Mostrando postagens com marcador crise da Igreja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crise da Igreja. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Explosão de satánico Carnaval na Igreja antevisto pela Beata Isabel Canori Mora

Intolerância da Bem-aventurada Isabel Canori Mora face ao carnaval
Intolerância da Bem-aventurada Isabel Canori Mora face ao carnaval
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O jornalista Marco Tosatti teceu valiosas considerações inspirado pela atitude da Bem-aventurada Isabel Canori Mora diante do carnaval.

Glosamos e adaptamos suas reflexões com a mente posta na Beata Isabel a quem com toda admiração e devoção dedicamos uma página especial de nosso blog: “Vítima expiatória pelo Papado, anunciava grandes castigos décadas antes de La Salette e Fátima”.

Pois, tomando contato com seus manuscritos, ficamos especialmente impressionados pela luta sobrenatural em que ela aceitou as dores da reedição da Paixão desferida pelo príncipe das trevas.

Esse tentava, como tenta ainda hoje, afogar a Igreja num infernal lamaçal de irracionalidade, igualitarismo e imoralidade.

Tosatti conta que a Beata Isabel quando casou foi morar com sua nova família na bela casa de seus sogros: o Palazzo Selvaggi na centralíssima Via del Corso.

Ela teve então uma grave preocupação: em fevereiro ela teria que manter as venezianas das janelas fechadas para evitar que suas duas filhas, Mariana e Maria Lucina, vissem os escândalos dos desfiles do Carnaval Romano que aconteciam nessa Via del Corso.

Os romanos se mascaravam de modos estranhos: nobres, ricos, pobres, todos imergiam na febre do caos que, de repente, pagão, misterioso, perturbador, explodia na Cidade Santa e que nessa hora podia se nomear a Cidade da Iniquidade, diz o escritor.

Palazzo Selvaggi (estado atual), onde morou recém-casada
Na escuridão da noite, uma tentação diabólica se escondia sob cada licença material, comenta Tosatti.

Era a antiga festa da febre da Roma pagã, ou seja, fevereiro, tida como festa da malária e da purificação, que mais tarde virou carnaval.

Ateava-se um fogo que se dizia purificador, os pacientes febris (isto é, os que participavam das orgias) ateavam os “moccoletti”, pequenas velas acesas que usavam em brincadeira como símbolo de “cura”.

O Carnaval se comemorava comendo carne e cantando “carne, vale a pena! Carne, adeus!”

Nos inícios do século XIX, época da Beata Isabel, a Roma dos Papas havia retornado infelizmente ao sentido pagão original do carnaval, quer dizer a velha careta do demônio dissimulada sob formas fantasiosas, sempre impuras e hediondas.

As portas se abriam para o mundo da torpeza, que como hoje, punha tudo cabeça para baixo.

A lei do Carnaval romano consistia em pecar contra a Lei Divina
A lei do Carnaval romano consistia em pecar contra a Lei Divina

A lei consistia em pecar contra a Lei Divina, os Mandamentos de Deus. Essa febre durava não só nos dias carnavalescos, mas, sob enganadoras festas, repercutia dissimuladamente o ano inteiro.

Beata Isabel fechava as janelas porque vivia na Comunhão dos Santos em guerra contínua contra o diabo.

Mas, naqueles anos, as seitas secretas se movimentavam à sombra da Basílica de São Pedro como uma febre negra.

Assim o viram misticamente a Beata Isabel e a Beata Ana Maria Taigi. Essas associações soturnas trabalhavam muito para deformar o mundo e lhe dar o rosto que tem hoje. Cfr. Também Beata Ana Maria Taigi : “A contemplativa da luta entre a Luz e as Trevas”

Quer dizer se empenhavam para transformar o belo em feio e o bom em mau.

Maria Lucina, a filha mais nova se tornou-se freira de San Felipe Neri.

Mariana, a filha mais velha, não entendia a mãe, vivia nos novos tempos, queria casar, viver no mundo. E casou, viveu no mundo e antes de morrer, aliás jovem, ela entendeu que sua mãe tinha vivido na verdade. E se arrependeu.

Casar com o mundo, dizia a Beata, é casar com as trevas, virando as costas para a luz.

“Você sabe por que ruim significa ruim?” perguntava a santa progenitora e explicava: “ruim vem do latim captivus e significa prisioneiro”: captivus diaboli, escravo do diabo.

Os homens que correm à procura das faíscas da falsa luz, a de lúcifer, a estrela que brilha sem ser o sol, são escravos do mundo e prisioneiros do diabo.

Esses escolheram orgulhosamente o carnaval, que não é purificação da febre, mas é a imersão no mal, na traição da lei divina.

O demônio é o Rei do Carnaval nas Sodoma e Gomorra hodiernas
O demônio é o Rei do Carnaval nas Sodoma e Gomorra hodiernas,
e até nas fileiras das "cloacas de impureza" eclesiásticas
E o demônio fazia tudo isso em virtude de sua obra-prima de mentira que, como sabemos, consiste em fingir que ele não existe!

Essa falsa luz hoje ilumina a todos multiplicada pelos meios de comunicação, comenta Tosatti.

À noite, cansado de um dia de afazeres, recados e outras perambulações, ligando a Internet, a TV ou o smartphone, o jornalista encontra na telinha o ano todo, o carnaval de um mundo virado às avessas, mergulhado na inversão dos valores da alma, ensinando a torpeza e o horror.

Então o jornalista gosta ainda mais da Beata Isabel, e, cansado de palavras, fecha as novas venezianas que são as telas digitais e vá para a cama.

Os santos sempre bradaram contra o carnaval. Desde Santo Antônio até São Carlos Borromeo e São João de la Salle que comparava os “maus cristãos” do carnaval aos algozes de Jesus Cristo.

Os comparsas? São como os soldados romanos que “lançaram sortes sobre a túnica do Senhor”.

Os personagens noturnos romanos? Parecem “Judas e quem estava com ele quando aproveitaram a noite para capturar Jesus”.

E assim por diante.

O motivo é simples de entender.

A vida cristã é cheia de alegria, é ordeira, comemora em paz e respira no mais fundo da alma porque está unida a Deus.

Por isso Tosatti fecha as venezianas das telas digitais que refletem de maneira direta o que já vê no mundo.

Sim, o mundo é suficiente para mim, escreve , e não quero vê-lo de novo, nem na tela do smartphone, prossegue ele.

