segunda-feira, 26 de julho de 2021

Deus promete os Apóstolos dos Últimos Tempos
e um dilúvio do Espírito Santo

Soeur Marie des Vallées
Soeur Marie des Vallées
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Continuação do post anterior: Sociedade secreta de feiticeiros se volta contra Soeur Marie des Vallées




Marie manifestou muitas vezes o dom de profecia em suas visões, que jamais eram exteriores, mas sempre interiores.

Ela parecia investida da missão de abrir os olhos dos eclesiásticos e das almas consagradas para suas graves falências, escreveu seu grande anotador São João Eudes.

Essa missão fez com que seus historiadores se perguntassem se não teria sido análoga à dos profetas do Antigo Testamento em relação à decadência da classe sacerdotal hebreia.

Marie deplorava as negligências das pessoas consagradas e a acumulação de benefícios eclesiásticos, o enriquecimento pessoal com os bens da Igreja, a corrida atrás de cargos hierárquicos mais lucrativos, o abandono das regras de moral e da disciplina religiosa...



Pela voz de Marie, Jesus mandou mensagens muito claras:

Eles serão julgados com maior severidade do que os outros.

Aqueles que não cumprirem sua missão serão punidos por todos: pelo povo, pelos nobres e pelos magistrados (ou oficiais de justiça);

Os nobres e os homens de justiça serão punidos pelo povo;

O povo comum será apenas o flagelo de si próprio.

Os infortúnios estão prontos para cair sobre a Igreja, advertia, porque há mais justiça entre a soldadesca do que entre os sacerdotes; e os religiosos enchem os infernos em maior número que as outras classes sociais.

Ela insistia com força que os bispos terão de responder pelo rebanho todo de uma maneira prodigiosamente exata.
Nosso Senhor lhe mostrava com frequência a ferida que mais profundamente afligia seu Coração. Por exemplo, no dia 14 de janeiro de 1645, quando lhe disse:

– “Eu tenho um anel no dedo que me machuca, eu o jogarei no fogo”.

E esclareceu: “Esse anel são as Ordens religiosas que serão purificadas pelo fogo da tribulação...” (p. 561)

Marie também anunciava um outro “dilúvio de fogo” diferente que cairia sobre o mundo. Porque seria fogo do Espírito Santo.

São Luís Maria Grignion de Montfort eccou amplificado o anúncio da vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos
São Luís Maria Grignion de Montfort ecoou amplificado
o anúncio da vinda dos Apóstolos dos Últimos Tempos
Enunciava um conceito que seria retomado depois por São Luís Maria Grignion de Montfort:


“O terceiro dilúvio é o dilúvio do Espírito Santo, que será um dilúvio de fogo, mas será triste porque encontrará muita resistência e uma quantidade de madeira verde que será difícil de queimar”, disse ela.

O barão Gaston de Renty, reproduzindo palavras de Marie, esclarecia, em termos que prenunciam São Luís Maria Grignion de Montfort.

O grande pregador da escravidão de amor a Nossa Senhora, por sua vez, se inspirou nas profecias de Soeur Marie des Vallées, como está consignado no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:

“Disse que isto acontecerá especialmente no fim do mundo, e em breve.

“Porque o Altíssimo e a sua Santa Mãe devem suscitar grandes santos, que ultrapassarão tanto em santidade a maior parte dos outros santos, quanto os cedros do Líbano excedem os pequenos arbustos.

“Assim foi revelado a uma santa alma [Marie des Vallées], cuja vida foi escrita pelo Sr. de Renty”. (Tratado nº 47)

Devemos, portanto, preparar-nos para as grandes tribulações, anotava São João Eudes:

“Nosso Senhor e a Santíssima Virgem disseram-lhe muitas vezes que haverá uma grande e horrível aflição que limpará todos os pecados da terra, em comparação com a qual todas as aflições do nosso tempo não são nada”.

A depuração pelo fogo é necessária, dizia, porque Deus quer renovar a Criação – Emitte Spiritum tuum et creabuntur, et renovabis faciem Terra.

E nisto consiste a grande Obra de sua Misericórdia:

“Será minha Misericórdia a que aplicará todos os castigos que virão então, mas não será recebida como tal porque virá revestida de Justiça”.

O Sagrado Coração quer todas as almas e por isso numa visão falou a Marie de uma “conversão geral”.

Em 1645, Nossa Senhora anuncia a Soeur Marie que “a divina vontade já pronunciou o decreto de morte contra o pecado. Falta apenas executá-lo”.

E em abril de 1650, Jesus disse-lhe novamente: “O que aflige e abala teus demônios (que possuíam a Marie) é que eles estão sendo solicitados a destruir sua própria obra”.


