segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Beato Palau: a Rússia gemendo ante o Juízo de Deus
se converterá como São Paulo

O tsar Nicolau II abre a primeira sessão da Duma (Parlamento) em São Petersburgo, 1906, com participação dos bispos cismáticos. Por trás das belas aparências se avolumava uma das piores catástrofes da História.
O Czar Nicolau II abre a primeira sessão da Duma (Parlamento) em São Petersburgo, 1906,
com participação dos bispos cismáticos.
Por trás das belas aparências se avolumava uma das piores catástrofes da História.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Continuação do post anterior: A Providência Divina em face da Rússia e dos planos do Anticristo



Sobre a Rússia e sua missão na história divina tínhamos para publicar os escritos proféticos do bem-aventurado carmelita Francisco Palau. As apreciações do profético religioso revelaram profundo acerto em muitas temáticas contemporâneas.

A extensão de seus comentários em verdade nos tirava o fôlego antes mesmo de começar.

Mas repassando outros comentários, desta vez do prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre os escritos proféticos do carmelita espanhol tomamos coragem.

Iniciamos, pois, uma série de posts a respeito de este outro lado da alma russa, achincalhado pelo cisma, pelo comunismo e pela enganosa estratégia de Vladimir Putin.



Deus Juiz Supremo, catedral de São Salvador, Bruges, Bélgica, Artus Quellinus o Jovem (1625-1700).
Deus Juiz Supremo, catedral de São Salvador, Bruges, Bélgica,
Artus Quellinus o Jovem (1625-1700).
Em linguagem literária, o Beato Palau cria uma didática imagem do que seria o juízo divino da Rússia, e assim nos introduz no cerne do problema desse país na Revolução universal e de sua futura conversão:

“Ouvi vozes poucos dias há, enquanto dirigia meus passos rumo a uma das colinas da minha solidão:

“Misericórdia! misericórdia! Senhor Vos sabeis que ainda quando a Rússia pode se incluir no número dos povos prevaricadores da Terra, entretanto merece uma bondosa acolhida em vosso peito misericordioso”.

“Essas palavras causaram uma profunda impressão em meu espírito”.

“El Ermitaño”, Ano IV, Nº 189, 22 de Agosto de 1872.

Sim, para o beato espanhol, a Rússia – ainda em pleno reino dos czares que eram cismáticos – se incluía entre as nações prevaricadoras.

Mas, vozes – que veremos ser de almas santas – imploravam misericórdia por esse país na iminência do juízo terrível de Deus.

Isto contém um enigma. E o santo carmelita o formula também com uma sugestiva imagem:

“E eis que se abriram sobre mim os céus como se se rasgasse um grande pedaço da abobada celeste sobre minha cabeça.

“E apareceu ante meus olhos uma enorme balança que pendia de uma mão misteriosa enquanto o fiel se encontrava em perfeito equilíbrio.

“Saiu logo um demônio deforme para desequilibrar os dois pratos e agitava para ambos os lados o fiel que voltava uma e outra vez ao equilíbrio na enorme balança enorme.

“depois de uma caverna profunda saíram mais dois outros demônios carregando um fardo terrível sobre suas costas negras como carvão, alastrando sua longa cauda e olhando para uma e outro lado agitando o enorme peso de seus eriçados chifres afiados como pontas de aço.

“O primeiro daqueles seres deformes jogou com furor seu pacote sobre um dos pratos.

“Nele estava escrito com letras que brilhavam como o fogo: “Pecados da Rússia”.

“O diabo que vinha depois se desenvencilhando de seu seu enorme pacote, o pôs como pode no prato da balança, (...). Logo saíram da cova outros demônios com mais pacotes, (...)

“Mas a voz repetiu: “Misericórdia para a Rússia!” (...)

“Vi o Salvador do mundo aparecer sobre nuvens repetindo com voz imponente e majestosa:

“Temerário! Por que me persegues?... dura coisa é para ti dar cozes contra o aguilhão”.

“El Ermitaño”, Ano IV, Nº 189, 22 de Agosto de 1872.

A introdução nos apresenta que por causa de seus pecados históricos e sociais, o império russo não se sustentaria na hora em que Deus fosse julga-lo.

Porém, o santo carmelita previa profeticamente a conversão e o perdão histórico da Rússia então czarista e cismática.

O Pe. Palau escrevia isto, 45 anos antes de Nossa Senhora aparecer em Fátima e falar em termos análogos da Rússia que estava sendo escravizada pela revolução bolchevista.

O texto completo da mensagem de Fátima redigido pela irmã Lúcia leva a data de 8 de dezembro de 1941, sendo o artigo do Pe Palau sobre a conversão da Rússia datado de 22 de Agosto de 1872.

Quer dizer, o país que seria um flagelo dos homens pela misericórdia de Nossa Senhora acabaria se convertendo.

Essa mudança estaria ligada a uma conversão maior de humanidade.

Porque em Fátima Nossa Senhora pediu que os homens abandonassem o caminho de perdição em que vão afundando cada dia mais. Se isto acontecesse, a Rússia se converteria e o mundo teria paz.

Ela deixou assim meio entendido que para o triunfo do Imaculado e Sapiencial Coração dEla se realizar, a Rússia deveria se converter.

