domingo, 3 de julho de 2011

O pranto de Nossa Senhora sobre o mundo (2)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Continuação do post anterior: O pranto de Nossa Senhora sobre o mundo (1)




Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, vítima expiatória

Em 1969, deu-se a primeira aparição do anjo à Irmã Agnes. Em 1973, passou por uma dura provação: ela ficou inteiramente surda.

Neste mesmo ano, depois de uma visão na qual uma coorte celeste lhe apareceu em torno do tabernáculo adorando o Santíssimo Sacramento, ela recebeu na mão esquerda o estigma da Paixão de Nosso Senhor, provocando-lhe intensa dor e sofrimento.

Nossa Senhora a estava preparando para receber sua mensagem. Nos meses que se seguiram, a Santíssima Virgem comunicou-se por três vezes com a Irmã Agnes que, apesar de sua surdez, ouvia a voz de Nossa Senhora estando diante da imagem.

Primeira mensagem da Mãe de Deus

“Minha filha, minha noviça, você foi muito dócil abandonando tudo para seguir-me. A surdez a incomoda? A chaga será curada, esteja certa. Seja paciente. Esta é a última prova. A chaga lhe causa muito sofrimento?

“Reze em reparação pelos pecados dos homens. Cada pessoa nesta comunidade é minha filha insubstituível. Você sabe rezar a oração das Servas da Eucaristia? Então vamos rezar juntas”.

Segunda mensagem

“Minha filha, minha noviça, você ama o Senhor? Se você ama o Senhor, ouça o que eu tenho a lhe dizer. É muito importante. Você deverá dizer isso ao seu superior.

“Muitos homens neste mundo afligem o Senhor. Eu desejo almas que O consolem para aplacar a ira do Pai Celestial. Eu e meu Filho desejamos almas que reparem por seus sofrimentos e sua pobreza pelos pecadores e pelos ingratos.


“Para que o mundo possa conhecer Sua cólera, o Pai Celeste está preparando um grande castigo para todos os homens. Com meu Filho, temos intervindo muitas vezes para apaziguar a ira do Pai.

“Eu tenho evitado a vinda de calamidades oferecendo-Lhe os sofrimentos de Nosso Senhor na Cruz, seu preciosíssimo Sangue, e almas amadas que O consolam e constituem uma coorte de almas vítimas expiatórias.

“Orações, penitências e sacrifícios corajosos podem aplacar a cólera de Deus. Eu desejo isto também de sua comunidade... que ela ame a pobreza, que ela se santifique e reze em reparação pelas ingratidões e ultrajes de tantos homens.

“Recite a oração das Servas da Eucaristia com fervor, meditando no seu significado; coloque-a em prática; ofereça-a em reparação pelos pecados. Deixe ao esforço de cada uma, de acordo com a capacidade e a posição, de oferecer-se inteiramente ao Senhor.

“Mesmo em um instituto secular, a oração é necessária. As almas que querem rezar estão na via de viver em comunidade. Sem fazer acepção de pessoa, tenha muita fé e seja ardorosa em rezar para consolar o superior.

Depois de um silêncio, acrescentou:

“É verdadeiro o que você sente em seu coração? Você está realmente decidida a ser a pedra rejeitada?

“Minha noviça, você que deseja pertencer ao Senhor sem reservas, ser digna esposa do Esposo, faça seus votos sabendo que você deve ser pregada na cruz com três cravos.

“Estes três cravos são a pobreza, a castidade e a obediência. Dos três, a obediência é o fundamento. Num abandono total deixe-se moldar pelo superior. Ele saberá como entendê-la e como dirigi-la.”

Terceira mensagem

Em 13-10-1973:

“Minha querida filha, preste bem atenção ao que eu tenho a lhe dizer. Você deve informar ao seu superior.

Após um tempo de silêncio, afirmou:

“Como eu lhe disse, se os homens não melhorarem e não se arrependerem, o Pai infligirá uma terrível punição a toda a humanidade.

“Será um castigo pior do que o dilúvio, como ninguém viu antes.

“O fogo cairá do céu e destruirá uma grande parte da humanidade... tanto o bom como o mau, não poupando nem os sacerdotes nem os fiéis.

“Os que sobreviverem se sentirão tão desolados que invejarão os mortos.

“A única arma que lhes restará será o Rosário, o Sinal deixado pelo meu Filho. Reze o Rosário todos os dias. E reze-o pelas intenções do Papa, dos bispos e dos padres.

“O trabalho do demônio infiltrará até mesmo na Igreja, de tal forma que veremos cardeais se opondo a cardeais, bispos contra outros bispos.

“Os padres que me veneram serão objeto de escárnio por parte dos seus confrades, as igrejas e os altares serão saqueados, a Igreja estará cheia daqueles que aceitam compromissos e o demônio pressionará muitos padres e almas consagradas para deixarem o serviço do Senhor.

“O demônio será especialmente implacável contra as almas consagradas ao Senhor.

“A lembrança da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os pecados crescerem em número e gravidade, não haverá mais perdão para eles.

“Com coragem, fale ao seu superior. Ele saberá como encorajar a cada uma de vocês e fazer suas reparações”.

— “Quem é o meu superior?”, pergunta a Irmã Agnes a Nossa Senhora.

— “Em ocasiões como esta você deveria ter pergunta mais importante a fazer”... – disse, em tom de repreensão, o anjo que assistia o diálogo de Maria Santíssima com a Irmã Agnes.

— “É que, além do bispo, eu tenho três superiores e por este motivo achei que era importante esclarecer isto.

“É o bispo Ito, que dirige a comunidade” — respondeu Nossa Senhora. Depois sorriu e disse: “Você ainda tem alguma pergunta? Hoje será a última vez que lhe falarei a viva voz. Doravante você obedecerá àquele que eu lhe enviar e ao seu superior”.

* * *

As três mensagens acima estão contidas na carta pastoral que o bispo de Niigata e ordinário local, D. John Shojiro Ito, escreveu em 22 de abril de 1984, integralmente transcrita no livro de autoria do Padre Teiji Yasuda, O.S.V., capelão e diretor espiritual do convento.

Em casos como esse, que tratam de visões e revelações particulares, é costume da Santa Sé deixar a cargo do ordinário local (no caso o bispo de Niigata) declarar se as referidas revelações são dignas de crédito ou não.

