segunda-feira, 29 de maio de 2017

Santa Brígida e o julgamento do mau papa, dos maus clérigos e laicos católicos, dos judeus e dos pagãos

Santa Brígida da Suécia, igreja de Bollnäs-Rengsjö, Suécia, c.1500
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: Santa Brígida e o juízo de Deus a cinco homens simbólicos desde o mau papa até os bons católicos


prossegue a visão:

“Agora declaro meu desgosto para contigo, cabeça de minha Igreja, tu que te sentas em minha cátedra.

“Concedi este cargo a Pedro e a seus sucessores para que se sentassem com uma tripla dignidade e autoridade:

“primeiro, para que pudessem ter o poder de ligar e desligar as almas do pecado;

“segundo, para que pudessem abrir o Céu aos penitentes;

“terceiro, para que fechassem o Céu aos condenados e àqueles que me desprezam.

“Mas tu, que deverias estar absolvendo almas e me as oferecendo, és realmente um assassino das minhas almas.

“Designei Pedro como pastor e servo de minhas ovelhas, mas tu as dispersas e as feres, és pior que Lúcifer.

“Ele tinha inveja de mim e não perseguiu para matar ninguém mais que a mim, de forma que pudesse governar em meu lugar.

“Mas tu és o pior, porque não só me matas ao apartar-me de ti por teu mau trabalho senão que, também, matas as almas devido ao teu mau exemplo.

“Eu redimi almas com meu sangue e te as recomendei como a um amigo fiel.

“Mas tu as devolves ao inimigo do qual eu as resgatei, és mais injusto que Pilatos.



“Ele tão somente me condenou à morte.

“Mas tu não somente me condenas como se Eu fosse um pobre homem indigno, como também condenas as almas de meus eleitos e deixas livres os culpados.

“Mereces menos misericórdia que Judas.

Crucificação e Juízo Final, Jan van Eyck  (1390 — 1441). Metropolitan Museum of Art, NYC.
Crucificação e Juízo Final, Jan van Eyck  (1390 — 1441).
Metropolitan Museum of Art, NYC.
“Ele tão somente me vendeu, mas tu, não só me vendes como também vendes as almas de meus eleitos com base em teu próprio proveito e vã reputação.

“Tu és mais abominável que os judeus.

“Eles tão somente crucificaram meu corpo, mas tu crucificaste e castigaste as almas de meus eleitos para quem tua maldade e transgressão são mais afiadas que uma espada.

“Assim, posto que és como Lúcifer, mais injusto que Pilatos, menos digno de misericórdia que Judas e mais abominável que os judeus, meu aborrecimento contigo está justificado”.

O Senhor disse ao segundo homem, ou seja, o que representa os maus leigos católicos:

“Eu criei todas as coisas para teu uso. Tu me deste teu consentimento e Eu a ti. Prometeste-me tua fé e me juraste que me servirias.

“Agora, entretanto, te separaste de mim como alguém que não conhece a Deus.

Referes-te às minhas palavras como mentiras e a meus trabalhos como carentes de sentido.

Dizes que minha vontade e meus mandamentos são muito duros. Tens violado a fé que me prometeste.

“Destruíste teu juramento e abandonaste meu Nome.

“Tens te afastado a ti mesmo da companhia de meus Santos e te integraste na companhia dos demônios fazendo-te sócio deles.

Tu não crês que ninguém mereça louvor e honra a não ser tu mesmo.

Detalhe do Triptico do Juízo Final,
Hans Memling (1430 - 1494).
“Consideras difícil tudo o que tem a ver comigo e o que estás obrigado a fazer por mim, enquanto que as coisas que gostas de fazer são fáceis para ti.

“É por isso que meu aborrecimento contigo está justificado, porque quebraste a fé que me prometeste no batismo e depois dele.

“Além disso, me acusas de mentir sobre o amor que te mostrei por palavra e através de fatos. Disseste que eu era um louco por sofrer”.

“Ao terceiro homem, ou seja, o representante dos judeus, digo-te:

“Eu comecei meu amoroso idílio contigo.

“Eu te elegi como meu povo, libertei-te da escravidão, dei-te minha Lei e conduzi-te até a Terra que havia prometido a teus pais e te enviei profetas que te consolaram.

“Depois, elegi uma Virgem dentre vós e tomei dela, a natureza humana.

“Meu desgosto contigo é que ainda recusas crer em mim dizendo: “Cristo não veio, mas, ainda virá”.

“O Senhor disse ao quarto homem, ou seja, aos pagãos:

“Eu te criei e o te redimi para que fosses cristão. Fiz para ti todo o bem.