Quantas almas não haverá na Rússia esperando essa hora de perdão?

Almas na Sibéria, almas em lugares terríveis, sofrendo frios inimagináveis. Mas almas que são sementes do Reino de Deus e que contêm em si as esperanças de Deus na Rússia.

A voz que o Beato Palau imagina clamando misericórdia revela a necessidade de rezar a Nossa Senhora especialmente por essas almas.

E, prosseguindo, o Pe. Palau imagina como poderia se dar essa conversão:

“Vi um rei poderoso que parecia ser o Czar e esse rei estava prostrado por terra derrubado como Paulo quando ouviu aquela poderosíssima voz na estrada de Damasco.

“Entendi logo que aquele poderoso imperador um certo dia haveria de abençoar a misericórdia do Deus que haveria de brilhar especialmente sobre aquelas regiões prisioneiras do diabo durante tantos séculos”.

“El Ermitaño”, Ano IV, Nº 189, 22 de Agosto de 1872.

O espanhol Beato Palau morreu em 20 de março de 1872. Portanto mais de vinte anos antes do nascimento do polonês São Maximiliano Kolbe em 8 de janeiro de 1894, que citamos no post anterior.

Mas anteviu o peso que teriam na balança da Justiça divina as orações de almas santas de poloneses como São Maximiliano Kolbe.

Ou mesmo de Santa Faustina para a misericórdia e a conversão da Rússia, que citamos no post anterior.
“E liguei que as lágrimas da Polônia, prossegue o Beato Palau, qual as de um outro Estevão haviam sido aceites ante o trono de Deus e que seus gemidos haviam penetrado a abóbada dos céus.

“Assim como as súplicas de Estevão conseguiram a conversão de Saulo num só dia, assim as da Polônia martirizada obteriam a bênção para a Rússia. (...)

Santa Ursula Maria Ledóchowska (1865 – 1939)
Santa Ursula Maria Ledóchowska (1865 – 1939)
Santa Úrsula Ledochowska, polonesa apóstolo da nobreza russa

Santa Úrsula Ledochowska, filha da nobreza polonesa, ingressou nas ursulinas. Foi abadessa até que São Pio X a enviou a São Petersburgo para fazer apostolado com as filhas da nobreza russa.

Ela atraiu para o catolicismo numerosas jovens de famílias cismáticas frequentadoras da Corte, ficando patente as possibilidades do retorno da Rússia à Igreja Católica.

Seu extraordinário apostolado não teria sido possível sem uma aguda intuição profética das revoluções e guerras que fez o bolchevismo.
(Fonte: “La Civiltà Cattolica”, 2.7.1983)

“E soube também que, dado que nela encontraram acolhida humildes sacerdotes perseguidos quando se levantava o furacão em volta do Santuário, esse é um dos grandes povos cuja conversão e regresso à verdadeira fé não demorará muito.

“(...) sem tardar, enviará o Senhor às dilatadas regiões daquele império vastíssimo os que anunciarão sua glória.

“Nos novíssimos dias o Senhor Deus fará florescer naquele dilatado império sua justiça e sua gloria ante o olhar das demais nações.

“Gloria a Deus! Quem como Deus!”

“El Ermitaño”, Ano IV, Nº 189, 22 de Agosto de 1872.

Nesta perspectiva grandiosa, mas profética, sobrenaturalmente ligada à mensagem de La Salette e Fátima, se inserem alguns comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que julgamos elucidativos.

Não foram formulados como resultado de visões nem de revelações.

São fruto da análise e do conhecimento refletido de fatos históricos e da experiência da vida quotidiana do ilustre professor de História Moderna e Contemporânea na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Prosseguiremos então com excertos de sua autoria.





3 comentários:

  1. Interessante! Não sabia que o beato Palau tinha escrito sobre a Rússia. Pelo que vejo, ele estava muito bem informado sobre os acontecimentos políticos e sociais do seu tempo, sem ao mesmo tempo, deixar de ser um grande místico.

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  2. Deus seja louvado pela mensagem da conversão da Rússia .
    Nunca compreendi pq João Paulo II não consagrou a Rússia a Nossa Senhora como tanto pediu e desejou .
    ertamente que Deus Pai enviou o ESPIRITO em nome de Jesus para aguardar .Nada acontece por acaso.
    O Senhor tudo sabe ,tudo vê e tudo conhece -seria preciso pôr nos a todos à prova das atrocidades narxistas,leninistas,estalinistas e bolchevistas para se cumprir o vaticínio de João xIII "O COMUNISMO HÁ-DE SE AUTODESTRUIR".
    Entretanto ,o ser humano mergulha na indiferença e DEUS não passa de um mito ou de uma folha plástica .

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  3. O Pe. Malachi Martin, que foi muito conhecido nos EUA, mas desconhecido no Brasil, uma vez respondendo a pergunta: por que JOão Paulo II não consagrou a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, disse que ele não tinha recebido a graça para isso. É uma resposta curta que pode não agradar a alguns ou a muitos, mas me parece verdadeira.

    Já os mais otimistas dizem, que mesmo João Paulo II não tendo consagrado nominalmente a Rússia como pedia Nossa Senhora, mas o mundo ao Imaculado Coração de Maria, com uma menção velada ou implícita da Rússia, isso já diminuiu as forças do comunismo.

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