segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ministério da Justiça trama repressão da aparição de La Salette


Em maio de 1847 o Ministério da Justiça elaborou um relatório ameaçadoramente contrário a La Salette. O documento era endereçado ao chefe da pasta, o ministro Hébert, hostil à Religião e a La Salette.

Esse relatório resumia informes de polícia que descreviam a difusão da devoção a La Salette pelo país todo.

Para propor uma perseguição, ele tomava como pretexto o anúncio de Nossa Senhora de que, se a França não se convertesse, viria fome e mortalidade de crianças.

“Tais passagens, diz o pérfido relatório, são de molde a produzir efetivamente, e já tem produzido, funestas impressões sobre as populações ignorantes. Elas poderiam, neste tempo de fome, até comprometer a tranqüilidade pública. Porém não se encontra no Código Penal, nem nas leis de imprensa, nem nas leis sobre os cereais, qualificação penal alguma que lhe seja imputável. Não há nem incitamento à desobediência das leis, nem tentativa de perturbação da paz pública excitando o menosprezo ou o ódio contra uma ou várias classes de pessoas, etc.”.



Em palavras mais simples, a polícia reconhecia que não havia nenhum mal na devoção a La Salette.

O relatório recolhia informações da imprensa hostil e recomendava que o ministro acionasse os bispos que apoiavam La Salette para que pusessem fim à difusão da aparição de Nossa Senhora. Assim seria barrado o que o relatório qualificava de perigosos efeitos do aviso celestial.

O ministro Hébert agiu em conseqüência. Enviou carta aos bispos que apoiavam La Salette.

Exigiu cinicamente ao bispo de Grenoble, Mons. Philibert de Bruillard, “deter muita presteza o progresso do mal [a difusão da mensagem de La Salette], fazendo conhecer a verdade às populações e desbaratar as manobras culposas”.

Mons. Bruillard (foto ao lado) respondeu com a autoridade e a superioridade que corresponde a um bispo.

Fez saber ao ministro a inconsistência dos pedidos contidos na sua carta e a verdade inteira dos fatos acontecidos em La Salette.

O regime – a monarquia ilegítima de Luís Felipe – caiu no ano seguinte, mas a ofensiva laicista contra La Salette não parou.

A imprensa continuou a bater na mesma tônica contra a “imoral predição propagada por alguns inventores de patranhas”, que só serviria para tirar o dinheiro dos fiéis que iam a La Salette procurar auxílio e perdão.

Nestes episódios pode-se apalpar a dureza dos corações afastados da Igreja.

E, também admirar a sabedoria de Nossa Senhora increpando com firmeza a maldade do século.

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