O que vejo é suficiente para mim, enquanto penso em Isabel, que agora, Beata, vive a verdadeira vida nas doces mãos do Senhor, enquanto seus nobres restos mortais repousam na bela igreja trinitária de San Carlino alle Quattro Fontane.

Igreja de San Carlino, altar das relíquias da Beata Isabel, Roma.
É refúgio do Carnaval para Tosatti.
E às vezes, quando o meu coração já não aguenta mais, vou até ela na pequena capela que é o último local de descanso dos seus restos terrenos. E com ela meu coração se dilata.

O Rei do Carnaval hoje reina indiscutivelmente até na Igreja que amo como meus olhos.

Lembro de um franciscano chamado Antônio, conta ainda Tosatti, que conheci há muitos anos e a quem ajudei em suas boas ações num mercado para os pobres que instalou na sacristia da sua igreja.

Distribuíamos roupas e sanduíches a todos os pobres que, com cestos e carrinhos, tinham que ouvir missa.

E aquela missa, era bela e lotada por uma variada humanidade que, enquanto esperava por lenços, mantas e chapéus, ouvia sem pestanejar as longas homilias de padre Antônio, que muitas vezes falavam do demônio.

Então um dia, o Padre foi enviado para não sei onde e em seu lugar veio um franciscano moderno que à noite reúne muitos jovens falando sobre sua experiência de casamento ou de trabalho, dando as costas ao tabernáculo.

Fui apenas uma vez. A igreja que estava quente quando havia os pobres do padre Antônio, naquele desvario de modernidade me pareceu fria.

Sim, mesmo na Igreja, o mundo entrou desordenando tudo e pondo tudo ao contrário.

Um pároco que conheço se gaba de ter esvaziado a sua igreja de fiéis e, em uma homilia, caiu acima dos que fazem oração ou puxam o terço, contou ainda o jornalista.

Suas seguidoras me disseram que logo ele será bispo. É a febre que dura desde o carnaval de fevereiro e continua em março e depois na primavera...

Porque o clero incluída sua mais alta hierarquia aparentemente foi engolido pelo fétido vazio da defecção, das “cloacas de impureza” de que falou Nossa Senhora em La Salette, e acabou escurecida por uma luz negra luciferina.

Que a Páscoa do Senhor seja uma verdadeira Ressurreição da Igreja conclui Tosatti. É também nosso voto que emerge como um clamor do mais fundo de nossa alma.



Profecias da Beata Isabel Canori Mora (português)





Profecías de la Beata Isabel Canori Mora (espanhol)






segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Pelo “desditado mundo que pelo ódio e descrença, caiu na desgraça e na miséria”

Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Padre João Batista Reus SJ (1868-1947)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: Pe.Reus: certeza dos fenômenos místicos litúrgicos surpreendentes



O espírito moderno banalizou a Santa Comunhão especialissimamente quando desde o Vaticano II se generalizou o mal costume de qualquer um comungar em qualquer estado inclusive no pecado mortal como se a Santa Comunhão fosse a mera partilha de um pão como outros.

Que diabólico erro!

O Pe. Reus nos deixou o exemplo do contrário: na Comunhão recebemos o Santíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E o próprio Deus se encarregou de lhe deixar esta tremenda verdade em evidencia.

Em 11 de setembro de 1942 “na Comunhão ... me vi numa espécie tipo fogo, porém não claro e brilhante como nas outras vezes. Contemplei como que um sol dentro do qual estava a Santíssima Trindade, ...

Santinho piedoso representa o Menino Jesus na Hóstia
Santinho piedoso representa o Menino Jesus na Hóstia
“De repente, percebi que meus braços se moviam lentamente para baixo e que traziam consigo aquele sol com a Santíssima Trindade. Queria resistir, para que o ajudante de Missa não percebesse ... Não consegui.

“Quando este sol celestial chegou mais ou menos ao alcance de minhas mãos, de repente, estava brilhante dentro de mim.

“Este é o efeito da Comunhão numa imagem visível: união com a Divina Majestade” (AeD, vol.4, nº3983)

O valor da Comunhão se estende a todo mundo, mesmo aos setores mais decadentes da humanidade pecadora, insistia o santo jesuíta, afastando a interpretação moderna da partilha comunitária.

Pelo “desditado mundo que caiu na desgraça e na miséria”


No Confiteor da Missa de 9 de outubro de 1942 “ofereci ao Divino Pai o precioso Sacrifício de Jesus Cristo para o desditado mundo, que por causa das guerras, [naquela data a II Guerra Mundial atingia um paroxismo] ódio e descrença, caiu na desgraça e na miséria.

Mais um testemunho de líder católico contemporâneo do Pe. Reus

"Minha Vida Pública":
uma prodigiosa fonte de informação exclusiva
para compreender a história do Brasil e da Igreja

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que foi aluno dos jesuítas no Colégio São Luis, na atual avenida Paulista em São Paulo comentou do Pe. Reus:

O Prof. Plinio foi presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo e manteve estreitas relações com os líderes eclesiásticos e civis católicos do Brasil todo. Tirou da insignificância e dirigiu o jornal “O Legionário” – hoje “O São Paulo” – com difusão nacional.

É uma testemunha privilegiada contemporânea do Pe. Reus e cultivou valiosas amizades com padres jesuítas de São Paulo e também alguns de São Leopoldo.

Pela amizade com alguns noviços ou ex-noviços de São Leopoldo ouviu relatos da vida e dos fenômenos místicos extraordinários do Pe. Reus que corriam de boca em boca.

“Morou e morreu n0 seminário de São Leopoldo, um padre jesuíta de nome Reus, que eu não conheci pessoalmente e que levou uma vida muito apagada em São Leopoldo mas cujo eco não chegou a São Paulo.

“Eu fui largamente contemporâneo dele.

“Ele era mais velho que eu, mas quando ele morreu eu já era homem feito. Mas eu não ouvi falar dele.

“Foi só depois dele morto, aliás um pouco antes de ele morrer, que me falaram dele.

“Quando ele morreu me mostraram a fotografia dele, e ou eu me engano enormemente ou esse padre foi um verdadeiro santo.

“Eu sei que a sepultura dele, que deve ser provavelmente no cemitério de São Leopoldo é visitada continuamente por pessoas que depositam flores, pedem graças, etc., etc. e na minha caixa de relíquias eu tenho uma relíquia indireta dele, um pano que tocou nele.