Segundo consta na contra capa da versão inglesa do livro do Padre Teiji Yassuda e John Hafert – Akita. The tears and Message of Mary  –, e o então Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, considerou “as mensagens da Virgem como dignas de crédito”. (Akita The Tears and Message of Mary, by Teiji Yasuda, O.S.V. (english version by John M. Haffert, 1989), 101 Foundation, Inc Asbury, New Jersey, USA pp. 190-199.)

Conclusão

A tragédia ocorrida no Japão não constitui mais um aviso para a humanidade?

É essa a questão que podemos e devemos levantar, para irmos analisando os acontecimentos que se forem desenrolando. Agiremos assim à imitação da Mãe de Deus, que à medida que se aproximavam e sucediam os episódios relativos à Paixão de seu Divino Filho, tudo conferia à luz das Sagradas Escrituras.

Diante dos fatos catastróficos que ocorrem em qualquer parte do mundo, é lícito perguntar:

Não serão os passos de Deus na História?

Não serão os prenúncios de realização das numerosas mensagens pelas quais, antes de punir, Deus nos avisa misericordiosamente?

Autor: Diogo Waki; Catolicismo, abril de 2011


Continua no próximo post

Outros artigos publicados no nosso blog sobre Akita:



quarta-feira, 29 de junho de 2011

O pranto de Nossa Senhora sobre o mundo (1)

Luis Dufaur
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Nosso Senhor amou Jerusalém, a cidade perfeita, alegria do mundo inteiro. Entretanto, pouco antes de Ele ser crucificado, passando perto de suas muralhas, profetizou a sua destruição, que ocorreria como castigo pelo deicídio.

Quarenta anos se passaram sem que aquela profecia se cumprisse. Até que, nos anos 70 da era cristã, a surdez do povo aos apelos e admoestações de Nosso Senhor foi punida pelo exército de Tito, general romano, depois imperador, que invadiu e destruiu Jerusalém, inclusive o Templo, não deixando pedra sobre pedra.

“Aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo: Ó! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz!... Mas não, isso está oculto aos teus olhos. Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada” (São Lucas, 19, 42-44).

O mundo não deu ouvidos às advertências de Fátima

Não estaremos presenciando fato análogo? Com efeito, no ano de 1917, Nossa Senhora acenou em Fátima para um prêmio e um castigo. Disse que a Primeira Guerra Mundial acabaria, mas que no reinado de Pio XI sobreviria outra pior: foi a Segunda Grande Guerra.


Afirmou ainda que, se os homens não mudassem de vida, a Rússia espalharia seus erros pelo mundo promovendo guerras e perseguições, os bons seriam perseguidos e martirizados, o Santo Padre teria muito que sofrer, várias nações seriam aniquiladas, mas que, por fim, seu Imaculado Coração triunfaria, sendo concedido ao mundo algum tempo de paz.

A condição para que esses castigos não se abatessem sobre a humanidade seria a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, a recitação do Terço e a Comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados.

Como os homens não deram ouvidos a essas advertências, o mundo veio decaindo moral e espiritualmente, chegando hoje a abismos nunca antes imaginados.

Em Nova Orleans (EUA), novo apelo da Mãe de Deus

Em julho de 1972, uma das imagens peregrinas internacionais de Nossa Senhora de Fátima, esculpidas sob a orientação da Irmã Lúcia, verteu lágrimas diversas vezes, na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Jornais do mundo inteiro estamparam com destaque o prodígio.

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu então, na “Folha de S. Paulo”, um belíssimo e grave artigo intitulado Lágrimas, milagroso aviso, no qual conclamava os leitores a atenderem à Mensagem de Fátima. Dizia que Nossa Senhora estava como uma mãe que, não tendo mais o que dizer ao filho, se limitava a chorar:

“O misterioso pranto nos mostra a Virgem de Fátima a chorar sobre o mundo contemporâneo, como outrora Nosso Senhor chorou sobre Jerusalém. Lágrimas de afeto terníssimo, lágrimas de dor profunda, na previsão do castigo que virá”. ("Folha de S. Paulo", 6-8-1972)

A justiça de Deus pede o castigo, mas, por desígnios misteriosos do próprio Deus, Nossa Senhora intercede por nós, implorando misericórdia. Até quando Ela poderá suster o braço de seu Filho?



Porque o Ocidente não deu ouvidos à Mensagem de Fátima...

Transcorridos cinqüenta anos das aparições de Fátima, poucos se recordavam das trágicas e ameaçadoras palavras de sua Mensagem.

Entretanto, sempre bondosa, Nossa Senhora escolheu um pequeno mas populoso país de glorioso passado católico – o Japão –, para na minúscula cidade de Akita (que em 1642 teve sua terra regada pelo sangue de 32 mártires católicos) renovar os apelos contidos na Mensagem de Fátima.

Veja vídeo
Video documentário: a vidente
Irmã Agnes Katsuko Sasagawa,
reproduz as palavras de Nossa Senhora.
Ela fala em japonês
e o rodapé vem em inglês.

Revelou então ali à Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, noviça do convento das Servas do Sagrado Coração de Jesus presente na Sagrada Eucaristia, algo que não fora ainda revelado ao mundo e que pode ser aproximado da terceira parte do segredo de Fátima.

Há nesse convento uma imagem da Santíssima Virgem, esculpida em madeira por um artista japonês, inspirada na de Nossa Senhora de Todas as Nações, de Amsterdã.

Tal imagem passou a ser conhecida como Nossa Senhora de Akita. Foi junto a ela que se darão fatos místicos que talvez expliquem os últimos acontecimentos sucedidos no Japão e no mundo.

Akita, guardiã de nova advertência

No dia 3 de junho de 1624, Masakage, filho do senhor feudal da região de Akita, mandou queimar vivos nesta cidade 32 cristãos.

Talvez o fato de ter sido regada pelo sangue de mártires explique a predileção de Nossa Senhora por Akita, onde mais tarde a Mãe de Deus escolheria a Irmã Agnes para transmitir no Oriente um derradeiro apelo à conversão, porquanto no Ocidente a Mensagem de Fátima não tivera a aceitação devida.

Aliás, a ligação de Akita com Fátima é notória. Houve uma primeira aparição do anjo à Irmã Agnes, em 1969, paralela à havida em 1917 aos três pastorinhos.

