segunda-feira, 20 de maio de 2013

Misteriosa estirpe espiritual de Judas agindo na Igreja

Judas negocia a traição de Jesus., Giotto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






continuação do post anterior: Como a Revolução satânica se infiltrou na Igreja


Em numerosas ocasiões, o bem-aventurado alude à existência de um “Judas” enquistado na Igreja.

Com esta expressão ele não se referia a um indivíduo em particular, mas a uma espécie de estirpe espiritual que ao longo dos séculos trabalha dentro da Igreja contra Ela.

Segundo ele, essa linhagem do mal se manifestou de modo patente em certos heresiarcas, mas na maior parte do tempo agiu em segredo, escondida da massa do clero e dos fiéis.

No quê consiste essa estirpe? Como entrou na Igreja sacrossanta? Como pôde manter-se n’Ela? Como age? Qual é o seu sinal distintivo?

O santo religioso não se estendeu muito em pormenores históricos. Ele via, porém, que ao longo dos séculos sempre houve manobras diabólicas para infiltrar agentes e organizá-los dentro da Igreja.

O primeiro instrumento foi o próprio Judas Iscariotes, que dá o nome a esta estirpe do mal.

Mas o Iscariotes acabou se autodenunciando quando vendeu o Cordeiro Imaculado ao Sinédrio.

Porém, poucos anos depois, nos tempos apostólicos, este filão da perdição já estava agindo.

É o que diz São João em sua primeira epístola:

“18. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora.

“19. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos.” (I Jn, II, 18-19)

O Apostolo amado acrescenta que “o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, já está agora no mundo”. (I Jn, IV, 3)

Simão o Mago subia aos céus e São Pedro (de joelhos)
o fez se espatifar no chão na presença do imperador Nero (no trono).
São João faz o sinal da cruz. Bennozo Gozzoli
Os Atos dos Apóstolos (cfr. Act, VIII, 9-24) narram a história de Simão o Mago, que Santo Irineu qualifica de pai de todas as heresias (“Adversus Hereses”, livro I, cap. 23).

O bem-aventurado carmelita atribui a gestação dos erros e desordens na Igreja a esta estirpe de Judas:

“Judas e o diabo se combinaram contra Cristo, mas os dois foram expulsos do colégio apostólico. (...) o diabo buscou então portas para entrar no seio do catolicismo, e as encontrou nos heresiarcas. As portas lhe foram abertas pelos próprios cristãos que lhe entregaram as chaves da incredulidade e da corrupção das doutrinas.

“Agora ele está dentro. Desejais vê-lo? Entrai, e o que vereis?

“Vereis homens que se intitulam católicos, mas blasfemam como demônios e perseguem com furor o catolicismo. (...)

“Vereis o diabo dentro do próprio santuário, desafiando a onipotência de Deus com blasfêmias proferidas diante de seus altares.

“Vereis no povo católico as abominações prenunciadas por Daniel profeta. Vereis o anticristianismo instalado no poder.

“Vereis que o diabo se introduziu no lugar sagrado, e corrompe, perverte, tenta, prova” (“El suicidio”, El Ermitaño, Nº 87, 7-7-1870).

O Beato punha na boca de um demônio as seguintes palavras, falando desta linhagem de heréticos:

Martinho Lutero, máscara mortuória
“Nossa obra que com tanta cautela urdimos desde Judas traidor até esta data, encobrindo o plano com que foi concebida e que com sumo prazer vemos consumada na apostasia de todas as nações” (“Un misterio de iniquidad”, El Ermitaño, Nº 111, 22-12-1870).

Esse plano – segundo a profética previsão do frade carmelitano – iria atingir sua plenitude por uma misteriosa permissão divina:

“Ermitão, (...) escuta: deixa que o diabo e o ímpio completem o mistério de iniquidade que ele iniciou dentro do próprio santuário com Judas traidor” (“Adentros del catolicismo”, El Ermitaño, Nº 21, 25-3-1869).

Contra essa pérfida linhagem lutaram os grandes santos da Igreja, sem nunca terem conseguido extirpá-la completamente.

São Pio X, na célebre encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907, condenou com luxo de detalhes a conspiração dos heréticos modernistas, antecessores diretos dos atuais progressistas.

A descrição feita pelo Santo Pontífice da conjuração modernista concorda admiravelmente com a ideia que o Beato Palau havia formado dessa sibilina estirpe de Iscariotes:

“Os fautores do erro – ensina São Pio X – já não devem ser procurados entre os inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.

