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segunda-feira, 16 de março de 2026

“Os demônios já não se escondem”

Pe Robert Cruz, da Associação Internacional de Exorcistas (AIE)
Pe Robert Cruz, da Associação Internacional de Exorcistas (AIE)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Pe Robert Cruz, da Associação Internacional de Exorcistas (AIE), diz que “nos últimos 25 anos, os demônios não se escondem mais. Agora, eles são mais ousados em tentar e semear o caos”.

“Lúcifer e os demônios continuam a semear o caos em nossa sociedade e em nossas vidas”, insiste.

Todos temos armas para vencê-los.

“Em particular, os sacramentos da confissão e da Sagrada Eucaristia”.

Também o rosário, a oração constante e o jejum.

“Os demônios não podem sequer pronunciar o nome de Nossa Senhora” cujo poder é imensamente superior, declarou o exorcista ao jornal espanhol “El Debate”. 


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O diabo se revela em tatuagens e violências - Aspectos da possessão do mundo profetizada em La Salette

O cardeal albanês Ernest Simoni Troshani, falando de exorcismos nos EUA alertou para a ação do inferno em possessões nas cidades modernas
O cardeal albanês Ernest Simoni Troshani, falando de exorcismos nos EUA 
alertou para a ação do inferno em possessões nas cidades modernas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em Madri, duas meninas de oito e quatro anos foram abusadas sexualmente à luz do dia por um entregador que exibia uma tatuagem do deus egípcio Anúbis, que é o deus dos mortos.

O caso revelou o inferno agindo numa sociedade que esqueceu Deus, escreveu “Infovaticana”. 

Por sua vez, o cardeal albanês Ernest Simoni Troshani, falando de exorcismos em Newark (EUA) alertou para a ação do inferno em possessões, aflições e feridas espirituais nas cidades modernas.

Ele fez um apelo urgente a rezar o terço todo dia pela libertação dos possuídos.

Aos 96 anos, o cardeal relatou os 28 anos que passou submetido a trabalhos forçados sob o regime comunista da Albânia. Apesar do sofrimento, sua mensagem foi de esperança e fé inabalável.

Tatuagens tendem a cultuar os demonios e favorecem a possessão
Tatuagens tendem a cultuar os demônios e favorecem a possessão
O cardeal lembrou sua oração constante a São Miguel Arcanjo durante a pandemia da COVID-19 e enfatizou que a vida cristã baseada no amor fraterno e na proximidade com Cristo é a defesa definitiva contra todo o mal.

Ele rezou em latim pela libertação do mundo inteiro de toda influência demoníaca e procedeu ao exorcismo dos pertences pessoais dos participantes da conferência.

“O amor de Cristo é onipotente”, afirmou o Cardeal, que deu sua bênção final aos presentes e reiterou que a oração perseverante é a arma mais eficaz na batalha espiritual que o mundo enfrenta. Cfr.: "Infovaticana"


segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Possessões diabólicas excedem às dezenas de padres exorcistas do Brasil

O papel do exorcista vai além de expulsar demônios, disse o exorcista a ACI
O papel do exorcista vai além de expulsar demônios, disse o exorcista a ACI
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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A AIE (Associação Internacional dos Exorcistas) tem 46 filiados no Brasil, entre os mais de 900 espalhados pelo mundo. Há também padres que exercem o ministério no país sem necessidade de ser membro, explicou o Pe João Paulo Veloso, porta-voz da entidade e exorcista da Arquidiocese de Palmas (TO), segundo noticiou a “Folha de S.Paulo”. 

Em 1985, o então cardeal Joseph Ratzinger esclareceu que “a ninguém é lícito proferir exorcismo sobre pessoas possessas”, fora aquele nomeado pelo bispo ou arcebispo.

Os exorcismos cotidianos pouco lembram cenas extraordinárias “pintadas por Hollywood”, que alimentam fantasias de terror como no filme “O Exorcista”.

As manifestações demoníacas têm menos “efeitos especiais” cinematográficos, mas por isso são muito mais perigosas, afirma o sacerdote. Podem provocar vícios que destroem famílias.

No começo do século 20 o cronista de As Religiões no Rio (João do Rio, José Olimpio editor, 4ª edição, 2006, 272 págs), já falava desse fenômeno.

Vaticano aprovou Associação Internacional de Exorcistas fundada pelo Pe. Gabriele Amorth, exorcista de Roma
Vaticano aprovou Associação Internacional de Exorcistas 
fundada pelo Pe. Gabriele Amorth, exorcista de Roma
“Só no ano de 1903, exorcisei mais de 300 demoníacas”, lhe relatou o então famoso frei Piazza.

O frei explicava: “Satã mais do que nunca ameaça Deus. Esse macaco do Divino, como diz o padre Goud, arrasta as criaturas para as profundas do inferno, que a ciência considera um centro de fogo no meio da terra, autor dos vulcões e do abalo das montanhas...”

O Pe João Paulo Veloso reproduz ainda o fraseado que lança para expulsar o demônio “espírito imundo” e “serpente antiga” para depois condená-lo: “Os vermes esperam a ti e aos teus”.

Cofundador da AIE, o padre italiano Gabriele Amorth (1925-2016) já declarou: “Eu, medo de Satanás? É ele que deve ter medo de mim. Eu trabalho em nome do Senhor do mundo. Ele é só o macaco de Deus”.

Os exorcistas contemporâneos contam com uma equipe “idealmente composta por especialistas em medicina, psiquiatria e psicologia, além de pessoas experimentadas na fé”, explica o padre João Paulo, da AIE, para esclarecer se os problemas têm causa natural e não diabólica.

Nem tudo é coisa do capeta. É preciso discernir “uma possível ação extraordinária do maligno daquilo que é apenas consequência das más escolhas de vida ou de enfermidades naturais”.

Padres exorcistas de Natal relatam que expulsar demônios 'é muito desgastante'
Padres exorcistas de Natal relatam que expulsar demônios 'é muito desgastante'
Mas o mundo vem presenciando “um aumento significativo da ação extraordinária do demônio”. 

O Pe João Paulo atribui o “satanismo em alta” ao “indiferentismo religioso”.