O celeste emissário também rezou com ela o Terço e ensinou-lhe a mesma oração que por ocasião da segunda parte do segredo Nossa Senhora ensinara aos videntes da Cova da Iria:

“Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: ‘Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem’”.

Contudo, diversamente de Fátima, Nossa Senhora não apareceu de forma física em Akita.

No período compreendido entre 1969 e 1982 (The Meaning of Akita, by John M. Haffert, 101 Foundation, Chronological Order of the Events of Akita, e as seguintes citações), além das aparições do anjo e dos fenômenos místicos da Irmã Agnes, sua presença se fez ali sentir através de uma imagem que lacrimejou 101 vezes, verteu sangue proveniente de um estigma da mão direita, e transpirou óleo de agradável perfume.


Outros artigos publicados no nosso blog sobre Akita:



segunda-feira, 6 de junho de 2011

Em meio à tragédia, a cruz incólume de Joplin simboliza o triunfo vindouro da Fé

O tornado chegando a Joplin, Missouri, EUA
Luis Dufaur
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Sobre a cidade de Joplin, no Estado de Missouri ‒ EUA, soprou o mais devastador tornado da história na noite de 22 de maio.

A base do tornado tinha uma largura de quase um quilômetro e avançou seis quilômetros, ceifando pelo menos 132 vidas.

Centenas de pessoas ainda estão desaparecidas enquanto escrevemos. Quase todos os edifícios em seu caminho ficaram em total ruína.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Auréola solar de Fátima filmada desde uma casa

Veja vídeo
O fenômeno meteorológico
filmado desde uma casa
A respeito da auréola formada sobre o imenso número de peregrinos que assistiam às cerimônias e orações na esplanada do Santuário de Fátima, Portugal, a 13 de maio último (2011):

Chegou até nós um vídeo caseiro, mas suficientemente nítido, do fato no céu, tirado desde uma casa na cidade de Fátima.

Julgamos que poderia ser de interesse para nossos leitores e aqui o publicamos. CLIQUE AO LADO.






segunda-feira, 16 de maio de 2011

Halo solar marca o 13 de maio em Fátima

Agência Lusa



No dia 13 de maio uma grande multidão de peregrinos reuniu-se em Fátima, aliás, como é costumeiro nesta grande data que comemora a primeira aparição de Nossa Senhora em 1917.

Foto de jornal
No auge das orações verificou-se um fenômeno natural que raramente acontece no local: um halo solar.

Considerando que em Fátima Nossa Senhora quis se manifestar ao povo com fenômenos luminosos como o famoso Milagre do Sol, em 13 de outubro de 1917, tem procedência se perguntar se este fenômeno foi um sinal do Céu.

O fenômeno do halo solar é explicado pela ciência. O que a ciência não explica - e, de fato, isso não é tarefa dela - o porquê de ter acontecido a 13 de Maio, em Fátima, como observou a Agência Lusa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ação de graças a Nossa Senhora de Lourdes

Lourdes contém um eloquente apelo de Nossa Senhora a seus filhos, para que se aliem e empreendam sob o manto d’Ela essa grande batalha já engajada, a qual há de culminar com o triunfo final predito em Fátima.

Enunciara-o o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira nas páginas de Catolicismo, por ocasião do centenário das aparições, quando escreveu que Lourdes é para o mundo inteiro o primeiro marco do ressurgimento contra-revolucionário:

“Há um anseio imenso por outra coisa, que ainda não se sabe qual é.

“Mas, enfim –– fato talvez novo desde que começou, no século XV, o declínio da civilização cristã –– o mundo inteiro geme nas trevas e na dor, precisamente como o filho pródigo quando chegou ao último da vergonha e da miséria, longe do lar paterno. [...]

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

As aparições de Lourdes segundo as palavras da própria Santa Bernadete

1ª aparição — quinta-feira, 11 de fevereiro

“A primeira vez que fui à gruta, era quinta-feira, 11 de fevereiro. Fui para recolher galhos secos com outras duas jovens.

“Ouvi um barulho como se fosse uma ventania. Então girei a cabeça para o lado do gramado, do lado oposto da gruta. Vi que as árvores não se moviam.

“Ouvi mais uma vez o mesmo barulho. Assim que levantei a cabeça, olhando a gruta, vi uma Dama vestida de branco. Tinha um vestido branco, um véu branco, um cinto azul e uma rosa em cada pé, da cor da corda do seu terço.

“Eu pensava ser vítima de uma ilusão. Esfreguei os olhos, porém olhei de novo e continuei a ver a mesma Dama. Coloquei a mão no bolso, para pegar o meu terço.

Modelo para difundir a devoção a Nossa Senhora de Lourdes

Modelo para difundir a devoção a Nossa Senhora de Lourdes (em cores)
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Dá dois santinhos cada folha A4 imprimindo frente e verso
Inclui espaço em branco para acrescentar dados
Leia o conteúdo:
Nossa Senhora de Lourdes

A partir de 11 de fevereiro de 1858, Nossa Senhora apareceu 18 vezes a Santa Bernadette Soubirous, numa gruta perto de Lourdes, França.

A santa perguntou à Dama quem era e o que queria. Ela respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

O Beato Papa Pio IX havia proclamado o dogma da Imaculada Conceição em 8 de dezembro de 1854 e a aparição confirmou esse dogma.

Nossa Senhora usava um vestido branco com uma fita azul. São as cores da Imaculada Conceição.

Nossa Senhora fez vários pedidos por meio de Santa Bernadette:

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

La Salette e a conversão recente de bispos, padres, freiras e fiéis anglicanos

Cerimônia na catedral de Westminster, Londres
Luis Dufaur
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O vidente Maximin escreveu diversas vezes que Nossa Senhora lhe revelou a futura conversão de uma grande nação protestante.
Numa das versões de seu segredo, Maximin nomeou a Inglaterra.

Na redação de seu Segredo feita em 1853 Maximin registrou que esse país protestante seria a Inglaterra.

Essas são suas palavras redigidas em 5 de agosto de 1853:

“A Inglaterra será o instrumento pelo qual todas as nações do universo se converterão”.

A profecia concorda com muitas outras visões particulares de santos e almas virtuosas.

Nesse sentido, tem especial interesse o fenômeno de conversões expressivas e em grande número que ocorre entre os anglicanos, especialmente na Inglaterra.