“Eu osculo metodicamente cada dia uma das minhas relíquias e quando chega a vez do padre Réus eu osculo a dele com uma particular piedade”.

(Anotações de palestra de 12/6/82, sem revisão do Autor)
“Ao rezar: Misereatur vestri – Tenha compaixão de nós, pareceu-me que o Divino Pai derramava a sua misericórdia sobre a dor e a miséria do mundo.

“Na oferta da Hóstia, eu me vi diante do Divino Pai nas alturas, com o mundo em minhas mãos ... o universo em minhas mãos, rodeado de muitos anjos, que envolvem o sacerdote no santo Sacrifício ...

“como se o amável Salvador fizesse pessoalmente o que antes da Consagração só faz através da mão do Sacerdote, isto é, apresentar o universo ao Divino Pai, para implorar misericórdia” (AeD, vol.4, nº4011)

A Eucaristia atrai a misericórdia para os pecados abissais do mundo


Na 3ª meditação dos Exercícios Espirituais de 1943 focou os conceitos de Peccatum, diluvium – O pecado, o dilúvio.

“Tudo destruído, pela ira de Deus. Portanto, mantenha distância desta ira: Quod pefectus esse sciam, faciam – Farei o que for mais perfeito. (AeD, vol.4, nº4118)

“Na meditação desses conceitos “eu me vi imerso no mundo sobrenatural. ...

“uma visão da luta entre o bem e o mal, da terrível realidade da queda de tantas almas, um grito contínuo dos infelizes condenados e dos levianos da humanidade. ...

“Neste mundo, o sacerdote atua como salvador e mediador, o que é uma tarefa nada fácil.” (AeD, vol.4, nº4122)

O Menino Jesus na Eucaristia


Em 4 de setembro de 1944 “uma encantadora visão tive no êxtase antes da Comunhão. Segurei a santa Hóstia, com o Menino Jesus perceptível, ... vi como o Menino Jesus ergueu a mão e a estendeu a mim. ... Por um instante, tocou de leve o eu coração.

“No entanto ardor, o fogo, a dor na parte tocada foi de tal modo quente e forte, que soltei um suspiro alto, ...essa visão é preciosa, pois ela representa uma prova de que as visões são verdadeiras e me mantém vivo.

“Um resultado final dessa grandiosa graça foi um profundo ato de desprezo de mim mesmo” (AeD, vol.4, nº4741)

Como aparecia certas vezes o Menino Jesus na Missa ao Pe. Reus. (desenho dele)
Como aparecia certas vezes o Menino Jesus na Missa
ao Pe. Reus. (desenho dele)

Em 7 de outubro de 1944 “apareceu o Menino Jesus” na santa Missa e na festa dedicada à reparação ao Imaculado Coração da Mãe de Deus. Foi essa a razão que prevaleceu. ...

“A minha frente estava deitado o Menino Jesus de maneira visível. Nisso, de repente, ele ergueu os bracinhos para o alto, para a Mãe de Deus, e ela estendeu seus braços em direção do Menino no altar. ...

“Não poderia haver expressão mais bela. Que alegria sente a amável Mãe de Deus, quando a criança, em sua honra, se oferece no altar!” (AeD, vol.4, nº4791)



Continua no próximo post:


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Pe.Reus e a transverberação, fenômeno místico excepcional

Detalhe de 'Transverberação do Coração de Santa Teresa de Ávila'. Josefa de Óbidos (1630 — 1684). Igreja Matriz de Cascais
Detalhe de 'Transverberação do Coração de Santa Teresa de Ávila'.
Josefa de Óbidos (1630 — 1684). Igreja Matriz de Cascais.
O Pe. Reus teve análogo fenômeno místico.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: Pe. Reus: guerra do inferno contra a boa Missa e o celebrante estrito



“Eu procurei quem me consolasse e não encontrei” lamenta Nosso Senhor segundo uma Antífona que se canta também na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

As palavras glosam um salmo de David: “seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei”. (Salmo 68, 21-22)

O Pe. Reus voltou sua profunda devoção para o Sagrado Coração de Jesus oferecendo suas dores pela ingratidão dos homens e consolar os insultos a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nossa Senhora e a Igreja no mundo.

Ele foi um homem transfixados pela dor numa época em que a Igreja ia sendo amolecida por um espírito alegrote e ia ficando pronta sorrateiramente para a atual explosão de progressismo desregrado.

Ele foi como um homem ajoelhado que oscula as gotas de sangue que a Igreja derrama e seus filhos deixam cair no chão procurando consolá-la.

Como vimos nos posts anteriores, seu coração trocado com o Sagrado Coração de Jesus era uma fonte de labaredas de intenso fogo de amor reparador.

Nosso Senhor quis premiar essa atitude heroica com o fenômeno extraordinário da trans-verberação, concedido outrora a santos da envergadura de Santa Teresa de Jesus.

Foi assim que no dia 3 de outubro de 1941, em seu quarto, “vi como meu coração fora perfurado com uma flecha, ou melhor, fora ferido, causando-me dor muito intensa. ... com a flecha no coração, passava pelo corredor, também vi o anjo, que ainda estava com a mão na flecha” (AeD, vol.4, nº3589)

Desenho do Pe Reus de seu coração transverberado
Desenho do Pe Reus de seu coração transverberado
A flecha, com que um anjo me feriu o coração no dia 3 de outubro, ficou sempre visível a partir de então.

“Hoje quando estava deitado em ardor de amor, uma mão invisível transpassou o meu coração fora a fora, de forma que a ponta saiu do outro lado. Na ponta brilhava uma pequena chama de fogo.

“O anjo que fez isso, transpassou duas vezes o meu coração. A dor foi tão grande que gemi alto. Desde então, vejo a flecha em meu coração”. (AeD, vol.4, nº3608)


Vida de penitência e de sacrifício

Padre Reus tinha verdadeira fome e sede de sacrifícios. Aceitava resignadamente os desprezos, as humilhações que feriam profundamente sua extrema susceptibilidade.

Flagelava-se diariamente antes de se recolher à noite; cingia-se frequentemente com um cilício de ferro, dormia sobre duas tábuas, escondidas debaixo do lençol, jejuava quase sem interrupção e dominava os sentidos e a natural curiosidade de maneira edificante.

