a santos da envergadura de Santa Teresa de Jesus.

Foi assim que no dia 3 de outubro de 1941, em seu quarto, “vi como meu coração fora perfurado com uma flecha, ou melhor, fora ferido, causando-me dor muito intensa. ... com a flecha no coração, passava pelo corredor, também vi o anjo, que ainda estava com a mão na flecha” (AeD, vol.4, nº3589)

Desenho do Pe Reus de seu coração transverberado
Desenho do Pe Reus de seu coração transverberado
A flecha, com que um anjo me feriu o coração no dia 3 de outubro, ficou sempre visível a partir de então.

“Hoje quando estava deitado em ardor de amor, uma mão invisível transpassou o meu coração fora a fora, de forma que a ponta saiu do outro lado. Na ponta brilhava uma pequena chama de fogo.

“O anjo que fez isso, transpassou duas vezes o meu coração. A dor foi tão grande que gemi alto. Desde então, vejo a flecha em meu coração”. (AeD, vol.4, nº3608)


Vida de penitência e de sacrifício

Padre Reus tinha verdadeira fome e sede de sacrifícios. Aceitava resignadamente os desprezos, as humilhações que feriam profundamente sua extrema susceptibilidade.

Flagelava-se diariamente antes de se recolher à noite; cingia-se frequentemente com um cilício de ferro, dormia sobre duas tábuas, escondidas debaixo do lençol, jejuava quase sem interrupção e dominava os sentidos e a natural curiosidade de maneira edificante.

Mas o maior sacrifício foi sem dúvida, a renúncia à sua vontade e sua perfeita e constante subordinação à vontade dos superiores.

Verdadeira tormenta agitou-lhe a alma, quando soube ser desejo da Ordem que os súditos abrissem suas consciências não só ao superior provincial, mas também ao superior da Comunidade.

“Parecia-me então mais fácil confessar pecados graves – se os tivesse – do que revelar as graças místicas”.

Grande provação para o Padre Reus era a gradativa perda da visão, que poderia transformar-se em cegueira completa.

Deus, porém, se contentou com a boa vontade de Seu Servo, preservando-o da cegueira. Mas a surdez, própria da velhice, não lhe foi poupada. (apud “As visões e êxtases do Padre João Batista Reus)


O fogo que emanava de seu coração transpassado pelo dardo de amor divino tinha um caráter reparador.

Entre 22 e 24 de novembro, conta ele, “vi-me em um mar de chamas ... as chamas saiam de meu coração, subindo para o trono das três Santíssimas Pessoas e as envolvia.

“Delas saiam torrentes de fogo em minha direção. ... Do meu coração saíam chamas de fogo que subiam até o trono [da Santíssima Trindade].

“O amor de Deus penetra no coração do homem e repara os erros ininterruptamente cometidos pela humanidade pecadora” (AeD, vol.4, nº3640-42)

Em 16 de julho de 1942 “Quando, no Ofertório, eu já havia lavado as mãos, fui vestido por uma mão invisível, com uma vestimenta branca que me cobriu totalmente. Deus devolve a inocência, se ela for perdida” (AeD, vol.4, nº3917)



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