“Mas tu és como alguém que está fora de seus sentidos, porque não sabes o que fazes. És como um cego, porque não sabes para onde vais.

“Adoras as criaturas em lugar do Criador, a falsidade em lugar da verdade. Ajoelhas diante das coisas que são inferiores a ti. Esta é a causa do meu desgosto em relação a ti”.

Ao quinto homem, disse:

“Aproxima-te mais, amigo!”

E se dirigiu diretamente à Corte Celestial:

“Queridos amigos, este amigo meu representa meus muitos amigos. Ele é como um homem cercado por corruptos e mantido em um duro cativeiro.

“Quando diz a verdade, atiram pedras em sua boca.

“Quando faz algo bom, cravam uma lança em seu peito.

“Ai! Meus amigos e santos!

“Como posso suportar essas pessoas e quanto tempo suportarei semelhante desprezo?




6 comentários:

  1. Acho interessante essa questão da relação dos judeus com a Igreja. Antigamente, na Idade Média, era muito claro como está expresso na visão : “Meu desgosto contigo é que ainda recusas crer em mim dizendo: “Cristo não veio, mas, ainda virá”. Hoje, devido às novas leis que regem o mundo, a Igreja pouco pode fazer pelos judeus. Mas o novo catecismo da Igreja Católica diz que um dos sinais da vinda próxima de Cristo será a conversão dos judeus a Cristo (CIC 674). E eu fico me perguntando: quando acontecerá essa conversão, pois parece que os judeus estão cada vez mais distantes de Cristo!!!

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  2. Essa mensagem ou meditação de Santa Brígida, atribuída a Jesus, inspirada em Jesus, mas seria inspirada por Jesus? Os Santos não são infalíveis, mas aqui ela fala em categorias culturais próprias daquela época em que não ser agressivo e impugnativo era visto com maus olhos. A visão da Santa reflete a insatisfação dos cristãos daquela época, ou a insatisfação dos observantes em relação aos inobservantes do catolicismo. Naquela época essa linguagem era necessária para estimular as pessoas a praticarem as virtudes cristãs e a se manterem fervorosas. Essa motivação ou finalidade de entusiasmar as pessoas da época, segundo a cultura da época, bem no fundo trás a Misericórdia com a qual Jesus converte os pecadores. Com palavras duras a Santa pretendia levar seus ouvintes ou leitores ao arrependimento que tinha por consequência levar os pecadores a se abraçarem com Cristo que assim tratou o filho pródigo.

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    1. Foi Jesus que falou a ela. Esses escritos foram lidos relidos e analisados centenas, se calhar milhares de vezes, sempre aprovados e ela foi declarada santa o que não poderia ser feito se esses escritos não fossem dignos de fé, bons e úteis, e se não fosse santa não realizaria nem um milagre e se é santa e profeta, devemos sim crer nessas revelações e ai de quem desprezar.

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  3. Jesus falou diretamente ao Papa Francisco na primeira mensagem, eu não desconfiava que era pior que Lúcifer. Olhem que Jesus não fala se o Papa fizer algo contra a doutrina onde se aplica a infabilidade papal, se não me engano, mas ao exemplo que dá.

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  4. A soberania provém do Senhor
    e o poder do Altíssimo...
    que pedirá contas de nossas obras
    e prescrutará nossas intenções.
    Se, pois, apesar de serdes ministros do Seu Reino, não governastes retamente ...
    nem vos comportastes em conformidade com a vontade de Deus. Ele erguer-se-á contra vós terrível e de forma repentina...
    Serão julgados com extremo rigor aqueles que governam os outros.

    Sabedoria cap 6

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  5. Sobre as Revelações de Santa Brígida eis o que diz Dom Estêvão Bitencurt: "Os Papas nunca tiveram a intenção de impor revelações privadas à crença dos cristãos; após a morte do último dos Apóstolos não há mais Revelação de fé na Igreja. É, aliás, o Papa Bento XIV em 1767 quem o afirmava na sua obra monumental sobre «A beatificação dos Servos de Deus»: que pensar, interroga ele, a respeito das revelações particulares aprovadas pela Igreja, como são, por exemplo, as das Stas. Hildegardes, Brígida e Catarina de Sena? Responde: «Não podemos nem devemos dar a essas revelações, ainda que aprovadas, um assentimento de fé católica (sobrenatural); podemos, porém, prestar-lhes assentimento de fé meramente humana, de acordo com as regras da prudência, que insinua serem tais revelações prováveis e dignas de piedosa crença» (1. EU, c. 53 n.-15)."

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