São Pio X denunciou a conspiração modernista,
mas não teve tempo para extinguí-la
“Aludimos, Veneráveis Irmãos, a muitos membros do laicato católico e também, coisa ainda mais para lastimar, a não poucos do clero que, fingindo amor à Igreja e sem nenhum sólido conhecimento de filosofia e teologia, mas, embebidos antes das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, blasonam, postergando todo o comedimento, de reformadores da mesma Igreja; e cerrando ousadamente fileiras se atiram sobre tudo o que há de mais santo na obra de Cristo, sem pouparem sequer a mesma pessoa do divino Redentor que, com audácia sacrílega, rebaixam à craveira de um puro e simples homem. (...)

“Não se afastará, portanto, da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja. Estes, em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos; e por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. Além de que, não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes que são a Fé e suas fibras mais vitais, é que meneiam eles o machado. (...)

“(...) continuam a derramar o vírus por toda a árvore, de sorte que coisa alguma poupam da verdade católica, nenhuma verdade há que não intentem contaminar (...) com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos (...)

“Acrescente-se-lhes ainda, coisa aptíssima para enganar o ânimo alheio, uma operosidade incansável, uma assídua e vigorosa aplicação a todo o ramo de estudos e, o mais das vezes, a fama de uma vida austera.

“Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formadas numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio; e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação” (São Pio X, Encíclica Pascendi Dominici Gregis).


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Como a Revolução satânica se infiltrou na Igreja

Conspiração de Claudius Civilis,
Rembrandt (1606 – 1669), Nationalmuseum, Estocolmo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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O Bem-aventurado Francisco Palau e Quer O.C.D. tomava como ponto de partida em seus escritos proféticos os fatos políticos, sociais e religiosos que lhe tocava assistir no dia-a-dia. E os analisava conscienciosamente à luz da Fé e dos ensinamentos dos doutores da Igreja.

Ele expunha suas conclusões através de uma linguagem rica em imagens, visando torná-las acessíveis aos leitores de seu jornal “El Ermitaño”.

Assim, ele apresentou uma conversação figurada do personagem principal de sua revista – “o ermitão” – com o próprio Deus, sobre o Concílio Vaticano I, que tantos benefícios trouxe para a Igreja.

Nela, o Beato põe nos lábios de Deus a seguinte explicação:

Por causa da corrupção dos costumes [Satanás] se introduziu no Sancta Sanctorum e, enquanto comanda todos os reis e poderes políticos da terra em batalha contra Mim desde o exterior da Cidade Santa, paralisa de dentro a minha ação, entorpece minhas empresas e frustra meus projetos” (“Roma vista desde la cima del monte”, El Ermitaño, Nº 58, 9-12-1869).

Entre os instrumentos desta ofensiva interna contra a Igreja ele apontava uns estranhos “sacerdotes” do demônio:

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Poder concedido por Deus sobre os inimigos do Papado. Sacrifício da Beata Isabel Canori Mora pelo Papado 11

Tiara de Gregório XVI (Papa de 1831 a 1846)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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[Continuação do post anterior]

Em 13 de abril de 1821 (...) meu espírito foi conduzido (...) a uma grandíssima sala. No meio dela eu vi uma mesa com três livros.

A mesa estava inteiramente adornada com emblemas que aludiam à seita dos convidados.

Observava estes reunidos em círculo em volta da mesa, sentados de modo desalinhado.

Esses homens tinham um aspeto feíssimo e sobre suas frontes se liam os sete vícios capitais e sua audácia de sustentar a maquinação que tramavam para perseguir a Santa Igreja Católica.

Cada um deles tinha a seu lado um espírito maligno com rosto de mouro e com corpo peludo como um urso. Eu via tudo isto sem ser observada por eles.

Com grande alvoroço abriram os referidos livros. Eu não conseguia ler o que continham.

Quando esses facínoras estavam folheando os grandes livros, meu espírito recebeu do Senhor a ordem de avançar contra eles, pegar sem impedimento os três livros e entregá-los às chamas de um fogo que via arder num canto daquela sala. (...)

Ouvia uma voz que me dizia internamente: “Se me amas, defende a minha honra. Pega aqueles livros e entrega-os às chamas”.

Meu espírito assim estimulado, sem consideração alguma e com presteza, avançou sobre a mesa, pegou os livros, e os jogou na hora nas chamas.