quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A longa e complicada história do Segredo de La Salette

Beato Pio IX

O Bemaventurado Papa Pio IX (foto) aprovou enfaticamente a mensagem de La Salette.

Se a mensagem de Nossa Senhora fosse de pouca transcendência, a decisão do Santo Padre e o solene e excepcional reconhecimento da aparição por parte do bispo diocesano teria posto fim às polêmicas.

Porém a tempestade, longe de amainar, recrudesceu ao máximo.

Vendo que a obra de Nossa Senhora progredia com a bênção do Papa, tais maus católicos, eclesiásticos e leigos, passaram à contestação e à difamação aberta, com intrigas e escritos desabonadores.

Eles eram uma minoria, mas muito ativa e com fortes cumplicidades no governo e nos antros anticlericais.

Novo bispo de Grenoble volta-se contra La Salette

Mons. de Bruillard defendeu a autenticidade da aparição e a difusão da mensagem. Mas, sendo já muito idoso, teve que renunciar à diocese.

O imperador Napoleão III e o Cardeal Jacques Mathieu, líder dos bispos galicanos que contestavam prerrogativas irrevogáveis da Santa Sé, impingiram seu candidato para a sucessão: Mons. Jacques Ginoulhiac.


Assim que o Vaticano foi informado disso, desaprovou a nomeação do novo bispo e urgiu ao Núncio Apostólico em Paris para que impedisse a posse. A Concordata da época, infelizmente, concedia regalias, abolidas depois, ao governo civil para a designação de bispos. O novo prelado tomou posse da diocese antes de chegar o veto de Roma.

D. Jacques-Achille Genouilhac, novo bispo de La Salette foi contra a mensagem
Mons. Ginoulhiac voltou-se contra o Segredo de La Salette
e contra o próprio Papa
O Beato Pio IX tinha razões por demais graves para não aprovar a nomeação: Mons. Ginoulhiac era um líder liberal.

Posteriormente foi grande opositor à proclamação do dogma da infalibilidade pontifícia, a ponto de abandonar Roma para não participar do dia glorioso da promulgação desse dogma no Concílio Vaticano I.

Era também acérrimo inimigo da mensagem de La Salette.

Não muito tempo depois da instalação do novo bispo, dois eclesiásticos da diocese publicaram sem licença um libelo difamatório contra os videntes, com a assinatura de mais 50 padres.

O Papa exortou Mons. Ginoulhiac a permanecer dentro dos limites do Direito Canônico e pediu-lhe que então defendesse La Salette. Mons. Ginoulhiac condenou o libelo e aparentou aceitar a solicitação do Pontífice. Mas continuou empenhado em abafar a mensagem e silenciar os pastorinhos.

Católicos liberais, poderes civis e associações anticatólicas sabiam que se a mensagem fosse bem recebida, a causa da Revolução estava perdida.

Para complicar ainda mais o quadro, vários pseudo-videntes espalhavam mensagens parecidas, mas falsas.

Uma pretensa mística, a condessa Pauline de Nicolay, dizia transmitir revelações que desclassificavam moralmente os pastores. Propôs sibilinas fórmulas, avidamente endossadas pelo bispo liberal, no sentido de que o papel de Mélanie e Maximin havia terminado antes de 1858, ano no qual deviam revelar a íntegra do segredo. Segundo esta falsa vidente, eles deveriam ser afastados e interditados de voltar a falar do caso. Dessa maneira eles nunca poderiam revelar o segredo como Nossa Senhora pediu.

Acresce que inimigos velados de La Salette, aventureiros ou políticos interesseiros colocaram em circulação versões embaralhadas da mensagem e até adulteradas. Pretendiam justificar posições políticas previamente adotadas ou simplesmente desmoralizar as palavras de Nossa Senhora.


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