“Muitos fiéis deixaram de viver em estado de graça” e essa é uma abertura potencial ao demônio. Assim sendo não vai faltar trabalho para os exorcistas, conclui o jornal paulista.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Os Papas após Leão XIII e a ardilosa supressão do exorcismo de Satanás (parte II)

Papa León XIII. Estátua funeraria sobre seu túmulo
Papa Leão XIII. Estátua funerária sobre seu túmulo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Visão do Papa Leão XIII inspirou a oração a São Miguel Arcanjo (parte I)



Orações depois da missa (ou orações leoninas)


As orações que Leão XIII ordenou que recitassem após cada missa baixa são as seguintes: três Ave Maria, a Salve Regina seguida de uma oração e, finalmente, a “Oração a São Miguel Arcanjo” a seguir:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate.

Sede o nosso refúgio contra as maldades e as ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos.

E vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.

São Pio X acrescenta


Em 19 de junho de 1904, menos de um ano após sua eleição para o pontificado, São Pio X pediu para acrescentar a invocação três vezes: Sagrado Coração de Jesus, tem piedade de nós, confirmando assim a instrução de seu antecessor.

Em 20 de junho de 1913, ele também decidiu que essas orações poderiam ser omitidas em missas baixas de certa solenidade, em particular as missas cantadas ou com órgão, com sermão, matrimoniais, etc.

Confirmação de Pio XI


Papa São Pio X
Papa São Pio X

Por sua vez, o S.S. Pio XI durante seu discurso em 30 de junho de 1930, depois de recordar a perseguição religiosa na Rússia e as orações que ele solicitou pela Rússia em 19 de março, voltou a pedir que as orações prescritas por Leão XIII fossem pela Rússia, confirmando assim novamente as instruções de seu antecessor:

“E para que todos possam, sem fadiga e sem dificuldade, continuar esta santa cruzada, decidimos que as orações que nosso amado predecessor Leão XIII ordenou aos sacerdotes e aos fiéis que recitem após a missa são ditas com esta intenção específica: pela Rússia.

“Que os bispos e o clero secular e regular cuidem de informar os fiéis e os que frequentam o Santo Sacrifício, e que não deixem de lembrá-los dessas orações”.

Vínculo com a mensagem de Fátima


Assim, não só esta oração a São Miguel Arcanjo foi escrita num 13 de outubro, 33 anos antes da última aparição de Fátima e do milagre do sol, mas o Papa Pio XI pediu que fosse recitada especificamente visando a Rússia.

Existe, portanto, um vínculo muito forte entre a visão de Leão XIII e o pedido de Nossa Senhora que aparece em suas aparições do ano de 1917, com destaque para o segredo ditado no 13 de julho desse ano.

Reforma litúrgica afasta a oração contra os demônios


A recitação desta oração a São Miguel Arcanjo, no final das missas inferiores, era obrigatória até 1964.


Nessa data, foi excluída da seguinte forma. 

Pelo motu proprio Sacram Liturgiam de 25 de janeiro de 1964, o Papa Paulo VI criou uma comissão responsável pela implementação da constituição na liturgia do Concílio Vaticano Sacro Sanctum Concilium de 4 de dezembro de 1963.

Esta comissão, presidida no início pelo cardeal Lercaro Arcebispo de Bolonha, e cuja secretária era dirigida por Monsenhor Bugnini, redigiu o Novus Ordo Missae promulgado em 6 de abril de 1969.

Mas, desde o primeiro ano de seu funcionamento, a comissão emitiu uma primeira instrução, a instrução Inter OEcumenici, assinada pelo Papa em 26 de setembro de 1964.

Esta instrução suprimiu as orações no fundo do altar antes e depois da missa. De fato, no n. 48, diz-se: “Enquanto esperamos a restauração completa do Ordo da Missa, já observaremos o seguinte: (…) c) Nas orações no fundo do altar, em início da missa, o salmo 42 é omitido. (...) j) O último evangelho é omitido; as orações de Leão XIII são suprimidas".

Assim, no momento em que o comunismo estava no auge, quatro anos depois que Kruschev desenvolvia a ardilosa manobra de um comunismo evoluído que deu em Vladimir Putin, a Igreja pediu para parar de orar pela Rússia no final de cada missa.

O Santo Padre Pio discordou fortemente dessa decisão e continuou a recitar essas orações até sua morte em 1968.

30 anos depois, o Papa João Paulo II deu-lhe uma certa razão, porque durante o Regina Caeli de domingo 24 de abril de 1994, pediu aos fiéis que recitassem a oração a São Miguel, composta por Leão XIII, para nos ajudar “na luta contra as forças das trevas”.

O pequeno exorcismo (conhecido como de Leão XIII)


Leão XIII também compôs um exorcismo, conhecido como “Pequeno Exorcismo de Leão XIII”, que ele havia enviado a cada bispo.

Este exorcismo é precedido por uma petição a São Miguel Arcanjo.

O texto completo escrito por Leão XIII aparece nos atos da Santa Sé anos 1890-1891, entre os textos da Sagrada Congregação para a Propagação da Fé (antigo nome da congregação para a evangelização dos povos, em latim Propaganda Fidei).

Também aparece no Ritual Romano em sua versão de 1903, publicada no ano da morte de Leão XIII.

No entanto, alguns anos depois, essa petição foi truncada, especialmente no Ritual Romano publicado sob Pio XI.

Dulle Griet, Pieter Bruegel o Velho (1526-1569)
Dulle Griet, Pieter Bruegel o Velho (1526-1569)
Museum Mayer van den Bergh, Antuérpia
Por exemplo, a versão lançada em 1922 com o imprimatur do cardeal Dubois é uma versão truncada. Aqui está a passagem excluída:

“Agora, novamente, vós mesmo São Miguel e todo o exército dos Anjos abençoados, lute a luta do Senhor, assim como no passado vós lutaste contra Lúcifer, o corifeu dos soberbos e contra seus anjos apóstatas.

“E eis que eles não puderam vencer, e seu próprio lugar não estava mais no Céu.

“E ele foi derrubado, o grande dragão, a serpente antiga, que é chamada de diabo ou Satanás, o enganador de todo o mundo, ele foi lançado na terra e seus anjos foram lançados com ele. (Rev. XII, 8-9)

“Ora, eis que este inimigo antigo, ‘homicida desde o princípio’ (João VIII, 44), levantou-se com veemência, ‘disfarçado de anjo de luz’ (II Cor. XI, 14), tendo como escolta a horda de espíritos malignos,e  viaja pela terra em todos os sentidos para abolir o nome de Deus e de Seu Cristo, para roubar, perecer e perder em condenação sem fim, as almas que deveriam ser coroadas com a glória eterna.