Três “bispos” anglicanos renunciaram a sua denominação e ingressaram formalmente na Igreja Católica no último dia de 2010 na catedral de Westminster, Londres, noticiou “The Telegraph”.

Nossa Senhora de Walsingham, padroeira da Inglaterra
Eles foram acompanhados na conversão por representantes de 20 paróquias, entre as quais três freiras expulsas do santuário anglicano da padroeira do país, Nossa Senhora de Walsingham, quando anunciaram sua conversão.

Dois dos ex-“bispos” serão ordenados sacerdotes nas próximas semanas.

O gesto foi considerado como a abertura simbólica de um processo de conversão à Igreja Católica que envolverá na primeira fase por volta de 1.000 eclesiásticos, “bispos” e “sacerdotes” e incontáveis fiéis, chocados pela “ordenação” de mulheres e “sagração” de homossexuais na igreja anglicana.

Os novos católicos de tendência tradicionalista entraram na estrutura do Ordinariato criada especialmente para eles.

A multidão apertada na grande catedral aplaudiu quando os ex-“bispos” de Fulham, Ebbsfleet e Richborough, receberam a Santa Comunhão.

A Irmã Wendy Renata disse se sentir “fantástico” após ser recebida na Igreja Católica. “Eu quis isso durante anos. Afinal consegui”, acrescentou.

Aguarda-se que na Páscoa sejam ordenados pelo menos 50 sacerdotes que abandonaram a denominação herética.

Obviamente, há muitas disputas a respeito da propriedade e do uso de antigas igrejas anglicanas que ficaram ou ficarão sem clero e sem fiéis.



A peregrinação das relíquias de Santa Teresinha
e a conversão da Inglaterra






quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Na festa de Nossa Senhora do Milagre: aparição ligada às da rue du Bac, La Salette e Lourdes

 Um dos fatos marcantes da história religiosa do século XIX foi a aparição de Nossa Senhora ao judeu Afonso Ratisbonne e sua retumbante conversão ao catolicismo.

A aparição está intimamente ligada à série de manifestações extraordinárias ao mundo, iniciada com a Medalha Milagrosa na rue du Bac (Paris, 1820), e continuada de um modo mais destacado em La Salette (1846) e Lourdes (1858).

Ratisbonne fez-se padre e fundou a
Ordem de Sion para converter os judeus
Muito distante da fé católica vivia o jovem banqueiro Afonso Ratisbonne, natural de Estrasburgo, nascido em 1814, de riquíssima família israelita.

No dia 20 de janeiro de 1842, em viagem turística a Roma, por curiosidade meramente artística ele acedeu entrar na Igreja de Sant’Andrea delle Fratte, acompanhado de um amigo, o Barão de Bussières.

Enquanto este foi à sacristia, a fim de encomendar uma missa, o jovem judeu apreciava as obras de arte daquele templo.

Quando se encontrava diante do altar consagrado a Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa (hoje conhecido como altar da Madonna del Miracolo — Nossa Senhora do Milagre), Ela apareceu-lhe e o converteu instantaneamente de inimigo da Igreja católica em seu fervoroso apóstolo.

O quadro

O quadro da Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre) aparece com a fronte encimada por uma coroa e por um resplendor em forma de círculo de 12 estrelas que evoca a Mulher do Apocalipse.

sábado, 30 de outubro de 2010

Vocação e missão providencial do Brasil

No anoitecer em São João d’El Rei, o imponderável das ruas evoca um Brasil que deveria ter sido, um Brasil que não podemos admitir que nunca venha a ser.

Traz uma saudade de um Brasil tão diferente disso que hoje presenciamos, que até parece um sonho.

Mas não é um mero sonho, é uma promessa:

É a promessa da Providência Divina, que chamou o Brasil para uma missão especial.

Qual é essa missão providencial?

O que diz essa promessa?

Ei-la:

“Talvez não fosse ousado afirmar que Deus colocou os povos de sua eleição em panoramas adequados à realização dos grandes destinos a que os chama.

“E não há quem, viajando por nosso Brasil, não experimente a confusa impressão de que Deus destinou para teatro de grandes feitos este País, cujas montanhas trágicas e misteriosas penedias parecem convidar o homem às supremas afoitezas do heroísmo cristão, cujas verdejantes planícies parecem querer inspirar o surto de novas escolas artísticas e literárias, de novas formas e tipos de belezas, e na orla de cujo litoral os mares parecem cantar a glória futura de um dos maiores povos da Terra.

“Quando nosso poeta cantava que "nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá, e as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”, percebeu, talvez confusamente, que a Providência depositou na natureza brasileira a promessa de um porvir igual ao dos maiores povos da Terra.

“E hoje, que o Brasil emerge de sua adolescência para a maturidade, e titubeia nas mãos da velha Europa o cetro da cultura cristã que o totalitarismo quereria destruir, aos olhos de todos se patenteia que os países católicos da América são na realidade o grande celeiro da Igreja e da Civilização, o terreno fecundo onde poderão reflorir, com brilho maior do que nunca, as plantas que a barbárie devasta no velho mundo.

“A América inteira é uma constelação de povos irmãos. Nessa constelação, inútil é dizer que as dimensões materiais do Brasil são uma figura da magnitude de seu papel providencial.

“Tempo houve em que a História do mundo se pôde intitular Gesta Dei per francos. Dia virá em que se escreverá a Gesta Dei per brasilienses — as ações de Deus pelos brasileiros.

“A missão providencial do Brasil consiste em crescer dentro de suas próprias fronteiras, em desdobrar aqui os esplendores de uma civilização genuinamente católica, apostólica, romana, em iluminar amorosamente todo o mundo com o facho desta grande luz, que será verdadeiramente o lumen Christi que a Igreja irradia.

Video: Vocação e missão providencial do Brasil



“Nossa índole meiga e hospitaleira, a pluralidade das raças que aqui vivem em fraternal harmonia, o concurso providencial dos imigrantes que tão intimamente se inseriram na vida nacional, e mais do que tudo as normas do Santo Evangelho, jamais farão de nossos anseios de grandeza um pretexto para jacobinismos tacanhos, para racismos estultos, para imperialismos criminosos.

“Dái a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

“Se algum dia o Brasil for grande, sê-lo-á para bem do mundo inteiro.

“Explorai, senhores do poder temporal, as riquezas de nossa terra.