Mas o maior sacrifício foi sem dúvida, a renúncia à sua vontade e sua perfeita e constante subordinação à vontade dos superiores.

Verdadeira tormenta agitou-lhe a alma, quando soube ser desejo da Ordem que os súditos abrissem suas consciências não só ao superior provincial, mas também ao superior da Comunidade.

“Parecia-me então mais fácil confessar pecados graves – se os tivesse – do que revelar as graças místicas”.

Grande provação para o Padre Reus era a gradativa perda da visão, que poderia transformar-se em cegueira completa.

Deus, porém, se contentou com a boa vontade de Seu Servo, preservando-o da cegueira. Mas a surdez, própria da velhice, não lhe foi poupada. (apud “As visões e êxtases do Padre João Batista Reus)


O fogo que emanava de seu coração transpassado pelo dardo de amor divino tinha um caráter reparador.

Entre 22 e 24 de novembro, conta ele, “vi-me em um mar de chamas ... as chamas saiam de meu coração, subindo para o trono das três Santíssimas Pessoas e as envolvia.

“Delas saiam torrentes de fogo em minha direção. ... Do meu coração saíam chamas de fogo que subiam até o trono [da Santíssima Trindade].

“O amor de Deus penetra no coração do homem e repara os erros ininterruptamente cometidos pela humanidade pecadora” (AeD, vol.4, nº3640-42)

Em 16 de julho de 1942 “Quando, no Ofertório, eu já havia lavado as mãos, fui vestido por uma mão invisível, com uma vestimenta branca que me cobriu totalmente. Deus devolve a inocência, se ela for perdida” (AeD, vol.4, nº3917)





O insulto me partiu o coração. Eu procurei quem me consolasse e não encontrei Salmo 68, 21-22


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.



ANTÍFONA: O INSULTO ME PARTIU O CORAÇÃO;
NÃO SUPORTEI, DESFALECI DE TANTA DOR!
EU ESPEREI QUE ALGUÉM DE MIM TIVESSE PENA,
MAS FOI EM VÃO, POIS A NINGUÉM PUDE ENCONTRAR;
PROCUREI QUEM ME ALIVIASSE E NÃO ACHEI!

DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

1. SALVAI-ME, Ó MEU DEUS, PORQUE AS ÁGUAS
ATÉ O MEU PESCOÇO JÁ CHEGARAM!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

2. FALAM DE MIM OS QUE SE ASSENTAM JUNTO ÀS PORTAS,
SOU MOTIVO DE CANÇÕES, ATÉ DE BÊBADOS!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

3. POR ISSO ELEVO PARA VÓS MINHA ORAÇÃO,
NESTE TEMPO FAVORÁVEL, SENHOR DEUS!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!

4. RESPONDEI-ME PELO VOSSO IMENSO AMOR,
PELA VOSSA SALVAÇÃO QUE NUNCA FALHA!
DERAM-ME FEL COMO SE FOSSE UM ALIMENTO,
EM MINHA SEDE OFERECERAM-ME VINAGRE!


segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Pe. Reus: guerra do inferno contra a boa Missa e o celebrante estrito

Demonios se assanham contra o sacerdote orante. No quadro Santo Arsenio o Grande (350 - 445) Padre do Deserto
Demônios se assanham contra o sacerdote orante.
No quadro: Santo Arsenio o Grande (350 - 445) Padre do Deserto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: O Pe. Reus e os assaltos do diabo contra a Missa



Ao longo dos já numerosos posts que temos publicado sobre o Pe. Reus, pudemos observar as rispidezes de trato que se voltavam contra ele pela sua estrita obediência ao rito da Missa.

Sem dúvida, os extraordinários fenômenos místicos de que foi objeto o confirmavam na sua atitude amorosa e estrita ao ritual romano.

Porém, se compreende que a Providência tenha querido reafirmar enfaticamente a aprovação de sua santa conduta sacerdotal na Liturgia imutável segundo desejo de muitos séculos da Igreja.

Dentre os muitos exemplos que se podem citar, em 29 de julho de 1941, no cerne da Missa o Pe. Reus se viu “diante da Santíssima Trindade”.

O amado Pai Celeste me abençoava e me dava o osculo do amor na fronte, durante pouco tempo, o amado Salvador me abraçou” (AeD, vol.4, nº3522).

No dia seguinte no Memento da Missa “pedi que ele me renovasse a graça do sacerdócio, ... Durante a oração seguinte Communicantes ... o Divino Salvador se levantou e pôs ambas as mãos sobre mim. ...
Nosso Senhor lhe impõe as mãos. Desenho do Pe.Reus
Nosso Senhor lhe impõe as mãos. Desenho do Pe.Reus

“Isso deve significar com certeza, que Ele realmente renova aquela primeira graça, e também para todo sacerdote que lhe pede isso” (AeD, vol.4, nº3523)

A última frase é consoladora. Pois o Pe. Reus não se via de modo exclusivista e pensava constantemente nos sacerdotes espalhados pelo mundo e em diferentes épocas. Até em alguns de seus alunos do seminário de São Leopoldo.

E em 9 de agosto do mesmo ano:

“O amado Pai Celeste e o amado Salvador colocaram ambas as mãos sobre mim, em sinal de completo perdão de todos os meus pecados e erros. ...

“Ao redor, havia santos anjos. Eles se alegram quando um pecador faz penitência”. (AeD, vol.4, nº3532)

A penitência! Que Nossa Senhora tanto pede, também pode ser necessária ao sacerdote e, quando acontece, causa regozijo na corte celeste.

E não só isso. O próprio São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia celeste, paira com seus anjos sobre o sacerdote que reza bem a Missa para protege-lo das insídias infernais que nesse momento podem se multiplicar.

Ainda durante a Missa do 18 de agosto de 1941, “na última oração a São Miguel vi o arcanjo pairar sobre mim para me proteger. Acredito que essas graças valem para todo sacerdote, pois ele é abraçado da forma mais íntima, na Comunhão” (AeD, vol.4, nº3542)

De fato, o Pe. Reus via que Satanás se assanha contra o Santo Sacrifício bem celebrado. Ele estava muito longe de ver a Missa como uma festa comunitária.

Anjos protegem a Missa dos asaltos dos demônios. Desenho do Pe Reus
Anjos protegem a Missa dos assaltos dos demônios.
Desenho do Pe Reus
Lhe aconteceu em 19.8.1941, após a Consagração se apresentar diante dele uma estranha figura.