“O dragão maligno infunde nos homens mentalmente depravados e corrompidos pelo coração, uma inundação de abjeção: o vírus de sua malícia, o espírito de mentiras, impiedade e blasfêmia, o sopro mortal do vício, da luxúria e desigualdade universalizada.

“A Igreja, esposa do Cordeiro Imaculado, aqui está saturada de amargura e regada de veneno, por inimigos muito astutos; eles impuseram suas mãos sem Deus sobre tudo o que é mais sagrado.

Onde a sede do Bem-aventurado Pedro foi estabelecida e o púlpito da Verdade, ali puseram o trono de sua abominação na iniquidade; para que o pastor seja atingido, o rebanho seja disperso.

“Ó São Miguel, líder invencível, fazei-vos, portanto, presente ao povo de Deus que está lutando com o espírito de iniquidade, dai-lhes vitória e fazei-os triunfar”.


Nossa Senhora quis alertar a humanidade em La Salette
Nossa Senhora quis alertar a humanidade em La Salette

Inicialmente, Leão XIII queria que o pequeno exorcismo fosse recitado pelos fiéis e pelos clérigos. 

A versão distribuída em 1922 com o imprimatur do cardeal Dubois, lembra essa disposição no final da primeira página:

Essa oração, composta para expulsar o diabo, pode preservar grandes males para a família e a sociedade, em particular, é recitada com fervor, mesmo pelos simples fiéis.

Será usado especialmente nos casos em que possamos supor que uma ação do demônio se manifeste pela maldade dos homens ou por tentações, doenças, tempestades, calamidades de todos os tipos.

Infelizmente, cem anos após a sua redação, a recitação do exorcismo, ainda recomendada por Leão XIII, foi proibida aos fiéis pela Congregação para a Doutrina da Fé por um decreto de 24 de setembro de 1985:

Não é permitido aos fiéis usar a fórmula do exorcismo contra Satanás e os anjos caídos, que é retirada da fórmula publicada por mandato do Soberano Pontífice Leão XIII, e menos ainda para usar o texto completo desse exorcismo. Os bispos devem avisar os fiéis, se necessário.

Desde então, esse exorcismo de Leão XIII foi até removido do Ritual Romano.

Acrescentamos nós a impressionante analogia entre os princípios da oração do pranteado Papa Leão XIII e os anúncios do que viria acontecer sobre a humanidade pecadora feitos por Nossa Senhora em La Salette em 1846!

Agora as portas ficaram escancaradas para os poderes infernais e seus sequazes revolucionários humanos contra os quais Nossa Senhora quis alertar a Igreja e a sociedades em La Salette.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Visão do Papa Leão XIII inspirou a oração a São Miguel Arcanjo (parte I)

Papa Leão XIII. Adolf Pirsch, Museu de Viena
Papa Leão XIII.
Adolf Pirsch, Museu de Viena
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No ano de 1884, o pranteado Papa S.S. Leão XIII teve uma visão da invasão demoníaca da Terra, tal como fora profetizado por Nossa Senhora em La Salette.

Citamos a continuação aquilo que registrou o sempre lembrado Pe. Gabrielle Amorth, exorcista da diocese de Roma, no livro “Um exorcista nos conta” (apêndice 1). 

A matéria foi republicada em artigo de 1955 na revista Ephemerides Liturgicae, com a assinatura do Pe. Domenico Penchenino.

Reproduzimos trechos essenciais a seguir:

O Pe. Amorth escreveu ter conhecido pessoalmente o que levou o Papa Leão XIII a escrever a oração.

E relatou o seguinte:

“Não recordo o ano exato [era 13 de outubro de 1884]. Uma manhã, o Sumo Pontífice Leão XIII tinha celebrado a Santa Missa e estava assistindo a outra, de agradecimento, como era habitual.

“Logo, eu o vi levantar energicamente a cabeça e, em seguida, olhar algo por cima do celebrante. Olhava fixamente, sem piscar, mas com ar de terror e de espanto, desfigurado. Algo estranho, grande, ocorria com ele.

“Finalmente, como voltando em si, com um rápido, mas enérgico gesto levanta-se. Ele é visto se encaminhar ao seu escritório particular.

“Os assessores o seguem com pressa e ansiedade. Dizem a ele em voz baixa: ‘Santo Padre, não se sente bem?

“Precisa de alguma coisa?’. Resposta: ‘Nada, nada’.

“Depois de meia hora, chama o secretário da Congregação dos Ritos e, entregando-lhe uma folha, manda imprimi-la e enviá-la a todos os bispos diocesanos do mundo”, acrescentou.

“O que continha?

“A oração que rezamos ao final da Missa junto com o povo, com a súplica a Maria e a ardorosa invocação ao príncipe das milícias celestiais, implorando a Deus que volte a lançar Satanás ao inferno”, concluiu.

A revista L'appel du Ciel, n° 25 de setembro de 2010, complementa com alguns detalhes uma história quase idêntica publicada pela resenha da ordem secular de Santo Agostinho em dezembro de 1941:

“Em 13 de outubro de 1884, depois que o Papa Leão XIII terminou de celebrar a missa na capela do Vaticano, cercada por alguns cardeais e membros do Vaticano, ele parou de repente aos pés do altar.

“Ele ficou lá por cerca de dez minutos, como se estivesse em êxtase, com o rosto branco de luz.

“Então, saindo imediatamente da capela para seu escritório, ele compôs a oração a São Miguel Arcanjo com instruções para que ela fosse dita em todos os lugares após cada missa baixa.

“Quando perguntado o que havia acontecido, ele explicou que, quando estava prestes a deixar o pé do altar, de repente ouviu vozes”.

Eis o que teria descrito o Pontífice de feliz memória:

“Depois da missa, ouvi duas vozes, uma suave e boa, a outra gutural e dura; parecia que eles estavam vindo perto do tabernáculo. Era o demônio falando ao Senhor, como em um diálogo. Aqui está o que eu ouvi:

- A voz gutural, a voz de Satanás em seu orgulho, clamando ao Senhor: “Eu posso destruir sua Igreja”.