“Estruturai todas as nossas instituições civis segundo as máximas da Igreja, que são a essência da civilização cristã.

“Auxiliai a Santa Igreja de Deus, quanto em vós estiver, e plasmai a alma nacional na vida da graça, para a glória do Céu.

“Fazei do Brasil uma pátria próspera, organizada e pujante, enquanto a Igreja fará do povo brasileiro um dos maiores povos da História.

“Na harmonia desta mesma obra está a predestinação de uma íntima cooperação entre dois poderes.

“Deus jamais é tão bem servido como quando César se porta como seu filho.

“Senhores, em nome dos católicos do Brasil, eu vo-lo afianço: César jamais é tão grande como quando é filho de Deus.

“Nessa colaboração está o segredo de nosso progresso, e nela vossa parte é verdadeiramente magnífica.

“Trabalhai, senhores, trabalhai neste sentido.

“Tereis a cooperação entusiástica de todos os nossos recursos, de todos os nossos corações, de todo o nosso fervor.

“E quando algum dia Deus vos chamar à vida eterna, tereis a suprema ventura de contemplar um Brasil imensamente grande e profundamente cristão, sobre o qual o Cristo do Corcovado, com seus braços abertos, poderá dizer aquilo que é o supremo título de glória de um povo cristão.

“Executai um programa de governo, que consista em procurar antes o reino de Deus e sua justiça, pois todas as coisas serão dadas por acréscimo.

“Em um Brasil imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente grande, porque dele se poderá dizer:

“Bem-aventurado este povo sóbrio e desapegado, embora no esplendor de sua riqueza, porque dele é o reino dos céus.

“Bem-aventurado este povo generoso e acolhedor, que ama a paz mais do que as riquezas, porque ele possui a terra.

“Bem-aventurado este povo de coração sensível ao amor e às dores do Homem-Deus, às dores e ao amor de seu próximo, porque nisto mesmo encontrará sua consolação.

“Bem-aventurado este povo varonil e forte, intrépido e corajoso, faminto e sedento das virtudes heróicas e totais, porque será saciado em seu apetite de santidade e grandeza sobrenatural.

“Bem-aventurado este povo misericordioso, porque ele alcançará misericórdia.

“Bem-aventurado este povo casto e limpo de coração.

“Bem aventurada a inviolável pureza de suas famílias cristãs, porque verá a Deus.

“Bem-aventurado este povo pacífico, de idealismo isento de jacobismos e racismos, porque será chamado filho de Deus.

“Bem-aventurado este povo que leva seu amor à Igreja a ponto de lutar e sofrer por Ela, porque dele é o reino dos céus.”

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, discurso no IV Congresso Eucarístico Nacional — 7 de setembro de 1942, “O Legionário” de 7-9-1942).


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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual” (3)

Luis Dufaur
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CONCLUSÕES: A infância meditativa

Ela tinha o costume de subir a uma parte mais alta da casa, para ver as estrelas à noite, etc.

E a “História de uma alma” ‒ que equivale a suas Memórias” ‒ fala das infinitudes que havia no pensamento dela.

Santa Teresinha tinha em si toda a doutrina contrarrevolucionária, mas não tinha a missão de explicitá-la.

Ela tinha a missão de morrer pelos contrarrevolucionário, de viver, de traçar a Pequena Via que torna a Contra-Revolução acessível ao grosso dos que a seguem.

Mas havia todo um firmamento de ideias nela, o qual já desde essa idade se prenuncia.

Era uma criança altamente meditativa. No fim da vida, quando estava madura para o Céu, e portanto quando tinha atingido a santidade a que a havia destinado o desígnio da Providência, ela contava que quando tinha por volta dos dez anos ‒ quer dizer, um pouquinho mais velha do que está aqui ‒ ia com a irmã a um belvedere lá dos Buissonnets, e tinham conversas em que ela recebia tantas ou mais graças do que as que receberam Santo Agostinho e Santa Mônica no famoso colóquio da hospedaria de Óstia, pouco antes de Santa Mônica morrer. Portanto, quando a santidade de Santa Mônica estava consumada, e ela estava para ir para o Céu.

No fundo, nota-se isso no olhar dela. Não se pode descrever um olhar.

Se se perguntasse a São Pedro o que lhe disse o olhar de Nosso Senhor, o que poderia ele responder? Responderia:

“Ele disse algo por onde eu chorei a vida inteira. As lágrimas mais amargas e mais doces que jamais se choraram, depois das de Nossa Senhora, chorei-as eu”.

E não teria outra coisa para dizer, pois o olhar é algo de inefável. Ou se vê aqui esse olhar e se sente, ou não se o vê, e não posso fazer nada.

A um só olhar estava reservado algo que é supra-excelente: ver, olhar com as pálpebras descidas.

Este é o olhar do Santo Sudário. Ali Nosso Senhor está com as pálpebras descidas, mas Ele olha.

E que olhar! Nós só não choramos porque não somos São Pedro.

A principal etapa da vida

Santa Teresinha morreu aos 24 anos. A sua infância marcou tão profundamente os rumos de sua vida, que é a mais ilustrativa para se conhecer o seu espírito.

Tenho impressão de que na vida de Santa Teresinha os pontos culminantes são a sua infância e o fim, às vésperas da morte.

Quando ela escreveu sob obediência seus “Manuscritos Autobiográficos”, não falou quase nada de sua vida no convento. Só mais tarde, para atender sua Priora, é que falou de sua vida de freira.

A infância, para ela, foi tudo. Por quê? Porque foi uma infância profundamente consciente, meditada e raciocinada.

Aqui está um elemento precioso para o conceito de infância espiritual.

Não é bobeira, não é tolice, muito menos irreflexão.

É, de dentro de uma alma pequena, de uma alma de criança, ser capaz das maiores coisas; com uma apresentação amável, afável e autêntica, não a pura apresentação do espírito de uma criança.

Aqui, a meu ver, está a nota: Santa Teresinha poderia repetir que as nossas cogitações e as nossas vias não são as dela.

Mas não é o que ela nos diria. A sua missão é a de, pela sua presença, e como num “flash”, apresentar a via dela e atrair, arrastar para a sua via. E isso com o afável, com o pequeno, o acessível, o encantador que a infância tem.

Mas que infância meditativa! Que infância fecunda! Uma infância que se pode comparar ao fim da vida de Santa Mônica! É uma santa falando de si mesma.