A conversão geral que se aproxima será como uma fogueira universal que abrasará o universo inteiro. 

Esse será recriado sob a signo de uma humanidade reconciliada com Deus, cujo amor arderá nos corações com um fogo que os homens ainda não conhecem.

A terra será povoada por santos. Essa regeneração é a obra dos mártires e das vítimas do amor que hoje sofrem acumulando méritos para esse dia. Após a grande tribulação, a Terra será povoada por santos!!!

Marie des Vallées na vida quotidiana


Marie morava num quarto da casa episcopal e trabalhava como doméstica durante o dia.

O Pe. Lelièvre a descreve como “uma mulher com uma trintena de anos, grande, forte, digna, majestosa até, e mais bem severa. Suas roupas eram simples e muito limpas.

“Sua presença era enérgica. No fundo de seus traços fisionômicos muito doces percebiam-se sofrimentos íntimos pouco comuns.

“Seu olhar era vivo e penetrante: ela sondava logo o visitante e descobria o motivo que o trazia.

“Parecia ler até o mais fundo das disposições das almas. O mero curioso era afastado. Mas aquele que fosse em nome de Deus, trazendo um tema edificante ou pedindo um conselho, era acolhido com a mais extrema benevolência”.
Quando completava seu serviço, ficava fiando ou tecendo na cozinha, compondo canções populares, cânticos e complaintes. Nesses momentos, os padres Lerouge e Potier testemunharam fenômenos místicos sobrenaturais sensíveis.

Numerosos eclesiásticos, incluídos bispos, contemplativos, personalidades do Reino da França e pessoas do povo iam vê-la e pedir seus conselhos.

Capuchinhos, franciscanos, agostinianos e até algum jesuíta foram receber conselhos.

Marie não suportava tibieza nos que se aproximavam dela. Semelhante inconsciência suscitava nela reações por vezes truculentas.

Ela se insurgia contra as modas do tempo e a atitude dos padres ou dos fiéis que celebravam ou acompanhavam a Missa sem se interessarem profundamente.

Para amigos ou inimigos, ela foi um enigma, explica São João Eudes. Seus inimigos não podiam combatê-la abertamente, de tal maneira sua vida era inatacável, então multiplicavam as insinuações depreciativas ou caluniosas.

Segundo seu diretor espiritual, Marie possuía uma espécie de poderoso atrativo natural que lhe conferia um grande ascendente sobre todos os que se aproximavam dela.

Catedral de Coutances, capela onde está enterrada
Catedral de Coutances, capela onde está enterrada

Sua lucidez era excepcional, possuía um grande conhecimento do mal. Sua paciência era imensa, sua lealdade, infalível.

Um de seus biógrafos, Émile Dermenghem, escreveu em 1926:

“Essa iletrada tem uma surpreendente percepção da metafísica e da dedução, um espírito de síntese unido à mais colorida das imaginações [...] Ela vai, como sempre, direto ao centro”.


Após acompanhar a recitação do Rosário com aqueles que a rodeavam, assistida por São João Eudes, Marie des Vallées partiu para o Céu no dia 25 de fevereiro de 1656.

Foi enterrada na capela de São José da igreja de São Nicolas, em Coutances. Várias Ordens disputaram a honra de velar seus restos.

Com aquiescência do Parlamento – tribunal de alta alçada –, seus restos mortais acabaram sendo depositados na capela do seminário dos padres eudistas.

Até serem trasladados no dia 5 de agosto de 1919 para junto do altar da capela du Puits, na catedral de Nossa Senhora de Coutances, onde repousam atualmente.





Nota importante: Todas as citações desta série de posts, salvo indicação em contrário, foram extraídas de “La vie admirable de Marie des Vallées et son abrégé rédigés par Saint Jean Eudes, suivis de conseils d’une grande servante de Dieu”, Centre Saint-Jean-de-la-Croix, Mers-sur-Indre, França, 2013, 693 páginas.

Coleção “Sources mystiques”, textos presentados e editados por Dominique Tronc e Joseph Racapé, CJM.


4 comentários:

  1. Vivemos uma época em que há uma grande decadência do clero! Por isso é muito consolador saber que eles (os sacerdotes) terão de prestar contas mais severas a Deus.

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    1. Vamos rezar por eles. Os sacerdotes são muito tentados! O inimigo quer roubar a fé deles

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  2. Triste realidade vivenciada hoje Muitos estão embriagados pelas tentações do mundo!

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  3. Veja!
    Achei interessante essa homilia!

    Las Señales de los Tiempos: ¿Quienes Van al Infierno?, ¿Se Hundirá la Barca? - Padre Carlos Spahn
    https://youtu.be/ZYGFThoD-v8

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