- A voz suave do Senhor: “Você pode? Então faça”.

- Satanás: “Para isso, preciso de mais tempo e poder”.

- Nosso Senhor: “Quanto tempo? Quanta energia?”

- Satanás: “75 a 100 anos e maior poder sobre aqueles que me colocam ao meu serviço.”

- Nosso Senhor: “Você tem tempo, terá poder. Faça o que quiser com ele”.

Então, tive uma terrível visão do inferno: vi a terra envolta em trevas e, de um abismo, vi saindo uma legião de demônios que estavam se espalhando pelo mundo para destruir obras da Igreja e enfrentar a própria Igreja que eu vi reduzida até o fim.

“Então São Miguel apareceu e levou os espíritos malignos de volta ao abismo. Então, vi São Miguel Arcanjo intervir não neste momento, mas muito mais tarde, quando o povo multiplicaria suas fervorosas orações em direção ao Arcanjo”.

A descrição da visão também é encontrada no livro de Mons. Henri Delassus ‘A conspiração anticristã’ (volume III, p. 879 na edição de Desclée de Brouwer et Cie., de 1910).

No final desta visão, Leão XIII escreveu dois documentos: orações a serem recitadas após as missas baixas e um pouco do exorcismo. Eis o que diz o Pe. Amorth em seu livro An Exorcist.

Para confirmar o que o padre Pechenino relata, temos o testemunho irrefutável do cardeal Nasalli Rocca [1903-1988] que, em sua Carta Pastoral para a Quaresma, distribuída em Bolonha em 1946, escreve:

“O próprio Leão XIII escreveu esta oração.

“A frase: ‘Satanás e suas legiões de espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder almas’ encontra uma explicação histórica que nos foi informada várias vezes pelo seu secretário particular, Dom Rinaldo Angeli.

Leão XIII realmente teve a visão de espíritos infernais que se reuniram em torno da cidade eterna (Roma); e foi a partir dessa experiência que nasceu a oração que ele queria recitada por toda a Igreja.

“Ele recitou esta oração com uma voz vibrante e poderosa que tantas vezes ouvimos na Basílica do Vaticano.

“E isso não é tudo. Ele também escreveu com suas próprias mãos um exorcismo especial que aparece no Ritual Romano (edição de 1954, tit. XII, c. III, páginas 863 e ss.).

“Ele recomendou que os bispos e padres recitassem esses exorcismos em dioceses e paróquias. Ele fez isso o dia todo”.





segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Auge de exorcismos afoga párocos na Bélgica

A mídia belga ficou espantada pela expansão da necessidade do exorcismo
A mídia belga ficou espantada pela expansão da necessidade do exorcismo
Luis Dufaur
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Os exorcismos foram muito solicitados na Bélgica no ano de 2024.

Os sacerdotes autorizados pelos bispos não conseguem dar conta de tantos pedidos de fiéis angustiados pelos assaltos diabólicos.

Uma invasão da Terra pelos demônios que se iniciaria no ano 1864 foi anunciada por Nossa Senhora em La Salette. Cfr.: O SEGREDO DE LA SALETTE texto completo em português.

O bem-aventurado Pe. Luís Eduardo Cestac (1801 - 1868) contemplou em visão esse início da invasão diabólica e, como que em pânico, implorou uma oração para resistir. Então, Nossa Senhora lhe ditou uma, hoje muito rezada. Veja em 1864: La Salette, a soltura de Lúcifer e a oração para resistir aos demônios soltos

Segundo a rádio e televisão públicas da parte flamenca do país, a VRT, os exorcistas da região, que outrora negavam a existência do maligno, hoje não podem atender a grande quantidade de pedidos de auxilio..

A abadia flamenca de Averbode, na província de Brabante realiza mais de 1.000 exorcismos por ano, ou mais de três por dia, segundo “Clarín”.

A mídia, os setores ateus ou “católicos progressistas” atribuem a crescente preocupação a um mal-estar ainda não definido pela medicina.

Mas, o fato é que há muitas décadas, inclusive em séculos recentes, destacados santos e aparições do Céu apontaram que a Terra se infestou tanto de demônios que, se esses fossem visíveis, escureceriam o sol.

O 'padre Geert' (pseudônimo para proteger a sua identidade) disse à VRT que já não faz exorcismos por esgotamento.

Exorcismos na Bélgica
Exorcismos na Bélgica
Entre os religiosos, apenas uma minoria tem autorização oficial dos bispos para expulsar os espíritos malignos.

E isto apesar da crescente angustia diante daquilo que o público já não hesita em chamar de “exorcismos do diabo”.

A televisão noticia que muitas paróquias se encontram numa situação semelhante.

Pois os pedidos de exorcismos são rejeitados simplesmente porque não há suficientes párocos autorizados para realizá-los.

O historiador Kristof Smeyers, professor da Universidade de Leuven e autor de uma investigação sobre a história do exorcismo em Flandres, explicou ao canal de televisão que “o exorcismo é praticado informalmente há muito”

No século XVII a Igreja Católica belga decidiu incorporá-lo em suas práticas e pela primeira vez escreveu como deveriam ser feitos e quem deveria executá-los.

O Beato Pe. Luís Eduardo Cestac viu a Terra objeto de invasão pelos demônios
O Beato Pe. Luís Eduardo Cestac
viu a Terra objeto de invasão pelos demônios
Depois começou a formar párocos para que só eles praticassem a cerimônia prescrita no Ritual Romano.

Os manuais de exorcismo quase não mudaram desde então, nem a formação dos párocos, que continuam a utilizar livros escritos no início do século XVIII de grande precisão teológica.

Outros métodos, ou manuais mais modernos, podem ser muito perigosos. Até o exorcista que os usa pode sofrer graves consequências.

'Geert' explicou na televisão que além da formação na Bélgica, muitos párocos frequentam cursos em Roma e que ele gostaria de ir ao Vaticano para melhorar a sua formação como exorcista.