“Quase no mesmo momento o amado Salvador ... enviou-me seus santos anjos em auxílio. Primeiramente pairava sobre mim o arcanjo São Miguel, para me defender.

“Outros santos anjos formavam, ao redor de mim, um muro de proteção, vivo e resistente para defender o sacerdote de Deus contra os maus espíritos” (AeD, vol.4, nº3543)

E não só a proteção de Nosso Senhor e dos anjos, mas também dos santos padroeiros do país, cidade ou local.

O Pe. Reus via a grande glorificação que rendem ao Coração de Jesus e à Mãe de Deus “os corajosos guerreiros mártires. Mas também para alegrar-se com os heróis triunfantes, modelos para nós” (AeD, vol.4, nº3559).

Guerreiros, heróis triunfantes, modelos para nós: assim eram os modelos para os sacerdotes segundo via o Pe. Reus. E também para nós simples fiéis, ainda mais fracos e desamparados que os religiosos.

Com uma participação protetora especial de Nossa Senhora:

Foi o caso durante a Consagração na festa de Nossa Senhora Aparecida (então 7 de setembro), viu diante dela o venerável (hoje Santo) Pe. Anchieta, provavelmente como representante de todo o Brasil cuja padroeira é Nossa Senhora Aparecida...

Exposição de pertences do Pe Reus SJ, São Leopoldo
Exposição de pertences do Pe Reus SJ, São Leopoldo
“Se a visão fosse produzida por mim, provavelmente não teria tomado o Pe. Anchieta como testemunha e representante, e sim, os bem-aventurados mártires Rio-Grandenses ou os 40 mártires do Brasil” (AeD, vol.4, nº3562).

E em 9 de setembro de 1941, “nas orações do Ofertório vi, sobre o altar, Nossa Senhora de Fátima ... a amável Mãe de Deus me deu a honra de se mostrar a mim, como prova de seu grande amor e agrado em relação ao rosário”. (AeD, vol.4, nº3564)

Mas essa presença, proteção e participação tem um troco que o celebrante – e também os fiéis presentes – devem dar com a veneração devida aos santos mistérios que se oferecem no altar “para não nos envergonharmos diante dos santos anjos”

Em 21.9.1941, “no final da Santa Missa, dava a bênção, vi, por cima de mim e por cima do altar, o amável Salvador na Cruz, dando a bênção ao mesmo tempo que eu, com sua mão direita, que se soltara da cruz. ... Ele é também o sacerdote que sacrifica, reza e abençoa. O que o sacerdote faz, faz nele e com Ele. (AeD, vol.4, nº3576)

Em 23.9.1941, nas palavras Per eundem Christum Dominum nostrum – Pelo mesmo Cristo nosso Senhor, em que, por instrução da Igreja, o sacerdote deve fazer uma reverência que certamente significa a última reverência do Redentor crucificado, vi de repente bem claro diante de mim, como o amável Salvador na cruz fazia uma reverência com sua santa cabeça” (AeD, vol.4, nº3578)

Na missa de 25.9.1941 “vi de repente, duas fileiras de santos anjos que, todos ao mesmo tempo fizeram comigo uma reverência com a cabeça, em profunda veneração.

É uma advertência sobre a veneração que devemos ter ao rezar estas palavras de louvor, para não nos envergonharmos diante dos santos anjos” (AeD, vol.4, nº3581)





Pottenstein, Baviera, Alemanha,
a cidade natal do Pe. João Batista Reus S.J.




Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 18 de julho de 2022

O Pe. Reus e os assaltos do diabo contra a Missa

O mal conspira contra a Missa bem celebrada. Judas com o dinheiro da traição abandona a Última Ceia, após comungar sacrilegamente. Detalhe de andor da confraria da Última Ceia, Úbeda, Espanha.
O mal conspira contra a Missa bem celebrada.
Judas com o dinheiro da traição abandona a Última Ceia,
após comungar sacrilegamente.
Detalhe de andor da confraria da Última Ceia, Úbeda, Espanha.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: O Pe. Reus nos teria salvo das cloacas de impureza denunciadas em La Salette?



O Padre Reus entendia a Missa como sempre foi desde a Última Ceia quando foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Naquela ocasião suprema em que Jesus procedeu à consagração e ordenou aos apóstolos fazer o mesmo em memória dEle, a tragédia suprema de Sua Paixão e Morte se acumulava sobre a Divina Vítima, o Redentor.

Não só, o Sinédrio – assembleia dos sumos sacerdotes do Templo – já tinha acertado a morte do Redentor, mas até o traidor que o vendeu – Judas Iscariotes, um dos apóstolos – participava da Ceia.

Para os judeus aquela Ceia tinha uma conotação festiva pois com ela comemoravam um episódio do êxodo, isto é da partida de Egito e a libertação da escravidão, sendo guiados por Moisés.

Mas a Missa instituída em aquelas condições trágicas não pode ser vista como uma mera festa comunitária segundo se tende a apresenta-la e celebrá-la na nossa época.

terça-feira, 12 de julho de 2022

O Pe. Reus nos teria salvo das cloacas de impureza denunciadas em La Salette?

Túmulo do Padre Reus SJ em São Leopoldo
Túmulo do Padre Reus SJ em São Leopoldo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Pe Reus: o Céu premia a centralidade monárquica do celebrante, enquanto a democracia se infiltra na Missa




Valor inestimável de seu Curso de Liturgia

O jornalista José Mitchell (R.I.P.), de Porto Alegre, calculava que “até 1994 foram editados 5 milhões e 100 mil folhetos (40 edições) de duas páginas com a estampa do Padre Reus e a novena; 3 milhões e 710 mil folhetos (34 edições) de seis páginas; e 3 milhões e 10 mil (28 edições) de folhetos com a estampa do padre quando jovem e a novena”.

No ano que escrevemos (2022) quantos milhões a mais seria preciso acrescentar?

Mas, foi muito reconfortante para o Pe. Reus em vida, o efeito que teve seu livro “Curso de Liturgia”.