Aí se vêem os tesouros de maturidade, de meditação, de profundidade, e, se necessário for, de atividade, que cabem dentro da verdadeira infância espiritual.

Foi ela quem disse: “Para o amor nada é impossível”. Em nossa linguagem isso se traduz: “Para o enlevo, para o zelo do verdadeiro católico, nada é impossível”.

Aqui está Santa Teresinha do Menino Jesus, com todo o tesouro de meditação que tinha, e que pode existir numa alma de criança, como a que ela conservou até o summum de sua maturidade. É preciso ver bem: viveu a infância fiel a si mesma, sendo ela mesma até o apogeu de sua maturidade. É uma coisa magnífica.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)

Vídeo: Santa Teresinha do Menino Jesus: datas da vida (3/3)



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual” (2)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação da postagem anterior: Santa Teresinha e a “infância espiritual” (1)




5ª) O sorriso

Numa parte mais delicada da análise, percebemos que a boca é reta, com os lábios finos e muito firmes. É uma firmeza na qual não existe uma gota de amargura.

Pelo contrário, há um certo sorriso indefinível. Falam tanto do sorriso da Gioconda, mas isto é que é sorriso! Ela não está nem um pouco sorridente, mas há um sorriso indefinível nos lábios dela. Há qualquer coisa nela que sorri, sem que se possa propriamente dizer que ela está sorrindo.

Tem-se a impressão de que o fotógrafo disse a ela para sorrir, e ela, para não desatender a ele, esboçou qualquer coisa vagamente à maneira de sorriso.

Há algo de sorriso espalhado no rosto dela: está um pouco nos olhos, um pouco nos lábios, está numa afabilidade geral da pessoa. Ela está numa posição muito afável e muito acolhedora, numa posição de muito boa vontade em relação a todo mundo.

No entanto, é uma atitude risonha que indica ao mesmo tempo força de alma e caráter, no sentido próprio da palavra.

É o contrário dessas imagens sulpicianas de Santa Teresinha que se encontram por aí: derramando rosas, e sorrindo não se sabe de que jeito. Não têm nada deste sorriso.

Aquele é um sorriso de boneca de louça, mas esta aqui não tem nada da boneca de louça.

É um sorriso por detrás do qual há um pensamento. E é o lado pensamento que propriamente se deve atingir.

6ª) O nariz, a boca e a testa

O nariz tem uma forma um pouco proeminente, tem um pouco de combate, um pouco de luta.

Os lábios, apesar do sorriso, são finos e firmes, de quem tem verdadeiro caráter.

Analisando-se a testa, vê-se que é ligeiramente bombeada e, aliás, muito alta. A pessoa que a penteou, até puxou o cabelo para baixo, para disfarçar isso. Vê-se que ela tinha até muito cabelo.

Eu vi no museu de Lisieux a trança dela, uma trança loura magnífica, de cabelos abundantes. Mas a nascente era um pouco alta.

7ª) Os olhos

Considerando agora os olhos, observa-se que é sobretudo neles que reside aquele sorriso.

Notem que a expressão de fisionomia, a expressão do olhar, tem um pouco do que o francês chama de espiègle ‒ um pouco de esperteza, um pouco de graça ‒ na expressão do olhar.

Concentrando-se a atenção nos olhos, acaba-se percebendo que há nesse olhar todo um firmamento, um mundo de reflexão, de início de reflexão.

8ª) A contemplação

Para quem é que esse olhar está mirando?

Ele não olha para nada definidamente. Mira um ponto vago, indefinido, mas com uma espécie de enlevo, de consideração, de contemplação enlevada, afetuosa, respeitosa.

Em última análise, é o próprio de um espírito possantemente contemplativo. Na sua aurora, na sua primavera, é verdade, mas possantemente contemplativo, meditativo, interior, próprio a olhar as coisas do espírito, a olhar as coisas metafísicas, a olhar horizontes mentais mais ou menos infinitos.

É um olhar que paira no infinito, numa esfera completamente diferente daquela onde paira comumente o pensamento dos homens.

Santo Agostinho disse de si, nas “Confissões”, a respeito da sua infância: “Tão pequeno menino eu era, já tão grande pecador”.

Dela se poderia dizer: “Tão pequena menina era, e já uma tão grande santa”. Porque o seu olhar tem qualquer coisa que me custa exprimir adequadamente, mas que é aquela impostação da alma em coisas que são inteiramente superiores. Não indiferentes, nem hostis, nem alheias, mas superiores ao concreto, ao contingente, ao transitório, ao passageiro, ao individual.

Não é uma pessoa preocupada consigo. Ela aqui não se importa com o efeito que vai causar no fotógrafo; está de pé, do modo como ela é.

Disseram a ela que fosse posar para uma fotografia, e ela foi, obediente como os meninos do Evangelho, que Nosso Senhor acariciou, e aos quais é reservado o Reino dos Céus (Mat. XVIII, 3).

Não é uma menina filósofa, nem um pouco. Seria uma caricatura. Ela não é vesga, está numa pose e prestou atenção na máquina fotográfica, mas é como numa parte do rés-do-chão da alma dela.

Por cima desse rés-do-chão, que funciona perfeitamente bem, há toda uma outra construção.

Nessa idade, ela poderia dizer a nós aquilo que Nosso Senhor disse, pela boca do profeta Isaías, e que é uma das frases mais tristes, uma das suas queixas mais bonitas, onde a divina superioridade dEle se afirmou do modo mais magnífico: “As minhas cogitações não são as vossas cogitações, nem as vossas vias são as minhas vias” (Is. LV, 8).

É magnífica essa ligação das ideias de cogitação e via: a cogitação do homem como que dirigindo a sua via, e sendo prenúncio de todas as harmonias da via. E a elevação das cogitações dEle!

Pensem um pouco no Santo Sudário. Que cogitações! Aquilo é cogitar! Que vias! Aquela face do Santo Sudário não poderia dizer para nós as mesmas palavras de Isaías? Poderia, perfeitamente.

Santa Teresinha aqui também poderia nos dizer ‒ Christianus alter Christus ‒ que “as minhas cogitações não são as vossas cogitações, nem as vossas vias são as minhas vias”.

Caberia que ela o dissesse. Por quê? Porque ela está numa impostação de alma supinamente meditativa, pouco comum.