E funciona? O pároco garante que cerca de metade dos que se dizem possuídos pelo maligno afirmam sentir-se melhor depois do exorcismo, conclui a reportagem do “Clarín”. .


segunda-feira, 28 de outubro de 2024

“Hoje é como se todos os demônios estivessem soltos”, diz bispo de Córdoba

Mons. Demetrio Fernández González, bispo de Córdoba, Espanha
Mons. Demetrio Fernández González, bispo de Córdoba, Espanha
Luis Dufaur
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O bispo de Córdoba, Espanha, Mons. Demetrio Fernández, convocou a imitar a Jesus no deserto para vencer “todos os demônios” que hoje atacam a sociedade, entre eles, o mal do aborto, noticiou “Infocatólica”.

O bispo alertou que “neste caminho estamos caminhando para a ruína da pessoa e da sociedade” e convidou os fiéis a “corrigir o rumo” visando a conversão.

O Evangelho conta como Jesus venceu as tentações durante 40 dias no deserto, e Mons. Fernández alertou para o fato de que hoje tudo acontece “como se todos os demônios tivessem sido soltos. Vemos que a mentira, a violência, a violação dos direitos humanos, o mal em todas as suas formas que emerge em todos os lugares”.

O monsenhor enfatiza que “não podemos enfrentar tanto mal apenas com um programa político”, pois “esses demônios só podem ser expulsos com oração e jejum”.

O bispo de Córdoba usou como exemplo a lei do aborto recentemente aprovada na Espanha, pela qual “suprime-se o tempo de reflexão, diminui-se a idade para cometer este 'crime abominável'”, e não dá nenhuma informação antes da gravidez.

Mulheres disfarzadas de diabos, carnaval singular em Luzón, Espanha. Se os demônios fossem visíveis, como se veriam?
Figurantes disfarçados de diabos, carnaval singular em Luzón, Espanha.
Se os demônios fossem visíveis, como se veriam?
Pelo contrário, sinal do ativismo do demônio “se ampliam os ‘direitos’ dos animais e das suas crias enquanto o nasciturus é despojado de todos os seus autênticos direitos. Além disso, proclama-se que o aborto é um direito”, condenou o bispo.

O absurdo chegou ao ponto que podem ser dados “dezoito meses de prisão por matar um rato enquanto que a criança pode ser morta no ventre com todas as facilidades”, como nos recordou D. Bernardito Auza, Núncio Apostólico na Espanha, acrescentou.

Por isso Monsenhor Fernández chamou a um “despertar da consciência pessoal e social diante da sonolência de uma sociedade que parece entorpecida e drogada”, recomendando para obter essa graça a prática do jejum e da oração frequente.

“A vida prevalecerá, mas a luta feroz entre a cultura da morte e a cultura da vida trava atualmente uma das suas batalhas mais importantes”, concluiu.


Shows de Taylor Swift atraem a possessão diabólica

Taylor Swift numa apresentação 'musical' cheia de símbolos que atraem o demônio.
Taylor Swift faz apresentações cheias de símbolos que atraem o demônio.
Luis Dufaur
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Em 2023, a cantante Taylor Swift lotou estádios em todo o mundo para a “The Eras Tour”, um show de três horas que inclui seus álbuns ao longo de 17 anos de carreira musical.

Swift também lançou “The Eras Tour” nos cinemas em 13 de outubro e anunciou em 27 de novembro que os fãs poderão transmitir seu show em casa a partir de 13 de dezembro.

No entanto, o “Tour” deixou alguns fãs preocupados, pois acreditam que pode conter um ritual satânico, registrou o site “Churchpop”.

Enquanto Swift canta a música “Willow” de seu álbum “Evermore”, a cantora e seus dançarinos vestem capas pretas e dançam com símbolos esotéricos.

O exorcista da Diocese de Nashville, Pe. Dan Reehil, explicou a “Churchpop” por que o concerto que inclui esta apresentação pode colocar os participantes em perigo espiritual.

Ele explicou, como a performance “Willow” imita a bruxaria com o uso de terra, fogo, capas pretas e orbes.

Reehil diz que aqueles que praticam bruxaria “tentam aproveitar uma energia e olhando para a Terra e acreditam que podem aproveitá-la de algumas maneiras para fazer o bem e de outras maneiras para fazer o mal”.

“O problema é que Taylor tenta imitar bruxas ou fazer algum tipo de cerimônia de culto aos demônios”, acrescentou o Pe. Reehil.

Nossa Senhora em La Salette advertiu que nos tempos das grandes calamidades profetizadas, os demônios se tornariam sensíveis aos homens pelo mundo.
“Os demônios tomarão nota do que ela está fazendo e como ela está fazendo e a quem ela está influenciando”, alertou.

Padre Dan Reehil, exorcista da diocese de Nashville
Padre Dan Reehil, exorcista da diocese de Nashville
“Mesmo que sua intenção não fosse praticar bruxaria alguma ou fazer qualquer um dos encantamentos, ela provavelmente está atraindo muitos demônios para seus shows”.

“É aí que pode estar o problema, porque então essas garotinhas que literalmente a adoram agora estão se colocando em posição de serem atacadas por forças demoníacas".

“Não estou dizendo que isso vai acontecer com todo mundo, mas certamente quem assiste está se colocando em uma situação muito perigosa porque no show alguém está imitando ou mesmo praticando a arte da bruxaria”, concluiu o sacerdote exorcista quem recomendou pular esse tipo de apresentações.


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Bispo descreve experiências exorcizando demônios

Mons Andrea Gemma, bispo de Isernia-Venafro
Luis Dufaur
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Em diversos posts reproduzimos o pensamento do Bem-aventurado Pe. Francisco Palau y Quer O.C.D. a respeito da influência do demônio em nossos dias. CONFIRA

Vendo-a descrita como sendo tão grande, poderia se achar que o santo autor foi levado pelo seu fervor e pelo seu temperamento espanhol.

Não teria ele exagerado com boas intenções didáticas ou de oratória?

Para atender à questão, achamos oportuno apresentar o livro “Eu, bispo exorcista”, de Mons. Andrea Gemma, bispo emérito, de Isernia-Venafro, Itália.

Nele o bispo descreve suas experiências de exorcista e as surpreendentes conclusões a que foi levado durante uma década de prática do Exorcistado

(D. Andrea Gemma, “Io, vescovo esorcista” (“Eu, bispo exorcista”), Editora Mondadori, Milão, 2002, 208 pp. Todas as citações do post são extraídas desse livro. Não sabemos se o livro foi vertido ao português)

D. Andrea Gemma escreveu o livro quando estava à testa da diocese de Isernia-Venafro, narrando suas experiências na prática do exorcismo.