Essa é uma obra concisa mas luminosa e metódica num momento que em torno da liturgia romana começavam a se espalhar perturbadores relaxamentos.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Pe Reus: o Céu premia a centralidade monárquica do celebrante, enquanto a democracia se infiltra na Missa

Servo de Deus João Batista Reus SJ
Servo de Deus João Batista Reus SJ
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: Pe. Reus: tratamento da Majestade divina ao celebrante zeloso



O Pe. Reus celebrou o rito latino durante a vida toda porque era o rito geralmente em uso na América Latina e na Europa. Tratava-se da Missa em Latim, chamada também Missa se São Pio V, ou rito extraordinário.

Porém, na sua vida no Brasil (chegou em 1900 e faleceu em 1947) desde a Europa chegavam influencias teológicas, morais e litúrgicas que preparavam uma radical mutação na Missa no rito latino aprovado durante séculos pela Igreja.

Não é objetivo deste blog de entrarmos na problemática, mas notamos como simples fiéis que os fenômenos místicos na Missa apontavam poderosamente no sentido contrário dessa sorrateira entrada de teorias e práticas novas.

Observamos que o Pe. Reus não parece ter tentado polemizar com as novas tendencias se apoiando nas maravilhosas manifestações sobrenaturais de que era objeto.

terça-feira, 10 de maio de 2022

Pe. Reus: tratamento da Majestade divina ao celebrante zeloso

Missa numa igreja do interior da França
Missa numa igreja do interior da França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








continuação do post anterior: Pe. Reus: o oposto dos maus sacerdotes “cloacas de impureza”



O Pe. Reus recebeu diversos fenômenos místicos que lhe fizeram ver, se fosse necessário, a natureza divina do rito da Missa multissecular.

Amor ao celebrante zeloso

A Providência tudo fez para lhe fazer evidente que no centro não se trata de pão e vinho partilhado festivamente pela comunidade.

Em 29.11.1938 mais uma vez, “No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena. Certamente para significar como já é santo o pão oferecido hanc immaculatam hostiam – esta Hóstia imaculada, à Santíssima Trindade” (AeD vol3, nº 2430).

Em 4.12.1938, na Consagração um violento incêndio de fogo que chegava até o Céu mais uma vez, que ele interpretou assim:

“Isto é prova de como o amor do Sagrado Coração de Jesus, entrando no coração do sacerdote na Comunhão, faz dele uma unidade com a Santíssima Trindade. Sacerdote da oblação, isto é, a Santíssima Majestade de Deus, unida num único ardor de amor” (AeD vol3, nº 2435)

Longe estava a enganação do celebrante que por suas qualidades midiáticas, empolga e agita a comunidade para agradá-la.

Em 11.12.1938, “Durante a oração Domine, non sum dignus – Senhor, não sou digno, vi saírem da santa Hóstia sobre a patena duas chamas, uma para a direita e outra para a esquerda que me abraçaram.

“Certamente, foi para dar a entender que, no instante em que o sacerdote se reconhece indigno, o amado Salvador aceita esta humildade como oportunidade para suas manifestações de amor” (AeD vol3, nº 2442).

A mensagem divina é claríssima: “No momento em que rezava a oração “Corações ao alto”, vi meu coração elevar-se. Com o Sagrado Coração de Jesus, certamente, queria dar a entender que as palavras na Santa Missa também têm sua misteriosa eficácia” (AeD vol3, nº 2451)

Em 21.12.1938 “o coração do sacerdote deve estar completamente tomado e imbuído das disposições de grandeza de ânimo, generosidade e espírito de sacríficio do Coração de Jesus.

“Para que assim (...) seja uma Hóstia viva para a Divina Majestade e inflame tudo, sensibilizando os corações empedernidos dos pecadores com as chamas de amor que dEle emanam” (AeD vol3, nº 2452).

Nada, pois, de atrativos apenas humanos.

A bênção final da Missa também tem esse significado universal: “No instante da bênção, no final da Santa Missa, vi como a Santíssima Trindade, dava sobre mim a bênção.

“Isto não é nada estranho, pois Deus prometeu, já no Antigo Testamento, que Ele abençoaria sempre que o sacerdote desse a bênção” (AeD vol3, nº 2463)

Severidade que atrai incontáveis vocações sacerdotais


Primeira bênção solene de 16 novos sacerdotes em São Leopoldo
Primeira bênção solene de 16 novos sacerdotes em São Leopoldo
Não faltaram até padres jesuítas e seminaristas que criticavam o Pe. Reus por ser um religioso tão severo que afastava as vocações do seminário.

Nada de mais errado. Quando o Pe. Reus ingressou no seminário de São Leopoldo em 1913, esse contava com 123 seminaristas menores e 27 maiores.

Quando o Pe. Reus propôs uma casa para 250 internos, logo lhe responderam que essa ficaria vazia.

Porém em 1917, os seminaristas somavam 263. E foi preciso construir mais um prédio porque em 1937, o seminário menor contava com 249 alunos e o Maior com 203.

E construíam-se ainda outras casas religiosas em cidades vizinhas para seminaristas de outras instituições eclesiásticas enviados a assistir as aulas do Pe. Reus.

Nessas casas, as horas eram marcadas por toques de sino. Então o vale passou a ser conhecido, como até agora, como Vale dos Sinos.

Em 1938, o número de seminaristas beirava o milheiro com um aumento de 700%. Como explicar esse crescimento explosivo?

Responde o Pe. Reus: “Tive que escrever no diário, com forte resistência de minha parte, o que o amado Salvador exigia de mim: “Por causa de ti quero abençoar esta casa. (...) Quando terminei de escrever isso, passei os olhos mais uma vez.

“Vieram-me as lágrimas aos olhos, lágrimas de abandono; eu devo fazer simplesmente o que ele quer, sem tomar em consideração a minha opinião e a minha honra” (AeD vol3, nº 2467)

Como estamos hoje longe desse exemplo, quando vemos que os seminários se esvaziam e fecham, os costumes atingem o fundo do fosso da imoralidade, com o pretexto de atrair jovens que quereriam ser sacerdotes!

A Majestade do sacrifício do altar



E os fatos surpreendentes não acabam ali.

“Só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” desenho do Pe.Reus
“Só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” desenho do Pe.Reus
Na Missa de São João da Mata, no Ofertório se rezava Posuisti in capite eius coronam de lapide pretioso – Puseste na cabeça uma coroa de pedras preciosas, vi, de súbito, como me era posta uma coroa na cabeça. (...) creio que após a Comunhão, vi, à direita e à esquerda partirem raios das pedras preciosas da coroa (...) só pode tratar-se da gloriosa coroa do sacerdócio” (AeD vol3, nº 2539)

Quão longe está a interpretação moderna do sacerdote celebrante como um animador que meramente preside. Em verdade esta visão o apresenta como um rei ou um monarca coroado por Deus para o sublime sacrifício do altar.