Ela aqui é toda sacral (“sacral” é aqui empregada no sentido do sagrado posto na ordem temporal ou profana). Não é a meditação de uma filósofa ou de uma teóloga, mas de uma santa.

É a oração ‒ que propriamente é o convívio da alma com Deus ‒ que está posta aí.



Vídeo: Santa Teresinha: lembranças da infância




(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Santa Teresinha e a “infância espiritual”(1)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



A família Martin foi uma das muitas famílias católicas que se inscreveram nas confrarias de oração para atender os pedidos de reparação e penitência feitos por Nossa Senhora em La Salette.

Santa Teresinha do Menino Jesus também fez parte delas.

No inicio de outubro, a festa desta grande santa que quis se fazer “pequena” é ocasião propícia para estas postagens em dias sucessivos.

A personalidade de Santa Teresinha numa fotografia

A esta magnífica fotografia de Santa Teresinha do Menino Jesus falta apenas o relevo, para se dizer que ela está viva.

Para comentar essa alma, procurarei explicitar as a impressões que esta fotografia produz.

Primeira impressão

A primeira impressão, ao olhar para ela, é a seguinte:

Que menina! A primeira explicitação, o primeiro jorro, deve ser assim.

Ela é ainda menininha, cheia de vida, de frescor, saltitante, e com essa espécie de extroversão própria de uma menina ainda na infância.

Aí se vê a beleza de uma alma de criança, na delicadeza, na fragilidade, na louçania da natureza feminina. Como essa fotografia é bem apanhada, e como pegou bem essa menina!

2ª) Idéia de pureza

Por detrás dessa impressão entra uma outra, pela qual a pessoa sente uma idéia de pureza. E sente-a mais ou menos em tudo.

A pureza vem presente, antes de tudo, no seguinte: nota-se nela, no sentido verdadeiro da palavra, uma boa espontaneidade.

É uma menina que não esconde nada, que não tem o hábito de esconder nada, e que sabe perfeitamente que não tem o que esconder. Ela não tem fraude nem dissimulação.

Dela se pode dizer o que Nosso Senhor disse de Natanael: “Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fraude” (Jo. 1, 47)

Aqui está uma verdadeira menina, pura, filha de uma família católica, que tem em si toda a pureza, toda a candura de uma vida de família católica, toda aquela delicadeza virginal que a vida de família católica comunica especialmente a uma menina. E isso sem fraude nenhuma. Ela tem isso inteira, e não tem o hábito de pecar.

3ª) Inocência batismal

Olha-se para ela, e ela está inteira. Ela vai falar, vai andar, mas com uma naturalidade, com um elã, com uma espontaneidade que tem muito da leveza e graça francesa, mas sobretudo muito da inocência batismal nunca rompida.

Essa alma não foi desfigurada por nenhum pecado. Ela tem uma forma de pureza que não é só o recato.

Não situo isso no seguinte comentário aguado: “É verdade: os bracinhos dela estão cobertos, e a saia desce até abaixo dos joelhos”. Refiro-me a uma pureza do olhar.

Essa pureza do olhar, essa pureza da alma, não é apenas a pureza da castidade, é a pureza de quem nunca pecou.

É o estado de inocência batismal com todo o seu perfume, com uma forma de candura que é mais ou menos como a vida no corpo.

A vida no corpo não é localizável: está aqui e está lá, está em tudo, no corpo vivo. Aqui também a inocência batismal está em tudo, está por toda parte.

Aqui também se poderia aplicar uma palavra francesa que não sei como traduzir: o estado de graça jamais flétri em uma alma.

4ª) Ordenação refletida

É uma menina tão viva, mas não é nem um pouco estouvada, irrefletida.

Se ela começasse a brincar com a corda de pular, não pularia de modo ridículo, apalhaçado, irrefletido. Ela de repente sairia correndo, mas não, por exemplo, de um modo bobo.

Todo mundo percebe que essa espontaneidade que há nela é presidida por uma certa regra, por onde ela nunca faz aquilo que não deve. E que, portanto, dentro do seu espírito há toda uma ordenação, todo um pensamento, toda uma reflexão.

Naturalmente, reflexão de criança, pensamento de criança, ordenação de criança; instintiva e subconsciente, mas real, por onde tudo o que fizesse seria de criança e de verdadeira criança, nem um pouco uma sabiazinha, uma mulherzinha metida e filosofinha. É o contrário disso.

Ela é inteiramente natural, mas sumamente ordenada, possui em si uma grande ordem interna.

Não se imagina essa menina fazendo qualquer desatino, compreende-se que ela não o faria. Através disso compreende-se a ordem que existe dentro dela.



Vídeo: Buissonnets: o lar de Santa Teresinha do Menino Jesus




(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência proferida em maio de 1968)


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Maximino e o “licor de La Salette”

Maximino contempla Nossa Senhora subindo aos Céus
O Prof. Francisco Castro enviou-nos há tempo um pedido, enquanto dávamos cursos na Europa.

Pedindo sua compreensão pelo atraso na resposta, aqui vai ela.

Do Prof.: Francisco Castro:
PAX!
Li o seu livro sobre as Aparições de Nossa Senhora em La Salette. Antes já havia lido um texto sobre as mesmas e fiquei intrigado com o que escreveram sobre Maximin, um dos videntes.
Seu livro afirma que foram calúnias mas um texto diz que ele quis vender um vinho com o nome Salette.
Afinal ele foi uma pessoa que realmente deu motivos para o difamarem embora tenham aumentado?
Creio que as aparições de La Salette foi uma das únicas em que nossa Senhora se referiu as faltas do clero. Como são atuais a descrição que ela faz dos padres. Parecem escritas hoje. Isso deve ter criado dificuldades e suspeitas. Gostaria de esclarecimentos sobre os videntes.

Att. Prof. Francisco Castro.
++Jesus-Maria

De fato, o caso do vinho ‒ ou, melhor, do licor ‒ de La Salette serviu para uma das acusações mais intensamente divulgadas contra Maximino.

Hoje em dia a crítica histórica não aceita mais essas alegações tendo ficado demonstrado que Maximino, angustiado pela miséria e pela doença, caiu numa arapuca de um comerciante inescrupuloso. A sociedade durou pouco e o comerciante desavergonhado desapareceu. Esta posição encontra-se até nas fontes mais modernizadas, como a Wikipedia.