Ele deixou a diocese a seu sucessor em 2007, quando atingiu o limite de idade fixado pelo Direito Canônico.

Na manhã de 29 de junho de 1992, o novo bispo de Isernia-Venafro, D. Andrea Gemma, saía da Basílica Vaticana, olhando pensativo para a Praça de São Pedro.

As palavras de São Mateus, ”as portas do inferno não prevalecerão” (Mt 16,18), ecoavam em seu espírito com um atrativo sobrenatural. E lhe inspiravam graves considerações:

1) a ação do demônio não só não diminuiu, mas multiplicou-se;

2) o demônio é consciente de que dispõe de pouco tempo;

3) Nosso Senhor Jesus Cristo deu à Igreja enorme poder contra Satanás;

4) para não ser derrotado, o demônio faz tudo para agir no silêncio;

5) chegou o momento de desmascarar a ação insidiosa de Lúcifer e enfrentá-lo de viseira erguida, com as armas de que a Igreja dispõe. (pp. 11-12).

Por que não se fala da necessidade de exorcismo?

Voltando à sua diocese, a 170 km de Roma, D. Andrea decidiu pôr em prática o mandato divino “expulsai os demônios” (Mc 16,17).

Porque, explica ele, para o bispo, exorcizar “não é uma escolha, é obrigação” (p. 21).

Dever grave de instituir exorcistas
E cita o Pe. Gabriele Amorth que foi durante muitos anos exorcista oficial da diocese de Roma:

“Um bispo que não estabelece pelo menos um exorcista na sua diocese não está isento de pecado mortal por grave omissão” (p. 24).

O resultado foi surpreendente. O poder do inferno se lhe revelou em todo o seu horror e em toda a sua extensão.

“Quantas vezes — escreve o bispo —, nos meus colóquios cotidianos, frequentemente difíceis, com os doentes de todo tipo, esta verdade se punha diante de mim:

‘Por que não nos falaram antes destas coisas? Por que não nos alertaram com uma adequada instrução? Por que não nos preservaram a nós, grei de Cristo, da devastação dos lobos famintos?” (p. 113).

“Se todos os bispos fossem como você, estaríamos completamente vencidos, e imediatamente” (p. 12), gritou-lhe um demônio por meio de uma mulher possessa, acrescentando com desdém em uma outra ocasião: “[mas] vocês são poucos” (p. 62).

Poder da promessa de Nossa Senhora em Fátima

Em 1992, o bispo publicou a pastoral As portas do inferno não prevalecerão. Nela, alertava:

“A ação infestante e obscura de Satanás [...] está, acreditai-me, mais difundida e é mais nefasta do que se possa pensar” (p. 15).

Na pastoral, D. Andrea convocou a diocese para “uma luta sem quartel, concertada e eficaz contra o mal e as suas artes” (p. 16).

O bispo promoveu orações públicas que congregavam multidões vindas de muito longe.

O Maligno se externava visivelmente, e aqueles que sofriam alguma ação diabólica eram levados à sacristia para serem objeto de exorcismos específicos.

Mons Andrea Gemma e Nossa Senhora de Fátima
O bispo não imaginava que sua pastoral daria a volta ao mundo.

Ela foi traduzida em várias línguas.

Por meio de cartas ou da imprensa, pessoas de toda Itália e até do exterior, apelaram a seu socorro porque sentiam alguma ação diabólica ou estavam possessas.

Isso lhe mostrou que muitos fiéis estavam esperando algo do gênero, diz no livro.

Nos exorcismos, D. Andrea pôde constatar o enorme poder de Nossa Senhora e da Igreja sobre as potências do abismo:

“Se quero ver o demônio realmente furioso, basta jogar-lhe água benta, pronunciando esta minha doce certeza: ‘por fim, o Coração materno de Maria triunfará’.

“‘Sim!!!’, me responde, sempre rangendo os dentes.

“Mas algumas vezes acrescenta um desafio: ‘neste meio tempo, quantos levaremos conosco’...” (p. 63).

D. Andrea interrogou várias vezes os demônios possuidores:

— ”Vós, que vexais as vossas vítimas, tirais algum proveito ou alívio disso?

— Não, pelo contrário, nós sofremos um maior agravamento das nossas penas.

— E, então, por que o fazeis?

— Por ódio, por ódio, por ódio” (p. 61).


continua no próximo post: D. Gemma: o demônio entra nas almas e nas sociedades pela porta do laicismo


Vídeo: Dom Andrea Gemma fala sobre o exorcismo (em italiano)
Bispo emérito da diocese de Isernia-Venafro, Itália, responde a perguntas sobre o exorcismo. Descreve também exemplos de sua vida de exorcista. (Em italiano)



Nossa Senhora destrói o pacto assinado pelo monge Teófilo com o demônio




















segunda-feira, 29 de abril de 2024

Santa Francisca Romana viu o inferno

Santa Francisca Romana (1384-1440) com um anjo protetor.
De nobre e rica estirpe, teve três filhos
e fundou as Oblatas de Maria.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Santa Francisca Romana (1384-1440), de nobre e rica família, casou-se muito jovem, teve três filhos, fundou as “Oblatas de Maria” e em março de 1433 também fundou o mosteiro em Tor de' Specchi, perto do Campidoglio (Roma).

Quando seu marido morreu, em 1436, ela se mudou para esse mesmo mosteiro e se tornou a prioresa.

Ernest Hello, em sua obra “Physionomies de saints”, escreve o seguinte sobre a santa:

“A vida de Francisca reside nas visões. Suas visões mais singulares, mais estupendas, mais características, são as visões do inferno. Inúmeros suplícios, variados como os crimes, lhe foram mostrados no conjunto e nas minúcias”.

“Santa Francisca Romana viu o ouro e a prata derretidos, acumulados pelos demônios nas gargantas dos avarentos”.

Ela descreveu o inferno, onde reina uma ordem às avessas, quer dizer a desordem como o princípio constitutivo da anti-ordem de satanás:

O que é uma pessoa passar uma hora com ouro ou prata derretidos e quentes dentro da garganta, sem anestésicos, sem os mil cuidados dos nossos hospitais?