A coroa voltou a aparecer outras vezes coroando a Hóstia sobre o altar. E ainda em 9 de fevereiro de 1939, “vi o amado Salvador em mim, ornado daquela mesma coroa” (AeD vol3, nº 2541)

Qual a natureza dessa monarquia sacerdotal no altar?

Em 10 de fevereiro de 1939 após a Consagração “vi em mim, (...) num grande brilho, que se estendia além da minha pessoa. Nisso, eu me vi de súbito no interior de um sol. (...) O Cristo vive em nosso interior. O sacerdote dentro do Sol, sendo um sol ele próprio” (AeD vol3, nº 2542).

Abraços divinos


A majestade de Deus abraçando o sacerdote zeloso se lhe manifestaria de diversas formas. “Desde o dia 23 de dezembro [1938], resisti e não senti nenhum impulso para falar do Menino Jesus que com seu braço direito envolve o meu pescoço.

“Naquele dia, eu caminhava no corredor e pensava como, por este tempo, a querida Mae de Deus estava de viagem para Belém. De repente, senti o Menino Jesus sobre meu braço esquerdo, a cabecinha reclinada na minha face. Desde então, isto me acontece muitas vezes
” (AeD vol3, nº 2457).

E ainda em 9 de janeiro de 1939 enquanto rezava na Missa a oração pelos defuntos “vi e senti como o Salvador crucificado, desta vez em tamanho grande, envolveu-me em seus braços, puxou-me para o seu peito lentamente, mas com tal força que tive que ceder (...)

“Devo ter sido um espetáculo estranho para o ajudante de Missa” (AeD vol3, nº 2473).

E o acólito veria ainda muitas manifestações da majestade de Deus através de seu sacerdote.

“No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena”
“No Ofertório subiram chamas da Santa Hóstia, que estava na patena”. Desenho  Pe.Reus
Em 3 de fevereiro de 1939, “Quando, escreve, o Pe. Reus, me virei para o ajudante de Missa e rezei o Misereatur, para dar-lhe a Comunhão, um raio de luz irrompeu da minha boca e se derramou sobre ele. Certamente, é a ação das preces da Igreja como última preparação para a recepção do Sacramento do amor” (AeD vol3, nº 2536).

Ainda enquanto se preparava para atender confissões com ato de contrição e dor e aversão ao pecado viu “quase ao mesmo tempo que estou inseparavelmente unido a Deus. A inseparabilidade não me foi comunicada por palavras, mas pela realidade, a sensação de firmeza, graças ao Sagrado Coração de Jesus” (AeD vol3, nº 2580).

Em 22 de março de 1939, as Santas Pessoas da Trindade apareceram sobre o altar rodeadas de anjos “para indicar que também os anjos estão presentes no santo sacrifício.

“No momento em que subia ao altar, rezando Aufer a nobis – Afastai de nós, as três Santas Pessoas me abraçaram. (...) creio que a Santíssima Trindade concede esta demonstração de amor a todo sacerdote que se aproxima dignamente do altar. (...) O abraço foi o sinal sensível do perdão que pedira (...) com as palavras Ut indulgere digneris omnia peccata mea – Para que perdoeis todos os meus pecados” (AeD vol3, nº 2586)

Os portentosos prodígios místicos concedidos ao Pe. Reus foram em continuo aumento. Na medida que leiamos os milhares de páginas de seus informes ao Superior, supúnhamos ter chegado ao máximo.

Ledo engano. A falta de espaço nos impõe uma interrupção, mas nos próximos posts pretendemos continuar com apanhados das mais impressionantes.


Continua no próximo post:


Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.


segunda-feira, 2 de maio de 2022

Pe. Reus: o oposto dos maus sacerdotes “cloacas de impureza”

O Pe. Reus teve a missão de mostrar aos sacerdotes o bom caminho e afasta-los da censura de Nossa Senhora em La Salette
O Pe. Reus teve a missão de mostrar aos sacerdotes o bom caminho
e afasta-los da censura de Nossa Senhora em La Salette
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







continuação do post anterior: Pe Reus: místico em tempos de infiltração do relativismo litúrgico



Na aparição de La Salette em 1846, Nossa Senhora teve palavras muito severas para os maus sacerdotes. Na opinião de muitos, poderiam ser aplicadas a não poucos sacerdotes que se têm em conta de “modernos”.

Mas precisamente, Nossa Senhora verberou “os sacerdotes, ministros de meu Filho, [que] pela (...) sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, (...) tornaram-se cloacas de impureza”. Cfr. O segredo da La Salette, texto completo em português

O Pe. Reus foi durante sua vida toda, malgrado as insídias do liturgicismo que se infiltrava de modo nascente, o exemplo radicalmente contrário de ditos sacerdotes de má conduta.

Como ele agia “na celebração dos santos mistérios” em que o relaxamento tinha tornado tantos sacerdotes “cloacas de impureza”?

O Pe. Reus amava se oferecer como vítima crucificada na hora da renovação do sacrifício da Cruz no altar. Renovava a grande tradição litúrgica dos santos na Igreja, e repelia a tendência liturgicista de fazer do celebrante um mero animador de uma festa comunitária, prática que daria margem a tantos abusos.

Em 8 de julho de 1938 quando levantava as mãos e braços na oração Unde et memoresPor esta razão – “senti-me pregado na cruz. (...) há muito tempo que peço sempre (...) a graça de morrer com Ele na Cruz. (...) o sacerdote, no sacrifício da morte do Senhor, durante a Santa Missa, deve ser um só com Ele na Cruz” (AeD vol3, nº 2297).

“O Pai Celeste aceita e deseja dos seus sacerdotes o oferecimento pessoal, juntamente com o sacrifício do Divino Filho” (AeD vol3, nº 2322)

“Vi mundos de fogo subindo do meu coração”. Desenho do Pe. Reus
“Vi mundos de fogo subindo do meu coração”. Desenho do Pe. Reus
Impossível imaginar uma disposição tão do agrado de Nossa Senhora.