Entretanto, o caso foi mais complicado, e não queremos ficar apenas em fontes pouco autorizadas.

Casa natal de Maximino
A complicação provém do fato de Maximino não só ter sido logrado pelo comerciante inescrupuloso, mas também pelos padres do Santuário e pelo próprio bispo de Grenoble. Estes professavam uma animadversão visceral em relação aos videntes, malgrado os pastores cumprissem conscienciosamente as obrigações de todo fiel diocesano para com suas autoridades eclesiásticas.

Maximin solicitou autorização deles por escrito. Não recebeu resposta, salvo um recado aprobatório. Como na praxe eclesiástica o silêncio equivale a uma aprovação tácita. Maximino entrou no negócio, porém essas autoridades caíram encima de sua reputação.

Henri Dion, autor de numerosos livros e especialista no caso de La Salette fez, com uma erudição bem superior à nossa, uma cuidadosa reconstituição histórica do fato. Deixo a palavra com ele:

“Os pedidos de ajuda que Maximino enviou aos missionários de La Salette e ao bispo de Grenoble na primavera de 1869 não foram atendidos. Ou, mais bem, as condições que lhe impuseram em troca de alguns subsídios foram duras demais. Ele ficou obrigado a escrever aos Jourdain [N.T.: seus pais adotivos]:
“Os missionários de Nossa Senhora de La Salette, o Pe. Giraud [N.T.: superior desses missionários] o primeiro deles, foram admiráveis em relação a mim e a vós. Eles foram se pôr aos pés de Monsenhor [o bispo diocesano] para lhe suplicar que viesse nos ajudar. Seu coração de bispo foi tão duro e frio quanto o gelo”.
“O encontro, pouco depois, em outubro de 1869, com um certo Alfred Vivier, licorista de Varces, do departamento de Isère, que Maximino não conhecia e que veio lhe propor uma associação, tal vez pareceu para ele algo providencial.

“Não há mais necessidade de demonstrar a ninguém que o episódio do comercio do licor não foi mais que um deplorável incidente. Nele, a candura do pastor foi abusada, num combate muito desigual, pelas manobras desonestas de um verdadeiro falsário, sem que Maximino tivesse se comprometido ou mesmo suspeitado um só momento.

Túmulo de Maximino em Corps
“Porém, antes de se lançar nesta nova iniciativa, Maximino teve o escrúpulo de solicitar, enquanto pedia a mesma coisa a seus pais adotivos, a aprovação do bispo de Grenoble e dos Missionários de La Salette. Ele pediu:

“se ele podia em consciência imitar os Cartuxos, os Trapistas, os Beneditinos e outros religiosos que fabricaram e venderam um licor que leva seu nome... Ele recebeu após vários meses de espera um recado dizendo que Mons. Ginhoulhiac e os Missionários de La Salette deixavam-no perfeitamente livre de emprender o que bem achasse, porém com proibição de comparecer nas instituições diocesanas. Tendo esgotado todos seus recursos, desencorajado, vencendo suas mais vivas repugnâncias, ele se associou com um certo Vivier, habilidoso demais para Maximino e que tirou em três anos de sociedade mais proveito do qu ele do licor salettino”.

“O pobre Maximino passou muita dificuldade para se sair deste penoso negócio, pois o sócio apropriou-se praticamente de todos os lucros antes de desaparecer com o dinheiro que ficava e todo os pertences da empresa. Quando a sociedade foi dissolvida por decisão da justiça, ele não pôde reclamar nenhuma indenização. Ele não tinha recursos para tocar o processo judiciário e ele quis poupar Vivier da prisão.

“Malgrado tivessem dado seu consentimento e malgrado as dificuldades evidentes demais de Maximino, os Missionários de La Salette não hesitaram, no início de 1871, em publicar em seus “Anais” um artigo que causou indignação:
“A respeito de um licor, dito de La Salette, e de folhas de propaganda que se espalham por toda parte relativos a ele, nós devemos declarar mais uma vez que a comunidade dos Missionários de Nossa Senhora de La Salette nada tem a ver com a fabricação desse licor, nem com a comercialização que se faz dele”.
“Um outro artigo, do mesmo estilo, apareceu dezoito meses mais tarde nos “Anais de La Salette” de junho de 1872. A despeito de um protesto forte mas muito mesurado de Maximino, o jornal “Le Temps” publicou uma carta recebida “de uma personalidade ainda mais alta que o Rev. Pe. Superior dos Salettinos”:
“Eu deploro tanto como vós o comércio de licor feito com base na montanha de La Salette. É uma especulação miserável que fere profundamente meu coração cristão e todos meus religiosos partilham minha tristeza. Se vós conheceis um meio de corrigir esse abuso sem ferir a liberdade dos outros, que eu respeito sempre ainda quando me faz mal, fazei-o chegar até nós. E a desordem cessará logo. Não há pacto algum, nem público nem segredo entre meus religiosos e os autores de esta iniciativa comercial”.
(...) “É penoso ter que citar estes documentos que desmascaram uma hostilidade e um encarniçamento tanto mais insuportáveis quanto praticados por aqueles que deveriam ser os primeiros em proteger e ajudar a Maximino. Trata-se de testemunhos esmagadores, mas que permitem apreciar a intensidade e a virulência das provações sofridas pelo pastor, mais dolorosas tal vez que a miséria negra que elas trouxeram por acréscimo, porque causadas por uma maldade puramente gratuita.”

Loja instalada nos fundos da casa natal de Maximino

(Fonte: Henri Dion, “Maximin Giraud, Berger de La Salette, ou La fidélite dans l’épreuve”, Éditions Résiac, Montsurs, 1988, 290 p., págs.207-209)



Atualmente, na casa natal de Maximino (foto ao lado) funciona uma destilaria que produz licores, entre os quais o “Salettina”, o “Citronello” italiano e outros, explorando turisticamente o fato de funcionar na casa da pobre família do pastor.

Quando peregrinamos a La Salette em 2008, visitamos o local, mas a casa e a loja estavam fechadas. Conhecedores da cidade apontaram pertencer a um cidadão do qual não faziam precisamente elogios. Na Internet há um site desta loja com propaganda dos licores. Ninguém vê qualquer relação entre o caso do licor de Maximino e essa loja, salvo o comerciante ali instalado com objetivos de propaganda.


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