Então, imaginem o que é passar a eternidade com ouro e prata derretidos na garganta. Querer engolir e não poder, queimaduras horrorosas, sensações atrozes.

Tudo isto Santa Francisca Romana viu como martírio dos avarentos.

“Viu as hierarquias de demônios, suas funções, seus suplícios e os crimes a que eles presidem”.

“Viu Lúcifer, consagrado ao orgulho, chefe geral dos orgulhosos, rei de todos os demônios e de todos os condenados. Esse rei é muito mais desgraçado do que todos os seus súditos”.

Viu, portanto um quadro completo: a hierarquia existente, o que cada demônio faz, os suplícios que sofrem e os crimes a que presidem.

Visão do inferno de Santa Francisca Romana Mosteiro de Tor de'Specchi, pintura de Antoniazzo Romano, 1468.jpg
Visão do inferno de Santa Francisca Romana.
Mosteiro de Tor de'Specchi. Pintura de Antoniazzo Romano, 1468.
Normalmente, todo rei deve ser mais feliz do que seus súditos, mora num lugar de delícias, está num trono. Um demônio, não; é mais infeliz; o rei da desgraça tem que ser mais desgraçado e, por causa disso, é ordenado que Lúcifer seja mais infeliz de todos.

“O inferno é dividido em três partes: o inferno superior, o inferno médio e o inferno inferior. Lúcifer está no fundo do inferno inferior”.

“Sob Lúcifer, chefe universal, acham-se subordinados três chefes a ele e prepostos aos demais”.

É claro, é o rei das trevas e da desordem. Nas coisas que são de Deus, o rei está acima. Mas o rei da desgraça, do crime, da infâmia, está abaixo de todos.

Ele é uma espécie de “vigário geral” para cada um dos setores do crime...

“Asmodeu, que preside os pecados da carne, era um querubim”.

“Mamon, que preside aos pecados de avareza, era um trono”.

“Belzebu preside aos pecados da idolatria”.

Os senhores vejam as tristezas: um querubim que brilhava como um puro espírito, santo aos olhos de Deus e que se transforma no demônio do pecado da carne.

Todo crime ligado às práticas de magia, do espiritismo etc., é da alçada de Belzebu. Naturalmente, a heresia, as más doutrinas, os erros contra a fé etc., são da alçada de Belzebu.

Então, vemos os quatro pecados: impureza, orgulho, avareza e idolatria. Essas são as grandes avenidas da infâmia, do crime e do inferno.

“Belzebu é particular e especialmente o príncipe das trevas. É torturado pelas trevas e é por meio das trevas que tortura suas vítimas”.

Ele está uma cegueira profunda e irremediável, num embotamento do espírito total e trágico, em que nada adianta nada. Ele mesmo sente sua própria insuficiência mental e, com isto, atormenta também as vítimas dele que caíram no inferno.

Santa Francisca Romana: visão do inferno. Mosteiro de Tor de'Specchi, Roma. Antoniazzo Romano, 1468, detalhe superior.
Santa Francisca Romana: visão do inferno.
Mosteiro de Tor de'Specchi, Roma. Antoniazzo Romano, 1468, detalhe superior.
“Uma parte dos demônios fica no inferno; outra reside no ar e outra reside entre os homens, buscando a quem devorar”.

“Os que ficam no inferno dão as suas ordens e enviam seus deputados; os que residem no ar agem fisicamente sobre as perturbações atmosféricas e telúricas, lançam por toda parte influências más, empestam o ar física e moralmente”.

Há, portanto, três “habitats” de demônios.

A ideia do ar moralmente empestado é muito reveladora. Em certas grandes metrópoles, por exemplo, quando a gente avista ao longe São Paulo, vê-se uma espécie de névoa pairando sobre a cidade e que é a síntese de todas as poeiras, sujeiras e impurezas danosas para a respiração.

Os médicos legistas, nos necrotérios, vendo o pulmão do morto sabem se a pessoa morou em uma metrópole ou no interior do Estado. O pulmão de quem morou no interior é rosado e o de quem morou, por exemplo, em São Paulo é carregado desses ares poluídos.

Tem-se a impressão de qualquer coisa de maldito pairando no meio dessas influências físicas más. Isto é o resultado da ação de demônios dessa natureza.

“O seu escopo é principalmente debilitar a alma. Quando os demônios encarregados na terra veem uma alma debilitada pela influência dos demônios do ar, atacam-na no seu esmorecimento para vencê-la mais facilmente”.

“Atacam-na no momento em que ela desconfia da Providência”.

Por vezes passando por algum lugar percebe-se que ele é mais propício ao pecado. Não é absurdo admitir que aquele lugar seja infestado por algum demônio do ar, que o empesta, que cria ali condições inconvenientes para a prática da virtude.

Sete demônios lhe aparecem sob a forma de ovelhas elogiando suas virtudes, mas ela zombou deles. Então se transformaram em lobos que tentavam devorá-la (Mosteiro de Tor de Specchi, Roma)
Sete demônios lhe aparecem sob a forma de ovelhas elogiando suas virtudes,
mas ela zombou deles. Então se transformaram em lobos
que tentavam devorá-la (Mosteiro de Tor de Specchi, Roma)
Depois, um demônio da terra atua ali mesmo e na ação que ali desenvolve, atormenta, persegue a alma, já debilitada, para ela cair mais depressa.

Por isso é tão recomendável o “Livro da Confiança” (do Abbé Thomas de Saint Laurent). Porque quando se desconfia da Providência é a hora em que todas as tentações vêm. Enquanto a pessoa é confiante, a tentação pode vir, mas tem um âmbito restrito.

“Esta desconfiança de que os demônios do ar são especialmente inspiradores preparam a alma para a queda que os demônios da terra dela vão solicitar”.

Essa tentação pode vir assim: “Não adianta resistir... Você vai cair mesmo... Renda-se, entregue-se!...” Isto já é o demônio da terra que está preparando o campo para o pecado próximo.

“A partir do momento em que ela esteja enfraquecida pela desconfiança, inspira-lhe o orgulho, em que ela tanto mais facilmente cai, quanto mais débil se encontre”.