Desde 1938 se intensificavam em continuidade as manifestações de amor de seu coração trocado com o Sagrado Coração de Jesus: “Cai sete vezes no chão. Ardor, peito descoberto na altura do coração, vibração até a última fibra. Fogo ardente, Comunhão forte ardor.

“Na Ação de Graças, fogo, calor, noiva de chamas, noiva de fogo, noiva do coração, noiva do ardor. Mar, sol, mundo de ardor, vulcão de amor, vulcão de chamas, sóis de fogo” (AeD vol3, nº 2304).

E em 21 de julho de 1938: “Na Ação de Graças, vulcão de amor. Logo subiu uma intensa chama do mais profundo do meu coração e se elevou até o firmamento. (...) vi sair do meu coração, mundos de chamas” (AeD vol3, nº 2309).

E ainda extraímos mais um exemplo do 22 de julho de 1938: “Vi mundos de fogo e mais mundos de fogo, subindo do meu coração. Subiam tão alto que pareciam ficar sempre menores, de acordo com a perspectiva.

“Também fora destes mundos de fogo havia chamas. No meio dessas chamas ‘eu Te amo’ foi a única expressão que pude dizer. Estive tão surpreso, confuso e perplexo com este amor ilimitado do Sagrado Coração de Jesus” (AeD vol3, nº 2310).

Finalidade da vida do Pe. Reus


Nossa Senhora em La Salette chorava com lágrimas de sangue da alma – se assim se pode dizer – pelos sacerdotes que faziam da Missa qualquer coisa menos o que deve ser.

Ela disse aos pastorinhos:

“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças.

“Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus, que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho!

“Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança.

“E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo” Cfr. O segredo da La Salette, texto completo em português.

O Pe. Reus foi suscitado por Deus para mostrar aos sacerdotes qual é o bom caminho, especialmente em matéria litúrgica e vida sacerdotal.

Por isso, pode escrever sem censura do superior que conferia suas anotações, que o referidos fenômenos místicos que se davam com ele, traziam uma mensagem sobre sua missão:

Minha vida tem uma única finalidade, mostrar como o divino Amigo dos sacerdotes ama os seus ministros e os encerra em seu coração.

“Deles espera, acima de tudo, correspondência de amor ardente. (...) Durante a Ação de Graças, por curto espaço de tempo, cheguei a conhecer por experiência própria o amor nupcial da Divindade” (AeD vol3, nº 2310).

E as manifestações divinas nesse sentido foram incessantes até o fim de sua vida.

Em 13 de agosto de 1938 ao rezar as palavras omni benedictione caelesti – toda a benção celeste – “vi descer sobre mim a benção do Altíssimo em forma de labaredas de fogo” (AeD vol3, nº 2332).

E em 20 de agosto “em consequência da purificação das mãos sacerdotais ... vi-me rodeado por um esplendor” (AeD vol3, nº 2339)

Repulsa da onda de blasfêmias no mundo


Essa intensa vida mística estimulava nele uma formidável repulsa da onda de blasfêmias que já se havia desatado até chegar ao tsunami diabólico de nossos dias.

No dia 9 de julho de 1938: “Ontem, li nos jornais diversas blasfêmias proferidas contra o Divino Salvador. Hoje de manhã, enquanto me dirigia para a igreja paroquial, vieram à minha mente, estas tremendas ofensas, (...)

“Sobreveio-me tal dor, que as lágrimas irromperam dos meus olhos. Logo depois da genuflexão e depois de ter adorado o Divino Salvador, cresceram o amor e a pena de tal maneira, que eu não podia ir mais adiante e tive que me encostar na coluna próxima, até que, depois de algum tempo esta excitação da alma tivesse passado” (AeD vol3, nº 2316).

O Pe Reus fazia tudo o possível para celebrar num local onde não pudesse ser visto. “Enrubesceu meu rosto de vergonha quando no dia 29 (outubro 1938), dois sacerdotes puderam testemunhar o êxtase de amor, depois da Consagração” (AeD vol3, nº 2402).

“O ardor de amor à maneira de coluna ereta de fogo, elevando-se para o alto”. Desenho do Pe.Reus
“O ardor de amor
à maneira de coluna ereta de fogo,
elevando-se para o alto”.
Desenho do Pe.Reus
Íntima união entre o sacerdote e a Vítima Divina


Na Missa de 3.11.1938 do cálice consagrado “subiram labaredas de fogo (...) como uma possante coluna de fogo até o trono de Deus. (...) Quando, voltado para o Irmão (acólito), eu pronunciei as palavras Domine, non sum dignusSenhor, eu não sou digno – vi sair da Santa Hóstia uma chama de fogo que, em curva, dirigia-se para o Irmão” (AeD vol3, nº 2405).

Em 12.11.1938, “Durante a Comunhão, vi sair da minha boca, vinda do meu coração, uma coluna de fogo que se dirigia para o Céu” (AeD vol3, nº 2414). E em 17 do mesmo mês “após a oração Pax Domini e na Comunhão, do meu peito saíram chamas de fogo que subiram flamejantes, verticalmente, com as que subiam do altar.

“Depois, repentinamente, uniram-se as duas chamas e, rodopiando entrelaçando-se, elevavam-se para o céu. Isto foi certamente para indicar a íntima união que existe entre o sacerdote e a divina vítima inocente.” (AeD vol3, nº 2418).

E em 27.11.1938 “Hoje me dirigi para o altar com o firme propósito de não permitir nenhuma imagem da fantasia e somente manter viva a fé. E isto eu cumpri.

“Mas quando, Na Comunhão, recebi o amado Salvador em meu coração, vi tão claramente que não posso duvidar: irrompia do meu peito, como de um chafariz, o ardor de amor à maneira de coluna ereta de fogo, elevando-se rapidamente para o alto, que no trono da Santíssima Trindade, dividiu-se. (...)

“Nisso se vê claramente com quanto amor a Santíssima Trindade acolhe, durante a Santa Missa, o amor do sacerdote.” (AeD vol3, nº 2428)




Fonte: “Autobiografia e Diário do Padre Reus”, editora Unisinos – Livraria e Editora Pe. Reus, Porto Alegre, 1999, 5 volumes. Fundamentamos estes posts nos cinco volumes desta autobiografia, que citaremos por brevidade como AeD. Em caso de recorrermos a outra fonte, faremos menção completa dela.