“Quando o orgulho lhe tenha aumentado a fraqueza, chegam os demônios da carne que lhe insuflam seu espírito; quando os demônios da carne a enfraqueceram ainda mais, chegam os demônios incumbidos dos crimes de dinheiro”.

“E quando este (demônio do dinheiro) tenha nela diminuído mais ainda os recursos da resistência, chegam os demônios da idolatria que completam ou rematam o que os outros começaram. E assim é uma crise espiritual completa”.

Quer dizer, a pessoa tentada fica amuada e irritada, com seu orgulho ferido: é o demônio que está inspirando o orgulho à pessoa.

Portanto, há um espírito do demônio da carne que toma conta da pessoa quando ela não se prepara e não se fecha à tentação. Depois vem, então, o amor à ganância.

Começa pela desconfiança em Deus, passa para a impureza, depois ao orgulho, chega até a avareza e acaba na idolatria. E é o esboroar completo da alma através de ondas sucessivas de demônios que lhe vão atacando.

O demônio fingiu ser Santo Onofre para dissuadi-la de fundar as Oblatas.
O demônio fingiu ser Santo Onofre para dissuadi-la de fundar as Oblatas.
“Todos se combinam para o mal e aqui se tem a lei da queda: todo pecado no qual se apraz arrasta a outro pecado. Assim, a idolatria, a magia e o espiritismo aguardam no fundo do abismo aqueles que de precipício em precipício lhe escorregam nas cercanias.

“Todas as coisas da hierarquia celeste são parodiadas na hierarquia infernal. Nenhum demônio pode tentar uma alma sem licença de Lúcifer.

“Os demônios que estão no ar ou na terra não sofrem atualmente a pena de fogo, mas aturam outros suplícios terríveis e particularmente à vista do bem que fazem os santos”.

O demônio fica atormentado ao ver o bem que fazem os santos e aqueles que não são santos, mas que procuram imitar os santos.

Os demônios sofrem terrivelmente vendo um ato público de virtude. Porque eles sofrem mais em ver o bem do que em todos os tormentos do inferno.

Houve um santo que chegou a dizer o seguinte: o fato de Deus mandar o demônio para o inferno, foi também um ato de misericórdia, porque o demônio sofreria muito mais se tivesse que ver a Deus.

Ele odeia tanto a Deus, que prefere os piores tormentos do que estar vendo a Deus. Por causa disso o tormento do ato de virtude lhe é crudelíssimo. O homem que faz o bem inflige ao demônio uma tortura tremenda.

“Quando Santa Francisca era tentada, sabia pela natureza e pela violência da tentação de que altura caíra o anjo tentador e a que hierarquia pertencera”.

Isto é entender do assunto!... Saber se foi tentado por um querubim, ou por um trono! Vejam que admirável! O que é o discernimento dos espíritos de uma santa!

“Porém, quando uma alma é salva, também o demônio tentador é escarnecido pelos outros demônios”.

“É conduzido perante Lúcifer que lhe inflige um castigo especial, distinto das suas outras torturas”.

Capela do Mosteiro de Tor de'Specchi das Oblatas de Santa Francisca Romana
Capela do Mosteiro de Tor de'Specchi das Oblatas de Santa Francisca Romana
Deve ser uma cena de uma molecagem infame quando um demônio volta frustrado para o inferno após haver fracassado!...

Uma sarabanda de caçoadas terríveis, de apodos etc., em que ele volta zombando também e todos os demônios se recolhem frustrados aos seus respectivos antros e lá ficam coaxando eternamente, até vir sobre eles um novo tormento igualmente merecido.

Assim se pode ter uma alegria a mais rechaçando o demônio tentador porque sabemos que aquele demônio vai para o inferno sofrer um tormento especial e que a alma tentada é vingada.

“Este demônio entra às vezes, em consequência, no corpo de animais ou de homens e então faz-se passar pela alma de um morto.

“Quando o demônio conseguiu perder uma alma, após a condenação dessa alma, torna-se o tentador de outro homem, porém é mais hábil do que na primeira vez. Aproveita a experiência que lhe deu vitória, é mais hábil e forte para perder”.

Isso fala em favor da tese de que há um “demônio da perdição” de cada um assim como existe também um Anjo da Guarda.

Isto é muito bom para adquirirmos um verdadeiro ódio ao nosso “demônio da perdição” e para tomarmos uma tática de combate em seu confronto.

Devemos pedir a Santa Francisca Romana que ela nos dê o suficiente discernimento para compreendermos quais ações são do demônio, para odiá-las e talhá-las logo que se iniciam.

Muitas vezes o demônio se apresenta por vias indiretas, sugere-nos coisinhas que parecem insignificantes, uma pequena ideia fixa a respeito de uma ninharia. Por exemplo, uma pessoa que nos olhou de modo “atravessado”.

E a gente começa a achar meio deleitável pensar nisto: “o que aquele fulano fez? Ele me olhou de atravessado!... Lembra-se de tal caso? De tal outro?”

É a ação do demônio... E como é que a gente faz? Corta essas coisas no começo! Há um princípio de sabedoria que diz “principia obstat”, corte no começo! Caso contrário, não adianta.

Tudo quanto é ideia fixa, gosto de ficar se remoendo com ideias que aborrecem, agitação, perturbação, isso é início da ação diabólica que deve ser cortado energicamente!

Vamos Santa Francisca Romana nos dê o discernimento de tudo isto e nos faça compreender como o católico precisa estar preparado para lutar contra essa pluralidade de influências.

E nos previna contra uma doutrina errada mas tão frequente de que a tentação do demônio só é aquela que nos leva diretamente para o pecado e que quando não leva para o pecado diretamente, isso não é do demônio.

Não senhor! Aquilo que prepara o ambiente para o pecado, já é tentação do demônio.

Então, as perturbações, as cóleras, as agitações, as fermentações da imaginação, facilmente podem ser tentações do demônio e a gente precisa se precaver contra elas.

Vamos pedir a Santa Francisca Romana que nos dê uma clara e lúcida visão dessas verdades.





Mons. Athanasius Schneider: o diabo existe e os impenitentes acabam no inferno (legendado em português)



Bispo auxiliar de Astana, capital do Cazaquistão, responde sobre a existência do demônio, do inferno e dos que vão para lá eternamente. (legendado em português)